O discurso de Obama

Hoje, Obama fez história. Discursando no Egito não para meia dúzia de diplomatas com ternos bacanas, mas para “as ruas árabes”, ele se dirigiu a todos os muçulmanos do mundo.

Foi respeitoso, mostrando conhecimento sobre a cultura islâmica e seu papel fundamental na história do conhecimento humano e citando várias vezes o Corão (“quem mata um inocente mata toda a humanidade”). Foi franco quanto às imperfeições americanas, garantiu que seu país já mudou de curso e até reconheceu o papel americano no golpe de Estado de 1953, no Irã. E foi duro também, criticando o terrorismo, deixando absolutamente claro que o laço dos EUA com Israel é inquebrável e exigindo direitos iguais para mulheres (“acredito que nossas filhas podem contribuir para a sociedade tanto quanto nossos filhos”). Foi generoso, indicando que seu governo vai criar parcerias, projetos conjuntos e programas de intercâmbio (“como o que levou meu pai aos EUA”). Foi inspirador, buscando na luta pelos direitos civis dos negros americanos exemplo para os palestinos (“não foi violência que deu direitos iguais aos negros americanos”).

Mais do que pelo que foi dito, o discurso foi histórico pelo modo como foi dito. Claro, franco, transparente, simples, para ser entendido por cada homem sobre a Terra. Obama disse o que seu país quer e se propôs a ajudar os muçulmanos no que eles querem. Foi um convite para trabalhar juntos.

Numa época de políticos definidos mais pelo que fazem em salas fechadas do que pelo dizem em público, foi refrescante.

Obama terminou citando um dos poucos ensinamentos que está presente em todas as religiões do mundo: não faça para os outros o que não gostaria que fizessem a você. Posso estar errado, mas meu palpite é que ele assistiu à palestra de Karen Armstrong, no TED (disponível com legendas em inglês e espanhol). Karen escreveu livros de imenso sucesso sobre cada uma das grandes religiões, e também sobre Jerusalém e os livros sagrados. Na palestra, ela sugere que o “não faça para os outros o que não gostaria que fizessem a você” seja adotado como lema por uma campanha interreligiosa com o objetivo de tirar a religião das pessoas que cultivam ódios e ressentimentos. Essas pessoas atualmente estão no poder não apenas no Islã, mas também nas religiões ocidentais. A religião não é de quem cultiva o ódio – nenhuma religião. Eles não são donos de nada.

Se você tiver 55 minutos sobrando, este discurso (sem legendas) vale cada um deles:

httpv://www.youtube.com/watch?v=6BlqLwCKkeY&feature=player_embedded

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19 comentários
  1. Daniel disse:

    Nada mais justo para o presidente da maior potencia militar,deflagar um discurso para a naçao mulçulmana.Depois de quase uma decada de comflito armado com os mulçumanos.O mundo esta sentindo o efeito da crise financeira que esta guerra causou.Se todos estao pensando que foi o sistema financeiro americano com seus calotes se enganou.Foi o seu complexo industrial militar que sugou suas reservas.Em nome da liberdade tecnologia em armamento nao pode parar.E aonde esta aplicada a mais alta tecnologia que o ser humano conhece.Para poupar vidas de seus soldados,esse setor nao mede cifras.O que o mundo esta vendo foi tudo armado e pensado pela maior potencia.A GM pode falir,aqui nao tem crise.

  2. Marcelo disse:

    Não temos idéia do quão importante foi esse discurso de Obama para o povo daquela terra.

    Sou incapaz de sugerir algo menos que brilhante e invejável, ainda mais vindo de um presidente americano, mas sou capaz de dizer que foi um grande passo rumo ao respeito que deseja ter de todas a nações e um grande salto como líder mundial em busca de paz e respeito aos direitos humanos.

    Comprei hoje a biografia desse cara! Sou fãn!

  3. Viva Obama disse:

    Viva Obama , pela busca pela paz deixando longe desse discurso historico a palavra guerra.

  4. Daniel disse:

    E Marcelo pode ate ser um grande discurso de Obama.Isso foi so para mostrar ao povo Mulcumano que divergencias politicas e religiao sao assuntos diplomaticos completamente diferentes.Todos os ataques terrorista que aconteceram ao redor do mundo foi armado pelos Americanos.Esse foi o combustivel para esse conflito se arrastar por quase uma decada.O 11 de setembro foi o mais espetacular de todos.As torres ja estavam condenadas devido a um ataque terrorista mal sucedido.Na proxima incursao militar vc vera as novidades que gerou todos esses anos de conflito.Esse e o mercado da morte,o mais rentavel de todos.Nesse lugar nao se pronuncia a palavra PAZ.A America e tudo isso e muito mais.

  5. Daniel disse:

    Depois que os Americano acabar de tecer a nova cortina de ferro na porta da velha Russia.O assunto vai se voltar para a Asia .Eles irao cutucar com vara curta o velho dragao Chines.Essa potencia e a engrenage que faz o mundo girar.O seu mercado consumidor pode enriquecer qualquer pais do mundo,independente do produto.

  6. Rogério de Oliveira disse:

    Achei o discurso perfeito. A história dos presidentes EUA é dramática, foram do lixo da era Bush ao luxo da era Obama.
    Abraço aos leitores

  7. Marcelo disse:

    Daniel, confesso que meu comentário foi um “pouco” carregado de emoção, mas o que você diz não é nada diferente todos conhecem e estão cansados de ler, escutar e criticar… creio que o Obama também.
    Entendo que a intenção dele seja justamente a de mudar todos esses paradigmas impostos aos americanos. Ele sabe o poder que tem nas mãos e cabe somente a ele decidir o rumo de seu discurso.
    Apesar de vários críticos estarem com vários “pés atrás” por conta desse seu inesperado avanço diplomático, até que o próprio me prove o contrário, só vejo o com bons olhos e esperança. Não vejo nada de mal nisso. Se estou sendo ingênuo,ele também está.

  8. Daniel disse:

    Blz Marcelo,nada contra com seu comentario.Ai Marcelo,so uma perguntinha:Nos dois sendo Brasileiros qual e a sua opiniao geral sobre a politica Americana no mundo e no Brasil,pode ser com ou sem Obama.E o que vc acha da cultura Americana.Sao dois paises emergidos por colonizadores e porque essa diferenca abssal nas duas economia,e qual e o motivo da populacao em geral ficar criticando politicos e chefe de estado quando visitam o Brasil.Responde se quiser,gostaria de ler sua opiniao,pode ser aqui no blog do nosso amigo Denis.Se ele permitir.

  9. jorji disse:

    Obama pertence a uma minoria nos EUA, muçulmano de origem, mulato, impressionante, se tornou o homem mais poderoso do planeta, e sabe que o conflito entre muçulmanos e cristãos é milenar, sabe que a religião é a raiz dos problemas, Obama sabe que religião é perigosissimo, seja cristão, muçulmano, budista,etc, Obama sabe que as mentes são governadas pelos absurdos, amestrar essas mentes…….

  10. Daniel disse:

    A raiz do problema nas religioes e o capital que corre por traz destas instituicoes.E este capital que financia tudo o que vc ve de bom e de mal.Conflitos de religioes sempre tera,a disputa por capital nao tem fim.

  11. Daniel disse:

    Quem marginalizou a religiao islamica foram os arabes.Que montou grupos armados para proteger seus campos petroliferos.Dai para o terrorismo foi um pulo.

  12. Daniel disse:

    O Obama so e para o EUA todas as bandeiras Americana fincada no Mundo.

  13. Marcelo disse:

    Daniel, minha visão sobre a polítca dos EUA é bem clara: até o governo do Obama, eles sempre se preocuparam consgo mesmos, assim como qualquer outra nação do mundo. Sempre fizeram uso de seu poderio econômico e militar para defender seus interesses, conquistar riquezas a custas de outros povos e massacrar o meio ambiente. Já minha opinião sobre a política dos EUA é bem clara também: não os culpo por serem como são e sim as circunstâncias. Não julgo porque é muito fácil, mas tento entender de certa forma o protecionismo que sempre tiveram. Agora, me diga uma coisa… vc acha que o Brasil e os políticos brasileiros seriam melhores ou piores que os EUA caso fosse a mais poderosa nação do mundo?

  14. Daniel disse:

    Sem duvida nenhuma.Mas sem todas essas faccoes de partidos politicos.Amariamos a nossa bandeira como os Americanos.Este e um sentimento que transforma uma nacao em todas as suas latitudes.

  15. Larissa Veloso disse:

    ai, foram só 30 minutos, mas fiquei sem ar.
    É tão incrível que eu tenho medo que não seja pra valer.

  16. Camila disse:

    Se esse cara mata uma mosca eles colocam na midia!

  17. Hanna disse:

    No debate sobre os assentamentos, passou batido que mesmo que Israel chegasse a aceitar a Fase I da Folha de Ruta, isso deixaria de pé todo o projeto de assentamentos já posto em andamento – com o apoio decisivo dos Estados Unidos –, a fim de que Israel tenha o controle do valioso território onde está encravado o ilegal “muro da separação” (incluindo o fornecimento básico de água da região), assim como do Vale do Jordão, aprisionando então o território restante, fragmentado em cantões por partes da infra-estrutura de assentamentos que penetram profundamente em direção ao leste.

    Tampouco se menciona que Israel realiza, com o controle da Grande Jersusalém, seus mais importantes programas atuais de desenvolvimento deslocando muitos árabes, de modo que o que restar aos palestinos ficará separado do centro de sua vida cultural, econômica e sócio-política. Fica igualmente sem menção que tudo isso é uma violação do direito internacional, segundo admitiu o próprio governo de Israel após a conquista de 1967 e reafirmaram as resoluções do Conselho de Segurança e a corte Internacional de Justiça. Não se mencionam tampouco as bem-sucedidas operações empreendidas por Israel a partir de 1991 para separar de Gaza a faixa ocidental. Gaza se converteu em um cárcere em que a sobrevivência é simplesmente impossível, o que contribui para enfraquecer as esperanças de um Estado palestino viável.

    Vale a pena recordar que tem havido uma interrupção na atitude estadunidense e israelense de repúdio sistemático. O presidente Clinton reconheceu que os termos por ele oferecidos nas falidas reuniões de Camp David em 2000 não resultavam aceitáveis para nenhum palestino e, em dezembro desse mesmo ano, propôs “seus parâmetros” vagos, mas promissores. Depois anunciou que ambas as partes teriam que aceitar os parâmetros, embora ambas tivessem reservas.

    Os negociadores israelenses e palestinos se reuniram em Taba, Egito, para limar diferenças, e fizeram notáveis progressos. Poderia chegar-se a um pleno acordo em poucos dias, declararam na entrevista coletiva que ofereceram ao final da reunião, mas Israel interrompeu prematuramente as negociações, que não se reiniciaram. Essa única exceção mostra que se um presidente norte-americano se empenha para que haja negociações diplomáticas a sério, é muito provável que as haja. Também vale a pena recordar que a administração de George Bush foi algo além do uso de palavras de apoio objetivo aos assentamentos ilegais israelenses, retirando o apoio econômico dos Estados Unidos a esses assentamentos.

    Os funcionários da administração Obama declararam “não estarem considerando mudanças desse tipo e que qualquer pressão a Israel para que se ajustem aos termos da Folha de Ruta terá que ser sobretudo simbólica”, segundo informou o New York Times (Helen Cooper, 7 de junho).

    Uns poucos acréscimos de Obama à fosca imagem que pintou seu amplamente publicizado discurso ao mundo muçulmano no Cairo, em 4 de junho passado, não bastam para livrá-la de sombras. Um titular da CNN, informando sobre os planos de Obama para seu discurso de 4 de junho disse o seguinte: “Obama tenta chegar à alma do mundo muçulmano”. Talvez isso sirva como uma descrição de intenções, porém, mais significativo é o conteúdo velado pela retórica ou mais que velado, omitido.

    Limitando-se a Israel-Palestina, nada de substantivo disse sobre nenhuma outra coisa – Obama chamou árabes e israelenses a não “se apontarem o dedo” um ao outro e a não ver este conflito exclusivamente por um ou outro lado. Há, entretanto, um terceiro lado, o dos Estados Unidos, que têm cumprido um papel decisivo na manutenção do atual conflito. Obama não proporcionou indício algum de que esse papel vá mudar. Nem sequer de que vá reconsiderar.

    Quem estiver familiarizado com a história concluirá racionalmente, pois, que Obama seguirá pelo mesmo caminho da rejeição sistemática norte-americana. Obama voltou a louvar a Iniciativa Árabe de Paz, limitando-se a dizer que os árabes deveriam vê-la como “um importante começo, não como o fim de suas responsabilidades”.

    Obama e seus assessores estão sem dúvida conscientes de que a Iniciativa reitera o inveterado consenso internacional chamando a um acordo biestatal sobre o perfil da fronteira internacional (anterior a junho de 1967), talvez com “pequenas e reciprocamente acordadas modificações”, para servir-nos da locução habitualmente empregada pelos Estados Unidos antes de apartar-se radicalmente do consenso internacional na década de 70. Quer dizer, quando os E.U. vetaram a resolução do Conselho de Segurança da ONU, respaldada pelos “Estados em confrontação” árabes (Egito, Irã, Síria) e, tacitamente, pela OLP, com um conteúdo substancialmente análogo ao da Iniciativa Árabe de Paz, salvo que esta última vai um pouco mais além, chamando os Estados árabes a normalizar suas relações com Israel no contexto deste acordo político.

    Obama chamou os Estados árabes a avançar para normalização, ignorando premeditadamente, entretanto, o acordo político crucial que é condição necessária de toda normalização. A iniciativa não pode ser um “começo”, se os E.U. seguem negando-se a aceitar seus princípios fundamentais, e ainda de reconhecê-los.

    No fundo, está o objetivo de Obama, anunciado de modo claro pelo senador democrata por Massachusetts Jonh Kerry, presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado: forjar uma aliança entre Israel e os Estados árabes “moderados” contra o Irã. O termo “moderado” não tem nada a ver com o caráter do Estado, senão que aponta antes para uma pré-disposição a amoldar-se às exigências dos E.U..

    Como responderá Israel aos primeiros passos normalizadores dos árabes? A posição mais firme até agora anunciada pela administração Obama é que Israel deveria conformar sua conduta ao previsto na Fase I da Folha de Ruta de 2003, que reza: “Israel congela toda a atividade de assentamento (incluído o crescimento natural dos assentamentos)”. Todas as partes dizem aceitar a Folha de Ruta, passando ao largo do fato de que Israel se apressou em acrescentar-lhe 14 reservas que a tornavam inviável.

  18. Pedro Guerra disse:

    O cara realmente é espero, é uma cobra venenosa, que tirou sua fantasia de carneirinho. Agora Obama vai mudar o alvo, em vez dos islamicos, vai atacar os “radicais extremistas”, que de acordo com um documento vazado pelo departamento de defesa nacional dos EUA, qualifica como terrorista qualquer um que defenda a constituição, seja contra o aborto ou defenda o direito de portar armas. Acabaram de inventar uma história na qual um representante da al-qaeda diz que vai recrutar extremistas radicais americano. Leia aqui mais: http://umanovaordemmundial.blogspot.com/2009/06/departamento-de-seguranca-nacional.html Abra suas idéias, nao se limite ao que a midia corporativista lhe oferece. Busque informacoes independentes, investigue. Nao se deixe levar pela hipnose televisiva, ACORDEM!!!! Vejam estes documentário, com legendas em português: http://umanovaordemmundial.blogspot.com/search/label/filmes

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