Contextualizando Copenhague

Você deve saber que, daqui a três semanas, vai começar em Copenhague, capital da Dinamarca, uma convenção internacional sobre mudanças climáticas. Você provavelmente sabe também que o Brasil decidiu se comprometer a reduzir suas emissões de gases de efeito estufa em quase 40% até 2020 (comparando com a tendência atual). E, se você leu as notícias hoje, é provável que saiba também que Obama e seus colegas chefes de estado avisaram que a convenção de Copenhague não produzirá atitudes concretas, apenas cartas de compromisso.

Mas acho bem possível que você não saiba muito bem o que tudo isso significa.

Isso não é surpreendente. O assunto é realmente complexo. Envolve a compreensão do clima, que é um sistema caótico. Envolve a diplomacia mundial, que é o reino das intenções inconfessáveis escondidas atrás de palavras bonitas. Envolve uma compreensível revolta do status quo, tentando preservar seus privilégios em meio à turbulência de um mundo que obviamente precisa mudar de modelo. Envolve desafios a todas as áreas do conhecimento humano – das ciências naturais às econômicas, do desenho das estruturas de poder globais à atividade econômica em cada pequena comunidade humana do mundo.

Mas, no meio dessa imensa confusão, há algumas coisas que são simples de entender. E, se entendermos essas coisas, fica bem mais fácil acompanhar o resto do debate. É o seguinte:

1. Esta primeira eu nem deveria ter que dizer, mas não custa nada repetir: está mais do que claro para qualquer pessoa cujas capacidades cognitivas permitam a leitura de um gráfixo simples de dois eixos que as mudanças climáticas causadas por atividades humanas são um fato além de qualquer dúvida. Também não há dúvidas de que isso é má notícia: coisas terríveis irão acontecer no mundo inteiro, incluindo um monte de mortes, talvez em lugares muito próximos de você, a não ser que consigamos evitar que a temperatura suba mais do que 2 graus Celsius.

2. Aí você pergunta: e como é que eles sabem disso com tanta precisão? Se o assunto é tão complexo, como é que eles sabem que o número mágico é 2oC, e não 2,1 ou 1, 9? E como eles sabem quanto carbono teríamos que emitir para um aumento de 2oC? No que você tem razão: eles não sabem disso com precisão. Nosso nível de certeza é baixo – algo entre 40% e 60%. Mas, como disse Tasso Azevedo, do Ministério do Meio Ambiente, “não sei você, mas, se me dizem que meu avião tem entre 40% e 60% de chances de cair, eu não fico muito aliviado”. O número é uma combinação de milhões e milhões de números, no geral cada um deles não muito confiável. Ele é resultado de cálculos científicos realizados por seres humanos falíveis, e é enormemente influenciado por interesses políticos e financeiros (geralmente interesses ligados ao status quo). Enfim, ele não é preciso. Pode ser que o monte comece a feder quando a temperatura subir 1 grau, ou quando subir 3. Pode ser que os urubus se interessem mais pela gente no ano que vem, ou daqui a 10 anos, ou daqui a 40. Pode ser que já seja tarde demais hoje. Mas, com ou sem precisão nos números, quem diz “não há certeza sobre a temperatura exata na qual as mudanças climáticas se tornarão desastrosas, então não deveríamos fazer nada para combatê-las” é como se dissesse “não sabemos ainda a quantos metros está o muro, nem sua espessura exata, por isso devemos continuar acelerando na direção dele”.

3. Em 2005, o mundo emitia algo como 45 gigatoneladas de carbono. Se queremos garantir que a temperatura global não suba mais do que 2oC, não podemos emitir mais do que 450 1800 gigatoneladas nos próximos 100 anos. Ou seja, se mantivermos o ritmo de hoje, a vaca vai pro brejo em só 10 20 anos (porque, pelas projeções atuais, estaremos emitindo 70 gigatoneladas por ano em 2030). Quanto antes começarmos a mudar, melhor. Se não mudarmos, lidar com os tufões, furacões, secas e epidemias vai sair bem mais caro. Por isso o anúncio de ontem de que Copenhague não produziria atitudes concretas é má notícia. Mas isso não apaga um fato: a mudança terá que ser feita. Se não for hoje, será amanhã – e quanto mais demorar maior será o monte de esterco para a gente cavar.

4. O Brasil é talvez o país do mundo que tem mais a ganhar com essa mudança. Somos grandes emissores de carbono, graças aos desmatamentos e queimadas. Temos a sorte imensa de contar com uma matriz energética bem limpa, baseada em álcool e hidrelétricas. Ou seja, para nós é fácil e barato cortar emissões, basta manter as florestas de pé – enquanto os países ricos e os outros emergentes terão que gastar uma baba mudando suas matrizes energéticas. Some a isso o fato de que o Brasil não precisa mesmo desmatar: o que já foi desmatado é mais que suficiente para termos um setor agropecuário dinâmico e líder do mercado mundial. O Brasil já está entre os maiores produtores de muitas commodities. Se as negociações que começam em Copenhague derem certo, uma nova commodity valiosa será inventada: o crédito de carbono. E nós vamos faturar uma nota nesse novo mercado.

5. Só que, se o Brasil quer mesmo se dar bem no mercado de créditos de carbono, vai ser necessário que os países cheguem a um acordo preciso, com números e metas claras. Se não há metas, ninguém vai tirar dinheiro do bolso, e nós perdemos. Por isso, interessa muito ao Brasil comprometer-se com números, como uma forma de pressionar o resto do mundo a fazer o mesmo. Nem todos os países do mundo vão conseguir cumprir suas metas de redução. Para o Brasil, provavelmente será mais fácil do que para os países desenvolvidos. Isso significa que os países desenvolvidos provavelmente terão que dar muita grana para que países como o Brasil reduzam as emissões de carbono por eles. Nesse cenário, quanto mais o Brasil reduzir suas próprias emissões por conta própria, mais dinheiro poderá ganhar reduzindo pelos outros. Esse foi o argumento que convenceu Dilma e Lula a prometerem uma redução de 36,1% a 38,9% até 2020: eles perceberam que o país tem muito a ganhar (Dilma e Lula não são exatamente ambientalistas).

Sacaram?

screen-shot-2009-11-16-at-64633-pm

PS: o TEDx São Paulo, que aconteceu no sábado no Teatro da Moóca, foi de arrepiar. Muita coisa legal, apesar de ter começado com os maus auspícios deste que vos fala recitando bobagens. Com o tempo, as palestras vão sendo colocadas no ar, e eu dou os links.

Anúncios
46 comentários
  1. Camila Visentainer disse:

    Uma coisa é certa, quando a água bater na bunda do mundo (e com certeza isso é inevitável) as medidas serão tomadas as pressas com muito mais prejuizos do que se fossem feitas a partir de agora, e uma coisa não posso negar, tudo isso da muito medo!!!

  2. Anselmo disse:

    O grande salto na poluição começou com a revolução industrial na Europa há mais de 250 anos, explodiu com o gigantismo industrial dos Estados Unidos nos últimos 150 anos e agora com a produção de mercado da China (Uma escala industrial e poluidora da qual o Brasil nem faz sombra), porém agora somos chamados a limpar “o esterco ” produzido pelos outros. Onde está o Greenpeace, o WWF. Porquê não estão as Ongs brasileiras em Copenhagen fazendo manifestações contra Obama, Brauwn, Merkel. “Jogar o bode na sala dos outros é fácil.

  3. denis rb disse:

    Anselmo, duas coisas:
    1. O Brasil hoje já é um dos grandes emissores de carbono do mundo.
    2. Temos a chance de sermos muito bem pagos para “limpar o esterco”.

  4. Rodrigo Teixeira disse:

    Denis, estive no TED e pode ficar certo de uma coisa, sua palestra foi das melhores. Foi uma excelente maneira de abrir o evento. Parabéns. Minhas humildes considerações sobre o evento coloquei em meu blog:
    tapete.tumblr.com

    Ficaria honrado com a visita. Abraço

  5. marcus disse:

    Cara, parabéns pelo texto! Ficou tão claro que até eu entendi! Nada a ver esse papo de “ser pago para limpar o esterco”. O assunto é muito mais profundo e importante que isso.

  6. Jean disse:

    Denis, mais uma vez parabéns pela forma que nos esclarece. Assim fica fácil entender as causas e as consequências do que está para acontecer.
    Fico feliz que mesmo pelos motivos errados, o Brasil irá apresentar metas que podem ajudar a mudar alguma coisa neste Mundo. Espero que os Países do chamado “Primeiro Mundo” assumam suas responsabilidades.
    Boa sorte a todos nós!!

  7. denis rb disse:

    Pessoal,
    Havia um erro nos números do item 3. Mil desculpas pela falha na informação, já está corrigido.

  8. Chesterton disse:

    Denis, você coloca gráficos em proproções diferentes e vem falar em problemas cognitivos? Negativo, não há nada nos gráficos definitivo, essa é a primeira empulhação. Os modelos matemáticos falharam, e falharam feio.
    Nivel de certeza abaixo de 95% em se tratando de estatística é uma piada, níveis de 50% são como jogar uma moeda para cima, em suma, um chute muito mal dado.
    Há 15 anos se previa que em 15 anos o clima seria catastrófico e os mares subiriam …e nada aconteceu. A ciência do clima é ainda muito inicial, a ignorância (no bom sentido) é gigantesca, por mais que se esforcem.
    A baba que os países vão gastar para mudar as matrizes energéticas poderia ser melhor utilizada para acabar com a pobreza e a miséria, via desenvolvimento. Condenaram os pobres a ficarem pobres para sempre. Isso é que é manter o status quo.

  9. Stefano disse:

    Denis, parabéns pelo texto. Apesar de não comentar muito, leio todos os posts sempre.
    Tem algum link de vídeo pra essa tua palestra? Fiquei curioso…
    E o projeto secreto, estagnou de vez?
    Abraços!

  10. denis rb disse:

    Entendi, Chesterton.
    Então vejamos, se formos acreditar no que você está falando: As chances de morrer com menos de 65 anos são de 17,4%. Logo, como elas estão abaixo de 95%, nenhuma pessoa do mundo abaixo dessa idade deveria ter plano de saúde ou seguro de vida.

    Chesterton, por favor não invente dados quando você não os tem. Quando eu falo de precisão de 40% a 60%, não quero dizer que há 40% a 60% de chances de as mudanças climáticas acontecerem. Quero dizer que há 40% a 60% de precisão nos números. A falta de precisão não significa falta de certeza quanto ao risco.

    Aliás, posso fazer uma pergunta pessoal? Você não tem filhos, tem? Seu descaso cínico com o futuro me dá a sensação de que a resposta é não…

  11. denis rb disse:

    Stefano,
    As palestras do TEDx São Paulo vão ser colocadas online aos poucos, mais ou menos uma por semana. Darei os links a medida em que elas forem subindo.
    O projeto secreto? Não deu no que tínhamos planejado, mas isso não quer dizer que ele não tenha dado em nada…
    abs!

  12. Márcio disse:

    Copenhagen já era! Jogaram a batata quente pro próximo.

    Essa conversa de REDD é demasiada reducionista (http://www.ecodebate.com.br/2009/10/31/redd-cuidado-com-as-miragens-no-combate-ao-desmatamento/), isso não deixa de ser mais um elemento dessa “Diplomacia Mundial” tosca de que falou.

    Cadê a sustentabilidade desse projeto Denis? Fala-se em milhares de mortes e sofrimento como se fosse um efeito colateral inexorável desse modelo ambiental que estamos prestes a adotar. Mas que conformismo nosso é esse? Sem contar ainda o tom de “nacionalismo verde” que estou começando a perceber nisso. Por favor, nacionalismo e orgulho patriótico são, historicamente, nada mais do que problemas…sempre foi assim.

    Ou mudamos radicalmente nossas atitudes e comportamento político ou teremos que aceitar os números de refugiados ecológicos e mortos de fome como “mal necesário”. O REDD não nos basta…meia dúzia de homens decidindo o destino do planeta e a vida de bilhões de pessoas é patético.

    Precisamos de sociedade civil, descentralização, ação direta!

    Earth First! (http://www.earthfirst.org/)

  13. Anselmo disse:

    Sou totalmente favorável à conservação do meio ambiente, mas este assunto aqui no país deveria ser tratado sob a ponto de vista dos brasileiros. Queremos salvar o mundo, salvemos antes nossas crianças (70% das mortes na primeira infância seriam evitadas com acesso das famílias à água potável e saneamento básico). Antes de nos preocuparmos com a água batendo na bunda, deveríamos nos preocupar em parar de “defecarmos” na água e depois limpá-la para bebê-la (não é o que fazemos com o rio Tiête, represa de Guarapiranga, Billings, rio Paraíba do Sul, etc.) A falta de respeito com o planeta pode matar muita gente pelo mundo no futuro, mas já mata muitos brasileiros há muito tempo.

  14. Carolina Derivi disse:

    Oi Denis,

    Eu só não entendi esta parte: “quanto mais o Brasil reduzir suas próprias emissões por conta própria, mais dinheiro poderá ganhar reduzindo pelos outros”. Como funciona isso?

    Porque ficou parecendo que quanto mais o Brasil fizer de graça (por conta própria) mais vai poder cobrar por isso… seria um contrasenso, então fiquei confusa.

    Obrigada e um abraço

  15. carlos contribuinte disse:

    Denis cuidado com o efeito manada. Esse é perigoso.
    As previsões da ONU e ongs que vivem de salvar o planeta são furadas. Crentes em uma ideologia se professam cientistas. Chutam probabilidades sem remorso e sem consequencias.
    Entretanto, concordo com vc que o Brasil deve usar esse “medo” do apocalypsi para promover o etanol. Quanto mais dolares entrarem no pais, mais fácil conservar a natureza e as pessoas. Viva o etanol.

  16. denis rb disse:

    Oi Carolina Derivi,
    Funciona assim:
    Pelo Protocolo de Kyoto, países em desenvolvimento, como o Brasil, não têm meta numérica (é por isso que Lula e Dilma dizem que a redução é voluntária). Mas com certeza esses países terão que ter uma meta também no próximo acordo (que era esperado para Copenhague, mas deverá ficar para o ano que vem). Hoje imagina-se que a meta dos países desenvolvidos até 2020 será reduzir algo entre 9 e 11 gigatoneladas por ano, em relação à tendência atual. Se isso se confirmar, sobrará para os países em desenvolvimento algo entre 6 e 8 gigatons/ano (já que a redução total terá que ser algo próximo de 17 gigatons/ano). Ou seja: o Brasil terá uma meta. Só haverá oportunidade para lucrarmos com esse mercado se alcançarmos a nossa meta e ultrapassarmos, ajudando outros países a reduzirem as suas (e é quase certo que muitos países precisarão de ajuda). Portanto é negócio para nós começarmos desde já a reduzir radicalmente, de maneira a aumentarmos nossas chances de ultrapassarmos a meta.

  17. denis rb disse:

    carlos contribuinte,
    Cuidado você com o efeito manada. Você está acreditando na argumentação de meia dúzia de não-especialistas fortemente ideológicos, contra um consenso de praticamente toda a comunidade científica mundial.

  18. Larissa Coldibeli disse:

    Quando o planeta e o meio ambiente entrarem em colapso, todos sofrerão as consequências igualmente, independente se reduziu as emissões mais ou menos, voluntária ou involuntariamente.
    As ações tem que ser pensadas globalmente e não mais nacionalmente.
    Há na internet um estudo sobre os desafios das megacidades que mostra como diversas megacidades do mundo estão lidando com os desafios do desenvolvimento:
    http://odesafiodasmegacidades.com.br/

  19. Chesterton disse:

    Suas estatisticas não tem o menor valor científico. A maneira como você as apresenta, cortadas e truncadas, com períodos e escalas diferentes, denota desleixo ou má fé (escolha uma). Anunciar que qualquer pessoa que discorde de suas leituras de dados estatísticos, gráficos ou não, tem problemas cognitivos é de extrema desonestidade intelectual.
    Qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento do assunto, ou até mesmo quem desconhece o assunto mas sabe ler um jornalo, nota que seu intuito é causar pânico, no propósito nada honroso de acabar, encerrar de vez, a discussão sobre clima. A Camila (comentário 1 aí em cima) já está apavorada.

    “coisas terríveis irão acontecer no mundo inteiro, incluindo um monte de mortes, talvez em lugares muito próximos de você, a não ser que consigamos evitar que a temperatura suba mais do que 2 graus Celsius.”

    Isto seria de chorar de rir se não fosse uma empulhação medonha. Que coisas terríveis? Que lugares? Que 2 graus? Isso é TERRORISMO!

    Fatos: a terra já foi muito mais quente e muito mais fria muito antes de aparecer o primeiro ser humano. Alterações climáticas são causadas pelos ciclos solares, cilos orbitais, e fatores que ninguém conhece. Não há a menor evidencia que a atuação industrial do homem tenha provocado alterações climáticas, o que há são modelos matemáticos que tem se mostrado errados consistentemente. A Groenlandia (Greenland- Terra Verde) foi muito mais quente entre os anos 800-1200 a ponto de ser colonizada pelos nórdicos. Hoje é um bloco de gelo. Ninguem morreu por causa do aumento das temperaturas, mas sim por causa da queda das temperaturas.
    Se pudessemos escolher, e tivéssemos que escolher, entre a terra esquentar ou esfriar, seria muito melhor escolher o aquecimento. Duvido que a vida na terra na próxima era glacial seja de algum modo parecida com o que é hoje, as dificuldades seriam terríveis. As safras perderiam muito mais do que num eventual aquecimento (ao contrário, com um pequeno aquecimento as regiões agrícolas poderiam ter até 2 safras ao ano , como em certas regiões do nordeste e centro-oeste brasileiro.

  20. Felipe Maddu disse:

    Sempre vc né Chesterton, por acaso se continuarmos a devastar tudo, extinguindo com todas formas de vida em nome do lucro, poluir todo o ar e águas vai ficar tudo de boa? Nosso desenvolvimento insustentável não afeta nada??? Vai pro circo que vc pode ganhar milhões, mas abrindo a boca pra falar coisa séria e importante pro futuro da humanidade não dá!!!

  21. Marcelo disse:

    Chesterton, veja só algumas coisas que vc não deve ter lido neste link q vc postou:

    “interesses monetários escondidos nas instituições científicas e na comunicação social”
    Então a indústria do petróleo, do carvão, das termelétricas e afins não têm interesses monetários? Só quem tem interesses monetários é TODA a comunidade científica mundial?

    O Homem produz apenas “6,5 gigatons”… (veja o post com o dado correto) “(Durkin admitiu posteriormente que esta informação estava incorreta)”
    A informação que ele admitiu ser MENTIRA era de que a natureza lança mais carbono na atmosfera do que o homem. Obviamente que animais e plantas lançam muito carbono, mas este carbono é logo absorvido pela própria natureza, coisa que o homem não faz.

    “Carl Wunsch, professor de oceanografia no Massachusetts Institute of Technology, foi também entrevistado. Desde então, diz que discorda fortemente das conclusões do filme e da forma como a sua entrevista foi usada”.
    Manipulação de declarações de um cientista via edição tendenciosa.

    “O consenso científico (talvez o maior consenso cientifico MUNDIAL da história) como produto da ‘indústria ativista do aquecimento global'”
    Então não existe o lobby dos grandes poluidores? O único lobby fazendo pressão é o das fontes de energia limpa?

    “O movimento ambientalista tornou-se a maior força que impede o desenvolvimento dos países subdesenvolvidos.”
    Então só podem ser considerados desenvolvidos países que poluem bem muito né? O que impede o desenvolvimento de países pobres são dívidas impagáveis, crises originadas em bancos de países ricos, guerras sem sentido e sem fim, governos corruptos apoiados por grandes corporações que só se importam com o lucro, etc.

    “promovem a energia solar e eólica na África em vez dos combustíveis fósseis mais baratos, impedindo o desenvolvimento do continente”
    Então o desenvolvimento de fontes de energia (sejam quais forem) impede o desenvolvimento?

  22. Marcelo disse:

    Não estou apavorado, não é o fim do mundo, mas não deixa de ser um problema grave.
    Estamos falando de desmatamento, de extinção de espécies, de piora na qualidade do ar que respiramos, de aumento do nível do mar e consequente alagamento de regiões costeiras (vejo isto de perto, minha família perdeu uma casa de praia neste processo) e a praia de Boa Viagem aqui no Recife perdeu 25 metros em 15 anos, parece pouco pra vc?

  23. Adriana disse:

    Só faltou o governo explicar como é que chegou no numero, 38,9. Bonito numero, nao?? Nao sei se é pra rir ou chorar… Nenhum estudo, estatistica, nada!!!. Simplesmente inventaram um numero `para ingles ver´! (ingles e o resto do mundo)!.
    Por aqui bobagens e mentiras colam. Vamos ver se o mundo vai comprar mais essa do “cara”.

  24. Chesterton disse:

    Marcelo, claro que a poluição, a administração de recursos energéticos, de recursos hídricos são questões sérias e que devem ser levadas em conta em qualquer tipo de discussão.
    Mas não é com essa histeria de “aquecimento global” que alguém vai conseguir algum resultado prático.
    E essa ciência propalada por seus defensores nada mais é que “junkscience”.
    Só para começar, consenso é o oposto de ciência, é a desistência da ciência para iniciar a prática política.

  25. carlos contribuinte disse:

    Os últimos estudos científicos (a palavra científico ajuda a convenser) o mundo esta esfriando. O pico do aquecimento foi 1998. E agora? Pela lógica temos que emitir mais gazes para evitar o esfriamento.
    Denis, vc não vê que essa paranóia sobre o clima é uma tática usada por religiões. Também é utilizada para combater os trangênicos, células troncos, etc… Viva o medo.

  26. jorji disse:

    A questão é absolutamene elementar, emissão de carbono significa que estamos envenenando o planeta, “sobrevivência”, é a nossa espécie que juntas com as demais que correm o risco de extinção, que um dia fatalmente ocorrerá, mas o tempo que ainda existiremos, com certeza dependerá muito do que fizermos daqui pra frente. Isso envolve questões econômicas, políticas , diplomáticas, e até militares, uma questão de âmbito global, um desafio colossal e urgente, mas o papel decesivo vai ser do mundo científico, como produzir energia, seja na forma de alimentos, seja para abastecer o colossal sistema de transporte, da eletricidade de nossos lares e empresas, a resposta na minha concepção vai ser um investimento pesado nessa área, o caminho vai ser pela primeira vez, unir conhecimento com sabedoria, algo que jamais aconteceu, a sabedoria humana é zero. Outro detalhe, respeitar as outras espécies, preservar as espécies que sobreviveram ante a agressão estúpida e bestial dos humanos, que se auto denominam a única que possue a “famigerada” e “mentirosa” alma, será que um dia a “razão” prevalecerá?.

  27. Felipe Maddu disse:

    Chesterton, então dê alternativas, propostas em vez de fazer a crítica pela crítica. O Marcelo falou muitas coisas vitais, mas o que me deixa mais puto e a devastação da amazônia, o crescimento populacional insustentável, que para mim é o grande problema. Fato, quanto mais gente, mais consumo, menos espaço, menos qualidade de vida. E esse calor, esse tempo cada vez mais doido é à toa? dúvido!!

  28. carlos contribuinte disse:

    Felipe Maddu.
    Te dou várias alternativas para preservar e até melhorar o planeta. Sem medo.
    A primeira é a ciência, é óbvio. Conhecimento. A segunda é nos livrarmos das ideologias do apocalipsy.
    Mas para o Brasil, nossa maior luta é fazer o estado funcionar. Do gari ao presidente do STF. Lembrando que estado é diferente de governo.
    Voce esta preocupado com o desmatamento na amazonas. Eu estou preocupado com a exinção da reseva legal (20% das propriedades rurais) no sudeste, que estão sumindo devido a falta de cuidados. Vc sabia que matas de reserva legal tem que ser cuidada? Na próxima vez que viajar, repare nas matas de reserva nas beiras de estradas. Verá que uma espécie de cipó/trepadeira toma conta das árvores, sufoca e mata a mata. Esse cipó deve ser podado, senão em poucos anos o que sobra é um capim braqueárea e alguns arbustos. Pois é, te pergunto, quem vai cuidar disso? Quem vai pegar no foião e cortar o cipó? A polícia ambiental? O greenpeace? nós? O pv? Imagina quantos cipós o gabeira consegue cortar.
    Fazer o Brasil se tornar primeiro mundo antes de salvarmos o mundo. Essa é a saída.

  29. Marcelo disse:

    Chesterton,

    Realmente na ciência não existem dogmas inquestionáveis, mas isso não faz do consenso a negação da ciência. Não existe consenso “cego” na ciência, o consenso legitima as descobertas cientificas através da análise terceiros que testam as teorias. Se a absoluta maioria da comunidade cientifica aceita a hipotese do aquecimento global é porque milhares de pesquisas apontam para esta conclusão.

    Outra, nesta sociedade tecnocrata em que vivemos, onde saber é poder, a ciencia não pode ser desvinculada da prática política como se esta última fosse prejudicial por si só, nem toda prática política é danosa. Para um verdadeiro progresso material e social é necessário que a ciencia e a prática política andem sempre juntas… Devem ser gêmeas siamesas.

    Vc afirma que a hipótese do aquecimento global não é ciencia mas não apresenta argumentos que comprovem a sua opinião (parece que vc anda lendo muito um certo blogueiro desprezível desta revista que nega o aquecimento global sem o mínimo conhecimento científico para tal e por isso fica zombando de quem tenta alertar para o problema sem nenhum argumento sério, só com difamação)

    Vc diz que “não é com essa histeria de ‘aquecimento global’ que alguém vai conseguir algum resultado prático.” Então como é que se consegue algum resultado prático? Negando evidências aceitas pela comunidade cientifica em peso?

    Vc diz que há uma “histeria” generalizada sobre este tema, mas a verdade é que vc nunca viu histeria (ainda), talvez se vc estivesse em New Orlean quando o Catrina passou por lá, ou se morasse em uma destas ilhas na oceania que estão desaparecendo por causa da subida do nível do mar, ou ainda se fosse um urso polar boiando à deriva num bloco de gelo que se desprendeu devido ao derretimento das geleiras…

    Quando chegarmos ao ponto de ver histeria de verdade, em nível global, aí será tarde demais.

  30. carlos contribuinte disse:

    Gostaria de encerrar minha participação nesse blog com um ditado popular.
    ” Se vc é um sonhador e acredita que pode salvar o mundo e tem menos de 30 anos, parabéns, vc é uma pessoa de bom caráter, mas se tiver mais de 35 anos, vc é um idiota.”
    Obrigado Denis por nunca me censurar, ao contrário do seu colega o padre viera, ou melho sua reencarnação, reinaldo azevedo.
    Abraços a todos.

  31. denis rb disse:

    Adriana,
    O número é o resultado de uma conta – a combinação de milhares de números (e por isso é tão preciso). Imagine uma imensa planilha (dessas de Excel), com centenas e centenas de linhas. Cada linha tem a emissão de carbono de um setor: cada tipo de pecuária, cada atividade agrícola, cada indústria, cada meio de transporte, cada sistema de produção de energia. Aí é feita um plano de redução de emissões para cada uma dessas linhas, e calcula-se a projeção futura a partir desse plano. No final, a planilha calcula um número. A razão pela qual o governo divulgou uma margem (36,1% a 38,9%) e não um número apenas é que algumas das reduções não dependem do governo, mas do setor privado, e ainda precisam ser negociadas.

  32. Marcelo disse:

    “Carlos contribuinte”,

    Maior idiota é aquele que, incapaz de ser útil, simplesmente se acomoda aceitando absurdos e injustiças como se fossem coisas “naturais” e ainda por cima quer que outros se acomodem como ele.

    Se fosse mesmo impossível mudar o mundo não teria havido abolição da escravidão, nem revolução de qualquer espécie, operários ainda trabalhariam dezessete horas por dia, mulheres e pobres não poderiam votar… Pior, nem haveriam eleições em lugar algum!

  33. Jean disse:

    Para quem ainda não acredita, saiu hoje na Folha de São Paulo:

    “Novos dados sobre as emissões mundiais de CO2 (dióxido de carbono, principal gás causador do efeito estufa) indicam que o planeta está a caminho de esquentar 6 graus Celsius neste século, se não houver um esforço concentrado para diminuir a queima de combustíveis fósseis.

    “Existe um abismo claro entre o caminho que estamos seguindo e o que é necessário para limitar o aquecimento global a 2 graus Celsius [nível considerado relativamente seguro por especialistas]”, diz Corinne Le Quéré, pesquisadora da Universidade de East Anglia (Reino Unido) e coautora do novo estudo na revista científica “Nature Geoscience”.

    Na atual década, a principal responsável por puxar para cima as emissões é a China, com seu crescimento industrial alimentado pelo carvão mineral. Hoje, o país é o maior emissor do planeta.

    No entanto, os EUA ainda respondem pelas maiores emissões per capita: 18 toneladas, contra 5,2 toneladas dos chineses (a média mundial é de 4,8 toneladas).

    Desde 1982, a humanidade produziu 715,3 trilhões de toneladas de gás carbônico, quantidade que equivale ao total de dióxido de carbono emitido por todas as civilizações que existiram no mundo antes disso. ”

    O que falta para os céticos entender que não é ficção!?!?!

  34. Luciana disse:

    Denis! Obrigada pelo esclarecimento! Vai ser bom acompanhar Copenhague entendendo melhor as cartas que estão em jogo. Estou adorando ficar cada vez mais ‘histérica’ no assunto!!!

  35. nepinto disse:

    Caros servos contribuintes. Habitantes do país onde se tem a maior taxa de juros e número de impostos do planeta: essa questão só será resolvida quando a Dilma e o Lobão (nem vou falar do Lula) explicarem o porquê do apagão.

  36. Marcelo disse:

    Ninguém? Nem unzinho Chesterton?
    Então o que é que aquele monte de presidentes e afins estão indo fazer em Copenhegue?

  37. Jefferson disse:

    Inventaram um jeito melhor ainda de preservar a amazônia: Fazer valer mais dinheiro não derrubar a floresta do que derrubar! Ou seja, ao invés de estarmos gastando com o exército para proteger, vamos estar ganhando dinheiro…

    O que não quer dizer que vamos acabar preservando… Bom, é como a ciencia do aquecimento global: Pode ser que sim, pode ser que não, mas independente da resposta vai acontecer uma mudança pra melhor.

  38. Mr X disse:

    O aquecimento global não existe, já que a temperatura do planeta DIMINUI há dez anos segundo a BBC, mas, se existisse, seria uma coisa ÓTIMA. As plantas alimentam-se de CO2, logo, haveria MAIS e não menos plantas e alimentos. Além disso, com calor a mais, zonas frias pra caray como o norte do Canadá ficariam bem mais habitáveis.

    É claro que o catastrofismo midiático tem outro objetivo, preservar o VERDE – isto é, o verde do DÓLAR, GRANA, DINHEIRO de uns poucos que enriquecerão muito com essa bobagem dos “créditos de carbono” e outras inutilidades, que aliás não resolvem em nada o inexistente problema.

    Grato de poder contribuir com a civilidade do debate.

  39. Marcelo disse:

    Sabe Denis,

    É como eu te disse certa vez, vc é o único marinheiro sensato num barco furado tentando tirar a agua que entra com um copo enquanto os outros se ocupam de fazer mais e mais buracos no casco.

    O seu lugar não é na Veja…

  40. Felipe Maddu disse:

    MR X você parece um amigo meu “sequelado”, ele dizia que AIDS tb não existia, apenas papai noel e duendes rsrsrsr. Na boa, Sampa com esse calor, o sul com tempestades cada vez mais fortes nem preciso fazr mais declarações tststst…

  41. Rodrigo Vieira da Cunha disse:

    Dênis, não é fácil de entender essa questõa, mas acho que você fez um bom trabalho nesse post (assim como na palestra do TED no sábado passado, com a responsa ferrada de abrir!).
    Uma coisa é certa: as pessoas (grande maioria) só acorda para as mudanças climáticas quando elas percebem algum benefício bom ou malefício terrível. É um bom ponto de comunicação, pois ajuda a colocarmos a discussão de forma mais clara. Foi o que você fez nesse post.
    Abração
    Rodrigo

  42. Politicida Plus disse:

    Para esquentar o esfriar o debate, Veja video onde Lord Chistopher Monckton um especialista em mudanças climáticas Inglês adverte aos Americanos para que Obama não o assine. Pois é a implantaçao de um governo mundial comunista. Esse tratado tem prevalência sobre as constituições de todos os paises signatários. Depois de assinado não tem volta.

  43. manoel messias disse:

    Denis, parabéns. Como já deixaram claro antes, não sei como vc e o azevedo estão na VEJA, pois são muito diferentes.
    Chesterton, acredito sim, que o aquecimento global é causado por nossas atividades, mas julgando que não seja, se o que você quer é desenvolvimento, não entendo como pode achar ruim que tentem diminuir a emissão de gases nocivos a saúde na atmosfera, se você se acha tão científico assim, então espero que acredite ao menos que estes gazes fazem mal a sua saúde, também, o fato do país poder ganhar dinheiro diminuindo a poluição, é algo que, deixando o naturalismo de lado, é muito positivo economicamente. Aliás, os créditos de carbono estão aí, e se vc quer desenvolvimento, vc pode gerá-los e vendê-los.
    Penso que o melhor ao país seria uma forma de qualidade de vida (eu me sinto muito melhor num bosque do que no meio de uma estrada cheia de carros) entrar nos cálculos do PIB, pois este sempre andou na contramão da sustentabilidade.

  44. Marina disse:

    Eco 92 no Rio de Janeiro, Tratado de Kyoto, Copenhagen em 2009 e tantos outros encontros…

    Político gosta de viajar com tudo pago, isso sim, nem que seja para não assinar/decidir nada.
    ONGs idem e de preferência financiadas com doações de crédulos e verbas governamentais.
    Jornalistas precisam de notícias para vender jornal e acesso em sites.
    Profissionais de marketing precisam elaborar “projetos” a cada ano e pensar no próximo (projeto/ano).

    Esses espetáculos servem para girar a roda da economia apenas, ninguém se importa com o meio-ambiente de fato. Se a questão fosse realmente essa, todos já teriam decidido/assinado/realizado tratados de proteção ambienteal de alcance global há tempos…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: