O Brasil na moda e a legalização das drogas

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A edição da revista inglesa The Economist da semana passada dá a medida do quanto o Brasil está na moda. Na capa, o Cristo Redentor levanta voo, sob a manchete “O Brasil decola”. Lá dentro, um especial de 14 páginas, falando de bancos, commodities, classe média, além de uma bem sacada comparação entre o Brasil e os Estados Unidos. Fora do especial, mais Brasil: uma matéria sobre Dilma, outra sobre a Geyse da Uniban. Aquela tentando entender o paradoxo de um presidente com 80% de popularidade e uma candidata que não decola, esta tentando entender o paradoxo do país do carnaval ficar histérico por causa de uma mini-saia.

No meio de tanta coisa, passou despercebida por aqui uma outra referência ao Brasil. Na matéria “Virtualmente legal”, a Economist especula que o Brasil pode ser um dos próximos países a descriminalizar o uso de drogas. A matéria é bem interessante. Ela mostra que há uma tendência fortíssima no mundo desenvolvido e na América Latina de finalmente deixar a proibição das drogas para trás.

Posse de drogas deixou de ser crime na Espanha, Portugal, Itália, República Tcheca, nos três países bálticos, na Argentina, México e Colômbia. Praticamente todos os outros países europeus, embora teoricamente mantenham a proibição, estão deixando de prender gente pelo uso de drogas. Um bom exemplo é o Reino Unido, onde a posse de maconha continua criminalizada, mas apenas 0,2% das pessoas pegas com a droga vai para a cadeia. (O Brasil não tem números confiáveis, mas também aqui usuários de maconha raramente vão presos.) Nos EUA, já são 14 os estados que adotaram a descriminalização – o mesmo aconteceu em vários estados alemães e canadenses, territórios australianos e cantões suíços.

No gráfico da Economist, note como pouquíssimos usuários de drogas vão para a cadeia. E como a Holanda virou um dos países mais rigorosos da Europa.

No gráfico da Economist, note como pouquíssimos usuários de drogas vão para a cadeia na Europa. E como a Holanda foi ultrapassada e virou um dos países mais rigorosos do continente.

A atitude mais branda está dando resultados. A revista destaca o caso de Portugal, que tem uma das políticas mais liberais do mundo: em 2001, nossa ex-metrópole descriminalizou a posse e o uso de todas as drogas. Desde então, nem o consumo nem o número de usuários cresceu, mas a quantidade de gente procurando ajuda médica para combater a dependência aumentou. Descriminalizar as drogas, pelo jeito, teve um impacto positivo em praticamente todos os lugares que tentaram. O estado economizou dinheiro, as forças policiais foram liberadas para cuidar de assuntos mais importantes, as cadeias se esvaziaram e os dependentes em drogas se sentiram mais confiantes para procurar ajuda.

Mas nada disso atacou o maior problema ligado às drogas: o financiamento do crime organizado. Afinal, o uso de drogas está deixando de ser crime, mas a venda continua ilegal. Portanto, continua havendo o incentivo para que organizações criminosas se financiem com esse comércio.

Três estados americanos – Novo México, Rhode Island e Massachusetts – são os pioneiros em atacar esse problema. Eles estão licenciando organizações sem fins lucrativos para produzirem maconha legalmente, sob rígido controle. Hoje a maior parte da maconha nos EUA vem do México – e os cartéis de drogas mexicanos devem 70% de suas receitas ao lucrativo comércio de maconha para os gringos do norte. Se os americanos produzirem sua própria droga, o crime organizado mexicano vai perder receitas e influência. Enfim: os americanos, inventores da proibição das drogas, são hoje os pioneiros da sua desinvenção.

Enquanto isso, o Brasil está na moda, a ponto de merecer a capa da Economist. É uma pena que, até agora, não esteja aproveitando o bom momento para ficar na vanguarda dessa discussão. Ainda mais porque somos um dos países que mais tem a ganhar com uma nova direção na política de drogas. Afinal, enquanto nossa economia vai bem, nossa segurança pública, nossa justiça e a corrupção na política vão bem mal. E tudo isso poderia melhorar se nos livrássemos da proibição das drogas, que financia o crime, corrompe e desmoraliza as instituições.

É assim no país da Geyse da Uniban. A gente gosta de se imaginar muito avançado, muito liberal, muito respeitoso das liberdades individuais. Mas, na hora h, o moralismo sempre ganha a discussão. Sabe por quê? Porque grita mais alto.

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143 comentários
  1. Chesterton disse:

    E o Climategate nada…..

  2. Leonardo disse:

    Eu sinceramente não gostaria de ver as drogas legalizadas, principalmente no Brasil. Na verdade não se consegue nem controlar a venda de bebidas e cigarros para menores de 18 anos. E eu acho que a venda de drogas a menores de 18 anos pelo menos chocaria a minha pessoa, pode até ser moralismo barato da minha parte. Outra coisa que eu lembro bem, apesar de não consumir bebidas alcoólicas e cigarros, durante a adolescência, é que o acesso a esse tipo de droga, assim como a cigarros era feita com facilidade. Exceto por alguns restaurantes e boates de maior porte, nunca vi a exigências de documentos que comprovassem a idade para ter acesso a bebida alcoólicas.

    Eu fico imaginando crianças com 12 anos de idade comprando cigarros de maconha ou mesmo outras drogas mais pesadas na padaria da esquina e aí como que fica ? Será que no Brasil existe maturidade suficiente tanto da sociedade quanto dos comerciantes para permitir o comércio de drogas seja realizado de maneira legal? Qual o controle que seria feito ? E mais provavelmente como ficaria a legislação de propaganda para esses produtos ?

    Sinceramente, minha resposta seria que nós, tanto sociedade como poder público ainda não temos maturidade para legalizar as drogas no Brasil.

  3. PARAXABA disse:

    ISSO AI.Chesterton.

  4. Rafael disse:

    O pensamento vivo de Burgierman:

    “Ainda mais porque somos um dos países que mais tem a ganhar com uma nova direção na política de drogas. Afinal, enquanto nossa economia vai bem, nossa segurança pública, nossa justiça e a corrupção na política vão bem mal. ”

    – Mas é claro! Não temos segurança, o sistema penal é falho e os políticos são corruptos. O que fazer? Já sei! Liberar as drogas!

    Você pensa um pouquinho antes de escrever essas coisas ou tá só fazendo graça?

  5. Sergio disse:

    Nao acredito que a liberacao de qualquer droga no Brasil seja viavel. Apesar dos usuarios defenderem a bandeira, os argumentos utilizados e referencias citadas estao muitos distantes da realidade Brasileira.
    O discurso e sempre o mesmo, seria benefico porque diminuiria a violencia… considero essa avaliacao, banal, simplista e burra. As causas da violencia estao diversos em fatores sociais e culturais. Liberar as drogas, nao ira resolver a questao. Como os bandidos irao ganhar dinheiro, trabalhar e que nao vao.
    Na minha opiniao, o pais nao e maduro, responsavel e serio. Nao adianta tentar adotar uma legislacao avancada de pais primeiro mundo, sendo que a nossa populacao nao tem maturidade. Considero esse tema irresponsavel, atendento somente aos interesses dos usuarios de drogas, tirando os da ilegalidade. Esse tema nao serve ao interesses dos leitores dessa conceituada revista.

  6. Marcelo disse:

    Sim Rafael,

    Liberar as dorgas é uma ótima solução. Minimizará todos estes problemas que vc citou.

  7. Marcelo disse:

    Ops. Quis dizer: “drogas”.

  8. Rafael disse:

    Marcelo,

    Vai também curar ressaca, dor de corno, chulé, ronco e órgãos sexuais diminutos?

  9. Chesterton disse:

    Acho sempre que se deve levar o raciocinio até as últimas consequências, para ver se o argumento se sustenta.
    “…nos livrar da proibição das drogas , que financia o crime e corrompe as instituições…”
    Bem, o colunista deduz que não é o crime em si que corrompe as instituições, mas a lei, que o proibe e tenta inibí-lo. Apesar de os crimes relacionados ao tráfico e uso de drogas serem em grande número, não são a única maneira de burlar a lei. Bem, seguindo esse raciocínio (do autor) , para acabar com a possibilidade de desmoralização das instituições, outras práticas criminosas teriam que ter aliviado o peso da lei que cai sobre elas.
    Um crime que gera muita corrupção é o roubo de veículos. Bandidos roubam carros e em seguida subornam policiais que dão apoio a desmanches na Baixada Fluminense. Vnedem as peças (ou o carro inteiro) até para o exterior, onde corrompem fiscais da aduana de 2 países, desmoralizando essas instituições. Outras vezes aplicam o golpe do seguro, desmoralizando as seguradoras.
    Como resolver esse problema de acordo com o raciocínio do Denis? Simples, “descriminalizando” o furto de veículos, que a partir do dia primeiro de janeiro não mais seria considerado ilegal. Liberado o roubo de veículos, terminaria do dia para a noite a corrupção policial relacionada com a atividade e os bandidos deixariam de ser bandidos para ser respeitáveis empresários do ramo do alheio.

    obs: A Veja tem algum sistema de cotas para contratação de jornalistas?

  10. Chesterton disse:

    para serem (creio eu)

  11. Ferrer disse:

    Sempre me lembro que o exército já subiu o morro e de nada adiantou. O país ficou assustado, esperando o pior. Os gastos foram enormes e de nada adiantou.
    Sou a favor de Portugal. Se diminuiu o número de usuários, já é excelente.
    Quanto as quadrilhas, seria uma outra etapa.
    Obrigado pelas informações. Valeu.

  12. Rafael disse:

    Exatamente. Esse mesmo raciocínio pode ser empregado para outros temas e já foi empregado neste em particular (drogas): Se um certo crime se torna problemático, legalize-o. Se nada for proibido, poderemos sempre chegar no fim do ano com estatísticas maravilhosas de crime zero!!

    O que eu nunca vi ninguém responder é o seguinte: Todos esses argumentos de criminalidade, guerra das drogas, etc., são acessórios, são conseqüências da liberação, mas não são a coisa em si. Quid bono, quem ganha com isso? O beneficiado primário é o usuário oras… daí minha pergunta: que tanto interesse há em disseminar o uso das drogas?

    Não entendo isso.

  13. Marcelo disse:

    Denis,

    Ó o Rafael aí só insultando denovo. Apaga este ai do “dor de corno”, “orgãos sexuais diminutos” e etc…

    Baixo nível.Podia pelo menos fingir que tem educação.

  14. Rafael disse:

    Pô, “baixo nível”?? Não usei um palavrão, não fui agressivo, não fiz nada… fui um pouquinho irônico…

    Quanta sensibilidade…

  15. Marcelo disse:

    Rafael,

    A liberação não busca a disseminação das drogas. Pelo contrário, legalizar significa controlar, fiscalizar, ARRECADAR em vez de gastar com com a batalha mais infrutífera do mundo. Que nunca conseguiu reduzir nem em um por cento o número de usuários.

    Eu não vou para de fumar maconha pq um monte de falsos moralistas querem me proibir. Mundo à fora a maconha é vendida como remédio (ou como droga recreativa mesmo) e em nenhum destes países houve aumento do consumo, ou overdose por causa de maconha, ou aumento da criminalidade.

    A legalização economizaria o nosso dinheiro e faria a polícia parar de perder tempo com traficantes e passar a combater somente crimes de verdade (aqueles contra a vida e a propriedade alheias).

  16. Marcelo disse:

    P.s. Muito se tem argumentado contra a legalização que levaria a legalização de outros crimes, em que se baseiam para afirmar algo assim? Por acaso a Holanda legalizou o homicídio? O roubo de carros?

    Sem dúvida argumentos tirados do blog do pior colunista de Veja.

    Aí dizem: “estamos sendo irônicos sabemos que ninguem vai propor a legalização de assaltos e homicídios é que tornar um crime legalizado não diminui a ocorrencia deste crime então não tem sentido legalizar as drogas”

    Pois então apresente algum argumento válido para continuar a chacina, para perpetuar uma guerra que não pode ser vencida e que é extremamente custosa enquanto a legalização só geraria empregos e diminiuiria o poder do crime organizado entre outras consequencias positivas.

  17. Rafael disse:

    Um caos de idéias claras.

    Marcelo: Quer dizer que ao legalizar as drogas o governo as estaria controlando? Como assim? Se as drogas fossem legais eu não poderia ir até a mercearia do bairro comprar 3 quilos de açúcar e um de café e ter que explicar que era literalmente isso que eu queria e não droga, quando me dessem maconha e cocaína?

    Quer dizer que pais não poderiam impedir um filho de 18 anos de comprar um crackzinho na volta da escola pra fumar no quarto?

    Sei lá, eu posso ser meio antiquado, mas não entendo vocês não. E aí vem chorar pq eu escrevo “orgão sexual diminuto”. Eu podia ter escrito p** pe****o né? Viu como também sei usar luva de pelica e punho de renda? E você, consegue ficar em pé só nas duas patinhas?

    Pra encerrar, o fim da picada é onde o Denis critica os moralistas e logo evoca a imagem de uma sisuda professora de sexta série, régua na mão pronta pra dar na mão de quem cometer erros de caligrafia. Notemos: Quem discorda dele no aquecimento global é um cético cego a evidências que não sabe ler um gráfico e só usa retórica. Quem discorda na questão das drogas é um moralista que gosta de gastar dinheiro inutilmente com repressão, grita alto e persegue mulheres de vestido curto.

    Fala aí Denis, quem é intolerante? Quem está fechado à troca de idéias?

  18. carlos contribuinte disse:

    Denis, nesse assunto concordamos.
    Mas se discriminalizar, o que a polícia vai fazer? Não terão mais os micro traficantes para prender e mostrar serviço.
    Continuo procurando um só viciado em crak e cocaína que não seja, antes, um alcóolatra. Alguem conhece um pelo menos?

  19. Chesterton disse:

    A posse de pequenas quantidades de maconha é tolerada em todo Rio de Janeiro. Isso não diminuiu em nada a violência do tráfico nos morros, guerras de quadrilhas por bocas de fumo.
    Nessas comunidades o uso de gas de cozinha é legal, e o comércio é controlado pelas milícias, com toda violência associada a disputa de pontos e privilégios monopolistas.
    Alguem me explique como é que a legalização do consumo de drogas vai aqcabar com a violência dos morros?
    Outra discrepância é o sujeito poder comprar (já que nem todo usuário é produtor)mas ninguém poder vender ( seria considerado traficante). Que mercado hipócrita é esse onde se pode comprar mas não se pode vender. Se é para legalizar, tem que legalizar o tráfico geral.

  20. Marcelo disse:

    Em nenhum momento eu deixei de tratar do assunto que estamos debatendo para tratar da pessoa com quem eu debato. Este é um dos recursos de retórica mais hipócritas e de baixo nível que há. Deixa-se de debater sobre o tema em si para debater (insultar e difamar) sobre as pessoas contra quem se debate:

    “E aí vem chorar pq eu escrevo “orgão sexual diminuto”. Eu podia ter escrito p** pe****o né? Viu como também sei usar luva de pelica e punho de renda? E você, consegue ficar em pé só nas duas patinhas?”

    Tá vendo como vc é mal educado, Rafael? E ainda acha que está sendo refinado, aprendeu com o Tio Rei não foi? É o estilo dele sem dúvida.

  21. Marcelo disse:

    “Quer dizer que pais não poderiam impedir um filho de 18 anos de comprar um crackzinho na volta da escola pra fumar no quarto?”

    Proibido ou não, os pais já não podem impedir que um filho compre drogas.

    Legalizar põe este comércio sob o controle da sociedade, que vai tributar e fiscalizar. Muito melhor do que gastar o que gastam hj sem conseguir o menor resultado.

  22. denis rb disse:

    A sugestão de legalizar o furto de carros é tão descabida que talvez não merecesse comentário. Mas não resisto:

    – Furto de carros é um crime que prejudica terceiros. Fumar um baseado não. Proibir o furto de carros está de acordo com as cláusulas pétreas da constituição e a declaração dos direitos do homem (em especial o “respeito à propriedade”). Proibir o uso de drogas fere os mais básicos direitos individuais. Proibir o furto de carros é possível. Proibir o uso de drogas não é: todos os 200 países do mundo tentaram proibir as drogas. Nenhum conseguiu. Os países que investiram mais recursos na proibição são os que tiveram piores resultados. Aqueles que, nos últimos anos, desistiram da proibição, estão tendo enorme sucesso. A lei é incumprível. E, se fosse cumprida, teríamos que transformar as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro inteiras em cadeias, porque uma imensa porcentagem da população brasileira teria que ser presa. Mas, acima de tudo: a lei que proíbe o uso de drogas é injusta. É arbitrária. E isso abala a fé da população na polícia, na justiça e nos políticos, enfraquecendo as instituições. Sem falar que financia o crime organizado, que por sua vez corrompe polícia, justiça e governos.

  23. Marcelo disse:

    “Que mercado hipócrita é esse onde se pode comprar mas não se pode vender. Se é para legalizar, tem que legalizar o tráfico geral.”

    Pois é Chesterton, seria uma ótima solução. “Alguem me explique como é que a legalização do consumo de drogas vai aqcabar com a violência dos morros?”

    Eu explico, e ainda dou exemplos: Vc já ouviu falar em donos de cervejeiras se matando por aí? Não né? Isto é pq esta atividade é legalizada e pessoas que não são criminosas podem se aventurar neste negócio.

    Com a legalização deverá ser liberado também o plantio caseiro o que dimnuirá a renda dos criminosos e, por tabela, o poder do crime organizado que comanda os morros. Reduzindo a violencia.

  24. denis rb disse:

    Leonardo,
    Quanto ao Brasil não poder copiar fórmulas de países desenvolvidos.
    Quero só lembrar que o país não tinha nenhum problema com drogas até os anos 20 do século 20. Aí, por pressão dos EUA, adotamos a proibição que eles criaram. Copiamos o modelo americano para atacar um problema que não tínhamos: e o resultado disso, menos de um século depois, é o crime organizado dominando áreas inteiras das grandes cidades brasileiras, controlando as cadeias, infiltrando-se na polícia, na justiça e nos governos. Hoje os EUA estão abandonando a proibição. Não faz sentido que nós, que fomos quem mais sofremos com essa política, continuemos presos a ela.

  25. denis rb disse:

    O Rafael insinua que os únicos favorecidos com a legalizacão seriam os usuários de drogas.
    Não entendo o argumento. Drogas são fartamente disponíveis no Brasil. A maioria dos usuários sabe onde comprá-las, de maneira descomplicada, eventualmente com serviço de delivery. Há no Rio de Janeiro mais bocas de fumo per capita do que há koffeshops per capita em Amsterdam. A legalização, na prática, significaria bem pouco para um usuário (ainda mais se levarmos em conta a baixíssima probabilidade de ser pego). Provavelmente implicaria num aumento no preço. Mas eu diria que há um contingente de usuários cada vez maior interessado em viver em paz, de acordo com as leis, em vez de ser criminalizado por um hábito que não prejudica ninguém.

  26. Chesterton disse:

    Óbvio que meu chiste em relação aos furtos de carros é um completo disparate, usei a caricatura para ilustrar.
    Mas e o aborto? Em geral os progressistas que insistem na legalização geral das drogas são favoráveis ao aborto legal.
    Só para não me acusarem de moralista, careta, conservador, afirmo: assim que liberarem as drogas me tornarei atacadista. Vou usar o capital da venda do Bingo para tanto.
    Como o mundo continuará a proibir o uso das drogas (não, não são os EUA, são a Indonesia, China, Iran, e vários países que enforcam sumariamente quem tem posse de drogas), vou lucrar os tubos, ficarei multimilionário com o vício dos cidadãos progressistas do Brasil inteiro, e migrarei com meus filhos (aqueles Denis, que semana passada iriam fritar no aquecimento global que descobriram que não existe pois fraudaram os dados e na verdade o mundo está resfriando) para Paris – que de idiota eu não tenho nada.

  27. Heitor disse:

    Denis, você é bem boboca, não importa se é traficante ou assaltante de banco, lugar de bandido é na cadeia, por um motivo ou por outro, e drogado tem o mesmo fim, o cemitério ou hospício ou cadeia. Portanto desciminalizar droga só mudará o bandido de lugar. Ai ai.

  28. Rafael disse:

    Denis,

    Eu não insinuei nada, eu fui muito claro e direto. Ê faculdade de jornalismo…

  29. Heitor disse:

    Denis, você é bem boboca, não importa se é traficante ou assaltante de banco, lugar de bandido é na cadeia, por um motivo ou por outro, e drogado terá sempre o mesmo fim, ou cemitério ou hospício ou cadeia. Portanto descriminalizar as drogas só mudará o bandido de lugar. Ai ai.

  30. Rafael disse:

    E Denis, pare de ignorar a realidade da lei brasileira. Ela já é extremamente branda com o usuário e o porte de drogas para consumo já é legal no Brasil. Você faz parecer que se eu sair na rua com 10g de açúcar no bolso vão disparar sirenes, vou ser preso, torturado e nunca mais ninguém vai ouvir falar de mim.

    Usar drogas não faz mal pra ninguém? Porque você não conversa com mães, esposas, filhos, pais e irmãos de viciados para ouvir as lindas histórias deles?

  31. Chesterton disse:

    Bem, e usarei meus conhecimentos e pagarei os melhores cientistas para selecionar as melhores variedades no quesito “adição” – no sentido de drogadicto – para obter uma droga forte o suficiente para ser aprovada pelos usuários, e viciante o bastante para o cara nunca mais largar o vicio…vou criar a maconha com grife e a coca “da hora”. Vou investir em publicidade, vou com a grana influenciar na política e quem sabe acabo me candidatando a deputado (comprando votos e cabos eleitorais, pois não contem comigo para sair de Paris para fazer campanha).
    Isso tudo antes de entrar na maconha transgênica…aí sim o Denis vai ser meu freguês para sempre, um verdadeiro escravo.

  32. Rafael disse:

    Chest. – É bem provável que você chegue tarde. Já deve ter muita gente fazendo isso e, naturalmente, em paralelo, o lobby pela legalização.

    Aí tem de tudo vindo no vácuo: os bobos bem-intencionados, o legisladores de causa própria, os engenheiros sociais…

  33. denis rb disse:

    Chesterton,
    Vc pode fazer isso hoje – no mercado desregulado da ilegalidade. Vc não seria o primeiro – já é essa a lógica. Num mercado regulado, como por exemplo o que o Novo México propõe, não haveria espaço para você no mercado. Adieu Paris.

  34. denis rb disse:

    Rafael,
    Eu não estou ignorando a realidade brasileira. Leia o post:
    “(O Brasil não tem números confiáveis, mas também aqui usuários de maconha raramente vão presos.)”
    Acho pouco.

  35. denis rb disse:

    Rafael,
    Onde foi que você leu que usar drogas não faz mal para ninguém? Certamente não foi aqui neste blog. Num ambiente de legalidade, os males das drogas poderiam ser combatidos com mais eficiência e menos custos pela saúde pública. Veja o caso de Portugal.

  36. Gândavo disse:

    Lamentável, primária e rasteira a argumentação do articulista. E o que tem isto a ver com sustentabilidade? Nada! O desafio do desenvolvimento sustentável já é difícil o suficiente, não precisa da carona de apóstolos da droga para poluír a sua mensagem. Que vergonha, Veja.

  37. Raphael disse:

    Denis, é duro ter que aguentar todo esse tipo de argumentação tosca quando se quer expor, de forma ponderada, a problemática das drogas. Acompanho sua coluna e percebo que este assunto lhe é extremamante caro, e admiro sua insistência em debater o caso.

    As pessoas não entendem que você não está propondo o “libera geral” agora, neste momento. A proposta aqui é discutir o assunto, buscar novos caminhos para um problema que parece sem solução, pois aumenta-se a repressão e aumenta-se o consumo.

    Não dá para desvincular a questão do moralismo que vem embutida na discussão do assunto. Quaisquer argumentos racionais se perdem na mesma ladainha de “temos que defender a sociedade desses marginais”, ou “veja o que a droga causou em fulano, sicrano, ou que a mãe de beltrano fala sobre isso”, ou ainda “então legalizem o homicídio, o roubo”…

    Todas estas frases feitas partem do pressuposto que afirma que o corpo social é dividido em vários setores, e certas pessoas acreditam que o consumo de drogas é uma questão puramente de escolha, que se você quisesse era só parar de consumir e se juntar ao “lado bom da força”. Temos que parar com esta hipocrisia cega! É claro que o consumo de drogas é uma escolha! Não tem essa de fugir dos problemas, ou ser influenciado por más companhias. A pessoa escolhe usar ou não, e deve sofrer as consequências desta opção. Mas as consequências individuais, no sentido que todos somos responsáveis pelo o que fazemos quando não influímos na vida dos outros.

    Certa parcela da sociedade não se toca que o consumo das drogas ilícitas é muito muito maior do que se pensa, e a grande maioria destes consumidores o faz por questões recreacionais, como aquele uisquinho do final do dia. Não acreditem nas pesquisas que saem sobre o índice de consumo de maconha, cocaína e afins. 0,5%, 1% da população? É mentira! O que acontece é que muita gente é entrevistada sobre o assunto e mente, pois teme ser estigmatizada até pela própria pesquisa, visto que vivemos numa época de destruição de reputações sem precedentes na imprensa marrom.

    Então, obrigado Denis! Você nos sugere pensar diferente. É um bom começo, e já temos figuras de peso com esse pensamento fora do eixo do moralismo ignorante que nos permeia, como o ex-presidente FHC. E sim, tolere os usuários de drogas, mas não os ignorantes que não sabem usar o vernáculo. Com certeza, e não tenho medo de falar isso, escrever decentemente é pré-requisito para qualquer tipo de argumentação! Abraços!

  38. Rafael disse:

    Denis, é constrangedor ter de fazer isso:

    “Onde foi que você leu que usar drogas não faz mal para ninguém? Certamente não foi aqui neste blog.”

    Você mesmo responde:

    “Furto de carros é um crime que prejudica terceiros. Fumar um baseado não.”

    “Proibir o furto de carros é possível. Proibir o uso de drogas não é”. Como assim não é “possível” (aspas para ênfase) proibir? Escrita e sancionada uma lei, proibida a coisa está!! Sério mesmo Denis, você está confundindo a viabilidade/efetividade de garantir o cumprimento de uma lei com a possibilidade de a lei exisitr? Mesmo se for isso, no seu mundo é impossível proibir o furto de carros, pq afinal, eles acontecem todo dia…

    Faça o seguinte: Use o blog para divulgar iniciativas legais, promover a consciência ambiental, mas pare de tentar fazer ciência e sociologia, porque é um desastre total.

    E, de bônus, se conseguir, responda o que já te erguntei:

    Quem discorda dele no aquecimento global é um cético cego a evidências que não sabe ler um gráfico e só usa retórica. Quem discorda na questão das drogas é um moralista que gosta de gastar dinheiro inutilmente com repressão, grita alto e persegue mulheres de vestido curto.

    Fala aí Denis, quem é intolerante? Quem está fechado à troca de idéias?

    E eu, naturalmente, é que sou agressivo, ofensivo, etc etc.

  39. Rafael disse:

    Denis,

    Sem contar, é claro, que toda a sua argumentção – chamemos assim aquilo lá – gira em torno da idéia de que o consumo de drogas é uma escolha individual e que nosso direito de escolha não pode ser cerceado de forma alguma desde que não tomemos propriedade alheia (caso do roubo de carros…).

    Em outras palavras, você acha que nascemos com o direito de usar drogas se quisermos.

    Brilhante mesmo.

  40. Marina disse:

    Rico – trabalha e/ou tem dinheiro para comprar drogas ilegais.
    Resultado – Com o porte/uso sendo descriminalizados, não há o risco de ir parar em uma cadeia.

    Pobre – pouco ou nenhum dinheiro para comprar drogas ilegais. Como “estratégia” recorre à venda da própria droga para financiar seu uso.
    Resultado – certeza de uma prisão.

    Descriminalizar drogas é uma lei de encomenda para beneficiar as elites consumidoras de drogas que não querem ver seus filhos irem parar em prisões, pura e simplesmente isso. Não resolve a questão do tráfico muito menos as relações sociais que a perpassam.

  41. Marcelo disse:

    Rafael,

    Fumar um baseado prejudica terceiros? como?

    Ah tah… prejudica a sociedade porque financia o crime organizado né?

    Exatamente por isso que queremos legalizar.

    “Fala aí Denis, quem é intolerante? Quem está fechado à troca de idéias?”

    Vc, Rafael. Um dos mais intolerantes que já vi. Insulta todo mundo que discorda de vc.

  42. Rafael disse:

    >> comentário deletado por conter ofensa <<

  43. Marcelo disse:

    Legalizar as drogas de fato não vai acabar com elas.

    Mas vai acabar com o desperdício de dinheiro público com uma guerra inútil. Economizando preciosos recursos que poderiam ser investidos em novas soluções para o problema. Em educação por exemplo.

    E ainda será um duro golpe no crime organizado, que se beneficia com a exploração de um mercado não regulado e não tributado.

  44. Rafael disse:

    “Ah tah… prejudica a sociedade porque financia o crime organizado né?

    Exatamente por isso que queremos legalizar. ”

    Claro, porque depois de legalizado o negócio das drogas iria financiar a cruz vermelha e a ordem das carmelitas, certo?

  45. Marcelo disse:

    Rafael, já contestei diversos argumento seus. É isto que sempre faço.

    Vc pelo contrário só insulta os outros e ainda tem a cara de pau de acusar de intolerantes. E vc faz isto o tempo todo, abandona o tema do debate para falar das pessoas com quem debate.

    também não tenho vocação para professor de jardim de infância.

  46. jorji disse:

    Com liberação ou não do consumo das drogas continuaremos sendo um país violento, existem países que tem um consumo per capita de drogas muito mais alto que o nosso, porém, com índice de criminalidade e violência bem menores que o nosso, essa eterna mania de associar a violência com a pobreza e drogas não existe lógica, existe país africano muito mais pobre que os EUA , porém menos violento que a sociedade americana. Com proibição ou não , as drogas serão consumidas, antigamente a violência no Brasil esteve concentrada na zona rural, onde vivia a maioria dos brasileiros, com a migração para as grandes cidades, apenas migrou a violência. As causas do porque a sociedade serem violentas e consumirem drogas, é necessário ter embasamento em questões de antropologia, biologia, psicologia, sociologia, historia, direito, caso contrário é melhor não opinar, com o risco de se falar um montão de besteiras. Pelo que eu sei, os humanos sempre consumiram drogas, e sempre fomos violentos, tudo consequência do mecanismo evolutivo, e a causa básica de tudo na vida é resumida em palavra de quatro letras:sexo.

  47. Marcelo disse:

    Sim Rafael, o dinheiro dos impostos que os usuários de drogas pagariam poderia ser revertido ao combate as drogas, seja com propagandas e educação ou em hospitais e clínicas de tratamento.

    Onde está o impedimento nisto?

  48. Marcelo disse:

    Rafael, procure aí um comentário meu que tenha sido deletado por conter ofensa…

  49. denis rb disse:

    Marina,
    Não há dados confiáveis, porque a ilegalidade torna difícil reunir informações. Mas nada indica que o consumo de drogas ilegais seja mais prevalente nas classes altas do que nas baixas. Maconha, em especial, é imensamente difundida em qualquer grupo social. Na realidade, a proibição é muito mais danosa aos pobres do que aos ricos. Com um bom advogado, as chances de um rico ir preso por porte de drogas são praticamente nulas. Já os pobres enfrentam a desconfiança da polícia, além de sofrer com a desestruturação do tecido social causada pela proibição.
    Mas concordo com você em um ponto: descriminalizar não resolve os problemas mais sérios. Uma solução verdadeira precisa passar por encontrar formas legais de suprir a demanda.

  50. Marcelo disse:

    No caso da maconha, creio que a melhor maneira de suprir a demanda é a liberação e incentivo ao plantio caseiro. Isto acabaria com as bocas de fumo.

  51. Rafael disse:

    “Uma solução verdadeira precisa passar por encontrar formas legais de suprir a demanda.”

    Meu Deus! Que tal subsídio estatal? Bolsa-seringa? Integrar a cadeia logística desde a Bolívia?

    O que está havendo aqui é apologia da droga, pura e simplesmente.

  52. Daniel disse:

    É engraçado, o cara lê o artigo e no comentário já mostra que não entendeu nada. Rafael, vc já usou algum tipo de droga, se sim, sabe que a tempestade que se faz em torno do uso é muito mais prejudicial para a sociedade, que o uso individual feito por alguém pode causar ao conjunto das pessoas. Denis adorei o texto, discute o assunto com clareza e apontando experiências ao redor do mundo como sempre faz. É isso ai, o Brasil passou da Hora de encarar o assunto de frente. Ao invés de subir o morro o viciado vai entrar na farmácia e comprar, pagando imposto e sabendo que o que está comprando faz esse ou aquele mal, etc, etc.

  53. jorji disse:

    O único que sai ganhando com a atual legislação em relação a drogas, são os traficantes, principalmente as grandes organizações criminosas, são centena de bilhões de dólares, só não encherga que a proibição é a chave de sucesso de traficantes, quem é cego. Os que cultivam as plantas como a coca, vivem na miséria, os que a consomem são pessoas doentes, a sociedade paga um ônus caríssimo, o único que está ganhando quem comanda esse comércio. Essa eterna discussão sobre a droga ilegal, como se fosse um caso de bandidos contra os mocinhos, é uma besteira . O primeiro passo a ser focado é o consumidor das drogas, tirá-lo da marginalidade, tratá-lo como um doente, o segundo passo é liberar o comércio das drogas, tornando esse produto sem os riscos atuais, fazendo com que se torne “barato” para o consumidor final, enfraquecendo o tráfico, o terceiro passo é fazer um estudo sério das consequências dessas medidas, e adaptar a sociedade para tornar esse drama da sociedade menos traumático para todos, essa guerra contra o tráfico já perdemos há muito tempo, jamais venceremos.

  54. Marcelo disse:

    “Apologia da droga”, Sim eu faço e daí?

    A sua cervejinha ou uisquezinho, que tem até o direito de ser promovido na TV em comerciais cheios de mulheres seminuas, mata 22,5 vezes mais do que TODAS as drogas ilícitas somadas. Enquanto isso a minha maconha é vendida como remédio nos EUA.

    Faço apologia da maconha sim. E vc? Vai mostrar a cara e fazer apologia da cervejinha que bebe de vez em quando?

  55. Rafael disse:

    Eu tomo cerveja sim. E isso não é crime. Apologia de drogas é crime sim, previsto em lei.

    Denis, a imagem dessa página já foi pro .pdf

  56. carlos contribuinte disse:

    Denis, esse pessoal que é contra a liberalização da maconha, costuma misturar canabis com coca ou crak. São coisas destintas. Coca e crak são estimulantes, enquanto maconha é tranquilizante. O que aconteceria se fosse proibido a pinga e o cigarro? Imagine um copo de pinga 10 reais. Como ficaria a segurança?
    Quem criminalizou a maconha foi os produtores e industriais do algodão dos EUA. O que eles temiam e ainda temem, são as fibras e não o efeito da erva.

  57. Felipe M disse:

    Acabei de entrar e é impressionante como já tem tudo isso de comentários, em destaque os filhos de Azevedo:

    “Uma solução verdadeira precisa passar por encontrar formas legais de suprir a demanda.”

    Meu Deus! Que tal subsídio estatal? Bolsa-seringa? Integrar a cadeia logística desde a Bolívia?

    O que está havendo aqui é apologia da droga, pura e simplesmente.

    Ps Denis, c vc falasse que era pra acabar com a fome nenhum dessas pesoas pesudo-moralistas iam gritar pra te apoiar. Essa mesma pessoa não sabe que legalizar é algo tão positivo quanto acabar com a pobreza.

  58. Rafael disse:

    Considerações Finais:

    1) O fato de estar havendo o escândalo do climatogate e um blog sobre sustentabilidade, na semana em que escreve um post afirmando a certeza da antropogenia do aquecimento global, não comentar nada, infelizmente dá ampla margem à discussão da honestidade intelectual de seu autor.
    1.1) Isso não é uma inferência nem uma ilação nem uma insinuação. Não estou dizendo que Denis é intelectualmente desonesto. Estou dizendo é que sua atitude infelizmente, apesar de sabermos não ser verdade, dá motivos para tais especulações.

    2) O fato de ter-se feito uma confusão entre um debate a favor (na medida em que “debate a favor” é um debate) da legalização das drogas e sua apologia pura e simples é grave sintoma de desqualificação intelectual, mal que sabemos não acometer nem o autor nem os comentaristas do blog.

    3) Uma atitude que poderia, por pessoas mal-intencionadas, ser taxada de hipócrita é a insistência do autor do blog em rotular e desqualificar qualquer um que discorde dele simplesmente por discordar, independentemente da quantidade ou qualidade dos argumentos e ao mesmo tempo tanto falar da importância do debate democrático e da troca de idéias.

    Sei que nada disso é verdade e que todos aqui são muito íntegros, honestos e inteligentes. Mas cometer crimes e ainda orgulhar-se disso? (Refiro-me à apologia das drogas). É demais.

    Eu, de verdade, já atingi o meu objetivo que era demonstrar a inconsistência da argumentação do blog no post da experiência da panela. Aquele em particular mostra agudamente o mal de que padece o resto dos escrito que é, na minha opinião, uma argumentação tendenciosa e inconsistente. Porém, isso não é crime: estar errado ou ser muito egocêntrico é sempre muito chato, mas cada um é livre para sê-lo na medida em que lhe aprazir.

    Nada tenho a acrescentar.

  59. denis rb disse:

    Só um esclarecimento:
    O crime de apologia às drogas (um dos “crimes de opinião” que continuam na nossa lei, apesar do fim da ditadura) é definido por:
    1. Dizer que elas são boas.
    2. Recomendar o uso.
    Em nenhum momento eu fiz uma dessas coisas aqui. O que eu fiz foi afirmar que, para lidar com esse problema, descriminalizar o uso é só metade da solução: não teremos impacto real na sociedade se não criarmos também formas legais de suprir a demanda. Por exemplo, autorizar organizações da sociedade civil sem fins lucrativos a produzirem drogas de maneira legal.

  60. Chesterton disse:

    Denis, você fuma maconha? sim , ou não, sem enrolar.

  61. Chesterton disse:

    Mas essa idéia de ONG plantando maconha legalmente é papo de riponga anos 70. Já pensou a bagunça? Todo mundo chapado fazendo contabilidade e pedindo verba para continuar aberta. Eita povinho escravo.

  62. denis rb disse:

    Já fumei sim, Chesterton.

    E você?

  63. André disse:

    É uma pena que quando se começa uma discussão sobre as drogas logo aparece alguém dizendo que há apologia. Também na discussão das cotas nas universidades, quem é a favor (ou contra) é facilmente taxado de racista. Na discussão política, quem quer igualdade demais é? Comunista… O diálogo é outra coisa, pessoal… pressupõe escutar alguém e, caso haja discordância, discordar com argumentos mais fundamentados, com exemplos.

    Sobre as drogas, pendo para o lado da descriminalização. Só fico um pouco reticente em relação às favelas e àreas mais sensíveis, nas quais, quando fui entrevistar algumas pessoas, percebi o quanto qualquer droga, da maconha ao crack, acaba destruindo famílias, deixando uma permanente tensão – no deserto da miséria, a droga surge como um oásis. Em contrapartida, reconheço que não há certeza quanto a um aumento da demanda após a descriminalização – o que, é claro, não ratifica (nem “desratifica”) meus receios.

    “É uma pena que, até agora, [o Brasil] não esteja aproveitando o bom momento para ficar na vanguarda dessa discussão.”

  64. denis rb disse:

    André,
    Entendo bem o que você diz. Já dei palestras em uma favela sobre políticas de drogas para crianças. O assunto realmente está carregado de tensão nessas áreas, porque drogas, por lá, não são simplesmente um produto inebriante – são a fonte financiadora do crime, do chefe do morro, são o diabo encarnado na opinião dos pastores, são uma tentação frequente, recorrente e, infelizmente, são uma opção profissional. Em resumo: há uma tendência à polarização ainda maior por lá.
    O que eu posso dizer é que, a médio prazo, essas áreas são as que mais têm a ganhar com uma mudança na política para tratar o assunto – porque é a chance de elas se livrarem do poder paralelo que hoje substitui o estado em muitas favelas.

  65. Marcos disse:

    O Brasil tá longe de ser um dos países que foram citados na pesquisa, nesses países os traficantes provavelmente foram fazer outra coisa depois da legalização como trabalhar em um emprego com um bom salário. Seria diferente no Brasil em que depois de uma possível legalização os traficantes não teriam como arrumar um bom emprego com um bom salário.
    E muito provavelmente cometeriam outros tipos de crimes como assalto e seqüestro, sem o dinheiro do tráfico talvez os traficantes não tenham dinheiro para comprar um fuzil, mas não se esqueça que uma arma de baixo calibre também mata.

  66. Anne disse:

    Está mais do que na hora de parar de tratar o consumidor como criminoso e reconhecer nele um dependente químico, o que a maioria é.
    Mas parece implausível que o crime organizado deixe escapar esse filão por entre os dedos. Os pequenos traficantes sumirão, com certeza. Os chefes, os “donos” das favelas vão reinventar o tráfico pra não perder os lucros exorbitantes. Como o governo vai fazer a respeito disso, essa é a grande questão.

  67. denis rb disse:

    Anne,
    A grande maioria dos usuários de drogas não é dependente químico. Pelo menos 90% dos usuários de maconha (dependendo dos critérios, mais) não desenvolve nenhum tipo de dependência. São usuários recreativos, como o sujeito que toma um chopp depois do trabalho.

  68. denis rb disse:

    Marcos,
    Note que Colômbia e México, dois países com problemas bem semelhantes aos do Brasil, estão entre os que descriminalizaram.

    Mas você tem razão: a legalização pode gerar um surto desesperado, uma explosão de violência causada por uma tentativa do crime organizado de “diversificar” seus negócios. Por isso a solução não é simples. Por isso não basta acabar com a proibição para automaticamente acabar com os problemas que ela causou. Mas isso não pode impedir que a gente encare o problema. Resolver problemas em geral exige algum esforço. Não podemos eternizar o problema diante da constatação de que resolvê-lo pode gerar alguns meses de violência. O que está acontecendo no Brasil, como bem colocou a ótima reportagem de John Lee Anderson na The New Yorker, é uma guerra. Uma guerra de baixa intensidade, mas uma guerra. Encerrar uma guerra sempre envolve negociações de paz. Sempre envolve dar a chance aos dois lados de se arrependerem, de se desarmarem. É o que precisaremos fazer. Mas só vai dar para fazer isso quando eliminarmos o motivo da guerra: a proibição.

  69. Chesterton disse:

    eu perguntei se hoje você ainda fuma. Não enrola.

  70. Chesterton disse:

    quando fui entrevistar algumas pessoas, percebi o quanto qualquer droga, da maconha ao crack, acaba destruindo famílias, (André, corretíssimo, drogas, álcoolo principalmente , destroem famílias).

    Está mais do que na hora de parar de tratar o consumidor como criminoso e reconhecer nele um dependente químico, o que a maioria é. (Anne, medicalizar o problema é outra via perigosa. Não, a maioria dos consumidores não é dependente química, nem as drogas que estáo por aí causam dependência química. )

    Entretanto é ilusório achar que as drogas são banais (como um chopp), existem vários fatores psicológicos envolvidos no hábito de usar drogas. As sequelas físicas e emocionais podem ser devastadoras. A liberação geral não vai facilitar em nada o trabalho das pessoas que lidam(os) com esses casos.

  71. Leonardo Xavier disse:

    Olá Denis, a minha dúvida maior é quanto as seguintes questões práticas. Supondo que realmente se decidiu legalizar as drogas e finalmente acabamos com o tráfico de entorpecentes.

    E aí quais seriam as drogas legalizadas as maconha somente, ou qualquer tipo de drogas com LSD, Crack, cocaína. Pois todas essas outras drogas estão associadas a violências nas grandes cidades. E aí? Seriam todas liberadas?

    Depois me veio o questionamento se vamos vender elas indiscriminadamente, tanto a maiores quanto menores? Eu suponho que provavelmente se tentará seguir os modelos da indústria de cigarro e bebidas alcoólicas e provavelmente restringiremos a venda a menores de idade. Nesse ponto, eu tenho a seguinte dúvida: você confia que os comerciantes realmente não irão vender drogas a menores de idade? Eu não confio pelos exemplos de cigarro e bebidas alcoólicas.

    Quanto a questão da propaganda? Como ela seria feita? Seria permitidos anúncios de drogas em revistas e televisão?

    E como que fica a questão do uso, seriam permitidos em locais restritos ou seria algo que poderia ser feito abertamente?

    Essa são todas as minhas dúvidas e eu acho que a sociedade tem que saber quais as respostas para essas perguntas em relação ao legalização das drogas, antes de adotá-la. Eu acredito que essas perguntas deveriam ser discutidas pela sociedade, que de fato que raramente acontece no Brasil. Não se chama a sociedade para discutir o modelo de país que nós queremos e que tipo de políticas as pessoas esperam seja lá na questão da educação até na questão das drogas.

  72. Daniel disse:

    Excelente pergunta Leonardo,

    Um dos primeiros comentarios aqui disposto a debater a idéia. Também tenho essas dúvidas. Antes de apoiar ou atacar a ideia vamos entendê-la melhor. Como funcionaria exatamente Denis?

  73. carlos contribuinte disse:

    Denis, a reação existe mais por razões financeiras do que ideológicas. Milhares de pessoas vivem de combater as drogas. Polícia, ongs, clinicas de reabilitação, palestrantes, etc..
    Vamos deixar de hipocresia. O que mata milhões de brasileirosé a PINGA.
    Vamos proibir a pinga?

  74. Chesterton disse:

    Hipocrisia…(corrijam-me sempre se estiver errado).Se liberarem as drogas, as clínicas de reabilitação vão multiplicar por 5. A pinga já foi proibida nas estradas e para menores.

  75. Karlos Santos disse:

    Excelente artigo!!!! Nem fernandinho Beira-Mar ou Marcola escreveriam melhor!

  76. denis rb disse:

    Boa, Leonardo Xavier, são essas mesmo as questões chave, obrigado por escapar da histeria. A questão não é “proibir” ou “legalizar”. É “como instituir uma política pública que resolva problemas” – e hoje essa discussão está travada por causa do dogma da proibição, que não admite nenhuma racionalidade na busca por soluções.
    Como você disse, as respostas para as suas perguntas precisam vir da sociedade toda, então eu não tenho as respostas certas. Mas uma olhada nos caminhos adotados mundo afora nos ajuda a enxergar possibilidades. Veja só:
    – Acho que a proibição da publicidade já está consagrada mundo afora, e é aceita por diversas correntes políticas como um bom jeito de lidar com produtos que causam danos. A experiência com o cigarro (de proibir publicidade e difundir advertências) tem sido muito bem sucedida, inclusive no Brasil.
    – Quanto à escolha de que drogas legalizar, gosto da visão do especialista em políticas públicas americano Peter Reuter. Reuter desenvolveu uma metodologia para calcular o custo social da droga (danos à saúde, acidentes de trânsito) e o custo social da proibição (crime organizado, corrupção das instituições, encarceramento de parte da população produtiva). Aí ele simplesmente faz a comparação: o que sai mais caro? E sugere um encaminhamento. Ninguém fez esse estudo no Brasil (outra das consequências da histeria é que cientista nenhum consegue estudar a sério o assunto – logo começa a sofrer acusações). Eu sugeriria que houvesse um grupo multidisciplinar não ideológico fazendo pesquisa séria para calcular esses custos no Brasil e embasar qualquer política pública. No caso dos EUA, Reuter acredita que a única droga que claramente prejudica mais a sociedade proibida do que legalizada é a maconha, mas no caso do Brasil é preciso levar em conta que o custo social da proibição tem sido muito mais elevado do que o da droga.
    – Sou contra a ideia de vender maconha em bares. A Holanda criou a instituição dos koffeshops, onde é proibida a venda de álcool e a entrada de menores de idade (infrações a essas regras são punidas com imenso rigor – um koffeshop pode perder sua licença para sempre na segunda vez em que desrespeitar as regras). A Califórnia tem os “dispensários”, que são “farmácias” especializadas na venda de maconha. Esses lugares são fiscalizados muito de perto. A vantagem de criar lugares especializados nesse comércio é que isso exige um compromisso do proprietário. Ele sabe que, se não seguir as regras, perde para sempre o seu negócio.
    – Quanto à discussão de como vender drogas, acho que a Califórnia, talvez o lugar no mundo que tenha a política mais liberal e interessante para a maconha, aponta um caminho. Lá se legalizou o “uso médico”, mas a verdade é que qualquer pessoa se qualifica para se tornar um usuário legal. Basta para isso marcar uma consulta médica (há médicos especializados em emitir esse certificado) e explicar por que você se beneficiaria do uso da maconha. Muita gente usa maconha porque tem câncer, aids, glaucoma, e a maconha sabidamente é útil no tratamento dessas doenças. Mas há também quem justifique o uso médico para combater “ansiedade” (quem não sofre com ansiedade hoje em dia?) ou, sei lá, “bloqueio criativo”. Qualquer justificativa pode ser aceita. Só que, para isso, você precisa se cadastrar, ter uma carteirinha, seu uso de maconha consta na sua ficha médica, as autoridades sanitárias sabem quem você é, por que você usa maconha e quanto usa. Isso, em alguns anos, vai gerar uma montanha de dados sobre os reais riscos das drogas e provavelmente vai inspirar políticas públicas ainda melhores (ao contrário do obscurantismo da proibição, que tem gradualmente piorado o problema desde 1920). É isso que muita gente tem dificuldade de entender: não dá para controlar o que é proibido. Em vez de dizer “legalização das drogas”, devíamos chamar de “controle do uso de drogas”. Hoje, como o estado e muitos cidadãos preferem fechar os olhos para a questão, vale tudo.

  77. denis rb disse:

    Karla Santos,
    Fernandinho Beira Mar e Marcola só existem porque existe a proibição.

  78. jorji disse:

    Denis, voce fala em solução, acredita mesmo nessa possibilidade? O álcool é uma droga que causa grandes danos em todos os sentidos para a sociedade, porém ela é disseminada em toda sociedade, sem maiores traumas, o caminho é esse, aliás, já li artigos que a droga que causa maior número de morte e prejuízo para o mundo é o álcool.

  79. PAULO BOCCATO disse:

    TI CONVIDO A VISITAR UMA FAMILIA CUJAS DROGAS, DESTRUIRAM A DOIS FILHOS !
    NAO É BONITO DE SE VER E OUVIR…

    CIDADAO, VCE NAO TEM A MENOR IDEIA DO MAL QUE VOCE ESTA CAUSANDO !

    …ESPERO QUE A SUA CONSCIENCIA, UM DIA, ACORDE, PESADA, E BEM PESADA COM RELAÇÃO AO QUE VOCE ESTA AJUDANDO A PLANTAR.

  80. molina disse:

    parabéns, grande contribuição para nossa juventude e velhice (quis ser irônico, senão voce pode achar que é verdade, depende de seu estado de consciência neste momento).
    eu só não entendo essa briga toda para proibir o cigarro em tudo quanto é lugar, e voces (noiada) querendo apodrecer tudo, inclusive com ilustre participação de fhc parceiro do serra.

  81. denis rb disse:

    molina,
    Só é possível regulamentar o uso do tabaco porque é uma droga regulada por lei. Drogas ilegais, repito, não podem ser reguladas. Só se controla aquilo que se enxerga.
    Eu prefiro que a sociedade assuma o controle desse tema, em vez de deixar os traficantes decidirem.
    Eu prefiro enfrentar o problema e tentar resolvê-lo, em vez da hipocrisia da proibição, que socializa os custos e ignora o sofrimento das famílias.

  82. Gândavo disse:

    Sei, se não existisse proibição Fernandinho Beira Mar e Marcola dedicar-se-iam ao artesanato em casca de côco. Você acha, então, que a atuação dos dois é política, ideológica e não porque o tráfico de drogas rende uma grana pretíssima. Você acha que se as drogas fossem legalizadas os dois não migrariam imediatamente para qualquer outro negócio ilegal, criminoso que rendesse uma grana pretíssima (tráfico de armas, de órgãos, seqüestro, prostituição, etc.). A solução, portanto, seria permitir tudo. Assim, se nada for considerado ilegal, deixa de haver crime, viveremos em uma sociedade com crime zero. Genial!!!

  83. Fabbao disse:

    O grande problema de tudo isso, é que o usuário é sempre deixado de lado, segundo plano. Todos esses comentários revoltados, falando do traficante e do “nóia”, mais sempre todo mundo esquece do usuário, que paga todos os impostos, que acorda todo dia cedo pra trabalhar, o que esse usuário quer? Simples, não ser tratato como criminoso, só isso. Como? Existem diversos modelos de sucesso pelo mundo. Mas a maior ignorancia, somos nós mesmos, refens dela.

  84. Chesterton disse:

    O usuario é a causa de toda essa nheca. Se o cara fosse viciado (e não é) poderia alegar dependência. O uso recreacional é optativo, e se o cara tivesse um mínimo de consciência, deixava de sustentar o traficante e a violência que vêm por trás de tudo isso. Usar drogas ilícitas não é um direito.

  85. Leonardo Xavier disse:

    Denis,
    outra questão que me veio em mente, quando você comentou que existem drogas que valem a pena e outras que o custo social da liberação não é compensatório. Será que se realmente constatarmos através de estudos parecido com os desenvolvidos EUA e demais países e por fim escolhêssemos liberar somente a maconha. Será que toda a violência do tráfico não continuaria a se perpetuar na disputa pela distribuição de outras drogas mais pesadas como cocaína, heroína e crack? Eu não sei se eu estou enganado, mas os valores que essas outras drogas movimentam e consequentemente sua capacidade de financiar o tráfico não seriam bem maiores?

  86. denis rb disse:

    Exato, Leonardo Xavier,
    Na verdade os comércios de crack e heroína movimentam pouco dinheiro (esta porque não é muito difundida, aquele porque é muito barato). Mas a cocaína é hoje a maior fonte de receita do tráfico no Brasil. A legalização da maconha, portanto, certamente afetaria as margens de lucro do tráfico, mas não inviabilizaria o negócio – e não acabaria com seu poder de financiador de violência. Isso teria que ser levado em conta no cálculo, sem dúvida.
    Essa situação é bem diferente da dos EUA. Lá calcula-se que mais da metade da receita do tráfico vem da maconha (que é mais cara). Por lá, esquemas como o californiano ou o do Novo Méxicpo realmente são um golpe duro no poder dos traficantes.
    Precisamos, portanto, de uma resposta nossa – uma resposta brasileira, a um problema brasileiro. Claro que estudar os casos do México e da Colômbia é útil para o Brasil, porque há muitas semelhanças. Mas não adianta simplesmente aplicar aqui os cálculos que Reuter fez lá.

  87. Chesterton disse:

    Não seria mais fácil o consumidor mudar de hábitos?

  88. Marcelo disse:

    Sim Chesterton, de fato seia uma solução.
    Agora é só achar um jeito de mudar a cabeça de alguns milhões de pessoas…
    Alguma sugestão?

  89. Monica disse:

    Algumas questões a serem consideradas:

    – não trabalhamos mais com o conceito de “dependência química” (o sujeito que desenvolve algum tipo de adicção por substância não é meramente um organismo ou uma fisiologia desfuncional. É sujeito de desejo, atravessado pelas questões de Poder que definem sua época, constituído e constitutivo de determinados “habitus-modos de vida”, ator e sujeito de uma determinada organização social, espacial e datada);
    – a mera oferta de substâncias não define “dependência” (cada corpo, cada organização subjetiva e emocional se “identifica”, está “predisposto a”, determinada substância. Poderia citar uma série de exemplos clínicos ou de pessoas do meu convívio pessol ou profissional, mas vou simplificar: já tive assesso a todo tipo de substância, e entre as lícitas e as ilícitas, infelizmente, me identifiquei com o cigarro e nunca vou deixar de tomar uma taça de vinho para fumar um baseado, mesmo podendo descer agora e compar o quanto queira. Usem o exemplo de maneira bastante extensiva e variando bastante as combinações);
    – os sujeitos não deixam de consumir determinado psicoativo pq ele é proibido – vcs vivem no mundo de Alice???? (A variedade do compotamento humano agrega utilização de psicoativos, hoje e desde sempre, assim como inclui violência, agressividade, hoje e desde sempre, mesmo que alguns comportamentos sejam tabus ou regulados/proibidos por lei);
    – O sujeito tem direito de consumir drogas ilicícitas? É pra rir? (a questão é PQ são ilícitas agora. Não parece um pouco obvio demais que “lício / ilícito” é uma arbitrariedade? Que a História, as orgaizações sociais – suas verdades – NÃO são um UNIVERSAL, são dinâmicos, em constante processualidade, e somos nós quem a construimos e modificamos, e não forças divinas ou, neste caso, o conceito vazio de estado?);
    – As discussões estão confundidos âmbitos legais e a interação entre os sujeitos, ou grupalidades, e estes âmbitos (no que diz respeito à legalização, fico absurdada com o fato de alguns naturalizarem o direito do Estado de escolher como cada um conduz sua vida e sua saúde – os Estados Modernos e o controle/sanções que exerce sobre as populações e os sujeitos, tbm são datados, tbm em processualidade);
    – Agradeço ao Denis por este espaço de discussão, ele deveria ser utilizado com mais responsabilidade. Poder postar aqui, tenho me convencido, é um privilégio. Outros espaços virtuais desta mesma revista tem praticado censura (opss!! MODERAÇÃO!!).
    Obrigada, Denis!

  90. Marcelo disse:

    Pois é Chesterton, fazer coisas ilícitas é contra a lei (dãã…).

    O que estamos discutindo é se vale a pena manter as drogas na ilegalidade. Se a sociedade como um todo tivesse um mmínimo de consciência já teria percebido que a nossa atual política de combate às drogas só maximiza o problema.

  91. Marcelo disse:

    Denis,
    Será que é a cocaína mesmo a maior fonte de receitas do crime organizado? Tenho minhas dúvidas. Claro que a margem de lucro com o pó é bem maior mas a droga indiscutivelmente mais popular é a maconha (conheço muita gente que fuma mas poucos que cheiram e todos que cheiram tbm fumam). Existem mesmo pesquisas confiáveis sobre este assunto?

  92. Samantha disse:

    Testando…

  93. denis rb disse:

    Boa pergunta, Marcelo.
    E não tenho uma resposta clara. Quando escrevi um livro sobre maconha, em 2002, todo mundo me repetia a informação de que o tráfico mais lucrativo era o do pó, mas ninguém me mostrou dados claros e confiáveis. E a verdade é que a resposta deve ser diferente para cada estado do Brasil, para cada região. O tráfico de drogas é um mercado incrivelmente capilarizado, chega a cada cantinho do Brasil. Mas é também imensamente fragmentado: não há uma quadrilha controlando tudo, são milhares e milhares de pequenos “empreendedores criminosos”.
    Minha opinião: ninguém sabe os números do mercado, porque ninguém consegue estudar. Claro que não – não dá para estudar. O Tim Lopes, da Globo, tentou investigar esse mercado, acabou decapitado. Não sabemos como ele funciona, não sabemos como ele se sustenta. Precisamos estudá-lo para descobrir como desmontá-lo – e só vamos conseguir estudá-lo no dia em que acabarmos com a absurda e histérica proibição. Só aí vai dar para entrar lá sem serrarem sua cabeça.
    Enfim, não sabemos os números, não há dados muito concretos, mas vou arriscar uma hipótese: cocaína é produto premium, preço alto, margem alta, volume baixo. É como Rolls Royce: vende-se para poucos e bons e fatura-se alto. É historicamente controlada por grandes traficantes – os mega empresários do movimento. Maconha é barato e tem volume gigante. É mais na linha pão Pullman. Como se sabe, no Brasil, com a ascensão da classe C, produtos baratos de massa estão ficando mais lucrativos do que produtos de luxo. O que significaria que você tem razão e maconha é um pedaço cada vez maior do mercado. Se isso for verdade, talvez haja uma outra verdade mais assustadora por trás: com a ascensão da classe C, talvez surjam oportunidades para produtos de massa (baratíssimos, de baixíssimo preço, com margem de lucro minúscula compensada por um volume colossal). Já ouviu falar em crack? Custa 5 reais.

  94. denis rb disse:

    É uma boa questão que a Monica levanta: o significado de dependência.

    Antes havia uma distinção: dependência química e psicológica. Cocaína, heroína, ópio, cafeína, álcool, nicotina causam dependência química (privado dessas substância, o corpo sofre, e pode até morrer). Maconha, jogo, sexo causam dependência psicológica – nos acostumamos ao prazer que essas coisas causam e queremos mais quando ficamos sem.

    Hoje está claro que essa distinção não é tão claramente definida. A tal “dependência psicológica”, hoje se sabe, também se origina quimicamente, pela presença ou ausência de determinados neurotransmissores entre os neurônios. Maconha causa dependência sim, em 6% a 10% dos usuários. Mas por “dependência” se entende o seguinte: a pessoa fuma maconha mesmo sabendo que não deveria (e deixa que ela atrapalhe sua vida). Assim como muita gente usa chocolate, açúcar, sexo, compras, carro, tv. Maconha é ruim para essas pessoas. Sem dúvida. Deveríamos proibi-la então? Hmmm, não seria melhor nos esforçarmos em descobrir como conviver melhor com as coisas?

  95. carlos contribuinte disse:

    Denis, o preconceito é alto. Se essa erva nascesse nos EUA já estaria liberada a muitos anos no Brasil. Tudo no mundo é economia. Se os eua ganham, é bom. Se perdem $$ é ruim.
    Acho engraçado as pessoas falando de violência e nos chamando de nóia. Os Holandeses que faturam com a maconha 3 vezes o que o Brasil fatura com suco de laranja são nóias. Jorge Soros é nóia.
    Os problemas do Brasil, colômbia é México são os mesmos. Todos tem estado de terceiro mundo. Nenhum órgão público funciona. Outro dia ví a PM dando palestra antidrogas para crianças. Eles acham que estão combatendo, mas na verdade estão fazendo propaganda das drogas. Não aguentei e disse ao coordenador, já que a pm fazia palestra antidrogas, nós deveríamos contratar médicos e psiquiatras para fazer patrulhamento ostensivo.
    Podes crer, o maior lobby contra a liberalização da maconha é a polícia. Não terão mais os micros para encher as celas de soldadinhos do crime.

  96. Chesterton disse:

    meus comentários se perderam na pane.
    Uma coisa, dependência química não é fissura.
    Existe um trabalho interessante onde 80% dos dependentes químicos (ou assim auto-denominados) deixaram de usar a substância em troca de 500 libras. Logo, não eram tá dependentes assim. Não eram tão “doentes” assim.

  97. fabio disse:

    Chesterton, eh provavel que voce esteja lucrando com o comercio ilegal de drogas.
    Quem inventou a proibicao das drogas o fez com o claro proposito de torna-la monopolio do crime organizado, no caso do brasil e dos eua, principais mercados, chefiado pelo estado .
    Entendam que o estado brasileiro e o americano sao inimigos do cidadao, sempre foram, historicamente. não haverá nesses paises nenhuma iniciativa seria dos governos federais para acabar com um negocio bilionario que pertence ao proprio estado .
    Seres humano sempre usaram drogas, sempre vao usar. Nao existe metodo para alterar o comportamento humano. O que existe sao metodos para usar o comportamento humano a seu favor. No caso em tela, o estado usa o habito humano simples e obvio, o de se drogar, para escravizar a sociedade inteira. Simples não? Só quem esta lucrando com a situacao é capaz de defende-la.

  98. carlos contribuinte disse:

    Fabio.
    O estado do Brasil é bem diferente dos EUA. Lá o estado funciona. Ao invés de fazer a guerra contra as drogas lá, fizeram aqui, na américa latina. Todo dia a polícia desce os morros cariocas com dois ou três neguinhos mortos. O méxico virou uma los angeles dos anos 20. Gangster tomando conta de cidades inteiras. Estado de primeiro mundo serve a sociedade, enquanto no terceiro mundo ele se serve da sociedade.
    Não há como discutir o tema drogas sem dechavar a economia. Tudo no mundo é interesse econômico.

  99. Chesterton disse:

    Se eu estou lucrando, onde é que pego a grana? Deixe de ser intelectualmente desonesto e fale claramente. Apenas papo de quem não tem noção não é argumento.
    E sobre o Climate Gate, nada?

  100. fabio disse:

    chesterton,
    isso eh investigacao basica.quer saber quem eh o culpado? procure quem esta ganhando dinheiro com a situacao.
    Só quem lucra com o trafico de drogas no brasil, a longo prazo, sao as autoridades que o controlam. Traficantes morrem e sao substituidos, usuarios tambem. O dinheiro flui para os policiais, juizes e sobem as hierarquias, provavelmente ate o topo. Quem fica com o lucro nao aparece, e permanece no negocio por muito tempo .
    Voce acha que se trata de incompetencia das autoridades em combater o problema? ou as autoridades estao lucrando , e deliberadamente agindo contra o interesse da sociedade?
    Voce me acha gente sem nocao? Desonesto ?
    Desonesto eh vender a ilusao de que se pode mudar o comportamento do usuario.

  101. denis rb disse:

    Uau,
    Bela descrição, fabio. Concordo inteiramente.

  102. Edward Wilson Martins disse:

    Bom artigo, excelente até. Mas posso informar porque trabalho nessa área, que no Brasil não são poucos os que vão para a cadeia porque estão portando uma quantidade ínfima de maconha ou cocaína. Isso não é verdadeiro, Denis, muito pelo contrário. A condenação, a denominada “tolerância zero” está sendo aplicada com muito rigor, especialmente no estado de SP. Cidadãos pegos com quantidades absurdamente pequenas são indiciados como traficantes, se algumas circunstâncias, também as mais absurdas, estiverem presentes tipo estarem com algum dinheiro, na companhia de adolescentes, etc e principalmente se o cidadão tiver antecedentes criminais. Daí ficam lá na escola do crime, na cadeia, presos por vários anos.

  103. roberto disse:

    É incrível o estado gastar dinheiro para proibir pessoas adultas de se destruirem. Maconha e Cocaína não são piores que alcool e fumo.
    Brigar contra as drogas é igual a lei seca, não adianta, o estado compra brindados os traficantes compram bazucas, não vamos criar um Vietnã dentro do Brasil (copiei isto de uma entrevista de um ex-policial americano).
    Liberem as drogas, os adultos que quiserem se drogar que se ferrem, vamos perseguir quem frauda o leite que alimenta nossas crianças, para estes PENA DE MORTE.

  104. Chesterton disse:

    Fabio, acusações desse tipo precisam de grandes provas. Acusar genericamente assim, sem dar nome aos bois , faz parte de estratégia de difamação, nada mais. Não há culpa coletiva. A culpa não é da sociedade, do capitalismo, da coletividade que não compreende o usuário.
    De qualquer modo, você incorre em crime quando acusa sem provas, vê bem se isso não complica a vida do blogueiro, que se entusiasma com suas acusções sem provas de modo irresponsável. Ele vai acabar processado pela AMA.
    Bem, em Cuba mudaram o comportamento do usuário, 7 anos de cadeia sem conversa.
    Roberto, a cocaína e o crack são um problema imensamente maior que o álcool.

  105. carlos contribuinte disse:

    Chesterton. No tópico do ambientalismo tivemos possições parecidas, mas não aqui.
    Voce falou em provas das afirmações de corrupção, em ser processado pela AMA???.
    Era só o que faltava. Falar mal do estado ou do funcionalimo e ser processado. Faz me rir como chico buarque. O estado brasileiro é caríssimo e não vale nada. No denarc o prazo de validade de um policial não passa de 1 ano. Essa afirmação partiu de um delegado e foi publicada na época.
    No mais, nenhuma entidade tem legitimidade de processar alguém por acusações genéricas a profissionais associados. Imagine, vc fala que mal de advogado e a oab te processa.
    Denis, esse tema é muito bom, não recue.

  106. Rafael Lemos disse:

    É uma pena que normalmente os envolvidos em debates não estejam dispostos a mudar de opinião, e o discurso seja corrompido pelos egos. O texto é um dos melhores que já li em Veja, e acho que infelizmente você está na contra-mão do pensamento dominante na revista. Seria bom que um texto seu tivesse destaque ao invés dos textos que andaram saindo, no estilo “Tropa de Elite”.
    Queria fazer alguns comentários: conheço muito mais famílias distruídas pelo álcool que por drogas; lsd não leva à agressividade como cocaína e os demais estimulantes; o Direito Penal é regido por um princípio chamado Intervenção mínima, por isso não são válidos argumentos que citem o furto o omicídio, a questão é exatamente achar o limite entre ilícitos penais e administrativos, mas se uma questão pode estar a ponto de ser descriminalizada sem ao menos configurar ilícito administrativo, entendo que é flagrante a desnecessidade e inconstitucionalidade do tipo penal.

  107. Ricardo disse:

    Excelente teu artigo, Denis. Poderias ensinar as virtudes do bom jornalismo à teus colegas blogueiros de Veja: Mainardi, Azevedo e Nunes.

  108. Chesterton disse:

    Rafael, eu tive a familia quase destruída pelo álcool, não é por isso que vou ser favorável ao abuso de outras sunstâncias. Onde está a relação? Você acha que o consumo de canabis e coca vai ajudar a recuperar alcoolistas? Não entendi.
    Carlos, fiz um mote. Mas sim, se alguem aqui faz apologias a drogas , o que é crime, e o dono do blog não apaga o comentário, ele pode ser responsabilizado pela opinião do comentarista.

  109. Rafael Lemos disse:

    Não estou defendendo o uso, primeira coisa. Aliás, o tema não é uso, é criminalização, mudar de assunto é uma armadilha velha e chata.
    Comparo os danos do álcool com os das outras drogas pra destacar a incoerência em se proibir um e liberar outro. No entanto, não posso afirmar nada por não ser estudioso do assunto, mas há estudiosos, como Stanislav Grof que estudaram o LSD como alciliar no tratamento de alcolismo, com grande sucesso, segundo eles.

  110. Paulo disse:

    Nossa, maravilhoso artigo…

    Pena que as chances de descriminalizar ou legalizar a maconha são mínimas, até prq a maioria da nossa própria população tem pouca inteligência e é hipócrita.

  111. carlos contribuinte disse:

    Imagine um pais em que a dinamite é liberada e o traque proibido. Isso acontece com a maconha. Perto da pinga que é uma dinamite, a canabis é um traque.
    Quem esta sob efeito da maconha consegue guiar, trabalhar, trepar, etc.., já sob efeito do alcool o cidadão não consegue nem escrever o próprio nome.

  112. Monica disse:

    Denis, no seu texto gosto particularmente da frase”(…) na hora h, o moralismo sempre ganha a discussão. Sabe por quê? Porque grita mais alto”. Importante sua ressalva quanto a necessidade de que a discussão aconteça de forma menos “histérica” e importante, ainda, visibilizar e publicizar o debate. Não sei como tem acontecido no restante do pais, mas em Salvador acontece no dia 05/12 a “Caminhada Pelo Respeito à Diversidade, Cidadania e Direitos Humanos na Elaboração de Políticas Públicas e Leis sobre Droga” (marcha da maconha, promovida pelo grupo ANANDA / Ativistas, Redutores de Danos e Pesquisadores Associados). Cabe ressaltar que a solicitação para realização do evento foi julgado pela 1ª Câmara Criminal e que há Habeas Corpus concedido – TJBA – HC 34358-4 /2009 – para que as pessoas estejam nas ruas defendendo democratica e livremente suas posições, opiniões e posicionamentos políticos.

    E é óbvio que estarei lá, não só enquanto profisional de saúde, mas tbm em defesa da liberdade de cada um em conduzir sua vida e fazer escolhas.

    Um dado, do relatório do Ministério da Saúde (2006) sobre prevalência em AD: fumo e álcool são dez vezes mais prejudiciais à saúde, em termos de saúde coletiva, do que o CONJUNTO das
    drogas ilícitas, com elevada prevalência de solventes e benzodiazepínicos.

  113. Felipe M disse:

    Chest vc não entende nada mesmo. Queremos mudança nas leis, que estão erradas e servem ao crime e a criminalização das pessoas. É ridiculo discutir com vc, mas a erva tá aqui antes de nossa idiota sociedade cristã!!!!

  114. Gândavo disse:

    Sempre é engraçado observar ataques a “nossa idiota sociedade cristã” por parte daqueles que, de barriga cheia, se beneficiam dela.

  115. Rafael disse:

    Pois é, o sujeito podia ir fumar um baseado numa iluminada sociedade islâmica, onde ficaria anos preso ou seria condenado à morte. No Brasil (exemplo de “sociedade idiota cristã”) hoje só falta a polícia dizer “desculpe aí sr. drogado, ter atrapalhado seu momento de lazer…”

  116. Felipe Maddu disse:

    Vocês são apóstolos do Edir ou do casal Hernandez?? Eu só quis exemplificar que a erva existe antes de nossa sociedade, os chineses já fumavam há 3000 anos atrás. Eu devia até falar outro nome, sei lá sociedade industrial.

  117. denis rb disse:

    Olha só:
    Alguém aí falou sobre eu ser processado por apologia ou algo assim. Caso alguém ache que algum dos comentários neste blog faz apologia ou incorre em algum comportamento criminoso, por favor me avise (me diga a data e o horário do comentário, para que eu possa localizá-lo). Se eu avaliar que a reclamação procede, deleto o dito cujo, sem a necessidade de eu ter que ir prestar depoimento em alguma delegacia.

  118. Gândavo disse:

    Você é apóstolo do Marcola ou do Fernandinho Beira-Mar? Há três mil anos também se faziam sacrifícios humanos, se praticava canibalismo e havia escravidão, e daí?

  119. Felipe M disse:

    Gândavo, não tem nada a ver o que vc disse. Há 3000 nem existia tráfico, só a partir da criminalização, o que fez surgir os traficantes. Santa ignorância…Good bye, vamo pro outro post!

  120. Rafael Lemos disse:

    Auxiliar, auxciliar, aussiliar, ausciliar, auciliar, alciliar, alciliár, halciliár…
    Transmitem exatamente o mesmo significado!
    Então a questão não é de linguagem.
    Logo posso defender minhas idéias mesmo tendo sérios problemas com a ortografia.
    Quando falta argumento contra o argumento, alguns argumentam contra o argumentador. O que não entendo é pra quê se inserir em um discurso se não se está interessado em aprender com ele, mas isso não é problema meu.
    De qualquer forma, vou aproveitar o comentário e transformá-lo em algo positivo.
    Se a ortografia não é uma questão semântica, o que seria?
    Nosso alfabeto possui várias formas de representar alguns fonemas, o que transforma a ortografia, na minha opinião, em algo puramente convencional. Achei interessante, porque a temática aqui e exatamente questionar uma convenção, não é?
    Mas se a regra existe, e não é respeitada, denota falta de conhecimento, não descordância quanto à regra; logo erro de ortografia costuma ser fruto de ignorância, e serve pra classificar o agente que erra como ignorante. E é impressionante como esse mecaniso é difundido em nossa sociedade, mesmo que possam existir causas para a dificuldade com a ortografia que não a falta de leitura.
    Além do mais, leitura não é a única fonte de conhecimento,e, por mais ignorante que alguém seja, sob o prisma de determinada pessoa, mais ignorante é esta pessoa se acha que não tem nada a aprender com este alguém!
    As regras precisam ser dessacralizadas. A humanidade é escrava do milenar golpinho de se dizer o escolhido, ou o povo escolhido. O direito se misturou a religião, desde a Lei das 12 Tábuas, dos 10 mandamentos, passando pela confusão entre monarca e Deus encarnado…
    Não há nada de ontológico no Direito nem na ortografia, são pura convenção!
    Ambos devem ser reconsturuídos com algum fundamento racional.
    O Direito, basicamente, substituindo a religião pela Ética, o que parece muito difícil, mas muitos tentamos contribuir pra que isso ocorra.
    A ortografia deveria simplesmente ser alterada para que só usássemos um símbolo pra cada fonema, solução absurdamente fácil, no entanto me parece inatingível por falta de interessados. A reforma ortográfica muito pouco ou nada fez nesse sentido, e ainda acabou com o trema, que tem um uso racional.
    Será que é porque ninguém pensa nisso? Ninguém tem problema com ortografia? Ou gostam da distinção entre os que sabem e os que não sabem “escrever direito”?

  121. carlos contribuinte disse:

    Rafael. Concordo com vc. Sou ruim de portugues e não me esforço para aprender. Não entendo porque ainda usamos ch ao invés de x, ou ss ou ç. Porque só o ph virou f ?

  122. Rafael Lemos disse:

    É sempre bom lembrar que o Álcool está na Bíblia!
    Pergunta aos que são contra a descriminalização das drogas:
    Você defende a criminalização do álcool? Por quê?

  123. Rafael S. disse:

    Excelente artigo! Mas vale ressaltar que a legalização das drogas no Brasil só iria piorar a situação da população visto que o sistema público de saúde não está preparado para demanda de novos usuários.

  124. Netovski disse:

    A política de repressão teve sua difusão embasada em argumentos preconceituosos e hipócritas. Só para termos uma noção, no Brasil de décadas passadas, elaborou-se relatórios alegando que o uso da maconha seria uma vingança dos negros, ou seja, uma resposta à escravidão (a famosa “Vingança dos Derrotados”). Nos EUA, a xenofobia (contra os negros e mexicanos) foi consubstanciada na justificativa dada pelo governo na tentativa ineficaz de proibir o uso do cannabis.
    O que poucos sabem, é que o cânhamo já foi cultivado no Brasil colonial (o açúcar estava extremamente desvalorizado), e em tempos passados, já chegou a representar 20% da economia munidal.
    Muitos interesses econômicos giram em torno do psicoativo maconha… Suas propriedades medicinais deixaram, há tempos, de serem latentes ou duvidosas; e, por mera ironia do destino, a indústria mais rentável do EUA é a farmacêutica. Além disso, com a insuficiência do sistema prisional norte-americano, ouve um verdadeiro “boom” nas construções de prisões privadas, para que os “perigosos maconheiros” fossem privados de sua liberdade.
    É muito estranho que, há vários anos, relatórios e relatórios vem sendo elaborados (do prefeito de NY ao presidente dos EUA) abordando a desnecessidade da proibição da maconha, e mesmo assim ela continua sendo proibida.
    É muito estranho a falta de argumento dos proibicionistas… é muito mais fácil afirmar que o consumo da cannabis é simplesmente imoral.
    É muito estranho que o cultivo do cânhamo seja proibido juntamente com o da maconha. A fibra do cânhamo é 8x mais resistente e 4x mais durável em comparação com a de algodão, sem falar que para se cultivar algodão é necessário o uso abusivo de pesticidas, os quais contaminam rios e lagos, acabando com o ecossistema.
    É muito estranho que, mesmo após milhares de especialistas alegarem que a cannabis é uma das substâncias mais seguras do mundo (nunca causou uma só morte e não existe um caso de câncer atribuído diretamente à maconha) e o mito de que ela mata seus neurônios (te deixando imbecilizado) tenha sido quebrado há décadas, após o desmascaramento da experiência de Heath/Tulane, milhões de pessoas são privadas de seu livre arbítrio.
    Cultivo caseiro é redução de danos!
    E quando você admite publicamente que fuma maconha, você pode perder seu emprego, sua família e sua honra. Agora, se você declarar-se homofóbico e preconceituoso como André Puccinelli, ao difamar Carlos Minc, ninguém faz pressão pra que você seja sancionado… basta um pedido de desculpas e tá tudo tranquilo.
    A verdade é que o falso moralismo está localizado nas entranhas da sociedade…
    O que ocorre é simples… A CULTURA ABAFOU A REALIDADE, E A SOCIEDADE APRESENTA UMA ENORME RELUTÂNCIA AO CONHECIMENTO.
    Aos que apoiam com unhas e dentes a repressão, recomendo que assistam o documentário “The Union – The Business Behind Getting High” ——–> http://www.megaupload.com/?d=1UT17KTY
    Não seja um alienado e tente se informar, pois uma mentira dessa proporção não poderá ser sustentada por tanto tempo.

  125. denis rb disse:

    Vc fez um ótimo resumo, Netovski. Só não assino embaixo da sua afirmação de que a maconha seja “uma das substâncias mais seguras do mundo”, porque não tenho critérios para comparar com todas as outras substâncias que existem, e também porque acredito que a segurança das substâncias depende mais do uso que fazemos delas do que de alguma característica intrínseca. Tem sim gente que se prejudica demais com o uso de maconha – e afirmar que ela seja absolutamente inofensiva, na minha opinião, é no mínimo passível de discussão.
    Mas todas as suas afirmações sobre o fundo racial da proibição e a oposição da grande indústria do início do século 20 são bem embasadas. Obrigado por contribuir!

  126. José Bueno disse:

    Legalizar a maconha é uma coisa,legalizar drogas químicas é outra história,drogas químicas são um verdadeiro perigo aos usuários que passam a viver em função da droga,não trabalha,não come,não se cuida,perde a graça pela vida,vive em depressão,adquirem distúrbios diversos,enfim sou a favor da legalização da maconha e radicalmente contra qualquer outra droga…

  127. luiz disse:

    Eu sou a favor da legalizacao da maconha aqui nos EUA.Eu moro em massachussetts ,tenho 47 anos ,nao bebo, nao uso drogas, nao fumo cigarro, nao jogo e posso ser considerado um exemplo de homem de familia.Meu unico vicio e minha familia e fumar um baseado de vez em quando.Eu ja fumo maconha ha mais de 30 anos e nao acredito que o uso tenha me prejudicado.O maior problema e o preco da erva aqui.U$ 160.00 por 28 gramas.E caro pra cacete!Esse e o preco da ilegalidade.Eu nao consigo aceitar a ideia de uma erva ser proibida.Tem neguinho bebendo e matando e o governo continua faturando com os impostos do alcool.A legalizacao e taxacao da maconha me parece ser a unica decisao sensata.Os que sao contra sao um bando de hipocritas ignorantes.A situacao e tao ridicula que aqui existem revistas sendo publicadas ha mais de 35 anos que tratam exclusivamente da erva.Ou seja,a erva e proibida mas a revista pode.

  128. jose carlos disse:

    se querem liberar as drogas que se danem,só espero que liberem tb o porte de armas,para eu poder acabar com drogados que sustentem traficantes,pau no c…. de drogado,vão trabalhar,raça imunda.

  129. HILLARY quadrinha disse:

    A LEGALIZAÇÃO DA MACONHA É A MELHOR COISA Q ESTÁ PRA ACONTECER NO BRASIL,
    CASO ELA FOSSE LIBERADA ANTES DA COPA DE 2010 , IRIA DEIXAR OS MACONHEIROS MAIS FELIZES IRIAMOS PASSAR MAIS LOUCOS AINDA.
    MAIS DEIXO UM RECADO PARA TODOS E Q É VERDADE:
    MESMO SEM LIBERAR A MACONHA CONTINUAREMOS USANDO ELA!!!!

    ” LEGALIZAÇÃO DA MACONHA”

    A ERVA É 10 E NÃO TEM PRA NINGUÉM!!!!

  130. NIINYZINHA quadrinha disse:

    a maconhaa teem q seer legalizada.

  131. ALEMÃO,BRUNO,SAMUEL,VITÃO,MURILO,HUGÃO,PEDRINHO,CHIBIU,FINADO JHON LENON,ESTRANHO,DANILINHO,LUCAS,INDIO,LOQUINHO EM MEMÓRIA DA quadrinha disse:

    A LEGALIZAÇÃO DA MACONHA TEM QUE ACONTECER DE UM JEITO OU DE OUTRO PORQ
    SOMOS MACONHEIROS, E SEM A MACONHA NÃO IREMOS VIVER,FODASSE SE NÃO
    LEGALIZAR A MACONHA É NOSSA NOIVA E NÓS NUNCA IREMOS NOS SEPARAR!!!

    “LEGALIZAÇÃO DA MACONHA”…

    MACONHA
    E
    TODOS DA QUADRINHA!
    PARA SEMPRE!!

  132. DANONE,NIINY,BIA,NANA,TATHA,MARI,TAIS,BEATRIZ,TAIS,ANA PAULA,TAMI,CAROL EM MEMÓRIA DA quadrinha disse:

    A LEGALIZAÇÃO DA MACONHA TEM Q ACONTECER URGENTEMENTE NÓIS DA quadrinha NÃO
    CONCEGUIMOS VIVER SEM A MAROLA,AMAMOS A DO VERDE MAIS DO Q NOSSA FAMILIA
    ETERNA ERVA….
    “”LEGALIZAÇÃO DA MACONHA””
    NÃO TEM COISA MELHOR….
    MACONHA
    E
    TODOS DA QUADRINHA!!!

    NÓS AMAMOS A MACONHA…………

  133. Italogcc disse:

    Não consigo entender como o caso Geyse ganhou tanto repercussão.
    Ela, que fica se passando de vítima, merecia sim ser punida com suspensão da mesma forma os alunos que promoveram a arruaça na Faculdade.
    Depois do fato, apareceram meio mundo de grupos com protestos sem sentido.

    Enfim, para o Brasil de amanhã há ainda muitos temas polêmicos e importantes a serem discutidos. O que eu gostaria de deixar a todos é análise dos dois lados da moeda. Gostaria de deixar também a observação das novidades sociais e tecnológicas dos últimos tempos, lembrando que nem tudo que é novo é melhor do que já existe ou que já esteja consolidado.

  134. Letuza disse:

    Olá,Denis Russo

    Execelente sua matéria, raramente a imprensa tem se posicionado de fato ou responsávelmente quando o assunto é descriminilização e combate ao crime organizado. Ambos são necessários!
    Com certeza sua reportagem vai me ajudar muito, os dados sobre o que deu certo e essas coisas em geral, principalmente sobre o Brasil, são bem difíceis de achar… estou desenvolvendo um trabalho acadêmico sobre o assunto.
    Muit obrigada

  135. alisson disse:

    muito bom esse debate, chapado voces entenderiam um pouco melhor essa situação, e imagine se todos vivessem chapados,e imaginem se eu tivesse trabalhando, meuuuuuuu… o que meu chefe ia falar, deveriam aprovar o uso de cannabis antes do trabalho……
    e antes de dirigir….
    e ao acordar….
    abraços queridos,

    ahhhhhhh aaaabreeee teu oooolhooooo magnataaaaa….

  136. pgl7h274 oliveira disse:

    Só os demagogos e falsos moralistas são contra a discriminalização das
    drogas, todos que são contra, é porque estão lucrando com a proibição ou
    são inconciêntes e ignorantes e tem medo da realidade.Porque desde que a
    humanidade existe tambem existe as drogas. Se proibir fosse a solução no
    Brasil a situação já estaria resolvida

  137. Augustus disse:

    É como a Suécia, país que proibe a prostituição, mas permite a pornografia, sendo que a palavra pornografia quer dizer “escrita das prostitutas”. Nada contra a pornografia e a Suécia.

  138. Luiz Inacio Cannab Sativo disse:

    Adorei essa reportagem, cada vez chega mais perto a legalização da maconha, só quero a maconha para meu lazer nada de fumar no trabalho nem ao volante o bom da maconha é fumar em casa depois do trabalho com um belo jantar na mesa e uma musica pra relachar, por min pode proibir alcool e tabaco, a Cannabis é uma das drogas mais faceis de se controlar o uso, já tive algums problemas com a erva não exatamente com ela mas com o povo, que não a conhece, digo que o que se pode chamar de vicio em maconha é a mesma vontade que um adolecente tem de fazer sexo, ou jogar um video game, basta a pessoas se controlar.
    E ISSO AI, LEGALIZE A GANJA JÁ! CHEGA DE PRECONCEITO, TRAFICO, REPRESSÃO, VIOLENCIA E CORRUPÇÃO QUE ACABA DEFAMANDO UMA PLANTA QUE NÃO É MAIS NADA QUE UMA DROGA MEDICINAL E DE LAZER. PAZ A TODOS, E ESTUDEM OQUE REALMENTE É A TAL MACONHA QUE ESPERO UM DIA SER CHAMADA RESPEITOSAMENTE DE CANNABIS!

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