#OS 10 MANDAMENTOS#Primeiro mandamento: não me venhas com frescuras


Outro dia criei uma religião, o mussumismo, e excomunguei um arcebispo. Foi divertido. Excomungar dá uma baita sensação de poder, recomendo a todo mundo. Mas desde aquele dia o mussumismo está abandonado, coitado. Ainda não temos doutrina, nem dogmas, nem comunhões. Com essa falta de produtividade jamais conseguiremos juntar toda aquela grana que outras religiões mais eficazes tem.

Resolvi então começar. E começo então pelo começo: decretando os 10 mandamentos sagrados do mussumismo. O primeiro deles será anunciado agora.

Não me venhas com frescuras.

Atenção: não se trata de homofobia. Há homossexuais entre as pessoas mais sem frescuras que conheço. "Frescura", no caso, é um termo teológico que se refere ao hábito de dar chilique, de se recusar a conversar, de ficar furioso com quem pensa diferente de você, de se julgar acima do bem e do mal, ou acima das outras pessoas. Ora bolas, não me venha com frescuras.

Vamos encarar os fatos: estamos todos perdidos.

Eu. Você. O papa. Todos nós estamos perdidos.

Vivemos num mundo em que a GM está à beira da falência, os usineiros brasileiros são heróis ambientais, os jornais americanos estão acabando, os liberais defendem estatização dos bancos, a China é paladina do livre comércio, o presidente dos EUA chama Hussein. Tá tudo ao contrário. Daqui a pouco focinho de porco vira tomada e ninguém vai nem achar estranho.

Estamos no meio de uma revolução.

A lógica da nossa sociedade mudou, para sempre.

A internet mudou tudo. O aquecimento global mudou tudo. A crise mundial mudou tudo. Cada um desses fatores, por si, já seria suficiente para desinventar boa parte do que sabemos. Eles todos juntos, então… Vixe, estamos mais perdidos que ciclista no trânsito de São Paulo.

Revoluções tem uma característica interessante. O mundo velho desmorona de uma vez, rapidinho. Mas o mundo novo demora um tempão, às vezes séculos, para tomar forma. Neste exato momento, o mundo velho caiu, mas ainda não apareceu um novo.

Isso é fascinante. Inicia-se agora uma era de experimentações, de propostas que vão soar absurdas, de ideias, de inovações. De utopias. De novos modelos. De uma nova ética. Vai ser divertido pacas.

Mas não podemos perder tempo com picuinhas intelectuais, com discussões velhas, com resmungos. É hora de olhar para a frente, de buscar soluções, de ouvirmos uns aos outros, de trocarmos ideias com quem é diferente de nós, de encarar o mundo com o peito aberto, de nos encontrarmos ao vivo e olharmos nos olhos uns dos outros, em vez de ficar mandando mensagenzinhas iradas pela internet. Enfim, é hora de deixar de frescuras.

E assim está escrito.

Um dia desses anuncio o segundo mandamento.

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19 comentários
  1. Patrulha Correta disse:

    “Tá tudo ao contrário. Daqui a pouco focinho de porco vira tomada e ninguém vai nem achar estranho.”Comentário homofóbico de sua parte…Entre os gays, como se sabe, o que é saída vira entrada…E “isso”, há muito tempo…coitada da mãe natureza, milênios de evolução prá uma m***** dessas…

  2. Marcelo vergara disse:

    Não adianta nada escrever uma coisa e agir completamente ao contrario”de ouvirmos uns aos outros”-“de nos encontrarmos ao vivo”-De uma nova ética”Não consigo entender você Denis

  3. Flávio disse:

    Acho que foi o mundo novo que caiu, e o velho, ninguém sabe onde foi parar. É, estamos todos fu…

  4. Célia disse:

    Eita medao de ofender a ala gay, so!Também as bixas sao violentas e mesmo sem lei homofobica nenhuma, elas podem acionar a Gaystapo gayzista para te dar um corretivo!Bom mesmo é malhar a igreja catolica ,os catolicos bundoes,nao batem em ninguém mesmo!Assim fica facil ser politicamente correto, né senhor Denis?

  5. Flávio disse:

    Olha, os artigos de Veja estão ruizinhos, hein!

  6. Leonardo Nunes disse:

    Deixemos de frescura sim. Gostei de teu texto, Burgierman, criativo, inspirado. Já te critiquei nesta página, mas procurei embasar as críticas com argumentos. Agora, o nível dos comentários dos corneteiros abaixo é lamentável. É tolice criticar por criticar, gente! Procurar um analista ou psiquiatra é mais útil para resolver frustrações pessoais… Abraços a todos

  7. jorge dondeo disse:

    Você sem dúvida é o Rei o Campeão da asneira. “Nova ética”? O que é isso meu Deus! Mas como disse a célia, Bater em católico é molim, agora em gay neguim ta com um medo danado, coitado do mussum, deve estar rolando no caixão. Eu quero ganhar tutu para escrever babaquice em nome da Veja, cosigo ser bem melhor, ou pior o que seja!

  8. Fabrício disse:

    Tenho uma sugestão para o próximo mandamento:Honrai o “Mé” sobre todas as coisas.

  9. Diego Abreu disse:

    É inevitável depararmos com pessoas cheias de “Frescuras”. Nesses dias ser arrogante e babaca tem tomado proporções gigantescas, e há pessoas que acham isso lindo – dá para imaginar o cúmulo; ou melhor, acho que sempre foi assim… Precisamos de criatividade, de corporativismo, de patriotismo e um desejo de crescer em todos o âmbitos da vida. Valorizar o que é saudável, inteligente e defendê-lo abre a “visão” e mostra quão rídiculo é ser “só eu, eu e eu”…Gostei do artigo e concorcodo com exposto. Até me fez rir e esquecer um pouco da realidade. Precisamos fazer nossa parte.

  10. Clarice Manhã disse:

    Adorei. Me converti já na definição teológica do termo. E quando cheguei ao parágrafo do tempo da revolução,percebi que sou mussuniana desde pequenininha. É muito limitado entender essa frescura descrita como homofobia. Acho que isso se aplica muito bem aos doutores e estudiodos de várias áreas, que por saberem muito (e sabem, em alguns casos) se distanciam das outras pessoas. Penso que não serve para nada absorver ‘cultura’ e se trancar num mundinho onde só tem quem conhece os mesmos livros, bandas e afins. Pessoas que se desestabilizam com uma simples opinião contrária são cheias de frescura. É um desabafo, obrigada pelo espaço

  11. Fernando Ramirez de Andrade disse:

    Ótimo. Era ateu até hoje. Agora sou adepto do Mussumismo. Digamos que um Mussimista fundamentalista. Ganho um amém? AMÉM!

  12. Carlos disse:

    Meu Mussum! Concordo que o mundo está ao contrário,a começar por alguns comentários. Veem coisas além do que está escrito.

  13. Klev2009 disse:

    Pô! Quanta porcaria…é assim que “jornalistas” ganham a vida escrevendo merda?

  14. um_mussao disse:

    Denis, o que a sexta-feira da paixão representa para os fiéis do mussumismo? Eu era ateu, agora sou mussão mas ainda tenho algumas duvidas… e Klev2009… sem frescuras!

  15. Sonia disse:

    Hahahaha. Divertida a proposta. Talvez o segundo mandamento seja: “Não leve as coisas tão a sério”. Que bom que a Veja te paga para escrever. Bjs

  16. Teresa Cristina lemos disse:

    Sou católica(ou era até conhecer o mussunismo), nascida em Recife-PE., e não por acaso, a ideia de excomungar um arcebispo me pareceu fantástica.Dentro dessa linha, talvez o segundo mandamento pudesse ser: “Não me venhas com hipocrisia”.

  17. Samantha disse:

    Interessante este post. O mundo ao nosso redor tem mudado e muito! E acredito que para melhor, para o nosso crescimento, para a reflexão de nossas atitudes.

  18. Rafaela disse:

    Altamente…

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