Desenvolvimento na Amazônia: estilo gafanhoto

Bela e completa análise da The Economist sobre o futuro da Amazônia. Termina resumindo assim a situação:

“Nesta visão da Amazônia, a floresta será preservada como um grande parque nacional com pitadas de indústria para enriquecer seus habitantes. A agricultura será mais produtiva do que é hoje, utilizando terras hoje abandonadas e aumentando a produção para suprir as demandas interna e externa sem avançar mais na floresta. Esse objetivo é plausível, e louvável, mas levará décadas para ser alcançado. No meio tempo, a floresta vai continuar a encolher. A luta hoje é para decidir o quão rápido essa destruição vai acontecer.”

A Economist cita a ótima pesquisa da ong Imazon, recém publicada numa das duas mais conceituadas revistas científicas do mundo, a Science. Pela pesquisa, o desenvolvimento na Amazônia cumpre uma triste rotina de rápidos booms de prosperidade seguidos de decadência e da volta da população à pobreza. Ou seja, a exploração, do jeito que é, além de ser absurdamente predadora, não deixa nem sinal de riqueza por onde passa. Estilo gafanhoto.

Sexta-feira vou ver o Beto Veríssimo, da Imazon, falar. Depois falo mais sobre desenvolvimento na floresta.

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14 comentários
  1. Amigo do Planeta! disse:

    Ei… A concentrção de OXIGENIO na atmosfera deste planeta esta diminuindo!

    [Culpa da poluição ]

    ISSO É SERIO…

  2. Rogério O. Soares disse:

    UáU. A Veja mandou bem e foi esperta nesse novo layout de página destacando seu maior forte que são os seus blogueiros Lauro Jardim e o Denis Russo são os melhores, não casam o leitor com uma egocêntrica e cansativa quantidade de texto e nem reclamam da mosca que o Obama matou na entrevista da CNN. Tudo bem Reinaldo Azevedo e Diogo?
    Abraço aos leitores!

  3. Luiz Carlos Pôrto disse:

    Denis

    Uma questão-chave que está colocada é o papel do BNDES e dos organismos financiadores das atividades empresariais.

    Como pode um banco público ser sócio de empresas que estão cometendo crime ambiental na Amazônia? E, na minha opinião, a discussão deve ir mais além. Todo esse alegado critério ambiental dos bancos para concessão de empréstimos não seria mais um exemplo de greenwashing (precisamos arrumar um sinônimo em português para esta palavra né).

  4. Anselmo Arruda disse:

    Denis, porque o Economist, a ong Imazon e todos estes estrangeiros não falam do lixo nuclear jogado no Mar do Norte, dos testes nucleares franceses na Polinésia, do pó da China jogado em Cubatão pela Rhodia, do envenenamento do solo e da água em Paulínia (ambas empresas européias). É fácil dar palpite no quintal dos outros. O Brasil só deve ser responsabilidade dos próprios brasileiros.

  5. Anselmo Arruda disse:

    Complementando o meu comentário;
    Em tempo, a empresa que poluiu as águas e parte do solo em Paulínia, causando graves problemas de saúde em alguns moradores foi a Shell.
    Grato.

  6. denis rb disse:

    Anselmo, o mundo é um só. O desmatamento da Amazônia deixou de ser problema exclusivamente brasileiro quando se provou que ele é um dos principais fatores causadores do aquecimento global, que vai matar gente na Polinésia, no Ártico, nas ilhas britânicas. E mais que isso: eu, jornalista brasileiro, me sinto absolutamente autorizado a palpitar sobre Islândia, Antártica e Esados Unidos. Expressão é livre. A Economist tem todo direito de falar sobre o Brasil (e a Imazon é uma ong brasileira). E nós temos a obrigação de ouvir. O mundo é um só. E precisa de cuidado.

  7. denis rb disse:

    Caro Anonimo,
    Não sei se você notou, mas a “Amazônia internacional” citada no link que você mandou é a região compartilhada entre o Brasil e 8 países vizinhos que abrigam partes da floresta. O Brasil é dono de mais ou menos 50% da Amazônia internacional.
    Não confunda essa “Amazônia internacional”, legítima, compartilhada entre países soberanos, com a fictícia “Amazônia internacionalizada” das teorias da conspiração (segundo as quais o Brasil e seus vizinhos perderiam a soberania sobre a região por preocupações quanto à nossa capacidade de cuidar da floresta). Isso é uma bobagem conspiratória sem raiz na realidade.

  8. Schneider disse:

    Denis como jornalista entendo a sua posição enquanto ao combate ao desmatamento na amazônia, mas você deve levar em consideraçao que existem pessoas vivendo nessa região e uma cultura e politicas que nunca foram voltadas para essa população, quem convive aqui na amazonia vendo o desmatamento sabe do que estou falando, está de fora apenas aponta o dedo e mostra o mal, e a soluçao para isso? as politicas de educação ambiental? os incensivos para essas pessoas que sobrevivem do desmatamento, poderem ter outro metodo de sobsistencia?
    E o desmatamento da amazonia está longe de ser o principal foco de do aquecimento global.

  9. Schneider disse:

    O estados unidos despejam toneladas de dioxido de carbono na atmosfera todos os dias e o Brasil é o causador do aquecimento global?
    O desmatamento da Amazonia deve ser tratado como um problema social-economico-ambiental, nao apenas ambiental onde milhões de pessoas sobrevivem nessa terra que somente agora esta sendo observada, o Brasil deve adotar politicas ambientais de educação para essas pessoas que vivem nesta região e nao apenas APONTAR O DEDO e falar que está errado.

    Venha e conheça a realidade da amazonia Denis.

  10. denis rb disse:

    Schneider,
    O desmatamento da Amazônia é sim o maior fator causador de emissão de gases de efeito estufa no Brasil, e coloca sim o Brasil entre os maiores emissores mundiais.
    Mas não estou apontando o dedo não. Sei bem que o desmatamento na Amazônia responde a um incentivo basicamente do mercado do sudeste e sua demanda por carne e outros produtos bovinos. Dê uma olhada nos outros posts sobre Amazônia no blog e você vai ver que tento deixar isso claro. Em especial, vale olhar o post sobre o estudo da McKinsey, que deixa claro o quanto o desmatamento é chave para as emissões brasileiras.

  11. Schneider disse:

    Claro que o desmatamento é chave para emisao de gases pelo Brasil, isso desde que acabaram praticamente com a mata Atlântica, mas comparado com poluidores como Estados Unidos e Alguns paises da Europa, a poluição causada pelo desmatamento é muito pouco, e o que falar dos acidentes radioativos? da poluição dos mares com lixo toxico?
    Devemos sim acabar com o desmatamento ilegal, contudo levar em consideração que nessa regiao existem seres humanos que muitas vezes vivem na miseria. Entao antes de se falar em combate ao desmatamento, deveria se falar em politicas de educação ambiental, legalizaçao de terras e incentivos para essa população que habita nessa região.

  12. Schneider disse:

    Somente então poderemos agir de forma eficaz no combate ao desmatamento, fiscalizando e combatendo o desmatamento para que possamos viver melhor com nossa Amazônia protegida e que muitas pessoas possam tirar sua subsintencia de forma consciente e sustentavel. Caso nao seja realizado dessa forma provavelvente o desmatamento vai continuar, apenas vai mudar de lugar.

  13. Schneider disse:

    É de suma importancia ter pessoas como você e varias outras que pensam na prevervação da Amazônia, assim como eu que vivo nessa região também nao quero mais ver floresta virar deserto, mas isso deve ser feito da melhor forma levando em consideração que milhoes de pessoas vivem nessa região e sobrevivem atualmete em sua maior parte direta ou indiretamente da exploração ilegal da madeira.

    Salve Denis, precisamos de mais pessoas como você e também pessoas que estejam abertas a tentar alternativas para acabar com o desmatamento nesse santuario ecologico que é “A NOSSA AMAZÔNIA”.

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