#LIBERDADE#Liberalismo sim. Mas de verdade


Lá vou eu de novo polemizar com direitistas e esquerdistas ao mesmo tempo. O que eu estou querendo? Escrever só para a minha mãe?

Eu gosto da ideia básica do liberalismo. Não consigo lembrar uma vez em que o Estado tenha se metido na minha vida e que eu lembre com carinho. Quero mais ele bem longe de mim (seria legal também se ele não tratasse tão mal as pessoas que precisam dele).

Mas acho que muitos liberais pregam seus ideais pela metade. Na relação entre as empresas e os estados, eles querem liberdade. Mas, nas relações entre as empresas e as pessoas, eles acham normal as empresas serem mais duronas que o Fidel Castro.

A proposta é liberalizar o mercado. Legal, vamos nessa.

Mas vamos também liberalizar as vidas profissionais e as relações com o consumidor.

Os clientes têm que poder conhecer os processos de produção, tem que
ter acesso a detalhes sobre o produto, sobre as decisões da empresa,
sobre as estratégias até. Têm que ter informação disponível para
comparar com o concorrente, de forma simplificada, honesta, direta.

Os funcionários têm que poder decidir como eles vão fazer seu trabalho – desde que se comprometam com o resultado, que razão há para cartões de ponto, crachás, horários, exigência de estar fisicamente na empresa? Eles têm que poder escolher suas tarefas em meio às necessidades da empresa – forçando a empresa a oferecer tarefas atraentes e exercendo livremente as vantagens comparativas em relação aos outros funcionários. Eles têm que poder dizer "não" à empresa – liberdade de consciência. Têm que poder pensar diferente dos outros. Têm que ter direito a conhecer as entranhas da empresa. O plano de carreira, por exemplo. Que empresa divulga para todos os seus funcionários os critérios para os salários e os benefícios, com clareza e transparência?

Que empresa é liberal em seu âmago, e não só na sua posição política?

Anúncios
25 comentários
  1. Rômulo disse:

    É, boa pergunta… Eu arriscaria dizer zero.

  2. FAFC disse:

    Denis. E por que essa proposta não funciona hoje? Você acha, honestamente, que esse modelo já foi pensado e rechaçado? Ou acha que é uma forma de se pensar muito nova, inédita, ainda não desenvolvida o suficiente para colocá-la em prática?

  3. denis rb disse:

    FAFC, boa pergunta. eu acho que essa proposta estah ganhando espaco, em especial em empresas focadas em inovacao. No Vale do Silicio, EUA, por exemplo. Acho tambem que tecnologia muda esse jogo. Tradicionalmente, as empresas se escondem atras de segredos e, se sao criticadas por isso, comodamente argumentam que “eh impossivel tecnicamente agir diferente”, “nao da para competir sem segredos”. Mas a internet torna a transparencia tecnicamente possivel.

  4. Daniel disse:

    Trabalho numa empresa de tecnologia de médio porte. Hoje tem cerca de 200 funcionarios e 6 unidades (1 fora do país). A empresa sempre tenta ser a mais transparente possível com seus funcionarios divulgando internamente seus números (quanto faturou, quanto gastou, quanto lucrou. Quanto investiu, no que investiu, o que deu certo e errrado, sua estratégia e por aí afora). Pra citar apenas 1 exemplo prático dessa postura, a política de cargos e salários fica publicada na Intranet e TODOS tem acesso aos valores e critérios. O estagiário recém-contratado pode saber quanto o seu chefe ganha ou quanto um Diretor ganha. E tem acesso aos criterios que definem e diferenciam cada cargo. Em 2008 a empresa foi escolhida como a melhor do país em credibilidade que a Gestao tem junto aos funcionarios.A empresa nunca teve qualquer Controle do tipo “cartão de ponto” ou exigência de presenca física nas dependências. Este ano a empresa está sendo OBRIGADA a implantar um controle deste tipo, como exigência legal apontada por 1 das constantes auditorias internas que a empresa faz. Acho importante o “ponto” do post exigindo essa postura das Empresas. Mas infelizmente o problema vai além disso pois mesmo as empresas que querem ter esse tipo de posicionamento, não conseguem. A relação com Governo, trabalhista, sindicatos, CLT, etc, tem que ser revista imediatamente para que esse tipo de postura possa ser exigida e cobrada. Um abraço e parabéns pelos textos.

  5. Mário Lucas disse:

    Na prática…Liberalismo: o mercado no comando, o dinheiro no comando, a competitividade no comando, empresários no comando, minoria no comando. Enfim, a massa de cidadãos comuns,o povo, o consumidor,o funcionário, não é nada livre e consequentemente só se dao mal. Socialismo: O estado no comando, políticos no comando, a corrupção no comando, o autoritarismo no comando,a burocracia estatal no comando. Do mesmo modo, a massa de cidadãos comuns, continua se dando mal.O pensamento econômico tem que ser reinventado, tem de se viabilizar um novo sistema economico mais humanizado, baseado nos novos paradigmas deste novo século, como sutentabilidade por exemplo.

  6. denis rb disse:

    Daniel, posso perguntar o nome da empresa? Iniciativas desse tipo precisam ser divulgadas, ate como prova de que eh possivel, por mais que o estado, a lei e os habitos atrapalhem. Obrigado, Mario Lucas. Voce resumiu tudo.

  7. Polyana disse:

    Denis, assim como vc descreveu, essa nova empresa ta mais parecendo o ceu… Parabens por trabalhar numa empresa assim, Daniel. Sempre gostei da transparencia e a defendi nos lugares em que trabalhei. Mas sao tao poucas as empresas que apostam nesse ideal. O motivo: medo. Medo de se tornarem vulneraveis demais, medo de cairem em descredito, medo de que os colaboradores se tornem grandes demais…

  8. jorji disse:

    Amor, felicidade, igualdade, Deus,honestidade, justiça,etc, são utopias, apenas escalas de valores, esse liberalismo não seria mais uma dessas modas que surgem?

  9. Leonardo Nunes disse:

    Burgierman, a sua ingenuidade me assusta e preocupa, tendo em vista o cargo q ocupa na Abril. Empresas privadas não são criadas para dar prazer a funcionários, mas sim para dar lucro ao patrão! É o beabá do liberalismo! “Forçando a empresa a oferecer tarefas atraentes”; isso parece discurso de sindicalista sem-noção, meu jovem. Infelizmente, vc quer discutir política sem ter coragem para isso. Diz q direita X esquerda é um conflito que inexiste hoje em dia, mas cita apenas publicações e autores conservadores. Na verdade, está coerente, afinal esta é a Veja, o baluarte maior do conservadorismo mais ignorante e tacanho deste país. Aqui vc perde outro leitor iludido com seu agradável e fajuto papinho “ambiental”.

  10. denis rb disse:

    Nao se trata de dar prazer, Leonardo: trata-se de respeitar individualidades. E pode ser bom negocio. Veja o Google, que apostou na ideia de uma empresa com milhares de cerebros, em vez de um cerebro e milhares de bracos. Eh uma empresa extremamente nova, e ja se colocou entre as maiores do mundo. Voce vai ver que muito do que eu descrevi no post acontece na pratica la. E veja o comentario ai abaixo do Daniel, se vc acha que essa ideia esta longe demais dos empresarios brasileiros. “Voce quer discutir politica sem ter coragem para isso” – eu estou discuindo politica, a politica das relacoes interpessoais, a politica entre eu e voce e o Estado e as empresas. Uma politica infinitamente mais importante que a do PT e do PSDB.

  11. Carolina disse:

    Denis, como sempre, muito bom. O tipo de compreensão que você tem da sustentabilidade (esse conceito ainda em construção) é um alento, nesse mar de papo monocromático -verde. Um abraço!

  12. Marcio disse:

    DE acordo!!! Onde assino o manifesto??? Liberalismo total.

  13. Danielle disse:

    Denis,O problema eh que realmente nunca tivemos liberalismo, na definicao inglesa da palavra (vide Hayek), e sim um capitalismo de Estado classico. Na verdade, nem nos EUA ha liberalismo mesmo, por aqui a palavra foi deturpada do seu significado original e passou a ser confundida com visoes esquerdistas de mundo. O que vejo eh que, depois da crise, os liberais de verdade estao reagindo para colocar os pingos nos i’s, recuperando o sentido original do termo. Estao sendo chamados de libertarios, ja que os esquerdistas ja deturparam completamente o sentido da palavra.Quem utiliza a pecha “neoliberalismo” no Brasil nunca s deu ao trabalho de ler Hayek, nm que seja “O Caminho da Servidao”. A nao intromissao do Estado nos interesses privados nao leva aa total desregulamentacao dos mercados (isso eh deturpacao), e o inidividualismo nao eh incompativel com o altruismo (aqui nos EUA, muita gente no Brasil tambem, preferiu optar por confundir individualismo com egoismo, que sao coisas completamente distintas). Acho que um pouco de leitura de Hayek, basica que seja, nao faz mal nenhum aos ignorantes sobre liberalismo. Comecem por Roberto Campos, que ja eh um bom comeco.Abs, Danielle

  14. Danielle disse:

    Ha bons artigos e livros na rede sobre o assunto. Seguem alguns links:Amartya Sen – “Capitalism Beyond the Crisis” http://www.nybooks.com/articles/22490 F A Hayek – “Individualism and Economic Order” (procurem dentro do Google Book Search) vejam o primeiro Texto “Individualism: True and False”.Boa leitura, Danielle.

  15. denis rb disse:

    Verdade, Danielle. Temos uma cultura autoritaria que perpassa todas as concorrentes politicas, do governo a quem critica o governo.

  16. Danielle disse:

    Um comentario sobre os libertarios: nem todos sao realmente liberais, ha correntes internas que seguem a Ayn Rand, que nao tem nada a ver com liberalismo. So para esclarecer.

  17. Davi disse:

    Denis,Já te ocorreu que “liberalizar as vidas profissionais e as relações com o consumidor” parece muito bonito, mas que não há como fazê-lo se não pelo livre mercado? Ou colocando de outra forma: quem vai ser responsável por garantir “informação disponível para comparar com o concorrente, de forma simplificada, honesta, direta”? Ou bem se deixa livre que os consumidores exijam tais direitos, ou bem se cria um órgão para fiscalizar “que empresa divulga para todos os seus funcionários os critérios para os salários e os benefícios”. O problema do seu argumento é que de boas intenções o estado foi inchando até o tamanho de hoje. Será que agora ele vai ser chamado para garantir a liberdade de escolha?Forte abraço,Davi

  18. Davi disse:

    Denis,Já te ocorreu que “liberalizar as vidas profissionais e as relações com o consumidor” parece muito bonito, mas que não há como fazê-lo se não pelo livre mercado? Ou colocando de outra forma: quem vai ser responsável por garantir “informação disponível para comparar com o concorrente, de forma simplificada, honesta, direta”? Ou bem se deixa livre que os consumidores exijam tais direitos, ou bem se cria um órgão para fiscalizar “que empresa divulga para todos os seus funcionários os critérios para os salários e os benefícios”. O problema do seu argumento é que de boas intenções o estado foi inchando até o tamanho de hoje. Será que agora ele vai ser chamado para garantir a liberdade de escolha?Forte abraço,Davi

  19. denis rb disse:

    Me ocorreu sim, Davi. Meu post eh mais sobre “o que?” do que sobre “como?”, e admito que eh no “como?” que se escondem as maiores complicacoes. Mas nao adianta falar do “como?” antes de concordarmos sobre o “o que?”, nao eh verdade? Resumindo: defendo mais transparencia, para que a sociedade inteira se envolva na tarefa de vigiar (e nao uma nova estrutura no governo). Outra coisa, quando ao inchaco do estado brasileiro: acho que o maior problema dele eh a rigidez, a ineficiencia, mais do que simplesmente o numero de pessoas. Como disse Obama, “o que importa nao eh se o Estado eh grande ou pequeno. Eh que ele funcione”. O nosso nao funciona.

  20. Rafaela disse:

    É…vou falar o que??sou fã desse cara!;D

  21. Daniel disse:

    Claro que sim, Denis. A empresa é a Kaizen (sede Indaiatuba/SP). Eu teria o maior prazer em relatar as práticas que existem. Só pra exemplificar, seguem mais 3 delas: a) 20% do lucro é distribuído entre os funcionários. Sem teto máximo, nem piso mínimo. Se a empresa lucra muito, 20% disso vai pros funcionários. Se lucra pouco, é 20% de pouco. É a forma de todos se sentirem “donos” da empresa e explica o interesse na divulgação dos números (todos querem saber como vai o “nosso” lucro). (b) Não existem salas (tirando as de reunião). Ninguém tem sala. O Presidente da Kaizen não tem sala, nem os Diretores. Isso ajuda no acesso à Diretoria, na idéia de transparência e ética. E na criação de uma empresa “horizontal”. (c) A empresa organiza um Festival de Rock 100% criado pelos funcionários. As bandas (atualmente são 6) são compostas só por funcionários. Os câmeras que filmam os shows, os repórteres, iluminação, roadies, infra, tudo funcionário, gerentes e diretores. A idéia é gerar integração entre as pessoas. Não tem nada a ver com o negócio da Kaizen, mas fez pessoas voltarem a estudar música, filmagens, edição de vídeos, discutir como será a área VIP pra clientes e familiares, infra do evento, enfim, tudo que envolve a criação de um festival. Eles estão se transformando em melhores estudantes, melhores músicos, melhores amigos, pais, mães, filhos, enfim: Melhores pessoas. Essa é a estratégia da Kaizen: Fazer com que seus funcionários sejam melhores pessoas, pois melhores pessoas fazem a empresa ser melhor (mais bacana, mais comprometida, mais ética, mais lucrativa).

  22. Roberto Veiga disse:

    Caro Denis, não é que preguem seu ideal pela metade. A idéia basica do liberalismo é que as interações no seio da sociedade devem voluntarias, regidas por acordos (contratos). Liberdade, para os liberais, significa que um individuo não pode ser forçado a fazer ou deixar de fazer algo por outros individuos. Antes, um individuo é obrigado apenas a honrar os compromissos que assume voluntariamente. Ninguém pode te obrigar a trabalhar para uma empresa, mas ao assinar um contrato com ela, você aceita os termos daquele contrato, que podem ser mais ou menos interessantes pra você. Mas ainda assim é algo a que você adere voluntariamente. Por mais estranho que possa parecer superficialmente, não ha nenhuma contradição, do ponto de vista liberal, em defender a liberdade (como colocado acima) e empresas não transparentes, ou não-democraticas, etc. Do contrario, obrigar uma empresa a ser transparente, nos termos que você coloca, seria sim anti-liberal, pois foge ao rito do contrato.

  23. rinaldo vitor da costa disse:

    Você nasceu em hospital particular? O médico que fez o parto foi formado em escola particular? As vacinas que você tomou foram feitas em laboratorios privados sem subvenção governamental de qualquer espécie? A sua escola era privada? Os professores formados em escolas privadas? Vou pular um pouco a linha do tempo. A internet que você tanto usa e gosta acha que veio da onde da cabeça da microsoft? Não caro colega o Estado, assim mesmo com letra maiúscula te proporcionou isso, se ele é injusto, e é, porque apropriado pelos ricos é outra historia. Mas espero ter te ajudado a lembrar da presença do Estado com carinho. um abraço

  24. denis rb disse:

    rinaldo vitor da costa, respondendo suas perguntas: sim, não, não, sim, não. Não, esses exemplos não me ajudaram a lembrar do estado com carinho. Em linhas gerais, quando ele se meteu na minha vida foi para me maltratar. Isso não quer dizer que eu ache que o estado não deva estar presente em nenhum setor da minha vida – eu adoraria sim ter educação, saúde, previdência e segurança pagos pelos meus impostos, que aliás são bem altos, já que não sonego porque quero estar em paz com a minha consciência. Mas, do jeito que é hoje, pago uma grana preta e tenho em troca um serviço vagabundo.

  25. Douglas disse:

    Pela minha experiência profissional em duas multinacionais grandes posso afirmar, com certeza, o quão demagógica é essa relação entre patrão e empregado. Gerentes diretos fazem de tudo para minar qualquer tipo de expressão do empregado, em prol de um capital que não é dele, que só favorece o enriquecimento dos verdadeiros donos. E o quanto produzimos? Se fosse dividido tudo o que a empresa lucra igualmente entre todos, não parece injusto?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: