Quanto custa a fumaça?

Semana passada subi de bicicleta a ladeira da Avenida Rebouças, que separa a minha casa, em Pinheiros, da Faculdade de Medicina, junto ao Hospital das Clínicas, em São Paulo. Cheguei esfumaçado e suado à entrevista com o professor Paulo Saldiva, médico, professor de Harvard, especialista em saúde pública, um dos maiores pesquisadores de poluição do mundo.

– Veio de bicicleta? Hoje vim sem a minha, usei transporte público – ele disse.

Saldiva tem 60 anos. É um sujeito cheio de energia e de ideias.

– No meu momento da carreira, o carro usual de um professor universitário é um Audi. Eu ando de bicicleta. Eu estou bem melhor que eles. Como cientista, tenho duas hipóteses: ou bicicleta faz bem ou Audi faz mal.

Ele já teve a chance de testar a hipótese. Uma vez ficou dois anos dirigindo um carro, porque naquela época tinha que apanhar os filhos na escola.

– Engordei 20 quilos. Mas aprendi a tocar gaita. Eu ficava tentando acompanhar a música no rádio, com o trânsito parado.

Saldiva é um sujeito engraçado, já se viu. Mas ele sabe falar sério também. Por exemplo, ano passado, por determinação da Agência Nacional do Petróleo (ANP), a quantidade máxima de enxofre no diesel de caminhões deveria ter sido reduzida. Mas a ANP se esqueceu de entregar à Petrobras as novas especificações do combustível. A Petrobras se fez de morta e, quando ficou em cima da hora, alegou que não havia tempo hábil para fazer a mudança. A ANP então adiou a redução para 2012. Saldiva fez as contas:

– 14.000 pessoas vão morrer em conseqüência direta dessa prorrogação. O governo precisa saber que, ao aprovar o adiamento, autorizou a morte de 14.000 pessoas.

Ele não alivia. É especialmente crítico às empresas de petróleo, que segundo ele, deveriam incluir na sua conta o prejuízo que causam ao país, em dinheiro e em vidas.

Sim, poluição mata. Mata 12 pessoas por dia só em São Paulo. Mata mais idosos que jovens. Mata mais pobres que ricos. Quem mora na periferia e tem que esperar nos pontos de ônibus respira mais veneno do que quem está passando pelo ponto de carro soltando fumaça. Dê uma olhada no mapa que mostra a incidência de mortes por doenças respiratórias na cidade: quem mais morre é quem vive nas regiões mais pobres.

grafico

– É um racismo ambiental – diz Saldiva.

O médico está empenhado em colocar números nesse racismo. Suas pesquisas e as dos seus muitos orientandos tentam responder perguntas bem objetivas: quantas pessoas morrem a mais dessas doenças quando a frota de carros aumenta? O quanto isso está piorando com as mudanças climáticas (também causadas em grande parte pelas emissões de poluição)? Quanto custa ao país a poluição?

Quantificar é o caminho para cobrar de quem causa o prejuízo. Por exemplo: Saldiva calcula que um paulistano perca em média um ano de vida por causa da poluição. Como somos 12 milhões de paulistanos, os canos dos escapamentos tiram de nós um total de 12 milhões de anos-homem (sem contar atropelamentos e outros danos colaterais). Calculando pelo PIB per capita, essas mortes equivalem a 9 bilhões de reais. É esse o tamanho da grana que a fumaça dos carros está surrupiando de nós. Essa fortuna precisa ser incorporada ao valor do combustível, ao preço do carro.

Não se trata de culpar os motoristas pelas mortes e pelo prejuízo. Não dá para dizer que os motoristas tenham culpa de algo que não havia sido calculado. É por isso que essas pesquisas são importantes: elas quantificam o prejuízo. E, ao quantificar, tornam possível que cada um assuma sua responsabilidade na história. Ninguém paga por coisas que não têm preço. Torna possível também imaginar políticas públicas que salvem vidas e poupem dinheiro.

Na saída da faculdade, Saldiva nos mostrou uma palmeira em frente à sua sala, bem na beira de uma Avenida Doutor Arnaldo. A parte de trás da palmeira, protegida do ar da avenida, estava coberta de líquen. A parte da frente, virada para um ponto de ônibus, estava preta, e sem líquen nenhum.

– Não é ambiente propício à vida – disse ele.

Voltei para casa pedalando e respirando o ar da Rebouças. Por quanto tempo mais?

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34 comentários
  1. Marina disse:

    Puxa, Denis, que idéia ótima trazer o Paulo Saldiva para o blog! A pesquisa dele é muito interessante e importante. Em BH, onde moro, é praticamente impossível encontrar pesquisadores não-ligados ao governo que tratem o assunto. E, quando encontramos os pesquisadores, descobrimos que faltam aparelhos modernos e outras condições para realizar as medições. Com o aumento do número de carros, o transporte coletivo deficiente e as ladeiras, que desestimulam muita gente a usar a bicicleta, acho que estamos precisando de Saldivas por aqui.

  2. jorji disse:

    Se levar em conta os veículos de uso privado em geral, como automóveis por exemplo, eles acarretam prejuízo para uma nação, e uma das consequência nefasta é a poluição , que causa morte para os cidadãos que habitam as grandes cidades. O fato dos pobres serem as principais vítimas, não existe novidade nenhuma, é assim nas epidemias, nas grandes catástrofes naturais, nas questões como a saúde pública, educação, transporte, etc, os pobres nos países subdesenvolvidos como o nosso, sofre muito, e não adianta reclamar, a solução só mesmo com crescimento econômico. Um veículo como um automóvel representa muito mais do que apenas um meio de transporte, é um símbolo de status, e vou mais além, para os homens, é a extensão do pênis, é uma ferramenta para a conquista do sexo oposto, por isso mesmo, já se transformou em questão cultural. São Paulo é uma metrópole horripilante e a mais rica da America Latina, consertar essa mega cidade…………………………………………..

  3. Felipe Maddu disse:

    Nossa Denis, eu tava lendo um jornal e li que de acordo com a OMS, SP tem 20% a mais poluentes do que o padrão da organização! Coincidentemente, depois que li a reportagem, você faz um post abordando justamente o assunto. Eu já acho que isso é um genocídio mesmo! Os culpados são sim os petroleiros e os governos que continuaram privilegiando o transporte individual. Começou com Maluf, ou até antes, suas obras faraônicas, até agora com a contuação dele, o Sr. Kassab que quer resolver o problema do trânsito burramente(pois só tirou de circulação fretados, fazendo com que essas pessoas migrassem para os carros) e não faz NADA para controlar a explosão de números de carros e motos. Acho que não dá para culpar só o cara que dirige em SP, tem que haver qualidade no transporte público e não há. Ninguém é sardinha para ficar enlatado e muita gente não tem o nosso pique de pegar a bike(há excessões como o caso do Saldiva). Quando vamos ter qualidade de vida nesta cidade?

  4. Cínthia disse:

    Denis, diminuir a comercialização automobilística não iria travar o crescimento econômico? Ahh… e as megaempresas do ramo não correriam grande risco de fralir e levar com elas muitas outras? E os países em que o PIB depende da venda do petróleo?

  5. denis rb disse:

    Cínthia,
    A questão é: quantas mortes estamos dispostos a aceitar em troca de um ponto a mais no PIB?

  6. Felipe Maddu disse:

    Travar o crescimento?? Crescer pra onde mais?

  7. Tomas disse:

    Metrô é a única solução, não da pra fazer campanha de bicicleta pq a população esta cada vez mais obesa desde a infância, chove demais, carro é status, carro manda na economia etc… A resistência é muito maior que qualquer ativismo. Metrô faz com que as pessoas deixam o carro em casa mais tempo ou comprem um carro só por casal, por exemplo. Morei em Paris e andei de carro uma vez em 1 ano, só depois que tivermos estações pelos menos de 5 em cinco km vale a pena insistir no uso de bicicletas, antes disso esqueça. Em sou ciclista e tenho que andar de carro.

  8. Quantificar os prejuízos é a maneira mais fácil de fazer entender que o crescimento econômico a qualquer custo é prejudicial a economia! 😉

  9. #42 disse:

    Que a Biccleta é mais saudável todos sabem! Porém é mais prática? Não estou dizendo que um carro seja prático, muito pelo contrário, um carro com + ou – quatro metros de comprimento é uma aberração! Porém eu que acabei de abandonar a minha bicicleta após 6 anos de uso como transporte efetivo, acho que posso opinar. Bicicleta é bom, mas como você mesmo demonstrou deixa a pessoa cansada e suada. Carro é uma monstruosidade com uma tonelada e meia de metal feita para levar de 4 a 5 pessoas, mas que acaba levando uma só e fazendo 10 quilometros por litro. Atualmente uso uma moto que faz cerca de 30/35 km/l, deixo para tras carros com seu único ocupante, e gasto pouco tempo no transito, afinal tenho quase a mesma mobilidade de uma bicicleta, só que motorizada,e coberta efetivamente pelo CTB. Conheço os defeitos das motos, como o fato de que poluem mais que carros, mas também sei que muitas pessoas nunca abandonariam um veículo motorizado por um movido pela força de suas pernas. Acho que a melhor solução para a poluição, para o trânsito, seriam veículos menores feito efetivamente para levarem no máximo 2 pessoas movidos a eletricidade, e uma malha grande de transporte coletivo.
    Ps.: Fico muito triste com o fato de que teremos que colocar no tanque de combustível esse veneno! VALEU VONTADE POLÍTICA!

  10. jorji disse:

    Tudo é questão de planejamento urbano, as nossas cidades carecem de um planejamento bem feito, aliás, “planejamento” é um dos pontos fracos do nosso país.Vejamos o caso de São Paulo, falta metrô, trem, a enchente é fácil de resolver, só falta dinheiro, o traçado da cidade é mal feito, incentivar o uso de bicicletas, mas antes oferecer mais segurança aos ciclistas, para desistimular o uso de carros, cobrar pedágio como em Londres, aumentar a segurança………….etc

  11. DiogoPardal disse:

    É fantástico tudo o que você escreve. Venho acompanhando teu blog a alguns meses e fico impressionado. Meus parabéns.

    Quanto ao tema. Moro em Botucatu cidade do interior de São Paulo conhecida como cidade dos Bons Ares e também não sei até quando. A frota nessa cidade está crescendo absurdamente e para piorar o sistema de trânsito aqui é um caos. Foi-se o tempo em que poderiamos intitular essa cidade como a do Bons Ares.

    Parabéns novamente.

  12. Felipe Maddu disse:

    Já passou da hora do pedágio urbano!!!!

  13. hugo veloso disse:

    Dênis, concordo com você na questão de que há mecanismos para driblar a poluição e melhorar a qualidade de vida das pessoas. Uma delas é a possibilidade de se trabalhar em casa, utilizando internet. Isso seria possível com uma legislação trabalhista mais liberal e a desburocratização para abrir empresas e executar serviços.
    Mas esses números que você apresentou são meramente inventados. Claro, não estou acusando você de nada, ok? Apenas que acreditou em dados não-confiáveis.
    Por que digo isso?
    Por q

  14. hugo veloso disse:

    Denis, concordo com você que é possível melhorar a questao da poluição
    e melhorar a vida das pessoas por exemplo com a flexibilização da legislação
    trabalhista e a possibilidade de se trabalhar em casa; bem como a desburocratização
    para prestar serviços.
    Mas os dados que você apresentou são absolutamente inventados. Naturalmente, não
    estou o acusando de nada. Apenas digo que a fonte não é confiável.
    Por quê?
    Como se estabeleceu essa observação que em áreas pobres há mais veículos que podem gerar
    doenças respiratórias? Não seria até o contrário?
    Foram analisadas outras questões como a questão da alimentação ou fatores hereditários?
    Isso não passa de peça de propaganda ambientalista. Estou negando que possa morrer as
    14000 pessoas no período que falou? Não. Podem morrer 100 mil, ou 100 pessoas. Apenas
    a pesquisa é inverossímel. Um chute.
    Ou a discussão sobre o ambiente e qualidade de vida se torna séria e objetiva, com a
    possibilidade de melhorar a vida das pessoas, ou ficaremos todos reféns de uma nova
    religião verde, ongs picaretas e governos autoritários.
    Abraços

  15. denis rb disse:

    Opa,
    Espera aí, hugo, você não entendeu. Esses dados não são de ONGs ou de grupos ambientalistas. São dados de pesquisa coletados pelo time do Paulo Saldiva, da Faculdade de Medicina da USP e da Universidade Harvard. Os números não são um chute: Saldiva tem acesso às estatísticas de mortalidade em São Paulo e ao monitoramento da qualidade do ar. Ele relaciona as pioras da qualidade do ar ao aumento da mortalidade por diversas causas e, com isso, calcula que impacto uma redução da emissão de partículas causaria. Saldiva conta que, nos dias secos e quentes (que estão se tornando mais comuns com as mudanças climáticas), ele vai ao necrotério e os funcionários de lá já são capazes de prever com acerto uma subida nas mortes por doenças cardíaco-respiratórias e por AVC. Enfim, ele trabalha com as ferramentas estatísticas tradicionais da saúde pública (que geralmente são empregadas para planejar campanhas de vacinação).

  16. denis rb disse:

    Pessoal,
    Eu estava aqui pensando, diante da tragédia no Rio, enquanto recebo notícias de amigos ilhados.

    Há pouco tempo, aqui no blog, escrevi que as mudanças climáticas muito em breve começariam a causar desastres muito perto de nós. Chegaram comentários raivosos, me acusando de ser apocalíptico. Nos últimos meses, em boa parte do Brasil (inclusive aqui em São Paulo), o que se viu foram eventos extremos, exatamente do tipo que se previa que ocorreriam com mais e mais frequência. A imprensa parece resistir a fazer a ligação entre esses desastres e as mudanças climáticas – talvez com medo de ser inundada pela mesma torrente de mensagens raivosas que chegou até a mim.

    Efetivamente, fazer a ligação direta entre uma enchente específica e as mudanças climáticas não é fácil. Enchentes não são “assinadas”. Não tem como saber o quanto a tragédia do Rio seria menor, quantas pessoas teriam morrido a menos, se não tivéssemos emitido tanto carbono. Mas caramba, do que mais algumas pessoas precisam para se convencerem?

    Começou, gente. A água está batendo na bunda.

  17. Felipe Maddu disse:

    Denis, podes crer, infelizmente. A próxima enchente, por incrivel que pareça, vai ser no nordeste. E falo isso porque tivemos o desastre em SC, agora SP e Rio e vai subindo, acredito eu, mas tomara que eu esteja errado.

  18. Surfs disse:

    Muito bom o texto! abs

  19. jorji disse:

    As enchentes de São Paulo e Rio sempre aconteceram, facil de se resolver, basta ter dinheiro, é questão de engenharia, eu conheço projetos que solucionariam. Os geólogos sempre souberam que construir rodovias em torno das serras é um perigo, então porque construiram? Porque permitiram ocupações em encostas? ou sob elas? se sabe que lixos entopem os bueiros, porque então se joga lixos na rua? e assim por diante, sabe que está se fazendo coisas erradas, mas porque fazem? É o tal do mais ou menos, se Deus quiser………………Denis, aproveitar essa situação e culpar o clima pelas catástrofes é estranho, voce que morou no exterior sabe muito bem qual é o problema, saber se prevenir e se defender contra os fenômenos da natureza, é uma simples questão de desenvolvimento.

  20. jorji disse:

    Só um idiota, imbecil ao extremo não consegue entender que precisamos parar de jogar lixo na natureza, que isso nos afeta, não entendo ainda essa discussão , eu sei que as razões de natureza econômica é o grande empecilho, mas é uma questão de sobrevivência, o ser humano é dose.

  21. denis rb disse:

    São duas questões bem diferentes, jorji.
    Efetivamente há uma falta de infraestrutura preventiva no Brasil, em especial nos bairros pobres. Mas isso sempre houve – por que é que tragédias como essa não aconteciam antes? Por que as chuvas estão caindo de maneira mais concentrada e violenta, como já se sabia que aconteceria em função das mudanças climáticas. As mudanças climáticas, embora sejam causadas maioritariamente por emissões efetuadas nos países ricos, vão causar tragédias muito maiores nos países pobres, justamente por causa dessa falta de preparação que você aponta. Desastres naturais sempre matam mais em países pobres do que em países ricos. A questão é que, com as mudanças climáticas, desastres naturais vão começar a acontecer com muito mais frequência. Vai chover como nunca choveu antes. Vai haver secas recorde. E não estamos nos preparando para isso.

  22. Felipe Maddu disse:

    Os países ricos deviam dar grana para sanar isso, mas na mão de pessoas corretas, que não desviem os recursos

  23. jorji disse:

    Os países pobres em sua maioria, estão situadas em regiões mais quentes, próximo da linha do Equador, regiões que chovem mais, e se confirmarem as previsões de seca e chuvas intensas nestas regiões, o que vai acontecer? O nosso Brasil está preparado? Quando acontece uma tragédia natural no país, é impressionante ainda o despreparo, quem tem que agir rápido é o Estado, essa mania de campanha recolhendo donativos para os flagelados é o retrato de despreparo, é o governo quem tem que atender as vítimas, as forças armadas tem que entrar em ação, junto com os bombeiros, polícia e defesa civil mais organizado, quando aconteceu o terremoto de Kobe no Japão, eu estava lá, como são organizados, como tudo funciona de forma eficiente no meio do caos, não vi um civil ajudando a salvar uma vítima, é tudo trabalho de profissionais, nada de campanha de arrecadação de alimentos, roupas, etc, é o estado que providencia o socorro às vítimas e atende às nececessidades básicas, como é quase certo que situações de tragédias ocorrerão devido a mudança climática, temos que nos preparar usando exemplos de países como o Japão e os EUA, os mais bem preparados para essas situações extremas, estude a forma como eles equacionaram o problema de enchentes no Japão, é impressionante, a forma de conter enchentes e o uso de recursos hídricos para a agricultura são uma das obras mais extraordinárias da engenharia moderna.

  24. jorji disse:

    É óbvio que são os países ricos os mais poluidores, para produzir é necessário queimar energia, essa é a questão chave, energia, até o nosso corpo é movido a energia, foi a energia que criou a vida e o universo. Mas, os países ricos pagarão essa conta? hummmmmmm, pelo que conheço da natureza humana, sei não. E se grandes catástrofes começarem a ocorrer com frequência em países pobres, e gerarem um colapso nessas populações, o mundo estará preparado? Realmente essa questão ambiental, no fundo está se decidindo não o meu futuro, mas de todas as espécies, como não acredito em Deus………………………………………..

  25. denis rb disse:

    Na verdade, jorji, há países pobres em várias latitudes diferentes (no sul da África há países como o Zimbábue, de clima temperado e miserável). E tragédias naturais não acontecem só em países próximos ao Equador. Por exemplo, há tempestades em toda a parte – umas são de água quente outras de neve, mas todas podem ser destrutivas.
    Mas é fato que as mortes se concentram pesadamente em países pobres – mais de 90% dos mortos em tragédias naturais são desses países.

    Quanto a duvidar que os ricos paguem a conta: é justamente desse modo de pensar antigo que precisamos nos livrar. Há claramente uma questão de responsabilidade em jogo – problemas causados por um tipo de país vão diretamente prejudicar um outro tipo. É preciso se estabelecer responsabilidades. (O mesmo acontece na microescala: são os motoristas que emitem poluição, mas os favelados é que morrem de bronquite ou de enchente.)

  26. jorji disse:

    Denis, concordo em estabelecer responsabilidades e todo país que ocasionar danos, arcar com os custos, então é preciso criar um organismo internacional para essa finalidade, e a tecnologia seria um aliado fundamental para a fiscalização, como o uso de satélites, por exemplo, sei que é difícil, mas é o caminho.

  27. Felipe Maddu disse:

    É Denis, o carbono de séculos atrás(Como foi falado em outro post), quando países periféricos como Brasil e China eram praticamente agrários, está fazendo efeito apenas agora. Quem vai pagar a conta da emissão deles? Eu não digo que sejam só os ricos que tem que arcar, mas eles tem mais “culpa”, reponsabilidades e poder de barganha para mudar a coisa. Por isso é uma pena o fracasso da COP-15.Também não digo que é para a gente e a China(que emite adoidado) terem carta branca para poluir.

  28. jorji disse:

    Denis, assisti ontem na tv sobre a tragédia do Rio, realmente não estamos preparados, construir barracos em cima de lixão é o cúmulo do cúmulo, absurdo do absurdo, e cadê o exército para auxiliar aqueles pobres coitados, e o nosso presidente com mais uma das declarações que são uma piada, do tipo: “pedimos para os moradores sairem, mas eles não querem, fazer o que?”.

  29. Jampa disse:

    Tem q proibir os motores a explosão, é fácil! Cadê as ciclovias? Os carros e ônibus elétricos?

  30. CHESTERTON disse:

    Racismo ambiental? Putz, que jeito de pensar…
    Querem ver o resultado de proibir motores à explosão? É só ver um dia de greve dos ônibus numa grande cidade.

  31. Dagoberto disse:

    Só não concordo com o carro mais caro, doutô! Já tá absurdamente carregado de impostos, tenha dó! Pedalar? adoro!! mas arrisco a vida toda vez que pedalo.

  32. denis rb disse:

    Pois é, Dagoberto,
    O carro é caro demais, assim como todo produto industrializado no país. Só que não há vinculação nenhuma entre essa grana absurda que se paga em impostos sobre o carro e a mitigação dos danos que o carro causa. Assim como muito da fortuna de impostos sobre o cigarro vai para tratar da saúde pública, os impostos sobre os carros deviam ser usados para a mesma coisa e também para investir em transporte público e em construir infraestrutura cicloviária. Os dinheiro arrecadado com impostos sobre os carros devia nos ajudar a nos livrar da dependência de carros.

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