A ciclofaixa e a convivência

Bicicleta é meu meio de transporte preferencial desde os 13, 14 anos. Eu ia pedalando para a escola, para a faculdade, pro trabalho quando eu era um foca numa redação. E hoje deixo no estacionamento o carrão da empresa a que eu tenho direito por ser um executivo e vou de bike trabalhar.

Sejamos honestos: não comecei a pedalar por consciência ambiental. Nem existiam essas coisas, acho (eu, assim como todo mundo que eu conhecia, jogava lixo no chão sem nenhuma cerimônia). Comecei a pedalar porque era mais divertido. Porque queria evitar o vexame de ser visto pelas menininhas saindo do carro do meu pai. Porque meu melhor amigo era quase vizinho e adorava bicicleta. Mas o fato é que comecei, e não larguei nunca mais, a não ser em determinados períodos em que deixei a preguiça me dominar.

Mais de 20 anos pedalando em São Paulo fizeram de mim um ciclista agressivo. Aprendi a enfiar a bicicleta nas brechinhas entre os carros, a olhar os motoristas desafiadoramente, a espatifar eventuais retrovisores, a levantar o dedo médio com alguma frequência. A odiar quem sentasse atrás do guidão.

Aí, na semana passada, tive uma epifania.

De repente, enquanto pedalava, me dei conta de que essa minha atitude não está ajudando nada a melhorar a vida no trânsito. Este sábado, resolvi testar uma atitude diferente. Uma moça passou raspando no meu guidão, a toda velocidade. Ela parou lá na frente, no sinal vermelho. Parei ao lado dela tranquilo, como quem vai pedir uma informação, coloquei um sorriso na cara, olhei no olho dela, dei oi, esperei ela responder, e disse:

– Dá uma distância maior quando for passar ao lado de uma bicicleta, por favor.

Como cheguei sorrindo, ela sorriu também. Não ficou constrangida, porque fiz de tudo para não constrangê-la. Se ela, a partir de hoje, vai tomar mais cuidado, não tenho como saber. Mas acho que funcionou melhor do que xingá-la de doida.

Trânsito não é uma coisa que a prefeitura colocou no caminho entre nossa casa e o trabalho. Trânsito é formado por mim, por você, pelos nossos carros, nossas bicicletas. Cabe a nós melhorá-lo. E o melhor jeito de melhorar as coisas é conversando. Sem deixar passar quando vê algo errado. Sem deixar a raiva esgotar a razão.

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Dia seguinte, domingo, fui experimentar a ciclofaixa que a prefeitura de São Paulo inaugurou aos domingos de manhã, perto do Ibirapuera. Dia de sol, muita gente, clima de festa, pais ensinando filhinhos a pedalar. Dava para ver que tinha muita gente lá que nunca tinha pedalado em São Paulo.

Estava tudo tão bonito que fiz força para gostar. Mas o fato é que a ciclofaixa tem tantos equívocos que fica difícil não notar. Essa história de confinar as bicicletas aos domingos das 7 ao meio-dia é mais para controlar os ciclistas do que para dar espaço a eles. Parece que a iniciativa foi mais para tirar bicicletas da frente dos carros do que para estimular gente a pedalar.

O mais triste é que essa iniciativa vai na contramão de estimular a convivência entre carros e bikes. Separados por uma fileira de cones, ciclistas e motoristas nem se olhavam na cara.

Pelo menos, ao criar a ciclofaixa, a prefeitura começou um debate. Vamos torcer para que ela esteja disposta a ouvir ideias e melhorar o projeto. Do jeito que é hoje, com semáforos adaptados, chão pintado e dezenas de funcionários/fiscais/guardas trabalhando, a ciclofaixa é sem dúvida um projeto caro. Tenho certeza de que, pela mesma grana, dava para fazer algo que tenha consequências reais na vida da cidade.

Eu, da minha parte, estou disposto a discutir ideias. E prometo que vai ser sem levantar o dedo médio.

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31 comentários
  1. paraxaba disse:

    oi Denis
    gostei da abordagen a moça.agressividade tem local determinado.con certeza ela tomara mais cuidados com os ciclistas.gosto deste tipo de abordagen.me parecen mais eficazes.sen falar que …era uma moça.ha a pronessa do dedo.estende se a madeireiros,pecuaristas e agricultores?

  2. Itzme disse:

    “Tenho certeza de que, pela mesma grana, dava para fazer algo que tenha consequências reais na vida da cidade”. Por exemplo?
    Só vi dois equívocos nessa ciclofaixa: a presença dos cones e horário predeterminado para seu funcionamento.
    No mais, elas são assim no mundo inteiro.

  3. Henrique disse:

    Com relação à declaração do Itzme, temo que não seja assim no mundo inteiro não. Pelo menos nos lugares que conheci (onde a bicicleta é encarada como meio de locomoção), as ciclovias são apenas tinta no chão e as bikes se misturam com os carros na rua.
    Também discordo de você, Denis. Claro que limitar as bikes a um certo dia e horário da semana não é lá muito animador. Mas eu vejo isso como uma forma de incentivar os ciclistas presos no armário a ocuparem seus espaços na rua.
    Quem começa a pedalar não quer nunca mais parar!

  4. Leticia disse:

    A bicicleta ainda é vista pela Prefeitura como um meio de lazer e não como meio de transporte…

  5. denis rb disse:

    Henrique, concordo contigo. Foi o que quis dizer no primeiro parágrafo depois da foto: a faixa serviu sim para isso, para “desvirginar” muitos ciclistas.

  6. denis rb disse:

    Itzme,
    Respondendo:
    – E se, em vez de um trechinho temporário, a cidade começasse o longo trabalho de criar uma infraestrutura permanente?
    Criar faixas para bicicletas nem é assim tão importante quanto criar uma rede de vias adaptadas para pedalar. Às vezes não precisa nem de faixas – baixa sinalizar, reduzir a velocidade dos carros, criar formas de compartilhar as vias.
    Não é verdade que seja assim no mundo inteiro. São Paulo está mais atrasada na criação de uma infraestrutura para bicicletas do que qualquer cidade média ou grande da Europa, da América do Sul e da Oceania que eu conheça, e perde feio também de muitos latino-americanos, como Bogotá ou o Rio. Nesses lugares há pelo menos um projeto de rede ciclística, não um trechinho isolado perdido no meio da selva urbana.

  7. Gabriel Verdazzo disse:

    Denis, até que vc começou bem remetendo à sua história e mostrando o bom-mocismo exemplar. Mas, aí, desceu a ladeira…Incrível como as coisas acontecem. Nao tínhamos nada. De repente, aparecem a ciclovia Caminho Verde, a discussão sobre mais ciclovias (45km) em SP, ciclovia do Parque Tietê, os bicicletários públicos. Caraca. Quanta coisa em menos de 1 ano contra 100 anos de dominação do automóvel. É para se aplaudir. Nao sou de nenhuma partido. Só vejo o que todo mundo está vendo também. Sei ser crítico mas também sei ver o lado positivo destas ações. Conviver a bicicleta com o automóvel hoje? Impossível! Pequenos passos de cada vez. Se os carrólotras se acostumarem a ver cada vez mais bicicletas nas ruas, a coisa vai melhorando.
    É só somar as coisas: quem está promovendo a Ciclofaixa? Secretaria de Esportes. Queria que eles fizessem mudanças viárias? Isso é coisa da Secretaria de Transportes – que já entrou na briga também.
    A criança tem que aprender a engatinhar para poder andar depois.
    Vamos dar tempo às mudanças e contribuir de forma positiva para amalgamar nosso futuro.

  8. Maurício Bittencourt disse:

    Realmente, é uma vergonha para SP estar TÃO atrasada numa questão simbólica como essa. Pode ser megalópole, a maior do Brasil e do hemisfério austral, mas se não tiver propostas públicas de transporte limpo, como a bicicleta, continua medieval. Rio Branco, capital do “atrasado” estado do Acre, tem muita ciclovia. Toda avenida que é remodelada ganha uma. Arrisco que a cidade tem mais de 50 km exclusivos para bicicleta.

  9. Itzme disse:

    Denis, Henrique

    Nas cidades da Europa que conheço (citos especificamente os casos de Paris e Barcelona) ciclistas trafegam em ciclovias ou ciclofaixas, não se misturam aos carros não. Isso seria suicídio em qualquer lugar do mundo.

    Quanto à extensão da ciclofaixa paulista e a sua utilização com hora certa, vejo que concordamos. É ridículo.

  10. #42 disse:

    Infelizmente a imagem que a maioria das pessoas tem é de que a rua é lugar pra carro, que bicicleta é coisa ou para criança ou pra lazer… Muito correta a sua atitude pra com a motorista, afinal antes de tudo ela também é gente! E gente quando tratada como tal se torna mais receptiva as idéias do outro. Tomara que ela tome mais consciência com relação a nós ciclistas.
    Uma coisa que vc comentou e que realmente a melhor solução é começar a criar regulamentos que façam com que os motoristas tenham cada vez mais a consciencia de que a rua também é das bicicletas, eu moro numa cidade antiga e que na maioria das ruas seriam impossíveis de se construir ciclovias, a cidade é media e o transito por culpa de péssimo planejamento é tão ruim que até parece haver mais carros nas ruas do que realmente há, mas é possível perceber que muitas medidas poderiam ser tomadas para facilitar a vida dos ciclistas, medidas que nem exigiriam grande investimento… pensando bem essa falta de grande investimento provavelmente afastaria os políticos, afinal pouca verba não compra carro novo (o deles é lógico!) !

  11. Gabriel disse:

    Denis, desculpe a minha ignorância, mas como eu faço para opinar a respeito da criação de ciclovias com a prefeitura? Eu já tentei enviar um e-mail, mas nem uma mensagem automática agradecendo o contato eu recebi ( não que eu tivesse interesse em recebê-la também ).

    Eu fui criado em Vitória, ES, e depois de ter me mudado de lá eu tive a ideia de sugerir a construção de uma ciclovia em especial… É que tem uma avenida, bem curtinha, que conta com seis escolas nela ou bem próximas a ela. Eu tinha pensado em fazer com que se aproveitasse o meio da avenida – que, além de ter umas árvores bem grandes cujas sombras seriam ideais para os ciclistas, ainda conta com um espaço na minha opinião razoável para estes irem e virem – para a demarcação de uma mini-faixa para os ciclistas… Nos cruzamentos, haveria um tempo mínimo para a travessia dos ciclistas, além de serem colocados guardas municipais principalmente nos horários de entrada e saída dos alunos.

    Por último, a prefeitura poderia criar uma campanha de conscientização dos pais e alunos dessas escolas. Enfim, a minha ideia pode ter uma série de erros e imperfeições, mas eu gostaria de divulgar e debater com outras pessoas, tanto cidadãos quanto vereadores e prefeito… Mas como?
    Através de que meio? Fica a dúvida… Espero que você ou algum leitor possam me ajudar.

  12. Rômulo disse:

    Parabéns pela mudança de postura.

  13. denis rb disse:

    Itzme,
    Há ciclovias dedicadas em Barcelona e Paris, mas também há vias compartilhadas nas ruas mais tranquilas. Em Paris, especificamente, bicicletas compartilham com os ônibus as faixas onde não há ciclovias dedicadas (uma ideia que certamente soa absurda para os paulistanos, acostumados a achar que ônibus e bicicletas são inimigos mortais – literalmente mortais). Me dei conta que essa discussão é muito pouco conhecida, que a maioria das pessoas acha, como você, que ciclovias são as únicas soluções para dar espaço às bicicletas. Vou postar de novo esta semana sobre isso, com alguns exemplos que colecionei de cidades pelo mundo.

  14. denis rb disse:

    Gabriel Verdazzo,
    Você tem razão – avanços devem ser celebrados. Realmente, estamos caminhando em termos de infraestrutura ciclística na gestão Kassab do que em qualquer outra na história da cidade. Por outro lado, o trânsito da cidade se deteriorou demais – a ponto de eu me sentir menos seguro hoje do que há poucos anos atrás. É muito pouco ainda.
    Mas a natureza de minha crítica não era destrutiva – não é minha intenção resmungar. O que eu quero é que haja mais discussão, que a discussão seja mais inclusiva, que a cidade, os ciclistas, sejam convidados a participar dela. Como eu disse, a ciclofaixa deu início ao debate. Só espero que ele não pare aqui.

  15. Felipe Maddu disse:

    Eu também pensava assim e acho que não adianta se exaltar. A gente têm que educar as pessoas, se o Estado não o faz. Acho que os motoristas estão cientes da existência de gente como nós, que saí de corpo e alma pedalando por ai. Ontem fiquei muito feliz, um amigo meu vai vender o carro e comprar uma puta bike. Temos o incentivo em nossas mãos. Na próxima vez me cham pro rolê heinn Denis. Nos vemos pelas ruas de SP.
    Ps Minha bike é amarela-caloi hehe

    http://femaddu.blogspot.com/
    http://femaddu.blogspot.com/

  16. Felipe Maddu disse:

    Esqueci de dizer, eles deviam seguir o exemplo da ciclovia da radial. Lá têm até semaforo, to louco pra ir lá conhecer!

  17. Willian Cruz disse:

    Denis, realmente a iniciativa estimula a discussão, o que é ótimo. Mas a maior vantagem que eu vejo é que milhares de pessoas, que antes pedalavam apenas no parque, pedalaram pela primeira vez nas ruas usando a ciclofaixa. Ok, foi em espaço confinado, mas é um primeiro passo.

    E, além disso, eu vi nesse domingo, lá no topo da V. Mariana, várias pessoas, em momentos diferentes, pedalando com a mochila-sacola da ciclofaixa. Parece nada, não é? Mas muitas das pessoas que foram para a Ciclofaixa tiraram suas bicicletas de casa e pedalaram até lá, ocupando as ruas onde não há ciclofaixa. E quanto mais bicicletas circulando nas ruas, mais os motoristas as percebem e mais elas conquistam seu espaço, tornando a rua um pouquinho – mesmo que só um pouquinho – mais segura para todo mundo.

    Quanto mais a bicicleta for usada, quanto mais for vista nas ruas, mais os motoristas “conservadores” passam a aceitá-la.

    E sobre a ciclofaixa não ser um avanço tão grande assim em termos de mobilidade por bicicleta na cidade, convido a ler o que eu escrevi sobre pequenas ações que tornariam as ruas mais seguras para quem resolve usar a bicicleta: http://twurl.nl/1f5ul6

  18. denis rb disse:

    Ótimo post, Willian!

  19. Vitor disse:

    Olá, Denis,
    Não sabia que você pedalava há tantos anos, legal saber disso. Nunca quebrei retrovisores, mas ultimamente tenho passado por situações tensas. Há algum tempo venho tentando decidir a melhor estratégia para abordar alguém. Sempre converso com motoristas de ônibus nos semáforos para gerar empatia. Sorrio para os carros, peço paciência, agradeço preferências. Mas quando a pessoa arrisca minha vida por uma bobagem… Fica difícil não se inflamar. Neste domingo acabei indo às vias de fato com um motorista que ameaçou passar por cima de mim (e eu tive certeza que ele o faria). Arrependo-me profundamente do ocorrido, mas tem horas que é difícil se segurar.

    Mas aí eu penso no outro lado: se a pessoa é imbecil, não será a violência que o fará mudar. E provavelmente estraga nosso dia (como quase fez comigo). De repente, lembro-me de Gandhi. A não-violência deve mesmo ser o melhor caminho.

  20. Marcio disse:

    Denis, vc ainda quebra retrovisores e mostra e mostra o dedo do meio para motoristas? Já pensou se eles decidirem fazer o mesmo e mostrarem também o dedo e quebrarem também os “retrovisores” dos ciclistas? Disposto a discutir idéias? Não parece.
    Sou motorista, mas dirijo, ainda bem, bem pouco dentro da cidade. Sou ciclista também, mas destes de fim de semana. Ultimamente, sou mais mesmo é pedestre. E por isso posso dizer que, para quem anda à pé em São Paulo, é duro ser respeitado. Tanto faz se é um SUV, um carro popular ou uma bicicleta, ninguém pára nas faixas de pedestre. Quando há faróis, os dois primeiros param, as bikes, não. Parece que os ciclistas são “mais vítimas” apenas por serem fisicamente mais frágeis, pois comportam-se exatamente como os demais “grupos” (talvez este seja o problema, a exitência de grupos) com quem dividem a cidade.
    Abraço

  21. Márcio disse:

    Fora de tópico 1:

    Felizmente aquela palhaçada de controle da internet paras as elieções foi deixada de lado.

    Fora de tópico 2:

    Hei Denis, não acha que está na hora de fazer um tópico sobre a COP 2009? Copenhagen está aí e é bom que esquentemos os tambores, né? Já tá dando o que falar pela web afora aí! Não pode ficar de fora, né?

  22. Janine Stecanella disse:

    Denis! Aqui em Caxias do Sul também encontramos vários problemas. O espaço para os ciclistas se resume, oficialmente, em um parque. Até se arriscamos a andar na rua/ calçadas, mas o trânsito aqui tá tão frenético que é quase imopssível sair sem ouvir gritos. Além do que, o relevo não ajuda muito. Esperamos que uma proposta, assim como a de São Paulo, que não é ideal, mas é o início, chegue por aqui.

  23. Anouk disse:

    Oi Denis,

    Aqui em Hamburgo onde vivo, há ciclovias dos dois lados da rua; sobre as calcadas em geral.

    Ao chegar na Alemanha, em uma de minhas pedaladas, peguei o lado da rua errado e quase levei uma “ombrada” de uma ciclista irritada. Como tenho um ótimo reflexo, evitei que fosse jogada no meio do trânsito. Se ela tivesse parado perto de mim, eu com toda certeza nao teria lhe dito; oi?

    Como motorista, acho desagradável ter ciclistas na área, por isso, nao vejo razao nehuma em ter esse contato visual, além da atencao necessária, para evitar um possível acidente.

    Hamburgo possui mais ou menos 1,7 milhao de habitantes. Por aí, você pode imaginar a tranqüilidade do transito por aqui. Em Sao Paulo, no entanto…

  24. denis rb disse:

    Alguém aí acha que vive numa cidade-modelo para bicicletas?

  25. Willian Cruz disse:

    Márcio, não são todos os ciclistas que passam batido no sinal vermelho. Eu, por exemplo, raramente o faço. Dizer que não faço é hipocrisia, assim como não há motorista de automóvel que já não o tenha feito: tarde da noite, parado em um semáforo onde não há alma viva passando nem automóvel vindo na transversal, às vezes eu furo o sinal. Mas quando há pedestres atravessando, nunca. Não dá para julgar todos por alguns (mesmo que esses alguns sejam muitos). Mas concordo com você que talvez o problema seja rotularmos em grupos, quando na verdade as ruas (e a cidade) são de todos.

  26. Felipe Maddu disse:

    Temos que fazer crescer a consciência coletiva, saindo às ruas mesmo, como disse Willian Cruz. Márcio nós somos frágeis, tanto quanto um motociclista. Mas acho ainda que eles ficam mais expostos, nós vamos no sapatinho pra sobreviver-mesmo assim vou da Heitor até a barra-funda em menos de 20min. Eu acho a ideia a gente passar pras pessoas não-bikers a sensação boa de pedalar. Outra coisa é chuveiro. Devia ter em todo lugar(faculdade/empresa) porque em chego na facul suado, é foda!!

  27. marcus disse:

    Acredito que para popularização das bikes (e por consequencia, diminuição de carros nas ruas), somente com o aumento do preço do combustível, diminuição do crédito, etc… Sei que a idéia de conscientização em favor de um meio de transporte menos poluente é correta, mas acredito que as pessoas só vão mudar sua postura quando o bolso for afetado. Não acredito que chegue um dia em que seja “vergonhoso” andar de carro – em comparação com jogar lixo na rua ou fumar ao lado de quem está almoçando. Eu não gosto de dirigir, não gosto de carro e só ando de ônibus aqui em Curitiba, mas vejo nas atitudes de amigos motoristas que, sem pesar no bolso, algo dificilmente mudaria. Carro ainda hoje (por incrível que pareça), ainda é sinal de status. Já vi conhecidos meus dizendo que está caro manter o seu carro atual, mas não podem trocar por um mais simples pq (atenção!!), “o que o pessoal iria dizer?!”.

  28. Fabio Storino disse:

    Felipe: obrigado por lembrar do chuveiro! É um dos meus “deal-breakers” para usar mais seriamente minha bicicleta.

    Denis: faz mais de 10 anos que estive lá, mas quem eu conheço que mora em Amsterdã, diz que lá as bicicletas dominam a cena.

    E não é só questão de hábito, Denis: quando morei em Austin (Texas), usava a bicicleta todos os dias. Estava na “cultura” local da cidade (se bem que não tenho muitas saudades de fazer supermercado de bicicleta…), e eu achava mais que natural usá-la. Quando voltei para SP, bem que tentei continuar o hábito, mas nem a topografia ajudou: quebrei um monte de correia nas subidas insanas que há em volta da minha casa.

    Uma das soluções possíveis para, ao mesmo tempo, estimular o uso das bicicletas e desestimular o uso de carros está no planejamento multi-modal de mobilidade urbana. A cidade de Taipei, capital de Taiwan, instalou porta-bicicletas em todos os terminais de ônibus e metrô da cidade. A idéia é que quem decide pelo uso da bicicleta não é obrigado a fazer necessariamente todo seu percurso nela. Na visão do Ministro das Comunicações do país (em alguns países, “transporte” faz parte dessa pasta), o taiwanês deveria ter duas bicicletas: uma para ir de casa até o terminal de transporte de massa mais próximo, e outra para ir do outro terminal até seu destino final.

    É uma solução bastante factível para São Paulo, e muito mais barata (ainda que não ideal) do que tentar adaptar toda a cidade para o convívio entre as caixas de aço pesadas e velozes que são os carros com as frágeis bicicletas. Até que tenhamos, em vez de vias segregadas, uma cultura de convívio pacífico entre carros e bicicletas, ou entre ônibus e bicicletas, o que você acredita ser não apenas ideal, como também possível, quantos ciclistas morrerão no processo?

    Tomara que eu esteja errado, Denis, mas sou cético.

  29. Gerd disse:

    Oi, Denis,

    Kassab ajuda quem cedo madruga…
    Eu também fui ver a ciclofaixa, mas cheguei tarde e acabei percorrendo o trecho pela avenida mesmo, à direita, só observando o que havia sido feito.
    De modo geral, concordo com sua crítica. A ciclofaixa foi feita para isolar as bicicletas, não integrá-las no trânsito. Sintoma disto é a restrição a muitas conversões e retornos ao longo do trajeto, que tornariam a ciclofaixa impraticável em horário de trânsito mais carregado.
    Mas concordo com o contraponto, que nunca se fez tanto pelas bicicletas como neste último ano. Penso que a faixa pintada no chão será uma lembrança importante para os motoristas, nos demais dias, de que bicicletas fazem parte do trânsito. Ademais, a existência de uma estrutura sugere sua expansão para outros horários.

  30. Tiê Passos disse:

    olha acho q tem dia pra tudo, ninguem consegue ficar levando fina todo dia e agindo com sorriso e tal, sempre procurei agir dessa manera, na coversa, no bom senso, tenho amigo que grita: VIADO!, vai se fude.. e acho q isso não adianta só cria atrito entre o ciclista e o motorista, acho q não podemos deixar tudo na boa, mas descer o nível não precisa. Esses dias uma mulher me cruzou na frente, estava num lugar iluminado, preferêncial e rápido, bem rápido (como de costume) atrasado para o show da Céu, e derrepente o carro, que por sinal eu estava cuidando, avançou com tudo e me deixou aquele muro de metal… bati e voltei, desloquei minha clávicula, dor e tal, junto aquela rodinha de pessoas a minha volta, mas em momento algum mandei a mulher para aquele lugar, ela não me viu, pq não estava procurando por um ciclista, no que estava deitado uma moça falou para um menino que viu tudo: Viu como é perigoso andar de bicicleta.
    Nossa, não acreditei, rolou aquela indignação, respondi: Perigoso são as pessoas que não prestam atenção no transito (com vontade de falar.. nossa vai tomar no cú, esse carro me trancou e me fudeu e vc vem me dizer q andar de bicicleta é perigoso ?? esse carro que é perigoso !!) tá mais resumindo hahaha.. A mulher q me trancou ficou mal no dia, me ligou no dia seguinte, fui educado com ela e isso fez com que as consequencias após acidente serem mais positivas que se saisse xingando. Ela me diz que hoje em dia é muito mais atenciosa e sempre procura por ciclistas, vai pagar os danos materiais e depois de 5 semanas.. aqui to eu de volta de bike !

    E falando em ciclofaixa, lançamos aqui em curitiba um edital para projeto de ciclofaixa para possível implantação em uma rua importante da cidade. segue o link: http://artebicicletamobilidade.wordpress.com/2009/10/08/edital-da-ciclofaixa-prorrogado/

    um teste de atenção bem legal: http://www.youtube.com/watch?v=yqphP8pyomY

    Falou
    Valeu.

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