O pito de Lula e o luxo da sustentabilidade

O ministro do meio ambiente está bravo. Carlos Minc está dizendo a quem quer ouvir que seu ministério está desprestigiado, que suas conquistas são atropeladas por interesses comezinhos, que o interesse de construir logo uma estrada a tempo de ajudar na eleição vale mais do que a preservação da biodiversidade. Lula, ontem, comparou essas divergências a meninos fazendo “algazarra” quando o pai sai de casa. Lá da Guatemala, passou um pito e deu a sensação de que talvez não haja mais muitos dias com Minc à frente do ministério.

Esse tipo de embate é do jogo. Por um lado, é muito bom que ele esteja sendo travado. É inevitável que haja discordâncias entre quem quer que o país produza mais e quem quer que a floresta fique de pé. Já é uma novidade a ser celebrada o fato de que haja dentro do governo alguém querendo que a floresta fique de pé.

Chato é que o debate seja tão pobre. Em vez de estarmos falando de uma visão estratégica para o país – em como criar uma economia florestal sustentável nos trópicos – a conversa é sobre as roupas espalhafatosas do ministro ou o seu linguajar. É sobre quem xingou quem do quê.

Desenvolvimento e sustentabilidade não deveriam ser ideias opostas. Na verdade, a esta altura do século 21, deveria estar claro para todo mundo que um sem o outro é inútil. A Suécia é um país riquíssimo e tem boa parte de sua economia baseada na exploração sustentável da floresta. A nossa floresta é imensamente mais complicada que a sueca – tem a maior biodiversidade do mundo, enquanto na Suécia há uma monotonia de pinheiros. Isso significa duas coisas: 1) aqui é muito mais difícil de explorar e 2) aqui tem potencialmente muito mais riquezas. Hoje lidamos com essa complicação de um jeito bem tosco: fogo nela! Botamos abaixo para colocar no lugar algo simples de lidar, como monoculturas de soja ou gado solto pastando. Tem que haver um jeito mais inteligente – e lucrativo – de explorar a floresta. Deveríamos estar discutindo isso, em vez de jogarmos o mesmo flaflu ideológico de sempre.

Enquanto isso, a crise avança, e o Brasil dá a sensação de que acha que essa história de sustentabilidade é um luxo que só vale quando tem dinheiro sobrando.

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20 comentários
  1. saulo oliveira disse:

    até agora ouvi muito bla bla bla do sr carlos minc , mas ainda não ouvi nada à respeito das madeireiras extrangeiras que retiram grande quantidade de madeira da amazonia ou sera que é so brasileiro que não pode.

  2. Rogério de Oliveira disse:

    Esse Sr Carlos Minc com aquele coletinho sem mangas com Ministério do Meio Ambiente do Mensalação bordada nas costas parece uma Drag Queen carente de atenção. Essa tropa do Lulalibaba pensa que o governo brasileiro é um Show de Calouros. Aquela outra Marina também ñ tinha conteúdo e nem atitude, só era mais uma beneficiada pelo sistema de cotas do governo onde a demagogia é mais importante que trabalho duro. 👿
    Abraço aos leitores!

  3. denis rb disse:

    Rogério, você pode discordar das posições da Marina Silva, pode ter dúvidas quanto ao seu modelo de desenvolvimento, mas definitivamente não dá para dizer que ela não tenha conteúdo ou atitude. Ela tem uma vida de dedicação à floresta, participou de brigas históricas, foi aliada de Chico Mendes e testemunha de seu assassinato. Não dá para não respeitá-la. E repito o que venho dizendo sempre: não avançaremos enquanto não houver respeito entre um lado e outro do debate.

  4. Marco Gaúcho disse:

    Prá começar, um ministro de Estado tem que PARECER um Ministro de Estado, e não o jardineiro do ministro. Tem que ter conhecimento de causa, saber diferenciar a realidade da ficção. Estamos destruindo nossas reservas naturais de água, e precisamos rever as técnicas de produção agropecuária, MAS NÃO NA MARRA, COM SOLUÇÕES MIRABOLANTES E COMPLETAMENTE DISSOCIADAS DA REALIDADE, COMO VEM PREGAR UM SUJEITO DESAFORADO, DESINFORMADO, GROSSO, RADICAL, SEM QUALQUER CONDIÇÃO DE OCUPAR UM MINISTÉRIO TÃO IMPORTANTE. Esse camarada não tem condições de sustentar 5 minutos de debate com pessoas do ramo. Tenho a impressão que esse sujeito está com os dias contados em seu cargo. Marco-Eng Agronomo-RS

  5. hermes agnelli disse:

    Esse carinha representa a rapa da lata do lixo urbano, a cara e a expressão idiossincratica de um grupinho social proveniente de uma Copacabana autista, alienada, nomea-lo ministro de qualquer coisa é anedota, esse presidente Lula é um pândego.
    Pelo menos agora o bixo criou motivo para ser ejetado, como promoção o Lula deve dar uma samambaia pra ele administrar, vamos ver quem o sucederá nesse ministério vital para a vida e o futuro da humanidade.

  6. Pedro disse:

    Enqto ministro do meio ambiente, o Minc poderia ter tres bandeiras relativamente faceis de conduzir e que teriam grande impacto:

    1- Reflorestar as areas degradas, especialmente em regioes serranas e ao longo das rodovias;
    2- Lutar por 100% de captacao e tratamento do esgoto;
    3- Lutar por diesel com menos enxofre e gasolina com menos ozonio.

    Ajudaria bem.

  7. Gabriel disse:

    Desculpem-me a ignorância, mas é que faz alguns meses que eu estou morando na Argentina e não tenho acompanhado o noticiário brasileiro…
    Mas o Ministro Carlos Minc não entrou no lugar da Marina Silva justamente para “construir logo uma estrada a tempo de ajudar na eleição”, ou seja, para evitar que os grandes projetos de infra-estrutura por todo o país fossem barrados (ou pelo menos atrasados) pelo Ministério de Meio Ambiente?

  8. denis rb disse:

    Gabriel,
    Acho que é um jeito de ver as coisas sim. A Marina era vista como muito rígida, em especial ao bloquear grandes obras de infraestrutura na Amazônia. Ela percebeu que perdeu espaço no governo e pediu demissão. O Minc chegou com um discurso de que era possível fazer avanços dialogando mais com o setor produtivo. Mas, pelo jeito, ele se irritou com os mesmos motivos que irritavam a Marina: a constatação de que, na hora h, quando o assunto ameaça o crescimento da economia, impacto ambiental vai ser a enésima preocupação do governo. A ironia do Lula em relação a uma perereca parar uma obra é prova disso.

  9. Luiz Carlos Pôrto disse:

    Denis

    Me interessa bem mais discutir o ponto que você muito bem colocou, que é a sustentabilidade dentro de uma visão estratégica de país. O Brasil possui o maior potencial ambiental do Planeta. Poderia aproveitá-lo para liderar a economia mundial do Século 21.

    Mas veja a questão da energia limpa (solar e eólica), por exemplo. Não investimos nada no desenvolvimento de tecnologias. Até os EUA agora começaram a investir em tecnologias limpas. O que nos restará? Comprar tecnologia dos outros como sempre fizemos.

    Nós temos as maiores jazidas de silício do mundo e temos que importar material para placas fotovoltaicas. Um absurdo.

  10. Douglas disse:

    É óbvio e lamentável que o governo não vai dar bola pro minc, ele poderia sair, e outro entraria no seu lugar, ou então pode tentar mudar o brasil por baixo, como o leitor pedro disse. Não seria muito, mas pelo menos ele poderia sair no final do mandato do lula, como o primeiroministro do meio-ambiente que fez algo que o governo deixou e que não foi apenas demagogia.

  11. JOSÉ OLÍMPIO disse:

    ESSE SENHOR ESTÁ PRECISANDO DE TRATAMENTO PSICOLOGICO. ELE ESTÁ CONTRIBUINDO PARA FAZER O GOVERNO LULA PARECER CADA VEZ MAIS COM UM CIRCO.

  12. Igor disse:

    Então, segundo algumas cabeças aqui, o Minc não deve ser levado a sério porque não usa trajes adequados?? Em que século que vocês estão?? Acordem logo porque tornados, enchentes, nevascas, gelerias, queimadas, etc. estão chegando na porta da casa de vocês… e devem amassar os ternos… Rs.

  13. Marcelo disse:

    Pior do que ver mais um saindo do MMA, será ver o Lula tentando arrumar mais um que não atrapalhe… Quem sabe um integrante dos Três Porquinhos.

    Apesar de criticarmos que desenvolvimento econômico e preservação ambiental não conexistam nos planos do Brasil atual e em muitos outros países, penso que as pressões da sociedade, das cabeças pensantes, de influentes conscientes e do próprio meio ambiente acabarão por forçar esse entrosamento.

    Só torço pra que isso aconteça antes que morramos queimados ou afogados.

  14. Rogério de Oliveira disse:

    Bela arena de discussão essa do caríssimo Denis, ácida, sem muita condecendência entre os leitores porém cordial. Parabéns Denis! :ugeek:

  15. Márcio disse:

    Denis, me responda uma coisa? Quanto você fala em aliar desenvolvimento e sustentabilidade, o que exatamente está querendo dizer com a palavra desenvolvimento? O ponto é que, dentro desse paradigma, sabemos que é praticamente impossível a pressão por sustentabilidade fazer algum eco dentro da perspectiva desenvolvimentista. É simples notar isso! Estamos vendo que o Minc não vai aguentar porque tentou fazer um diálogo entre essas duas questões e perdeu, a Marina também perdeu. O clamor ambientalista, se não romper com a lógica do crescimento, nunca vai fazer mais que arranhões no sistema. Lembrando que o tempo está cada vez mais escasso…

  16. Márcio disse:

    …não podemos nos dar ao luxo de, nessa altura do campeonato, ter que enfrentar condições toscas que ainda vemos no trato com o meio ambiente (como acabou de noticiar o relatório de ontem do Greenpeace), pela forma tradicional. Estamos no olho do furacão, vendo um desmonte das leis ambientais, uma intensificação do desenvolvimentismo via PAC e como, ante tudo isso, ainda pensar em crescimento econômico?! É puro discurso vazio! Podemos até querer negociar, mas eles simplesmente não querem…basta ver o quebra pau entre os ministros, entre ambientalistas e multinacionais etc…

  17. denis rb disse:

    De acordo, Márcio.
    Mas o discurso de que é uma emergência e não podemos nos dar ao luxo de perder tempo debatendo pode ser usado pelos dois lados do embate. A situação social do Brasil também é uma emergência. Não ter trabalho é uma emergência. Crescimento econômico gera renda, gera oportunidade, isso não dá para negar (dá sim para questionar que o custo é muito alto e propor alternativas mais baratas).
    Não adianta. Precisamos debater (mesmo que seja uma emergência). Bons bombeiros não deixam de discutir seu plano de ação porque a casa está pegando fogo. Se eles fizerem isso, o resultado tende a ser pior.

  18. Márcio disse:

    Ok Denis!

    O ponto não é fugir da discussão…não quis dizer isso, mas sim fugir da discussão fundamentada nos mesmos paradigmas de sempre, impostos pela mídia, pela economia etc… O problema é que sempre partimos de um pressuposto: “crescimento econômico”…aí sim, depois, começa a democracia. A agenda é sempre ditada a paritr daí…o que quis dizer é que, nesse contexto, política ambientaç é visto como enfeite de bolo…prova disso é a tensão dentro do governo de que tratou o seu post.

  19. Daniel disse:

    E Denis;esta longe do Brasil se espelhar em paises com economias estabilizadas e uma sociedade com alto padrao de vida .A Suecia, como ex;E um pais consciente com as suas riquezas naturais.isso esta enraizado na sua cultura.No Brasil para conseguirmos isso teremos que começar do zero.Aqui e `LEVE VANTAGE VC TAMBEM`cade o PATRIOTISMO que vemos na Suecia.Discutir sustentabilidade aqui com esses politicos to pra ver……

  20. Luiz Carlos Pôrto disse:

    Denis

    Somente hoje li a coluna de Marina Silva na Folha de São Paulo. Só reforça o que você mencionou neste post sobre o meio ambiente ser visto como uma questão estratégica para o Brasil.

    http://www.silvaporto.com.br/blog/?p=28

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