Hortas caseiras para combater a crise

Foi-se o tempo em que plantar sua própria comida era conversa de hippie. Até a sisuda The Economist, mais interessada em finanças do que em jardinagem, publicou uma matéria sobre o assunto, contando como as hortas caseiras podem ajudar a aliviar o sofrimento da crise financeira. O blog ambiental Treehugger fez as contas e constatou que uma horta em casa rende em média o equivalente a 500 dólares por ano ao seu proprietário – e que 50 dólares investidos em ferramentas de jardinagem transformam-se em 1.250 dólares em vegetais após 1 ano.

Até o presidente dos Estados Unidos entrou na onda e mandou plantar uma horta na Casa Branca, para dar o exemplo e doar a produção aos pobres de Washington. A revista Good deste mês leva você para passear pela “primeira horta”, que já produziu 40 quilos de vegetais desde que o “jardineiro-em-chefe” tomou posse (clique na imagem para ver grande).

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Em 1943, durante o esforço de guerra, atendendo a pedidos da primeira-dama americana Eleanor Roosevelt, 20 milhões de americanos plantaram hortas caseiras. Ao final da guerra, elas supriam 40% das necessidades da nação. Eram os chamados “victory gardens”, os jardins da vitória. A revista Good calcula que, desde que Obama tomou posse, o número de jardins caseiros do país subiu de 36 para 43 milhões.

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23 comentários
  1. Jay Jay, Nigeria disse:

    Oi, até que enfim alguém fala em horta caseira que é uma das coisas mais sustentáveis que pode existir nestes tempos modernos. Meu pai nunca foi hippie mas sempre teve e tem uma hortinha no fundo do quintal, e se nao me engano, acho até que produz mais que a primeira-horta do Obama. Você sabia que na China já existe uma preocupaçao interna de que a “modernizaçao” da sociedade chinesa está pondo em perigo a sustentabilidade do campo? E exatamente porque as pequenas propriedades chinesas sao verdadeiras hortas, produzem todas as necessidades alimentares locais. Para os grandes centros sobra a tarefa de produzirem os produtos industrializados, texteis, cimento, etc… Agora isso tudo está mudando, o campo está se transferindo para os centros urbanos.
    Denis, esses dados que você postou sao mesmo interessantes, imagina só que um país num esforço de guerra conseguiu produzir 40% das suas necessidades através de hortas caseiras ! O atual incremento do número de hortas dos brothers lá do Norte só mostra que eles felizmente teem líderes que dao bons exemplos, ao contrário de nós tupiniquins aqui do Sul. Fazer o que? Eles sabem votar ou pelo menos teem melhores opçoes de escolha.
    Valeu, super interessante o teu post, dá-nos o exemplo de como podemos contribuir para a sustentabilidade do planeta, ainda que seja com uma pequena horta na varanda do apartamento.

  2. denis rb disse:

    Quanto a eles saberem votar: outro dia mesmo eles estavam elegendo o W. Bush (cujo exemplo foi basicamente o oposto: sugerir as pessoas que, para se recuperar do 11 de setembro, fossem às compras). Ou seja, as coisas mudam, e podem mudar rápido. A cultura política americana se arejou muitíssimo em poucos anos. Hoje isso parece impossível de acontecer no Brasil, até porque nossa política é elitista, corporativa – os mesmos grupos mandam há anos nas coisas, os partidos são opacos, pouco confiáveis. Não há espaço para ideias novas. Nos EUA, as novas tecnologias tiveram um imenso impacto para mudar esses problemas. Será que algo parecido poderia acontecer aqui também?

  3. Jay Jay, Nigeria disse:

    Xiiiiii, furou. O raio do Bush furou a minha teoria, é que eu já tinha apagado o Dubia da minha memória. Profundas desculpas e vamos às hortas, nao às compras. Valeu.

  4. Rogério O. Soares disse:

    Amigos!
    Não esqueçam que plantar Coca em casa é a maior coqueluche em muitas cidades americanas. Se uma horta de alimentos rende 500 dólares ao ano descontando energia elétrica, água, tempo, manutenção etc… Plantar matéria prima de droca rende em uma casa pequena no centro de NY uns 50 mil ao ano, com a vantagem de que além da folha ser orgânica é geneticamente perfeita pois a sementes que são vendidas na internet são cruzadas com as melhores espécies.
    Na casa onde moro acho que vou plantar pimenta, adoro pimenta!
    Abraço aos leitores!

  5. capaverde disse:

    Olá! Excelente matéria. Posso contribuir dizendo que a horta dos americanos está plantada na horizontal e ocupa área de aproximadamente 200 metros quadrados. O seu cultivo ocupa uma pessoa por muitas horas, tendo que regar as plantas, carpir o chão, além da dar dor nas costas de quem fica vergado para plantar. A realidade americana é outra. No Brasil os lotes de casas, invariavelmente não possuem tanta área disponível, e, uma família não precisa de tantos quilos de alimentos para a sua manutenção no campo dos vegetais. Além disso as pessoas saem para trabalhar e pouco tempo ficam em casa. segue……….

  6. capaverde disse:

    continuando……………….Aqui m Curitiba um engenheiro agrônomo de nome Paul Sommer desenvolveu uma hora vertical. Ocupara uma área de 4 metros quadrados (ensolarado) onde se constroi um cone de tijolo em forma de grade com a altura de 2 metros. Por dentro vai a terra (PH neturo) e uma mangueira perfurada para irrigação. As planta são plantadas nos buracos das laterais, e, pasmem, a produção corresponde a uma área de 170 metros quadrados, onde não é necessário carpir (plantas vigilantes) nem regar. O manuseio da horta vertical pode ser feito sem sujar os pés e de gravata utilizando o horário do final do expediente. Quem tiver interessado posso fornecer todos os dados. Até…………..

  7. Márcio disse:

    Inicitivas desse tipo são interessantíssimas. Há alguns anos atrás vi uma experiência em Belo Horizonte em que terrenos baldios estavam sendo usados, com incentivo do poder público, inclusive, para a produção de hortas comunitárias – que é uma experiência que já mostra possibilidades além da horta só dentro de casa. Nesse sentido, a promoção de Reformas Urbanas nos grandes centros poderia incluir esse tipo de atividade em suas agendas. Mas aí tem essa questão de que o Denis falou no comentário do Jay Jay: a cultura política média no Brasil é conservadora e autoritária da extrema direita à extremas esquerda. Muito desanimadora. No caso dos EUA, a questão já é bem diferente…

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  8. Márcio disse:

    …o espectro político lá já é bem mais animador. A começar por um certo individualismo associativo, de tradição anglo-saxã, que falta muito por aqui -e olha que isso está inscrito lá tanto nas direitas, como nas esquerdas e tudo mais. Felizmente, com o Obama, essa cultura política extremanente viva que existe lá volta a ganhar novos ares pra florescer novamente.

    PS: Hei Denis, porque só o Jay Jay consegue fazer comentários grandões num post só?!! Cadê a igualdade!!!!? Rsrsrsr

    Até!

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  9. Jay Jay, Nigeria disse:

    Capaverde, tem o endereço de algum site aonde possa ser visto essa idéia do Paul Sommer? Obrigado.

  10. denis rb disse:

    Márcio,
    Não tenho certeza, mas acho que o truque do Jay Jay é que ele escreve no Word e dá control-c control-v aqui, Acertei?

  11. Jay Jay, Nigeria disse:

    Positivo Denis, esse e o truque.

  12. Pajola disse:

    Há muitos anos passados, era comum a horta caseira, hoje além do pequeno espaço e a falta de tempo, temos ainda a falta de vontade, só para argumentar, conheço vários assentamentos de ex-sem-terra, com muito espaço, muita água, muito tempo e nada de horta nem de nada. O seu artigo, desde que bem difundido, reacende essa possibilidade saudavel e terapeutica de lidar com a terra, parabéns.

  13. #42 disse:

    Enquanto o nosso presidente só vem dando bola fora o Obama só bola dentro… Droga… dá até saudade do Bush, as cagadas do Lula nem pareciam tão grandes!
    obs.: Eu sou um lulista que está sofrendo grande desilusão…

  14. Marina Laterza disse:

    Leitora assidua da veja, comecei a acompanhar o seu blog por me interessar fielmente pelo assunto.
    A prática iria gerar novo capital além de aumentar a renda das famílias. Não esquecendo da conscientização, que é muito importante.
    Seria interessante que a gestão do atual governo se preocupasse em organizar projetos de cunho ambiental, ao invés de ficar distribuindo “bolsa preguiça” por aí.

  15. Marina Laterza disse:

    Seria interessante que a atual gestão do governo se preocupasse mais em criar projetos de cunho ambiental, ao invés de ficar distribuindo “bolsa preguiça” por aí. É certo que essa prática conscientizaria uma parte da população e aumentaria o fluxo de capital no país.
    Parabéns pelo seu blog, Denis.

  16. Brasileiro no Canada disse:

    Num post anterior voce fez uma analogia sobre o Michael Jackson e sustentabilidade. Eu critiquei porque achei que os dois temas nao cabiam. Veja so’ o que achei na Maclean`s:

    The L.A.-based concert promoter AEG Live spent $25 million to $30 million preparing for Michael Jackson’s comeback tour. It also sold $85 million in tickets. So many figured that Jackson’s death would ruin the company. However, there is a chance that AEG might not just recoup its losses, but turn a profit. To start, the company has offered fans either a full refund or a special souvenir ticket. Almost half have opted for the ticket…

    http://www2.macleans.ca/category/need-to-know/?current=68609#post68609

    Pois e

  17. denis rb disse:

    Legal, Brasileiro no Canadá,
    Mas olha, só quero deixar claro que em nenhum momento eu fiz uma crítica ao MJ. Eu não fiz uma analogia entre ele e a sustentabilidade – era entre a fábrica de criar e destruir ídolos e a sustentabilidade. MJ é produto dessa fábrica. Eu ia dizer “vítima”, mas essa não é a palavra certa. “Produto” é mais preciso – “vítima” deixa de levar em conta que MJ fez escolhas conscientes e que, em alguns momentos, ele se beneficiou dessa indústria. Mas, no geral, ele saiu perdendo. Ele foi um homem triste, atormentado, e isso é chocante porque, no fundo, gostamos tanto dele pela alegria que ele mostrou para nós. A alegria do menininho de cabelo afro, a alegria do garoto magrela saltando, andando de costas, fingindo que havia uma parede onde não tinha nada, pendurando o antebraço e gritando “uh!”. A alegria foi embora e MJ continuou sendo movido pela esteira rolante da indústria das celebridades, destinado a cumprir, uma a uma, as etapas da linha de produção de ídolos. E uma das regras dessa linha de produção é que os ídolos precisam ser destruídos para dar lugar a um novo – se não for assim, as pessoas não compram cds novos, nem roupas diferentes, nem ingressos, nem revistas e a indústria não é alimentada. Quando ele morreu, meu primeiro pensamento foi “pelo menos o tormento dele acabou”.
    Se você não sabe do que estamos falando, é deste post aqui: http://veja.abril.com.br/blog/denis-russo/cultura/rei-do-pop-ou-peao/

  18. Rita disse:

    legal, eu já tenho minha horta em casa; é fácil, saudável e não precisa de muito espaço.

  19. Rubens-Genebra disse:

    Sou brasileiro, mas moro na Suiça ha 13 anos.
    Aqui, em todos os bairros de quase todas as cidades, ha espaços cedidos pelas prefeituras para a criaçao de hortas caseiras… O sucesso é enorme, mas o duro é achar uma vaga…
    Um conhecido esta’ na fila de espera ha 7 anos aqui no meu bairro.

    A pessoa tem o direito de erquer uma pequena casinha, muitos fazem churrasqueiras,colocam redes,etc e estas pequenas casas, acabam virando uma mini casa de campo….
    So’ nao tem o direito de passar a noite, e a horta comunitaria fecha no inverno…

    No meu caso, planto minha pequena horta na varanda de meu apartamento, em pequenos e grandes vasos…

  20. denis rb disse:

    Que exemplo legal, Rubens-Genebra. Olha só: custo quase zero para o poder público. Basicamente ceder áreas desocupadas/degradadas para que os próprios moradores da região transformem em coisas legais. E a cidade melhora.

  21. Morgana disse:

    A idéia é muito boa, eu já comecei a minha.

  22. isso nos ajuda muito! ja planejamos e estamos planejando em minha escola.

  23. desculpa ! na verdade o que eu queria escrever era:isso nos ajuda muito!ja planejamos e estamos fazendo em minha escola.

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