Suicídio de audiência

Numa clara sabotagem contra a audiência do meu próprio blog, resolvi dedicar o post desta semana a falar de… números! Calma lá, não vá embora ainda, eu sei que você não acabou de curar o trauma de matemática que lhe causaram na escola média. Prometo não exigir que você se lembre da fórmula da equação de segundo grau. Quero apenas mostrar alguns dados básicos, simples. Comecemos por este gráfico (que, como todos deste post, foi tirado da edição de setembro/outubro da revista canadense Adbusters).

grafico13

Aqui dá para ver que a população está crescendo. “Crescendo”, na verdade, não é palavra à altura do ritmo com que cresce, certo? Note como o gráfico vinha quase reto desde o cantinho. A população do mundo vinha preguiçosamente desencostando do eixo x, sem pressa. Aí de repente a linha empina, dá um cavalo de pau para cima e quase fica paralela ao eixo y (o que obviamente não poderia acontecer, porque significaria crescimento infinito). Trata-se de uma curva exponencial, que nada mais é do que um crescimento que fica proporcionalmente mais rápido enquanto o tempo passa. Fomos menos do que 1 bilhão de humanos desde a aurora da Terra até 1804, mas já dobramos para 2 bilhões em 1927, apenas 123 anos depois. Chegamos a 6 bilhões em 1999 e vamos ser 7 bilhões em 2012. Ou seja, a população vai aumentar em 1 bilhão de pessoas em apenas 13 anos.

Agora vamos dar uma olhada neste outro gráfico, que mede o PIB global – Produto Interno Bruto, a economia do mundo, a soma de todas as transações financeiras que acontecem no planeta.

grafico2

Crescendo também, né? É um crescimento reto, sem sobressaltos, praticamente constante, não exponencial. Mas é sinal de que, mesmo com o empinamento da curva populacional, que aconteceu lá pela metade do século 20, a economia do mundo não parou de crescer. Legal, né? Ponto para o sistema! Vivemos na prosperidade!

Só que o PIB não mede tudo. Suponha que, no processo de mover a economia, uma árvore seja derrubada. Essa árvore a menos não é descontada do PIB. Na verdade, se eu pegar todas as árvores do mundo e transformar em palitos de dente, estou apenas gerando PIB, sem perder um tostão. Bom para a economia! Se eu descobrir um jeito de engarrafar toda a água das geleiras da Antártica e vender em garrafinhas na entrada de  um show de rock, oba! Mais PIB! Se eu descobrir um jeito de arrancar as unhas de todas as crianças do mundo para fazer bijouteria e vender na feira hippie, parabéns para mim! Aumentei o PIB!

Legal, mas tem uma coisa: uma hora as árvores, as geleiras e as criancinhas acabam. Há um limite físico, concreto, que é a totalidade de recursos do mundo. Se você mora numa casa legal e começa a vender os móveis, as jóias, os eletrodomésticos para pagar as contas, isso não pode ser considerado parte do seu salário. Por um motivo simples: uma hora vai acabar tudo de valor na sua casa. Enfim, a lógica sobre a qual apoiamos nosso sistema econômico está furada. Estamos vendendo a prataria da vovó e dizendo para os outros que nossa renda está aumentando. Somos iguaizinhos ao viciado em crack que já vendeu tudo que tinha em casa para bancar o vício. E, como ele, estamos nos negando a admitir que batemos no fundo do poço.

Por muitos anos, isso não foi um grande problema. É que os recursos da Terra eram muito abundantes. Mas, com aquele crescimento populacional mostrado lá em cima, tudo começou a acabar – os peixes do mar, por exemplo, ou o espaço para o calor da Terra deixar a atmosfera. Quer um exemplo? Olha aí embaixo: enquanto o PIB cresceu, como mostra o segundo gráfico, veja o que aconteceu com o número de extinções de espécies.

grafico3
Reconheceu esse gráfico? Sim, meu caro, é ela mesma: a curva exponencial, igualzinha a da população humana. Só que ainda estamos no meio do cavalo de pau, momentos antes de a curva empinar verticalmente para cima. A coisa está só começando a feder.

A questão é: por que as espécies acabam enquanto a economia cresce? Resposta simples: porque as espécies não fazem parte do PIB. Não valorizamos aquilo que não tem preço. Nos últimos anos, o PIB cresceu, mas uma porção de coisas não computadas pelo PIB despencaram – índice de felicidade global, biodiversidade, disponibilidade de água, tempo livre, energia. Tudo o que podia ser trocado por dinheiro, foi. Vendemos tudo o que tínhamos, só sobrou superbonder na geladeira. Aliás, vendemos a geladeira também. Subiu o PIB, nossa vida ficou pior.

Aí uns economistas espertos de um grupo americano chamado Redefining Progress resolveram calcular essa diferença: enquanto nosso PIB cresce, o quanto o resto do nosso pratimônio diminui? Eles puseram um preço nas coisas que estamos perdendo – dano ambiental, custo de crime, desemprego, sub-emprego, poluição, infelicidade – e subtraíram do PIB. O resultado eles chamam de Índice de Progresso Genuíno (IPG). Veja o que eles descobriram:

grafico4

Que, em linhas gerais, estamos os EUA estão estagnados. A linha de cima é o PIB, a de baixo é o IPG (os dados são dos EUA porque não se mede IPG em muitos lugares do mundo). O espaço no meio, apelidado de “voodoo gap” – é a diferença entre a riqueza financeira do mundo e nosso patrimônio real. Progredimos efetivamente até os anos 1970, quando o PIB cresceu junto com o IPG. Daí para a frente, basicamente estamos vendendo as jóias da família. O carro do papai. Os livros de escola das crianças. Estamos trocando seis por meia dúzia.

E qual é a saída para isso? Não é fácil, mas tem um jeito: colocar preço em tudo. Precisamos quantificar o voodoo gap e incorporá-lo na economia. Um produto que causa danos ambientais tem que ser mais caro. Um produto cuja produção causa câncer, infelicidade ou sofrimento precisa de reajuste. Só assim aprenderemos a valorizar as coisas que hoje não têm preço. Só assim o IPG vai voltar a crescer. Só assim temos alguma chance de desviar da tragédia.

É por isso que números são importantes.

Nota: Depois de publicar este post, resolvi reformular a ideia do penúltimo parágrafo. Não estou mais sugerindo “colocar preço em tudo”, mas “remunerar todo tipo de serviço”. Explico porque no comentário das 10:35.

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67 comentários
  1. Daniel Barcia disse:

    Muito boa pesquisa,dificil e o leitor comprender
    a realidade,não vendi a prataria da bobo,não
    tenho,bobò,mas renegociar cartão de credito
    acredito que muitos aprenderan,eu tenho certesa
    cada dia que pasa,negocío melhor so,cada dia
    eu pago ele por tres.

  2. Zé Paulo disse:

    Colocar gráficos com escalas diferentes é, no mínimo, discutível do ponto de vista de comparações…

  3. Chesterton disse:

    Neo-malthusianismo.

  4. Márcio disse:

    Mas curar capitalismo com mais capitalismo será a única alternativa? Seria manter todo um sistema baseado na desigualdade e segregação social. Sou muito reticente quanto às essas alternativas qu visam transformar as poucas coisas que ainda não foram convertidas em produtos em novas mercadorias. Privatizar a preservação do meio ambiente não condiz com o conceito de sustentabilidade que tem um forte teor social. Propostas como o pagamento de serviços ambientais talvez funcione para uma estrtutura fundiária igualitária e baseada em minifúndios, por exemplo. Mas em casos como no norte do Brasil, isso só geraria mais especulação imobiliária, intensificação do processo que aprofundamento da concentração fundiária etc. Como isso se daria em locais como a África que tem certo países sendo praticamente comprados por multinacionais. Enfim,como fica de fato a sustentabilidade a partir desse princípio proposto.

    A despeito disso, muito bom esse post e a pesquisa feita. Mostra de forma contundente como que, apesar das maravilhas que a humanidade é capaz de fazer, bem como da sua beleza, o quão estúpidos consiguimos ser ao mesmo tempo. Enfim, somo humanos, né?!

  5. Luciana Corrêa disse:

    Poxa Denis, eu queria ter mais esperança, queria acreditar que “por preço em tudo” iria nos ajudar a mudar o rumo da nossa trajetória, demasiado humana. Mas, sorry, não tenho. Acho que o fundo do poço ainda não mostrou seu lado mais feio, escuro e frio. Acho que só quando ele chegar pra valer é que vamos nos levantar do trono do nosso apartamento…e nos entregar à verdadeira transformação, rumo à vida (se ainda houver tempo!). Até lá, temos que tentar de tudo e ajudar do jeito que podemos. Bom…re-pensando bem, até que seria bacana comprar potes de esperança no supermercado…!!!! beijo a todos!!!

  6. carlos disse:

    Calma Denis, o mundo não acaba. Ainda temos o universo infinito para explorar. Daqui a 100 ou 200 anos milhares ou milhões de pessoas já estarão morando no espaço, em cidades espaciais. Faz dois mil anos que o mundo vai acabar em 50 ou 100 anos.

  7. Denisson disse:

    Carlos, nossa tecnologia ainda é extremamente ridícula pra explorar o espaço. E a distância entre os planetas é tão grande que se viajassemos com a velocidade da luz (o que é impossível, pois haveria um ganho infinito de massa e um gasto infinito de energia) mesmo assim demoraríamos muito (na escala de tempo humana) pra chegar em planetas fora da via láctea. A menos que a física relativística esteja errada essa não é uma hipótese que vc deve confiar…

  8. jorji disse:

    Comentei algumas vezes que a evolução poderá levar a humanidade à extinção neste blog, a questão demográfica provavelmente seja o maior desafio que a nossa espécie terá pela frente, realmente voce está certo, o modelo em que se apóia o mecanismo produtivo tem um preço altissimo, estamos levando a exaustão os recursos naturais que dispomos, ao contrário do que pensamos, ele não é infinito. Então qual é a solução? Usar o mesmo recurso com que chegamos a esse problema, o nosso extraordinário órgão, o cérebro, com ele poderemos evitar o pior, é o mais poderoso de todos os recursos naturais que dispomos, faço já uma campanha, aumentar o QI médio das populações no mundo inteiro, aumentar a conciência científica , diminuir a influência do ” o futuro a Deus pertence “, com isso melhoraremos em média a ética das pessoas, que aprenderão que o respeito à vida é que tem que ser sagrado, até os vermes são importantes neste planeta azul. Eu sei o que Denis quer dizer, buscar o equilibrio, essa forma de consumo desenfreado poderá nos consumir, ai vai ser tarde demais.

  9. Hugo Pentado disse:

    Excelente matéria perfeita, ótima para colocar em perspectiva que vivemos um conflito de identidade se somos uma divindade ou uma espécie animal e se formos mesmo uma espécie animal, ao que tudo indica, os gráficos relatam a rota de colisão com um planeta fechado e finito como a Terra, onde aquela extinção mencionada por você, segundo os paleontólogos é uma triste ameaça, porque é muita ingenuidade achar que aquela extinção jamais irá se voltar contra os causadores. Nesse planeta todos os seres vivos dependem de todos os seres vivos. Agora o mais interessante é descobrir que se as formigas que estão aqui há bilhões de anos tivessem um comportamento individualista como o nosso, elas desapareceriam. A perda da noção social, do coletivo e os excessos de um individualismo consumista de prazer é um ponto a ser mais explorado. Enfim, tudo se conecta a tudo, mas excelente matéria. Abraço Hugo

  10. denis rb disse:

    Luciana Corrêa,
    Você tem razão: a ideia de colocar um preço em tudo soa horrível.
    Mas, e se pensarmos pelo outro lado? Não estou sugerindo mais que tudo tenha preço, mas que todos os serviços sejam remunerados. Hoje, um sujeito que derruba uma árvore ganha grana. Um sujeito que planta uma árvore não ganha (a não ser que tenha sido terceirizado pelo sujeito que derruba árvores). Enfim, me corrijo: não quero por uma etiqueta em tudo. Quero que todo serviço seja remunerado, inclusive os serviços a favor do nosso patrimônio ambiental. Quem repõe a prataria da vovó também deveria ser recompensado.

  11. Felipe Maddu disse:

    Denis, brilhante!!!!!! Enquanto caras-de-pau exaltam o sistema sem crítica alguma, você simplificou o essencial. Por quê uns ficam se preocupando com as balas perdidas do Rio, querendo “tolerância zero” e o famoso “vigiar” e “punir”, quando há tantas coisas mais importantes pra pensar? Quanto aos números, eles não mentem!! Isso pra mim é assustador, a humanidade cresce como um câncer em metástase, devastando tudo ao redor, é abismal!!!

  12. Zenóbio - Santos/SP disse:

    Realmente alarmante o que nos aguarda no futuro, a continuar assim e não tomarmos ação urgentemente.
    Isto posto, coloca em xeque:
    – A proposição de Charles Darwin sobre a Teoria da Seleção Natural e da Evolução da Espécies;
    – A Lei Lavoisier de que “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”
    Porque, primeiramente os fatos tão evidentes, e depois reforça a Teoria da Relatividade Geral de Einstein.

  13. Jean disse:

    Acabei de ler um comentário comparando a raça humana a um câncer e essa “verdade” chega a me incomodar.
    Estamos “habitando” a terra, consumindo tudo que é possível e a destruindo ao mesmo tempo. Acho que se pensarmos desta forma fica fácil nos comparar a um verme, um câncer, uma peste.
    As pessoas esquecem que o Planeta é vivo. Um dia suas defesas entrarão em ação e a raça humana será destruída.
    Vírus cada vez mais poderosos, terremotos, maremotos… é a natureza dando seu recado!
    E agora? ainda dá tempo??!

  14. Felipe Maddu disse:

    Jean, foi eu que comentei isso. Por mais que soe forte, é real. Eu falo no sentido de estarmos nos multiplicando que nem loucos, onde tudo vai parar?

  15. Catarina Bogéa disse:

    Confesso qué a minha primeira vez em sua coluna, e confesso que são raras as vezes que acesso websites de notícias. O dia-a-dia é sempre corrido, e os domigos são sagradamente reservados para a revista Veja (em papel).

    O fato é que hoje, durante o trabalho, resolvi fechar as planilhas de excel e navegar pela rede. Escolhi o site da Veja, e felizmente me deparei com o título de sua coluna: “Sustentavel é pouco”. Bom, já que é a minha primeira vez, resolvi olhar alguns títulos, algumas ideias. E finalmente, li a sua ultima matéria, “suicidio de audiência”. Afirmo que entre críticas ao prêmio nobel concedido à Obama e a sugestão de estipular valor ao que até então considera-se inestimável, me apaixonei pela maneira como você expõe os assuntos, e principalmente as maneira como defende uma opinião sem desconsiderar a realidade vigente. Blogueiros e colunistas, em minha mais modesta opinião, tendem a criticar e opinar sobre muitas e várias coisas, tendem a expressar os seus sentimentos mais frustrados sem contudo considerar a realidade histórica em que certo fatos sucederam. Não gosto de ler blogs ou colunas porque discordo da grande maioria deles, e talvez por ser nova, egocêntrica, ou qualquer outra coisa, não acho devido o que algumas vezes é escrito….

    Bom, meus parabéns Denis, você acaba de ganhar uma leitora, uma verdadeira pioneira nesse mundo de blogs, colunas, noticiarios online…

  16. denis rb disse:

    Obrigadão, Catarina Bogéa,
    Fico muito feliz.
    abs

  17. denis rb disse:

    É um belo projeto, jorji.

  18. Carlos Fatureto disse:

    > deletado por conter ofensa.

  19. denis rb disse:

    Pessoal (vem um povo bravo aqui, né?),
    Deixa então eu ser claro, para evitar mais chiliques. O primeiro gráfico tem uma escala de tempo diferente do segundo. Não estou escondendo essa informação, ela está clara na ilustração. Não tenho a intenção de afirmar que os dois dados são comparáveis, quero apenas registrar o crescimento explosivo dos dois números, e como ele contrasta com a estagnação do último. Quero também mostrar o formato dos gráficos, porque eles são reveladores e ajudam a imaginar o futuro. Meu argumento não é baseado na diferença de escala.

  20. Carlos Fatureto disse:

    Bem, continuo achando que o autor do blog não está no nível da Veja, que assino há anos e é de extrema qualidade.

    Analise a qualidade de vida que a população em geral tem. Faça a analíse dos últimos 60 anos e trace uma linha. Fica mais do que claro que a qualidade de vida só tem aumentado. E muito.
    Essa história de que estamos caminhando para a auto destruição é discursada desde que o homem aprendeu a falar e até hoje não aconteceu nada, muito pelo contrário. Com exceções de períodos com grandes guerras e pestes a qualidade da vida só fez aumentar. Mas, sempre aparecem esses profetas do apocalípse para ganhar audiência em cima dos ignorantes

    Aposto que surgirá alguém falando “Ah, mas pelo gráfico lá de cima a qualidade de vida dos EUA não melhorou muito não, eles estão estagnados.” Estar parado não quer dizer que está numa situação ruim, desde que você pare num status bom. A qualidade de vida dos EUA é ótima, sorte de quem tem a oportunidade de morar em algum país com qualidade pelo menos igual.

  21. Pedro disse:

    Oi Denis,

    Parabens pela materia. Tem um pessoal ai nos comentarios, metidos a entendidos, que dizem que a qualidade de vida melhorou nos ultimos anos. Eta gente confusa. O PADRAO DE VIDA aumentou porque PADRAO DE VIDA = CAPACIDADE DE CONSUMO. Qualidade de vida e qualitativo. Pode ser mensurado so em partes. Como se mede coisas como “felicidade”? O meu amigo Ed Morte media o indice de desgraca das pessoas. Mas o Ed e o Ed.

    Entao pr’aqueles que gostam de se sentir intelectuais e demonstrar profunda ignorancia ao confundir a banana com o macaco, ops, o PADRAO DE VIDA com a QUALIDADE DE VIDA, eu quero dizer que o Denis esta certissimo. Que raio de progresso e este que leva as pessoas a viverem trancafiadas em suas casas ou nos shoppings ao inves de andarem livremente pelas ruas? A serem transportadas feito gado nos coletivos ou como sardinhas no engarrafamento?

    Parabens pela materia Denis, ADOREI. Vou seguir o seu conselho e conhecer San Francisco no dia do meu aniversario, 06 de dezembro, dia mais importante do ano pq e nesta data que o Papai Noel comeca a distribuir presente pra todos nos. Que o meu seja um tempo na Europa, longe dos confusos que estao lhe importunando. A vc, desejo muita paciencia pra atura-los. Eu ja teria os deletado. Abracao e otimo post.

  22. Pedro disse:

    Denis,

    como presente antecipado de natal vou transcrever a musica que o meu grande amigo Ed Morte fez pra brindar a criacao do indice de desgraca individual cujo inverso e o indice de felicidade. Vamos a musica.

    O dia da sua morte,
    Esta se aproximando,
    E todos os humanos,
    Vao dela desviando.

    Mas qdo ela chegar,
    Nao adianta nem chorar,
    Venha morte venha logo,
    Que eu estou a te esperar.

    Ed Morte.

  23. Carlos Fatureto disse:

    Pedro,
    Quer dizer que queda na mortalidade infantil, queda do analfabetismo, diminuição do trabalho braçal, diminuição da agropecuária de subsistência e aumento na expectativa de vida é “capacidade de consumo”?

  24. denis rb disse:

    Carlos Fatureto,
    Você tem razão nisso sim. Houve progressos brutais na qualidade de vida – esses que você cita e outros, como redução da desnutrição, da desigualdade sexual e racial, para citar alguns. O índice que eu cito (o IPG) leva essas coisas em conta. Não estou dizendo que tudo no mundo está piorando. Estou dizendo que o patrimônio natural da Terra, que tem um valor imenso inclusive porque é a base da nossa economia, está sendo dilapidado, e ninguém está computando essa perda. Comemoramos a grana faturada com a venda da prataria da vovó, mas esquecemos de computar a perda da prataria da vovó. Enfim, estou falando de um engano lógico na base da nossa teoria econômica.
    Quanto ao argumento “não aconteceu nada até hoje e isso é prova de que nada vai acontecer”, aí fica claro para mim que sua defesa é mais uma esperança meio cega do que uma discussão racional. Olhe os dados, Carlos, olhe as curvas. Há um padrão simples aí, que já se repetiu muitas vezes na história. Já falei da história do colapso da pesca de sardinha na Califórnia. Pescava-se cada ano mais – numa progressão que tinha o mesmo padrão exponencial. Naquele tempo, os pescadores argumentavam do mesmo jeito: todo ano a pesca aumentou, logo podemos esperar que continue aumentando. Eles se esqueceram que há um limite de sardinhas no oceano. Um limite físico: uma hora elas acabam. E esse limite tende a ser atingido repentinamente, de um ano para o outro, quando as curvas de crescimento são exponenciais.
    Para mim, fica claro que você é um homem religioso (e, por favor, não se ofenda com isso, não estou insinuando que haja algo de errado em ser religioso). Sua certeza de que nada de ruim vai acontecer é uma questão de fé, na linha “Deus vai nos dar mais sardinhas se formos virtuosos”. Essa lógica não vai nos levar longe.

  25. Carlos Fatureto disse:

    Denis,
    Eu não falei que nada nos aconteceu até hoje. Muito pelo contrário. Muitas coisas aconteceram para a humanidade como um todo, e em geral essas coisas foram MUITO boas. O que resultou em todos os avanços que eu e você listamos.
    Uma das falhas que eu aponto é que as pessoas olham os problemas do futuro com os olhos do presente. A humanidade tem a capacidade de acumular conhecimento e com isso descobrem-se novas alternativas e tecnologias, isso não é ter fé em religião. É conhecer a ciência. É assim que tem sido nos últimos milênios.
    Há uma limitação física? Sim, há. Mas de acordo com o último censo agropecuário do IBGE o Brasil produziu MAIS comida mesmo utilizando MENOS terras para isso. O mesmo vale para o petróleo, desde que foi descoberto dizem que vai acabar nos próximos anos, mas sempre descobrem mais graças ao avanço tecnológico. Olha o pré-sal aí pra provar.
    Veja o caso das epidemias. As atuais (suína mais a do frango mais o ebóla) mataram menos que a espanhola que por sua vez matou menos que a peste negra. Mesmo a densidade demográfica e o fluxo de pessoas terem aumentado bastante as epidemias matam muito menos, graças ao avanço nas técnicas de contenção, nos medicamentos e até mesmo na higienização.
    Resumindo, há milênios enfrentamos problemas que acabariam com a humanidade nas décadas seguintes e até hoje estamos aqui, firmes e fortes. Pode ter certeza que daqui 50 anos continuaremos aqui, e muito melhores do que hoje.
    Isso se conseguirmos passar de 2012, claro. =]

  26. Renee Voltaire disse:

    Parabens pelo texto!

    Muitas vezes discordo das suas analises (apesar de nao comentar muito), mas o que me atrai para a leitura do blog e a constante busca do ‘aperfeicoamento’ do sistema em que organizamos nossa sociedade, uma visao voltada para o futuro que nao carrega nem a histeria daqueles que se negam a aceitar direitos basicos da condicao humana e clamam pelo tal ‘socialismo’ ou a cegueira daqueles que acreditam piamente que tudo esta bom como esta e progredira naturalmente.

    E preciso reconhecer os meritos do sistema capitalista, mas identificar tambem as suas falhas o que resulta em aplicar o que ha de inteligente em sua logica de forma mais consciente e mais ampla (o tal ‘botar um preco em tudo’ modificado pelo eufemismo ‘remunerar todo tipo de servico’, que no final quer dizer a mesma coisa). Quem sabe nao resultaria numa refundacao do nosso sistema de vida neste planeta… Nao gosto muito da palavra ‘revolucao’ pois tenho medo da guilhotina, mas a necessaria ‘evolucao’ nao pode depender do ‘invisivel’, dependera da nossa capacidade de aperfeicoar as regras das nossas relacoes politicas/economicas/sociais e de nossa relacao com o planeta.

  27. Bruno H. disse:

    Denis,
    Olá.
    Estas curvas e todo o mais não são, mais ou menos, o que Maltus já dizia sobre as populações humanas desde alguns séculos atrás? Pelo que sei, inclusive, Darwin teve alguns insights sobre a evolução das espécies após ler o livro de Maltus. É um padrão dos seres vivos: crescimento lento, crescimento exponencial, dai nesta fase ocorre o fim da capacidade do meio, e cazam… a população se estabiliza por não ter mais o que consumir. Não seria isto, simplesmente, o que está acontecendo conosco?
    Me parece um tanto irônico e engraçado que nós, do alto de nossa racionalidade, nos comportemos igualzinho a sei lá… bactérias numa cultura de ágar, mas pelos gráficos e todo o mais, é o que parece.
    Mas, o ponto é, se isso realmente estiver acontecendo, não será inevitável? Não faz parte de nossa condição biológica? Ou melhor dizendo, será que os humanos têm uma “força de racionalidade” suficientemente disseminada para mudar as coisas ANTES que as coisas mudem por sí próprias das maneiras menos agradáveis possíveis para a nossa espécie?

  28. Felipe Maddu disse:

    Carlos, acho que Denis não está no nível da “qualidade” Veja. É bem superior meu amigo, mais realista e sem ranço ideológico. Até concordo um pouco com você, mas esse aumento na qulidade de vida, na expectativa de vida está na verdade indo contra nós mesmos. As pessoas estão vivendo mais e a explosão demográfica aumentando, recursos naturais idem e etc….Numa época em que estamos evoluindo cada vez mais nas ideias deveriamos por em prática e não ficar fingindo que somos sustentáveis, como algumas empresas fazem e que na real serve apenas pra limpar a imagem e angariar novos clientes.

  29. carlos disse:

    Para Denisson.
    Eu não falei em viajar para outros sistemas solares. Falei em cidades espaciais na órbita da terra. A Estação Espacial (que hoje já é maior que um campo de futebol) será uma espécie de ” Patio do colégio” de S. Paulo. Vários módulos vão se juntando…. A lua e planetas próximos serão reservas de matérias primas.
    Quanto a velocidade da luz, ninguém sabe , com certeza , o que aconteceria. Einstein criou uma especie de religião em cima disso. A teoria da relatividade que funciona foi feita por Henri Poincaré. Leia a entrevista de Cesar Lattes sobre isso.

  30. Jean disse:

    Felipe, minha intenção foi a de concordar com você. Me incomodou pq a verdade as vezes dói. Mas você está certo. Onde vamos parar?!

  31. Rafael disse:

    Denis,

    Do ponto de vista do PIB, a remuneração de serviços implica gastos financeiros que se compensam quando há perspectivas de ganhos financeiros. Certo? A questão é: o que se ganha financeiramente com a remuneração de serviços “de reposição”?

  32. A. Pereira disse:

    Não entendi o motivo de tanta confusão por parte de alguns que comentaram o post. A idéia é clara: por mais que haja avanços na tecnologia de produção de bens e matérias-primas, o planeta não aumenta de tamanho. Há um limite a ser respeitado pra cada produto.
    Daí a importância de reciclar e investir em energias renováveis, pra libertar os modelos econômicos de toda a dependência possível em relação a recursos finitos.
    Acontece que o ser humano insiste na ideia de acumulação máxima, herdada dos primeiros séculos de capitalismo mercantil e rejeita um aspecto universal da vida: a finitude de todas as coisas.

  33. Fabio disse:

    A questao e’ mais simples do que parece. Nao se precisa de graficos e teorias socio-politico-economicas para se entender essa questao. O negocio e’ que ha’ gente demais nesse mundo! Seis bilhoes e’ uma grandeza matematica que faz diferenca em qualquer lugar da galaxia. Basta! O ser humano e’ uma praga que precisa ser controlada como qualquer outra especie asquerosa que se multiplica ao ponto consumir tudo a sua volta acando por devorar um ao outro.

  34. Gerson B disse:

    Carlos, sobre cidades espaciais, ou estações espaciais, acho que elas tambem são uma ilusão, pelo menos no presente momento. Provavelmente por muito tempo ainda. Existe um livro muito bom, “a arrogância do humanismo”, de David Ehrenfeld, que analisa essa ideia em detalhes. Mas eu vou colocar ai a coisa resumida:

    1) É muito caro colocar gente no espaço. E cada lançamento e alocamento de recursos custa muito ao meio-ambiente.
    2) Toda tecnologia tem falhas, e quanto mais complexa maior a chance de falhar. Mas numa estação, um meio ambiente totalmente artificial, essas falhas tenderiam a ser fatais.
    3) Não conseguimos ainda duplicar um meio-ambiente mesmo em condições terrestres, como mostrou o fracasso do projeto Biosfera 2. Imagine no espaço.

  35. Leticia disse:

    É interessante considerar tb que as populações ricas não tem este crescimento do gráfico, enquanto as pobres, sim. Famílias ricas tem 1 ou 2 filhos, em média, enquanto as pobres…. Onde isto irá nos levar? A uma concentração cada vez maior de renda. Minha opinião é que apenas o investimento maciço em educação surtirá algum efeito tanto ambiental como demográfico – e quem sabe estabilizar a população mundial e o consumismo desenfreado.

  36. Paulo disse:

    Denis, parabéns pelo artigo.

    Fico contente ao ler que a maioria dos leitores do blog concorda com o explanado, ainda mais por se tratar de um blog da Veja… e ainda, os argumentos contrarios são hilários de tão idiotas.

    E já que estamos falando de MUNDO, e não somente sobre os EUA ou o Morumbi, é incontestável que a qualidade de vida de um africano da área subsaariana ou uma criança sul-asiática só piorou nos últimos séculos. É a vida dessas pessoas, seja na forma de cobaias ou de mão de obra escrava, que sustenta esse “admirável mundo novo” e suas benfeitorias desfrutadas por PARTE da humanindade.

    Só que a equação não fecha e o resultado disso é a crescente onda de violência e degradação dos valores humanos e recursos do planeta.

    Mas ainda assim, há aqueles que acham que “está tudo bem” enquando conduzem seus carros com insufilm pelos engarrafamentos da cidade, embriagos pela ignorância, medo e hipocrisia.

  37. Chesterton disse:

    Todo mundo está melhorando, inclusive a Africa. A Asia então, nem se fala, saiu de miséria absoluta para o topo em questão de 3 décadas. Até nas favelas do Rio de Janeiro, há melhoras. O mundo está longe de atingir o máximo suportável (40 bilhões de pessoas de acordo com gente séria). As temperaturas da Terra tem 15 anos que não sobem apesar de intensa atividade humana. Pior seria se resfriasse, muito mais gente morreria. Os mares não subiram nem 1 milímetro nos últimos 250 anos. Gente (educada) nunca foi problema, sempre foi a solução.

  38. Chesterton disse:

    Quis dizer, na Africa há lugares que estã melhorando. Óbvio que os bolsões onde os ditadores de escola marxista comandam, a qualidade de vida despenca brutalmente – o que é o Zimbabwe comparado com o que foi a Rodésia, Celeiro da África?

  39. carlos disse:

    Se não me engano, foi Martus quem primeiro previu o fim do mundo por excesso de gente. Dizia que enquanto a produção de alimentos crescia em progressão aritimética, a população crescia em progressão geométrica. Para ele o mundo não chegaria no ano 1950.
    As pessoas confundem ambientalismo com miséria. Degradação, poluição, etc, é coisa de pais miserável. No primeiro mundo esta havendo uma recuperação do ambiente. O extrativismo que os ecoreligiosos pregam é que poderia levar a destruição do mundo. O único perigo para a mundo é um choque com um grande asteróide, o resto é papo furado. Vou fazer algumas previsões inversas da de Martus.
    1 – daqui a 30 anos qualquer operário vai comer lagosta quando quizer (há 50 anos atraz nenhum comia carne todo dia)
    2 – quem hoje tem menos de 40 anos vai viver mais de 100
    3 – quem esta nascendo hoje, vai viver mais de 150 anos
    4 – em menos de 500 anos o homem será praticamente imortal (essa é controvercia na certa)
    5 – daqui a 1000 anos estaremos conquistando parte do universo.

    Quem quer apostar?

  40. Felipe Maddu disse:

    É pra rir o que alguns escreveem uaehaeuhea Sugiro verem o filme “idiocracy”….Marxismo Chesterton? Para de seguir o mestre e tenha mais ideia própria haeuhaeu O problema é do capitalismo mesmo, porque nascemos e vivemos no capitalismo, nçao existe mais socialismo e vai morar lá na Somália pra ver como está “desenvolvida”…..afff

  41. Paulo disse:

    Não é verdade que “o mundo todo está melhorando”. Afirmar isso soa muito ingênuo e não desperta nem o interesse de levar o debate adiante. Dá a impressão de que o internauta nunca ouviu falar de países asiáticos como Bangladesh (apesar de muito provavelmente possuir algum produto feito lá).

    Países ricos estão conseguindo melhorar seu padrão ambiental porque ainda conseguem explorar países miseráveis livremente. Claro, “ainda”, porque se seguirmos adiante com essa doutrina econômica que desconsidera os passivos ambientais, não haverá mais o que explorar. Mas que fique claro, também, que isso acontece por que países miseráveis são governados por ditadores (de esquerda e de direita), o que infelizmente, para muitos países ricos é extremamente conveniente. Um exemplo clássico é a relação EUA – Arábia Saudita.

    Também é óbvio que o modelo capitalista de desenvolvimento trouxe uma série de melhorias para a humanidade, entretanto, a “conta” ainda não chegou (entendeu?). Por isso, como muito bem ilustrado pelo Denis, é hora de repensar esse modelo enquanto ainda temos “crédito”.

    Felizmente, apesar de hoje ainda em minoria, é cada vez maior o número de pensadores trabalhando em prol de um modelo de desenvolvimento verdadeiramente sustentável. Apesar de toda a destruição e cinismo que assolam o mundo, sou um otimista.

    Para concluir, 15 anos, em uma escala geológica, são menos do que um milionésimo de segundo em escala humana. É fato que a teoria do aquecimento global é bastante controversa, porém, descartar essa teoria de imediato, ignorando princípios universais elementares como ‘princípio da precaução’, demonstra uma arrogância que beira a estupidez.

    Ps.: Afirmar que os bolsões de miséria na África são produto de “ditadores de escola marxista” demonstra total despreparo sobre a realidade desse continente. É claro que ditadores de escolas “marxistas” ou “capitalistas” tem relação direta com flagelo desses países, entretanto, eles são apenas parte de uma engrenagem perversa muito mais ampla, da qual talvez até você faça parte sem saber, ou fingindo que não sabe.

    Como disse Caetano, “o sol é tão bonito”…

  42. hacs disse:

    Oi Denis,
    Concordo com o seu ponto, mas comparar um fluxo (o PIB) com um estoque (no caso, todos os recursos preexistentes no planeta) fica meio ininteligivel. A ideia de computar o que eh subtraido (complicado pois nao estamos jogando essas coisas no espaco sideral, elas continuam na terra, ha que se definir muito bem o que eh subtracao e o que eh deslocamento, transformacao e destruicao, e seus respectivos efeitos) da natureza, e nao reposto (outra ideia complicada, pois para alguns tirar uma pedra do chao e transforma-la em uma joia eh destruir a “essencia” do objeto, ou coisa parecida) de alguma forma equivalente (complicado de novo, por que alguns acham uma arvore especifica algo insubstituivel, outros nem tanto), eh otima. Eh claro que a natureza eh um estoque com certa capacidade de reproducao, adaptacao, reposicao e evolucao, e nem tudo que herdamos duraria para sempre, nem o clima. Novamente, eh claro que a natureza tem um ritmo proprio (qual eh?) que parece nao ser o que observamos hoje em dia, portanto, seriamos nos a causa dessas alteracoes aceleradas. Como especie somos dominantes, se nao fossemos autoconscientes, mas ainda tivessemos boa parte da capacidade de acao que temos, provavelmente ja teriamos causado algo maior, afinal somos extremamente adaptaveis e por isso nao comemos so lebres (como no equilibrio predador-presa em que a taxa de reproducao dos lobos cai em funcao do escasseamento de lebres, o qual foi causado pelos proprios lobos), mas com isso podemos acabar extinguindo as mesmas, ja partindo para a proxima especie de presa. Nao aa toa o grafico populacional explodiu, inventamos uma forma de gerenciamento e producao de recursos que nos permitiu sair da oscilacao para a tendencia exponencial. A solucao nos tirou do equilibrio predador-presa, Malthus ja observara naquela epoca, fugindo-lhe, contudo, a visao de que isso nao era um fato isolado, mas a consequencia do mecanismo que, posteriormente, mostraria absurda a tese de Malthus (sistematizamos a producao de alimentos e agora a escala eh gigantesca e cresce tecnologicamente tambem), mas algumas variaveis ficaram de fora, justamente as que contabilizam os estoques de recursos naturais. Mas nao eh tao simples quanto dizer que tiramos uma pedra, a lapidamos, geramos uma joia, mas a riqueza gerada eh a mesma que existia na pedra, ai estariamos ignorando que qualquer recurso, ate poeira, so ganha valor via escasses, quando considerada a sua demanda e sua oferta, por isso po eh ainda considerado uma metafora de “sem valor, ate que alguem invente uma forma de gerar valor de poeira, uma tecnologia, uma invencao humana. Isso quer dizer que aquilo que chamamos recursos hoje, ja foram como poeira (uma coisa), e de fato, o valor que tem nao eh intrinseco, mas pertence aa dupla coisa-tecnologia, eh isso que da valor aa tecnologia e aa coisa, transformamdo-a de poeira em recurso, e o PIB procura mensurar a geracao de riqueza desse ponto de vista. Mas acredito sim na ideia de inventariarmos as nossas riquezas, afinal, para gerar mais riqueza vamos sempre precisar da dupla coisa-tecnologia, e sem poeira, nao teremos riqueza no futuro.

    Abs.

  43. Chesterton disse:

    a- Afirmar que os bolsões de miséria na África são produto de “ditadores de escola marxista” demonstra total despreparo sobre a realidade desse continente.

    b- É claro que ditadores de escolas “marxistas” ou “capitalistas” tem relação direta com flagelo desses países,

    chest- será que você percebe que a frase A contradiz a frase B?

    entretanto, eles são apenas parte de uma engrenagem perversa muito mais ampla, da qual talvez até você faça parte sem saber, ou fingindo que não sabe.

    chest- não brinca? Me conta então onde está min ha culpa (ai, ai, ai).

  44. Luciana Corrêa disse:

    Oi Denis!! Sim!! Todo serviço deve ser remunerado e devemos identificar o valor verdaderio de cada produto. Você conhece aquele vídeo que rola no youtube “A história das coisas”? Bom não é? Pois é, quando um rádio de pilha custa mais barato que uma simples bola de futebol, por exemplo, é sinal que alguma coisa está beeeeem….errada!!bjs!!!

  45. Chesterton disse:

    É fato que a teoria do aquecimento global é bastante controversa, porém, descartar essa teoria de imediato, ignorando princípios universais elementares como ‘princípio da precaução’, demonstra uma arrogância que beira a estupidez.

    chest- o principio da precaução não é universal nem elementar. É recentíssimo e particular. Se fosse seguir esse principio, o homem não teria saído das cavernas com medo de ser engolido pelo tigre-dos-dentes-de-sabre.
    A teoria do aquecimento global, se fosse apenas uma teoria, seria realmente um passatempo. Mas transformada em agenda política, como está sendo, custará fortunas e condenará a parte pobre do mundo à eterna miséria. Se alguma precaução tivesse que ser tomada, essa seria de jogar seus defensores no limbo.

  46. Chesterton disse:

    Também é óbvio que o modelo capitalista de desenvolvimento trouxe uma série de melhorias para a humanidade, entretanto, a “conta” ainda não chegou (entendeu?). Por isso, como muito bem ilustrado pelo Denis, é hora de repensar esse modelo enquanto ainda temos “crédito”.

    chest- acusar o sistema capitalista de arruinar a ecologia (que outra “conta” pode ser esta?) é ignorar os danos irreversíveis do antigo bloco comunista. Pesquise Chernobil e o Mar de Aral. Os caras conseguiram secar um mar inteiro e a culpa ecológica cai sobre os capitalistas….tá bom.

  47. Felipe Maddu disse:

    Chest, Ninguém está aqui botando a mão na cabeça dos erros históricos do socialismo real, ou seja, do socialismo que nada, ou quase nada, a ver com a teoria de Marx pois suas ideias ficaram no papel. Agora o problema não é dos “capitalistas” e sim do capitalismo em si, do sistema em que vivemos. O mundo tem resquícios do socalismo real, autoritário, do passado. O presente é capitalista e estamos aqui para discutir os os problemas atuais e que são, inevitavelmente, frutos dos excessos do capitalismo. Fato.

  48. Felipe Maddu disse:

    Chester perdigão aeuhaeue Pior que vc deve ter estudado, mas acho que nada aprendeu além do siga o mestre, é ruim não ter ideias próprias e só segur Mainard´s, Azevedo´s, Carvalhos´s e cia

  49. carlos disse:

    O pessoal. Tche Guevara e John Lennon já morreram. O sonho acabou. Capitalismo e socialimo já eram. O papo agora é ser primeiro mundo. Ter um estado que funciona. Socialismo de verdade esta nascendo na Suiça , na Suécia, Finlandia, etc…
    Aquecimento global é estória da ONU para parecer que faz algo além de relatórios. é uma espécie de serviço público internacional. Não serve para nada.
    Meus amigos que eram comunistas, a maioria virou capitalista bem sucedido. Uma parte virou petista e esta mamando no governo e outra entrou para ongs ambientalistas. Todos vivem bem.
    Quem não tem o que fazer vai salvar o mundo.

  50. LeonardoDMS disse:

    Sem fazer juízo de valor, a solução de “colocar um preço em tudo”, ou “remunerar todo tipo de serviço” pode funcionar, pois está no DNA do capitalismo.

    O problema é que os valores estão invertidos. Na realidade, como você mesmo disse, o cara recebe pra derrubar a árvore, mas não recebe pra plantá-la. Da mesma forma que eu tenho que pagar mais por um produto que consome menos energia, e menos por outro cuja produção envolve despejo de material poluente na natureza. Tudo bem, as tecnologias ‘ecologica e socialmente corretas’ são mais recentes, e muitas vezes mais caras, mas fica a impressão de que, além dos custos e da margem de lucro, estão embutidos nos preços de alguns produtos uma falsa sensação de conscientização.

    Estão tentando nos vender ética.

  51. Bia disse:

    Denis, seu blog é incrivel! Acho a leitura dos seus textos agradavel e enriquecedora.
    Nao sei como vim parar aqui pela primeira vez, mas logo que vi a qualidade dos seus textos (que na minha opiniao sao melhores do que qqer um da Veja), assinei o Rss.

    O tema da sustentabilidade me atrai cada vez mais e eu queria muito poder estudar mais sobre o assunto e poder fazer efetivamente alguma coisa.

    As pessoas se iludem de uma forma inacreditavel! Achar que a qualidade de vida no mundo melhorou é querer tapar o sol com a peneira. Talvez o poder de compra de uma parte da populaçao aumentou consideravelmente de uns anos pra cà. Talvez a expectativa de vida tenha aumentado. Mas tudo isso é relativo. Aumentar o poder de compra e fazer girar a economia cai naquela historia de que os recursos sao limitados e que as pessoas nao se deram conta disso ainda. Alem disso, onde jà se viu achar que qualidade de vida é poder comprar o mundo inteiro?

    Entendo que somos diferentes e nao pensamos todos da mesma maneira. Ok. Até aih é até bom que seja assim. Mas nao querer enxergar o que està acontecendo me parece ignorancia. Eh tudo TAO obvio que é dificil pensar que tem gente que simplesmente nao percebe que as coisas estao mudando e que daqui uns anos a tao falada “qualidade de vida” serà mesmo pior.

    Alguem pensa que com a populaçao crescendo desenfreadamente é necessario muito mais comida, agua, casas, empregos etc? E alguem jà parou pra pensar que simplesmente nao existe (e dificilmente existirà) uma forma de suprir a necessidade de tanta gente e que entao o mundo entraria em um grande colapso?

    Isso nao é coisa pra daqui 1000 anos nao. Eh o futuro batendo na nossa porta. E pior, nao adianta nao abrir a porta pq ele vai chegar com tudo.

    Portanto, aqueles que acham que ecologistas sao idiotas, que quem nao tem o que fazer vai tentar salvar o mundo… por favor, pare de olhar um pouquinho sò o espelho de casa e olhe para fora da janela. Perceba que o mundo jà està BEM diferente do que ele jà foi e que se nòs nao acharmos um outro caminho logo, serà tarde demais.

  52. Breno Nunes disse:

    Caro Denis,

    Ótimo texto para refletir sobre os desafios. Há um trabalho de economistas do Banco mundial que já discute a valoração dos impactos ambientais através de análise econômica.
    http://www.amazon.co.uk/Economic-Analysis-Environmental-Earthscan-Original/dp/1853831859/ref=sr_1_1?ie=UTF8&s=books&qid=1257006069&sr=8-1

    Contudo, é preciso sem dúvida, ter uma plataforma econômica que incentive o desenvolvimento sustentável – acho que é isso que você defende no fim.

    vejam esse exemplo, de comércio internacional dispensável… imagine agora os impactos ecológicos de tamanha incompetência do ponto de vista econômico:
    http://www2.thetoptips.com.br/2007/10/08/comercio-internacional-dispensavel/

    caso contrário, vamos continuar pagando o custo… e o pior de tudo, sem saber que o dinheiro está saindo do nosso bolso.
    http://www2.thetoptips.com.br/2009/05/21/os-custos-da-poluicao-no-brasil/

    Abraços,
    Breno

  53. carlos disse:

    Bia. Voce vive melhor que todos os reis da europa viveram a 200 anos atraz.
    A bíblia vendeu a ideologia do juízo final. De lá para cá, estamos aguardando.
    Bem definiu o poéta Casusa. ” Ideologia quero uma para viver.”
    Não são todos os ecoreligiosos que são idiótas. Os chefes e líderes geralmente são muito espertos.

  54. Felipe Maddu disse:

    “Casusa” hihihihi

  55. Raphael disse:

    Caro Denis,

    estes gráficos mostram a vingança tardia de Malthus. Precisamos de tecnologias de ruptura, com efetivo aumento da produtividade mundial, sem afogar mais os escassos recursos.
    Parabéns por levantar temas tão áridos em linguagem acessível

  56. Larissa Veloso disse:

    O mais incrível é que é justamente o contrário! Produtos que são “eco-friendly” custam mais caro, porque são mais raros, e estão começando a ter “valor no mercado”. Entra aí a lógica ancestral da demandaxprocura.
    Concordo plenamente com você Denis. O impacto ambiental deveria ser sobretaxado, de forma que no final se tornasse inviável. O dano causado pela produção nunca é levando em conta, e ele deveria sim ser colocado na balança, no preço final.
    Aliás, o governo deveria se empenhar nisso. Afinal, o meio ambiente não é um bem público?
    Recentemente tem havido algumas mudanças tímidas, como prorrogar o desconto no IPI para eletrodomésticos mais eficientes. Mas se a gente for pensar como a venda de carros novos foi impulsionada por essa mesma isenção de IPI, é como um passo pra frente e três pra trás.

  57. Chesterton disse:

    Vingança tardia de Malthus…mas isso está ficando cada vez mais engraçado.

  58. denis rb disse:

    É muito boa mesmo a matéria que o Renee Voltaire indicou no comentário aí embaixo (se interessar, leiam logo, porque logo o texto será fechado para não assinantes, acho que amanhã). Acho que reforça meu ponto. Não estou reafirmando a tese de Malthus, de que a Terra não será capaz de alimentar a população humana, com o atual ritmo de crescimento. Afirmo algo diferente: que o ritmo de crescimento da economia só tem alguma possibilidade de não resultar num colapso do nosso patrimônio natural (como em algum grau já está acontecendo) se alterarmos a lógica da forma como medimos crescimento. Ou levamos em conta que os recursos finitos acabam e, portanto, têm valor, ou bau-bau. É basicamente o que a Economist diz. Veja a última frase da reportagem: “Falling fertility may be making poor people’s lives better, but it cannot save the Earth. That lies in our own hands” (a queda das taxas de fertilidade pode estar melhorando as vidas dos pobres, mas não irá salvar a Terra. Isso está nas nossas mãos).

  59. paraxaba disse:

    ten nexo.mas nao apontan,nenhuma soluçao.É MAIS PARA ASSUSTAR.”toda hora sai uma quentinha do forno”.porque?.nao incluiram ai A TAXA DE DESPERDICIO.

  60. Paulo disse:

    Legal…. o debate ainda está “bombando”… desde a última vez que entrei aqui postaram várias mensagens. E a maioria com informações complementares bem legais, como a do ‘Renee Voltaire’, por exemplo.

    Claro, existem algumas “pérolas” que cumprem a função de nos divertir e mostrar que ainda há muita arrogância e cegueira quando o assunto é meio ambiente. E por falar nisso, não posso deixar de agradecer ao ‘Chesterton’ pela atenção dispensada aos meus comentários e suas hilariantes observações. Eu sei, eu sei, não vale a pena rebater nem bater em “cachorro morto”, mas essa “peróla” proferida pelo nosso amigo não dá para deixar passar:

    “o principio da precaução não é universal nem elementar.”

    Sensacional!! Rapaz, em que bolha você vive? Por aí você vê o nível das pessoas que refutam conceitos essenciais como do Desenvolvimento Sustentavel.

    Bom, se alguém aqui do fórum também não sabe (não creio) aí vai um breve resumo:

    “Direitos de Terceira Geração (1972/ONU/UNEP, os relativos à cidadania, caracterizados pelo direito à qualidade de vida, a um meio ambiente saudável e à tutela dos interesses difusos)…

    … Em 1987, a Comissão Brundtland divulgou o relatório denominado Nosso Futuro Comum, onde foi lançada a base do conceito de Desenvolvimento Sustentável, como sendo: ‘A capacidade de satisfazer as necessidades do presente, sem comprometer os estoques ambientais para as futuras gerações’….

    … em 1992, a UNCED – Conferencia sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, Rio/92, cria a Agenda 21 e o PRINCÍPIO DA PRECAUÇÃO…

    … através do Princípio 15 da Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento:

    ‘Com o fim de proteger o meio ambiente, O PRINCÍPIO DA PRECAUÇÃO deverá ser amplamente observado pelos Estados, de acordo com suas capacidades. Quando houver ameaça de danos graves ou irreversíveis, a ausência de certeza científica absoluta não será utilizada como razão para o adiamento de medidas economicamente viáveis para prevenir a degradação ambiental’…

    A partir de então, uma série de convenções internacionais passa a adotar o Princípio da Precaução como fundamental e elementar…

    Convenção de Estocolmo sobre Poluentes Orgânicos Persistentes:

    Artigo 1º – Objetivo – Tendo presente o Princípio da Precaução consagrado no Princípio 15 da Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, o objetivo da presente Convenção é proteger a saúde humana e o meio ambiente dos poluentes orgânicos persistentes.”

    Para finalizar, não me interessa se o desastre foi causado por um governo comunista ou capitalista, isso é conversa pra boi dormir. San Carlos, Bhopal ou Chernobyl, poderiam ter sido evitados se princípios universais como o Princípio da Precaução já estivessem estabelecidos com a força que tem hoje.

    E quem não concorda que se mude para a periferia de Cubatão, ao lado da fábrica da Rhodia…

  61. denis rb disse:

    Quem não concorda com o princípio da precaução, se quiser ser coerente, não deve ter plano de saúde nem seguro no carro.

  62. Rafael disse:

    Considerava seus editoriais ligeiramente melhores que seus posts.

    Não concordo muito com o que li, é lógico que devemos nos preocupar com a exploração dos recursos naturais, mas dizer simplesmente que estamos estagnados desde 1970 é exagero, seria negar a melhora na qualidade de vida de centenas de milhões de chineses, índianos e, por quê não, milhões de brasileiros.

    Talvez, você possa argumentar que o que aconteceu foi uma “divisão de renda”, mas não acredito que tenha havido alguma distribuição de renda mundial extremamente relevante. Há algum coeficiente de Gini mundial?

    Abraços

  63. denis rb disse:

    Tem razão, Rafael, o gráfico se refere aos EUA: eles é que estão estagnados de acordo com o IPG. Sem dúvida houve progresso genuíno nos países emergentes.

  64. Cínthia Kaline disse:

    Se todo suicídio fosse assim…

    É algo claro e escancarado a posição norte-americana em relação aos problemas mundiais.
    Eles simplesmente não se importam!
    Pousam sempre de apaziguadores, precursores da moral e da ética, mas… não fazem exatamente nada. Perdão, fazem sim… manipulam as marionetes! A crise mundial foi um claro exemplo de que quando o problema é no terreno deles: vira logo questão mundial. Eles estagnaram, não nós, nosso país está em grande ascenção mundial, talvez isso aflija bastante os EUA. Como pode, o todo poderoso, aceitar que países, antes considerados inferiores, se mostrem bem mais preparados e capacitados em momentos de crise?

    Parabéns pelo blog Dennis,
    mais uma para a audiência do seu blog.

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