A doença do capitalismo

Tem algo profundamente errado no nosso modelo econômico. O problema não é o “capitalismo”, é uma doença do capitalismo: um pensamento financeiro criminosamente insustentável que se espalhou por toda a economia (inclusive em países comunistas). Precisamos erradicar essa doença se queremos ver a luz no fim do túnel.

Numa cena do filme "Gomorra", imigrantes ilegais fazem seu papel para alimentar o PIB e a máfia.

Numa cena do filme "Gomorra", imigrantes ilegais fazem sua parte para alimentar o PIB e a máfia.

Neste post eu quero tentar explicar que doença é essa. Vou partir de um exemplo concreto para deixar essa discussão mais clara.

O exemplo é do livro Gomorra, do jornalista italiano Roberto Saviano, transformado num filme com o mesmo nome. Saviano revela que as grandes grifes de moda italianas, para diminuir seus custos, tercerizaram os seus serviços de tecelagem. Para reduzir mais ainda os custos, eles criaram um sistema de concorrência. É assim: as grifes fazem o desenho das roupas e entregam para várias pequenas empresas de costura. Quem conseguir produzir mais em menos tempo ganha a concorrência e é pago. Quem perde a concorrência não ganha nada – trabalhou de graça e pode ficar com as roupas produzidas.

Do ponto de vista estritamente financeiro, esse sistema é um grande sucesso. O incentivo da concorrência garante preços baixíssimos e uma produção muito veloz. Desde que o sistema foi implantado, os custos de produção baixaram e as margens de lucro cresceram. Ou seja, o sistema funciona. Mas ele tem um monte de consequências, das quais Saviano (que está jurado de morte pela Camorra, a máfia napolitana) fala em seu livro.

Algumas dessas consequências afetam as próprias grifes. Exemplo: a pirataria cresce, gerando competição desleal para os produtos originais. É que as empresas que perdem a concorrência sobram com um monte de roupas. Óbvio que eles vão tentar reduzir o prejuízo vendendo o encalhe aos “comerciantes informais”. O resultado é que o mercado é inundado por roupas e acessórios piratas que custam várias vezes menos que as originais, mas têm um padrão de qualidade parecidíssimo, às vezes até superior (porque a concorrência seleciona apenas rapidez, fazendo com que produtores mais caprichosos saiam em desvantagem).

Outras consequências afetam a sociedade inteira. As regras da concorrência são um incentivo para contratar imigrantes ilegais (que topam trabalhar dia e noite, inclusive no fim-de-semana, num regime que só pode ser descrito como de escravidão). Diante desses escravos ilegais, profissionais italianos que prezam a qualidade (uma tradição do país) perdem seus empregos, o que desestrutura famílias. Todo esse ambiente ilegal atrai gangsters armados que se dedicam a extorquir as empresas. O dinheiro dos produtos de grifes acaba então sendo usado para comprar armas para o crime organizado

Essas consequências sinistras do modelo de produção – a pirataria, a escravidão, o desemprego, o crime organizado – são as chamadas “externalidades”. Externalidades são custos não computados. Quando os acionistas das grifes de moda olham os resultados da empresa, ficam felizões com os números. Eles acham essas concorrências fantásticas. Mas isso acontece só porque eles não estão computando custos reais à sociedade e à própria empresa. Por causa desse sistema, os governos perdem uma grana em polícia, hospitais, cadeias. Sem falar nas mortes – o mais definitivo dos prejuízos.

O corajoso jornalista Roberto Saviano, que está ameaçado de morte, vive sob escoplta policial e entrou em depressão. Quem mandou desafiar o modelo econômico?

O corajoso jornalista Roberto Saviano, que está ameaçado de morte, vive sob escolta policiale entrou em depressão. Quem mandou desafiar o modelo econômico?

Claro que eu escolhi um exemplo extremo. Nem todas as empresas causam tantos danos. Mas essa mesma lógica está em toda parte, no mundo inteiro, causando problemas maiores e menores. A imensa maioria das empresas hoje toma decisões baseadas apenas no quanto se economiza em custos e no quanto se aumenta as receitas, ignorando-se todos os outros fatores.

Algumas décadas atrás, as empresas eram no geral grupos de pessoas que sabiam fazer bem um trabalho. As grifes de moda italianas, por exemplo, contavam com os costureiros mais talentosos, tinham o melhor design, usavam o material de maior qualidade. Produziam, portanto, produtos melhores do que os outros e, por isso, vendiam mais caro.

Mas, a partir dos anos 80, uma onda financista se espalhou pelo mundo. Empresas de todo tipo começaram a perceber que podiam reduzir os custos (e a qualidade) e ganhar mais com isso. As grifes italianas, por exemplo, passaram a fazer um produto ordinário, mas ainda assim caríssimo (porque as pessoas já tinham se acostumado a pagar mais pelas grifes). Lentamente, o pessoal do financeiro passou a controlar todas as empresas. Hoje em dia, no geral, um CEO é um sujeito bom de cortar custos e aumentar preços, não um cara que entende do negócio da empresa dele.

Esse pensamento dentro das empresas na verdade é consequência de uma tendência da macroeconomia. Investidores querem ganhar cada vez mais com ações, por isso pressionam as empresas a lucrar mais, e assim as empresas espremem os funcionários, os fornecedores e os consumidores. Com isso, as bolsas sobem, os PIBs crescem, os bancos comemoram. Mas as externalidades se multiplicam, sem que o pessoal do financeiro se dê conta. Espalhamos poluição, crime, injustiça, exploração e morte pelo mundo, em troca de décimos de pontos percentuais no PIB.

Está na hora de as empresas tirarem a galera do financeiro da presidência e colocarem-na no seu lugar: o departamento de contabilidade. Esse pessoal é fundamental para que a economia funcione. Mas eles não podem mandar no mundo.

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70 comentários
  1. Márcio disse:

    Abaixo aos engravatados!

    Descentralização e Autogestão!

  2. Guilhermino disse:

    Isso não é uma doença do capitalismo, isso é uma p#$@ sacanagem. Para encerrar esse tipo de coisa faz-se necessario relacionar as empresas e divulgar seus métodos escusos. O curiosos que essas tais grifes cobram preços absurdos, que caso baixassem a margem de lucro nada disso seria necessário.

  3. denis rb disse:

    Pois é, Guilhermino,
    Mas coisas parecidas acontecem em empresas de todos os ramos, em todos os países. Eu, que fui executivo de empresa grande, senti na carne essa pressão por menos custos e mais receitas. Isso está em toda parte.

    E as margens de lucro estão crescendo por um motivo simples: por causa dessa obsessão com crescimento do atual modelo econômico. O PIB aumenta, e isso é ótimo – mas o quanto desse aumento é artificial, a custa de tirar dinheiro de trabalhadores e consumidores?

  4. jorji disse:

    ” Cortar custos a qualquer custo “, não seria uma tendência irreversível? O lucro é a razão do capitalismo, que sempre foi selvagem, a concorrência talvez esteja motivando as empresas a tomar medidas dráticas, não seria uma questão de sobrevivência?

  5. Lucas disse:

    Acredito que esse modelo de consumismo não pode ter um futuro. Isso é desumano. Estamos trabalhando para que? Para dar lucro para organizações, CEO´s, executivos?
    Para mim, o sentido do trabalho é este: satisfazer as nossas necessidades e também a do próximo; e não: alimentar egos inflados de clientes, executivos e acionistas. Mas, infelizmente, é para a segunda definição que estamos sendo direcionados. Acabei de me formar em Administração com ênfase em Finanças. Já trabalhei na área financeira de uma empresa automobilística. E é assim mesmo, se não existisse sindicato, coitados dos funcionários! Exploram até onde podem e o jogo de egos dos executivos é impressionante.

  6. denis rb disse:

    jorji,
    Não acho que seja irreversível. Acho que é uma questão técnica que pode ser solucionada: basta incorporar as tais “externalidades” no preço das coisas. Um produto causa doenças e aumenta o gasto do governo com saúde? Então vamos incluir esse aumento do gasto no preço do produto. Isso é mais fácil de falar do que de fazer, mas é pelo menos teoricamente possível. Já há algumas soluções bem espertas para incluir o custo das emissões de carbono no preço das coisas.

    Outro caminho é difundir informação e apostar no poder do consumidor. Se as empresas só falam a língua do $$$, pode fazer sentido boicotar aquelas que não agem corretamente.

  7. denis rb disse:

    Pois é, Lucas. E vc sabe bem do que está falando.

    Que vc acha, vc que acabou de se formar? Sua geração chega ao mercado com valores diferentes?

  8. jorji disse:

    Denis, acredito que só com o respaldo das leis é que se pode mudar, e um dos problemas é a tal da globalização.

  9. Márcio disse:

    Não sei não Denis. Continuo encucado com a sua tendência em, quase sempre, focar as soluções para esses tipos de problemas no âmbito técnico e em mudanças no que toca ao comportamento do cidadão consumidor. As tranformaçõesde nível ético e moralestão na base disso tudo, é claro – estou com Ghandi e não abro mão desse ponto. Mas vejo um despolitização do problema que acho complicado: e políticas públicas mais agressivas? E os movimentos sociais? E o espaço para novas utopias como forças motivadoras? A rede virtual e o consumo responsável fazem parte…mas como sempre se deu, a histórias das grandes transformações continuará sempre se dando no mesmo lugar de sempre: não no supermercado, mas sim nas ruas!

    Há tempos que não comentava aqui no blog por impedimentos pessoais, vinha acompanhando-o de forma silenciosa. Agora espero poder voltar a participar com mais assiduidade.

    Conheçam o blog do CISCO: http://www.ciscobh.blogspot.com

  10. denis rb disse:

    Olha, Márcio,
    Você tem razão: estou sim fazendo um esforço consciente de despolitizar pelo menos parte do debate. Há uma razão para isso: acho que tem uma irracionalidade do nosso modelo econômico que precisa ser reconhecida até mesmo por quem discorda das posições políticas que vc defende. Tenho a sensação de que mesmo um conservador defensor do estado mínimo – se bem intencionado – é capaz de reconhecer a falta de sentido de esconder externalidades. Se esse assunto for bem entendido, tanto esquerda quanto direita vão reconhecer que estamos torrando nosso patrimônio natural, e que isso equivale a queimar dinheiro.
    Enfim, este blog aqui se propõe a ser um espaço mais dedicado a procurar consensos do que a polemizar. Não me interessa aqui defender a esquerda contra a direita, ou a direita contra a esquerda. Me interessa discutir formas racionais de lidar com problemas que fazem todo mundo perder.

    Tudo isso dito: não, eu não acredito que apenas a pressão do consumidor vai nos tirar do buraco em curto prazo. Precisamos de muito mais do que isso. Mas precisamos disso, urgentemente. Se não, sai barato demais destruir o planeta.

  11. Samuel disse:

    Denis,

    Esse negócio de sustentabilidade é uma balela. Toda ação humana degrada o meio ambiente. Eu moro em Joinville e aqui, na maior e mais rica cidade de santa catarina, nós não temos, por exemplo, nem coleta nem tratamento de esgoto. O que importa é o dinheiro e as futuras gerações que se explodam.

  12. denis rb disse:

    Samuel,
    Só pq é assim hoje ñ significa q precise ser assim sempre…

  13. Lucas Jerzy Portela disse:

    Denis, você se esquece de uma coisa que Prof. Boaventura de Souza Santos disse uma vez, ano passado, no legendário Teatro Vila Velha, Passeio Público do Palácio da Aclamacão, São Salvador da Bahia de Todos os Santos:

    – talvez o que Marx chamou de “acumulo primitivo de capitais” não seja apenas uma fase do capitalismo, mas o capitalismo inteiro. O direito de pilhar, matar e escravizar não se restringe ao último século antes da Revolução Industrial: perdura até hoje e nada indica que ele vá acabar. Nem mesmo as melhores teses do liberalismo de Adam Smith, francamente anti-escravista.

    isto é: não seja ingenuo…

  14. Rafael disse:

    Denis,

    Espero conseguir fazer outro comentáriosimpático, mesmo que crítico:

    Esta frase é reveladora: “este blog aqui se propõe a ser um espaço mais dedicado a procurar consensos do que a polemizar.”

    O problema é o seguinte: Uma idéia, um conceito, uma proposta, apenas para sobreviver no mundo das idéias, PRECISA ser capaz de sobreviver a um profundo escrutínio e longos questionamentos. Para ser adotada e fazer efeito na sociedade então? Muito mais. Várias vezes você afirmou aqui pra mim que o propósito do blog não era fazer ciência e sim buscar propostas de um novo modelo para nossa vidano planeta. Para qualquer coisa ser ciência a exigência é INFINITAMENTE menor do que para ser posta e/ou imposta na sociedade, pois a ciência é por definição transitória; ela precisa ter liberdade para mudar de idéia.

    Portanto, digo-lhe o seguinte: Consenso não é nunca o mérito de uma idéia em si, mas apenas uma revelação acerca dos debatentes. Se vc for lá na fflch o consenso é que morar em cuba é melhor que nos EUA.

    Meu ponto é: Mais que ciência, seu blog busca VERDADES. Isso é louvável tanto quanto é difícl. É fácil mostrar os erros de quem busca verdades, pois faz parte do trajeto. Aceite a discórdia e você vai cidensar umas poucas idéias, mas invencíveis.

    Não escrevi para polemizar nem mesmo para criticar. Apenas mostrar o que pode ser um ponto de vista inusitado. O uso depende de quem recebe.

    Rafael

  15. jorji disse:

    A poluição, o crime, injustiça, exploração do homem pelo homem, guerras, etc, em todas as épocas ocorreram, não acredito que seja tão simples as causas como a grande maioria acredita, e afirmar que são as atitudes das empresas é que causam esses distúrbios, é no mínimo um equivoco. As externalidades também sempre ocorreram, o que ocorre hoje, é que se multiplicaram, e de certa forma sairam do controle, vejamos um caso citado, o da pirataria, trata-se de um crime praticado tanto por quem produz, quem vende e quem compra, mas na minha opinião, o maior problema nesse caso é o comprador, esse sim é que alimenta a externalidade, é como nas questões relativos às drogas, o problema é quem consome, portanto, quem mais sofre as consequências sempre é o consumidor por ser o mais desonesto. O primeiro passo é encarar a realidade, identificar como começa e onde termina, aplicar a lei com severidade contra os envolvidos ( produtores e consumidores), porque nos humanos, só com chicotadas andamos na linha, o resto é balela.

  16. Marcelo disse:

    Caramba! radical vc hein Jorji? “só com chicotadas andamos na linha”…

    De fato a impunidade, principalmente para os ricos, os mestres deste sistema, dificulta muito a imposição de limites éticos para a atividade das empresas.
    Mas o grande problema que o Denis apontou neste post é que não existem leis que obriguem as empresas a compensar suas externalidades. “Internalizar” o prejuízo que as empresas trazem para a sociedade e para o meio ambiente vai de encontro ao atual paradigma da economia capitalista: o lucro a qualquer custo. Na ansia por maiores lucros o capitalismo nos pressiona a consumir cada vez mais, paga cada vez menos aos trabalhadores e cada vez mais à minoria de investidores, executivos e acionistas que estão no topo da pirâmide.
    E, por meio de seus lobistas, que estão por toda a parte na mídia e nos governos, mantem as leis favoráveis às empresas que não respeitam o meio ambiente e não têm outro compromisso senão com o lucro e a ganância. Neste ambiente empresarial completamente desregulado as empresas que são social e ecologicamente responsáveis ficam em grande desvantagem.

    P.s. Denis adoro os seus posts mas um dia ainda te demitem da Veja por estas opiniões…

  17. denis rb disse:

    Rafael, deixa eu reformular, pq acho que não fui muito feliz ao afirmar que estou em busca de consensos.

    O que eu quis dizer é que, para mim, está claro que há absurdos no nosso modelo econômico que deveriam ser reconhecidos por qualquer um bem intencionado, independente de sua posição política. O exemplo que discuti neste post, por exemplo: não precisa ser socialista para enxergar lá que estamos rasgando dinheiro e prejudicando todo mundo no processo. Nosso modelo está machucando tanto os ideais “de direita” (liberdade) quanto os de esquerda (igualdade).

  18. jorji disse:

    Marcelo, foi força de expressão a tal da chicotada, mas a tal da ” conciência ” tem efetividade limitada. Tem uma contradição no seu comentário, voce diz que hoje consumimos mais, mas ganhamos bem menos, essa equação não bate, como podemos consumir mais ganhando menos, na minha concepção, a renda media do mundo cresceu. Certas distorções como dos trabalhadores imigrantes ilegais, é caso de polícia em qualquer lugar do mundo, inclusive no Brasil. Empresas que poluem e causam danos ao meio ambiente, deveriam é ser fechadas, acredito que pouco a pouco, principalmente as grandes empresas adotarão uma política ecologicamente correta, não que sejam boazinhas, por uma simples questão de sobrevivência ( da nossa espécie ), para que isso aconteça, é óbvio que novas tecnologias serão criadas.Agora lanço um desafio, quem nunca consumiu um produto pirata?

  19. denis rb disse:

    Indo um pouco além:

    Desde os anos 50, o mundo está dividido em uma batalha irracional entre a esquerda e a direita. Essa batalha provocou um clima de “oposição automática”. É assim: se o Lula é a favor de algo, todo mundo de direita precisa ser automaticamente contra. Isso elimina a racionalidade do pensamento político e torna impossível qualquer acordo. Por causa disso, a direita defende o golpe militar em Honduras, e a esquerda defende o fechamento de emissoras de TV na Venezuela. A direita acha a ditadura saudita legal, a esquerda acha a morte de um dissidente cubano normal.

    Por causa disso eu acho tão importante me distanciar dos dois campos. Não sou de direita, e não sou de esquerda (embora simpatize com alguns valores dos dois campos). Acho Chavez, os milicos hondurenhos, os reis sauditas e a ditadura cubana igualmente lamentáveis. Não me interessa usar esse blog para entrar na velha guerra direita X esquerda. O que eu quero é superá-la, é deixá-la para trás, junto com o fax, o vídeo disco, o betamax e outras ruínas arqueológicas do século 20. O que eu quero é identificar valores para o século 21, que nos permitam viver numa sociedade mais livre (como vive discursando a direita) e mais justa (como sempre quis a esquerda). Já tenho aqui uma listinha de alguns desses valores: transparência, sustentabilidade, cooperação, abertura… Sou a favor dessas coisas todas, contra a ideologia divisiva e improdutiva da esquerda/direita.

  20. denis rb disse:

    jorji,
    Vc não pode culpar o consumidor por tudo – essa é uma atitude moralista e ineficaz. Veja o caso discutido no post. As grifes italianas inventaram uma maneira de economizar dinheiro que, como consequência, faz com que o mercado seja inundado de produtos piratas baratos e de alta qualidade. Honestamente, vc acha que a culpa é do consumidor por preferir pagar pouco do que muito por um produto exatamente igual? Já eu acho que quem compra o produto original, nessas circunstâncias, está fazendo papel de trouxa. As pessoas respondem a incentivos, não seguem cegamente as regras. Há regras que simplesmente não funcionam, porque não levam em conta o que as pessoas querem ou como elas são. A pirataria na internet, por exemplo, é quase inevitável quando o produto legal é menos atraente e muito mais caro. Precisamos parar de culpar o consumidor por tudo de errado no mundo e tentar entendê-lo e atendê-lo melhor.

  21. Acir disse:

    De acordo com o texto parece que a prática descrita faz parte de todas as empresas ditas “capitalistas”, quando na verdade é uma prática de empresas CRIMINOSAS. Isso não acontece porque a empresa está num país capitalista, mas sim porque está num país onde não se respeitam as LEIS! Chamar isso de “doença do capitalismo” é mais uma vigarice ideológica, como se em países ditos socialistas (para não dizer comunistas, né) não existissem corrupção, trabalho escravo e desrespeito ao meio ambiente. Qualquer empresa visa o lucro. Caso contrário, sua existência seria impossível. Porém, a busca pelo lucro não pode se sobrepor à preservação do meio ambiente, à responsabilidade social e fiscal. E para isso existem as LEIS. É esse tipo de miopia idelológica que classifica empresas pejorativamente como “capitlistas selvagens”, independente de seguirem a lei ou não ou de quantos empregos gerem, mas acham lindo ver o MST invadir, ILEGALMENTE, propriedades privadas e promover a destruição de seus bens. A lei deve ser para todos.

  22. denis rb disse:

    Acir,
    Vamos devagar, você está fazendo uma leitura seletiva do texto. Repare que eu mesmo escrevi lá em cima que essa doença se manifesta inclusive em países comunistas.
    Eu a chamei de “doença do capitalismo” porque ela é uma consequência do pensamento financeiro que se instalou no mundo nos últimos 30 anos.

    Veja bem: o caso que descrevi é extremo, sem dúvida. Mas a mania de medir resultados apenas olhando para os custos e as receitas da empresa é imensamente difundida por empresas de todos os setores. No limite, o que as grifes italianas fazem nem mesmo é criminoso – eles estão respeitando as leis mas terceirizando a produção, como tantos outros fazem. Mas gera crime, porque cria um monte de incentivos para que ele aconteça. Não há leis que obriguem as empresas a adotarem práticas sustentáveis.

  23. Felipe Maddu disse:

    Calma Samurai Jorji haeuhaeuhae Acho que o Acir não leu o comentário do Denis sobre a velha ladainha esquerdaXdireita.Acho que ideias antagônicas sempe existirão, o problema é o poder. E na realidade, pelo menos aqui e até na Itália, não há diferenças claras quando o carinha do PT ou do PSDB chegam ao poder, porque o sistema é o mesmo, estão na mesma carruagem. O problema é que tem pessoas que tem dificuldade para entender que por mais que o socialismo(como foi implantado) possa ter sido ruim para a humanidade. ATUALMENTE o ônus é por completo do capitalismo. E relaxem, não é porque ele é mal ou prejudicial a maioria das populações e ao meio-ambiente, mas porque ele é quem dita as nossas vidas e não o mofado socialismo. Então eu nada posso falar do socialismo, até pq nunca sai do Brasil e fui ver ao vivo como as coisas realmente são e como as pessoas se sentem. O fato é que como tá o capitalismo não dá pé e precisa no mínimo ser reformado. Agora, vai saber como essas coisas óbvias vão passar por cima de interesses escusos de quem sempre se deu bem e quer perpetuar os valores ultra-individualistas.

  24. Felipe Maddu disse:

    Denis, por falar em incentivos, acho bom o pessoal ler o livro Freakonomics, é fantástico! Acho que você já deve ter lido, é bom demais!

  25. Marcelo disse:

    É mesmo Jorji parece cntraditório: os trabalhadores na base da pirâmide ganham cada vez menos enquanto o capitaismo nos pressiona a consumir cada vez mais, a conta parece não fechar mas se vc levar em consideração a expansão do crédito (30 anos atrás só gente rica tinha acesso a cartão de crédito, consumimos mais pq nos endividamos mais na verdade) e comparar a evolução dos lucros das empresas com a evolução salarial dos trabalhadores da base da pirâmide perceberá que não há engano no que digo.

    A renda média mundial de fato cresceu mas sem a devida distribuição desta riqueza (só agora no governo Lula o salário mínimo vem recuperando o poder de compra de antes do regime militar, que alcançou recordes de crescimento econômico (“milagre”) com uma política de arrocho salarial e investimento externo o que elevou o PIB brasileiro só aumentando algumas fortunas enquanto os trabalhadores só perdiam). Se hoje consumimos mais não é graças a melhores salários e sim à grande oferta de crédito e a outros fatores díficeis de sintetizar em apenas um comentário.

  26. Marcelo disse:

    E sobre a pirataria? Faz mais de 10 anos que não compro um CD, o que posso baixar da internet eu baixo, não sou refém de meia dúzia de empresas que querem lucrar o máximo possível e vendem a preços exorbitantes produtos que na verdade são baratos. Pouco me importa se não tenho roupa de grife ou DVD original. E não adianta dizer que a indústria fonográfica ou cinematográfica e afins vão falir, falaram a mesma bobagem quando inventaram o VHS.

  27. jorji disse:

    Denis, a culpa é de um todo, tanto consumidor, como empresas, como também os governos, e acredito que é possível mudar sim, basta implementar uma política correta.

  28. jorji disse:

    Marcelo, tecnicamente o mundo está quebrado, falido, o endividamento seja público ou privado é impagável, com certeza muitos PIBs foram inflados, a dívida do primeiro mundo é astronômico, e o Brasil e o resto do terceiro mundo segue o mesmo caminho, algo me diz que o Denis tem razão.

  29. Marcelo disse:

    Taí um coisa que mudou Jorji: o Brasil não está mais endividado como outrora. Lembro do debate da eleição presidencial de 2002 em que este foi um dos pontos em que o PSDB mais apanhou: a dívida externa brasileira teve um crescimento exorbitante no governo FHC. Hoje é o oposto, deixamos de ser devedores para ser credores internacionais (até os EUA devem ao Brasil).

  30. jorji disse:

    É Marcelo, está na hora do mundo copiar o modelo brasileiro.

  31. Marcelo disse:

    Sarcasmo?
    Sabe que em algumas coisas devia mesmo… equilibrio fiscal, balança comercial superavitária, matriz energética não poluente, incentivos ao crescimento e fortalecimento da classe média… Temos tudo para viver um longo período de prosperidade.

  32. Felipe Maddu disse:

    Marcelo, eu não sou nenhum reacionário anti-comunista, bem pelo contrário, mas cito o que um dos meus profs disse, ontem. Falta muita pro Brasil. É um País que consome, mas que ainda é um Brasil de analfabetos, o cara tem carro, mas não tem dente. A Gente tem que seguir o exemplo da Coreia do Sul e investir pesadamente na educação e aliar a isso outro tipo de desenvolvimento amplamente discutido no blog. Concordo com alguns tópicos seus, mas matriz energética limpa???

  33. Marcelo disse:

    Sim Felipe, a maior parte da energia elétrica brasileira vem de hidrelétricas. E não é verdade que o “Brasil é um país de anlfabetos”. Sim, o analfabetismo ainda é um problema grave mas não tão grave para dizer que somos um país de analfabetos. A somália é um país da analfabetos, o Brasil é uma nação que está iniciando um acelerado processo de desenvolvimento, de busca de uma nova identidade. O brasileiro precisa parar de achar que o Brasil é um lixo, “terceiro mundo”, “subdesenvolvido”… Nenhum destes adjetivos faz justiça ao tamanho, importancia e grau de desenvolvimento do Brasil.

  34. Marcelo disse:

    Sim, isto mesmo Felipe, a Coréia do Sul pulou do terceiro mundo ao primeiro em apenas uma geração. Resultado de um programa de investimentos maciço em educação. Neste sentido o Brasil tbm está mudando daqui a algum tempo todas as escolas serão em tempo integral, o número de universidades e bolsas oferecidas aos estudantes de baixa renda tbm aumentou consideravelmente, são mudanças que só darão frutos daqui a alguns anos, mas já indicam progressos significativos.

  35. denis rb disse:

    Há alguns estudos interessantes comparando os desempenhos da Coreia do Sul e do Brasil na últimas décadas. A Coreia investiu muito mais pesadamente em educação, décadas atrás, o que, num primeiro momento, prejudicou seu desempenho econômico (porque educação é caro), mas tem rendido frutos consistentemente. Hoje a Coreia cresce muito mais que o Brasil, e isso está claramente relacionado a esse investimento inicial.

    Mas o Marcelo tem razão. Há muitos mitos sobre o Brasil – coisas que foram verdades por tanto tempo que nem notamos quando elas mudaram. Uma delas é a história de ser um país de analfabetos. Hoje quase 100% das crianças brasileiras estão na escola e o analfabetismo entre adultos, além de ser relativamente pequeno, é residual (a maioria dos analfabetos adultos são pessoas mais velhas, que cresceram antes da universalização do ensino, e portanto a taxa tende a diminuir mais ainda). Verdade que a qualidade do nosso ensino é ainda deprimentemente baixa, e que as taxas de “analfabetismo funcional” são assustadoras, o que é um problemaço. Mas o avanço das últimas 2 décadas é notável. Conseguimos um feito: colocar todo mundo na escola. Falta agora dar o segundo passo (que é o mais difícil): melhorar a escola.

  36. Felipe Maddu disse:

    Tomara que isso aconteça, porque o Brasil merece, e muito, estar no topo do desenvolvimento mundial.

  37. Rodrigo disse:

    Parabéns pelo artigo, Denis.

  38. Cínthia Kaline disse:

    Nos chocamos quando lemos sobre a Primeira Revolução Industrial e deparamo-nos com a realidade de pessoas que tinham que acompanhar o ritmo das máquinas. Pois bem, está comprovada a capacidade de adaptação humana. Hoje não apenas as acompanhamos como estamos gradativamente nos transformando em apenas mais uma.

  39. Roberto@ disse:

    Artigo sério e crítico. Parabéns, Denis!!

  40. Márcio disse:

    Da minha parte já não quero nem pensar em desenvolvimento…

    O negócio agora é “Decrescimento sustentável”

    De que adiantam esses investimenstos pesados em educação, por exemplo? Sendo que focam uma perspectiva estritamente técnica e de manutenção do status quo apenas? Olhem só a Córeia do Sul, que alguém citou aí, “avançou” bastante justamente depois de mandar pras cucuias os direitos trabalhistas e cia limitada – de forma deslea e ditatorial. Essa idéia de crescer pra melhorar o bem-estar geral é balela…o problema, todos nós sabemos, é o modo de organização do poder político e de distribuição da riqueza. Sempre voltamos à boa e velha política…por isso acho impossível despolitizar a questão…não adianta, tudo passa por ela.

  41. Francisco disse:

    Eu vou pelo documentário do Corporation TV. As empresas tem como obrigação dar lucro, seguindo as leis. O problema todo está que a lei não vê todos esses lados que estão no artigo. O problema não é o capitalismo e sim as leis que regem as empresas.

  42. Francisco disse:

    E Márcio, lembrando que para existir distribuição de riquezas, elas tem que ser trabalhadas com eficiência para existir o que distribuir. A Venezuela tem um grande problema de incompetência na gerência das empresas estatizadas.

  43. Rafael disse:

    Márcio,

    “De que adiantam esses investimenstos pesados em educação, por exemplo? Sendo que focam uma perspectiva estritamente técnica e de manutenção do status quo apenas? Olhem só a Córeia do Sul, que alguém citou aí, “avançou” bastante justamente depois de mandar pras cucuias os direitos trabalhistas e cia limitada ”

    Comeu banana ou esqueceu de tomar o remedinho?

  44. jorji disse:

    Realmente o comentário do Marcio é impressionante. A questão fundamental no Brasil é melhorar e muito o sistema educacional, o desenvolvimento de um país é proporcional à inteligência média da população que a compõe, e a consequência mais vivível é que não temos o domínio de tecnologias, somos dependentes.

  45. Felipe Maddu disse:

    Márcio, com educação não dá nem pro povo pensar em fazer uma revolução. O status Quo quer, assim como a igreja, que sejamos passivos e dominados. A educação dá alento para transformações. Agora, é problema do capitalismo sim, do comunismo que não poderia ser. Só se fosse um pouco mais ao norte hahehae

  46. Ester disse:

    Texto interessante. Mas o problema é do capitalismo sim, não é apenas um vício. É questão de base. Quanto ao comunismo, não sei se é a solução para os problemas contemporâneos…mas a causa com certeza é do capitalismo (leia-se neoliberalismo).

  47. joão barbosa disse:

    Tá todo mundo errado nos comentarios.Inclusive o proprio blogueiro.A culpa de tudo isto é do proprio governo.Vá montar uma empresa e não tenha lucro,pra ver o que acontece.Tenha uma falha na contabilidade pra ver o que acontece.Tenha processos trabalhista,pra ver o que acontece.Não pague seus diversos impostos(+_ 20 pequena empresa) pra ver o que acontece.
    O custo brasil é muito alto.As grifes europeias são caras por que eles podem pagar.O operario brasileiro custa 107% a mais do que ele ganha.Vai tudo pra um fundo governo.PIS,CONFINS,FGTS,INSS,IMP. DE RENDA,ICMS(17%)13* FERIAS,6 MESES LICENÇA MATERNIDADE..Viu.É facil, sentar e escrever como fez o italiano.Agora vá produzir, e não corra atrás não pra vc, vê uma coisa.Axé.

  48. denis rb disse:

    Márcio,
    Admito que tem dias em que me sinto desanimado e quase concordo contigo, quanto à necessidade de um “decrescimento”. Mas a conta não fecha.
    Vê só.
    Num país que não cresce, numa empresa que não cresce, as pessoas não crescem. Não surgem oportunidades. Com decrescimento, há imobilidade social – os pobres continuam pobres. Poxa, dê uma passeada por uma favela brasileira nesses tempos de prosperidade para sentir na pele o impacto que crescimento tem sobre as pessoas – a eletricidade empreendedora no ar, os peitos estufados de orgulho. Redistribuição pura e simples pode até melhorar a vida de um ou outro, mas não enche o peito de ninguém de orgulho.

  49. jorji disse:

    ” Decrescimento “, era só o que faltava, daqui a pouco vão dizer que precisamos regredir para a pré-história. A culpa não é do capitalismo, nem do comunismo, nem de governos ou coisa parecida, o ser humano é complicadissimo.

  50. denis rb disse:

    joão barbosa,
    posso usar sua frase na minha lápide?
    “Tá todo mundo errado nos comentários” foi genial.
    🙂

  51. denis rb disse:

    O ser humano é complicadíssimo, verdade. Mas ninguém ainda descobriu um jeito de mudar de espécie.

  52. Felipe Maddu disse:

    João vá montar uma empresa na China então, quem sabe até você arranje uns trabalhadores escravos. A não, melhor, contrate uns bolivianos haeuhaeuhae O João é daqueles que acha que pode passar no vermelho, que as empresas só crescem sonegando e que não se pode multar os carros, porque gera uma indústria da multa(deve até estacionar em cima da calçada).

  53. denis rb disse:

    Eita, começou a brigaiada.

    Como é que vc sabe como o João é, Felipe Maddu? Nem conhece o cara…

    Galerinha, vamos discutir as ideias, não as pessoas.

    Na boa, não tô dando bronca, mas vamos nos policiar para não transformar esse blog em mais um igual. Numa comunidade que constroi coisas as pessoas não ficam gastando tempo brigando.

  54. Felipe Maddu disse:

    Eu exagerei sorry, mas não fui que disse que todos estão errado, inclusive vc tststtsts Mas ele tem um pouco de razão, há muitos impostos e os serviços prestados pelo governo não seguem em paralelo. E brasileiro discute muito, mas tem que fazer alguma coisa. Eu mesmo, critico muito, mas o que eu faço? No máx ando de bike, mas me sinto impotente pra muitas coisas.

  55. jorji disse:

    Denis, vou virar um avatar, Idéias, o difícil é colocá-la em prática.

  56. Márcio disse:

    Vejo por esse outro lado que falou também Denis…não deixo de concordar contigo…isso se aplica à minha condição pessoal também.

    O ponto que me leva ao desespero é que a expectativa de todo mundo é ser como os norte-americanos (no que toca à questão do consumo)…é isso o que o Desenvolvimentismo quer, o que quer os Sustentáveis, o que quer a mídia e o sistema Educativo de caboi a rabo

    É complicado mesmo…às vezes me sinto na época da queda da Bastilha…a crise é civilizacional…não sabemos onde isso vai dar…ficamos entre a cruz e a espada.

    Pro RAFAEL, aprofunde o seu conceito de educação meu caro…o Iluminismo já era!! Acorde!!

  57. Márcio disse:

    Só pra complementar…essa história de que educação é sinônimo de transformação e contestação é balela. A realção existe, mas não é uma linha reta entre uma coisa e outra.

    Basta ver como a história está lotada de exemplos de rebeliões vindas de baixo, sem que pra isso a dita “educação formal” tenha contribuído…às vezes muito pelo contrário. O atual paradgma educacional só produz mais do mesmo…basta ler os principais sociólogos da educação.

    Educação é importante sim (nem todas), mas como disse antes: a mudança não vem da sala de aula, vem da RUA…

  58. Rafael disse:

    Márcio,

    “aprofunde o seu conceito de educação meu caro…o Iluminismo já era!! Acorde!!”

    Continue se esforçando. De frase em frase uma hora você vai dizer algo (que faça algum sentido). Não desista!

  59. Cínthia disse:

    O que é isso gente?
    Debater se a educação é algo importante é algo arcaico. Pelo amor de Deus!
    Todas as grandes revoluções sociais aconteceram a partir do dado instante em que as pessoas se conscientizaram do seu papel na sociedade. Isso é ser educado! Saber quem você é, qual o seu papel perante o mundo. Educar não é algo que só acontece nas escolas, os pais, as instituições como um todo, estão em contínuo processo educacional. Preparam aqueles que participam do seu convívio para fazerem o que acham ser necessário e correto. Se existe algo capaz de melhorar o mundo é investindo no ser humano. Precisamos educar esse povo!

  60. denis rb disse:

    Entendo, Felipe, na boa. Mas tem uma diferença entre falar que está todo mundo errado (foco no argumento) e dizer que tal pessoa é isso ou aquilo (foco na pessoa).

    Mas na boa mesmo: não é com você, é sobre a dinâmica dos comentários mesmo.

  61. roberta disse:

    Incrível o post!!!!!!!

  62. Felipe Maddu disse:

    Ok, desculpa…Eu sou meio impulsivo, às vezes…E o velho projeto do grid em SP? A gente tem que tirar as coisas do papel Denis, do virtual, do blog. Acho que aqui tá ficando pequeno demais, se bem que as ideias tem que amadurecer mais. Fica a dica.

  63. denis rb disse:

    Encontrei mais gente interessada nessa ideia, Felipe (não encontrei foi tempo para me dedicar a ela). Sem dúvida precisamos de alguém que saque de tecnologia para a coisa andar.

  64. Felipe Maddu disse:

    Isso ai, positividade!

  65. Guilherme disse:

    Denis,
    Acho que você tocou num ponto central que é a onda financista.
    Os atuais condutores de empresas cada vez mais seguem esse perfil de reduzir custos e qualidade pois, como vc disse, os acionistas incentivam e pressionam por isso.
    Assim fica muito mais difícil executar soluções de maior tempo de maturação e/ou mais caras
    devido a essa pressão por resultados no curto prazo.
    Também concordo com vc quando diz que os CEOs parecem entender cada vez menos a natureza do negócios que eles conduzem, gerando tomadores de decisão que consideram que o único ou o fator preponderante da decisão passa a ser o custo, deixando-se de analisar aspectos mais difíceis
    de mensurar de uma solução tais quais os interesses da sociedade e dos empregados.
    Creio que esse tipo de mentalidade muitas vezes prejudica a tb entidade gerenciada pois os interesses de longo prazo (normalmente estratégicos, como o caso do investimento em Educação por parte de um governo) são sempre deixados de lado em detrimento dos interesses de curto prazo.
    PS: Acho que foram poucos contadores que trouxeram produtos/idéias revolucionários fora da esfera da economia…pelo menos eu não lembro de nenhum!!

  66. jorji disse:

    Voces salientam a questão da qualidade, para que qualidade, se quase tudo hoje em dia se tornou produtos descartáveis, se a cada seis meses lançam novos produtos, poluindo a cabeça do consumidor final.

  67. Lucas disse:

    Denis,
    Desculpe-me a demora na resposta da sua pergunta. Mas acho que a geração que está chegando ao mercado agora sente um certo incômodo por essas situações descritas no post, mas não sabe ainda como mudá-las. Tanto é que a maioria dos meus colegas que estão se formando tem preferência pela carreira pública ou por abrir o próprio negócio do que trabalhar em uma grande indústria ou em um banco.

    O perfil do bancário, por exemplo, mudou. Agora eles têm de vender, têm metas a cumprir de vendas e lucratividade, têm de persuadir o cliente (mesmo prevalecendo-se da ignorância do consumidor) para oferecer seus serviços. Muitos relatam que já estão trabalhando nos finais de semana cadastrando cartões de crédito ou para adiantar os seus serviços. Numa aula de ética profissional na faculdade, por exemplo, lembro-me de um professor comparando esses profissionais a Capitães do Mato que eram pagos para ir em busca de escravos fujões na época da escravidão. Mas fazer o quê, são normas do banco, dizem os gerentes.

    Na indústria não é diferente, já presenciei casos de assédio moral, brigas na porta da fábrica entre o pessoal do sindicato e funcionários pelo mesmo motivo. Em outra indústria próxima, uma funcionária se demitiu e uma greve foi organizada, também por causa do assédio moral. Mesmo alguns gerentes e executivos vivem rotinas estressantes, conheço alguns que trabalham 10 ou 12 horas por dia e são cobrados constantemente, mesmo nas férias.

    Mas aqueles que ainda preferem os empregos tradicionais nessas empresas, acredito que pensam do mesmo modo que seus chefes, pois foram instruídos deste modo na escola e também na vida profissional: quem não dá resultados está fora do mercado, o que manda é a lei do mais forte, tempo é dinheiro, etc. Percebi que quase todos esses também são avessos às questões ambientais e sociais, cumprem por aspectos legais e econômicos.

    Acho que uma transformação no modelo econômico vai acontecer à medida que nós, “bons cidadãos” não se calarem diante desses absurdos.
    E os “bons cidadãos” irão aumentar à medida que a qualidade na educação for valorizada, não uma educação para o trabalho, mas uma educação filosófica que ensine as pessoas a pensar, criticar, pressionar os políticos, ter consciência do que consome, do que produz, etc.

  68. Rinaldy Andrade de Recife disse:

    Lembro me alguns trechos biblicos: os perdidos serão como areia da praia : e por se multiplicar a iniquidade o amor de muitos decairá. Capitalismo não é só exploração, se fosse teria fracassado. A exclusão (os perdidos), vem em parte do crescimento desordenado da população, primeiro investir em educação, nos valores da familia, em infra-estrutura, para poder reproduzir, mas deixam a porteira aberta e toda noite se faz necessitados. A China tá fazendo sua parte. MEU ABRAÇO.

  69. PAULO ROBERTO disse:

    Denis,
    Desculpe-me pelo tom um tanto catastrofista, mas V. deve conhecer a passagem do APOCALIPSE de S. João que fala dos filhos do cordeiro que, a uma certa altura, seriam impedidos de praticar qualquer atividade pelos que trouxessem a marca da besta em suas testas e mãos, ou seja, no pensar e no agir. Traduzindo isso para uma linguagem mais atual é o que estamos vivendo. Qualquer coisa que se faça, das mais simples às mais sofisticadas, se examinada a fundo, vai se encontrar as piores bandalheiras em algum ponto da cadeia produtiva, senão em todos. Somente os que trazem as marcas da besta no pensar e no agir podem inserir-se na produção, distribuição etc. Quem é consciente e honesto não tem lugar neste mundo ou, pelo menos, tem cada vez menos. Lamentavelmente.

  70. Frostbits disse:

    Denis,

    esse “modelo de nogócio” das grifes italianas já está virando prática corrente em outras áreas. Depois da redução de custo de mão de obra da área de informática, mandando boa parte pra India e China, as empresas agora estão usando empresas como a TopCoder (www.topcoder.com). O princípio é o mesmo: várias pessoas free-lance programam, mas somente o que oferecer a melhor solução (ou a mais rápida) leva a bolada. Eles ainda colocam de uma maneira positiva, como se fosse um concurso, mas no fundo é otimização dos custos do lado da empresa e muita gente trabalhando sem ganhar nada (os não-vencedores dos concursos). A moda vai pegar.

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