#transporte#Coletivo X individual


Já que o assunto é transporte, quero pegar uma carona nos comentários ao meu post de sexta-feira, sobre o City Car.

O famoso anonimo disse que, em vez de nos preocuparmos em arrumar outras formas de nos locomover, devíamos é encontrar jeitos de não precisarmos nos locomover tanto: trabalhar em casa, descentralizar nossas cidades para poder encontrar de tudo pertinho etc. Já o Tiago acha que soluções para o transporte não devem ser carrinhos individuais como o City Car – segundo ele só se resolve o problema com transporte coletivo (a propósito, o Terreform 1, o mesmo escritório que criou o City Car, tem um projeto sensacional de transporte coletivo – este "zepelim" da imagem acima).

Os dois têm alguma razão. Como disse o anonimo, à medida que as megalópoles crescem, vai ser inevitável que surjam outros centros. O velho modelo da cidade com um centro só, que exige que sua população toda faça os mesmos trajetos para ter acesso aos serviços, é insustentável. E transporte público de qualidade é condição primeira para uma cidade decente.

Mas nenhuma dessas duas soluções deveria ser vista como a solução. Se levarmos ao extremo a ideia do anonimo, o que teremos é uma cidade espalhada, sem centro, sem alma, sem pontos de encontro por onde todo mundo passa, onde a vida acontece e a cultura se enriquece. Um arquipélago de ilhas individualistas no qual ninguém se encontra por acaso.

Se, ao contrário, formos até o fim no modo de ver do Tiago, o resultado é uma cidade massificada, sem espaço para individualidades, para quem quer se mover do seu jeito. A cidade do anonimo me lembrou Los Angeles, a do Tiago me fez pensar em Hong Kong.

Transporte coletivo decente e acesso a comércio e serviços perto de casa são dois componentes importantes das cidades sustentáveis do futuro, mas não podem ser os únicos. Está cada vez mais claro que o caminho a seguir – não só quando o assunto é cidade e transporte – é o da diversidade de opções. Não dá para apostar todas as fichas numa ideia, temos que fugir dos modos monolíticos de pensar. Hoje, somos reféns de uma hegemonia desse tipo: a cidade é inteirinha refém dos carros. No futuro, precisamos escapar da armadilha de achar que uma solução só é boa para todo mundo.

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17 comentários
  1. V!tor Sousa disse:

    Nobre Denis, velho companheiro (das minhas leituras) da Superinteressante! Bom vê-lo na ativa! Parabéns pelo espaço e sucesso!

  2. Manuel Amaral Bueno disse:

    A cidade do anônimo me lembrou Brasília.

  3. Danusa Raquel disse:

    Olá!! Estou amando este espaço… Acabei de conhecer por meio de um outro blog, o qual lhe faz justiça pelos elogios. Ri e refleti muito no primeiro post e neste você me lembrou a História, pois não podemos ter uma só versão para os fatos, o ponto de vista de outros sempre complementa.Um grande abraço!!

  4. Denis disse:

    Oi Rossana,Pode mandar para burgierman <> gmail <> com.Valeu!

  5. Claudiane disse:

    Nossa…adorei!!!Bastante interessante a temática. E a imagem então, sem comentários.Quanto à minha opinião… acredito que tudo nessa vida de meu Deus deva ter um ponto de equilíbrio. O famoso 8 ou 80 chega a ser extremista demais em vista de nossa realidade. Abraço!!!

  6. Rossana disse:

    Denis,Por favor poderiamandar seu email,pois tenho uma sugestão de matéria sobre um Projeto Global de Sustentabilidade e Educação.GrataRossana

  7. Eduardo disse:

    Dennis, o que você acha do TEX, proposta de transporte coletivo do arquiteto/designer Indio da Costa (www.indiodacosta.com) ? Pareceu-me bem mais “pé-no-chão”.[]s,Eduardo

  8. Marlos de Souza disse:

    Tenho acompanhado suas considerações a cerca do transporte em cidades e cada vez mais fica a impressão que nunca será possível uma solução mágica e única: Qualquer solução ou soluções deverão contemplar diferentes cidadãos, com diferentes necessidades, varáveis como distância, poder aquisitivo, disposição física, espaço físico disponível, etc. Veio do Japão de um amigo/cliente uma solução que gostaria de compartilhar: Ele é diretor de uma conhecida multinacional e tem para os fins de semana com a família um SUV beberrão de 2,5 toneladas. No dia a dia, usa uma bicicleta elétrica, no caso dele dobrável, que ele utiliza para chegar à estação do metro, a 6 km de sua casa. Chegando lá, ele dobra a bicicleta ( aro 16″, 11 kgs de peso, tamanho de um laptop ). Senta-se no metrô com esta bike no colo e em 40 minutos de viagem ( 60 km ) ele desce na estação e ainda tem mais 3 km para chegar ao escritório, facilmente vencidos com a e-bike. Chega no escritório, dobra novamente a bicicleta, coloca num cantinho da sala e no final do dia faz tudo de novo. Fiquei encantado com a solução e imagino o dia que as pessoas pensarão em bicicletas, elétricas ou não, de uma forma racional e sem preconceito. Obrigado. Marlos.

  9. anonimo disse:

    Fiquei surpreso em ser mencionado no blog. De qualquer forma, agradeço a oportunidade da súbita “fama anônima”. É claro que não defendo o individualismo ao extremo, é claro que toda cidade tem a sua Av. Paulista, Time Square, Ginza, Champs Elysées, Piccadilly Circus, etc. Apenas acho que nos movemos demais, desnecessariamente, lotando as ruas e avenidas, estressados e atrasados, ligando pelo celular (apesar da proibição) avisando que está preso no transito e tal. Não estou reinventando a roda. Tenho notado que algumas empresas já perceberam essa necessidade e estão mudando o foco. Por exemplo, o Extra e as Lojas Americanas estão abrindo lojas menores espalhados pela cidade ocupando o mesmo espaço das lojas de conveniência que vemos no Japão ou nos EUA. Quanto ao zeppelin, aí em cima, gostei, mas mais como lazer do que transporte público.

  10. Joao Antonio Carvalho disse:

    Parabéns e começar é assim mesmo. O primeiro passo causa tremores, mas você irá se acostumar e tenho certeza que todos iremos acompanhar esta nossa (sua) evolução em alguma alternativa para transporte, sustentabilidade e outras preocupações. Um grande abraço.

  11. Flávio disse:

    Para diminuir o transito, o paradigma do “chefe vendo o funcionário trabalhar” tem que ser quebrado. Por que, hoje em dia, para uma grande parcela da população, é perfeitamente possível trabalhar em casa, desde que as empresas o permitissem. Só que as empresas não farão esse movimento por conta própria, uma vez que para elas, pouco importa quanto tempo você leva para se locomover até o local de trabalho e de volta para sua casa, uma vez que o funcionário é pago pelo tempo que passa na empresa e não fora dela.Para isso mudar é preciso a interferência do poder público, que poderia ocorrer de duas formas: Incentivando com redução de impostos, as empresas que adotarem medidas para deixar seus funcionários trabalhando em casa. O que é claro dependeria do governo, colocar a mão em seu próprio bolso e não no bolso alheio como costuma fazer, sendo, portanto improvável de acontecer. A outra forma é criar uma lei que obrigue as empresas a adotar medidas como essa e cobrar uma multa das empresas que se recusarem a fazê-lo. O que seria uma idéia tentadora para nossos governantes, porque geraria uma fonte de renda adcional, pelas multas e ainda melhoraria o problema do transito.

  12. Larissa Veloso disse:

    Olá Denis,Acompanho o seu trabalho desde que você era repórter da Super,e realmente admiro a sua escrita e as suas idéias.Lancei um blog recentemente, que conicidentemente também se chama sustentável. Mas a minha idéia, um pouco como você, é rever esse conceito. Fiz um post sobre o seu blog. Nos faça uma visita: http://www.blogsustentavel.wordpress.comContinue com o trabalho, e mãos à obra pra gente!

  13. Denis RB disse:

    Valeu, galera. Bem legal o blog, Larissa. Perfeito, Manuel, é mais Brasília que Los Angeles. Eduardo, postarei sobre isso em breve.abs

  14. Barbosa_Sub disse:

    Diversidade é a chave. Resta saber se essa diversidade será boa para indústrias que faturam alto com o estilo de vida atual de grande parte do planeta.Se essas decidirem não colaborar, acho que o processo de sustentabilidade pode ficar mais lento do que já se espera.Tem muito de comportamento humano nessas mudanças. E pelo que eu conheço dos humanos só dá pra ver acomodação e concordância com novos discursos apenas pra manter uma ideologia… Seres politicamente corretos na teoria, mas na prática são os primeiros a jogarem papel de bala no chão.

  15. Adriano disse:

    Moro em Sao Paulo e optei por desfazer de meu carro. Utilizo onibus todos os dias e cheguei a algumas conclusões:- O bilhete único revolucionou o sistema.- Rodízio e pedágio são formas da prefeitura faturar com o caos. Quanto mais carros na rua mais multas nos cofres. Soluções para o transito envolve proibir veículos em determinadas vias.- Os corredores de onibus são opções mais baratas do que o metro e deveriam ser implantados em TODAS as avenidas.- Microonibus não deveriam ter cobradores. Deveriam ser administrados por concessionários autonomos, como são os taxis. Devem operar em ruas secundárias, fazendo a distribuição de passageiros dentro dos bairros onde não deveriam circular onibus. – Nas vias de comércio intenso (teodoro Sampaio, 25 de março, etc) só deveriam circular transporte coletivo.- o Minhocão deveria ser de uso exclusivo de pedestres e ciclistas. Não seria legal se tivessem rickshas?- Deveria ser implantada uma enorme ciclovia ligando todos os parques da cidade.Estas são algumas idéias que me ocorrem olhando pela janela do onibus…

  16. Carlos Motta disse:

    Concordo que não podemos prescindir da melhoria do transporte público para melhorarmos o trânsito, a qualidade de vida e o meio ambiente. Porém sabe-se que uma boa parcela da população, cujo poder aquisitivo permite escolher seu meio de transporte, só abandonará o individual se tiver opção melhor. Acredito também no transporte multi-modal urbano, com trens, metrôs, ônibus híbridos e pequenos veículos elétricos inteligentes fazendo o percurso dos terminais até o destino final de seus passageiros. Esses veículos ofereceriam o “serviço de transporte” e não mais seriam vistos como patrimônio pessoal ou mesmo investimento por parte das pessoas. Já aconteceu com o telefone, que venham os pequenos VE’s! Estamos iniciando o desenvolvimento do Triciclo Pompéo Elétrico, cujo projeto esperamos finalizar até o final de 2009, e verificamos que as oportunidades estão realmente se abrindo com a crise, concordamos que a mesma é um sinal para repensarmos nossa passagem enquanto espécie por este hotel que é o planeta, e tal como num hotel, devemos deixá-lo apto a receber novos hóspedes!

  17. Tiago disse:

    Já imaginou na Índia 1 Tata de US$2000,00 para cada dois habitantes? Seriam 550 milhões de Tatas circulando … Mas, circulando onde? A Índia pretende construir infraestrutura viária para acomodar tanto Tata? E o combustível para estes Tatas, viria de onde?O mesmo pode ser dito para a China, só que neste caso são 1,3 bilhões de pessoas!

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