O experimento de um suicida

Em 1927, um desempregado de 32 anos, financeiramente quebrado, duas vezes expulso da universidade, pai de uma menina que morreu de paralisia infantil, foi às margens do Lago Michigan, próximo a Chicago. Sua intenção: suicidar-se nas águas do lago. Antes de tirar a vida, ele teve uma ideia: e se, e em vez de se matar, ele passasse o resto da vida fazendo o papel de cobaia em um experimento? O experimento:

“Descobrir o quanto um indivíduo miserável e desconhecido com uma esposa dependente e um filho recém nascido pode fazer em benefício de toda a humanidade?”.

Ele foi mais específico:

“Fazer o mundo funcionar para 100% da humanidade, através de colaboração espontânea, sem dano ecológico e sem prejudicar ninguém”.

O nome desse sujeito era Buckminster Fuller.

Por anos e anos e anos ouvi falar desse sujeito. Ele inspirou os hippies. E inspirou também os sujeitos que criaram o Vale do Silício e a revolução dos computadores. Foi amado por editores de revistas que eu adoro. Foi lido pelos criadores do ambientalismo, e muito dos termos que ele criou (por exemplo, “espaçonave Terra”) ainda ecoam por mercados orgânicos da Califórnia. Era chapa de Albert Einstein. Encantou gerações de arquitetos, de engenheiros, de tecnocratas e recebeu de Harvard um título de “poeta”. Inspirou físicos quânticos. Talvez ele seja um dos teóricos mais influentes do nosso século. Mas ninguém lê mais o que ele escreve. No máximo, lembram dele por ter criado aquela estrutura redonda usada no Epcot Center.

bucky

Resolvi ler. Por anos, Buckminster Fuller: Anthology for the New Millennium ficou na minha prateleira, acumulando poeira e expectativa. Se você visse o livro, você me entenderia: são 388 páginas de letras pequenas e linguagem complicada. Mas, neste feriado, resolvi tirar o livro da minha lista das coisas que me aguardam no futuro. Já deu para sacar: Bucky é um sujeito interessante pacas. Vou cansar vocês com histórias sobre ele nas próximas semanas.

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13 comentários
  1. Rita disse:

    É isso, Denis! vamos ler Buckminster Fuller!! ele já falava em sustentabilidade na década de 40! genial!

  2. tony bellotto disse:

    Denis, o Buckminster Fuller é o meu herói desde os tempos da faculdadede arquitetura, e isso data do final da década de 1970 do século passado…o cara foi um visionário, o livro A Espaçonava Terra devia ser lido por todos que se interessam pelo futuro do nosso planeta azul. Parabéns pela crônica! Tony Bellotto.

  3. Curti a idéia Denis! Vou seguir!
    Tive duas aulas fascinantes sobre Buckminster Fuller na faculdade.
    Mas não ouvi nem li mais nada a respeito dele.
    Na verdade…meu professor na época disse que ele(O Bucky)acabou recebendo o título de arquiteto por mérito de uma Universidade, que é claro que eu não vou lembrar o nome.
    Aguardando seus comentários…boa semana!

  4. Gerson B disse:

    Não batizaram uma das formas do carbono com o nome dele?

  5. marcelo vergara disse:

    Gostei “muito” do tema e da materia de quem é abordado, se vale uma sugestão, edite pequenas partes do livro mencionado, só as coisas mais importantes, ou somente as melhores frases.
    Valeu Denis
    Abçs.

  6. marcelo vergara disse:

    “Dare to be naive”- “Open source”, meras semelhanças, quem saberá?

  7. Rômulo disse:

    Vixe… Lá vem…
    Pelo menos é interessante?

  8. Denis Russo disse:

    Pois eh, Rita, foi vc que me falou dele outro dia e que me fez lembrar do livro acumulando poeira. Sim, Gerson B, o buckyminsterfullerene, que recebeu este nome por lembrar muito as estruturas imaginadas por Fuller (trata-se de um dos materiais mais resistentes que existe, assim como as estruturas geodésicas de Fuller eram pensadas para ter o máximo de resistência empregando o mínimo de material). Legal saber, Tony. Uma vez encomendei um texto sobre ele ao seu colega de banda Arnaldo Antunes (na época eu era editor da Superinteressante e fiquei sabendo que o Arnaldo tb curtia o Bucky), mas não deu certo por um motivo que eu não consigo lembrar.

  9. Juca disse:

    Não tem nenhum livro dele/sobre ele em português?

  10. denis rb disse:

    Juca, não encontrei nada em catálogo.

  11. Cristiane Marino disse:

    Parabéns pela idéia, Buckminster Fuller é demais! Parece que não há nada dele em catálogo. Você poderia colocar no seu blog mais dados sobre ele, sobre sua obra ou mesmo passagens interessantes do livro que está lendo? Um abraço. Cristiane

  12. LUCIA disse:

    precisamos retornar a discutir estes temas nas faculdades de arquitetura…

  13. Douglas Cezar disse:

    Olá, Denis! Encontrei seu blog pesquisando pelo Buckminster Fuller no google. Na verdade estou interessado no sono polifásico, a idéia de dormir-se apenas 30 minutos a cada seis horas, assunto abordado por ele.

    Você sabe algo a respeito que possa compartilhar?

    Um abraço!

    Douglas

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