#AQUECIMENTO GLOBAL#O caminho das pedras


Olha só que animal este gráfico complicado aí em cima. Isso aí, segundo a consultoria americana McKinsey, é simplesmente a receita completa que o Brasil precisa seguir para eliminar a maior parte das suas emissões de carbono até 2030 e fazer a sua parte para combater o aquecimento global. Deixa eu explicar o que quer dizer. O eixo vertical é o custo de cada coisa, medido em euros por tonelada de gás carbônico eliminado. Ou seja, os primeiros itens do gráfico, à esquerda, tem custo negativo. Isso quer dizer que, ao implantar essas iniciativas, poupa-se dinheiro. Por exemplo, o pacote de eficiência para novos prédios acaba baixando a conta de luz e saindo mais barato do que o dinheiro gasto para implantá-lo. Quanto mais à direita no gráfico, mais cara é a coisa. Já a linha horizontal é o potencial de cada ação. Quanto mais larga a barra, mais carbono ela tira da atmosfera, e portanto mais ela combate o aquecimento global. Veja como o maior potencial de eliminação tem a ver com reduzir o desmatamento da Amazônia. É esse o maior problema ambiental aqui da terrinha, disparado.

O Brasil estaria bem na fita do combate ao aquecimento global se não fosse o desmatamento e as queimadas. Nossos carros a álcool e nossas usinas hidrelétricas dão ao Brasil uma das energias mais limpas do mundo. Se não fosse a destruição da floresta, cada um de nós brasileiros estaria emitindo na média 5 toneladas de carbono por ano, um índice muito mais baixo que a maior parte do mundo. Mas, como tem desmatamento, nossa média per capita sobe para 12 toneladas de carbono por ano, equivalente  à de países muito mais industrializados que nós. Aí você fala assim: então o problema não é comigo, é com o pessoal lá da floresta. Nada disso, meu chapa. Você come carne de boi, usa madeira ou come soja? Então me desculpe, mas o problema tem a ver contigo, porque são esses os causadores do desmatamento.

O gráfico faz parte de um relatório riquíssimo de detalhes que foi apresentado hoje em primeiríssima mão lá na Editora Abril, num evento bem legal que contou com a presença dos secretários municipal e estadual do meio ambiente, de empresas como a Vale, a Sabesp, o Banco Real, de muitas ONGs, muitos especialistas e muitos jornalistas. Muita gente criticou aspectos do relatório (Xico Graziano, secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, por exemplo, mencionou o quanto os números brasileiros são pouco confiáveis e, consequentemente, tudo no gráfico aí em cima tem um quê de chute). Mas, no geral, todo mundo concordou que o relatório é um marco no processo de transformar o combate ao aquecimento global de bandeira utópica em objetivo concreto.

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13 comentários
  1. Denis RB disse:

    Caro Francisco, desenvolvimento não é impossível com o matagal em pé. Veja a Suécia, por exemplo. País rico, industrializado, sem problemas sociais, e com boa parte de sua economia baseada na exploração da floresta (em pé). Verdade que tem uma diferença importante: é uma floresta temperada, não tropical. Existe um modelo econômico baseado em florestas temperadas, mas não existe um baseado em floresta tropical. Isso não quer dizer que não seja possível: na verdade a Amazônia tem potencialmente mais riqueza que a floresta sueca. Pôr fogo nessa riqueza para plantar cana não é apenas criminoso. É um mau negócio.

  2. Denis RB disse:

    Muito bom, Luiz Pôrto.

  3. Denis RB disse:

    Sebastião, precisamos tirar a ideologia das análises sobre a Amazônia. A culpa não é do MST. A culpa não é dos fazendeiros de soja e gado. A culpa não é dos mineradores. Cada um desses atores, sem dúvida nenhuma, está se comportando mal, mas a origem dos problemas é o sistema, que está cheio de incentivos para que cada ator se comporte mal. Conserte o sistema e os atores vão ter que escolher: ou se comportam bem ou arcam com as consequencias.

  4. Sebastião disse:

    Lamento informar-lhe que a tendencia é agravar-se , pois o Incra continua assentando vagabundos do MST junto da floresta , os quais tem como característica principal o comércio ilegal da madeira oriunda da floresta adjacente aos lotes e após exaurirem a madeira mais nobre incendeiam a área e comercializam a mesma com grileiros para posterior ocupação , uma vez que os mesmos tem certeza da impunidade que o MST desfruta no Pará assim como no resto do país.

  5. jorji disse:

    Ouvimos todos os dias a questão do aquecimento global, as suas causas, o que falta é um projeto de como reverter o aquecimento global, é óbvio que o tempo que ainda existiremos como ser, vai depender do que fizermos daqui pra frente, a questão da ecologia é de vital importância , mas cadê o projeto? Falar, falar, falar, é só! Temos também que investir em um escudo contra meteoros e cometas, desculpe ter fugido do assunto.

  6. Rômulo disse:

    Pois é, já sabíamos que o desmatamento é o nosso calcanhar de Aquiles em termos de emissões atmosféricas. E o mais chato é saber que tem relação direta com dois produtos de alto apelo: soja e boi. Ou seja, sermos um grande exportador do grão e da carne tem um preço alto.

  7. Francisco Magalhães Barros Junior disse:

    Lamento informar ao grupo abril que vamos destruir todo esse inútil matagal amazônico com hordas de miseráveis extrativistas, sem renda, sem conforto, sem nada. Precisamos de desenvolvimento. Com o matagal em pé? Impossível. Os brasileiros, deveriam deixar de ser otários, reflorestar a alta Mogiana e transferir os canaviais para o Pará. Parem de nos sacanear, será que os Barbalhos e Anas Júlia que nos assolam, não lhes comove?

  8. Denis RB disse:

    Verdade, Marisa. Um assunto que pode render muita conversa: o quanto a urgência do aquecimento global tende a deixar de lado todas as outras questões ambientais.

  9. Marisa disse:

    Ola Denis,Nao podemos esquecer que as hidreletricas e o alcool tem consequencias muito negativas tambem. As hidreletricas na Amazonia desviam o curso dos rios e prejudicam muitissimo as populacoes tradicionais que deles dependem.E os canaviais fazem uso frequente de mao-de-obra analoga a escravidao. Nossa energia nao eh tao limpa assim …Parabens pelo blog! Eh a primeira vez que comento mas tenho vindo sempre aqui.

  10. Denis RB disse:

    Francisco, metade da soja vira alimentação para gado. O gado, por sua vez, é para consumo humano. Em outras palavras: em última análise, toda a soja é para consumo humano.

  11. Francisco von Hartenthal disse:

    1) Você acha mesmo que a soja produzida é para consumo humano?2) Tudo, tudo, tudo que se fala sobre aquecimento global tem bem mais do que um quê de chute.

  12. Renato disse:

    Até Chico Mendes dizia que proteger a floresta não era ser contra o progresso, mas que a chave para o progresso estava em aproveitá-la de forma sustentável. O óbvio princípio de não matar a galinha dos ovos de ouro, mas que é esquecido todos os dias. De qualquer forma, aposto que empresas como a Embrapa devem ter experiências interessantes sobre desenvolvimento agropecuário sustentável para a região N.

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