Tortura funciona?

Li uma história incrível no Weblog, o blog do jornalista Pedro Doria. Doria transcreve uma entrevista com o tenente-coronel americano Steven Kleinman.

O que ele conta é o seguinte:

Pouco depois da Segunda Guerra Mundial, quando o mundo começava a se dividir em duas caixinhas – o período conhecido como Guerra Fria, de dualismo ideológico EUA X URSS –, oficiais de inteligência americanos começaram a perceber um fenômeno estranho. Vários cidadãos americanos presos em países comunistas estavam confessando que pertenciam à CIA. Só que eles não pertenciam. Por que eles estavam dando depoimentos falsos?

Tortura.

Mas não qualquer tortura: era um tipo menos baseado em violência extrema e mais em causar insegurança, debilidade, depressão, terror, confusão mental. Não eram técnicas pensadas para forçar a verdade: era quase o contrário. Eram pensadas para obrigar qualquer confissão, verdadeira ou não. O objetivo dos torturadores comunistas, afinal, não era descobrir os fatos, era fazer propaganda ideológica. E, para fazer propaganda, como os publicitários sabem bem, a verdade nem sempre é o que mais interessa.

O que os EUA fizeram? Criaram um programa, chamado SERE (Survival, Evasion, Resistance and Escape), para treinar agentes americanos a resistir a essas técnicas. Adivinha o que o SERE acabou virando? Ironia: deu origem aos métodos de “interrogatório” usados por agentes americanos na guerra contra o terror. Enfim, os métodos da patota de Bush são baseados num instrumento comunista de manipulação ideológica. Ê mundão véio sem porteira.

bush

Imagem: Flickr/fPat

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10 comentários
  1. Pax disse:

    O inacreditável é que tem uma galera que acha normal.

    Bush passou 8 anos batendo com marreta nos pilares da democracia americana.

  2. Marcio BSB disse:

    Legal teu blog, Russo. Será que você poderia explorar mais ou publicar algo sobre a pose de vítima que virou estratégia dos países em desenvolvimento para conseguir grana dos países desenvolvidos?
    E sobre alguns indicadores ambientais que demonstram a melhoria das condições ambientais em alguns países desenvolvidos no mundo?
    Acho que dados sobre tais questões ajudariam a tornar o debate sobre ambiente mais sadio e menos inquisitório, tipo a ignorante frase que ouvimos da boca de nossos governantes dizendo que se a Europa pode detonar as suas florestas, nós podemos arrasar as nossas.
    Valeu.

  3. denis rb disse:

    Obrigado pelas boas dicas, Marcio BSB!

  4. denis rb disse:

    Pois é, AVELAR, ninguém defende a caatinga… Obrigado pelo link!

  5. jorji disse:

    Na guerra e no amor vale tudo, tortutar é um método usado por todas as nações do mundo em tempos de guerra ou não, seja democrático ou não o regime, seja cristão, budista, islâmico, etc, ou não, seja caucasiano, negro ou mongol oucoisa parecida ou não, assistam ao filme nascido para matar para entender…………….

  6. denis rb disse:

    Não vale não, jorji. A guerra é regulamentada pelo Pacto de Varsóvia. O fato de que sempre se fez não significa que seja correto fazer. Da mesma forma, no amor não vale tudo. Bater na pessoa amada, por exemplo, dá cadeia.

  7. Marcio BSB disse:

    Acho que é Tratado de Versalhes. O Pacto de Varsóvia era uma ilusão comunista em que a Rússia se obrigava a defender seus estados-escravos no pós-guerra.

  8. denis rb disse:

    Nossa… Na verdade, é Convenção de Genebra, foi um lapso… Isso que dá fazer 36 anos…

  9. a pergunta é: você mataria uma pessoa para salvar 100? a maioria diz que sim, sem perguntar se o um que vai morrer é inocente ou não…
    a verdade é simples os governos, como quase todas as instituições, tem um objetivo, e para alcança-lo fazem uma pratica amoral, nem moral, nem imoral, eles simplesmente fazem e consideram todas as perdas como fatalidade. eu sempre digo que para entender a motivação de uma pessoa vc tem que ter uma analise amoral do ato. recomendo a leitura de a genealogia da moral de Nietzsche, e vc passará a entender com profundidade de como o errado ou certo é uma questão de tempo.
    cito um trecho do livro
    “Aqui jamais negaríamos o seguinte: quem conhecesse aqueles “bons” apenas como inimigos, não conheceria senão inimigos maus, e os mesmos homens tão severamente contidos pelo costume, o respeito, os usos, a gratidão, mais ainda pela vigilância mútua, pelo ciúme inter pares [entre iguais], que por outro lado se mostram tão pródigos emconsideração, autocontrole, delicadeza, lealdade, orgulho e amizade, nas relações entre si -para fora, ali onde começa o que é estranho, o estrangeiro, eles não são melhores que animais de rapina deixados à solta. Ali desfrutam a liberdade de toda coerção social, na selva serecobram da tensão trazida por um longo cerceamento e confinamento na paz da comunidade,retornam à inocente consciência dos animais de rapina, como jubilosos monstros que deixamatrás de si, com ânimo elevado e equilíbrio interior, uma sucessão horrenda de assassínios,incêndios, violações e torturas, como se tudo não passasse de brincadeira de estudantes,convencidos de que mais uma vez os poetas muito terão para cantar e louvar”

    ps link para o livro http://www.scribd.com/doc/7037821/Nietzsche-Genealogia-Da-Moral

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