A nova revolução industrial

Não é todo dia que a revista Wired cita Karl Marx.

A Wired é uma deliciosa revista sobre tecnologia e cultura impressa no Vale do Silício, na Califórnia, o coração inovador do capitalismo, lá onde as tecnologias que têm mudado o mundo nascem. Portanto, não estou falando do Pravda ou do Granma. Na edição de fevereiro, a revista trouxe na capa a manchete “A nova revolução industrial” e previu que o mundo da indústria, dos produtos, dos objetos está prestes a passar pela mesma ruptura que o mundo dos arquivos digitais, das músicas e dos filmes passou na última década: o colapso dos gigantes e o alastramento de nanicos inovadores. Em outras palavras, átomos são os novos bits.

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Marx, em sua crítica ao capitalismo, afirmou que, com a industrialização, um artesão deixou de poder comprar as ferramentas de seu trabalho. Um sapateiro jamais teria dinheiro para bancar as máquinas de uma fábrica de sapatos, um mecânico, por melhor que fosse, jamais poderia competir com Henry Ford. Portanto, estávamos destinados a viver num mundo onde os capitalistas – donos dos “meios de produção” – exploram os trabalhadores. Daí a necessidade de uma revolução.

Pois a matéria da Wired, escrita por Chris Anderson, editor-chefe da revista e autor dos best sellers “Grátis” e “Cauda Longa”, mostra que essa revolução pode ser tecnológica.  Anderson afirma que, cada vez mais, um cidadão comum, com talento e uma boa ideia, pode sim ter acesso aos meios de produção. Já há um monte de fábricas chinesas que atende pessoas físicas pela internet e produz qualquer coisa que alguém imaginar. Há centros open source como a TechShop, uma oficina americana que dispõe de máquinas sofisticadíssimas para produzir protótipos e aluga-as para qualquer pessoa por uma pequena taxa. Há impressoras 3D, que produzem objetos tridimensionais a partir de um arquivo de computador, para fazer protótipos e testar produtos. E essas impressoras já custam só 1.000 dólares nos EUA. Há sites que comercializam produtos criados na garagem e repartem os lucros com justiça. Enfim, quem tiver uma boa ideia para atender a uma necessidade do mercado e souber como concretizá-la já pode lançar um produto e ganhar dinheiro sem precisar ser uma empresa gigante. Na verdade, provavelmente vai levar vantagem sobre uma empresa gigante, porque tem mais agilidade e menos custos para manter uma estrutura hierárquica.

Anderson conta, por exemplo, a história deste carrão aí embaixo:

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Trata-se do Rally Fighter, um carro criado colaborativamente por uma comunidade de amantes de carros que se encontrou na internet, num site criado por uma empresa pequena chamada Local Motors. Primeiro houve um concurso para escolher o visual do carrão: ganhou um desenho do jovem designer Sangho Kim, que levou um prêmio de 10.000 dólares. O projeto então foi desenvolvido em conjunto pela empresa e pela comunidade. A empresa cuidava para que o veículo funcionasse direito e fosse seguro, a comunidade caprichava para deixá-lo bonito e criativo. O carro vai ser lançado em junho, e é totalmente “open source” – ou seja, código aberto, qualquer pessoa pode ver e copiar seu projeto. O mais interessante é que a Local Motors vai permitir que pessoas comuns projetem acessórios para o Rally Fighter – ou seja, o consumidor pode comprar um carro já equipado com peças que ele mesmo inventou. É um sistema parecido com o do iPhone, que permite que desenvolvedores do mundo inteiro criem aplicativos para o telefone e, inclusive, ganhem dinheiro com isso.

A Local Motors não vai matar a Ford, claro. É uma operação pequena. A empresa tem só 10 funcionários (aumentará para 50 ainda este ano). Mas pô: eles fazem carros!

Para provar que sabe do que está falando, Anderson contou que até ele próprio está embarcando na nova revolução industrial. Ele também criou sua própria indústria: a DIY Drones. Começou da mesma forma que a Local Motors: com um site para aficcionados. No caso, amantes de “veículos aéreos não-tripulados”, ou “drones”, aqueles aviõezinhos-espiões comandados por computador que sobrevoam as coisas tirando fotos (o exército americano tem um monte deles, que custam milhões de dólares cada um). Anderson contratou o melhor sujeito que apareceu lá no site – um tímido nerd mexicano de só 21 anos chamado Jordi Muñoz, que virou o chefe de tecnologia da DIY Drones. Usando um aviãozinho de controle remoto, sensores disponíveis no mercado e equipamentos fáceis de se conseguir, como um GPS, Muñoz, Anderson e a comunidade do site desenvolveram um avião-robô e um balão-robô, que estão à venda pela internet por apenas algumas centenas de dólares. A DIY Drones, criada por Chris Anderson na sua garagem há só dois anos, já está perto de valer 1 milhão de dólares.

Claro que essas histórias incríveis não poderiam acontecer aqui no Brasil – onde a baixa qualidade da produção e a burocracia kafkiana estão no caminho dos inovadores. Claro também que, por mais que essas novas empresas sejam fascinantes, há uma lista enorme de riscos ligados a esse novo jeito de produzir – imagine o impacto ambiental que indústrias de fundo de quintal podem causar. Mas a reportagem me fez mais uma vez me admirar com o incrível potencial transformador destes tempos em que vivemos. Vou morrer num mundo bem diferente daquele onde nasci.

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83 comentários
  1. jorji disse:

    Os americanos são imbatíveis em matéria de inovação, não são por acaso a maior potência do mundo.

  2. Bia disse:

    Denis, eu fico realmente admirada com os seus posts.

    Fico aqui pensando que livros vc le, que sites vc tem entre seus favoritos, seus jornais e revistas usuais… eu acho que vc toca em pontos mto cruciais que mtas vezes passeiam pela minha cabeça, mas que o dia-a-dia nao me dà mto tempo para refletir.

    Os seus posts me fazem exatamente REFLETIR. E por isso que eu acho seu blog incrivel e vc um excelente colunista. Todos os textos me fazem ver que nao estou sozinha nesse mundo e que tem muita gente que pensa como eu.

    Desde que te “descobri” nao parei mais de vir aqui.

    Também nao acredito mais no sistema como ele existe hoje. Acho mesmo que estamos entrando em uma revoluçao mto grande. E espero mesmo que sim. Afinal, esse velho modelo sò està nos afundando. Chegou a hora de mudar!

    Obrigada pelo seu blog!
    =)

  3. denis rb disse:

    Mãe? É você?

    🙂

  4. Biba disse:

    Não sou eu, mas eu concordo com essa moça!

  5. Rowena disse:

    Denis, eu também concordo com a Bia e a Biba.
    Meus parabéns!

  6. JulioK disse:

    Denis,

    Realmente o mundo esta evoluindo bastante rápido, porém Bill gates também começou assim.
    Com relação ao desaparecimento de grandes corporações o artigo esta correto, até porque a evolução do capitalismo é assim mesmo.

    Tanto bateram nos americanos que acabaram cutucando o mostro com vara curta. Disseram que eles estavam agonizando e que a China era a bola da vez. O Barack já avisou: Os USA vão continuar sendo o #1.

    Abraço

    JulioK

  7. Marcelo disse:

    Vc é o melhor Denis!
    KARL MARX descomplicado e sem nenhum tipo de manipulação editorial na VEJA!!
    Sério, vc é demais.

  8. Bau disse:

    O Linux continua a mesma porcaria de sempre!

    a “revolução” simplesmete projetará talentos que serão incorporados por gdes empresas…

    é minha opinião…

  9. Alexandre disse:

    Com esta reportagem fico ainda mais triste com o desempenho do Brasil na área de tecnologia e producao de conhecimento. Temos universidades gratuitas desde os anos 40’s. Até hoje nao temos nenhuma marca de carro nacional, como a Coréia.
    Produzimos quase que 100% de produtos agricolas e minério.

  10. Monica disse:

    Denis,
    O artesão não deixou de poder “comprar” suas ferramentas de trabalho. Ele foi desapropriado delas, num dos momentos mais opressores, e nada pacífico, da história no ocidente. Este é um dos sentidos da Alienação, em Marx.

    Quantas pessoas vc acha que têm acesso à internet no Brasil e no mundo? Se não há como negar as modificações radicais introduzidas pelas “novas tecnologias” e pela “rede” e a legítima tentativa de “inclusão digital”, seja por intermédio de programas do Estado ou de ONGs, também não há como negar que o distanciamento produzido hoje entre os que têm acesso e os que não têm é de ordem infinitamente maior do que o fosso produzido pelo sistema educacional formal, por ex.

    Apesar do post ser interessante, ele parece reforçar o que há de mais nefasto no atual sistema de produção: a meritocracia. Basta ser criativo! Basta ter uma boa idéia! Individualizar a possibilidade de reinvenção dos nossos modos de vida é não só ingênuo, mas tbm bastante perigoso. A saída está no resgate do coletivo. E discordo que no Brasil “estas coisas incríveis não poderiam acontecer”. Coisas incríveis acontecem a partir das possibilidades e realidades locais, regionais, trabalhando-se com o que há de disponível nas comunidades, com menos tecnologia, mas de uma maneira outra de pensar a solidariedade e o coletivismo (vide centenas de cooperativas e associações em todo o país). Não precisamos de uma nova “revolução industrial”, precisamos passar a limpo a História e reinventar novos, múltiplos, inclusivos, mais justos, menos unânimes, modelos de produção ( mesmo! É nisso que acredito).

    Por fim, não acho que estejamos prestes a passar por uma ruptura. Ela já aconteceu, só que não chegou para todos. O sonho de Marx (Grundisse) de que, no futuro, liberados pelas máquinas, teríamos mais tempo livre para investir naquilo que nos proporcionasse prazer (e cresciemnto tbm), parece estar se transformando numa nova forma de escravidão…

    Abraço!

  11. Marcelo disse:

    Eu diria: “revolução digital”.

    Este fenômeno que o Denis apontou tende a se intensificar junto com a maior democratização do conhecimento proporcionada pelo computador e pela internet. Evidente que ainda há muito o que mudar mas percebam que, do ponto de vista da História, a Internet acabou de chegar. Mal compreendemos as suas possibilidades e estamos longe de explorar todo o seu potencial.

    A tendencia é que as pessoas deixem de ser meros consumidores e espectadores e passem a criar, inventar e produzir desde bens culturais como músicas e filmes (já viram estes vídeos e músicas feitos por “amadores” mais do que talentosos na net?) às tecnologias mais sofisticadas por conta própria, colaborativamente (aí está o resgate da coletividade destes novos tempos, Mônica!) e por prazer em vez de apenas por dinheiro. É um fenômeno que impulsiona algo que é fundametal para o sucesso do capitalismo mas que é ferozmente combatida pelos maiores capitalistas: a livre concorrência.

  12. Bruno Coelho Leuenroth disse:

    O que não entendo nessa crítica ao capitalismo é: Henry Ford começou grande? A General Motors? Thomas Edison e a GE? Bill Gates? Steve Jobs? John Lasseter?
    Todos esses “grandes” de hoje foram pequenos um dia, e o que os fez chegar onde chegaram? A inovação! A mesma inovação que se exalta no mundo digital hoje!
    O mundo só é o que é hoje porque esses desbravadores em suas áreas contaram com as leis do mercado para prosperar e crescer. O capitalismo não é e nunca foi o mal, ele é apenas o mecanismo usado por todos para prosperar. As distorções existentes vem das pessoas, não do modelo, e esse modelo ajuda a corrigir as mesmas distorções. Ou alguém é capaz de negar que os pobres de hoje são menos pobres do que já foram um dia?
    Qual a grande contribuição de Marx, Stálin e Lênin para a inovação? Para o aumento do volume de alimentos produzidos? Para aumentar a eficiência industrial?
    A revolução de que fala a Wired (nos termos colocados pelo Dênis, pois não li o original) é apenas mais uma etapa da revolução constante que o homem produz no seu dia-a-dia, tentando prosperar!

  13. Seu Ze disse:

    Engraçado. Cada vez que leio algo sobre têndencias, mais eu me convenço de como Alvin Toffler foi e é um homem visionário. Esse movimento de desmassificação que existe nos países desenvolvidos (e no mundo pobre de forma menos intensa) e o “prosumer” já haviam sido previstos por ele a pelo menos 40 anos atrás.

    Acho que todos esses movimentos criativos e a livre iniciativa das pessoas são coisas válidas e divertidas. Aos poucos as pessoas começam a perceber que não precisam ter a tutela de grandes organizações, de gurus do “design” para obter seus produtos. Você também pode fazer. É uma realidade restrita, mas acredito que no futuro isso vai ser mais comum. Acho que não será a visão dominante, os gigantes ainda vão viver bastante graças as vantagens econômicas de serem grandes.

  14. denis rb disse:

    Bruno,
    Bill Gates começou pequeno sim. Henry Ford não. A Ford Motor já nasceu grande, com uma linha de montagem e bancada por 11 investidores. Só assim ela conseguiu ter escala para reduzir custos e produzir em massa.
    O que está mudando revolucionariamente é que indústrias que antes tinham uma altíssima barreira de entrada (como a automobilística, por exemplo) estão começando a funcionar mais ou menos como a indústria digital, que sempre esteve aberta para inovadores com ideias disruptivas. E isso é efeito das novas tecnologias de informação. Para resumir: está se tornando possível que surjam Bill Gates (inovadores de garagem) em indústrias antes exclusivas dos gigantes.

  15. denis rb disse:

    Monica,
    Vc tem razão. A divisão entre os com-acesso e os sem-acesso à internet é cruel. Mas o fato é que a popularização do acesso está se dando num ritmo impressionante, seja pelo crescimento da classe média, seja pelo barateamento dos computadores, e principalmente pela difusão de lan houses. Há um potencial democratizante gigantesco nessas tecnologias digitais.

  16. Bruno Coelho Leuenroth disse:

    Henry Ford não? Ele era executivo da Edson Iluminating Company e saiu de lá, incentivado pelo próprio Thomas Edison, para fundar a Detroit Automobile Company em 1899. A empresa não prosperou e ele fundou em seguida a Henry Ford Company, em 1901, mas saiu pouco depois para refinar seus carros, ganhando com isso várias corridas e a atenção dos investidores da época. Fundou então a Ford Motor company em 1902 e aí sim prosperou.
    Quer dizer a Ford Motor nasceu grande, mas não foi a primeira em que Ford tentou fazer carros. A inovação, as ideias revolucionárias estavam todas na cabeça dele, mas foi o capitalismo que lhe permitiu construir a Ford. Na 3ª tentativa!
    Esse mesmo capitalismo quase a destruiu na recente crise, mas por culpa da maneira irresponsável que seus dirigentes conduziram o negócio e não do capitalismo em si.
    Além do Trabant não me lembro de nenhum outro carro produzido pelo modo comunista de fazer as coisas, e não se pode dizer que o Trabant seja um exemplo né?
    Quem sabe esse não seja o destino da Local Motors?
    De 10 eles já vão chegar a 50 funcionários.
    E se chegaram a 50.000? Poderão manter a mesma maneira de trabalhar?

  17. Marcelo disse:

    Qual a grande contribuição que Marx trouxe ao mundo Bruno Coelho Leuenroth?

    Marx é um dos principais responsáveis pelo surgimento do estado de bem-estar social. Antes que dele ter feito sua crítica ao modelo capitalista, apontando suas contradições e injustiças não havia direitos trabalhistas como por exemplo o direito de greve, férias, jornada de trabalho de 8 horas nem licenças por doença ou gestação, entre outros.

    Antes dele ter apontado a opulência dos ricos (donos dos meios de produção) em contraste com a miséria dos trabalhadores praticamente não existia classe média. Os países que hoje consideramos desenvolvidos tinham tantos miseráveis e tanta desigualdade que se fosse hj seriam considerados terceiro mundo.

    Muito do progresso social alcançado nos países capitalistas se deve ao temor das classes dirigentes de revoluções com teor socialista, cuja principal promessa é o fim da desigualdade social (com o fim do direito a propriedade privada dos meios de produção).

    Assim os líderes do mundo capitalista se viram obrigados, principalmente em meio à guerra fria, a combater a pobreza para “desarmar” a bomba social que poderia estourar em uma revolução. Os países capitalistas precisavam de uma vitrine agradável do ponto de vista social para afastar o perigo do socialismoe esvaziar a principal crítica dos socialistas: a de que o capitalismo aprofunda a miséria e a desigualdade social.

    Enfim, se não fossem os ideiais socialistas de justiça social e fim da pobreza talvez nunca tivéssemos conquistado direitos fundamentais que hoje consideramos inegociáveis.

  18. Marcelo disse:

    P.s. Não sou socialista mas enquanto historiador (estudo na UFPE) tenho a noção de que para uma boa interpretação da história não adianta demonizar personagem históricos só porque não concordamos com suas idéias. Quer queiram os liberais e neoliberias ou não, Marx sempre será reconhecidamente um personagem histórico de suma importância nas transformações que nos trouxeram ao momento atual.

  19. Anouk disse:

    Denis,

    A firma comeca pequenininha e vai crescendo, crescendo, crescendo. No final das contas nao muda nada.

    Para a Monica

    O seu sonho é definitivamente o meu pesadelo.

    A propósito, a palavra é “Grundrisse”.

  20. denis rb disse:

    Eita, Bruno!
    Olha só: ninguém aqui sugeriu que o modo de produção da Local Motors seja “comunista”. Na verdade ele é bem capitalista: só é possível num ambiente de muita liberdade econômica. Não afirmei em momento algum que essa “nova revolução industrial” seja “anti-capitalista” ou “socialista”.

    E sim, Ford começou por baixo: consertando motores, se sujando de graxa. Mas a Ford só pode existir, da maneira como a conhecemos, quando ele conseguiu máquinas e escala para produzir em massa. O que estou dizendo aqui é que já é possível empreender de modo relevante sem isso. Já é possível fazer carros sem nem sequer possuir uma fábrica – utilizando serviços terceirizados, por exemplo.

  21. denis rb disse:

    Anouk,
    É aí que está: ela não precisa mais necessariamente ir crescendo, crescendo. Hoje ser pequeno e ágil pode ser uma grande vantagem competitiva. Ainda mais por que há uma infinidade de fornecedores que podem atuar como parceiros. Já não é mais necessário ser dono do processo inteiro – o que oferece o risco de o gigantismo matar a inovação e os custos saírem do controle.

  22. Anouk disse:

    Oi Denis,

    Obrigada.

    A ficha demorou um pouquinho a cair. Abs.

  23. jorji disse:

    Denis, o que eu senti, é que voce quer que as grandes corporações venham a serem extintos, qual a razão? Vejamos o caso da japonesa Mitsubishi, produz de tudo, desde verduras até naves espaciais, se juntar as quatro divisões se torna a maior empresa do mundo, venham um dia a falir? Isso não é apenas um ciclo, grandes empresas vão à falência, e outras irão substitui-la. Sem a ambição de crescer, de ser o maior, sem a sede desta forma de poder, não seria o fim do capitalismo?

  24. Cínthia disse:

    Aiin.. ele é ótimo 😀 mas um tema show

    Denis,
    se olharmos por esse ângulo… poderia ser uma ótima alternativa para diminuir as desigualdades socioeconômicas o investimento do governo em idéias como essa neh?
    Pois diminuiria a concentração de renda e sem falar que é uma técnica super capitalista, afinal… para lucrar é necessário se destacar

  25. Cínthia disse:

    Aiin.. ele é ótimo 😀 mas um tema show ___

    Denis,
    se olharmos por esse ângulo… poderia ser uma ótima alternativa para diminuir as desigualdades socioeconômicas o investimento do governo em idéias como essa neh?
    Pois diminuiria a concentração de renda e sem falar que é uma técnica super capitalista, afinal… para lucrar é necessário se destacar!

  26. Bruno Coelho Leuenroth disse:

    Marcelo, e mesmo assim as pessoas do mundo comunista, ao fim da guerra fria, estavam desesperadas pelo modo capitalista de viver! Onde estava a igualdade nestes países? Se tudo fosse tão bonito quanto a teoria não teria terminado assim.
    Muitas das conquistas das pessoas no mundo capitalista vieram do próprio desejo de ter uma vida melhor, que em última instância, só foi possível pelo crescimento contínuo da renda deste lugares. Não só como obra dos governantes para tornar o seu modelo melhor.
    Dênis, não disse que a Local Motors é comunista, mas que seu modelo só é possível no mundo capitalista e não no mundo imaginado por Marx. Artesãos de boa qualidade sempre existiram e sempre tiveram seu valor, isto não é uma revolução de agora. A única revolução que vejo hoje é o trânsito fácil da informação para quem tem acesso à internet, porque mesmo isso, ainda é um sonho pra esmagadora maioria da população mundial!

  27. denis rb disse:

    jorji,
    Não estou defendendo que as grandes corporações sejam extintas. Mas eu gostaria sim de viver num mundo onde indivíduos ou pequenos grupos tenham voz, tenha capacidade real de alterar as regras do jogo, de propor coisas. Um mundo onde grandes e pequenos possam competir em condições de igualdade.
    Você diz que, se as grandes corporações acabassem, o capitalismo acabaria. Discordo. Acho que, muitas vezes, as grandes corporações são na realidade anti-capitalistas – porque usam práticas que dificultam a competição, monopolizam mercados, dificultam o empreendedorismo e as novas ideias. O que estou observando é que a internet tornou possível que grandes redes de indivíduos se formem e construam coisas grandiosas, sem precisar necessariamente de uma corporação ou de um governo.

  28. jorji disse:

    Essa formação de rede de indivíduos para fazer coisas grandiosas em algumas áreas é possível, mas no setor manufatureiro acho impossível, a produção em escala torna os produtos mais baratos, e até hoje os grandes centro de pesquisas estão nessas mega corporações e junto com as universidades, são as responsáveis por pelo menos 95% das patentes registradas no mundo. A rede de internet é algo extraordinário, a alguns anos atrás seria impossível essa troca de idéias e informação tão dinâmicas, na minha concepção, a população não ficará tão refém de governos e das corporações, a difusão de idéias, informação, cultura e conhecimento em escala global, dará condições para que tenhamos uma escolha mais seletiva e criteriosa do que queremos, isso também é uma forma de poder.

  29. Maurício Bittencourt disse:

    Gostaria de saber a marca da principal peça do carro, o motor. Saber montar o carro sem dominar a tecnologia do motor me parece um pouco longe de caracterizar uma “revolução”.

  30. denis rb disse:

    jorji,
    Pois esse é justamente o ponto: a revolução vai se dar quando esses ganhos de escala deixarem de existir ou tornarem-se irrelevantes. A matéria da Wired fala bastante disso: sobre o quanto as inovações tecnológicas estão tornando produzir em baixa escala quase tão barato quanto produzir em alta escala. Hoje em dia, com fábricas “on demand” capazes de transformar arquivos digitais em objetos físicos, um a um, produzir em grande quantidade está deixando de ser uma grande economia. Ainda mais quando se leva em conta as oportunidades de customização que o novo modelo pode criar.

  31. denis rb disse:

    Maurício,
    O motor é BMW. E a imensa maioria das peças do carro que são críticas para performance ou segurança são de outras marcas. Num certo sentido, o que a Local Motors faz é montar um quebra cabeças com peças já disponíveis no mercado e peças especialmente projetadas por pessoas comuns que entram em seu website.
    E a revolução é justamente essa: a de que hoje em dia não é mais necessário fabricar cada componente de um carro para fabricar um carro.

  32. Esdras disse:

    Denis,

    Acompanho seus ótimos textos desde a revista Vida Simples, e hoje vi pela primeira vez essa sua coluna, mais uma vez ótima.

    Pra quem quiser mais informações sobre a economia atual, recomendo um livro chamado A Cauda Longa, de Chris Andersen. A fórmula é simples: o mercado de/para nichos, mesmo feito por empresas pequenas, está crescendo. A maior personalização do produto (ou “customização”, pra quem gosta de termos que não existem em português) determina seu sucesso.

    E o modelo open source, adotado inicialmente por software (só uma correção: boa parte das ferramentas do iPhone não são open source), já encontra seguidores até em fórmulas de cerveja. As instruções são claras, quem quiser pode alterá-las e melhorá-las.

    Abraço!

  33. Marcelo disse:

    Oops… peraí Bruno, eu nunca disse que as coisas funcionaram direitinho nos países que viveram experiencias socialistas, na verdade o modelo socialista de gestão tem sua próprias contradições, por isto não deu certo. Só o que disse foi que as teorias que Karl Marx criou ajudaram a moldar o mundo contemporâneo como o conhecemos.

    Veja só a maneira como o Denis abordou questão levantada por Karl Marx em relação ao capitalismo de que com a revolução industrial o artesão (ou o produtor de seja lá o que for) deixou de ter acesso aos meios de produção. Este é o grande problema do capitalismo segundo Marx, a concentração dos meios de produção nas mão de poucos. E, segundo o Denis e a revista que ele citou, este problema apontado por Marx está se resolvendo sozinho com o avanço tecnológico. Empresas de garagem simples podem criar coisas sofisticadas e a baixo custo graças principalmente à maneira como compartilhamos a informação na era da internet.

  34. Felipe Maddu disse:

    Denis, no Brasil com o advento da Internet as coisas também tendem a acontecer do mesmo jeito. Um amigo meu montou o pc dele turbinadasso compradando tudo pela net, uma peça de Assis, outra vinha do sul, outra do Rio. Todas empresas pequenas e brazucas. o problema é a velha “burrocracia”.

  35. Paulo disse:

    Ótimo texto. Parabéns! Muito acima da média dessa revista que prima por nivelar e banalizar os mais variados temas!

  36. hacs disse:

    Oi Denis,

    Eu tambem aposto nessas alternativas, nao como substituicao ao que existe, mas como escolhas a mais.

    Viva a liberdade para empreender (e as respectivas garantias para que o esforco empreendedor seja devidamente compensado; falo do direito de propriedade), condicao necessaria mas nao suficiente, e a busca do lucro, motivacao do empreendedor, pois juntos permitem e estimulam o direcionamento de ideias, interesses e esforcos para a criacao de infindaveis alternativas (tecnologias, produtos, servicos, modos de vida, cultura, etc), algumas boas, outras ruins, os usuarios/consumidores/adeptos/etc decidem, mas o processo nunca se esgota, ainda que aas vezes, temporariamente, diminua o ritmo ou a relevancia (o impacto das inovacoes). Nesse processo, a dinamica de geracao (empreendedor) e selecao (usuario/consumidor/adepto/etc) de novas alternativas eh analogo ao processo evolutivo (evolucao darwiniana), mas com algum grau de selecao na geracao (ou seja, nao eh completamente aleatorio pois o empreendedor antecipa em certo grau o que tem potencial de ser selecionado positivamente), e a unica forma de estagna-lo eh por meio da eliminacao de ao menos uma das condicoes citadas acima, fato corriqueiro aos cooperativismos em geral (cooperativismo e cooperacao consensual em nada se assemelham; cooperativismo = economias planificadas, centralizadas e, em geral, estatizadas, onde a liberdade para empreender, a busca do lucro e o direito de propriedade inexistem na pratica; cooperativismo no Michaelis do UOL eh definido pelo ideal, uma abstracao sem seres humanos reais, sem os fatos historicos, sem considerar as condicoes para a sua implementacao, um discurso “humanista” do pior tipo, ou como falavamos na USP, um discurso “inumanista”).

    A cooperacao (principalmente a coordenacao de interesses e acoes de forma descentralizada) testemunhada em certos casos, como os mencionados no post, sao um efeito direto dessas condicoes num ambiente tecnologico que suporta esse elevado grau de descentralizacao (tambem fruto das condicoes referidas). Por isso celebro mais a preservacao dessas condicoes do que o atual estagio que as mesmas permitiram e estimularam, mas eh claro que prefiro viver hoje do que a 50 anos atras, assim como me empolgo com as possibilidades emergentes.

    Nao vejo o que acontece hoje como uma revolucao, muito menos paralelos com o pesadelo socialista/comunista/marxista, mas somente uma decorrencia das condicoes que ja citei. Com isso nao quero dizer que o estagio atual estava determinado nas condicoes, mas que era um dos cenarios provaveis para o qual evoluimos, mas ressalto que era provavel, ou seja, existia uma trajetoria historica realista de um estagio passado ao atual com probabilidade suficientemente alta de acontecer (possibilidade relevante). Nesse quesito, os cooperativismos, de um ponto de vista ideal, sao miragens, e de forma realista, na teoria e na pratica, sao as antiteses dos seus ideais.

    Abs

  37. denis rb disse:

    hacs,

    Vc traz uma discussão interessante: a do direito de propriedade. A matéria da Wired conta que esses exemplos que citei no texto (DIY Drones, Rally Fighter) todos abrem mão de cobrar pela propriedade intelectual, para reduzir preços e tornarem-se mais competitivos. A lógica é parecida com a que está tomando a indústria da música: os músicos deixam de ganhar com direitos de autor para tornarem-se mais conhecidos e fazerem mais shows. Cobra-se pelo produto, não pela autoria. Cobra-se pelo Drone, ou pelo carro, em vez de cobrar pela invenção. Isso pede um tipo novo de inventor: um sujeito que possa não apenas criar coisas novas, mas também produzi-las e comercializá-las.

    Eu, que sou autor, morro de medo do impacto dessa mudança. Mas, a essa altura, ela me parece quase inevitável…

  38. Maurício Bittencourt disse:

    Verdade Denis, é uma revolução. Mas, como me lembro da época da ditadura militar e econômica, estou sempre esperando a hora em que o capital vai falar mais alto que o interesse da maioria. Por que desta vez será diferente? E quando as montadoras de carros, por exemplo, vierem com o chororô de que vão demitir fucionários por culpa desse tipo de empresa etc.?

  39. Marina disse:

    Ótimo artigo, daqueles que nos fazem ver uma “luzinha” no fim do túnel…

  40. denis rb disse:

    Mas Maurício,
    Não tenha dúvidas. Vai ter sim gente se dando bem indevidamente com a tal “revolução” – gente enganando os outros com “falsas inovações”, oportunistas ganhando um com as mudanças de hábitos, grandes empresas simulando mudanças de atitude.
    Mas, para mim, o que é mais importante é que, com a fragmentação das opções, vai ser cada vez mais possível viver de um jeito diferente. Antes, com a cultura de massa, não ver a novela das 8 era quase sinal de loucura. Hoje vê Big Brother quem quer. Quem não quer fica sem e não sente falta.

  41. denis rb disse:

    Só espero que não seja um trem na direção contrária, Marina…
    😉

  42. jorji disse:

    Tudo que o Denis tem colocado é interessante em todos os aspectos, quando as grandes empresas se sentirem ameaçadas por essa revolução, elas com certeza também buscarão novos processos de produção, principalmente no que se refere a questões operacionais, mas a questão fundamental é a logística, por exemplo, se um consumidor adquirir um carro produzido por uma pequena empresa, que garantia ela vai ter da assistência tecnica?

  43. denis rb disse:

    jorji,
    É uma boa questão, e claro que cada caso é um caso.
    No caso da Local Motors, vai ver uma rede de “centros de construção”, que são oficinas abertas. Quando alguém vai comprar um carro novo, ele passa por uma “experiência interativa” de participar do processo de montar o carro junto com os mecânicos da empresa.
    Esses centros aproximam técnicos e consumidores e, se forem bem feitos, servem para construir um ambiente de confiança. Se o carro tiver algum defeito, vc já conhece o mecânico da empresa pelo nome e, provavelmente já vai entender alguma coisa sobre o carro também.

    Como você vê, é um modelo muito específico, que não poderia ser ampliado em larga escala (caso a Local Motors vendesse 100.000 carros – eles não esperam vender mais do que 2.000 por ano). Enfim, é um modelo que não poderia ser replicado por uma grande empresa, mas que pode funcionar bem.

  44. Renata disse:

    Boa Noite

    Muito oprtuno para os dias de hoje um blog sobre sustentabilidade mas, justamente para um blog que vem falar de um mundo melhor voce coloca as coisas de forma a incitar o rancor e acho que este tipo de conversa nao entra neste mundo que sonhamos! Apenas uma reflexao, quero de fato um mundo melhor, j’a temos muito odio espalhado.

  45. Felipe Maddu disse:

    Renata, acho que você entrou no blog errado. Aqui se estimula o debate de ideias.

  46. Marco Antonio disse:

    Vivo esta mesma experiência de desenvolver um produto como os americanos, porém estou no brasil.
    B minusculo mesmo. Quase fui a falência pessoal tamanha a dificuldade que tive para desenvolver o produto, fui extorquido por fiscais para agilizarem a documentação da empresa, impostos que nem sei a utilidade final que tem a não ser engordar esta máquina pública podre.
    Me vejo como americano num país onde a classe trabalhadora hoje sonha em ser funcionário público.
    Não quer desenvolver nada, não quer nenhum desafio, enfim apenas encostar o corpo em alguma escrivaninha e fazer os outros trabalhadores pagarem a conta. Tenho hoje um produto com patente mundial e devo negociar esta patente justamente com um grupo americano, Pois não vejo futuro neste país.
    Sinto que toda esta raiva para com os americanos no fundo é de inveja, por não termos educação para fazer frente ao desenvolvimento deles.
    NINGUÉM SE PERGUNTA O PORQUE DE 2 PAÍSES SEREM DESCOBERTOS AO MESMO TEMPO, UM TEM A MAIOR RIQUEZA PER CAPITA DO MUNDO E OUTRO APENAS UM ESBOÇO DE PAÍS.

  47. Marcelo disse:

    Não fale assim do seu país Marco Antonio. As circunstancias que produziram esta grande distancia entre os EUA e o resto da América Latina não podem ser resumidas em poucas palavras como vc pretende em seu post.

    O Brasil (com maiúsculo sim!) não é um “esboço de país”, somos uma nação fantástica de um povo criativo, empreendedor, simpático e acolhedor em acelerado processo de desenvolvimento e de busca de uma nova identidade. Esqueça esta história de que o Brasil é “terceiro mundo”, “subdesenvolvido”, “país de analfabetos”, nenhum destes adjetivos faz justiça ao tamanho, importância e grau de desenvolvimento do Brasil.

    Na verdade este tipo de discurso só ajuda a perpetuar o que há de pior no Brasil: o desinteresse em lutar por um país melhor e a péssima auto-estima do povo brasileiro, que parece nunca ter abandonado a cultura de colonizado e segue medindo-se em razão de suas “metrópoles”.

    Mais, o povo brasileiro não quer emprego público por acaso Marco Antonio, e nem por preguiça, o que o brasileiro quer é estabilidade no emprego, coisa que o nosso sistema político e econômico AINDA não é capaz de proporcionar.

    Entendo que vc se sinta frustrado com as dificuldades que os empreendedores enfrentam no Brasil. Mas não é motivo para desqualificar desta maneira o Brasil e seu povo. É motivo sim para protestar, denunciar estes fiscais ladrões que te extorquiram, enfim, exigir seus direitos. É assim que países se tornam grandes potências como os EUA, amor à Pátria e compromisso com a construção de uma sociedade mais justa.

  48. jorji disse:

    Marcelo, essa criatividade brasileira é balela, confundimos demais as coisas, vou dar um exemplo, o tal do jeitinho brasileiro , nada mais é do que safadeza, e essa tal da criatividade brasileira, nada mais é do que a esperteza, além disso, o mais importante não é a criatividade, mas o domínio de tecnicas ( tecnologia ), não temos sequer uma indústria de automóveis.

  49. Felipe Maddu disse:

    Disse tudo o Marcelo, ele tem o famoso “complexo de vira-lata”.

  50. Felipe Maddu disse:

    Jorji, deixa de ser atrasado…A Coreia que é do lado do país dos seus antepassados já teve a metade do PIB do Brasil. Acho que falta os reclamões tirarem a bunda da cadeira, inclusive eu !!!

  51. Maurício Bittencourt disse:

    Denis, no teu comentário escrito em 10/03 às 6:10 pm, dizes que a Local Motors não espera vender mais que 2000 modelos por ano. Tens informações sobre se a empresa QUER vender mais do que isso? Estive pensando: se a empresa se satisfizer com essa quantidade porque não quer baixar o nível de atendimento e a sintonia com os clientes, será que não vamos chegar a um tipo de socialismo? Aproveitando a brecha para falar de Marx, o tal filósofo previa um socialismo com bases democráticas, e não a aberração ditatorial que houve e há em diversos países que se dizem marxistas, como a URSS stalinista, China, Coréia do Norte etc.

  52. denis rb disse:

    Maurício,
    Eles previram vender entre 500 e 2.000 veículos, e têm estrutura para atender apenas a essa demanda.

  53. Anouk disse:

    Marcelo está certo, confiram.

    ” Baixo Gávea Debaixo D’àgua ” -> youtube.

    PS: Gávea é um bairro na zona sul do Rio. Divirtam-se!

  54. jorji disse:

    Felipe, o meu comentário sobre o nosso comportamento todos estão carecas de saber. Em relação não apenas ao Brasil, os países ditos do terceiro mundo, cada vez mais se aproxima dos dito do primeiro mundo, principalmente pelo fato do primeiro mundo estar com a sua população envelhecendo num ritmo acelerado, daqui a cem anos, acredito que o PIB percapita dos países serão muito próximos, talvez a excessão seja o continente africano.

  55. jorji disse:

    Se no mundo forem criadas tres mil empresas que produzam dois mil veiculos anuais, seriam seis milhões de veículos produzidos neste sistema, aí sim seria uma revolução industrial. Já ouvi falar que os automóveis estão com os dias contados.

  56. Marcelo disse:

    Não jorji, os automóveis não estão com os dias contados, os motores movidos a combustíveis fósseis é que estão.

    P.s. Assistam “steal this film” tem tudo a ver com o tema do post, é leve e basta uma busca no google pra encontrar links p download gratuitos (totalmente “open source”) em qualquer formato.

  57. Marcelo disse:

    primeiro mundo, terceiro mundo, segundo, quarto, subdesenvolvido…… Para quê rotular países, culturas e povos que na verdade mal conhecemos? Por que não tentar compreendê-los em suas próprias singularidades, suas interações, conflitos e a natural imprevisibilidade dos sistemas instáveis gerados pela natureza.

  58. jorji disse:

    Marcelo, o que define o primeiro mundo ou o terceiro mundo é o QI médio da população, daí se comenta tanto da importância do sistema educacional de um país, mas, tudo no mundo é frágil, de uma hora para outra um império pode ruir.

  59. Felipe Maddu disse:

    Jorji não existe mais esta denominação terceiro-mundo, há tempos. Somos um país em desenvolvimento, líder deles aliás. Não é mais como antigamente, o Brasil está se tornando um dos que mais cresce e sustentavelmente, não como a China, se tornando uma bússola de investimentos estrangeiros. Agora, pessoas esclarecidas como nós temos que propor solução para um crescimento mais equânime e fazer a nossa parte. O grande problema é que aqui a gente sempre reclama que ninguém tá nem aí e acaba se juntando a essa massa. Nos tornamos cúmplice dos que discursam bradando “ninguém faz nada, por que eu tenho que fazer?”. É triste porque passa a ideia de que essa geração é toda alienada e não luta pelos direitos fundamentais da população.

    PS:Complementando o comentário do Maurício, Adam Smith também previa que o capitalismo tivesse menos monopólios, fosse mais livre.

    PS 2: Eike me dê 0000000,1% de sua riqueza, please!!

  60. Marcelo disse:

    QI médio da população, Jorgi? Vc não poderia ter cometido erro maior.

    O tal do “QI” é uma maneira absurda e ultrapassada de avaliar (e rotular) as pessoas. Um testezinho extremamente arbitrário que não leva em consideração as singualridades culturais nem valoriza a vivência pessoal de cada um ou suas outras inteligências (interpessoal, emocional, etc.) que não podem ser medidas em provinhas de múltipla escolha. Ainda bem que este teste já não possui mais legitimidade praticamente em lugar nenhum.

    É no mínimo arrogância etnocentrica querer medir a inteligencia de um país de acordo com um índice tão arbitrário que na verdade muito pouco (ou nada) revela sobre as pessoas.

  61. jorji disse:

    Felipe, 55% do nosso PIB é gerado por empresas do exterior que aqui investiram e produzem de tudo, os países ditos do terceiro mundo tem se favorecido pela transferência de poupança dos países ricos, que buscam novos mercados, no fundo tudo são ciclos. Não existe dúvida nenhuma de que a China, cedo ou tarde se tornará a maior potência do planeta.

  62. Felipe Maddu disse:

    Então, a gente tá falando a mesma coisa. O que tá acontecendo é que os desenvolvidos estão perdendo espaço para países como Brasil, China e Índia.

  63. Chesterton disse:

    Ei, gostei do post. Claro que só uma elite se beneficia desses produtos de “butique”, são caros demais e sofrem concorrencia dos grandes (cadê a Puma?). É um alento saber que você preza o empreendedorismo e reconhece a sanhas dos governos brasileiros em acabar com a iniciativa deles.

  64. Chesterton disse:

    Procure investigar a industria caseira de aviões nos EUA e no Brasil. Já se faz isso há muito tempo.
    Revistas como Kitplane, e dê uma olhada nesse site, http://www.laminarflowsystems.com/. Eu mesmo, 15 anos atrás fabricava e vendia peças semelhantes. Não deu lucro, que pena.

  65. Rafael disse:

    Esse post, sem querer, é uma apologia do capitalismo e do livre-mercado. Não é exagero algum dizer que o Denis é um capitalista arraigado: um sistema distribuído de tomada de decisão, difusão de poder… isso é parte da definição de capitlismo. Os defeitos que vemos hoje na economia, como a crise de 08 ou mesmo a de 29 foram em parte produzidos e 100% agravados por intervenção governamental. O new deal e agora o stimulus package.

    Depois que vc lê uns livros do Thomas Sowell tudo fica mais claro. Denis, fica a indicação. Recomendo e depois diga o que achou.

  66. denis rb disse:

    Não entendi o “sem querer”, Rafael.

  67. Marcelo disse:

    Denis desculpa mudar de assunto mas a recente tragédia, a morte do grande Glauquito e seu filho, troxe a tona um tema espinhoso e pouco conhecido: o Daime.

    Lembra que eu prometi procurar a revista Manchete que tinha a reportagem sobre a ayahuasca aqui na UFPE para a sua amiga? Não encontrei de jeito nenhum, (parece que era uma coleção particular).

    Já estão pipocando pela internet todo tipo de preconceitos e ataques contra o Daime. Vc é a pessoa certa para nos dar os melhores esclarecimentos.

  68. Rafael disse:

    Denis, faltou um “talvez”, mas se essa defesa que eu “acuso” no seu post é proposital, tanto melhor. Escrevi esse “talvez sem querer” por ter-me parecido que você não faria, nestes termos diretos em que coloco, uma defesa do capitalismo.

    Reitero a indicação do Thomas Sowell. Estou lendo “Intellectuals and Society”. No site dele tsowell.com você encontra as colunas dele, que são exclentes. Como volta e meia você aborda problemas de economia – a rigor, qase o tempo todo, num sentido mais amplo – acho que vale a pena.

  69. denis rb disse:

    Pois é, Marcelo,
    O assunto é trágico, e não me sinto confortável de me aproveitar de uma tragédia humana para discutir uma posição política. Mas também não quero deixar sua sugestão sem resposta.
    Não conheci o Glauco, mas conheço amigos dele, e todo mundo sempre o descreveu como um sujeito imensamente generoso. Foi essa generosidade que fez com que ele se colocasse num papel de ajudar gente instável, desestruturada, perigosa – esse tipo de gente que a maioria de nós prefere manter distância. Glauco teve coragem de oferecer ajuda, e acabou sendo morto por uma pessoa que ele ajudava, num surto psicótico.
    Para mim, culpar a religião que ele professava por essa tragédia é imensamente preconceituoso. É mais ou menos como culpar o cristianismo pela morte da missionária Doroty Stang na Amazônia. Glauco morreu no exercício daquilo em que acreditava. É muito injusto questionar aquilo em que ele acreditava por causa dessa morte.
    Não sou uma pessoa religiosa. Como filho de pai judeu e mãe católica, cresci sem educação religiosa. Mas tenho respeito por todas as religiões. Mais do que respeito: eu, como leio pesquisas científicas, sei que pessoas religiosas tendem a ser mais felizes, mais saudáveis e viver mais. Ter uma crença faz bem para a saúde. Sei que a religião do Santo Daime tem um longo histórico de reabilitar gente perdida e sofrida e de devolver o sentido de viver. Não sou daimista, nem nunca foi, nem quero ser. Mas acho no mínimo leviano condenar uma crença por uma tragédia humana. O Daime não matou ninguém. Quem matou foi Eduardo Sundfeld Nunes, que por isso vai para a cadeia.

  70. Felipe Maddu disse:

    Eu também ia falar sobre isso, fiquei triste demais com a morte desse verdadeiro gênio dos cartuns. Essas pessoas preconceituosas deviam homenagear o grande brasileiro Glauco, em vez demostrar o mais puro falso moralismo e mesquinhez. Só acho que cada pessoa tem uma reação diferente ao uso de substâncias, qualquer uma, e não sei se o daime afetou a cabeça de uma pessoa já completamente fora de si. Mas isso são detalhes, o que nos resta é lembrar da pessoa que era o Glauco, sem cabrestos religiosos.

  71. Marcelo disse:

    Sim Denis, realmente não quero nem nunca quis fazer desta tragédia uma desculpa para defender posições políticas.

    Só trouxe este assunto a vc pq confio na sua honestidade intelectual e jornalística (e creio que vc já fez matérias sobre o Daime, né?). Infelizmente é um assunto cercado de desinformação, como já disse, estão pipocando acusações preconceituosas contra as religiões Daimistas. Não que eu queira que vc “abrace a causa” e defenda o Daime, agradeço a sua colaboração para esclarecer o assunto. Muito obrigado pela sua atenção

  72. denis rb disse:

    Marcelo,
    Nunca escrevi matéria sobre o Daime. Mas, quando eu dirigia a Superinteressante, publicamos várias.

  73. jorji disse:

    As pessoas religiosas tendem a ser mais felizes porque pensam menos, os ateus são em média mais inteligentes, e questionam mais, tem uma capacidade maior de elaborar os conflitos. Esse Santo Daime não seria aquela religião criada na Amazônia?

  74. denis rb disse:

    Puro preconceito, jorji

    Felicidade tem pouquíssima relação com pensar mais ou menos. Pessoas com uma crença, com um sentido na vida, tendem a ser mais estáveis emocionalmente e a ter uma saúde melhor. Essa crença pode ser religiosa ou não – há agnósticos que têm um senso de sentido na vida desenvolvidíssimo.

  75. denis rb disse:

    Sim, jorji,
    As origens do Santo Daime estão na Amazônia, no Acre. A religião é fruto do contato de comunidades cristãs com índios de origem andina que consumiam o chá em seus rituais.

  76. Rafael disse:

    Denis,

    “Pessoas com uma crença, com um sentido na vida, tendem a ser mais estáveis emocionalmente e a ter uma saúde melhor”

    Sobre isso existe um excelente livro chamado “Em Busca de Sentido”. O autor é o psicólogo (ou psiquiatra, agora não lembro ao certo) judeu, sobrevivente (ao contrário do resto da família dele inteira, pai, mão, mulher, filhos) de Auschwitz. A tese dele é exatamente essa frase sua que eu colei entre aspas.

    Citações e suas mil e uma utilidades, entre malévolas e bondosas…

  77. Rafael disse:

    E é claro que eu dei até o RG do cara mas esqueci de escrever o nome: Victor Frankl

  78. jorji disse:

    Já entendi, aposto que o chá tem propriedades que entorpecem o cérebro, tipo chá de folha de coca.

  79. Felipe Maddu disse:

    Até café entorpece a mente jorji

  80. denis rb disse:

    Sim, jorji,
    Embora o efeito seja muitíssimo diferente do da folha de coca.
    O chá provoca visões. Provoca também uma sensação de integração à natureza, de pertencer ao Universo, de experimentar uma força maior.

  81. Luna disse:

    Desculpe-me Denis…Bem se ve que voce nao foi criado em nenhuma religiao.
    Educar uma crianca em uma fe’ religiosa (uma educacao baseada em mentiras) e’ a maneira mais facil de se fazer loucos. A paz e felicidade aparentes nao sao genuinas.

  82. Luna disse:

    E de onde voce tirou essa que sentido na vida vem de crenca? Essa afirmacao me parece absurda para um blog de ciencias, tecnologia e ecologia.

  83. denis rb disse:

    Luna,
    Conceitos como “sentido” e “felicidade” são bastante subjetivos, e portanto difíceis de serem cientificamente apreendidos. Mas há sim uma série de pesquisas associando crença religiosa a saúde e felicidade.
    Por exemplo: a pesquisa de Kosmin e Lachman, de 1993, mostra que indivíduos religiosos têm índices menores de depressão. O Legatum Prosperity Index, uma grande pesquisa internacional que mede, entre outras coisas, índices de satisfação com a vida, mostra que países religiosos tendem a registrar índices maiores de felicidade. Uma pesquisa pan-europeia apresentada em 2008 à Royal Economic Society de Londres mostra que religiosos apresentam um índice maior de “satisfação com a vida”. Também há indícios fortes de que a conversão religiosa é um estímulo poderoso para “voltas por cima” de indivíduos desencantados com a vida. Há registros de que o vício de drogas pesadas (cocaína, heroína) é combatido em grupos religiosos (Santo Daime, igrejas evengélicas) com índice de sucesso equivalente ao dos melhores tratamentos médicos.
    Enfim: ter uma religião faz bem – é isso que a ciência diz. A ciência não diz que Deus existe. Mas tudo indica que nossa espécie foi evolutivamente programada para acreditar em Deus.
    Acontece que é possível sim encontrar sentido na vida sem religião. Há muitos exemplos de gente que conseguiu. Recomendo um filme – “Tocando o Vazio”, sobre um alpinista ateu que encontrou forças dentro de si para sobreviver na situação mais adversa possível. Não é impossível ser feliz ou encontrar sentido sem religião. Só é estatisticamente mais difícil…

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