Uma imagem chocante

Na semana passada, argumentei que o Nobel da Paz de Obama sinaliza que o mundo mudou. Hoje quero falar de um assunto parecido, mas dessa vez tem a ver com o Nobel de Economia.

Você conhece o Nobel de Economia, não conhece? É aquele prêmio outorgado anualmente pela Academia de Ciências da Suécia a um homem de terno e gravata. Pois então. Vocês viram o que aconteceu com o Nobel de Economia na semana passada?

Clique logo aí embaixo no link para continuar lendo este texto. Mas, antes, quero fazer um aviso: dependendo do seu senso estético e do seu grau de rigidez ideológica, a imagem que você vai ver pode ser chocante. Clique apenas se você achar que está preparado.

tiedye_nobel

Sim, meu caro. É isso mesmo que você está vendo. Não, não é uma alucinação. Eu avisei que seria chocante. O Prêmio Nobel de Economia foi mesmo ganho pela americana Elinor Ostrom, uma mulher que usa blusa de tie dye.

O tie dye (“amarre-e-tinja”) é uma técnica de tingimento ancestral – há registros de comunidades pintando tecidos dessa maneira na Ásia e na América pré-colombiana desde o século 5. A técnica é simples: com um elástico ou um barbante, faz-se pequenos lacinhos prendendo pedaços do tecido. Aí molha-se esses pedacinhos com tintas coloridas. O resultado são esses padrões geométricos psicodélicos.

Tie dye foi a estampa símbolo do movimento hippie. Não é difícil entender por quê: fácil de fazer, artesanal, barato, colorido como uma viagem de LSD e ligado a culturas ancestrais, ele tem tudo a ver com o espírito dos anos 60. Janis Joplin adorava. John Sebastian, um compositor e tocador de harmônica que se apresentou em Woodstock, tingia em casa todas as suas roupas, inclusive os tênis. Uma reportagem da revista Time publicada em 1970 dá a dimensão do quanto o tie dye fazia sucesso na época: “por quase nenhum custo, ele pode transformar uma camiseta de 32 centavos em campos de morango para sempre” (uma referência ao hino psicodélico Strawberry Fields Forever, dos Beatles).

Elinor Ostrom, portanto, está longe de ser a típica vencedora do Nobel de Economia. Ela usa símbolos do movimento hippie. Ela é mulher (a primeira a ganhar o Nobel desde que a categoria foi criada, em 1969, época em que se usava tie dye). Ela nem é economista – tem formação em ciência política e dedica sua carreira a demolir os muros entre a ciência política e a economia.

Mas vamos ao que interessa: ela é de direita ou de esquerda?

Hmmm, acho que a resposta correta é: nenhum dos dois. Elinor pesquisa os “commons”, que são recursos administrados coletivamente. Por exemplo: sistemas de irrigação no Tibet construídos e mantidos pelos próprios fazendeiros que os usam. Ou florestas e lagos em várias partes do mundo regidos pelas pessoas que os exploram. (Já encomendei na Amazon alguns livros dela – vou falar mais disso aqui no futuro.)

Aqueles que dividem o mundo entre esquerda e direita tendem a achar que a única escolha importante a ser feita no mundo é entre o mercado e o estado. As coisas ou são administradas pelo governo ou pelas corporações. Elinor tem se dedicado há mais de 40 anos a pesquisar as coisas que não estão nas mãos nem de um nem das outras: aquelas regidas pelo interesse comum. Para tanto, ela investiga conceitos como “confiança”, “ação coletiva” e “cooperação”. Enfim, ideias que algumas pessoas supunham tão ultrapassadas quanto o tie dye.

Ao dar o prêmio a ela, a academia sueca afirma que esses conceitos não estão tão ultrapassados assim. Pelo contrário: talvez eles estejam mais na moda hoje do que nos anos 60. Afinal, a própria internet é um common: ela não é de propriedade nem de governos nem de empresas, e funciona bem pacas, melhor do que a maioria das coisas governamentais ou privadas.

Mas o common mais importante que existe é a tal espaçonave azul da qual os hippies falavam: o planeta Terra. Ao premiar Elinor com o Nobel, os suecos estão reconhecendo que, se queremos mesmo preservar a Terra para os nossos netos, nem o mercado nem o governo tem todas as respostas. A única saída é uma administração conjunta, comunitária, compartilhada entre todos os interessados, os quase 7 bilhões de seres humanos. Ou cada um de nós assume a responsabilidade ou a coisa fica feia. E talvez as pesquisas de Elinor tenham bons insights para descobrirmos como fazer isso funcionar.

Foto: cortesia da Universidade de Indiana

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35 comentários
  1. Wolf disse:

    Legal Denis! Taí uma forma que realmente pode dar certo! Nem esquerda, nem direita, nem centro. Consciência coletiva e bom senso!

  2. Maurício Bittencourt disse:

    Enfim, algo positivamente chocante! É notável como a mídia deu pouca atenção ao assunto outsider da sra. Ostrom. Os meios de comunicação de massa fogem de levar a sério o tema ambiental.

  3. Rodrigo Vieira da Cunha disse:

    Muito legal, Dennis! Publiquei algo sobre isso no meu blog (afichacaiu.wordpress.com). Falem bem ou mal, mas o fato é que acho que a academia sueca está super antenada com o mundo. Por isso deram o prêmio para Obama.
    A mídia deu mais atenção ao fato de ela ser mulher. Estamos mal-assessorados de jornalistas! Exceto por caras como você.
    Abraço

  4. carlos disse:

    estou chocado!!!!!

    na verdade, o pessoal da suécia está acostumado com essa história hippie, veja Bergman, o lisérgico. abraço

  5. denis rb disse:

    Valeu, Rodrigo
    E retribuo: estamos mal-assessorados de banqueiros. Exceto por caras como você… 😉

  6. Jose Neto disse:

    Denis, incrível como o bom senso pode parecer chocante. Buscar uma terceira via, sair do usual, lembrar que sempre haverá uma outra alternativa, faz com que a Sra. Ostrom mereça o Nobel. Quanto ao seu texto, foi maravilhoso.

  7. Érisson disse:

    Não sei o porquê de tanta surpresa. O Nobel só está saindo do padrão tradicionalista para o progressista. Isso é muito bom.

  8. Vitor disse:

    O Nobel foi compartilhado com outro economista, esse homem, chamado Oliver Williamson. O cara está sendo ignorado pelo simples fato de não ser uma “minoria”, o que é ridículo.

  9. Alexandre disse:

    Denis, valeu pela leitura sobre o Nobel da economia. Muito relevante a eleição de Olstrom. Pena que o prêmio para o Obama, ofuscou-a.
    Obrigado.

  10. Mauro Palmiro disse:

    Você já falou de maconha, cocaína e agora LSD mas nunca dispensou nenhum caracter para criticar qualquer uma delas. Essas drogas matam milhões por ano e você as cita de maneira neutra. Isso é repulsivo.

  11. denis rb disse:

    Vitor,
    E vc acha q há coisas relevantes a serem ditas sobre o Williamson q não estão sendo ditas? Fique à vontade para comentar a pesquisa dele aqui se vc quiser. Diga lá: pq vc acha q deveríamos estar dicutindo o trabalho dele?

  12. Moisés disse:

    Cara, você está doidão! Atenção, Lula mudou de idéia, agora a moda é combater os viciados …

  13. Moisés disse:

    Confesso que parei a leitura na metade do primeiro parágrafo. Não vi o resto.

  14. jorji disse:

    Demolir o muro entre a ciencia politica e economia? Somos 7 bilhões? Direita ou esquerda? Estado ou mercado? Confiança? Ação coletiva? Interesse comum não funciona, o que move o mundo é o sexo, a lei do mais forte tem que prevalecer, os fracos são eliminados pelas forças da natureza, assim é a vida, no fundo o que realmente funciona é a seletividade, esse é o verdadeiro interesse comum, os ideais são um grande fracasso, não levam em conta a natureza das espécies.

  15. Luciana Corrêa disse:

    Acontecimentos como esse me enchem de esperaça…repito aqui….o novo sempre vem…ele só não tem um nome próprio ainda…..mas já existe….no desejo do homem de bom coração….o primeiro movimento de transformação é desejar o mundo que queremos….como disse o Jonh Lennon….Imagine. Imagine….com toda sua força….livremente….imagine…

  16. denis rb disse:

    Desculpe, jorji, mas o que “não leva em conta a natureza das espécies” são afirmações vagas e generalistas como a sua, que afirmam uma verdade absoluta, insecapável, sem nenhuma sustentação em fatos. Ou seja, você está sendo dogmático. É você o idealista aqui, tentando encaixar tudo numa visão rígida da realidade, que você já tinha previamente.
    O trabalho de Elinor é sustentado em pesquisa de campo, em imersões profundas em comunidades do Peru ao Tibet à Suíça ao Arizona. Ele leva sim em conta a natureza das espécies, porque emprega técnicas de observação científica, semelhantes às dos estudiosos de comportamento. O fato de ela apontar caminhos que não combinam com a sua visão prévia de mundo não faz dela uma idealista (no sentido de “desconectada do mundo real”).

  17. Marcelo disse:

    O todo poderoso Deus-Mercado entra em crise e se vê obrigado a implorar que o Papai-Estado o salve.
    Um NEGRO é eleito presidente dos EUA.
    Uma MULHER que defende idéias que inspiraram o movimento HIPPIE (e que para muitos têm um quê de comunismo) é premiada com o Nobel de ECONOMIA.

    Pareciam impossíveis?
    Até 20 ou 15 anos atrás sim, eram coisas impossíveis que JAMAIS aconteceriam.
    Mas, sei lá… alguma coisa mudou de lá para cá, hoje estas coisas até parecem tão naturais…
    Será a era de aquário chegando?

  18. helbert disse:

    O prêmio Nobel tem ficado notório por premiar nulidades. Ortodoxia neles!!!

    O Jorji está 100% certo.

    Só não sei por que motivo perdemos nossos tempos com este tipo de blog.

    Mas os títulos são chamativos. Esta é a grande tirada. As idéias mesmo, são ridículas.

  19. Hugo Pentado disse:

    Em primeiro lugar, existe um factóide (de tanto falar, é considerado verdade) sobre o Prêmio Nobel da Economia. Não existe esse prêmio. O prêmio que existe é o Sveriges Riksbank, criado em 1968 pelo banco central da Suécia, com o seguinte título: “Prémio de Ciências Económicas em Memória de Alfred Nobel”. Foi e é sempre incorretamente referido como “Prêmio Nobel da Economia” e pouca gente sabe disso. Favor corrigir. A Fundação Nobel criou prêmios para ciências que consideravam úteis para a humanidade.

    O prêmio concedido a essa cientista é um alerta para os economistas autistas que ainda trabalham um modelo de crescimento econômico eterno num planeta finito. Não percebem que o sistema econômico, é um subsistema dependente e vulnerável do planeta. Enfim, os economistas continuam autistas: não há uma só variável nos modelos econômicos que reconheça a importância dos recursos naturais e dos 20 serviços ecológicos para o processo econômico, inclusive água, sem a qual não teríamos nada. Nem petróleo: como representa só 2% do custo de produção, os economistas declaram que é totalmente desimportante para explicar o crescimento econômico até os dias de hoje (desde quando o valor é uma boa medida de importância?). É como se o sistema econômico estivesse em marte e não tivesse relação alguma – nem de entrada nem de saída – com o sistema ambiental e planetário do qual depende. Tudo isso depois de mais de 60 anos de críticas e evidências.

    Um país desenvolvido precisará de novas idéias, até porque a nação mais importante do mundo, os Estados Unidos, atingiu tudo aquilo que desejamos – níveis elevados de demanda – mas tudo isso às custas de um desastre ambiental monumental e de uma desigualdade social gigante e, mesmo assim, terminou em uma crise global cuja solução ainda não foi dada, pois apesar do otimismo atual, o armário está cheio de “esqueletos”. A pergunta é: porque uma nação desenvolvida que conseguiu vender tanto, ter um mercado consumidor tão expressivo e, mesmo assim, entrou numa crise financeira e econômica aguda, cuja solução foi injetar trilhões de dólares? Será que o crescimento não se tornou um fim em si mesmo, desvinculado de objetivos maiores – e de uma boa avaliação?

    Abraço Hugo

  20. Danielle disse:

    Nao conheco economia suficiente para discutir sobre o assunto, mas pelo que ouvi do pessoal do meio (academico), o williamson tem uma pesquisa mais relevante e mais conhecida na mesma area do que ela. Mas isso, de forma nenhuma invalida a premiacao dela. Foi de certa forma politica, para que fosse dado o premio para uma mulher, mas a pesquisa dela eh muito importante. Mas a do Williamson eh, e voce nao comentou (e pelo que eu saiba, ele nao tem nada de hippie).

    Quanto a essas baboseiras que insinuam que Economia nao eh ciencia: pode nao ser em parte da academia brasileira, onde ainda se ensina usando livros-texto da decada de 70. Mas ela eh tao hard-science quanto Fisica e Biologia, completamente matematizada (tente ler um paper atual da Econometrica, e depois me diga se voce entendeu).

    Nao me interessa se o Alfred Nobel tinha ou nao selecionado Economia como ciencia “valida” para ser premiada – ate porque quando ele criou o premio, basicamente a Economia estava engatinhando, alem de ele nao ter selecionado Matematica tambem, por motivos mais escusos – dizem que sua esposa tinha um amante matematico. Alem disso, ate parece que Alfred Nobel foi algum especialista intelectual mundial para determinar o que eh ciencia ou nao, ele so queria “limpar a sua barra” junto ao resto do mundo, depois de ter industrializado a dinamite. Portanto, se eh chamado como Nobel, que assim seja.

    Voltando aa vaca fria: a area selecionada para ser premiada eh realmente muito interessante. Sai do padrao, analisando aspectos da Economia sob um prisma nao muito standard no meio academico. So faltou voce citar o Williamson.

  21. Henrique disse:

    Apesar da internet ser um “common”, o seu conteúdo muitas vezes não é. Mas acho q vale destacar os sites creative commons, que sedem seus conteúdos para outras publcações. E olha q tem muita coisa boa rolando por aí.

  22. denis rb disse:

    Caro Hugo Penteado,
    Sua informação está correta, mas eu não diria que o Nobel de Economia seja exatamente um factóide.
    O prêmio, oficialmente chamado “Prêmio de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel”, mas também conhecido como “Prêmio Nobel Memorial de Ciências Econômicas”, realmente não faz parte da lista inicial de prêmios instituídos no final do século 19 e que começaram a ser distribuídos em 1901 (como eu disse, ele começou a ser entregue em 1969). Mas ele é reconhecido pela Fundação Nobel – dê uma olhada no site deles (nobelprize.org) e você vai ver que seus vencedores estão lá, com o mesmo destaque dos vencedores em física, química, medicina, literatura e paz. O premiado é escolhido pela mesma Academia de Ciências da Suécia que decide os vencedores dos outros prêmios científicos, e as regras de seleção são as mesmas, assim como o diploma, a medalha e o cheque de 1,44 milhão de dólares. A diferença é que trata-se de um prêmio com muito menos tradição (tem 40 anos, enquanto os outros têm mais de 100). Ele foi instituído pelo Banco Nacional da Suécia, em comemoração ao seu tricentenário. Para celebrar, o banco deu uma fortuna à Fundação Nobel, que, a partir de então, criou um “novo Nobel”, que incluiu à lista original.

  23. denis rb disse:

    Exato, Henrique
    A internet é um common, embora nem todo seu conteúdo o seja. Os commons muitas vezes são recursos repartidos entre atores com interesses privados.

  24. denis rb disse:

    Danielle,
    Há relações entre as pesquisas de Ostrom e Williamson, mas não dá para dizer que eles pesquisem na “mesma área”. Williamson estuda transações no contexto das empresas – ele está interessado em enxergar companhias privadas como espaços de resolução de conflitos. Ou seja: ele estuda o objeto típico do economista, a empresa privada, enquanto ela está nas fronteiras, tentando decifrar atores hoje praticamente ignorados. Para a Academia Sueca, o trabalho dos dois está relacionado porque ambos estão em busca de novos modelos de governança econômica. Mas ele é muito mais “mainstream”, por assim dizer. É um economista de Berkeley, que estudou em Stanford e no MIT – alguns dos centros mais reconhecidos nessa área. Enquanto Ostrom tem formação multidisciplinar, em áreas distantes do mainstream, com passagens por universidades de Indiana e Arizona. A análise que fiz sobre o prêmio dela não valeria para o dele.

  25. Felipe disse:

    Eu queria acrescentar mais coisas, complementando o comentário do Marcelo.
    Podemos gostar ou não, mas em todos segmentos está acontecendo mudanças, até aqui. Por mais que não gostem dele, a história dele é muito bonita, do primeiro peão presidente. Por isso alguns não gostam dele, por sua origem humilde. Além dele tem Evo, Chávez…

  26. #42 disse:

    O FIM DO MUNDO CHEGOU!!! CORRAM PARA AS COLINAS!

    E seguindo a deixa do Marcelo:

    When the moon is in the Seventh House
    And Jupiter aligns with Mars
    Then peace will guide the planets
    And love will steer the stars

    This is the dawning of the age of Aquarius
    The age of Aquarius
    Aquarius!
    Aquarius!

    (…)

    Harmony and understanding
    Sympathy and trust abounding
    No more falsehoods or derisions
    Golding living dreams of visions
    Mystic crystal revalation
    And the mind’s true liberation
    Aquarius!
    Aquarius!
    (Obs.: Imaginem as cenas finais do filme “Virgem de 40 anos”, com eles cantando e dançando ao estilo Hair!)

  27. #42 disse:

    E agora mais seriamente…
    Devemos lembrar o ponto que está sendo discutido aqui, não quem tem a melhor pesquisa de economia… afinal esse não é um blog sobre economia (não a parte teórica pelo menos), mas sim um site sobre idéias novas e que prometem mudar, ou que então já sinalizem as mudanças que estão ocorrendo pelo mundo. No caso o fato de ela ser a primeira ganhadora do Nobel (ou pelo menos um prêmio reconhecido pela fundação Nobel) de Economia!

    Como o André Dahmer disse em seu site (com pequenas modificações minhas):
    “Temos um Papa que lutou COM os nazistas, e um nobel da paz que ESTÁ lutando duas guerras diferentes” …
    e agora UMA nobel de economia que além de não ser economista é MULHER!
    Parabéns a todas as mulheres do mundo que vem lutando a tempos pelo fim de um preconceito bobo! E sem sentido! Viva a igualdade!

  28. Marcelo disse:

    “Interesse comum não funciona”, “os fracos são eliminados pelas forças da natureza”.

    E o pior: “a lei do mais forte tem que prevalecer”

    Então Jorji, se devemos eliminar os “mais fracos” de nossa sociedade que tal usarmos câmaras de gás? Poderíamos até escravizá-los para cobrir os custos antes da execução.

    P.s. Pelo amor de Deus, só estou sendo irônico, não defendo nada disso.

  29. Marcelo disse:

    Jórji, vc está interpretando as idéias Darwinistas quase da mesma maneira que o nazismo as interpretou.
    Não se pode simplesmente atribuir à sociedade humana, sem nenhuma ressalva ou acomodação do conceito, a mesma dinâmica que rege o desenvolvimento das espécies pois isto implicaria em justificar todas as atrocidades que já aconteceram na história da humanidade como o natural (e “necessário”) processo de “eliminação dos mais fracos”.

    Eu percebo que esta nunca foi sua inteção, a sua “seletividade” refere-se ao ambiente econômico e empresarial onde os melhores e mais capazes deveriam eliminar os mais fracos e, seguindo este raciocínio, esta competição entre os individuos pela “sobrevivência” no mercado de trabalho geraria sempre muita riqueza, assim, se deixarmos o mercado e seus atores principais completamente livres eles poderiam transformar o mundo em uma grande utopia.

    Uma grande bobagem. Na verdade a maneira como o sistema economico neoliberal funciona não incentiva a competição, a distribuição da riqueza, ou a pluralidade dos agentes economicos que sustentaria a eterna seleção dos melhores. Este sistema na verdade leva a concentração da riqueza e a formação de monopólios, oligopólios, cartéis, holdings e outros meios usados pelos “mais fortes” para eliminar a tão necessária livre-concorrência.

  30. jorji disse:

    Macelo, entendo o que voce e o Denis quiseram dizer, eu exagerei um pouco, o que quiz dizer que no fundo, sempre prevalece as leis da natureza, que rege a vida como um todo neste maravilhoso planeta azul. Entendam uma coisa, não importa o caminho que escolhamos, sempre estaremos numa encruzilhada.

  31. denis rb disse:

    Entendo o que você diz também, jorji.
    É que acho que esse pessimismo exagerado – na linha “somos todos naturalmente ruins e não adianta nada ter boas intenções” – acaba servindo como desculpa para justificar a imobilidade, a preguiça e as más intenções. Precisamos ter cuidado com isso. Não dá para descartar uma ideia, sem conhecê-la em profundidade, na base do “isso não vai dar certo”. É o que eu costumo dizer: ser cínico é ser cúmplice de quem tem interesse em que as coisas não mudem.

  32. Luiz Monteiro de Barros disse:

    Corpo e alma. Matéria e idéia. Instintos e razão. Não é possível ignorar afirmando o um “ou” o outro. O que está prevalecendo, afastando o equilíbrio entre Estado e Mercado ou Coletivo e Individuo?
    Prevalece o egoísmo instintivo. Algo está sendo feito? Eu estou participando. Tenho certeza absoluta de que o fim do desenvolvimento sustentável, do econômico e social, precisa de meios que por si só já valham. A cada toque deste teclado, a cada alimento adequadamente ingerido, a cada embatia com a humildade, a cada voto depositado. No conjunto estamos vivendo um novo ciclo. America Latina, berço de uma nova civilização. Sejamos honestos o ponto vernal foi transposto. Há uma nítida tendência para onde se encaminha a conspiração cósmica. Se vamos superar o egoísmo transvertido de Mercado, depende de mim. De nós notei aqui. Do nosso otimismo real.
    Há algo de incompatível aqui mesmo? Como focar Veja! Como conter meu ódio? Já sei; ignorá-la quando me ofende por outros colunistas…….e usá-la quando me agrada. Este blog e “Grandes compositores da musica clássica”! É mais proficuo e saudavel ser a favor da paz do que contra a guerra

  33. heloise disse:

    nossa que ridiculo pensei que era chocante. seja mais criativo da proxima vez!!!!! tai meu recado.

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