Acostume-se com as super gripes

Já morreram 150 pessoas no México, derrubadas por uma gripe, possivelmente transmitida de porcos. A doença já tem casos confirmados nos EUA e na Europa e suspeita-se que ela já tenha chegado aos quatro cantos do planeta, do Canadá à Austrália, da França à Colômbia. O surto começou faz 15 dias, mas hoje uma coisa ficou clara: trata-se de uma pandemia, uma das piores registradas nas últimas décadas. A coisa é feia.

Que história é essa de gripe mortal que parece que está virando moda desde 2003, quando um surto matou gente na China, no Vietnã e na Tailândia? Isso não vai parar?

Desculpe, mas não vai. Acostume-se. Pandemias de gripe vão virar rotina. Na verdade, já viraram. Por quê? Junte 2 fatores:

1. Mundo afora, animais são criados confinados, em espaços minúsculos, chafurdando nas fezes uns dos outros, sem exercício (o que diminui sua resistência imunológica). Isso faz pode fazer com que os vírus de uma espécie tenham um montão de oportunidades de pular para outra espécie, onde se misturam com outros vírus. Essas misturas são muito mais letais: nosso corpo não tem defesas contra um vírus de outra espécie. O H1N1 que está fazendo estrago no México é uma mistura de vírus humano, suíno e de aves.

2. O mundo está mega-conectado. Uma doença estoura no México hoje e já viaja de avião para Nova York amanhã. E, de Nova York, há vôos para qualquer lugar do mundo.

É bom lembrar que foi também um H1N1, provavelmente pego de porcos ou aves, o responsável pela maior epidemia da história da humanidade, a gripe espanhola de 1918, que contaminou um terço da população mundial e matou 50 milhões de pessoas. Não é o caso de entrar em pânico, a tragédia de 1918 dificilmente vai se repetir: se, em 1918, houvesse os anti-gripais e os respiradores mecânicos que existem hoje, a mortandade teria sido bem menor. Mas precisamos nos preparar para o pior sim.

E como fazer isso?

O surto asiático de 2003 traz uma lição. Naquela ocasião, a ditadura chinesa tentou esconder o problema – não compartilhou informações com a comunidade científica internacional, censurou a imprensa, fez de tudo para evitar manchar a imagem internacional do país. Já o vizinho Vietnã, muito mais pobre e menos poderoso, fez o contrário: o governo deixou os cientistas conduzirem a crise, soltou toda a informação que pode, colocou em contato todos os centros de pesquisa da região.

Quase ninguém morreu no Vietnã e o país foi o primeiro a se livrar do mal.

Quem diria, ein? Transparência cura até gripe.

Campanha de conscienização vietnamita pede aos fazendeiros que criem seus animais em condições adequadas

Campanha vietnamita pede a fazendeiros que criem animais em lugar adequado

Foto: Flickr/Joe Gatling

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14 comentários
  1. Mauro disse:

    Embasado em que você afirma que os virus sofrem mais mutações em confinamento? Embasado em que você diz que seu sistema imunitário é mais deficiente e que isso aumenta as mutações virais? Putz. E em 1918 haviam muitos animais em confinamento?

    Usuou uma pandemia para dizer que animais em confinamento são os responsáveis. Você não tem nenhuma qualificação pra falar em imunologia e em infectologia. PFFFFFFF

  2. Não esta sozinho Denis. disse:

    Caro Mauro, em vez de ficar contestando porque não sugeriu alguma resposta científica ou referencia com embasamento acadêmico. Tenho certeza que o Denis não é nenhum cientista ou infectologista ou sei lá o que. Mas esta é uma das funções do jornalista, que não é só divulgar informações da imprensa oficial, as mesmas basbaquices que as grandes corporações não se importam que divulguem. E mesmo que se ele fosse um cientista renomado tenho certeza que receberia protestos e contestações se divulgasse informações que alarmassem as pessoas ou ferissem os princípios de alguma corporação. A verdade é mais terrível que qualquer ficção ou invenção escrita por qualquer jornalista. Vivemos uma realidade muito mais próxima de Matrix do que o Éden do Paraíso.
    Uma coisa é certa meu amigo, tantos os suínos como as aves são criadas em confinamento em condições tão insalubres que os criadores têm que dar doses cavalares de antibióticos para que nenhuma doença se manifeste no curto tempo antes do abate. Agora imagine estes locais onde os animais recebem cada vez mais antibióticos fortes, pois sabemos que tantos os vírus como as bactérias têm a capacidade de se adaptar tanto ao sistema imunológico de cada indivíduo como a antibióticos. Não é a toa que a cada ano as vacinas contra a gripe são diferentes. Boa parte destas bactérias e vírus morrem, outras ficam em estado hibernarão latente, e uma pequena parte, com o passar do tempo, acaba se adaptando a estas potentes drogas. E então lá vão os cientistas criarem antibióticos cada vez mais fortes. Só que tem um momento em que a vida não pode ser estancada nem exterminada por completo, e o nosso vírus acaba se adaptando e migrando para outros corpos, que no caso são os humanos. Isso não é um processo científico, é lógica.
    Agora imagine uma humanidade que não se alimenta de maneira correta, e quando se alimenta acaba assimilando resquícios de agrotóxicos sistêmicos. Esta é outra mentira divulgada pela imprensa oficial, pois é impossível retirar agrotóxicos sistêmicos com uma simples lavada com vinagre ou água sanitária. Imagine agora então estes mesmo humanos se alimentando destes animais (porcos, aves), assimilando gradativamente os resquícios de antibióticos e outras drogas durante uma vida inteira. Imagine uma humanidade estressada pela loucura caótica da vida moderna. Não é difícil imaginar o resultado disto tudo. É só conectar as coisas. Os resultados estão ai, é só abrir os jornais.

  3. xxx disse:

    E no fim todo mundo diz o que pensa sem nenhuma fonte para embasamento…

  4. walter disse:

    Caro Denis,

    entendo a boa vontade em despertar alguma celeuma, mas pise devagar…a imprensa já tem muitos profetas….A ciência pede respeito, não faça afirmações sem ciência, tente apenas sugerir como jornalista.
    abs, Walter

  5. denis rb disse:

    Mauro, você tem razão quanto à falta de certeza quanto à ligação entre o confinamento e a falta de condições higiênicas e os saltos entre espécies dos vírus. Trata-se de hipótese dificílima de ser testada – se não impossível. Mas não falo sem embasamento. Veja só:
    > O vírus H5N1, causador da “gripe do frango” existe desde sempre em aves migratórias sem apresentar riscos a outras espécies. Não é difícil entender por quê. Basta conhecer o ciclo de “vida” dos vírus para concluir que uma grande quantidade de indivíduos vivendo muito próximos uns aos outros facilita o contágio. (Afinal, a transmissão se dá pelo ar.) Essa hipótese é fácil de testar: já notou como seres humanos que trabalham confinados (em escritórios sem circulação de ar) na proximidade de outros são mais sujeitos à gripe comum? Tanto é assim que as autoridades mexicanas estão evitando aglomerações de gente para frear a epidemia.
    > Trasmissão inter-espécies é um acontecimento raro: mas é bastante óbvio que a proximidade entre indivíduos de espécies diferentes é um fator de risco. Se frangos ou porcos vivem aqui e humanos vivem no outro quarteirão, o salto jamais se dará – o vírus não permanece ativo por muito tempo fora de um organismo. Os surtos recentes de gripes mortais se deram em países relativamente pobres mas com grandes produções pecuárias: China, Vietnã, agora México. Em todos eles se nota uma característica: criações de animais muito próximas a residências humanas. Algo parecido parece ser a explicação da pior de todas as pandemias, a de 1918, no pós-guerra, quando se descuidou da higiene, por razões óbvias, e a desestruturação da sociedade aproximou homens de seus bichos.
    > Não afirmei que o confinamento aumenta as mutações. Mutações acontecem em grande quantidade entre vírus em qualquer situação. Mas a presença de muitos indivíduos de várias espécies em grande proximidade aumentam as chances de combinação entre os DNAs dos diversos vírus. E isso, mais do que as mutações comuns, é um tremendo fator de risco. As mutações simples criam vírus diferentes todo ano, o que é desagradável e faz com que nossas gripes comuns sejam cada vez piores. Mas não mata ninguém. A combinação é infinitamente mais perigosa: ela faz com que nosso organismo tenha que lidar com um vírus cujo DNA evoluiu dentro de um porco, ou seja, sem nenhuma relação com aquilo com que estamos acostumados a lidar.
    De qualquer maneira, agradeço o comentário. Troquei no texto o verbo afirmativo por um condicional para marcar a dúvida que você corretamente apontou.

  6. denis rb disse:

    amparo, acho que deu alguma coisa errado com seu comentário. Faltou o link…

  7. jorji disse:

    Deve ter começado no Parque Antártica, em casos mais graves, a pessoa fica verde e morre.

  8. Danielle disse:

    Denis,

    Soh sei que estamos super-preocupados aqui nos EUA. Nao moramos perto de NYC, mas sim em upstate NY (fronteira com o Canada), mas de qq jeito estamos de olho. O problema eh que a semana passada foi Spring Break nas escolas publicas em NY, entao as familias aproveitaram para passear, e muitas foram para o Mexico, que eh barato e as pessoas ja estao acostumadas a ir passar ferias la. Ontem a mae de uma amiguinha, que eh pesquisadora no hospital da Universidade, mandou mascaras para as familias das criancas que brincam com a filha dela, entao recebemos uma mascara cirurgica para cada um. O que pega nessa doenca eh que ela afeta principalmente criancas grandes, adolescentes e adultos, nao eh como as outras, que afetam idosos e bebes. E em NYC ja esta aparecendo caso de contagio entre pessoas que nao foram ao Mexico, o que sustenta ser uma pandemia. Sinceramente, estamos com medo.

    Abs,
    Danielle

  9. denis rb disse:

    Danielle, doenças misteriosas sempre assustam. Mas é bom ter em mente duas coisas:
    > Ainda que a situação piore muito, dificilmente o risco real de pegar o H1N1 será maior do que, suponhamos, o de ser atropelado. Não há ainda razão para pânico. E dificilmente haverá.
    > Dificilmente haverá muitas mortes em NY, onde há atendimento médico de qualidade, com facilidade de diagnóstico, medicamentos adequados e respiradores mecânicos.
    Sua história me lembrou minha viagem a Hong Kong e Vietnã em 2005, em pleno surto da gripe aviária. Meu amigo Rodrigo pegou uma gripona, morreu de medo, foi ao médico e teve que voltar para o Brasil usando uma máscara cirúrgica, para pânico dos outros passageiros. Era só uma gripe comum. Mas ele fez certo. No mínimo, evitou que muitos de nós saíssemos do avião gripados.

  10. denis rb disse:

    Caros,
    Apenas por transparência: este post recebeu um comentário de um leitor questionando uma série de informações, que eu respondi prontamente reconhecendo um erro (o vírus da gripe é de RNA, não DNA), mas defendendo a correção do raciocínio. Recebi agora um email do leitor pedindo que eu retirasse o comentário dele. Faço isso e retiro o meu também, porque se tornou desnecessário.
    Só queria registrar isso aqui para que alguém que viu os comentários e agora não vê mais não ache que ocorra qualquer tipo de censura.

  11. jujuba disse:

    eu queria só dizer uma coisinha se o brasil estava realmente preparado contra a gripe suina pq ouveram tantas mortes aqui???????????????????

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