A floresta e a coragem

fitz

Klaus Kinski, que interpretou Fitzcarraldo

Se você quer tirar o diretor alemão Werner Herzog do sério, diga a ele que a natureza é boa.

“A natureza não é boa nem má. Ela é indiferente. É indiferente a nós, ela não se importa se vivemos ou morremos”, diz ele.

Em 1982, Herzog dirigiu “Fitzcarraldo”, um épico alemão filmado no meio da floresta amazônica, sobre um aventureiro irlandês que, no século 19, saiu de navio em busca de fortuna na selva. Na cena mais famosa, Fitzcarraldo e sua tripulação, vendo o caminho bloqueado à sua frente, tiram o navio do rio, empurram-no morro acima e depois morro abaixo, derrubando a floresta, para chegar a um outro rio.

Herzog, que é um doido, resolveu que o único jeito de a cena ficar realista era realmente cortar a mata e empurrar o navio, reproduzindo o que tinha acontecido um século antes. A equipe de filmagem se converteu então numa expedição do século 19, seus facões zunindo na mata, imundos de lama, cercados de mosquitos, avançando na floresta.

A uma certa altura uma cobra venenosa surgiu na mata e mordeu o pé de um membro da equipe de filmagem que tinha uma serra elétrica nas mãos. O trabalhador não teve dúvidas: imediatamente baixou a serra contra a própria canela, perdendo o pé e salvando a vida.

Florestas ensinam isso para as pessoas: a ter coragem. Um covarde desses da cidade teria morrido aquele dia.

Mas… viver sem um pé?

Não é tão ruim quanto parece. Há pesquisas que mostram que, quando perdem um membro, as pessoas tendem a sofrer bastante. Mas o sofrimento dura semanas, no máximo alguns meses. Depois os índices de felicidade tendem a se estabilizar mais ou menos nos mesmos níveis de antes do acidente. (Aconteceu exatamente isso com a minha mãe, quando ela perdeu três dedos num acidente de cozinha. Ela ficou triste por dias, depois reagiu e hoje nós da família sempre esquecemos que ela tem sete dedos.)

Na semana que vem, os países do mundo vão se encontrar em Copenhague, para decidir se vão cortar o pé das mudanças climáticas ou covardemente esperarão o veneno se espalhar pela atmosfera. A maioria de nós humanos não se julga corajoso a ponto de agir como o trabalhador da equipe de Herzog. Mas coragem se aprende, se treina. Dá para se preparar para ter coragem. Coragem é uma mistura de saber o que é certo com uma boa oportunidade. Todos nós somos capazes de ser corajosos, se quisermos.

A Floresta Amazônica tem o poder de ensinar os homens a serem corajosos, como aquela equipe alemã de cinema provou em 1982. Deixemos ela em pé, não porque a natureza seja “boa”, mas porque precisamos dela. Deixemos ela em pé para os cineastas malucos do futuro. Se a Amazônia não for destruída, nós, brasileiros, fazemos nossa parte no desafio mundial de reduzir as emissões de carbono.

O que você pode fazer para ajudar? Boicotar carne da Amazônia ou que não tenha garantia de origem certificada. Boicotar madeira ou qualquer produto florestal sem o selo do FSC. De quebra, usar menos seu carro, ou vendê-o e comprar uma bicicleta. Consumir menos, reaproveitar mais, fazer os produtos durarem. Parece difícil?

Ah vá. Difícil é cortar o próprio pé.

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104 comentários
  1. Rafael disse:

    Excelente artigo Denis.

    “Cortem o próprio pé”. É, portanto, no seu ponto de vista, razoável pedir às pessoas que mudem de hábitos quando se trata de comer carne ou andar de carro, mas é absolutamente impossível conseguir e desumano pedir que alguém pare de fumar maconha, entendi certo?

    Mais ainda: Fumar maconha é importantíssimo e a liberdade de fazer isso é sagrada, mas é importante sermos corajosos e paramos de andar de carro e de comer carne?

    Isso tudo sem dizer o seguinte: Você se importa em explciar porque, afinal de contas, as revelações do ClimateGate não impactam em nada a “ciência” que explica que bifes e sacolas destroem o mundo?

  2. Chesterton disse:

    Apesar de fantasioso (não há cobra venenosa climática) seu artigo é coerente. Andar a cavalo, sujando de esterco as cidades, não comendo carne e fumando um baseado para esquecer o mau cheiro. Denis, você é humorista e não sabe.
    Nas primeiras páginas de Superfreakonomics é narrado como o aparecimento do carro fez com que as cidades, antes com 30 cms de bosta em todas as ruas, ficou limpa. E não, dizem eles, não tiveram que inventar um cavalo que produzisse menos esterco. Sim, o preço doe sterco 9adubo)despencou e assim que os carros aparecere]am, subiu de novo.
    Sim, a defesa da Amazonia é fundamental, mas discursos histéricos como esse apenas afastam as pessoas sensatas da causa.

  3. Samantha disse:

    Chester vc adora bancar o bonitinho, né?
    Só pode ser isso!

  4. Maira disse:

    Denis, ótimo texto, como sempre. Assino seu blog, leio tudo, daqui do meu cantinho, sem me pronunciar. Só desta vez resolvi comentar para deixar minha opinião registrada e dizer que adoro, mesmo, este espaço.

    Abraços e obrigada pelos textos!

  5. denis rb disse:

    Obrigado você, Maira, pela audiência!

  6. juber disse:

    Caro Denis,vou dar uma sugestão para diminuir o desmatamento na amazônia.Basta o governo baixar um decreto proibindo exportação de madeira,deixando-a apenas para uso doméstico.Os grandes desmatadores são madeireiras coreanas,japonesas e muitras outras.Se é para produzir alimentos,inclusive carne sou a favor de desmatar.O que não dá é desmatar só para tirar a madeira e não colocar nada no lugar.Outra coisa se não é para desmatar em hipótese alguma o Ibama poderia receber pelas guias de desmatamento.A impressão que eu tenho é que só não pode desmatar sem pagar,pagando pode.Na região que eu moro tem muitos ceramistas que usam madeira em seus fornos e os caminhos pegos sem guia paga são retidos mas os com guias pagas tem trânsito livre.Por isso que eu digo que o negócio é DINHEIRO na mão do governo.

  7. Leonardo Xavier disse:

    Denis,
    eu acredito que mudanças de hábitos sempre envolvem dois fatores: educação e debate com sociedade. Só pela natureza dos fatores envolvido já sabemos que esse é um processo lento. A situação se agrava mais ainda quando percebemos que estes dois fatores tem sido bastante negligenciados no Brasil. Afinal, nós temos um governo que vive chamando a mídia de golpista sempre que algum debate é levantado. E a qualidade da nossa educação nem se fala. Portanto, eu acredito que as respostas do Brasil para os problemas do aquecimento globalserão lentas. Fato que é bastante triste, nota-se que será mais uma oportunidade que tivemos para sair na frente que foi desperdiçada pela falta de investimento em educação e pela falta de uma cultura de debate na nossa sociedade. No entanto, eu concordo que realmente um dos modos da sociedade colaborar efetivamente é através do consumo inteligente e sustentável.

  8. Paulo disse:

    Denis, muito legal seu texto, é bem por aí mesmo.

    E acrescento, ainda, como muito bem colocou Lester Brown no programa “Roda Viva” de segunda passada: “quem está em perigo de extinção é o homem, e não a terra”.

  9. Felipe M disse:

    Aqui na cidade a primeira coisa que deveríamos fazer é comprar a bike, sem medo. Quanto a Amazônia eu sou um pouco pessimista. Há muitos interesses escusos, políticos locais que devastam em nome do “desenvolvimento”. Acho que as escolas deveriam, claro, depois de evoluir no ensino, ter educação ambiental.

    Ps: Denis, no meu blog entrevistei o Marcelo Siqueira, cicloativista e bike repórter. Dê uma olhada. Abraço

    http://felipemaddu.blogspot.com/
    http://felipemaddu.blogspot.com/

  10. Felipe M disse:

    Essa é por Rafael, já que para o Chest, que é o verdadeiro humorista – quer dizer, um humorista de meia tigela – não há remédio. Revelações do Climagate? Deve ser um charlatão que quer aparecer, algum Reinaldo Azevedo da climatologia. A questão não é fumar maconha, é a criminalização e o cerceamento do direito individual de consumir uma…Planta. Não sei se vc sabe, mas é apenas uma planta. O problema foi a lavagem cerebral de anos à fio, que fez com que políticos com interesses econômicos conseguisssem a proibição. Essa proibição que criou o “mito”, o “monstro” em torno da erva. Fico imaginando quantos anos tem vcs. 68, 87 ou é só a mentalidade que é antiga?
    Continuando…
    Eu (ainda) como carne, mas vc sabe o que o animal sofre nas mãos dos humanos especistas? Nem queira. De carro eu nem vou falar. No começo poderia ser algo que representava uma “evolução”, mas agora nessas cidades engarrafadas, com cada carro com apenas um indivíduo dentro cuspindo fumaça e sentindo-se o dono da rua, enquanto o povo lá no buzum, tudo no aperto. O bom da bike é ver esse engarrafamento todo e passar por ele na boa e ainda dar um tchau.

  11. Chesterton disse:

    Ser comparado ao Reinaldo Azevedo é uma honraria que jamais poderia esperar. Obrigado. De coração.

  12. Rafael disse:

    >> deletado por conter ofensas <<

  13. jorji disse:

    Evolução é um mecanismo irreversível, automóvel, grandes fábricas, desmatamento para produção de energia(alimentos), uso de drogas cada vez mais potentes, etc, temos que evoluir muito, mas muito mesmo, para nos tornarmos algo um pouco melhor, se não melhorarmos como espécie, se não incorporarmos um pouco de sabedoria em nossas atitudes, esqueçam a amazônia. O que falta é mais equilíbrio, em todos os sentidos, desmatar uma floresta como a amazônia, é absoluta falta de inteligência, mas sejamos realistas, Marte é o retrato do que a Terra será um dia, não temos futuro , somos uma espécie que caminha de forma irreversível para a extinção, mas o tempo que nos resta, dependerá muito da forma que evoluirmos.

  14. Rafael disse:

    Dúvida;

    Se um certo indivíduo é intelectualmente desonesto, como eu digo isso sem melindrar ninguém?

  15. Renee Voltaire disse:

    Haha acho legal que a Veja tem Reinaldo Azevedo e Denis Burgierman, no mesmo site lemos estas coisas todas… O que me agrada em saber disso e que nem um nem outro fazem o tao conhecido ‘jornalismo a soldo’, assim defendem suas ideias e causas (consideremos elas boas ou ruins) apenas por acreditarem nelas…

    Achei bacana o post resgatar o filme de Herzog, adoro cinema e vivi na Amazonia ate os 16 anos, entao pra mim esta obra e prato cheio.

    O que me incomoda nas analises do Denis e que muitas vezes o discurso ‘blablabla emotivo’ as vezes ate catastrofista suplanta a logica…

    Sobre a causa ambientalista em si, acho que devemos sim tomar medidas para tornar nosso modo de vida no planeta mais inteligente… Mesmo que as evidencias do aquecimento global causado pelo homem sejam controversas, ninguem pode argumentar que a poluicao e a destruicao do ambiente sejam positivas para a humanidade. Podemos citar como exemplo, entre muitos outros, o fato de que viver em uma cidade poluida gera comprovadamente inumeros problemas de saude, alem de ser desagradavel.

    Nao acho que o mundo va acabar em 10, 20 ou 100 anos se continuarmos com logica do desenvolvimento atual, mas estou convicto que ele sera um lugar menos apropriado para a vida humana, alem de muito menos belo e muito mais artificial, o que por si so vai privar inumeras geracoes de um aprendizado bem ‘humano’ proporcionado pela natureza (quem gosta do contato com a natureza certamente sabe do que falo)…

    E qual seria a nova logica de desenvolvimento? Quais as metas? quais os novos paradigmas? Nao posso responder, mas garanto que sem a falacia das teorias do fim do mundo, o debate ficara menos histerico e mais produtivo…

  16. Francisco Magalhães Barros Junior disse:

    Tenho uma sugestão para o Sr. Russo. Quel tal cortar seu pescoço fora, a humanidade não precisa de cabeça tão péssima, não é mesmo? Sobre o filme citado, veja só a destruição da mata ciliar, tudo por um filme ridículo. Cacique tora pau nele.

  17. Felipe Maddu disse:

    Não Chest, tá difícil. Eu comparei com o cara do Climagate po, não com você. Porque eu acho que deve ser uma pessoa que argumenta sem evidências, ou só pra “causar”. Pelo visto o Rafael queria até me xingar, fail! O problema é de visão, a gente quer minimizar o impacto da humanidade pra outros que virão poderem usufruir (sustentabilidade). É algo básico. Se a humanidade acabar, o universo não está nem aí, nem a própria Terra, mas o clima perfeito pra vivermos direito esta se acabando na velocidade de uma ferrari.

    ps: Francisco Magalhães, só podia ter magalhães no meio(rsrsrs), tb achei meio idiota a ideia do cara do filme, mas cortar a cabeça do Denis, vc exagerou. Nem a do Rei, do Nunes ou Mainardi precisamos cortar, assim eu teria um motivo à menos pra rir da incapacidade intelectual do pessoal. Todo devem ser ouvidos, democracia cara.

  18. denis rb disse:

    Renee Voltaire,
    Olha só: também não acho que o mundo vai acabar, longe disso. Acho que, se a temperatura aumentar mais de 2 graus, a incidência de tempestades, furacões, tornados, tufões, desertificações e epidemias vai aumentar a níveis preocupantes, e que as chances desses fenômenos nos atingirem ou atingirem pessoas próximas de nós vai aumentar exponencialmente. Não tenho dúvidas de que vai haver vida humana na Terra por pelo menos mais algumas gerações, provavelmente muitas. Só que vai ser uma vida dura. E não acho que nós tenhamos o direito de prejudicar hoje a vida das próximas gerações.
    Enfim: dessa histeria não sou culpado.
    Mas agradeço o comentário – tanto a crítica quanto o elogio.

  19. jorji disse:

    O mundo ( universo ) não vai acabar, mas vida na Terra estão com os dias contados, opinião unânime dos cientistas.

  20. Chesterton disse:

    mostre a desonestidade com fatos, links e onde está o “ledo engano”

  21. Renee Voltaire disse:

    “mas vida na Terra estão com os dias contados, opinião unânime dos cientistas”.

    So faltou contar os dias… 5 anos? 10 anos? 5000 anos? Ainda nao sei de onde tiram essa unanimidade… Eh esse catastrofismo que eu mencionava…

  22. Renee Voltaire disse:

    Denis,

    O que eu penso e que existe muito achismo, pouco consenso, e poucos acertos nas pesquisas sobre as causas, os efeitos e a magnitude das mudancas climaticas na Terra ao longo das ultimas decadas (quando o assunto passou a ser pesquisado intensivamente). Minha critica e que voce da muita coisa que nao e certa como certa, sem mencionar que se trata de opiniao, o que contribui para a histeria. No entanto, seria impensavel te considerar um sectario e/ou histerico dada a educacao e ponderacao com que respondes as criticas.

    Acredito firmemente que o debate sobre sustentabilidade pode encontrar outras justificativas fundamentais muito mais mensuraveis e evidentes hoje, e que este debate nao precisa dos catastrofistas pra nos lembrar que e preciso aperfeicoar nosso modelo de vida, eles apenas ajudam a criar sectarismos desnecessarios.

    Mudando de assunto, ja que o post fala em coragem, acho corajoso discutir os assuntos que discutes com os leitores da Veja (nao somos particularmente um publico dos mais doceis para discutir sustentabilidade ou legalizacao de drogas). Vou tentar participar com frequencia das discussoes sobre o desenvolvimento sustentavel, sempre acho algo interessante aqui.

    Por outro lado, vou tentar me abster das discussoes sobre legalizacao das drogas, afinal nossas posicoes neste assunto sao quase inconciliaveis (se nao nos fins mas nas justificativas dos posicionamentos e formas de ver o problema).

  23. jorji disse:

    Renee, somos nada neste universo, basta que um meteoro gigantesco colida com a Terra, ou um super vulcão entre em erupção, o Sol um dia vai explodir, e ainda tem vários fenômenos naturais que poderão extinguir a vida , infelizmente é irreversível, não existe uma única possibilidade de existirmos para sempre, infelizmente ñão existe nenhuma possibilidade de Deus existir, nenhuma possibilidade de habitarmos um outro sistema solar.

  24. Felipe Maddu disse:

    Dizer que não existe aquecimento global é a mesma coisa que dizer que a Terra é quadrada e que teremos água pra sempre…Simplesmente patético!

  25. Felipe Maddu disse:

    Renne, vc devia se inspirar no grande Voltaire e iluminar sua prórpia mente, a do Chest e do Rafael

  26. Renne Voltaire disse:

    “Dizer que não existe aquecimento global é a mesma coisa que dizer que a Terra é quadrada e que teremos água pra sempre…Simplesmente patético!”

    Podes espernear o quanto quiseres, o fato e que se olharmos o conhecimento cientifico produzido nesta area o aquecimento nao pode ser tratado como verdade absoluta. Se voce acha patetico ou nao isso nao me importa.

    jorji: vou me abster de comentar a parte sobre a existencia de Deus. Mas, sobre o resto: EXATAMENTE! Um dia acaba, mas falta contar os dias… Pode ser dentro de 5, 10, 50, 200 ou 5000 anos… Nao podemos dizer que estamos num ‘ponto irreversivel’ ou perto dele…

    No mais, esta discussao pouco me interessa. Acho muito mais interessante discutir as alternativas ao nosso modo de desenvolvimento. Como continuarmos a evolucao da saga humana (e nao venham me dizer que invencoes como o aviao ou o computador so pioraram nossa qualidade de vida e nao representam evolucao) sem destruirmos nossa casa.

    Lembro de ter lido um post aqui sobre a producao descentralizada de energia (microgrid) e ate onde me recordo o Denis explorou de maneira interessante na possibilidade de um dia nossas casas produzirem mais energia que consomem, e de forma limpa (comprando um kit nas Casas Bahia, haha)… Esse tipo de coisa atrai muito mais meu interesse do que bater boca com quem quer que seja sobre o fato de a terra aquecer ou nao mais de 2 graus nos proximos 20 ou 50 anos…

  27. Renne Voltaire disse:

    Acho que todo mundo ja viu, mas em todo caso:

    Concordem ou nao com as maluquices do Sagan, esse video provoca uma reflexao interessante…

  28. denis rb disse:

    O fato é que estamos lidando aqui com um novo tipo de problema científico. As mudanças climáticas exigem no mínimo que repensemos a forma como tomamos decisões sobre o mundo. É um problema diferente pelo seguinte:
    1. O clima é um sistema imensamente complexo. Por complexo quero dizer que há um número imenso de variáveis envolvidas, e cada uma delas interage com as outras de maneira imprevisível. Por isso, jamais será possível construir um modelo científico absolutamente preciso. Como todo mundo que já consultou a previsão do tempo sabe, não dá para confiar inteiramente na previsão de daqui a uma semana. Quanto mais 100 anos.
    2. Por outro lado, sabe-se que esse sistema complexo gera efeitos de longo prazo. O carbono emitido hoje ainda estará na atmosfera daqui a 100 anos. Ou seja: criou-se uma situação em que precisamos agir hoje para alterar o panorama de daqui a 100 anos.
    3. Em resumo: as decisões que vamos tomar não dizem respeito ao meu destino, ao nosso destino. Dizem respeito aos dos nossos filhos e netos.
    Nesse cenário, é compreensível o desespero de uns. Mas também é de se esperar o ceticismo de outros: porque agir em função de algo sobre o qual não tenho certeza? Por que acreditar nos cientistas (que afinal erram com tanta frequência, até mesmo sobre a previsão do tempo do sábado que vem)?
    O princípio da precaução surgiu justamente desse novo tipo de dilema científico. Basicamente, ele significa que, se há chances suficientemente grandes de consequências desastrosas num futuro distante, essas chances justificam medidas drásticas hoje. Parece óbvio, mas não é. Isso não tem paralelo na história da humanidade. A humanidade sequer descobriu um jeito de tomar decisões globais, sobre assuntos que afetam o mundo inteiro.
    A ciência do aquecimento global nasceu nos anos 70 como uma teoria longe do mainstream, ignorada por governos e indústrias, pouco influente. De lá para cá, seus modelos foram lentamente ganhando adeptos e hoje estão solidamente no mainstream – são aceitas pela imensa maioria de especialistas em clima, e já não são atacados nem pela comunidade de negócios nem pelos governos do mundo.
    Há consenso? Claro que não. Não há consenso sobre nada neste mundo (felizmente, eu diria). Há razões de preocupação suficientes para que ocorra uma mobilização espontânea da sociedade civil com o objetivo de mudarmos o modelo de desenvolvimento? Eu pessoalmente não tenho dúvidas de que sim – e, como difusor de informação, acho que é minha obrigação tomar parte da construção dessas alternativas. Há massa crítica suficiente para que o mundo finalmente decida mudar de modelo e começar a reduzir as emissões de carbono? Sinceramente, não sei ainda. É o que eu esperava descobrir semana que vem, em Copenhague, mas acho que já está claro que ainda não será dessa vez.
    Finalmente: há vantagem em mudar de modelo? Eu, pessoalmente, tenho certeza de que sim. Novos padrões tecnológicos dão início a eras de inovação, de empreendedorismo, criam oportunidades para gente excluída, mudam o equilíbrio entre as nações. Eu, pessoalmente, prefiro viver numa era de construção de um novo modelo, do que numa era de defender os modelos antigos. Mas isso sou eu. Cada um cada um, já dizia minha avó.

  29. denis rb disse:

    Reneé Voltaire,
    A propósito do seu link: é interessante notar que talvez Carl Sagan tenha sido o primeiro a levar a discussão sobre as mudanças climáticas ao grande público (na época se dizia “aquecimento global”). Foi na clássica série de TV Cosmos, com a qual minha geração se alfabetizou cientificamente. Veja só: http://www.youtube.com/watch?v=grKjhOK49to
    Perdoe aí o tom meio ingênuo e definitivamente catastrofista de Sagan – lembre-se, estamos em 1980! Não é incrível que o mesmo debate já dure 30 anos?
    Eu tenho 36 anos. Fui introduzido na discussão sobre mudanças climáticas por Sagan, quando eu era criança. De lá para cá, acompanho o debate. Vi o consenso sendo construído. Vi um assunto que não interessava a nenhum dos meus amigos tornar-se central no noticiário. Vi cada um dos meus medos ser confirmado (ou superado) na última década – tufões onde eles nunca existiram, geleiras derretendo, icebergs gigantes se desprendendo, a pior seca e a pior cheia da Amazônia uma logo depois da outra. Tive aula com o climatologista Stephen Schneider, de Stanford (o sujeito que recebeu o Nobel em nome do IPCC pelas previsões sobre mudanças climáticas). Acompanhei tijolo a tijolo a construção desse edifício de conhecimento científico. Estou convencido de que ele tem bases sólidas. E trabalho para convencer você também – não porque eu tenha uma “agenda secreta”, mas porque se eu não fizer aquilo que eu acredito não tenho razões para levantar da cama de manhã.
    Perguntam-se sobre o tal “climategate”. Para quem não sabe: hackearam emails pessoais de cientistas do clima. No meio de milhares e milhares de mensagens, pinçaram meia dúzia de linhas meio comprometedoras. Na pior delas, um cientista diz de forma meio dúbia que pode haver manipulações nos dados do clima. Honestamente, acho a história toda uma bobagem, uma distração, um factóide. Não acho que duas linhas mal explicadas de texto abalem 30 anos de construção de conhecimento. Para me convencer de que as mudanças climáticas não são perigosas, eu precisaria de muito mais que isso.

  30. denis rb disse:

    Pessoal,
    Peço desculpas pela instabilidade no blog – está um caos hoje, caindo toda hora. Isso nunca acontecia quando eu lia jornal de papel… 🙂
    Uma dica: escreva seus comentários no processador de texto e depois dê ctrl + c, ctrl +v aqui. É mais seguro…

  31. Chesterton disse:

    Dennis, você passou de alarmista histérico ( o mundo vai acabar) a piedoso implorativo (salvem a Amazonia) e a uma pessoa sensata em poucos dias.
    1. sim, o clima é complexo, táo complexo que a dita ciência climática nem bem ciência é ainda, é um apanhado geral. Isso, isso, ninguem consegue saber se vai chover semana que vem, previsões climáticas são difíceis, principalmente sobre o futuro (essa é boa, né?)

    2. “Por outro lado, sabe-se que esse sistema complexo gera efeitos de longo prazo. O carbono emitido hoje ainda estará na atmosfera daqui a 100 anos. Ou seja: criou-se uma situação em que precisamos agir hoje para alterar o panorama de daqui a 100 anos.”
    chest- pronto, que adianta elogiar? Quem disse que alterar o panorama de 100 anos para frente vai ser vantajoso? Se você acaba de dizer que os modelos climáticos são impossíveis, e logo não confiáveis, de onde tirou que o carbono na atmosfera é ruim? Carbono é vida. Junte carbono e calor e as plantas crescem.

    3. principio de precaução, uma faca de dois gumes. Quem diz que é precavido aquele que senta e fica esperando a nuvem passar? A humanidade não consegue tomar uma atitude mui precavida que seria acabar com o regime dos mulás iranianos atômicos e você quer condenar a humanidade à miséria por causa de modelos matemáticos que você mesmo confessa falsos? Ora, vá tentar controlar o povo assim só em regime fascista. O principio da precaução é autoritário na raiz.

    ” Há razões de preocupação suficientes para que ocorra uma mobilização espontânea da sociedade civil com o objetivo de mudarmos o modelo de desenvolvimento? ”

    chest- não há, o que há são viúvas do Muro de Berlin incomodadas com o fato desse sistema capitalista tirar da miséria bilhões de pessoas e o socialismo de várias vertentes não produzir riqueza alguma. Nada mais melnacia, verde por fora e vermelho por dentro, que um ambientalista militante.

    “Finalmente: há vantagem em mudar de modelo? Eu, pessoalmente, tenho certeza de que sim. Novos padrões tecnológicos dão início a eras de inovação, de empreendedorismo, criam oportunidades para gente excluída, mudam o equilíbrio entre as nações.”
    chest- porque razões você acha que há vantagem em mudar de ,modelo? Até agora nunca se viu nada vantajoso. E se aparecer a tecnologia as mudanças vão ocorrer de modo natural e espontâneo, sem legislação, sem controle, sem governo mundial, sem impsotos de carbono para sustentar a burocracia dfesse governo mundial, que por não ser eleito por ninguem, se desenha como uma enorme ditadura. Assim como o automóvel a gasolina foi um enorme avanço ambiental ao transporte baseado em tração animal. Inovação e empreendedorismo aparecem em sociedade livres para agir e experimentar, não em sociedades reguladas ou onde reina o “Princípio da Precaução”.

  32. Chesterton disse:

    To capture the public imagination,
    we have to offer up some scary scenarios,
    make simplified dramatic statements
    and little mention of any doubts one might have.
    Each of us has to decide the right balance
    between being effective,
    and being honest.”

    – Leading greenhouse advocate, Dr Stephen Schneider
    ( in interview for “Discover” magagzine, Oct 1989)

    chest- não é a toa que você é catastrofista, SS foi um Superstar Midiático. Mas sempre advogou sobre aquecimento global? Não, ele advogava resfriamento global até 1978

    But what kind of person, what kind of scientist, is Dr Stephen Schneider?

    Firstly, Schneider was not always promoting the idea of Global warming. Up to about 1978, Schneider was warning the world of an impending Global Cooling, leading to the next Ice Age !

    Before Global Warming became the politically correct scientific fashion of the 1990s, the reverse situation existed in the 1970s, where it had become a scientific article of faith that the Ice Age was about to happen. Even the US National Academy of Sciences adopted this view.

    “There is a finite possibility that a serious worldwide cooling
    could befall the Earth within the next 100 years.”

  33. denis rb disse:

    Na boa, Chesterton:
    Uma pessoa que advoga a proibição das drogas não pode dizer que defende o livre mercado. Não existe nada mais stalinista que proibir as drogas.

    (Em outras palavras: esse jogo que você joga, de fazer afirmações genéricas sem muito conhecimento dos fatos, é fácil de jogar. Também sei, como se vê acima. Mas não serve para nada, por isso acho que devíamos evitar.)

  34. denis rb disse:

    Outra: o clima é complexo, isso não significa que ele seja “impossível”. Ponha uma tampa na panela e a temperatura lá dentro aumenta. Aumente a temperatura, a água borbulha. Complexidade não significa aleatoriedade.

  35. Chesterton disse:

    Stephen H. Schneider, professor of environmental studies at Woods Institute for the Environment, passes on the student’s query, asking his colleagues if they would like to try explaining “the past 10 years of global mean temperature trend stasis,” which he recognizes as a problem in terms of keeping the public panicked over climate change.

    Yes, this is the same Stephen Schneider who prior to 1978 was proclaiming that man-made CO2 emissions were going to drive planet Earth into global cooling and a new Ice Age. It is also the same Stephen Schneider who admitted in a 1996 paper that “scientists” sometimes have to use scare tactics, exaggerations, and suppression of doubts and contrary evidence in order to win public support for desired political policies. He said winning support required “loads of media coverage,” and to obtain that scientists would have to “offer up scary scenarios.” Here is the full quote:

    On the one hand, as scientists we are ethically bound to the scientific method, in effect promising to tell the truth, the whole truth, and nothing but — which means that we must include all the doubts, the caveats, the ifs, ands, and buts. On the other hand, we are not just scientists but human beings as well. And like most people we’d like to see the world a better place, which in this context translates into our working to reduce the risk of potentially disastrous climatic change. To do that we need to get some broad-based support, to capture the public’s imagination. That, of course, entails getting loads of media coverage. So we have to offer up scary scenarios, make simplified, dramatic statements, and make little mention of any doubts we might have…. Each of us has to decide what the right balance is between being effective and being honest.

    chest- o cara diz “keeping the public panicked over climate change.”

    MANTER O PUBLICO EM PANICO SOBRE ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS.

    E você o leva a sério, Dennis? Só pode estar de brincadeira.

  36. Luciana disse:

    Denis, tão (ou mais ) difícil quanto cortar o próprio pé é fazer sonhar quem não ousa um sonho….fazer um amigo acreditar que é possível chegar a “um outro rio”….mesmo que outros já tenham tentado/falhado/desistido…..é muuuuito difícil falar com a razão de um coração aterrorizado pelo medo do que não pode calcular, medir, prever com exatidão….convencer de longe, sem poder compartilhar a fé contida no brilho dos olhos então, é tarefa para poucos ….mas você consegue….suas palavras tem força….parabéns!!

  37. denis rb disse:

    Aliás, bom trecho esse do Schneider que o Chesterton citou. Já o vi falando coisas parecidas. Sei bem que os climatologistas têm dedicado muito tempo e esforço a desenvolver técnicas de influenciar a opinião pública. Já discuti abertamente com ele esse assunto.

    Não vejo nada de errado nisso. A ciência das mudanças climáticas já está estabelecida faz 30 anos – de lá para cá só o que se conseguiu foi reunir mais dados para dar mais solidez aos modelos. Mas os cientistas sérios que investigaram o assunto a fundo já têm certeza das causas humanas das mudanças climáticas pelo menos desde os anos 80. De lá para cá, a principal questão é: como transformar esse conhecimento acumulado em políticas públicas. A resposta: convencendo as pessoas, criando empatia, mostrando para elas que é possível se preocupar com efeitos de longo prazo. É isso que Schneider faz em boa parte do seu tempo: desenvolve técnicas de comunicação com o público. Ele não esconde isso, como mostra a matéria da Discover.

  38. Chesterton disse:

    Dennis, me chamar de stalinista porque supostamente defendo a proibição das drogas é usar de FALÁCIA. Mais especificamente a falacia do espantalho. Não é esse o assunto e você tenta desviar do tema. Foco, Dennis, foco.

    Fatos? que fatos? Foi inventado, fabricado, confeccionado para aterrorisar a população. Não existem alterações climáticas antropogênicas documentadas. É tudo impressão que não se confirma nos termômetros.

  39. Chesterton disse:

    Aterrorizar é com Z, sorry.

    Outra: o clima é complexo, isso não significa que ele seja “impossível”. Ponha uma tampa na panela e a temperatura lá dentro aumenta. Aumente a temperatura, a água borbulha. Complexidade não significa aleatoriedade.

    chest- Dennis, caracas. Se é complexo pare de fazer simplificações ridículas, caramba.

  40. Chesterton disse:

    Aliás, bom trecho esse do Schneider que o Chesterton citou. Já o vi falando coisas parecidas. Sei bem que os climatologistas têm dedicado muito tempo e esforço a desenvolver técnicas de influenciar a opinião pública. Já discuti abertamente com ele esse assunto.

    chest- isso não é honesto, isso não é ciência, é fraude. Ou por ignorância se estiver de boa fé, ou por malicia, se tem consciência que está mentindo.

    Não vejo nada de errado nisso.

    chest- pois deveria.

    A ciência das mudanças climáticas já está estabelecida faz 30 anos – de lá para cá só o que se conseguiu foi reunir mais dados para dar mais solidez aos modelos.

    chest- mentira

    Mas os cientistas sérios que investigaram o assunto a fundo já têm certeza das causas humanas das mudanças climáticas pelo menos desde os anos 80.

    chest- porque não são verdadeiros cientistas, acham que são Jor-El.

    De lá para cá, a principal questão é: como transformar esse conhecimento acumulado em políticas públicas.

    chest- transformar mentiras em poíticas públicas é goebbelismo.

    A resposta: convencendo as pessoas, criando empatia, mostrando para elas que é possível se preocupar com efeitos de longo prazo. É isso que Schneider faz em boa parte do seu tempo: desenvolve técnicas de comunicação com o público.

    chest- ele é um mistificador

    Ele não esconde isso, como mostra a matéria da Discover.

  41. denis rb disse:

    Não é ciência mesmo. O IPCC não faz ciência, faz política – trata-se de um painel criado em 1988, com a participação de governos do mundo inteiro e dos principais cientistas do clima do mundo, com o objetivo de transformar certezas científicas em políticas públicas. Entendo que isso pareça estranho aqui no Brasil, mas a ideia de cientistas fazerem política é institucionalizada em países anglo-saxões. A Inglaterra tem um “cientista-chefe”, cujo trabalho é mais ou menos o mesmo que você acusa como absurdo no caso de Schneider: tentar usar dados para dar racionalidade a políticas públicas, tentar traduzir esses dados em termos que engajem a população. Não é desonestidade. Não mais do que palpitar sobre assuntos sobre os quais não se conhece nada.

    E proibir as drogas é bem stalinista sim. Ok, não necessariamente stalinista: pode ser uma política de um estado fascista, de um estado teocrático. Mas nunca ouvi um verdadeiro liberal defendendo uma intervenção tão irracional do estado na economia. Um estado proibicionista é, por definição, imensamente intervencionista. É o estado grande, o estado autoritário. Não tem como fugir disso não.

  42. Chesterton disse:

    Dennis, não sou liberal. Apenas cumpro a lei. É proibido maconha? Não uso. É proibido beber? Nao bebo.

    Como você fala que há certezas científicas se no parágrafo anterior diz que :

    ” Por isso, jamais será possível construir um modelo científico absolutamente preciso. Como todo mundo que já consultou a previsão do tempo sabe, não dá para confiar inteiramente na previsão de daqui a uma semana. Quanto mais 100 anos.”

    você não é sério.

  43. denis rb disse:

    Obrigadão, Luciana!

  44. paravaba disse:

    de quebra usar menos ou vender o seu carro.DE QUEBRA.irrelevante.os automoveir,caminhoes
    onibus etc.nao sao as causas,determinantes,da pessima qualidade do ar.que voces respiram nos grandes centros.A CAUSA É O DESMATAMENTO NA AMAZONIA.o indice de desmatamento caiu acentuadamente.é so olhar os indices apresentados pelo min.Carlos minc.
    e nao é “pra ingles ver nao”.É REAL.portanto Denis,nao acho nescessario vender seus caroos.
    a suloçao vira da amazonia.deveria dar um mergulho no pinheiro e tiete.esfriar a cabeça.

  45. Chesterton disse:

    Cinco crimes ecológicos
    1. tomar café- 200 litros de água por uma xícara de café com leite, 12,5 gramas de carbono no ar
    2.papel higiênico- gasto de energia e água, pressão sobre florestas
    3.comprar roupas em lojas-
    4 lavar roupas- gasto de 4.7 kWhora, 2 kg de carbono por máquina
    5. comer carne leite – derivados-

  46. denis rb disse:

    paravaba,
    Não é irrelevante não. Não há dúvidas de que o maior problema ambiental brasileiro é o desmatamento e as queimadas, principalmente na Amazônia – o maior contribuinte para o efeito estufa no país. Mas, se você olhar o inventário de emissões de uma cidade brasileira, mais de 80% dos gases do efeito estufa vêm do transporte, principalmente carros particulares. E aqui estamos falando apenas do efeito estufa. A qualidade do ar nas cidades é péssima. O especialista em poluição Paulo Saldiva, do Hospital das Clínicas, calcula que mais de 4.000 paulistanos morram todos os anos por problemas respiratórios diretamente atribuíveis à poluição dos escapamentos (para comparação: a aids mata pouco menos de 1.000 pessoas por ano na cidade). Um paulistano médio tem a vida encurtada em 2 anos por causa da poluição! Junte a isso a tremenda redução na qualidade de vida da cidade causada pelo trânsito, pela violência no trânsito, e você tem uma ideia do problema.

  47. denis rb disse:

    Então o fato de algo ser contra a lei significa que eu não posso ser contra essa lei? As leis devem ser eternas e imutáveis? Defender mudanças nas leis não é sério?

  48. Renne Voltaire disse:

    Eu conhecia um pouco a historia do Stephen Schneider, e me interessa comentar esta passagem:

    “To do that we need to get some broad-based support, to capture the public’s imagination. That, of course, entails getting loads of media coverage. So we have to offer up scary scenarios, make simplified, dramatic statements, and make little mention of any doubts we might have….”

    O problema em fazer afirmacoes dramaticas e simplificadas sobre assuntos complexos e controversos e que elas carregam um posicionamento do cientista, quando na verdade o posicionamento deve ser da sociedade ou dos seus representantes. O cientista tem a obrigacao de oferecer a verdade sobre o resultados das pesquisas, caso contrario envereda por um caminho perigoso para todos…

    E a mesma historia de criar medo em relacao ao regime de Saddam Hussein para invadir o Iraque… Porque Bush achava que Saddam merecia ser eliminado, inventou uma razao alarmista para justificar a invasao… Nao tenho duvidas que um mundo sem Saddam e melhor do que com ele, mas isso nao justifica a mentira para ir a guerra… Afinal, se aquele era o motivo, quantos outros teriam de ser depostos? Mas essa e outra discussao…

    Por isso insisto tanto na ideia de que o debate sobre um novo modelo de desenvolvimento nao pode ser justificado na suposta ‘certeza’ do aquecimento global, afinal ele nao e certo e isso vai num certo momento minar a credibilidade das discussoes, alem de gerar muita fumaca desnecessaria desde o principio… Existem tantas outras bases solidas para justificar o aperfeicoamento do sistema que fico surpreso que nao sejam usadas de maneira sistematica (a unica justificativa sistematica utilizada no debate e a do ‘climate change’, que ja foi esfriamento global e depois aquecimento global).

    E claro que existe o dilema de apresentar a duvida e nao obter o envolvimento da sociedade… Mas eu prefiro o risco da derrota de minha causa seja ela qual for do que a vigarice!

    Denis:
    “Finalmente: há vantagem em mudar de modelo? Eu, pessoalmente, tenho certeza de que sim. Novos padrões tecnológicos dão início a eras de inovação, de empreendedorismo, criam oportunidades para gente excluída, mudam o equilíbrio entre as nações. Eu, pessoalmente, prefiro viver numa era de construção de um novo modelo, do que numa era de defender os modelos antigos”.

    Eu tambem!

    So preciso fazer a ressalva que penso na criacao deste modelo olhando adiante (estou certo de que o Denis tambem), caso contrario alguns seres pre-historicos podem pensar que o novo modelo e aquele velho que todos conhecemos, e que comecou a acabar em Berlim ha mais de 20 anos…

  49. Monica disse:

    Denis, talvez não tenhamos o espaço institucionalizado do “cientista-chefe” no Brasil, mas a idéia de que a produção de conhecimento esteja desvinculada do exercício do poder é assustadora e perigosa. Aqui, ou em qualquer parte do mundo, o saber necessariamente implica poder. Esta, inclusive, foi e tem sido um das discussões e contribuições mais significativas deixadas pelos pensadores, cientistas políticos, filósofos, na contemporaneidade: desmistificar a falsa idéia do pensamento asséptico e de que a produção de conhecimento é, de maneira esquizofrênica, desvinculada política e ideologicamente da atualidade do pesquisador.

    Discutir estatuto de cientificidade de um conhecimento é tão antigo e retrógrado quanto a própria ciência moderna. A ciência não é um conhecimento mais verdadeiro e confiável que os demais. É apenas mais um. Mais uma forma de inventar (e intervir, não “desvendar” ou “descobrir”) o mundo, tanto quanto a poesia, a literatura, as artes, de forma geral. E esta generalização da “ciência” desqualifica a discussão (de que ciência estamos falando? a ciência da causa e efeito? não se ouviu falar aqui da revolução quântica e do princípio de incerteza? Já a umas boas décadas trabalha-se com probabilidades, não com certezas, independente do que se investiga).

    Àqueles que apregoam as vantagens da “evolução” (outra baboseira, a epistemologia contemporânea trabalha com a noção de “saltos” – não uma linhazinha reta ascendente ou degraus que subimos à medida que acumulamos conhecimento – tanto no que diz respeito às modificações ocorridas na “natureza” quanto à produção de conhecimento/thecné) – do atual processo de produção, uma sugestão: passar um dia num centro de referencia em saúde do trabalhador e ouvir os trabalhadores que lá chegam adoecidos, mortificado, mutilados, contaminados por alguma substância química. Este tipo de comentário – benesses da modernidade! – é uma afronta e um desrespeito às pessoas que trocam suas vidas e saúde por possibilidade de sobrevivência e, no geral, pra que de fato alguns poucos desfrutem de vantagens e benesses. Só falta agora dizer que vivemos num mundo de igualdades!

    Com certezas ou não quanto às mudanças climáticas, a questão é que temos sido, no mínimo, bastante irresponsáveis (prefiro a palavra perversos) quanto à utilização dos recursos e a distribuição do que é gerado a partir deles. Denis, conhece a proposta da Economia Solidária? Seria interessante ler aqui alguma coisa a este respeito.

  50. denis rb disse:

    Oba!
    Ótimas discussões, logo pela manhã.
    Comento primeiro o que a Monica disse: que a ciência é apenas uma entre várias narrativas, que tem tanto valor quanto a literatura, os mitos, a poesia, os saberes ancestrais. E que portanto não se pode atribuir a ela mais importância ou autoridade do que a qualquer outra narrativa.
    Estou plenamente de acordo quanto à necessidade de democratizar conhecimento, de incluir mais diversidade de perspectivas nos debates importantes, de humanizar o mundo, mas discordo do seu argumento central. Permita-me discordar com um exemplo concreto:
    No início desta década surgiu uma teoria pseudo-científica que negava que a aids fosse causada pelo vírus HIV. Essa teoria ganhou apoio de alguns cientistas respeitados mas com pouco conhecimento nessa área específica – mais ou menos como a negação das mudanças climáticas. Aí o ministro da saúde da África do Sul acreditou nessa história – e convenceu o então presidente do país, Thabo Mbeki. Junte-se a isso o fato de que se difundiram naquela época alguns mitos. Por exemplo, o mito de que estuprar uma virgem cura a aids. Ou de que basta tomar um banho depois do sexo para previnir a contaminação.
    Ora, a aids está matando milhões na África. O que essas “narrativas alternativas” fizeram foi atrasar em vários anos o início de programas preventivos ou de combate à doença (além de gerar uma terrível onda de estupros de mulheres virgens por homens contaminados). Não se distribuiu preservativos, não se estabeleceu programas com anti-retrovirais. Tempo perdido, num combate a uma epidemia, significa que gente que não precisava ter morrido morreu – e vai continuar morrendo.
    Não defendo a ideia de que a ciência seja a única narrativa digna de atenção, que todo o resto seja descartado. A ciência não é o único conhecimento “verdadeiro e confiável”. Ela é, isso sim, um método: uma forma metódica de acumular conhecimento de maneira eficiente e relativamente objetiva. Ela não é perfeita – é produzida por homens, nem todos inteligentes, nem todos bem intencionados. Mas é a melhor aproximação que temos da compreensão dos fatos. É preciso haver uma perspectiva científica por trás da formulação de políticas públicas, principalmente quando se trata de problemas complexos como o combate a epidemias ou às mudanças climáticas.

  51. denis rb disse:

    No outro extremo…
    Em relação ao que disse o Renne Voltaire: que a ciência devia se preocupar simplesmente em produzir dados e deixar que a sociedade os interprete. Segundo ele, não é papel do cientista “simplificar” o conhecimento produzido, ou pensar estratégias para engajar o público, ou influenciá-lo.
    Acontece que vivemos num mundo em que o conhecimento científico tornou-se tão imensamente complexo e especializado que, se o cientista tiver essa atitude que você sugere, as chances são de que ninguém vai sequer notar o que eles dizem. Se os cientistas do clima se limitarem a produzirem modelos, gráficos, números, ninguém fora dessa área será capaz sequer de entender o que eles dizem. Estamos todos ocupados demais com o Big Brother e a Britney Spears 🙂
    Some a isso o fato, já fartamente documentado por economistas, etólogos e psicólogos, de que nós seres humanos nem sempre agimos racionalmente. Temos dificuldades de compreender certos riscos – em especial quando os riscos são difusos e se aplicam a um futuro distante. Nós sabemos que fumar cigarros mata, que não devemos exagerar no consumo de calorias, que temos que fazer exercícios. Mesmo assim, é difícil para nós nos motivarmos a esses “sacrifícios”, a não ser que criemos uma conexão emocional com esses riscos. Pegue por exemplo o trabalho de divulgação que o Dráuzio Varella faz. Ele pega conhecimento sólido, estabelecido, e tenta transformá-lo em imagens fortes com as quais as pessoas podem se sensibilizar. Todo mundo sabe que fumar cigarro dá câncer e mata. Mas talvez só sejamos capazes de parar de fumar se virmos um paciente de câncer morrendo. Enfim: não somos 100% racionais. Precisamos de imagens que nos emocionem para sermos motivados à ação.
    É disso que Schneider fala. É a essa crença que eu pretendo dedicar minha vida profissional. Eu não sou um cientista, embora tenha algum treinamento científico. Minha formação é de jornalista. Meu trabalho é ler coisas imensamente complicadas e tentar traduzi-las em termos diretos, simples, carregados emocionalmente. Não porque as pessoas sejam estúpidas e incapazes de entender as coisas complicadas. Mas porque ninguém tem tempo para ler tudo. Ninguém tem tempo para ser especialista em todas as áreas. O trabalho de “simplificar”, portanto, não é uma trapaça: é uma necessidade para que o resto de nós possa tomar decisões racionais.

  52. Chesterton disse:

    Então o fato de algo ser contra a lei significa que eu não posso ser contra essa lei? As leis devem ser eternas e imutáveis? Defender mudanças nas leis não é sério?

    chest- Não Dennis, você pode ser contra a lei mas não pode deixar de cumpri-la. Enquanto ela estiver em vigor, você tem que cumprir. Descumpri-la como ato de rebeldia é uma infantilidade só. O forum para mudar leis é o congresso nacional.

    Renée mostra com clareza o roblema de cientistas fazerem política. Seus interesses pessoais acabam se confundindo com a neutralidade que o verdadeiro cientista deve ter.
    Misturar a AIDS com mudanças climáticas é pura propaganda, e o Dennis pode fazer isso porque é jornalista, não é cientista. mas mesmo assim, jornalista vive de credibilidade, que ele perde a cada parágrafo. A teoria de que o HIV provocava AIDS era demonstrável repetidamente. As teorias climáticas não são demonstráveis nem os modelos se mostraram verdadeiros. Ao ponto de seus defensores terem que falsificar dados para manter a onda ambiental.
    Associar alterações climáticas ao terror da AIDS é isso: mais terror.
    Não custa lembrar que o presidente sul-africano era de escola marxista.

  53. denis rb disse:

    Não acho que desobediência civil seja infantilidade. Acredito que, sem ela, a apartheid ainda estaria de pé na África do Sul e teria durado décadas a mais no sul dos EUA. Negros não eram sujeitos políticos levados a sério no sul dos EUA até os anos 60. Eles simplesmente não eram ouvidos – eles simplesmente não tinham autorização para participar do debate. Se não fosse o movimento dos direitos civis e sua estratégia não-violenta de se negar a manter a sociedade funcionando naquelas condições, ninguém iria fazer isso por eles.
    Desobediência civil não significa obedecer apenas as leis com que concorda e ignorar as outras por baixo dos panos. Significa combater leis consideradas injustas de maneira aberta, transparente, e concordar em arcar com as consequências dos seus atos. Acho que não há nada menos infantil e mais nobre do que isso. É assim que a sociedade avança.

  54. Chesterton disse:

    Então tá, Dennis, você vai ser nosso profeta, você vai interpretar a ciência e nós o seguiremos cegamente. Principalmente quandos os riscos forem difuso e distantes confiaremos na sua intuição. Nós somos estúpidos e não temos tempo, pois gastamos esse precioso bem com Britney Spears e Big Brother. E ainda por cima, crê que as pessoas tomarão decisões baseadas no que você escreve e chama as decisões de racionais! Razão de quem? Delas ou suas?
    Você é tão obsoleto numa era onde a informação cada vez mais está disponível a todos quanto um caçador de ursos em São paulo.

  55. denis rb disse:

    “O forum para mudar leis é o congresso nacional.”
    Perdoe, Chesterton, mas, de todas as coisa ingênuas que você já disse, essa foi a mais absurda. Quer dizer então que devo depositar todas as minhas esperanças de melhorar o mundo no Congresso Nacional? Em quem, especificamente? No Sarney? Ou naquele cara do castelo?
    O Congresso Nacional, como aliás boa parte dos parlamentos do mundo, é uma instituição essencialmente conservadora de privilégios (e me refiro aqui à direita e à esquerda, que no fundo são uma coisa só), deformada por interesses de ganho a curto prazo e desconectada do interesse público. A única força capaz de mover o parlamento a representar as pessoas é a sociedade civil organizada, é o debate livre de ideias, é o envolvimento do Brasil inteiro.
    Não podemos esperar o Congresso aprovar a tal “reforma política”. Quem reforma a política somos nós.

  56. jorji disse:

    O meu amigo Claude Levi-Strauss disse certa vez que somos uma espécie passageira, que deveriamos respeitar mais o mundo, procurem ler, caso não tenham lido, livros desse gênio, e compreenderão o que se passa no mundo.

  57. denis rb disse:

    Chesterton,
    Eu sei bem que meu papel de jornalista está sendo reinventado pelas novas tecnologias. Eu aliás, tento me engajar nessa reinvenção.

    Mas não serei obsoleto enquanto você vier aqui todos os dias discutir o que eu falo. Sua audiência e seus comentários convencem meus empregadores da importância do que eu faço aqui. Obrigado!

  58. Renee Voltaire disse:

    Um post mais ou menos curto, afinal aqui onde estou sao 2 da tarde e trabalhar e preciso!

    Acho que e possivel simplificar sem mentir nem omitir informacoes importantes… E tambem e possivel ao simplificar deixar claro o que e materia consolidada como conhecimento e o que e materia de opiniao… O resultado da nao observacao deste pressuposto e vender esfriamento, depois aquecimento, depois climate change… (veja bem, cada vez que ataco o ‘climate change’ me sinto obrigado a afirmar que acredito sim que nosso modelo de vida tende a esgotar os recursos do planeta e em algum momento se nao for modificado tende a causar inumeros males aos que virao depois de nos).

    Apesar de existir uma area cinzenta entre o que e exatamente materia consolidada como conhecimento, ha tambem muita coisa que claramente se pode dizer que e ou nao e consolidado como conhecimento em certa epoca,

    O direito a opiniao e interpretacao todos tem (inclusive os cientistas, claro), e a objetividade absoluta e realmente a meu ver inatingivel (o que nao justifica a subjetividade contra as evidencias), mas um cientista nao tem o direito de manipular os dados ou omitir informacoes com o proposito de defender sua causa. Nem de transformar opiniao em conhecimento cientifico sem bases solidas.

    E por favor, nao vou nem comentar aqueles que igualam o peso de um saber cientifico ao ritual sagrado de cura dos aborigenes… Claro que tudo tem seu lugar, mas o metodo cientifico foi definitivamente uma evolucao para a humanidade e prepondera como nossa melhor aproximacao da realidade, conforme bem colocou o Denis (as vezes ate que a gente concorda).

  59. denis rb disse:

    A propósito, quanto à obsolescência dos caçadores de ursos em São Paulo: jamais houve ursos por aqui. A não ser no zoológico.

  60. denis rb disse:

    Para mim, Renee Voltaire, o mais relevante não é o fato de concordarmos ou discordarmos: é o fato de que você está sinceramente empenhado em debater.

    Agradeço

  61. Renee Voltaire disse:

    ‘a epistemologia contemporânea trabalha com a noção de “saltos”’

    Um ‘click’ e um salto que na cabeca certa muda paradigmas… Mas esse salto so e possivel a partir da consolidacao e aprimoramento do salto anterior…

    Se essa consolidacao e aprimoramento nao fazem a linha da evolucao (sim, eu uso a palavra) do conhecimento mais ‘soft’, no minimo sua necessidade inequivoca se encontra na compreensao mais ampla do salto anterior e na fundacao das bases para o proximo salto.

  62. Chesterton disse:

    A propósito, quanto à obsolescência dos caçadores de ursos em São Paulo: jamais houve ursos por aqui. A não ser no zoológico.

    chest- teu sobrenome é lusitano? Não me parece. Dennis, a você não basta informar, você tem pretensões de formar. E pretensões de obter poder de influenciar. E é isso que combato, os que pretendem ditar como uma pessoa deve viver, o fascismo intrínsico nesse modo autoritário de ver as coisas. Coma ovo, não coma ovo, use carro, não use carro, vá a pé, vá de trem,..

    O congresso nacional, gostemos dele ou não, é a instituição da democracia representativa onde as leis são discutidas e decididas. Você quer fechar o congresso porque não gosta dele? Mais autoritarismo.

  63. Samantha disse:

    Chesterson vc é um comediante! E dos bons! Parabéns!

  64. Chesterton disse:

    “mas um cientista nao tem o direito de manipular os dados ou omitir informacoes com o proposito de defender sua causa. Nem de transformar opiniao em conhecimento cientifico sem bases solidas.”

    chest- aqui René mata a pau. Seguidamente pessoas que se destacam em determinada área se colocam a dar palpites sobe áreas que não dominam, transformando o que deveria ser ciencia em política. Os climatologistas (a la SS) tem apenas a pretensão de ordenar o mundo de acordo com seu gosto pessoal. Inventam o problema para vender a solução, tal qual qualquer funcionario público de repartição. Cientista que pretende decidir colocar em prática seu gosto pessoal não mais é neutro, logo abandonou a ciência.

  65. Felipe Maddu disse:

    Chestinho, na boa vc não acredita no estado de direito, nas leis e numa certa ordem social? Por que em relação ao meio-ambiente não pode ser a mesma coisa? Por que com o meio-ambiente pode ser uma “anarquia”, onde se pode explorar tudo ao máximo?

  66. jorji disse:

    Há 100.000 anos atrás, já teve ursos na região de São Paulo, Chesterton, voce participaba do blog de Pedro Dória?

  67. Chesterton disse:

    F.M- Sem catastrofismo e terrorismo ambiental tudo é possível. Cubatão quem viu sabe, era o inferno na Terra e foi recuperada. Claro que defendo a Amazonia, claro que sou contra jogar lixo em rios e mares. mas e daí? Ao preço de deixar a humanidade na miséria? Negativo.
    Ambientalismo virou religião, Dennis “crê” que o homem está destruindo o planeta. É uma questão de fé travestida de ciência. S.S. é o bispo Macedo da igrejinha.
    Sim, PD me mostrou esse site do Dennis.

  68. jorji disse:

    Do blog de Pedro Doria, usava o apelido de Leonel de Souza, um abraço Chesterton.

  69. PARAXABA disse:

    o meio ambiente para o denis,se restringe,a AMAZONIA..O DESMATAMENTO,é acausa da pessima qualidade do ar em Sao Paulo.nao desmatar.é a soluçao de todos os problemas anbientais do mundo.se um pinguin,desvia da rota.CULPA DO DESMATAMENTO.etc;

  70. denis rb disse:

    Paraxaba,
    É o contrario: o desmatamento na Amazônia é causado em grande medida pelo consumo do Sudeste.
    A péssima qualidade do ar em SP não tem nenhuma conexão com a Amazonia.

  71. PARAXABA disse:

    Denis
    voce é bem claro.BOICOTE OS PRUDUTOS DA AMAZONIA.
    E DE QUEBRA,de quebra.irrelevante.venda ou pare o seu carro.seguindo o seu raciocinio eu
    entendi.que nao sao automoveis,caminhoes,onibus,motos e industrias.e sim o desmatamento na amzonia é o responsavel,pela pessima qualidade do ar em SP e demais grandes centros.
    de qualquer forma.o cerne da questao.É A AMAZONIA.tudo remete a mesma.
    voce nao acha que voces estao invertendo as coisas?
    voces dos grandes centros EMPORCALHAN tudo.e o centro da questao é a amazonia?
    sinceramente,se voce tiver a intençao de deixar um mundo melhor para seus filhos.comece correr atras da melhoria de vida ai em SP.

  72. Felipe Maddu disse:

    PARAXABA e leitores, o cerne da questão não é SP, Amazônia, E.U.A. Brasil. É tudo interligado, estamos na mesma casa. O que acontece na Indonésia é importante para nós, o que o Obama faz muito mais. Agora o Braisil está no foco do mundo e temos a chance de tentar mudar alguma coisa em vez de discutir “aquecimento global não existe, ou aquec, global vai nos matar” Não importa, o que interessa é: O que você vai fazer pra melhorar? Discutir política eu deixo pros gregos antigos tstststststs

  73. PARAXABA disse:

    FELIPE MADU.todo o texto é voltado para a amazonia,causas,efeitos e consequencias.com excessao da parte da mae do Denis,
    eu to indo direto no assunto,porque vi que estavan justamente discutivdo.politica,filosofia,etc.
    o X da questao,é a açao do homen no meio anbiente.causas e efeitos.
    e a verdade é muito simples,MEIO ANBIENTE NO BRASIL SO EXISTE NA AMAZONIA.
    E O PIOR É O TAL DO EFEITO MANADA.

  74. Johnes disse:

    AMbiente PARAXABA, aMbiente… Melhora os teus comentários pra eu poder entender, traduz pro nosso idioma por favor.

    Prefiro não comentar os outros assassinatos. Não me chamo Prof. Pasquale, mas pra tudo tem um limite…

  75. denis rb disse:

    PARAXABA, eu sugiro um boicote a produtos não-certificados da Amazônia, porque eles são diretamente responsáveis pelo desmatamento predatório. Não é difícil entender por quê. Hoje no Brasil a emissão de carbono por ano é de 12 toneladas per capita. Dessas 12, 7 vem de desmatamento e queimadas. Desmatamento e queimadas são os maiores responsáveis pela contribuição brasileira às mudanças climáticas, de longe – são, portanto, de longe, o maior problema ambiental do país.

    Mas defendo ardentemente o consumo de produtos certificados da Amazônia. Açaí, por exemplo. E, cada vez mais, madeira e papel – os fabricantes estão fazendo imensos avanços na certificação. Infelizmente, a imensa maioria da carne amazônica ainda não é certificada. Mas isso está mudando, e vai mudar mais rápido se houver pressão dos consumidores. Por isso conclamo o boicote.

  76. Felipe Maddu disse:

    Na boa PARAXABA, então vamos falar da Amazônia. Pra mim a única solução pro desmatamento é o boicote à produtos não certificados-lembrando que, ainda assim, pessoas inescrupulosas vendem madeira de áreas devastadas como se fosse madeira certificada-, como disse Denis, e mais, botar o exército pra trabalhar.

  77. Felipe Maddu disse:

    Na boa PARAXABA, então vamos falar da Amazônia. Pra mim a única solução pro desmatamento é o boicote à produtos não certificados-lembrando que, ainda assim, pessoas inescrupulosas vendem madeira de áreas devastadas como se fosse madeira certificada-, como disse o Denis, e mais, botar o exército pra trabalhar.

  78. Renee Voltaire disse:

    Sou mais um a concordar totalmente com o boicote a produtos amazonicos NAO-CERTIFICADOS, mas… e importante destacar as palavras do Denis:

    “Mas defendo ardentemente o consumo de produtos certificados da Amazônia:.”

    A afirmativa e particularmente relevante pois pouca gente lembra que ‘os povos da floresta’ em sua maioria nao sao indios vivendo primitivamente de caca e pesca, mas populacoes descendentes da ‘mistura brasileira’ que vivem em cidades as vezes bem grandes (so para citar duas cidades desconhecidas no interior da Amazonia: Santarem no Para com aprox. 300 mil habitantes e Itaituba com aprox. 140 mil) e que precisam de educacao, saude, seguranca, emprego, lazer (nao que os indios nao precisem de nada disso, mas ai a discussao e outra)…

    A exploracao consciente e sustentavel das riquezas da floresta representa muito pra o povo da Amazonia, brasileiros como todos nos, e muitas vezes campanhas pouco esclarecidas pela preservacao da floresta consideram que a Amazonia deve permanecer como regiao absolutamente intocada… Nesse caso, os milhoes de brasileiros que la vivem e que em muitos casos para la foram incentivados pelo governo brasileiro teriam que pagar o preco do desespero global com a questao ambiental…

    Preservar e preciso, viver tambem e preciso!

  79. PARAXABA disse:

    Johnes.pior que assassinatos so a falta de originalidade.voce pode ser processado,pelo dono do blog vizimho.por plagio.sen contar que o seu comentario revelou sua estatura.
    Felipe meu caro.realmente existe ainda essa pratica,de pessoas inexcrupulosas.mas te garanto que hoje é muito pouco.ela é praticada na maioria das vezes por pequenos madeireiros.para sua sobevivencia.pra conseguir um projeto de manejo.envolve muito dinheiro,tempo eburocracia.o modelo beneficia os grandes,penaliza os medios e matan os ppequenos.que é a grande maioria.quanto ao nosso glorioso EB.foi quem incentivou milhares de brasileiros.migrar para ca.procure se informar quantas operaçoes da guarda nacional foram feitas.e quantas foram na amzonia.a guarda nacional ten operaçoes constantes aqui.sem contar Ibama,PF e Sema.este ano cidades inteiras,tiveram sua atividades paralisadas.deixando um rastro de fome.desemprego,desespero etc.EX.tailandia.paragominas.ituiutaba,piria,novo progresso,castelo dos sonhos e varias outras.voce é a favor do patrulhamento pelo EB,no RJ,SP.voce ten visto operaçoes da guarda onde tem violencia?.Denis falar en numeros nao passa de especulaçoes.trapaças e manipulaçoes.voce deveria postar o pedido do Chster,sobre a farsa dos numeros.omitir dara mostra de mas intençoes.

  80. Felipe Maddu disse:

    “Não que os indios não precisem de nada disso, mas ai a discussão e outra…” Cara na boa, os índios são so verdadeiros donos de tudo, então temos um dívida com eles.

  81. Felipe Maddu disse:

    PARAXABA, eu falo pra impedir o desmatamento, não policiar essas cidadezinhas, que a polícia faça o trabalho dela, mas não é porque vc mora ai que pode devastar tudo, a mesma coisa vale pra quem mora aqui e devasta o que resta da mata atlântica.

  82. denis rb disse:

    PARAXABA,
    Os números que eu citei no comentário são os da McKinsey, que tem feito um belo trabalho no mundo inteiro de inventariar emissões e de avaliar os custos de reduzi-las.

  83. renata disse:

    oi denis, a gente nao tem se visto mas eu sempre dou uma passadinha aqui. Escuta; como eu faço pra saber se a carne que eu estou comprando veio da amazonia? bj re

  84. denis rb disse:

    Oi Renata!
    Não é fácil, na verdade. Não há rastreabilidade da carne hoje no Brasil – o que significa dizer que não conseguimos determinar com precisão a origem dela. (Em compensação, a rastreabilidade de madeira e outros produtos florestais já é bem razoável.) Em junho deste ano, as três maiores redes de supermercados do Brasil – Pão de Açúcar, Walmart e Carrefour – anunciaram que deixaram de comprar carne de áreas de desmatamento. Portanto, hoje, esses são bons lugares para comprar. Selos de certificação – carne orgânica, por exemplo – são garantias ainda melhores, mas a oferta de carne certificada no país ainda é muito limitada.

  85. PARAXABA disse:

    Denis.
    a questao nao envolve so desmatamento.a estrada que liga Manaus Porto velho.unica saida por terra do amazonas.NAO QUEREN QUE SEJA PAVIMENTADA.
    as hidreletricas.estao paradas ou andando a passos de tartarugas.O Brasil vai pagar muito caro por isso.e so crescermos 4%.vai faltar energia.e hidreletricas nao se faz do dia para noite.
    E OS APAGOES VIRAO.

  86. PARAXABA disse:

    Denis
    vamos fazer uma viagen virtual,a un estado da amazonia.nos encontramos en belen.pena poderiamos ir por terra.por porto velho.apreciando as florestas.mas a rodovia esta em pessimo estado.e os ecologista.tentan de todas as formas embarcaren,a pavimentaçao da mesma.tirando o direito dos manauaras,de ter uma ligaçao por terra com os rstante do pais.voltamos a belen.temos duas opçoes:aviao ou navio.como tenho pavor de agua.vamos de aviao ate manaus.locamos um carro e nosso destino é boa vista,Roraima.é tudo asfaltado.mas cheio de buracos.saindo da amazonas mais alguns km.entramos en roraima.logo em seguida vamos entrar numa reserva indigena.a rodovia é federal.o trecho que corta a reserva é apx 170
    KM,so vamos cruzar a reserva se for de dia.a noite os indios trancan a rodovia[FEDERAL].PODE SE ATE ATREVER. MAS SE FOR PEGO PELOS INDIOS AS CONSEQUENCIAS SAO IMPRESUMIVEIS.ATRAVESSANDO OS 170 km,de reserva entramos definivamente no estado.que tem 66%,de reserva indigena.sobra 34%.desses.so é permitido o corte raso de 20%..para atividades agricolas e madeiretras.,ou seja 6,8%.sobra27,2.do territorio.que devera ser conservado.pode se ate tentar um manejo florestal.mas é dificil.seguimos viagen ate um local chamado 500,um trevo,entrando para direita vamos na direçao do Para.uma estrada feita pelo Exercito.parou por ter pela frente uma reserva indigena.essa estrada falta pouco para ser concluida,alguns km.caso fosse terminada economizaria ir ate Manaus para ir para belen.encurtaria a viagen no minimo em 04 dias.sen contar que nao teriam de ir ate Manaus uns 600 km.voltando.seguimos para boavista.cidade pequena,agradavel.seguimos ate a reserva raposa serra sol.nada de floresta.um capin rasteiro..savana ou como dizen por la BANHADO.ALI PLANTAVA ARROZ EM GRANDE ESCALA..ta tudo abandonado.os indios estao na periferia de boa vista.é o arroz disparou de preço.com certza os indios tem de ter suas areas preservadas.que ja sao muito,pela densidade.mas nao tem o direito de privar outros brasileiros de trafegar a hora que quiseren,en rodovias sejan quais foren,e a raposa do sol.porque nao fizeram uma cessao.pagando aos imdios pelo uso da terra.ta tudo abandonado.e ainda um dilema.todos os nao indios,tem de deixar a reserva.mesmo os brancos que constituiran laços matrimoniais com indios.COMO UM ESTADO DESSE VAI SE DESENVOLVER.COM TANTAS AMARRAS.

  87. jorji disse:

    Voces enlouqueceram, campanha para não consumir produtos sem procedência, carnes rastreadas, produtos de madeira com certificação, num país que consome produtos roubados, contrabandeados, pirateados, até remédios pirateados, etc, em qual nação que voces estão vivendo? Um pouco mais de critério por favor, sejam mais realistas, estamos no Brasil.

  88. Chesterton disse:

    Sergio Abranches e André Trigueiro no GNT explicando o Climategate foi a piada do dia. O que seria da carreira deles sem a histeria do “Global Warming”? Nada.

  89. Chesterton disse:

    Ambiente
    No Brasil, 80% já sentem aquecimento

    Um dia antes da Conferência de Copenhague, pesquisa mostra que o país tem consciência do fenômeno, atribuído pela maioria aos Estados Unidos.

    chest- na Veja, o resultado de uma campanha publicitária bem sucedida, “convenceram” o “brasileiro” que há aquecimento global e a culpa é “dusmericanu”. Povinho chinfrim esse nosso, hein?

  90. Luiz Aurélio disse:

    Pensar que corajoso é aquele que não teve tempo de fugir nos leva a dizer que, no caso ambiental, coragem não é uma opção. Não temos para onde ir!

  91. Arthur de Andrade disse:

    Otimo texto!

    Mas eu queria mesmo agradecer pelo nome do filme. Assisti a esse filme a muito tempo, quando era criança, e gostei muito. A muito tempo tento me lembrar! Quem diria….

    PS: Cortar o próprio pé é “tenso”!

  92. Felipe Maddu disse:

    Então vamos fazer o que Jorji, se conformar e não fazer absoutamenta nada a respeito? Não é culpa dos EUA Chest, é culpa da humanidade como um todo. Mas principalmente China e os estadunidenses pois são o motor desse processo de desenvolvimento insustentável,,,

  93. PARAXABA disse:

    Renee.
    “terian que pagar o preço.pelo desespero e histeria global.com a questao ambiental”,nao,nao teriamos.
    JA ESTAMOS PAGANDO.desesperados estamos nõs.estao deixando um rastro de desempregos.fome
    e desespero.so para citar um ex,Tailandia no para,apos uma operaçao da guarda nacional.houve suicidios,muitos pais sumiram,abamdonando suas familias,por nao ter como sustenta las.isso foi consta
    tado,num recenseamento do bolsa familia.é so prestar atençao.nas declaraçoes do exmo,sr, min Carlos
    minc:LADROES,BANDIDOS.VAO TODOS PARAR NA CADEIA.sinceramente.estou começando entender,como vivian os povos,da antiga URSS.

  94. hacs disse:

    Oi Denis, para mim a coisa segue outra linha.

    Em primeiro lugar, nao dou a minima para “arjumentos” simbolicos de marketing como, por exemplo, rotular de “nao cientifico”, “negacionista”, “ignorante”, “burro”, etc, quem tem duvidas sobre a conjectura de que o homem, a civilizacao, o capitalismo, etc, sao as principais causas da mudanca climatica (ver texto “Climagate: o que diz a Nature”, FSP online). Isso eh mera reproducao automata de uma estrategia de marketing elaborada para “vender” ao grande publico aquela conjectura (ver “The Rules of the Game”, principalmente a segunda parte “a new way of thinking”, entre os documentos “hackeados” de East Anglia). Contudo, prefiro ignorar os “…estamos a beira do abismo totalitario…querem controlar o mundo…etc”.

    Dito isso, o que vejo eh uma grande confusao sobre o que eh a climatologia, como procede, como deriva seus resultados, etc. Nao estamos falando de ciencia no sentido hipotese-experimento controlado-teste-refutacao-reprodutibilidade, mas de uma forma de pensar e fazer ciencia diferente.

    Nao sei se repararam, mas ninguem se refere a experimentos em laboratorio, desenhados para controlar qualquer variavel ou efeito que nao esteja sob observacao e teste. Em geral, fala-se de observacoes diretas da natureza, leitura de dados, teorias computacionalmente testadas via simulacao, etc. Isso pode parecer irrelevante, mas nao eh nem um pouco.

    Nao sei quantos conhecem a querela que houve entre Lawrence Summers e um dos “diabos do laissez faire”, Edward Prescott. Essa disputa se deu em torno da abordagem teorico-experimental sugerida e defendida pelo Prescott, duramente criticada pelo Summers, em relacao aa real business cycle theory.

    Na visao do Prescott a teoria determinaria quais informacoes e a forma como essas seriam lidas, clivadas e testadas. Os testes via simulacao computacional de modelos teoricos corroborariam a teoria de acordo com o grau de aderencia e explicabilidade que apresentassem em relacao aos dados coletados e organizados segundo a propria teoria em teste. Porem, Summer levantou a questao da circularidade a que essa abordagem levava, defendendo que teorias, testes e dados deveriam ser logicamente independentes, pois so assim poderia se assegurar que a agenda de pesquisa na area nao ficaria derrapando em teorias auto-consistentes e erradas.

    A questao em climatologia nao eh muito diferente daquela em RBC, os argumentos em favor de sua “cientificidade” tambem nao. Ambas sofrem da impossibilidade em realizar experimentos controlados, por isso recorrem a abordagens “alternativas”. Mas climatologia sofre de um problema a mais que o simples uso de series mais e mais profundas (apesar disso ser bastante deficitario, pois para dados mais recentes ha mais variaveis para embutir nos modelos, ja para tempos remotos as series sao mais escassas, e afinal de contas o que sao 100000 anos para um sistema que possui 4 bilhoes?) nao resolve: nao tem acesso a diversos planetas com condicoes semelhantes aa Terra para que series simultaneas possam “revelar” de maneira menos ambigua as fontes de variabilidade, e as relacoes causais que se pretende inferir.

    A critica de Summer a abordagem de Prescott se aplica aa climatologia com mais forca do que em RBC. Porem, aos olhos do grande publico, economia nao eh digna de confianca, mas climatologia eh. Acreditam que se trata de quimica em laboratorio, mas nao eh. Sao “plausibilidades” consistentes na medida do que se consegue testar dentro da abordagem circular da qual sao derivadas. Se sao corretas ou nao, eu nao sei, e, de fato, ninguem sabe. Exatamente por isso procuro desviar o meu pensamento para outra questao: se eh verdade quais serao os custos de nao nos precavermos (cenarios realistas na medida do possivel ja que o unico instrumento que dispomos eh aquela climatologia), e se nao for verdade quais serao os custos de nos precavermos (de novo, da forma mais realista possivel). Ha pouco material nesse enfoque que poderiamos chamar de agnostico-pragmatico. De fato, insistem em convencer maiorias nem que seja a pedradas retoricas pejorativas que so funcionam com quem tem um forte senso de “sheepleness”.

    Continuo na duvida sobre a veracidade das afirmacoes dos que responsabilizam homem pela mudanca climatica, mas, pior do que isso, nao disponho de informacoes suficientes sobre os custos que mencionei para decidir quais medidas preventivas, se alguma, apoio.

  95. jorji disse:

    Felipe Maddu, o grande problema em relação a preservação das florestas, é que a maioria das matas tropicais estão em países de terceiro mundo como a África , America do Sul e sul da Ásia, como todos sabem, as nações situadas na faixa do Equador são as mais problemáticas, com instituições extremamente frágeis, como é o caso do Brasil, que hoje sequer consegue punir ladrões de galinha, já que não temos mais vagas em penitenciárias, isso para ficar só nessa questão. Os países do primeiro mundo são muito mais organizados, eles deveriam criar leis rígidas em relação ao consumo de produtos como as madeiras, tráfico de animais, principalmente os filhotes, porque se depender de países como o Brasil, Colômbia, Tailândia, Angola………………….é o que sempre digo, a solução está no aumento da inteligência média das populações, quando o mínimo médio do QI de todos os países do mundo , chegar a 110 pontos, aí poderemos falar em “conciência ambiental”, sr. Felipe, a solução é a inteligência.

  96. denis rb disse:

    jorji,
    O Brasil somos nós.
    Não adianta dizer que consumo consciente não funciona no Brasil porque aqui não se faz nada certo. Se você não faz o que é certo, como vai cobrar que os outras façam? Consumir produtos certificados está a seu alcance – e só nos resta atuar sobre o que está ao nosso alcance.

  97. denis rb disse:

    Verdade, hacs, é uma bela discussão. Basicamente, estamos nos deparando com um problema de dimensões maiores do que qualquer outro já enfrentado pela humanidade. Enfrentá-lo necessariamente envolve uma abordagem nova. Deriva disso muito da discussão da “cientificidade” da climatologia.

  98. Renee Voltaire disse:

    Caramba hacs, os termos “sheepleness”. “arjumentos” e “enfoque agnostico-pragmatico” acabaram de entrar no meu vocabulario, hahah

    Fora isso, lembro que Truffaut, ao se referir ao filme “Les Enfants du Paradis” de Marcel Carne, disse certa vez “Eu fiz varios filmes, alguns bons e outros menos bons, mas daria todos eles para ter assinado ‘Les Enfants du Paradis'”…

    Diria analogicamente que boa parte da mensagem que eu tentei passar nos meus comentarios anteriores poderia ser automaticamente substituida pela sua explicacao, com a excecao de que minha conclusao eh um pouco diferente, afinal tomo um certo partido em favor de algumas medidas preventidas mesmo sem ter informacoes completas dentro de um enfoque ‘agnostico-pragmatico’…

    O problema e que tomar decisoes num ambiente de incertezas faz parte do dia a dia dos administradores publicos ou privados, o que obviamente nao nos exime de fazer o maximo para buscar as melhores informacoes da melhor maneira.

  99. Felipe Maddu disse:

    Sabe qual eu acho o principal problema, super-população e ignorância. Se tivessemos menos gente no mundo e fossemos mais inteligentes… Mas a “ganân$$$$$ia” é maior.

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