#CIDADES#Sai da rua, carro

Quando eu comecei a andar de bicicleta em São Paulo, era bem frequente algum motorista passar por mim e gritar, indignado: "sai da rua, maluco!"

E aí eu me encolhia, intimidado, às vezes subia na calçada, achando que eu estava fazendo alguma coisa errada. Afinal, a rua não é mesmo para bicicletas, ou para gente. A rua é dos carros: sempre foi assim, sempre será assim.

Só depois de anos pedalando fui me dando conta: a rua é tão minha quanto deles. Bicicletas não atrapalham o trânsito: bicicletas são trânsito. Aliás, se tem alguém atrapalhando o trânsito, são os carros, esses amontoados de lata se movendo paquidermicamente e entupindo as ruas. Nos meus tempos de San Francisco, virei até frequentador da Critical Mass, a invasão caótica mensal de centenas de bicicletas pela cidade, sempre sexta-feira às 6 da tarde, para desespero dos motoristas. Uns ficavam xingando. Eu respondia: você para o trânsito 29 dias por mês. Hoje – só hoje – é a minha vez.

Bom, isso dito, acho que fica fácil para você entender por que eu gostei tanto deste filme aí embaixo, feito em Barcelona, em 1908 – 5 anos depois de Henry Ford fundar sua empresa, mas antes de seus carros tomarem as ruas espanholas. O filme foi feito de cima de um bonde. Veja só como eram as cidades antes dos carros as invadirem. Bem mais divertidas, excitantes, alegres e agradáveis que as de hoje, não?

Portanto, me vingo e grito:

"Sai da rua, carro!"

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25 comentários
  1. Igor disse:

    Lembra muito Aspen, Colorado. Muitas ruas são apenas para pedestres, charretes andando pela cidade, velocidade máxima baixissima, carros multado por qualquer infração. Parece q não é a toa que é um dos pontos turísticos mais cobiçados do planeta. Um exemplo clássico que desenvolvimento não é sinônimo de lata na rua.

  2. marcelo vergara disse:

    Como seria interessante conhecer San Francisco e de quem sabe até participar da Critical Mass e do quanto isto faria bem para meu parco ingles.Quem sabe um dia.Casualmente, recebi 2 email da NATIONAL SCIENCE FOUNDATION, o primeiro tem como titulo:Science and Technology Centers:Integrative “Partnerships”, e o segundo:Emerging Frontiers in Research and Innovation 2009 (Efri-2009). Parece quererem saber quais são os principios de funcionamento do Projeto G.E.R.A.L..Quem sabe não devo descreve-los completamente!?Abc m

  3. marcelo vergara disse:

    Como seria interessante conhecer San Francisco e de quem sabe até participar da Critical Mass e do quanto isto faria bem para meu parco ingles.Quem sabe um dia.Casualmente, recebi 2 email da NATIONAL SCIENCE FOUNDATION, o primeiro tem como titulo:Science and Technology Centers:Integrative “Partnerships”, e o segundo:Emerging Frontiers in Research and Innovation 2009 (Efri-2009). Parece quererem saber quais são os principios de funcionamento do Projeto G.E.R.A.L..Quem sabe não devo descreve-los completamente!?Abc m

  4. denis rb disse:

    Que legal, boa sorte com sua invenção, marcelo vergara!

  5. paula disse:

    Simplesmente maravilhoso!!!Que saudade de Barcelona..que saudade da minha bicicleta…Obrigada Dennis.

  6. denis rb disse:

    A proposito, uma tragedia. 18 anos depois desse filme, um bonde como este atropelou o mais ilustre dos cataloes e um dos maiores arquitetos que ja existiu: Antoni Gaudi. Gaudi morreu 3 dias depois em consequencia dos ferimentos do atropelamento.

  7. Clube da esquina disse:

    O pai do Beto Guedes, Godofredo Guedes, grande músico e artista, morreu atropelado por uma bicicleta, em Montes Claros, Minas Gerais.O Beto Guedes, além de músico genial, é construtor e piloto de aviões.

  8. Enio Oliveira disse:

    Parabens pela materia, muito boa…. sou defensor do ciclismo e do uso da bike nos dias de hj….

  9. Fabiano disse:

    Muito Bonito o filme. Transmite-nos o ar de inocência e nostalgia. É divertido ver as pessoas e as bicicletas acompanhando a rota do bonde, e cruzando os trilhos durante todo o percurso. Interessante observar também, como as pessoas se divertem com toda a situação. Tudo era inocência e novidade. Talvez com um progresso embrionário já se evoluindo. Quiça o homem também fosse diferente.

  10. franklin disse:

    denis adorei esse seu blog,inclusive uma palavra me chamou à atençao:paquidermicamente.Qual o significado literal dela?

  11. é outro, o xingo disse:

    “Sai da rua….maluco????”hahahahahahahaVocê tá lavando os ouvidos direito?

  12. denis rb disse:

    Oi Aylons, ja fui a Bicicletada em SP tambem. Pena que aqui meu horario e mais apertado e fica dificil ir todo mes…

  13. denis rb disse:

    Franklin, paquidermes sao grandes animais de pele espessa, como o elefante, o rinoceronte ou o hipopotamo. Entao dizer que um carro se move paquidermicamente significa que ele se move como um elefante.

  14. Marlos de Souza disse:

    O homem desceu do cavalo e montou na bicicleta. Desceu da bicicleta montou no carro. Acabará deixando o carro para voltar à bicicleta, por uma razão simples: ECONOMIA, de espaço, tempo, recursos naturais e tantas outras maneiras de se economizar com uma bicicleta. Economia é uma palavra que está na moda de novo, e a bicicleta é um espetáculo de economia. Sai da rua, carro! http://www.brazilelectric.com.br

  15. Rodrigo Navarro disse:

    muito bom cara, venha na Bicicletada.org, mesma coisa de Critical Mass, esperamos vc.abs

  16. Maurício Bittencourt disse:

    Quanta beleza a combinação de filme, trilha sonora e o movimento de pessoas q já se foram! Aqui em Rio Branco (AC) tem um pouco dessa atmosfera. Há ciclovias desde os bairros até o centro, movimento de gente na rua, nas praças e em parquinhos públicos. Contraste com a extrema selvageria paulistana, onde me criei. Grana não significa qualidade de vida: a cidade mais rica do país, São Paulo, tem uma das piores qualidades de vida; um lugar em q sequer na calçada vc tem segurança. Mas não me iludo. Aqui na Amazônia, o pessoal também caiu na ilusão do “pogreço” a qualquer custo. Não demorará para que a qualidade de vida decaia aqui também, como em tantas outras cidades medianas, como em Manaus (AM), uma das cidades mais caóticas do país. A propósito, vale a pena dar

  17. Maurício Bittencourt disse:

    Não tive espaço para encerrar o comentário anterior… Eu dizia q vale a pena dar uma olhada em matéria sobre a chegada do “desenvolvimento” a Porto Velho (RO) no link http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI66228-15223,00-A CIDADE QUE NAO ESTAVA LA.htmlDenis, parabéns pelo trabalho!

  18. Márcio Campos disse:

    Inacreditável, a vida já foi assim nas cidades, o que se vê são pessoas, é, gente, elas eram a energia da cidade, a agitação. O tempo de tudo era o tempo da caminhada, ou da pedalada, o tempo de reação humana.Num lugar assim se presta mais atenção ao dia vivido, o relógio vai mais lento.Saudade de um tempo que não vivi. Bora pedalar então…Márcio

  19. R. JUNIOR disse:

    Adorei o vídeo! Vias largas, poucos carros!!! Ótima para acelerar um potente V-8 e ver o velocímetro colar lá embaixo!!! Só me aborrece ver esse monte de idiotas montados em bike para atrapalhar a via!!!

  20. denis rb disse:

    R. JUNIOR, tenho na prateleira uma colecao de espelhos retrovisores de gente como voce 🙂 Mauricio, saudacoes!

  21. Seu Zé disse:

    Muito bonito o video. Interessante também como não há praticamente pessoas obesas, são todos magros.

  22. Carlos, Gabi e Mel disse:

    Denis,Delicia de video…saudades dos ´tuesday.night bikers´no Rio .Estamos hoje aqui num cantinho da Bahia e o nosso meio de transporte é mesmo a bike…carro só quando vamos pra longe.Maravilha o uso dela o tempo todo…um abraço grandeCarlos, Gabi e Melwww.cantoecologico.org

  23. Gerd disse:

    Poucos entendem, mas minha transição do carro para a moto, e da moto para a bicicleta, foi um ganho imenso em qualidade de vida e satisfação pessoal. É possível ser mais com menos. Parabéns pelo vídeo, maravilhoso! Um outro mundo é possível, basta vivermo-lo.

  24. Polyana disse:

    Embora eu more no interior de MT, cidade de 60 mil habitantes, nao posso negar que gosto muito das mordomias da cidade, asfalto, shoppings, carros confortaveis, enfim, as facilidades que a modernidade traz. Mas sinto um grande peso nas costas por quase nada contribuir para que o mundo se um torne um lugar mais agradavel, como vem fazendo quem usa transportes alternativos como os ciclistas. Minha cidade anda insuportavel de carros, muito diferente de 10 anos atras. Aqui somos privilegiados, cercados de morros por todos os lados, onde se escondem belas cachoeiras e o centro eh cortado por dois grandes rios. Mas como tal, tem inumeras ladeiras, ruas acidentadas, dificeis de serem trafegadas de bike. Como agravante, tenho filha p/ levar p/ escola, emprego formal, nao ha banheiro na empresa, ou seja, todas as condições sao completamente desfavoraveis ao uso da bicicleta. Acho que a maioria das pessoas enfrentam problemas semelhantes, e sinceramente falando, nao vejo saida imediata… Alguem ve?

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