#IDEIAS#Sardinhas, banqueiros e a diferença entre os sexos FINAL


Em 1960, a indústria celebrou o recorde mundial de baleias mortas: 66 097 viraram filé, óleo de máquina e armação de espartilho naquele ano. Nunca mais esse recorde seria batido. No ano seguinte, havia menos delas no mar, e no outro menos ainda. A baleia é o maior animal da Terra, é inteligente e quase invencível. E, em 1960, nos demos conta de que estávamos acabando com ela. Foi um choque, como sempre é quando uma atividade econômica insustentável despenca depois de anos de crescimento explosivo. Foi um choque com as sardinhas de Monterey em 1945. Foi um choque com os peixes da Islândia nos anos 70. Foi um choque com a economia mundial em 2008. É como uma montanha-russa. Sobe, sobe, sobe e, embora todo mundo saiba que a subida vai acabar uma hora, todos ficam chocados quando vem o tombo. É da natureza humana reagir assim.

Mas o tombo tem o poder de mudar as pessoas. Esse tombo das baleias, por exemplo, foi um dos fatores que deram origem ao movimento ambiental moderno. Foi certamente uma grande influência para o pequeno grupo de jovens que, uma década depois, criaram um comitê para protestar contra testes nucleares – o Comitê Não Faça Onda, que em 1972 seria rebatizado de Greenpeace. Paul Watson, o capitão do navio que me levou para a Antártica, era um desses jovens.

Na Islândia, é bem óbvio também que o país mudou muito depois do tombo. Lembra que eu falei no capítulo 2 que a ilhota era governada por um partido quase só de homens chamado Partido da Independência? Pois agora, sob protestos da população inteira, o partido masculino caiu. A oposição feminina, o Movimento da Esquerda Verde, assumiu o poder. A nova primeira-ministra chama-se Jóhanna Sigurðardóttir. Ela não apenas é mulher. É casada com Jónína Leósdóttir, escritora e também mulher. É a primeira lésbica assumida a governar uma nação na era moderna. Pelo menos por uns tempos, a Islândia parece ter decidido que quer que os homens, os pescadores e os banqueiros de investimentos fiquem bem longe do governo.

Foto: Denis RB (CC – usar com crédito)

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4 comentários
  1. thiago disse:

    é vero.fiquei esperando aqui e nao rolou o rss. mas, enfim, passarei aqui com constância. e boa sorte quando se mandares para o wordpress. abraço!

  2. Danielle disse:

    Denis,Muito boa essa sua sequencia de reportagens. Acabei lendo A reportagem na Vanity Fair sobre a Islandia, que maluquice!!! Fiquei assombrada! Parabens.

  3. greenvestor disse:

    Denis, genial e totalmente relevante a sua analogia entre pescadores e banqueiros de investimento. Só queria destacar que deve ser feita uma distinçao entre os pescadores comerciais, que vêem a natureza como uma provedora ilimitada de recursos sobre os quais têm direito, (como os industrias) e o pescador que vive de subsistência, que pesca somente o que vai consumir e presta homenagens aos deuses dos mares e dos rios, dos quais dependem.

  4. Rigonati disse:

    Adoro sua colua. vc tem uma linguagem limpa e clara sobre qualquer assunto !Não preciso comentar seu senso de humor ! Preciso ?

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