Vale do Silício + Washington

O gov2.0 Summit terminou. Foram três dias intensos, cheios de palestras, encontros, conversas. A ideia básica era Washington encontrar o Vale do Silício – políticos engravatados perguntando a nerds esquisitos como tornar o governo mais transparente. Nerds esquisitos pedindo a políticos engravatados mais acesso a dados do governo para que eles possam inovar por cima deles. E a surpresa: alguns nerds esquisitos compraram gravatas e estão trabalhando no governo.

Do lado do Vale do Silício, vieram executivos importantes do Google, Amazon, Microsoft, Twitter, Facebook, pensadores de tecnologia e um monte de empreendedores que estão começando novas empresas com objetivos cívicos. Do lado de Washington, gente graúda da inteligência, saúde, educação e uma porção de funcionários da Casa Branca.

Obama inventou um novo cargo no seu governo: ele tem um “CTO”. CTO – Chief Technical Oficer – é um cargo que existe em empresas. É o sujeito responsável pela tencnologia corporativa, pela compra de equipamentos, pelo desenvolvimento de softwares. O CTO da Casa Branca é algo diferente disso. Aneesh Chopra, o escolhido para o cargo, é mais do que o responsável pelos computadores da Casa Branca – ele é o sujeito que faz as recomendações de como o país vai lidar com os sistemas de informação nos próximos anos. De como usar novas tecnologias para estimular inovação, gerar novas empresas, e também para aumentar a transparência do governo, dar acesso para a população mandar sugestões, ideias, críticas, usar a internet para que o pool de talentos do país inteiro ajude o governo a governar. Chopra estava no evento, e insistiu na ideia de que o que o chefe dele quer é inventar um novo tipo de democracia, mais direta, mais aberta, mais inclusiva. Meio assim como a internet.

Acho que o Brasil precisa de um CTO também.

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2 comentários
  1. Marcio Hasegava disse:

    Acho Interessante a maneira como o Obama parece levar a sério essa questão da internet como ferramenta para potencializar a comunicação entre instituições e pessoas. Não sei se ele realmente pensa assim ou se ele faz isso apenas para criar (ou fomentar) uma imagem de político moderno, mas tomara que saia coisa boa daí.

  2. Márcio disse:

    Pessoalmente tenho uma enorme esperança nessas iniciativas. Por múltiplas razões, creio que uma revolução nas formas de comunicação vão trazer, necessariamente, mudanças igualmente radicais na forma como hoje pensamos e vivemos a política e todas as demais áreas da vida social.

    Mas creio que isso tem limites. Não adianta muito, em casos como o Brasil, implantarmos tecnologias comunicacionais de ponta e até hoje, em pleno século XXI, ainda não termos feito uma reforma agrária de verdade, nem reduzirmos as tremendas desigualdades e por aí vai. O que quero dizer é que, apesar do tempo passar, se tem uma coisa que muda pouco, é que as verdadeiras mudanças vem da rua, da sociedade civil combativa. Quanto à internet, ela só é mais um instrumento, como foi a imprensa nas Revoluções Burguesas. Mas sem povo na rua…necas!!! Nesse caso, iniciativas como essa convertem-se em mero “estilo de vida”.

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