Chefões, chefinhos e redes

Deixeu tentar adivinhar como é que funciona o lugar onde você trabalha. Tem um chefão bem pago numa sala bem espaçosa, que dá ordens para alguns chefinhos. Não tem? Aí cada um dos chefinhos dá ordens para um certo número de pessoas e assim por diante, até chegar à peãozada lá embaixo, que faz o trabalho.

Pegue o organograma de qualquer grande estrutura – seja ela uma empresa, um governo ou uma ONG – e o mais provável é que ele se pareça com isso:

screen-shot-2009-12-14-at-31929-pmTem uma bolinha no centro de tudo (o chefão), ligada aos chefinhos, que se ligam à peãozada.

Esse modelo de trabalho tem seus méritos. A estrutura hierárquica garante que todo mundo esteja engajado num projeto comum. Há controle sobre todos.

Mas ele tem suas desvantagens também. O pessoal longe do centro não tem autonomia nenhuma para experimentar. O trabalho deles é observar o problema, mandar as informações para o centro, esperar a decisão voltar, e depois obedecer as ordens. Isso pode ser uma baita desvantagem em tempos de mudanças de paradigma, como os atuais, quando nada é mais importante do que ter flexibilidade para inovar.

Agora, imagine que a gente vivesse num modelo que fosse mais assim:

screen-shot-2009-12-14-at-31942-pmAs bolinhas são exatamente as mesmas, mas mudou o jeito como elas se conectam. Cada uma está ligada a um monte de outras. Não tem centro, todo mundo está em contato com os problemas e tem liberdade para decidir como lidar com eles.

Isso é uma rede. Cada indivíduo aí tem suas atribuições, trabalha do seu jeito, tem seus objetivos. Cada um é o chefe do seu pedacinho. O resultado são indivíduos mais engajados, mais motivados, mais criativos. Mil cabeças, em vez de uma cabeça só com 2.000 braços.

Por milênios, esse tipo de organização era uma impossibilidade prática. Era simplesmente impossível alinhar um monte de interesses de um jeito que essa rede não virasse um caos, com cada um trabalhando para o seu próprio bem. Mas, nos últimos anos, graças às novas tecnologias de comunicação, começaram a surgir pelo mundo experiências animadoras, que dão a esperança de que logo logo vai ser possível produzir coisas grandiosas sem hierarquias rígidas.

No mundo dos negócios, o exemplo mais impressionante é o Google, claro. O Google é uma empresa gigantesca, uma corporação. Mas é também um lugar onde todo mundo é incentivado a ter seus “projetos pessoais”, que na verdade não são exatamente pessoais, são do Google. Qualquer bolinha na rede tem liberdade para inventar algo, mesmo que o chefão nem saiba do que se trata. Cada funcionário pode se relacionar diretamente com o público, sem ter que passar pela hierarquia inteira antes. Isso dá a todo mundo liberdade para experimentar e aprender com seus erros e acertos. Resultado: em poucos anos, uma empresinha de garagem virou uma das maiores do mundo.

Rede é também a forma de (des)organização da internet. Ninguém manda aqui, não há uma hierarquia. Ainda assim, bilhões de coisas são produzidas – vídeos, fotos, softwares, enciclopédias, num ritmo assustadoramente rápido, um milhão de experimentações por segundo. O mundo está mudando rápido e tenho certeza de que vão ser redes, e não estruturas hierárquicas, que vão liderar essa mudança.

Tem muita gente que adora ficar discutindo se é melhor ser de direita ou de esquerda. A direita quer menos governo e mais mercado, a esquerda quer o contrário. Para mim, essa discussão é totalmente secundária. Importante não é escolher entre empresa privada e governo – é entender como eles se organizam. Hoje, no Brasil, tanto os governos quanto as empresas são imensamente hierarquizados e autoritários. É o chefe que manda, ninguém experimenta, ninguém inova. Tanto os funcionários públicos quanto os privados estão esmagados debaixo de uma pesada estrutura hierárquica. Morre-se de medo de perder o controle.

Enquanto não aprendermos a formar redes mais  flexíveis, seremos o país da burocracia, do medo de arriscar, do autoritarismo, da falta de inovação. Tanto no setor público quanto no privado.

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39 comentários
  1. Luigi Bostta disse:

    Impressionante a decadência de Veja! Há algum tempo era inimaginável ver escrito nas páginas da revista, por um seu colunista algo do tipo: “Deixa eu tentar adivinhar como é que funciona o lugar onde você trabalha.” Isso é boçalidade pura. Vá aprender português para depois escrever sobre qualquer coisa! E não venha com a desculpa de que escreve assim porque é assim que se fala no Brasil. Se fosse o caso não era preciso fazer qualquer tipo de concordância. Se Nelson Rodrigues fosse vivo diaria: “Bonitinho, mas burrão!” .

  2. Luigi Bostta disse:

    Impressionante a decadência de Veja! Há algum tempo era inimaginável ver escrito nas páginas da revista, por um seu colunista algo do tipo: “Deixa eu tentar adivinhar como é que funciona o lugar onde você trabalha.”. Isso é boçalidade pura. Vá aprender português para depois escrever sobre qualquer coisa! E não venha com a desculpa de que escreve assim porque é assim que se fala no Brasil. Se fosse o caso não era preciso fazer qualquer tipo de concordância. Se Nelson Rodrigues fosse vivo diria: “Bonitinho, mas burrão!” .

  3. Luigi Bostta disse:

    Impressionante a decadência de Veja! Há algum tempo era inimaginável ver escrito nas páginas da revista, por um seu colunista algo do tipo: “Deixa eu tentar adivinhar como é que funciona o lugar onde você trabalha.”. Isso é boçalidade pura. Vá aprender português para depois escrever sobre qualquer coisa! E não venha com a desculpa de que escreve assim porque é assim que se fala no Brasil. Se fosse o caso não era preciso fazer qualquer tipo de concordância. Se Nelson Rodrigues fosse vivo diria: “Bonitinho, mas burrão!” .

  4. Felipe Maddu disse:

    Que bosta Luigi rsrsrrsr Vai ler os colunistas
    “Veja puro-sangue” então… tstststs…Ainda bem que trampo em casa, direto na rede!

  5. Luigi Bostta disse:

    Mas é um burrão! Rá Rá Rá

  6. Guido Merdazzo disse:

    O meu primo Luigi está com a razão! Quá Quá Quá

  7. Jiovane disse:

    quem trabalha, trabalha em algum lugar. não a algum lugar. Logo, lugar onde trabalha.

  8. Atena disse:

    Interessante a proposta, causa um pouco de medo, principalmente em quem exerce as lideranças, delegar não é coisa fácil e toda mudança causa espanto.
    Por um lado temos a vantagem da soma de conhecimentos e esforços, que é muito importante,mas por outro a preocupação é : quem vai gerenciar os conflitos?
    Para ser sincera eu acredito muito na importancia de figuras centrais, de líderes como por ex. a concepção de Montesquieu: de um líder virtuoso. Coisa rara. Na ausência de um líder verdadeiro, que abraça as causas de todos e resolve com justiça, então sonha-se com uma sociedade sem líderes. Que para mim não funciona.
    Tem gente que tem vocação para liderar, outros para obedecer.
    Em local onde todos são líderes, a coisa não anda.
    Este esquema é muito inovador, mas muito complicado para minha cabeça, pelo menos ainda.
    será que dá certo? O será que vai impatar com a mudança que a sociedade teve no setor produtivo onde da especialização optou-se para uma estratégia onde todos sabem e fazem tudo.Um tédio!!!
    De uma alienação caiu-se no oposto,outra forma de alienação. O profissional que faz tudo, MAS SEM QUALIDADE! Lucro máximo mas pouca qualidade.

    Com certeza este modelo deve causar rande geconomia para as empresas, sem líderes centrais, os saláriospagos são menores. A dúvida é essa: será que esta inovação preza pela economia da empresa?Ou busca o seu verdadeiro progresso?

    No mais parabéns pela ousadia e criatividade! Nos faz pensar muito!

  9. André Gravatá disse:

    O mais louco dessa história é que a estrutura centralizada vai na contramão da nossa própria relação com o mundo, porque no fundo estamos conectados de forma distribuída, vide nossas amizades, por exemplo. Daí chegamos na história dos coletivos, que vc mesmo mostrou na Super há uns meses.

    Nos coletivos, a vanguarda é praticamente regra, neles as tendências deixam de ser tendências e viram prática, prática DISTRIBUÍDA. Talvez o mundo será melhor quando for um grande coletivo – olha só que ideia! Dá para criar um coletivo chamado MUNDO (hehehe).

    Abraço!

  10. Priscila Montenegro disse:

    Interessante o modelo. Ok! Legal! Mas para que esse modelo dê certo, no Google ou qq outra empresa, tem que existir algum tipo de estrutura, regras mesmo. No exemplo dado, inclusive, é dito que “cada funcionário (do Google) pode se relacionar diretamente com o público, sem ter que passar pela hierarquia inteira antes”. Ou seja, há estrutura hierárquica, que por mais flexível que seja, deve ser obedecida, se não, vira bagunça. Portanto eu pergunto: que regras mínimas da estrutura de rede seriam essas, para que seja bem sucedida, como no caso do Google?

  11. denis rb disse:

    Luigi Bostta,
    Corrigi o “deixe”, obrigado.

  12. denis rb disse:

    Bela pergunta, Priscila Montenegro,
    E te digo que tem um monte de gente neste exato momento tentando achar a resposta. Não é fácil: quais são as regras mínimas para uma estrutura colaborativa funcionar, com as pessoas motivadas apenas pelos seus interesses? O Google tem sim uma estrutura hierárquica. Mas pegue o exemplo do Linux, uma colaboração não remunerada sem hierarquia nenhuma para criar colaborativamente um sistema operacional. Por que ele funciona? Basicamente: porque conseguiu reunir suficientes pessoas que acreditaram na ideia e acharam que ela merecia o seu tempo. E como fazer isso? Vai saber… Um bom livro que discute essas questões é o Here Comes Everybody, que já discuti aqui no blog.

  13. denis rb disse:

    Pois é Atena,
    Acho que a questão não é substituir todas as estruturas hierárquicas por redes sem centro: mas aprender quando usar uma e quando usar outra. Realmente há empresas tentando economizar dinheiro com redes, mas acho que a maior promessa desse novo tipo de organização é possibilitar uma organização mais fluida do mundo. Talvez no futuro haja mais gente capaz de realizar coisas grandes sem necessariamente ter a ajuda de uma grande empresa, ou de um governo.

  14. Gabriel disse:

    “Com certeza este modelo deve causar grande economia para as empresas, sem líderes centrais, os salários pagos são menores.”
    Na verdade, Atena, eu acredito que sem líderes centrais os salários aumentam. Por quê? Porque aumenta o número de funções e, principalmente, o grau de responsabilidade dos funcionários.
    Por outro lado, ocorrem demissões por parte daqueles que não possuem características gerenciais, ou seja, não dispõem de autonomia suficiente para as tomadas de decisão, seja por uma característica inerente à pessoa, seja por falta de conhecimento “não-técnico”…

    No Brasil, as empresas que mais empregam são as de pequeno porte, nas quais a maioria dos funcionários e muitos dos chefes não fazem ideia do que significa Estrutura Organizacional. Além disso, o nível educacional da população brasileira não permite que isso se torne tão comum como nos Estados Unidos, por exemplo. E, para completar, existem culturas que valorizam a disciplina e hierarquia, como é o caso do Japão.

    Portanto, a flexibilização das organizações é interessante, mas com muitas ressalvas.

  15. Maraney disse:

    Denis,

    Gostei muito do seu artigo, simples e direto, mas ainda estamos muito distantes da dura e pré-histórica realidade do dia-a-dia em alguns órgãos públicos. Ter em um órgão um chefe que beira o período obscuro da história, que sobra a ignorância e falta inteligência é de compreender por qual motivo ainda somos um país de “terceiro mundo”.
    É lamentável que na área da segurança pública, por causa desses incompetentes tenhamos extratosféricos índices de criminalidade e uma violência cada vez mais crescente. Talvez quando perceberem que é preciso ter um modelo “google” na área da segurança pública, a gente vá ter resultados positvos e projetos de redução da criminalidade realmente eficazes.

  16. Chesterton disse:

    e o Climategate?

  17. Monica disse:

    Bacana o do post, Denis. Em filosofia, a proposta do segundo “modelo” tem recebido o nome de ‘rizoma’, inicialmente conceituado por Deleuze e Guatarri (“O rizoma se refere a um mapa que deve ser produzido, construído, sempre desmontável, conectável, reversível, modificável, com múltiplas entradas e saídas, com suas linhas de fuga. São os decalques que é preciso referir aos mapas e não o inverso.” – Mil Platôs 2 – Capitalismo e Esquizofrenia). Dá bem conta deste constante processo de territorialização e desterritorialização que parece ser marca de nossa atualidade, em todos os âmbitos, principalmente em função da perde deste tal “centro” e do lugar privilegiado das instituições modernas.

    Agora, mais exatamente com relação à “estrutura organizacional”, que é a discussão do texto, acho interessante (e necessário) a idéia de empoderamento de cada sujeito no seu fazer diário x processo de trabalho. Se ainda parece complicado a supressão desta figura do chefe e da idéia de hierarquia, uma proposta que pode ser interessante é que esta função e este lugar sejam rotativos. Por um determinado momento, um sujeito ocupe este espaço, que será, a seguir, ocupado por outro do grupo.

    Tenho acompanhado grupos e organizações de trabalho que conseguiram radicalizar esta proposta: algumas coorperativas que trabalham com a perspectiva teórica do associativismo, em Economia Solidária.

    Vale ainda destacar as propostas de discussão do pessoal das novas tecnologias de comunicação e informação, principalmente da cibernética, que passam pelo campo dos sistemas auto-organizativos. Mais aí o papo é outro…

  18. mônica disse:

    Gostei da ideia, Dênis, só gostaria de saber se neste projeto está incluido a parte humana.
    sim, por que esta parte sempre fica esquecida. As empresas só se preocupam com o lucro e não dão importância ao bem-estar dos funcionários, coisa essencial para a qualidade do trabalho!

  19. mônica disse:

    Qualquer modernidade não deve ignorar suas bases, seu passado, mas aprender com ele, tentando superá-lo.
    Só não sou a favor de misturar, sabe? Esse processo de incusão deve ser feito com muito cuidado e seleção. Hoje enfrentamos muita gente maluca, desequilibrada, difícil de se conviver. Imagine se um desse dá lucro para a empresa, mas prejudica meio mundo… Precisa-se juntar lucro com felicidade pessoal ( de todos ). Aí o sucesso é garantido!
    Ou será que estou sendo sonhadora, será que dá para ser feliz ganhando dinheiro???

  20. Felipe França Silva disse:

    Denis, você é o cara!

  21. hacs disse:

    Oi Denis,
    Como voce representa os incentivos no seu diagrama (grafo)? Como eh uma ilustracao seria intessante ver uma setas (vetores) indicando quais sao os incentivos sobre cada no, para cada tipo de estrutura.

  22. Atena disse:

    Denis,
    Sabe que estou começando a gostar deste sistema?
    Ele tem um aspecto interessante: ele preza pela autonomia de todos, e, claro, delega responsabilidades.
    Começo a entender melhor e ver suas vantagens.
    Realmente, é muito interessante!!!

  23. Atena disse:

    É , concordo, Denis, é fantástico, muito criativo!

  24. Felipe Maddu disse:

    Lembrei do lema anarquista sem pátria e sem patrão hehehe

  25. jorji disse:

    “Os ideais jamais dão certo, porque não leva em conta a natureza humana”, a realidade é questão estritamente biológica, somos uma espécie que sobrevive e vive em agrupamentos, como os nossos primos primatas, e a maioria dos mamíferos que consomem mais vegetais, como o gado por exemplo, e todos tem líderes e regras. Essa alternativa sugerida pelo Denis, em um caso ou outro pode ser que de certo, mas é impossível, absolutamente impossível ser aplicado num contexto mais amplo, esse contexto de liberdade que a maioria dos idealistas “imaginam”, que fique apenas na imaginação. O fato de existir hierarquia e regras, não significa que o fluxo de boas idéias não possa ser implementada, depende da forma de incentivo e motivação, o que o mundo precisa é formar líderes com visão mais racional e humana.

  26. jay_hi disse:

    Bem, teorias do além e comentários pejorativos e totalmente desconectaddos à parte, permita-me uma crítica: você acha que aquela rede bonitinha e ideal da empresa perfeita não tem as bolinhas espertas e centralizadoras? Hmmm… Elas estão lá. Só que não aparecem para os mais idealistas.

  27. jay_hi disse:

    Complementando, acho esse tipo de visão um pouco utópico. Empresas e organizações podem se valer desse tipo de solução visando ganhos de motivação e produtividade, mas nunca com a intenção de descentralizar o controle.

    De qualquer forma, não se pode tirar o valor do seu artigo. Tenho certeza de que muitas críticas vêm de quem jamais saberia escrever algo tão objetivo e útil. Parabéns.
    (A propósito, a frase com “deixa” tinha mais impacto 🙂

  28. jorji disse:

    Utopia? A maior utopia da história da humanidade, as maiores inovações da nossa espécie vieram da instituição mais hierarquizada e disciplinada do mundo, a militar, sempre os maiores avanços se deram nas grandes guerras, a própria internet foi criação militar.

  29. denis rb disse:

    Exato, jorji,
    Os militares – uma estrutura super-hierarquizada – perceberam que teriam imensa dificuldade de inovar dentro daquela rede. Aí eles criaram grupos de pesquisa imensamente horizontais, desconectados da hierarquia, ligados em rede (primeiro o Projeto Manhatan, na segunda guerra, depois muitos outros que deram origem à internet e a boa parte da revolução do computador). Redes horizontais podem nascer de hierarquias rígidas. Na verdade, as mesmas pessoas podem se organizar de um jeito ou de outro – e a mudança muda completamente o perfil da organização e as características de seu trabalho.
    Vc sabia que esses grupos de pesquisa criados pelos militares tiveram uma grande influência teórica sobre os pensadores que inspiraram o movimento hippie na Califórnia?

  30. Felipe Maddu disse:

    HAHAHAH Jorji, o militarismo representa o atraso, as guerras, massacres e um patriotismo doentil.

  31. jorji disse:

    Denis, a influencia militar no movimento hippie eu não sabia, jamais tinha ouvido falar, realmente é interessante, e hoje, os líderes que comandam são pessoas daquela romântica época. Em relação ao comentário de Felipe, a sociedade tem tres pilares, Militar, Política e Religião, sempre foi e sempre será, aliás, até o esporte é criação militar.

  32. Felipe Maddu disse:

    Eu não curto esse negócio de todo mundo igual, fardado saca…De um comandante mandar e o cara fazer sem argumentar se está certo ou errado, mas em termos de organização é o ideal mesmo.

  33. Berenice disse:

    Geralmente, “o pessoal longe do centro, que nao tem autonomia nenhuma para experimentar”, eles ocupam a posicao as quais estao qualificados. Os seres humanos diferem grandemente em suas habilidades, vocacoes e aspiracoes. Acho que ainda nao estamos preparados para esse novo sistema. As empresas hoje, ainda encontram dificuldades em fazer o individuo desempenhar a funcao para qual foi admitido. Fico so’ imaginando quantas ideias “brilhante” surgiriam (e a que custo), caso esse direito a experimentar fizesse parte da descricao de trabalho de um maior numero de pessoas.
    Quanto a internet…e’ simplesmente um servicos a qual todos nos, ricos e pobres, gordos e magros, homens e mulheres, temos o igual direito de uso. E’ o resultado do trabalho, habilidade, inteligencia de uns poucos a servico de todos nos.

  34. Rodrigo disse:

    ótimo post! providencial =)

  35. Seu Ze disse:

    Por em prática um sistema de rede requer muita coragem. As empresas, com raríssimas exceções e em um curto período de tempo (geralmente nos primeiros anos de vida) estão a deriva, carcomidas pelo cotidiano e pelo conformismo. Esse sentimento está em todos os níveis hierárquicos. Os chefes não se mexem e os subordinados, percebendo esse clima, se entregam a mesmisse, entregando resultados pífios, fazendo jogo de cena e enrolando ao telefone e no MSN. E essa realidade não está apenas em empresas familiares, e sim em grandes corporações que são sinônimo de eficiência. No governo não preciso nem comentar.

    Eu acredito que esse sistema funcione maravilhosamente bem, mas ele requer pessoas engajadas e que entregam resultados, que possuam um bom grau de autonomia e que resolvam problemas, e que não delegam pra cima. A rede funciona no Google funciona porque ele foi criado com essa cultura. Implantar isso numa cultura que é o oposto disso é um projeto de longo prazo, muito árduo, que envolve muito choro e ranger de dentes.

    Dúvido que as lideranças queiram se engajar nisso. Há problemas mais urgentes para resolver, que é mais um traço nosso: matar um leão a cada dia, sem se planejar para um futuro distante, que sempre chega mais rápido do que imaginanos.

  36. Leonardo Valiante disse:

    Nossa, Denis.Tirou as palavras da minha boca (ou dedos).

    Trabalho com tecnologia aqui no Brasil e acho impressionante como a empresa é hierárquica e rígida. E fico impressionado como as pessoas também não se tocam que tecnologia é criatividade e esta não pode ser limitada a atendimento de ordens superiores.

    Mas o mais preocupante mesmo é que não vejo ninguém com essas aspirações de mais liberdade pra criar. Parece-me que todo mundo quer ser mesmo funcionário e obedecer cegamente um superior e rezar para não chamar atenção até a aposentadoria chegar…estamos mal…

    um abraço e é sempre uma injeção de ânimo lê-lo.

  37. Iris disse:

    Enriquecendo a discussão: Conheci o trabalho do Augusto de Franco no TEDxSP e acho que vale acrescentar aqui, já que ele falou sobre as redes de forma magnífica no evento! http://escoladeredes.ning.com/
    e no twitter @augustodefranco
    Abraços!

  38. denis rb disse:

    Sem dúvida, Iris.

    Foi a palestra do Augusto no TEDx que me deixou encafifado com esse assunto. Ele é ótimo.

  39. Bruno Garcia disse:

    Não me surpreendo que várias pessoas achem esse modo de trabalho utópico. Pra mim, você descreveu em detalhes uma proposta de organizaão de trabalho no comunismo. Não, eu não acho ruim, acho que tem coisas ótimo no modo comunista. E sim, todo mundo sempre acha que comunismo não vai dar certo, assim como acharam sua visão utópica.
    Mas ela me parece simples, é só todos os trabalhadores estarem de acordo e conscientes da sua função. Por que isso pode funcionar bem na Alemanha, no Japão, em Cuba e outros países que têm consciência da importância humana do trabalho e no Brasil não?

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