#INOVAÇÃO#O garoto que elegeu Obama


A revista americana Fast Company deste mês tem uma boa matéria de capa contando a história de Chris Hughes. "Com apenas 25 anos, ele ajudou a criar dois dos mais bem sucedidos startups da história moderna: o Facebook e a campanha de Obama" (startup é o termo inglês para uma empresa recém criada – a brincadeira da revista aqui é considerar a campanha de Obama não só um fato político, mas um ato de empreendedorismo tecnológico, o que não deixa de ser verdade, considerando que a campanha nasceu da iniciativa privada, e não da estrutura partidária).

Hughes é um menino gay, tímido, do interior, com origens humildes, que se formou em literatura francesa e… se tornou um mega multi master milionário. Ele é um dos criadores do Facebook, o site de comunidades que tem 200 milhões de usuários – 1 a cada 30 Homo sapiens. Mas deixou o emprego para trabalhar na campanha de Obama ("eu não sairia do Facebook para trabalhar para mais ninguém", disse ele).

Foi Hughes que criou o MyBO (aberviatura de "meu Barack Obama"), um site parecido com o Facebook, mas voltado completamente para oferecer ferramentas para pessoas no país inteiro participarem da campanha, fazerem doações, deixarem depoimentos, se mobilizarem, ajudarem de algum jeito. A ideia básica é simples: em vez de ter uma campanha centralizada, com um cérebro e milhares de braços distribuindo panfletos país afora, o MyBO deu poder decisão às pessoas. A campanha tinha milhares de cérebros, todo mundo contribuindo com ideias, com trabalho e com informação.

Para que isso desse certo, o comando da campanha foi forçado a pensar diferente do tradicional: eles tiveram que abrir mão de serem os "donos" da mensagem, tiveram que confiar em gente comum, amadora, do país inteiro. Deu certo pacas. Quando um time de funcionários da campanha chegava a um estado para começar a trabalhar, já encontrava uma mobilização pronta, um escritório montado, uma estrutura trabalhando. Graças ao MyBO.

Quando a campanha de McCain começou a bater pesado, inclusive com campanhas difamatórias contra Obama, o MyBO gerou espontaneamente uma rede de pesquisadores voluntários que desmentiam os boatos antes que eles fizessem estragos.

A grande sacada do MyBO foi perceber que está cheio de gente querendo ajudar, mas sem saber como. Quem entrasse no site já descobria de cara modos práticos e simples de apoiar Obama: com uma doação, organizando uma manifestação, ou clicando na lista de telefones de eleitores indecisos e simplesmente ligando para alguns deles e tentando convencê-los a votar no homem.

Eleição ganha, Hughes ajudou a criar o Organizing for America, uma espécie de MyBO, só que voltado para ajudar Obama a governar (hoje, por exemplo, você pode entrar lá, pegar o telefone de um congressista e ligar para ele para ajudar a aprovar o orçamento). Ninguém sabe bem o que o garoto vai fazer em seguida, mas está claro que ele continuará ajudando a internet a inovar. Hughes acha que a internet tem um problema: ela dá pouca importância ao mundo real e, portanto, não serve para nada, é só brincadeira, desperdício de tempo. Ficar brigando sobre esquerda e direita em lista de comentários de blogs, por exemplo, não ajuda nem um tiquinho a melhorar o mundo.

Acredito firmemente que a estratégia do MyBO aponta para um novo jeito de pensar a sociedade, decentralizando a política. Eu e você somos contra o aquecimento global, contra a corrupção, contra a destruição das florestas, contra a miséria, não somos? Já pensou se houvesse sites que ajudassem a juntar essas forças, a cultivar essa inteligência coletiva e a canalizar nossas convicções em atitudes concretas, que realmente façam diferença?

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6 comentários
  1. Tiago disse:

    Só falta o investimento e a iniciativa.Idéia tem de monte (:

  2. Christian disse:

    A definição de trabalho na física é trabalho= força X movimento. Se fizermos uma analogia para a vida real veremos que no mundo há muita força (como por exemplo as pessoas em casa, cheias de vontade de mudar e ajudar), mas pouco movimento.Acredito que a estratégia do MyBO torna essa “força”(seja ela para qualquer fim) em trabalho. Uma boa ideia que incentiva as pessoas a realmente participarem.

  3. marcelo vergara disse:

    São ideias deste tipo que conseguem mobilizar milhões de pessoas em prol de uma causa vital, que vai contribuir decisivamente para modificar o universo, quem sabe poderemos futuramente criar o MY”brutus”.Não deixa de ser uma ideia.Feliz Pascoa

  4. ALUIZIO disse:

    Leia essam Hughes o criador do facebook

  5. Joe Silva disse:

    Parece que tem de ter alguem de estatura mundial p/ convencer todos nos “homus brutus” de que tanto faz no Haiti ou na Escandinavia se decidirmos agir de acordo c/ a lei de Gerson todos perdemos, agora gente, aki no Texas tem um tanto de gente que se considera “cowboys” cavalgando montanha abaixo em seus cavalos brancos, eta gente… Agora, depois de ter conhecido esta terra e esta gente ja entendo bem melhor tudo que aconteceu nestes ultimos 8 anos…

  6. Danielle disse:

    Assino essa revista aqui nos EUA, e li a reportagem. O Hughes tem um feeling sobre como a internet pode interagir com o mundo real de maneira efetiva, induzindo acoes reais e fidelizando as pessoas, muitissimo interessante. Diferente de quem pensa no futuro da internet como Second Lifes estereis… REalmente a reportagem esta muito interessante.

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