Você abre mão do quê?

Uma vez fui a um jogo de futebol especialmente lotado – um Brasil e Argentina no Morumbi. Na saída do estádio, havia uma multidão na rua. Fiz o que costumo fazer: saí andando em frente, me enfiando entre as pessoas, certo de que uma hora eu me afastaria o suficiente do estádio para que diminuísse o aperto. Mas o aperto foi aumentando, porque as pessoas vinham de todos os lados – umas subindo a rua, outras descendo, umas por trás, outras pela frente

Até que chegamos a um impasse. Os movimentos pararam. Não havia mais como avançar, dei de cara num paredão de gente. Não havia como recuar – atrás de mim um outro paredão de gente me empurrava, ainda na esperança de avançar. Por um instante, entrei em pânico.

“É assim que se morre esmagado?”, pensei.

Mas, depois de uns longos minutos, a pressão foi cedendo. As pessoas atrás de mim conseguiram dar um passinho para trás, as pessoas à frente também. E logo eu estava longe da multidão. Não aconteceu nada de grave. Poderia ter acontecido.

torcida

Conto essa historinha banal porque ela me veio à cabeça esses dias, enquanto eu pensava no atual momento do nosso modelo de civilização. Também aqui, chegamos a um impasse. Depois de algumas décadas com cada um de nós seguindo em frente, na esperança de que tudo fosse dar certo, estamos presos, imobilizados. Parte da humanidade clama por um passinho atrás. Outra parte segue empurrando para a frente. No geral, o que se vê é a galera entrando em pânico: uma sensação de que a coisa vai feder, de que estamos sendo esmagados, de que os empurrões vão ficar cada vez mais fortes até não haver espaço nem para o ar dentro dos nossos pulmões.

A aceleração das mudanças climáticas, a aceleração das extinções das espécies, as oscilações violentas da economia mundial, o colapso das cidades, tão bem exemplificado pelo trânsito ou pelas enchentes que tomaram São Paulo, são só alguns dos sinais de que não dá mais para continuar seguindo em frente. Precisamos mudar de rumo. Precisamos trocar de modelo.

Lógico que fazer isso é mais fácil de falar do que de fazer. Somos uma multidão, e cada um de nós tem sua própria vontade. Você pode até gritar “vamos todo mundo para cá”, ou “vamos todo mundo para lá”, mas cada um decide se obedece ou não. Cabe a cada um de nós resolver se vai diminuir o ritmo ou apoiar os cotovelos no sujeito da frente e empurrar mais forte.

Eu não sou santo. Tenho plena consciência de que faço parte do empurra-empurra. Tenho uma pá de hábitos insustentáveis: consumo demais, viajo demais de avião, gosto de cheeseburger. Nos últimos anos, no entanto, comecei a abrir mão de coisas: me livrei do meu carro, cortei meu consumo, abandonei os sacos plásticos, fiz uma composteira no quintal e reduzi bruscamente minha produção de lixo. Não sou santo, repito. Não tenho hábitos perfeitos. Mas estou fazendo força para dar um passinho para trás. Estou abrindo mão de algumas coisinhas, na esperança de que o aperto diminua para todo mundo (inclusive para mim e, principalmente, para o meu filho, que ainda não nasceu).

No geral, abrir mão dessas coisas tem sido mais um prazer do que um sacrifício. Livrar-me do carro, por exemplo, fez de mim um sujeito mais feliz, mais magro, mais saudável (e, nos últimos meses, mais molhado). Esqueci o que é ficar preso no trânsito e fiz um monte de amigos passando por eles de bicicleta.

Não acho que vamos “salvar o mundo”. Não acho que vamos nos mudar para o éden verde. Mas tenho esperança de que eu vá sentir de novo a mesma sensação daquela tarde de vitória brasileira no Morumbi: o alívio de saber que a vida continua.

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87 comentários
  1. Surfs disse:

    Também procuro, na medida do possível, deixar para trás habitos que considero incompatíveis com a realidade do mundo de hoje. Quando estou em Sampa, por exemplo, o carro fica na garagem e vou trabalhar de bike. Tive a sorte de encontrar um apê que fica no meio do caminho, entre a imigrantes e meu trabalho. Acho importante que todos procurem se livrar de hábitos insustentáveis, como uso excessivo de sacolas plásticas, etc. Mas também é importante deixar claro que enquando a agricultura consome (e desperdiça) uma quantidade absurda de água e municípois não tratam seus esgosotos, falar para o cidadão “fechar a torneira” segue (infelizmente) sendo um ato simbólico, ainda que de resistência.

  2. Gabriel disse:

    Desculpa eu não estar comentando o seu post especificamente (mais uma vez), mas é que eu tenho bastante curiosidade de saber uma coisa:

    – Você poderia nos dizer o que a Editora Abril pretende fazer com o material dessa viagem de 7.000 km pelo Brasil conhecendo jovens engajados em uma determinada questão/tema/problema? Parece ser bem interessante.

  3. denis rb disse:

    Gabriel,
    Eu não estou mais trabalhando na Abril (faço apenas este blog).

    Sei que eles estão dando continuidade ao projeto, e preparando um lançamento que apele a jovens adultos.
    Eu, da minha parte, aprendi pra caramba naquela pesquisa, e ela tem inspirado todos os meus planos profissionais desde então.

  4. Luciana disse:

    Muito bom…como sempre!!!

  5. paula juchem disse:

    Que maravilha de texto! adorei ! Eu também fiz minha composteira, agua pra beber da torneira , não compro produtos com segunda e terceira embalagem alias, compro somente o necessário, yogurte e pão feito em casa …. verdura fruta e carne direto do agricultor que cultiva nas redondezas …. fora isso bons papos com os filhos sobre brinquedos e mais brinquedos de plastico que da bem pra viver sem ou melhor ainda inventa-los é uma otima brincadeira , também roupa herdada do vizinho com remendo no joelho ( como na minha infancia!) e o prazer de curtir a casa com menos luz e aproveitar o máximo a luz que entra pela janela … …o legal como você diz é que tudo é um super prazer, não existe sacrifico numa vida com menos impacto ambiental …. abração Denis, adoro teu blog!

  6. Thiago Eibel disse:

    Excelente, também vou tentar melhorar meus hábitos e passar essa idéia pra frente

  7. jorji disse:

    Abrir mão do meu carro agora é impossível, já que preciso dela para trabalhar, consumo apenas o necessário, jogo o lixo na lixeira sempre, mas mudar os nossos hábitos é difícil. Uma das medidas que deveriam ser implementadas no Brasil, nas nossas escolas, uma é educação em dois períodos, outra acrescentar no currículo a educação de trânsito, outra sobre o comportamento ético, e por fim a educação ambiental, o que sempre digo, o ideal é criarmos indivíduos com qualidade melhor, tanto em inteligência como em ética, o uso das tecnologias seriam mais racionais, quem ganharia mais com isso seria a “vida”.

  8. Ricardo Galvão disse:

    Querem mudar hábitos?
    o mundo?
    Parem de usar geladeira, comprem só coisas de consumo imediato…
    Sem enlatados é CLARO!!!!
    carne?
    só pra consumo imediato, e olhe lá.
    a quantidade seria apenas o suficiente
    Simples….
    Muita fruta, verdura e legumes….
    Leite PODE SER EM PÓ…
    Alimentos só liofilizados (des-hidratados), nada de conservantes…
    para carregar compras pra casa?
    Furoshiki (bolsas e embrulhos feitos de pano)
    querem mais?

    Fora o furoshiki
    Estas idéias não são minhas são da minha avó….

  9. Alex Silva disse:

    Parabéns pela explêndida matéria.
    Por desconhecimento, nunca havia passado por estas partes.
    Que ótimo que a primeira investida foi de grande valia.
    Agora, deixa eu ir, pois preciso colocar as matérias deste blog em dia.
    Um abraço para esse pessoal consciente.
    O mundo precisa muito de gente assim, e agradece.

  10. Paulo Vidal disse:

    Denis
    Textos como este teu, deveria ser lido em todas as escolas,de todos os graus, para que os estudantes conheçam o que é possível ser feito e ser enviado para todos os governantes, para que após elês lerem, criassem vergonha na cara e deixassem de só fazerem o jogo do capitálismo consumista.

  11. Rodrigo disse:

    Cara, você é um ambientalistazinho hipócrita. Fica com esse papo furado hippie de ciclista, e como bom classe média alta (nada contra, que fique claro) viaja tanto de avião como um americano médio ( ou mais) que você tanto critica.
    SEU HIPPIE ECO-CHATO-COMEDOR-DE-MATO!

  12. Rodrigo disse:

    Ô sr. Paulo Vidal, já que você é tão contra o “capitalismo consumista” vai morar em Cuba ou na Coréia do Norte!

  13. denis rb disse:

    Rodrigo, não sou hipócrita. Seria se não reconhecesse a insustentabilidade dos meus próprios hábitos, mas reconheço. Não sou santo, repito. Sou parte do problema. Mas estou empenhado em achar soluções, não em apontar o dedo para os outros, como se eu fosse perfeito. Já vc prefere apontar o dedo. Vejo 2 possibilidades: ou vc é perfeito ou o hipócrita aqui é vc.

  14. Rodrigo disse:

    Sai pra lá com essa moralzinha de boteco! Mesmo admitindo você continua sendo um hipócrita, justamente por defender um ponto de vista e, na prática, mesmo admitindo, fazer outra. É “cool” demais andar de bicicletinha em São Paulo mas não dispensar uma boa sessão de compras em NY ou Paris né?
    E insisto, você admitir só o torna um hipócrita confesso!

  15. Cintia disse:

    Rodrigo querido, porque o que o Denis escreveu te atingiu tanto? O que voce tem feito de tão errado? Porque tanto ódio no coração? Rodrigo o chato, me desculpa, é voce!

  16. Rodrigo disse:

    Cíntia, vai comir capim junto com o bicho-grilo de Denis!

  17. denis rb disse:

    hahahahaha
    Rodrigo, sua argumentação tem a consistência de um castelo de cartas. É dar um peteleco e tudo desmorona. Pelo amor de deus, pense um pouco antes de se expor publicamente. Veja só, item por item:
    – “hipocrisia, s.f. 1. Afetação de uma virtude, dum sentimento louvável que não se tem. 2. Impostura, fingimento, simulação, falsidade. 3. Falsa devoção”, do Aurélio. Por favor, me diga onde no meu texto eu me declarei virtuoso. Repito para você: “não sou santo”, “tenho plena consciência de que faço parte do empurra-empurra”, “tenho uma pá de hábitos insustentáveis”. O que no meu texto é falso, fingido, simulado? Já você, histérico, está apontando o dedo na minha cara e me declarando hipócrita por fazer compras sei lá onde. Você está sendo sincero nessa acusação que faz a mim? (sem me conhecer?) Você é mesmo assim tão virtuoso? Ou é a tradução exata do que o Aurélio quis dizer?
    – você me chama de “comedor de mato”. Não reparou que eu acabei de declarar que adoro cheeseburger? Você lê as coisas antes de ter chilique ou tem uma resposta padrão para tudo que te incomoda?
    – quem foi que disse que eu faço sessões de compras em Nova York ou Paris, meu chapa? Você não me conhece, rapaz. Eu viajo sim muito de avião, muito mais do que um brasileiro médio (embora talvez nem tanto quanto um americano médio). Viajo porque adoro, porque sou fanático por explorar o mundo – e, se tivesse mais grana, viajaria mais. E tenho plena consciência de que isso multiplica muitas vezes meu impacto ambiental. Isso não impede que eu faça esforços em outras áreas da vida para neutralizar ou compensar esse impacto. Tenho também absoluta certeza de que, se houver suficiente pressão de consumidores de passagens como eu, os fabricantes de avião terão que pensar num combustível mais limpo. Se isso me custar ter que demorar umas horas a mais para chegar, eu topo. Demorar umas horas a mais, para mim, não tem problema nenhum. Estou acostumado a viajar de bicicleta, não ligo para chegar rápido. Fui, por exemplo, de San Francisco a Los Angeles pedalando. 800 km. Viajo para isso. Não para fazer compras.
    – “é cool demais andar de bicicletinha em São Paulo”? Ah, meu chapa, garanto para você: você não tem a menor ideia do que seja “andar de bicicletinha em São Paulo”. Olha aqui: andar de bicicleta em São Paulo é conviver com a sensação de que, a qualquer momento, você pode ser atingido por um motorista idiota louco desvairado histérico. É estar sempre esperando um impacto, desses de quebrar osso, de rasgar carne. Já fui atropelado, por uma maluca que veio de trás sem me ver. Garanto para você, Rodrigo: não é cool. Dói. Garanto para você que não tem nada de cool a preocupação de esperar minha esposa chegar à noite, porque ela trabalhou até tarde e está voltando de bicicleta. Não tem nada de cool ligar para a polícia e perguntar se teve algum acidente envolvendo bicicleta na região do Largo da Batata. (Não tinha acontecido nada – foi só um desencontro, marcamos num restaurante e eu entendi que era outro.)
    – e eu não critico o americano médio. Critico nosso padrão de consumo, não pessoas. O que é insustentável é o modelo, não os “americanos”. E você é um soldadinho do modelo, defendendo o status quo, todo bravinho. Sabe por quê? Porque tem preguiça de pensar por conta própria.
    Como eu li num muro outro dia, “Deus deu a vida para cada um cuidar da sua”. Larga do meu pé, Rodrigo. Vai cuidar da sua vida.

  18. Rodrigo disse:

    Denis, você deve ter descoberto a palavra histérico hoje! Isso sim é que é chilique! Aqui na minha terra a gente chama isso de piti! Alguém que se expõe publicamente, tendo um blog no site da revista Veja, não deveria ficar tão nervoso com comentários! E usando do seu método eu é que pergunto: EM QUE MOMENTO EU ME DECLAREI VIRTUOSO? A questão nunca foi medir quem é mais ou menos virtuoso. O que eu critiquei no seu texto foi perceber uma postura comum em quase todos os ambientalistas: um peso na consciência em consumir, o que leva a essas compensações tolas, puramente simbólicas. No fundo é uma hipocrisia sim, no terceiro sentido. A sua falsa devoção à também falsa causa ambientalista.
    Não, e a frase: “E você é um soldadinho do modelo, defendendo o status quo, todo bravinho. Sabe por quê? Porque tem preguiça de pensar por conta própria.” Veja bem, soldadinho do modelo defendendo o status quo é a frase mais “aborrescente rebelde” que eu já li. E vinda de um adulto. É deprimente!

  19. denis rb disse:

    Não to nervoso não, Rodrigo. Estou é me divertindo pacas com tanto lugar-comum.

  20. Rodrigo disse:

    Falou Denis, eu sou o cara do lugar comum e você é o cara das idéias originais e complexas
    Então ficamos assim!

  21. Pedro disse:

    Para mentalidades como a sua, temos um apelido legal por aqui. HSP – Hippie Sujo Poser. Sua pseudo-atitude é vã e vazia, como todo poser da esquerda chique (proto-comunistas), aliás. De quê abro mão? Do seu texto pobre, oras.

  22. Vitor disse:

    Regra fundamental da internet: Não alimente os trolls. O Rodrigo é obviamente um, Denis, não vale a pena. Sei que é importante dialogar, mas existe também o murro em ponta de faca. Está claro que ele não entende o teor do seu texto. Ambientalista, ecochato, comedor de grama, que importa? Ele é que é o ecopassivo, que vê o mundo se acabando e vira a cara por medo de reagir.

    O grande lance é que, quando percebemos o tamanho do impacto, vem também a sensação de impotência. E haja força de vontade, convicção pra vencer a impotência e seguir lutando. O fato é que quem está na zona de conforto faz de tudo pra não sair dela. Tenho certeza de que é o caso dele. Pecados ambientais todos temos, pecados todos temos. Eu tenho os meus e também já falei sobre eles. Aliás, confessá-los passa longe da hipocrisia: é exatamente a transparência, é assumir que somos todos falíveis. E permite evitar uma atitude superior, prepotente, à la Dogville.

    Meus pecados ambientais você encontra aqui: http://nossoquintal.org/2007/12/03/pecados-ambientais/

  23. Lívia disse:

    Rodrigo, tem blog bem mais bacana pra blá blá blá desse tipo, à vontade: veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

  24. Karla Cunha disse:

    Parabéns Denis, me identifiquei muito com o seu texto, pois aos pouquinhos, também tenho mudado meus hábitos, mas ainda estou longe de ser um exemplo de sustentabilidade.
    Sou arquiteta, também tenho um blog e me sinto muito responsável pelo grau de influência que posso passar, principalmente através de meus projetos e, felizmente, as pessoas parecem bem dispostas a também abrir mão de algumas atitudes.
    E como eu te falei, aos poucos a gente vai incorporando novos hábito e abrindo mão de outros, é assim mesmo.

  25. Felipe Maddu disse:

    Este post achei logo de cara que ia ter uma repercussão de pessoas que só perguntam coisas do tipo “E o Climagate” ou que pensam que o blogueiro é Hippie ou coisa que o valha. Achei repetitivo o foco da discussão, apesar de ser maravilhoso o espaço, e dá tristeza saber que a maioria não tá nem ai ou, pior, sabe que o modelo tá desgastado e finge que tá tudo bem.

    *Desculpe se ofendi alguém no post anterior, também não sou santo rsrsr

  26. Anouk disse:

    Denis,

    Fico aqui pensando no batalhao de fraldas que um bebê utiliza. Aproveitem e comprem fraldas de cambraia de algodao ou de linho. Sao ótimas para a natureza, mas nao para o bumbum do bebê que fica todo molhadinho. Nada de preguica na hora da alimentacao do rebento, comida de vidrinho nao vale. Também nao vale brinquedos de plástico, essas coisas “mudernas”.

    Felicidades para você, a sua Joaninha e o bebê.

  27. C Bomfim disse:

    Lamentável a atenção e espaço dados ao comentário do Rodrigo…
    Denis, continue com seus textos e (boas) atitudes, eles servem para que as pessoas leiam e pensem (ou não).
    Esse tipo de discusão só muda o foco da questão, ou melhor, o tema da coluna, para rusgas pessoais que definitivamente não interessam aos leitores.

  28. hacs disse:

    Oi Denis,
    Que discussao brava aquela com o Rodrigo. De tudo o que ele disse concordo com uma coisa, uma pessoa ecologicamente correta eh simbolico, mas a ideia eh massificar essa atitude, certo? E se discordar da solucao, o que eh natural, concorda com o proposito? A conservacao/manejo da natureza ja faz parte dos objetivos em toda parte, como o combate aa pobreza por exemplo, e as discussoes sao sobre as formas de se abordar o problema. Eu enfatizo acoes massivas por natureza (tecnologias – sentido geral de processo – usadas no sistema produtivo: o excesso de transporte, embalagens, petroquimicos, materiais nao reciclaveis, processamento, etc., ineficiencias contabilizadas ha pouco tempo), outros acoes individuais que possam ser extendidas, servindo de exemplo, mirando mais os habitos, o lado da demanda por assim dizer. O que o Rodrigo propoe alem de bilis?

    Abs

  29. hacs disse:

    estendidas (saiu extendidas)

  30. Leandra disse:

    Caramba, que novela essa discussão com o tal Rodrigo. Confesso que me diverti com os impropérios que ele escreveu.
    Sobre o artigo, bom, sou suspeita para falar, pois admiro demais seu trabalho.
    Desde muito tempo na Super até sua coluna na Vida Simples (você faz falta lá).
    Também trabalhei na Abril durante alguns anos, mas a timidez sempre impediu de me aproximar de você.
    Bom, até o próximo artigo, fico aqui ansiosa aguardando.

  31. denis rb disse:

    Poxa Vitor…
    Eu preciso dar um milhozinho pros trolls de vez em quando. Eles dão audiência, fazem um monte de comentários. Ajudam a justificar meu salário… 🙂

  32. Rodrigo disse:

    Denis, muito obrigado pelo milhozinho! Dá orgulho de ver o tanto que vocês ambientalistas são generosos e democráticos. Basta não concordar com a opinião da maioria que comenta no blog e só pode ser troll. Alguém que pura e simplesmente tem opiniões diferentes não passa pela cabeça de ninguém aqui!

  33. Luna disse:

    Profissionais competentes geralmente usam de sutileza no engaje de bate-boca com os leitores. Geralmente sabem quando devem e, se devem responder a provocacoes dos anonimos do outro lado.
    Aumentar audiencia com pastelao…nao acho que seja uma forma gratificante de justificar o salario(rsrsrs).
    E quanto a mim…eu abro mao de ter filhos, em beneficio das criancas que ja estao aqui. O negocio e’ adotar. Assim, desta maneira simples porem eficaz, se pode resolver o impasse e desafogar o planeta.

  34. Surfs disse:

    Denis, esse lance que vc comentou lá em baixo, sobre o risco de se andar de bike em Sampa é super importante, acho que veleria até um texto.

    As pessoas tem uma visão um pouco romântica sobre andar de bike em Sampa e é uma visão bem equivocada, já que a prefeitura ignora o ciclista e já deixou bem claro que é contra quem ajuda a aliviar o trânsito caótico dessa cidade.

    Mas existem medidas mitigatórias para aliviar o problema. Eu, por exemplo, tracei uma rota ‘casa-trabalho’ onde 90% do trajeto é feito por ruas pequenas, onde carros não “conseguem” andar em alta velocidade. Faço uma volta maior para chegar ao meu destino, mas o trajeto é muito prazeroso e bem mais seguro do que se optasse fazê-lo por avenidas (o que definitivamente não recomendo).

    Abs

  35. Felipe Maddu disse:

    Rodrigo, o Denis é o blogueiro mais democrático do site, sorry. O Belloto que tem um blog com perfil mais parecido com o deste, tem moderação. O Reinaldo dificilmente libera um comentário contra sua “seita” e o Augusto Nunes publica metade do comentário e faz uma chacota arrogante no resto. Ou seja, pelo menos apresente algum embasamento nos comentários, senão não passa de um reles troll.

  36. paula juchem disse:

    Luna, outro dia li um comentario legal sobre botar filho no mundo … quem escrevia era uma mulher de 40 anos, ela falava assim … o problema não é fazer nascer um filho, o problema é o estilo de vida que voce essa criança vai ter, porque se eu pensar na quantidade de energia que eu consumia na minha infancia nos nos 70 e compara-la ao quanto consumo agora ,,,, a de agora equivale a umas 10 infancias daqueles tempos, tudo mudou muito, a oferta é grande demais.

  37. denis rb disse:

    Pois é, Surfs,

    As pessoas acham que o único jeito de tornar a cidade mais segura para bicicletas é construindo infraestrutura cara e tirando espaço dos carros (a prefeitura, inclusive, tem essa visão). Mas na verdade, com inteligência, dá para criar uma rede bem razoável em SP apenas sinalizando ruas de pouco movimento. Só que, para isso, a prefeitura teria que estar preocupada com isso: investindo em sinalização, em pesquisa, em informação.

    Ou talvez não seja a prefeitura mesmo que vá conseguir fazer isso. Talvez seja papel da sociedade civil organizada mapear essas rotas, sinalizá-las e divulgá-las. Temos um projeto assim, ainda muito incipiente, mas promissor.

  38. denis rb disse:

    hehe
    Calma, Rodrigo

    Não modero nada a priori, mas o sistema segura os comentários sempre que há links (para evitar spams). Portanto, comentários com links demoram mais para entrar.

    Não deleto nada, a não ser que seja spam, contenha ofensas, tenha propostas comerciais ou incorra em comportamento criminoso.

  39. jorji disse:

    Não estou falando, educação é o problema, educação ambiental já!

  40. Rodrigo disse:

    Bom, não sabia que links automaticamente levavam à moderação. Peço desculpas por ter precipitado a minha opinião (especificamente quanto à suposta censura que achei ser vítima).
    Agora Denis, sem querer brigar com você, gostaria que você comentasse essa nova denúncia, agora contra as falsas previsões de derretimento da geleira do Himalaia até 2035. Junto com o climagate realmente não parece que algo de errado há no ar? Não é possível continuar sustentando a tese do aquecimento global com tantas provas de uso errado de dados coletados, até a fraude pura e simples.

  41. Surfs disse:

    Denis,

    Muito legal essa idéia de mapear rotas para bike em Sampa. Faço uma que considero muito legal entre Moema e Santo Amaro. Inclusive, fiz umas fotos do trajeto pois minha idéia é montar um blog sobre isso, mas antes preciso organizar tudo. E aí, bate uma preguiiiiiça…rs

    Abs

  42. denis rb disse:

    Rodrigo,
    Eu, pessoalmente, acho que tem um equívoco aí na forma em q vc interpreta esses dados.
    Ha sim incertezas sobre como exatamente as mudanças climáticas vão afetar a vida na Terra. Não espero que os climatologistas vão acertar suas previsoes – pelo contrário: num sistema mais aquecido (portanto com mais energia), o que aumenta é a imprevisibilidade do clima, as chances de que fatores diversos se combinem provocando consequências inesperadas.

    Eu moro em São Paulo. Por aqui está caindo um dilúvio bíblico (ja foram mais de 40 dias seguidos de chuva). Foi o janeiro mais chuvoso desde 1947. Tudo indica que isso é efeito de um fenómeno cíclico natural (o El Niño) combinado com um aumento de umidade vindo da Amazonia, causado pelo aquecimento do Atlantico, que pode ser um efeito crível das mudanças climáticas provocadas pelo homem. Pode ser mera coincidência? Pode ser um fenómeno absolutamente natural? Pode. Não tem como ter certeza. Não da para comprovar que a chuva de ontem foi causada por isso ou por aquilo. Não dá para repetir a chuva de ontem no laboratório.

    Mas dá para dizer o seguinte: segundo todos os modelos, a temperatura global está subindo. Com isso, previu-se um aumento de eventos climáticos extremos (tempestades, tufões, nevascas, secas). Ninguém tinha previsto especificamente um diluvio bíblico em SP – assim como não duvido que algumas das previsões específicas q foram feitas não se concretizem. Mas a previsão mais relevante não é sobre eventos específicos, é sobre o quadro geral. E essa esta sim sendo confirmada (na verdade superada) pelos fatos.

  43. Gabriel disse:

    Uau! De “hippie eco-chato comedor de capim” para “agora, Dênis, sem querer brigar com você(…)”.

    hahahaha

    Sem comentários. Qual é o próximo passo agora? Se converter a “hippie eco-chato” e ir importunar o Reinaldo Azevedo, chamando-o de “hipócrita neo-liberal destruidor de camada de ozônio”?

  44. denis rb disse:

    Eita, Gabriel… Ele quer parar de brigar. Por que voltar a provocar? Deixa quieto.

    Acho massa q o blog seja um fórum de gente com ideias diversas. Mas temos q evitar q isso descambe para a briga, q aí ninguém ouve mais ninguém.

  45. Roberta F. disse:

    Bela metáfora, cara. É mesmo essa sensação da multidão apertada, sem saída, que não dá pra mudar sozinho – só se todos forem na mesma direção.

    Pô, mas te juro que tenho visto mais gente dando passinhos pra trás do que operando no “salve-se quem puder”. Sem perfeição, impossível, mas com boas intenções, abertura pra repensar, pequenas ações aqui e ali que, se não resolvem, são um começo. Dá pra sentir um movimento surgir.

    Vídeo muito bacana que fala um pouco disso é esse aqui, do Generation We: http://www.youtube.com/watch?v=vknHKTy1MLY

    Da minha parte, também abri mão do carro, reestruturei a vida para fazer toda a logística casa-trabalho-escola das crianças-comércio pra fazer tudo a pé; reciclo e composto; compro usado, orgânico, sem embalagem nem sacola; dôo pra muitas iniciativas em que acredito; planto muitas árvores (muitas mesmo – comprei um terreno pra isso); tento exercer a cidadania ativamente, de votar a infernizar o MP pra abrir processos; comando minha empresa com valores bem pensados e coerentes; e, principalmente, tento ser um exemplo pras crianças, o que dá um puta trabalho, que exige mais escolhas difíceis que saídas fáceis, mas que, espero, vai valer a pena no futuro.

    E olha, mídias conservadoras como a Veja abrir espaço para cabeças novas como a sua me fazem achar que as coisas realmente estão mudando 🙂

  46. Roberta F. disse:

    Agora, Denis, fala sério! Esse Rodrigo não existe, né? É teu sobrinho de 16 anos fazendo polêmica? Haha! Porque é divertido, mas não dá pra levar a sério… opiniões raivosas vazias de argumentação + prepotência + desejo louco de chamar atenção + MUITO tempo livre = ideias de um adolescente naquela fase em que acham que descobriram uma verdade que ninguém mais vê.

    Gênio, o personagem. Sendo ou não teu sobrinho, o teenager aí merece um abraço e um baita muito obrigado. Um detrator assim vale ouro! Será que ele sabe que cada vez que posta indignado, faz teu salário valer a pena, quiçá aumentar? Haha! Nessa toada, daqui a pouco vai valer a pena dar uma comissão pro menino ficar chilicando aqui, hein? Eu pagava!

    E os leitores tipo eu agradecem: graças ao Rodrigo e afins, a coluna do Denis permanece, mesmo sendo uma estranha no ninho – e é de longe a melhor coisa do site. Valeu, Rodrigo! Abraço pra sua mãe, que te colocou pra ler Veja tão cedo. Não é assim que educo meus filhos, mas alguém tem que fazer esse corajoso trabalho pra garantir detratores nesse século das boas intenções. Nesse período de transição de gerações, participações como a do Rodrigo ajudam a fazer com que as velhas instituições financiem e divulguem ideias que importam, como as do Denis (e que assim, transformadas em polêmicas com grande audiência, mais rapidamente se tornarão dominantes).

    Pô, Denis, lembra aí: quando o menino completar 18, a gente deve umas cervejas pra ele pelo apoio todo 🙂

  47. jorji disse:

    Jeitão de hippie o Denis tem!

  48. Rodrigo disse:

    Denis, mas você não tocou no xis da questão! Previsões erradas ou fraudulentas mesmo, como as do link que eu deixei alguns comentários atrás são alardeadas como prova cabal de que o aquecimento global é culpa do homem. Cara, isso tem efeitos práticos. A questão não é se há aquecimento ou não. A questão é se a culpa é da atividade humana ou não. E as pesquisas do IPCC que diziam que a culpa é da atividade humana se mostraram a mais pura fraude da história da ciência.
    Afinal, se esse aquecimento verificado (cujo pico, aliás, foi em 1998) é naturalmente cíclico, de nada adianta mudar nosso estilo de vida ( com um custo enorme para as liberdades individuais, através da mais descabida reengenharia social), ou desaquecer artifialmente a economia mundial, o que traria o caos e prejudicaria bilhões de seres humanos que vem melhorando seu nível de vida justamente neste momento histórico em que vivemos.
    E porque isso? Por pura ideologia e não ciência?
    Denis, não dá pra ignorar que essas questões fazem toda a diferança ao se analisar este assunto!

  49. denis rb disse:

    Rodrigo
    Não concordo com nada do que vc disse. Transformar um único email dúbio hackeado (o tal “climategate”) em “prova cabal”, que instantaneamente invalida 30 anos de pesquisa envolvendo milhares de cientistas, é factóide.
    Mas, ainda que fosse verdade, é pelo menos discutível a tese de que a mudança da matriz energética traria apenas prejuízos. Não é assim que China e EUA estão enxergando: ambos estão investindo bilhões para dominar esse setor. Ambos estão acreditando que a mudança da matriz vai criar um novo mercado, colossal, e que isso vai inaugurar uma época de inovação e dinamismo, com oportunidades para países e setores que estavam excluídos da economia do petróleo. E a vantagem extra de tirar poder das petrocracias e colocar poder nas democracias dinâmicas. O Brasil está incrivelmente bem situado nessa discussão: tem uma matriz energética miraculosamente limpa, vive um bom momento econômico e poderia sair na frente. Mas ninguém está propondo um modelo agressivo para se aproveitar desse momento: nem o governo, nem a oposição, nem o empresariado, nem a sociedade civil. Acho que essa paralisia reflete a preguiça mental que imobiliza este país. E acho que ficar dizendo “não temos certeza das causas humanas do aquecimento global, vamos ficar parados esperando” é uma manifestação dessa atitude preguiçosa.

  50. Rodrigo disse:

    Denis, me desculpe, mas nenhuma prova que te apresentarem vai te convencer porque você já fechou questão com você mesmo que o aquecimento global é culpa humana e pronto.
    Dizer que o se convencionou chamar de “climagate” de factóide porque os emails foram hackeados é brincadeira. Queria o que? Confissão pública de “fraudamos as pesquisas” por parte dos pesquisadores envolvidos?
    E outra, não se trata de preguiça. O problema, muito provavelmente, nem existe. Mas essa discussão complica porque nenhum fato, por mais escandaloso que seja, vai te fazer sequer pensar na possibilidade de estarmos vivenciando um grande engodo.
    É uma pena!

  51. Rodrigo disse:

    Só para completar, não são China e EUA que estão supostamente sendo visionários.
    Na China, temos uma elite burocrática que não dá a menor pelota pro que sua população pensa. Então, não sabemos o que os chineses pensam deste assunto.
    Já nos EUA, nós sabemos o que os americanos pensam. São, em sua maioria, refratários às políticas ambientalista que vão enfraquecer a economia americana. Esse debate, nos EUA, está longe de ser unânime a favor das teses ambientalis, apesar do governo Obama.

  52. Rodrigo disse:

    Ô Roberta F., gênia de ser você né? Uma moça bem culta, que aceita opiniões divergentes, de fato uma democrata!
    Bobo mesmo devem ser eu e os 31.486 cientistas americanos, incluindo 9.029 com PhD, abaixo listados, que também não acreditam na tese do aquecimento global antropogênico!
    http://www.petitionproject.org/
    A propósito senhora ou senhorita culta e educada, eu estou aqui, dando a cara pra bater em um espaço em que sou visivelmente minoria. Para muitos, incluindo você, eu não posso ter opinião diferente: ou sou um troll ou sou um adolescente! E você, se deu ao trabalho de pelo menos ler as notícias que linkei alguns posts abaixo? Já tentou, pelo menos, ler alguma coisa que contrarie a sua opinião formada?

  53. Luna disse:

    Limpar a propria sujeira, e’ uma das maiores licoes que pais podem ensinar a seus filhos ainda na infancia. Se voce suja…voce limpa. Simples assim. Vivendo aqui nos USA por muito tempo, e trabalhando com restauracoes de casas, me choca muitissimo o fato de que limpeza e cuidado com os bens materias nao se faz necessario para muita gernte por aqui. Assim sendo, sujeira e desperdicio de tudo e’ inevitavel. As provas visuais sao mais do que suficiente para mim para entender que nos os seres humanos somos (no momento atual) nocivos ao planeta. Ja vi caminhoes inteiros (de brinquedos e eletrodomesticos(da goodwill) serem esvaziados em lixoes. Deu para chorar de raiva. E’ claro que o sol continuara’ brilhando apesar, e depois de nos. Mas nesse pequeno planeta aqui, nao ha’ duvidas que fazemos a diferenca, portanto somos coletivamente responsaveis.

  54. Leticia disse:

    Viver com maior civilidade já seria um grande passo: gentilezas, cordialidades e boa-educação são coisas raras, principalmente aqui em SP. Quase ninguém diz “bom dia”, como nas cidades do interior, onde qualquer um que cruza contigo te cumprimenta. O transito transforma motoristas em selvagens, ninguém dá passagem a pedestres e ciclistas; em locais públicos, são raros os que cedem lugar a idosos ou deficientes; canso de ver gente que joga lixo na rua… Acho que se todos abrissem mão da agressividade geral que reina por aqui, estariam mais felizes e dispostos a melhorar hábitos.

  55. Jorge Luís disse:

    Denis,

    Acho seus posts uma rara visão de bom-senso, adotando uma postura inclusiva, enxergando os assuntos como um todo e evitando os radicalismos. Vi quantas discussões legal seu blog gerou, e ele serviu de inspiração para a criação do meu blog a respeito de sustentabilidade, assunto com o qual trabalho.

    Parabéns, e continue a nos brindar com seus insights e experiências fascinantes!

    Grande abraço,

    Jorge Luís

    http://abrandnewdeal.wordpress.com

  56. Felipe Maddu disse:

    Rodrigo, vc é ingênuo, esqueça aquecimento global. Desmatamentos, extinção de espécies, poluição, são tantas coisas que o capitalismo selvagem e insustentável acaba acarretando que uma palestra de 10 horas não daria conta. Aliás, Denis poderia fazer umas para as coisas ficarem mais claras, visíveis. Quem sabe assim as pessoas saberiam da importância de se mudar o desenvolvimento do sistema em voga.

  57. Rodrigo disse:

    Felipe Maddu, ingênuo é você rapaz! Quando a tese do aquecimento global antropogênico começa a se mostrar furada inventam outro motivo para acabar com a economia mundial. Daqui a pouco vão voltar as tese dos anos 70 sobre o resfriamento global antropogênico. Isso é um círculo vicioso no qual não há dados científicos que acabe com essa ideologia anti-progresso.
    E já que você é tão contra o “capitalismo selvagem” vai morar em Cuba ou na Coréia do Norte!

  58. Letícia Machado disse:

    Puxa, sorte a sua de poder trocar o carro por uma bicicleta.Não tenho a mínima coragem, e olha que no meu caso trocaria o transporte público pelas duas rodas. O trânsito do Rio é selvagem demais, não há respeito, a lei é literalmente a do mais forte e vence sempre quem sai da frente. Faria essa opção se fosse, sem dúvida, uma suicida em potencial.

  59. Rafael disse:

    Denis,

    Copiado do seu comentário: “Transformar um único email dúbio hackeado (o tal “climategate”) em “prova cabal”, que instantaneamente invalida 30 anos de pesquisa envolvendo milhares de cientistas, é factóide.”

    Eu não sei o que o levou a escrever esse infeliz parágrafo, mas nenhuma das possíveis causas que me ocorrem são coisa boa. Não dou os nomes para não machucar almas delicadas.

    O ponto é que:

    1) Não se trata de “um único dúbio email”. São milhares de e-mails. Terem sido obtidos de forma ilegal pode até invalidá-los como prova em uma corte de justiça, mas não os torna menos verdadeiros, nem seus conteúdos e conseqüências.

    2) O problema com os e-mails é que eles fazem exatamente isso: mostram que esses séculos de pesquisa e trilhões de cientistas estavam fazendo coisas que, eufemisticamente falando, não estavam em consonância com as melhores práticas do método científico.

    3) O que de verdade invalida essa conversa toda é a montanha de dados e evidências que mostram que não há aquecimento global, muito menos antropogênico.

    Você tem o direito à sua própria opinião, mas não aos seus próprios fatos.

  60. Marcelo disse:

    Rodrigo, vc gosta viver em cidades poluídas? De gasolina cara? Da extinção das espécies?

    Todos estes probemas se resolvem sem prejudicar a economia. Sabe, antes do petróleo se usava muito mais carvão, a matriz energética mudou e não causou colapso economico nem desemprego em massa, Muito pelo contrário surgiu todo um novo mercado que fortaleceu o capitalismo com suas inovações tecnologicas. O Denis nao está propondo a destruição do modelo economico, ele propõe apenas reformas que o transformem num modelo sustentável. Aposto que estas reformas criarão muito mais riqueza do que a manutenção deste modelo autofágico e poluidor criaria.

  61. denis rb disse:

    Rafael,
    Não entendi…

    Sim, são milhares de emails que foram roubados por um hacker. Entre eles, um tinha um uma linha de texto suspeito, que foi interpretado por alguns negacionistas como indício de que os dados do Centro Hadley e da Universidade de East Anglia estavam sendo manipulados. Não é isso?

    Vale lembrar que o Centro Hadley e a Universidade East Anglia não são as únicas instituições científicas acompanhando as temperaturas globais. A Nasa e a Administração Nacional de Oceanos e Atmosferas também produzem dados. Se você comparar os dados dessas três fontes, vai reparar que há uma imensa consistência entre elas: as três apontam basicamente o mesmo aumento de temperatura (de algo como 0,6 graus no último meio século). Ou seja, aquele único email dúbio, ainda que servisse de prova de que os números do Centro Hadley e a UEA não são confiáveis, não explica como os dois órgãos americanos apontam taxas idênticas. Ok, pode ser que todos os números sejam manipulados, que haja uma conspiração mundial evolvendo a Nasa, a CIA, todas as universidades do mundo e, sei lá, os Iluminatti, para mascarar a verdade gloriosa de que os ambientalistas são enviados do demônio. Se você prefere acreditar nisso, eu respeito sua opinião. Eu, pessoalmente, acho isso uma pataquada.

  62. Marcelo disse:

    De milhares de emails hackeados UM tinha UMA linha meramente SUSPEITA. E com base nesta linhazinha os negacionistas querem invalidar o trabalho de milhares de cientistas durante décadas.

    “climategate”? Apenas uma desprezível tentativa de difamar cientistas que lutam para levar verdades inconvenientes (desculpem o trocadilho) a publico.

  63. Rafael disse:

    Vamos lá.

    “Ok, pode ser que todos os números sejam manipulados, que haja uma conspiração mundial evolvendo a Nasa, a CIA, todas as universidades do mundo e, sei lá, os Iluminatti, para mascarar a verdade gloriosa de que os ambientalistas são enviados do demônio. Se você prefere acreditar nisso, eu respeito sua opinião. Eu, pessoalmente, acho isso uma pataquada.”

    Isso não é respeitar a opinião de ninguém. Eu não acredito, não falei nem dei a entender que acredito e não defendi quem acredite nessa conspiração doida que voce inventou aí em cima como sendo a única explicação possível para o surgimento do aquecimentismo.

    Só ter que explicitar esse tipo de artifício primário me dá preguiça de continuar, não vale a pena.

  64. Marcelo disse:

    “aquecimentismo”? esta é nova.
    O aquecimento global não é uma teoria fabricada por pessoas mal-intencionadas interessadas em… sei lá… Proteger a natureza? É uma realidade, um problema que a nossa geração precisará enfrentar cedo ou tarde (melhor cedo…), cuja descoberta é resultado de inúmeras pesquisas sérias realizadas em todos continentes.

    Os que tentam desqualificar estes cientistas sim, como os que fazem este escárceu todo por causa de UMA linha dúbia de UM e-mail roubado é que devem ser mal-intencionados fraudadores de pesquisas cientificas.

  65. Rafael disse:

    aquecimentismo é nova?? é mais velha que andar pra frente.

    Vai voltar a histeria do resfriamento global e vai ter gente aqui nessa página ainda criticando os negacionistas, os que não sabem ler gráficos e só sabem usar retórica e reafirmando a realidade evidente, óbvia e inegável não só do aquecimento da terra como da certeza de a causa ser humana.

    Divirtam-se. Saibam que a mim, divertem-me.

  66. Rodrigo disse:

    “Ok, pode ser que todos os números sejam manipulados, que haja uma conspiração mundial evolvendo a Nasa, a CIA, todas as universidades do mundo e, sei lá, os Iluminatti, para mascarar a verdade gloriosa de que os ambientalistas são enviados do demônio.”
    Denis, que coisa feia! Em que momento o Rafael se utilizou de uma linguagem religiosa ou de uma linguagem conspirativa? Será que a melhor maneira de desqualificar um argumento é com a caricatura? Tente provar que a denúncias do climagate são falsas. Tente provar que as geleiras do Himalaia vão desaparecer até 2035.
    Apelar pra caricatura pra desqualificar quem tem opiniões divergentes das suas só depõe contra você!

  67. denis rb disse:

    “Apelar pra caricatura pra desqualificar quem tem opiniões divergentes das suas só depõe contra você!” – eu não poderia concordar mais.

    Respondendo a sua pergunta (sobre se em algum momento o Rafael utilizou argumentos conspiratórios ou religiosos). Minha resposta é sim.

    Toda a tese negacionista é bastante conspiratória. Parte do princípio de que há uma aliança entre ONGs e o governo americano, que envolve da Nasa a Harvard à mídia inteira (da Adbusters à Economist, da Science à Nature), além de quase todos os principais climatologistas do mundo (o IPCC) apenas para prejudicar o desenvolvimento dos países pobres. Note que nenhum paper científico sério rejeita a tese das mudanças climáticas causadas pelo homem. Mesmo os governos chegaram a um acordo sobre as causas humanas. O negacionismo é uma tese gerada à margem do establishment científico, que se propaga por marketing, basicamente utilizando-se de sites suspeitos ultra-religiosos ou de ultra-direita. É uma teoria conspiratória.

    Quanto à religião: não, ninguém aqui usou argumentos religiosos para defender o negacionismo. Mas é possível notar um forte tom religioso por trás da certeza inabalável de que a Terra tem recursos infinitos, independente dos fatos. A The Economist desta semana diz o seguinte (a tradução é minha): “Não muito depois do Dilúvio, quando Noé já tinha aportado com segurança em terra firme, Deus prometeu: ‘Nunca mais amaldiçoarei o chão abaixo do homem… E nunca mais destruirei as criaturas vivas’. A implicação é clara. ‘O homem não destruirá esta terra’, diz John Shimkus, um congressista republicano leitor da Bíblia de Illinois. Portanto não há razão para se preocupar com o aquecimento global.”

    Neste trecho (pag 38, edição de 6 de fevereiro), a Economist tenta traçar a conexão de origem entre o negacionismo e o fundamentalismo cristão. Não à tôa, há muitas ligações entre o negacionismo das mudanças climáticas e o negacionismo da teoria da evolução, outro movimento profundamente conspiratório e religioso.

  68. Rafael disse:

    Denis, depois desse seu último comentário eu tenho a certeza de que não vale a pena discutir com você. Você é uma espécie de troll de si mesmo, com esse seu tom pseudo-intelectual de redação de vestibular.

    Já te desmoralizei tanto aqui, já demonstrei tão cabalmente sua constante incapacidade de atinar com o que eu digo, que só me resta dizer que esse seu último post fala por mim, me economiza tudo que eu poderia querer demonstrar.

    Você às vezes PENSA que está montando argumentos sólidos, cheios de lógica, quando só o que faz é construir falácias, fazer comparações descabidas e etc. Nem retórica é o que você faz, apesar de de vez em quando você se mostrar capaz disso.

    Já falei aqui – e voce me deletou – que você não é um oponente honesto em um debate. Não menos porque constantemente emprega de recursos que ridiculariza nos outros – e em qual ponto você está certo deixa de ter importância, mas eu adianto que está errado nos dois casos.

    Então, depois de você ter encontrado teorias da conspiração e fundamentalismo religioso no que escrevi, me resta ir embora e deixar você pensando toda noite na sua própria inferioridade intelectual. Porque só o que você mostrou esse tempo todo foi fervor religioso com uma religião chamada ambientalismo.

  69. Rodrigo disse:

    Denis, o que você fumou meu rapaz? Quem comentário xucro. Não há uma linha de raciocínio neste seu último comentário. Você continuou com mais caricatura em vez de tentar provar que o Rafael usou de linguagem conspiracionista ou religiosa.
    No começo da nossa polêmica disse que você era hipócrita. Errei. Você é um alguém com capacidade de raciocínio limitada mesmo.

  70. Rodrigo disse:

    E só mais um comentário, pra completar.
    “Não à tôa, há muitas ligações entre o negacionismo das mudanças climáticas e o negacionismo da teoria da evolução, outro movimento profundamente conspiratório e religioso.”
    Pela trocentésima vez (mas faz uma força e utilize o seu cérebro): NINGUÉM está negando que o clima aquece ou resfria ciclicamente. O que pega é que essa mudança climática é natural. Não é causada pela ação humana.
    E reforço: TENTE provar que o Rafael se utilizou de linguagem conspiracionista ou religiosa. Mas sem viajar, por favor.

  71. denis rb disse:

    hahahahahah

    Vcs são umas figuras.

    Vamos devagar então, Rodrigo. O que estou dizendo aqui é que todo o movimento negacionista é fortemente conspiratório (pq parte do princípio de que toda a mídia e todo o establishment científico estão mentindo). E que essa teoria conspiratória está fundada em crenças religiosas – não por acaso, os setores que o defendem estão muito próximos dos fundamentalistas evangélicos neocons americanos.

    Você diz que as mudanças climáticas ocorrem, mas têm causas naturais. Que causas, exatamente? Qual é o modelo que vc propõe no lugar do modelo consagrado pela ciência, que constatou as causas humanas? Se vc conhece epistemologia (a filosofia do conhecimento científico) sabe que um modelo científico, para ser aceito, precisa ser a forma mais simples de explicar um determinado fenômeno. A teoria das mudanças climáticas por causas humanas é amplamente aceita porque cumpre esse pré-requisito. Vc diz que essa teoria está errada, pq na verdade as causas são naturais, mas não propôs em nenhum momento um modelo alternativo (que causas, afinal?). Sabemos que os ciclos naturais que alteram o clima (variações na inclinação do eixo de translação, variações na inclinação da Terra, variações na distância entre Terra e Sol, variações na emissão de ondas solares etc) não dão conta de explicar essas alterações. Agora: pode ser que haja um outro fenômeno natural misterioso desconhecido causando essas alterações climáticas? Sim, pode. Mas ninguém ainda propôs um modelo alternativo.

    E sabe por que não? Porque os negacionistas não são capazes de propor modelos. Eles não são cientistas. São ativistas ultra religiosos, do-contra profissionais ou lobistas de empresas de petróleo. Ninguém ainda me mostrou um modelo melhor para explicar a subida de 0,6 grau de temperatura acontecida no último meio século. Lembre-se: variações de temperatura (bem maiores do que essa, inclusive) sempre aconteceram naturalmente, mas nunca num ritmo tão acelerado.

    Mas eu sei que não adianta nada eu dizer essas coisas. Porque sei que vc não está nem escutando: está apenas lendo cada linha que eu escrevo em busca de uma escorregadinha, um probleminha de linguagem, uma coisinha para discordar. Sei que vc não tem um modelo alternativo para as mudanças climáticas porque não entende patavinas do assunto (se entendesse, teria ao menos folheado a Nature, a Science, a New Scientist, a Scientific American, a Economist e saberia que está defendendo uma opinião indefensável). Sei que seu único prazer é discordar.

    E eu fico aqui amplificando seu prazer, ao levar a sério o que vc diz e responder longamente. Por isso, paro aqui. Não respondo mais nenhum comentário seu que seja vazio de conteúdo como todos os anteriores foram. Fique à vontade para falar sozinho.

  72. Rafael disse:

    Denis e a retórica de pudim:

    1) “Estou afirmando que o movimento negacionista é fortemente conspiratório, e que tem na sua origem um forte componente religioso.”

    2) “Respondendo a sua pergunta (sobre se em algum momento o Rafael utilizou argumentos conspiratórios ou religiosos). Minha resposta é sim.”

    Lembra quando há muito tempo eu disse que não enxergava uma unidade de pensamento por trás do que vc escreve? Lembra quando eu falei que sentia falta de uma coerência de pensamento? E lembra quando hoje eu disse que você me economizava o trabalho de demonstrar essas coisas?

    Obrigado Denis.

  73. Rafael disse:

    Você quer debater a filosofia da ciência? Eu topo! Mas antes você precisa ser honesto: essa história de “consagrado pela ciência”é balela para qualquer coisa e mais ainda para o tal do aquecimento global, que tem um monte de cientistas sérios que discordam e muitos outros que, no minimo, colocam restrições a essa certeza que você propaga aqui.

    Você quer debater validação de modelos científicos? Ok. Saiba que voê falou bobagem. Um paradigma – na acepção de Khun – só é derrubado quando todos os fenômenos explicados por ele e outros além são explicados usando relações de causa e efeito mais diretas a partir de um conjunto de causas MAIS RESTRITO e não apenas “mais simples”como você diz com rigor de vestibulando. Essa conceituação do avanço da ciência se diferencia do de Popper porque popper enxergava o processo como mera substituição dos modelos. Ao definir e usar o termo paradigma, Khun concebeu que os modelos não eram meramente substituídos, mas em verdade “incorporados”, com a possibilidade de rejeição de algumas partes e “aproveitamento” de outras. Porque tudo isso? Não sei!! Porque você falou no assunto e falou errado como sempre.

    Epistemologia é outra coisa: É a classificação do conhecimento, é conhecer o ato de saber e saber como sabemos que sabemos o que sabemos. É mapear o saber humano e entender como se chega de uma coisa a outra e como separar o que é válido do que não é.

    Agora, vem você arrotar leituras pra cima de mim? Parece que é a primeira vez que discute comigo! Não aproveitou para aprender nada a respeito – justo isso! – do valor da refutação, do valor da negação do que de fato não se sustenta. Se seus comentários dois a dois não param em pé você devia era me agradecer por te dar uma oportunidade de ver isso e sair dessa névoa de solipsismo auto-gratificante.

    Eu vou oferecer um modelo para explicar o mundo, as mudanças climáticas, suas causas, soluções e conciliar tudo isso com o bem da humanidade? Nunca!!! Eu vou é fazer o possível e o impossível pra impedir que alguém tente. Todo mundo que tentou coisas bem mais humildes – nem por isso humildes, para quem nao entende ironia – só causou desastres. Essa hubris sua, essa convicção inabalável em si mesmo, é uma das piores coisas que existem no mundo. Aliada a essa sua ignorância (reveladas na sopa de slogans e caricaturas que você andou despejando) se tornam quase perigosas.

    E você vem falar de epistemologia e conhecimento? Você não conseguiu refutar um argumento sem dizer “quem acha isso é ultra-direitista religioso americano neocon que adora armas, não sabe ler gráficos e só usa retórica, ignora fatos e não entende o óbvio e desconhece consensos científicos mundiais do planeta inteiro que todos os cientistas da comunidade científica mundial concordam em uníssono”. Juro, acho que juntei aqui todos os argumentos que você já usou contra mim, tirando o do avião e das pedras, que foi vergonhoso demais e seria humilhante citar.

    Então não venha ficar nervoso. É simples: Comece a dizer coisa com coisa – que é, essencialmente, o que te cobro, que eu paro de achar erro em cada linha. Se você numa linha me diz A e na outra “não A”, é impossível eu debater a sério: qual linha eu respondo? Cadê a maturidade, a humildade, a honestidade intelectual de dizer “você tem razão, nao faz sentido. vou repensar”, ou “essa incompatibilidade que você vê não existe. você precisa considerar que A, B, C e D”. Mas não, você me xinga de ignorante, fala que vai me deixar falando sozinho, etc etc etc.

  74. Rodrigo disse:

    Denis, já que você não quer mais conversar, então pelo menos não censure este meu post.
    Essa é quentinha:
    http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100203/not_imp505479,0.php
    Só um resuminho da ópera: 1) como se não bastasse a admissão de erro do IPCC quanto à previsão de que o gelo do Himalaia derreteria até 2035 (fato que você ignorou ao longo de toda a nossa polêmica), agora existem evidências de que ninguém menos do que a Nature exagerou dados para chegar à conclusão do aquecimento global. E, óbvio, a Universidade de East Anglia também está envolvida neste episódio;
    2) de acordo com o The Guardian (notícia replicada pelo Estadão) a justiça inglesa efetuou 105 requisições de esclarecimentos sobre os estudos à UEA. Apenas dez foram respondidas de forma satisfatória.
    Divirtam-se crianças!

  75. Rafael disse:

    Ainda sobre ciência:

    O cirtério de Karl Popper para meramente poder-se chamar de científica uma idéia era a falseabilidade da hipótese. Ou seja, qualquer hipótese científica tem de oferecer uma forma de ser observada falsa – mesmo que a observação em si seja impossível. Por exemplo: “Todos os cisnes são brancos” é uma hipótese falseável, pois basta observar um cisne negro e pronto. Baseado nisso, Popper depreendeu que TODA AUTORIDADE DA CIÊNCIA É TRANSITÓRIA, pois cada modelo ou teoria está permanentemente sujeito a ser falseado (uma vez que para serem incorporados à própria ciência tinha de admitir essa possibilidade).

    O progresso da ciência, portanto, se dá de negativa em negativa. Cada vez que se refuta uma teoria, um modelo, uma escola, está-se cumprindo a mais importante etapa do progresso científico MESMO QUE NÃO SE COOQUE INSTANTANEAMENTE OUTRA TEORIA EM SEU LUGAR. Thomas Kuhn admitiu isso e definiu o período “entre paradigmas”, pois observou que isso correspondia exatamente à maioria dos casos: Um desenvolvimento invalidava uma teoria e só muito tempo depois qualquer outra idéia tomava o centro do debate como dominante, na forma de um paradigma. Antes dessa substituição tem-se um período de instabilidade, com várias idéias lutando entre si.

    Portanto Denis, pela última vez, pare de acreditar na superioridade moral e intelectual de “ser propositivo”.

  76. denis rb disse:

    Oba!
    Obrigado, Rafael, pelos últimos comentários, de alto nível, cheios de ideia. Aí sim, um debate.

    Você está bem certo – inclusive em muitas das suas críticas quanto à forma simplificada em que descrevo a ciência. Você diz que o impulso central da construção do conhecimento científico é o espírito crítico de desafiar modelos e testar à exaustão cada pressuposto, cada dado, cada unidade de conhecimento, de forma a ir construindo um quadro mais completo. Verdade, muito verdade, eu não poderia concordar mais.

    Mas tem uma questão que você parece ignorar. Este blog aqui não faz ciência. O centro da missão editorial deste blog nem sequer é discutir ciência (embora minhas origens profissionais sejam no jornalismo científico e toda a discussão que se dá aqui se apoie em conhecimento produzido pela ciência). Portanto, não estou obrigado a seguir o método científico. Este blog aqui tem como proposta discutir ideias sobre formas de atuar no mundo que causem menos impacto, que sejam mais sustentáveis, que tenham mais chances de modificar o mundo de maneira a poupar recursos para as próximas gerações. É por isso que vivo pedindo para as pessoas serem propositivas. Não porque eu ache que a ciência deva ser sempre propositiva – a ciência tem que fazer bem seu trabalho de investigar como as coisas são (e, convenhamos, ela tem escorregado com frequência no cumprimento dessa tarefa). Mas porque este aqui é um espaço para propostas (não para fazer ou discutir ciência). É um espaço para ideias. Há na internet muitos espaços para resmungos, ou para sarcasmo, ou para brincar de garoto-enxaqueca. Este aqui não é um deles.

    Este blog parte da premissa de que nosso modelo de sociedade é insustentável e se propõe a democraticamente discutir alternativas para ele. Acho um saco quando a disciussão não anda, ficamos apenas pisando e repisando a premissa. É como jogar baralho com um grupo de amigos que tenho que adoram discutir regras – o jogo não anda, ficamos o tempo todo discutindo qual carta é maior. É por isso que eu disse a você uma vez que, se o que vc quer é questionar a necessidade de viver sustentavelmente, aqui não teria nada para você – eu não estava mandando você embora, estava apenas comunicando, de trás do meu balcão, que a mercadoria que você quer comprar não é vendida aqui.

    Mas é óbvio que sempre estarei disposto a participar de discussões como esta última que você propõe – desafiadora, cheia de ideias. O que definitivamente não tenho vontade é de ficar levando a sério sorrisinhos sarcásticos. O Rodrigo até agora não contribuiu com 1mg de ideia para esse debate, só com toneladas de ironia e de repetição de chavões. Isso é chato, muito chato. Ainda mais porque está claro para mim que ele, ao contrário de você, está falando de orelhada, sem nenhum conhecimento sobre o assunto.

    E olha só: seus comentários deixaram sem resposta algumas das coisas que escrevi:
    1. afinal, em que modelo você acredita? Como você tem tanta certeza de que as mudanças climáticas não têm causas humanas? O que então exatamente você acha que está causando a subida da temperatura? Que mal há em reduzir a emissão de carbono, uma vez que, ainda que não haja dados suficientes para prever as mudanças climáticas com precisão, cada um dos elos da corrente parece bem sólido (homens aumentaram a concentração desses gases nos últimos 50 anos, a temperatura subiu nos últimos 50 anos, gases de efeito estufa afetam a temperatura)?
    2. você escreveu que milhares de emails hackeados provam que os dados são manipulados. Eu disse que não foram milhares – foi apenas uma linha de texto pescada em um único email no meio de milhares roubados. Você não respondeu. Você estava errado ou sou eu é que estou?

  77. Rafael disse:

    Denis,

    Respondendo em definitivos suas questões e muito mais.

    1) Eu não acredito em modelo nenhum. Sou a favor da preservação das espécies, sou a favor de tecnologias limpas, sou a favor de reciclagem, tudo isso. Por outro lado, sou contra leis de engenharia social, sou contra a imposição ou proibição de comportamentos em nome de qualquer causa. Só isso. Ou quase:
    1.a) Sou contra quem quer que se pretenda entendedor e, mais ainda, manipulador do desenrolar da história. Qualquer um que pretenda abarcar o mundo com seu intelecto, entender todas as relações causa-conseqüência da natureza, da economia e da sociedade não só está fadado ao fracasso como está fadado a causar desastres.
    1.a.i) Corolário: Eu não sei se depois de amanhã os oceanos vão evaporar, mas não aceito que alguém queira dizer ao mundo como se comportar sob pena de isso acontecer. Não aceito sequer que clamem saber ou não se isso vai acontecer. Em suma, não converso com quem quer brincar de Deus.

    2) Você está errado. Todo o conjunto de e-mails mostra uma série de desvios de conduta, alguns mais graves e outros menos, incluindo manipulação dúbia de dados, seleção tendenciosa de amostras, sabotagem de pesquisas contraditórias e sonegação de dados originais ao público mediante solicitação, entre os fatos dos quais me lembro agora.

    Esse imbróglio teve conseqüências, não foi uma bobeirinha à toa como vc faz parecer. Mas o mais grave de tudo é que fica a seguinte pergunta: Se o aquecimento global antropogênico é uma realidade tão patente e tão óbvia, porque é que eles precisaram fazer isso?

    Não será possível abordar essa quiestão a sério enquanto você não admitir que, independentemente da verdade a respeito desse aquecimento global antropogênico, a coisa tornou-se mais pertencente à esfera da política do que da ciência: O aqeucimento global é tema de legislção, eleição, campanha política, partidos, etc. Reitero, independentemente de ser verdade ou não. Isso aliás, é parte de uma boa definição de política.

    Espero que isso satisfaça seus questionamentos e agora volto ao caso do Rodrigo.

    Ele não contribuiu com 1mg de idéias? E os links, as referências a matérias, os fatos que ele elencou? Você se absteve de comentar, da mesma forma que se limitou a responder que meus comentários anteriores eram religiosos-conspiratórios. Eu acho que você foi desrespeitoso com ele. Acho que foi comigo tb, mas eu não ligo muito não.

    Abs

  78. denis rb disse:

    Rafael, de novo agradeço o ótimo comentário. Te digo que, no geral, estou de acordo com você.

    Tampouco tenho paciência para propostas de engenharia social e em nenhum momento quero ter a pretensão de obrigar as pessoas a agirem como eu. Minha única ambição com este blog é a de discutir formas de viver no mundo. É o de propor alternativas à visão dominante, sem esperar que essas alternativas sejam dominantes. Por algumas décadas vivemos um “consenso” (o de Washington, pelo qual todas as esferas da vida estavam hierarquicamente submetidas à esfera financeira) e o consenso acabou. Não espero que ele seja substituído por outro consenso, mas por uma porção de modelos que convivam uns com os outros, sem hierarquia entre eles. Veja por exemplo este post aí em cima. Note que não estou propondo que haja apenas um modelo: estou compartilhando com vocês o que eu penso e perguntando como cada um dos leitores lida com essa questão. Note que eu escrevi que “somos uma multidão, e cada um de nós tem sua própria vontade. Você pode até gritar ‘vamos todo mundo para cá’, ou ‘vamos todo mundo para lá’, mas cada um decide se obedece ou não. Cabe a cada um de nós resolver se vai diminuir o ritmo ou apoiar os cotovelos no sujeito da frente e empurrar mais forte.” Não estou propondo que haja um caminho único. Estou reclamando que deveria haver caminhos alternativos ao caminho úinico atual. (Meu post desta semana, sobre os ataques apaches, também fala disso.)

    Em relação a políticas públicas para conviver com as mudanças climáticas, te digo que gosto especialmente da proposta de Maria Cantwell no Congresso americano – o chamado “cap and dividend”, que consiste em colocar um preço no carbono emitido, reunir o dinheiro arrecadado num fundo no qual o governo não pode mexer e dividir esse dinheiro pela população. Cada americano receberia algo como 1.000 dólares por ano, o que bastaria para compensar o aumento do preço da energia (e quem economizasse energia sairia lucrando). Essa fórmula não prejudica ninguém, nem proíbe nada, mas cria um incentivo para reduzir as emissões. Cantwell é democrata, e tem o apoio da republicana Susan Collins. Trata-se de uma solução libertária, que não tem nada de “engenharia social”, apenas coloca preço em algo a que nosso sistema econômico hoje não dá valor. Ou seja: trata-se de equilibrar os incentivos de mercado, não de impor nada a ninguém.

  79. denis rb disse:

    Ah sim, quanto a eu estar errado em relação aos emails do chamado “climategate”. Confesso que não vi nada do que vc acusa (uma série de desvios de conduta mais ou menos graves). Agradeço se você puder listá-los.
    Mas, para ser sincero: se alguém descobrisse minha senha do gmail certamente encontraria 1 trilhão de afirmações comprometedoras, já que eu definitivamente me comporto em privado de maneira diferente da que me comporto em público. Independente disso, acho que há um equívoco na forma como esses dados estão sendo interpretados pelos negacionistas. A postura geral tem sido “todos esses cientistas são desonestos e tudo o que eles descobriram ao longo da vida deveria ser descartado”. Acho que essa atitude está em franca contradição com a concepção de ciência que você mesmo tão bem descreveu uns comentários abaixo. Você diz que conhecimento deve ser construído através de comprovações e de refutações de dados e de conclusões. Não é isso que se está fazendo nesse caso: os negacionistas estão simplesmente numa campanha de destruição de reputação da totalidade dos cientistas do clima, com o objetivo de descartar tudo o que eles construíram em 30 anos. Estou pronto para discutir ponto por ponto o que está certo ou errado nas conclusões deles. Não aceito a ideia de que eles sejam todos desonestos – até porque conheço pessoalmente muitos deles, no Brasil e nos EUA, e sei que não são.

  80. Rafael Reinehr disse:

    Olá a todos. Se não está provado o aquecimento antropogênico do planeta (ainda), pelo menos ficou demonstrado o aquecimento antropogênico deste sistema de comentários! U-la-lá!

    Quisera eu delegar algum tempo para somar ao debate, mas o pão acabou de ficar pronto e tenho um compromisso premente com a fisiologia humana neste momento.

    Um abraço fraterno a você e aos seus leitores, especialmente ao Rodrigo e ao Rafael, cujos blogs ou histórias gostaria de conhecer, para por a prova a coerência acerca daquilo que tão ferrenhamente defenderam aqui.

    Rafael Reinehr
    Coolmeia, Ideias em Cooperação

    • denis rb disse:

      Rafael Reinehr!

      Bem vindo ao meu cafofo. Fique à vontade.

  81. Milena disse:

    Denis,

    Eu não dirijo. Na verdade, não tenho carteira de motorista. Ando a pé pra todo lado (sinto-me mais segura como pedestre do que como ciclista entre os carros).

    Ontem à noite, porém, fui abordada por um indivíduo motorizado (em um carrão que deve ser um grande bebedor de combustível!) que, claro, queria me “oferecer carona”. Isso aconteceu quando eu voltava para casa (a pé, como sempre). Veio com cantada barata, e tudo o que NÃO tinha direito. Na primeira vez, fingi que não vi. O rapaz deu ré. Continuou falando comigo, e eu ignorando. O rapaz deu ré com o carro simplesmente TRÊS vezes.

    Agora, eu pergunto: não é para assustar? Na primeira vez, ele já deveria ter se mancado e ido embora… A conduta dele foi, na minha opinião, muito agressiva. O rapaz não quis saber se eu estava interessada, simplesmente impôs a presença dele, e me assustou bastante.

    Eu sou ou não uma forte candidata a tirar carteira de motorista e botar mais um carro na rua????

  82. Elias disse:

    As coisas que “inventaram” para desgraçar o mundo andam de mão dada com isso que você foi contemplar(FUTEBOL!) Cade seu passo ?
    Não é sendo espectador de “FUTEBOL” que vc vai entender sobre o que falo, mas ainda assim, falo.
    Os pais do futebol são também pais de 90% do que destroi o mundo.
    Vai ver futebol e quando teu filinho nascer da tudo o que ele quiser, para ele poder ter uma vida sustentável.

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