Use seu cérebro inteiro

Jill Bolte Taylor era uma cientista – uma neurocientista respeitada, chefe de laboratório. Uma mulher racional, responsável, ocupada, cheia de responsabilidades, autora de artigos com nomes indecifráveis, tipo “Colocalização de decarboxilase de glutamato, hidroxilase de tirasina e imunorreatividade de serotonina no córtex pré-frontal médio de ratos”.

Aí, numa certa manhã de 1996, quando ela tinha 37 anos, ela teve um derrame cerebral que paralisou o lado esquerdo do seu cérebro e mudou sua vida para sempre. Hoje ela é uma celebridade. Tem milhões de fãs – os adolescentes a adoram. Toca violão, faz vitrais coloridos, prega a paz e leva uma vida de artista. Não pesquisa mais com ratos (porque acha que é crueldade), conversa sobre viver um harmonia com o Universo e está seriamente empenhada em “mudar o mundo”.

Hoje de manhã, entrevistei Jill por skype para uma reportagem que estou escrevendo e ela me contou um pouco sobre os últimos 15 anos da vida dela, que foram bem movimentados.

Se você não conhece essa história, recomendo muitíssimo que você assista à palestra de 19 minutos que ela deu em 2008 no TED. Sério, veja. É uma das coisas mais incríveis que já assisti. (Para ver com legendas em português, clique em “view subtitles” e escolha “Portuguese (Brazil)”).

http://video.ted.com/assets/player/swf/EmbedPlayer.swf

No dia seguinte a esta palestra ir ao ar no site do TED, 250.000 pessoas já haviam assistido. Seis semanas depois, a revista Time escolheu Jill como uma das 100 pessoas mais influentes da Terra. Em seguida, a apresentadora de TV Oprah Winfrey, talvez a maior celebridade televisiva americana, convidou Jill para uma longa entrevista no seu programa. Seu livro virou um mega best seller, traduzido em dezenas de línguas (no Brasil ele se chama “A cientista que curou seu próprio cérebro”). Hoje ela vive dando palestras, pedindo doações para pesquisas neurológicas, inspirando pacientes de derrames e viajando o mundo.

Perguntei para ela se o derrame a transformou numa hippie.

Ela negou enfaticamente. “Hippies tomavam drogas. Eu não defendo drogas. O que eu defendo é que encontremos um equilíbrio entre o lado direito e o esquerdo dos nossos cérebros.”

O lado direito do cérebro é o lado criativo – o lado do aqui e agora, da experiência, o que nos faz sentirmos parte do Universo, o que cria a sensação de que há um fluxo de energia no mundo e que fazemos parte dele. O lado esquerdo é o racional, o analítico – aquele que passa o tempo todo focado no passado e no futuro e que nos dá um senso de individualidade, de que somos seres separados do resto do Universo. O derrame paralisou o lado esquerdo do cérebro de Jill – justo o seu lado dominante, já que ela era uma pessoa imensamente racional. Sua recuperação foi longa e trabalhosa – ela teve até que reaprender a ler. Mas, ao longo do processo, ela teve várias revelações sobre como o cérebro funciona de verdade.

Por exemplo, ela percebeu que a civilização ocidental, supostamente em nome da “racionalidade”, está subjugando o lado direito do cérebro. Achamos “ingênua” qualquer ideia vinda dele. E não tem nada de racional nisso. É na verdade uma burrice: jogamos fora 50% da nossa capacidade cerebral.

Ela me disse: “há muitas divisões no mundo: homens e mulheres, esquerda e direita, brancos e negros. E, enquanto isso, estamos matando o planeta. Precisamos ir além dessas divisões e trabalhar juntos para fazer com que a vida seja melhor.” Parece papo de hippie. Mas é uma neurocientista falando.

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54 comentários
  1. Felipe disse:

    Nesse sentido sou bem mais da direita hehehe

  2. Júnior Alves disse:

    Muito bom, Dennis.

    Escrevi, há poucos dias, no meu blog (http://taosofia.blogspot.com, local onde escrevo minhas idéias e apenas intenciono compartilhá-las) algo muito alinhado a este tema.
    Pensadores como Weber, Heidegger, Sartre e Nietzsche deixaram a vida desiludidos, depressivos ou completamente malucos e todos eram profundamente racionais..

    Se começarmos a pensar com racionalidade sobre tudo que fazemos, começaremos a concordar que a maioria de nossas ações são ilógicas e correremos o risco de perceber que a nossa existência é banal.

    Enfim, constatei que é bem saudável sermos mais lúdicos e “irracionais”.

    ***

    Agora, alinhando meu comentário ao tema do seu blog, sabe o que é pior nisto tudo? É que estamos, racionalmente, acreditando que é correto construir casas em detrimento de árvores e asfalto em detrimento da absorção do solo, só para citar dois exemplos em que parece muito lógico os motivos da degradação ambiental. Nossa racionalidade está causando um colapso em nosso sistema ambiental e não estamos usando nossa criatividade (lado direito do cérebro) para buscar soluções eficazes.

    Parabéns! Sempre leio seu Blog e fiquei um pouco chateado quando deixou a Super para a sua viagem aos EUA (faz pouco tempo que voltei a ler a revista).

    Abraço.

  3. Rodrigo disse:

    Denis, há alguns posts atrás você disse que não era religioso. Mas esse papinho todo deste seu post mostra uma mente panteísta. Essa historinha de “viver em harmonia com o universo”, “conectado com a natureza”, à la Avatar é panteísmo puro. Uma religião das mais antigas diga-se de passagem.

  4. Rodrigo disse:

    Só pra completar: “Parece papo de hippie. Mas é uma neurocientista falando.”
    Pode até ser. Mas uma neurocientista, como você mesmo disse, pós-derrame. Querendo ou não, com suas faculdades mentais afetadas.

  5. Felipe disse:

    Rodrigo a gente é a natureza, como as bicicletas também fazem parte do trânsito. É algo tão simples, mas muitos não enxergam.

  6. jorji disse:

    Eureca, descobri o grande problema do mundo, é o conflito entre a direita e a esquerda, do “cérebro”, conflito entre a razão e a sensibilidade, buscar equilíbrio entre um lado e outro da nossa massa encefálica, e de mais 7 bilhões de humanos, impossível, o planeta está perdido na mão dos humanos.

  7. Marcelo disse:

    Rodrigo, “panteísmo” não é uma religião em si, mas uma maneira de interpretar a existência. Algumas religiões (a maioria bem diferente entre si) explicam o universo, a vida e tudo mais sob este prisma, de que estamos todos conectados e fazemos parte de uma só “alma universal”.

    E perceba que justamente por ter tido este derrame ela foi capaz de compreender o seu cérebro de uma maneira completamente nova e descobrir todo um novo e grande potencial praticamente inexplorado por que o seu lado esquerdo, o dominante, não a permitia vivenciar com mais intensidade as faculdades mentais atribuídas ao lado direito do seu cérebro.

    Ter sofrido um derrame não compromete em nada a sua pesquisa e as descobertas que fez, na verdade esta experiência, por pior que tenha sido, abriu-lhe todo um novo mundo de sensações e experiencias que ela nem fazia idéia que estavam bem ali, dentro da sua própria cabeça só esperando uma oportunidade para se libertar.

  8. Bruno h disse:

    Como se neurocientistas não pudessem falar bobagens…
    E, aliás, esta divisão entre lado esquerdo do cérebro e lado direito do cérebro é um grande esteriótipo…

  9. Marcelo disse:

    Bruno H, vc é neurologista? Em que se baseia para afirmar (contrariando um saber científico testado e comprovado) que o cérebro não se divide em hemisférios cerebrais com funções próprias e complementares?

  10. denis rb disse:

    Verdade, Bruno h. Como assim “estereótipo”? O que você está querendo dizer com isso?

  11. C Bomfim disse:

    Incrível Denis. Incrível…

  12. denis rb disse:

    Rodrigo, obrigado pelo seu comentário. Ele é equivocado, mas o seu equívoco é bastante interessante, e me ajuda a ilustrar o que estou querendo dizer.

    Vejamos o que a própria Jill Bolte Taylor diz sobre religião: “religião é uma história que o cérebro esquerdo conta para o cérebro direito”. Ela não é uma pessoa religiosa, e definitivamente não é panteísta – panteísmo é a crença de que deus está em todas as coisas. Jill não acredita nisso. Ela jamais menciona a possibilidade de existirem divindades onde quer que seja. Para ela, não se trata de uma crença, trata-se de um conhecimento. Ela sabe – tanto de maneira teórica como por experiência própria – que o cérebro humano é capaz de sentir que somos parte do Universo. O que ela está dizendo não é “você precisa acreditar nisso”. O que ela está dizendo (nas minhas palavras) é: “nosso cérebro é fisicamente capaz de produzir essa sensação e essa sensação é imensamente prazerosa, devíamos buscá-la com mais frequência, e seríamos capazes de construir uma sociedade mais pacífica e saudável se fizéssemos isso”.
    Obviamente, a palestra dela repercutiu demais entre gente religiosa. Jill recebeu muitos convites de igrejas e grupos religiosos para falar aos seus fiéis. Ela recusou todos esses convites, porque não escolheu o caminho religioso e não quer associar suas ideias científicas a crenças religiosas.

    Agora, seu comentário, se erra ao interpretar as ideias de Jill, revela bastante sobre você. Veja bem: você está projetando nela alguns preconceitos seus. Você – que obviamente é dominado pelo lado esquerdo do cérebro – está associando ideias que não têm nada de religiosas (“viver em harmonia com o Universo”, por exemplo) a crenças esotéricas. E está tentando desqualificar tudo que a Jill diz com base nesses preconceitos (como fica claro pelo linguajar sarcástico – “historinha”, “a la Avatar”, “panteísmo”). Quando a Jill fala que vivemos numa sociedade cerebralmente “desequilibrada”, na qual as ideias típicas do lado direito tendem a ser ridicularizadas e consideradas ingênuas pelas pessoas dominadas pelo lado esquerdo, é exatamente isso que ela quer dizer. O seu modo de argumentar, divisivo, sarcástico, preconceituoso, é um exemplo perfeito do que a Jill está falando.

    Não há nada de errado em ter um raciocínio predominantemente de lado esquerdo – eu tenho também. Errado é menosprezar uma capacidade do seu cérebro (e, assim, desperdiçá-la). Não há nada de racional em limitar sua capacidade cerebral. Isso se baseia numa crença antiga, típica do século 19, que criou uma hierarquia entre os saberes. Se você ler neurocientistas mais recentes vai perceber que um uso mais equilibrado do cérebro na verdade leva a decisões mais racionais. Um livro interessante sobre isso é “O Erro de Descartes”, do português António Damásio, que mostra que razão e emoção não são opostos, mas em grande medida complementares. Pessoas com dificuldades de ler emoções tomam decisões consistentemente piores.

  13. Lucas disse:

    Impressionante, hein?! A partir da metade parece até aqueles textos do Osho.
    Breathtaking… Como dizem os americanos.

  14. jorji disse:

    Nos homens predomina o lado esquerdo, nas mulheres o lado direito, e se complementam. É óbvio que somos parte do universo, não é questão de sensação, os elementos quimicos que compões o nosso corpo, são matérias que existem no universo, a vida surgiu pelas reações quimicas e elétricas.Eu sou um ateu convicto, mas reconheço a importância histórica das religiões, mas entendo que do ponto de vista do intelecto seja um absurdo, mas tenho respeito pelos que acreditam em vida após a morte. O lado direito´do nosso cérebro corresponde o lado da fé, do crer, dos sentimentos, em 98% dos humanos é esse lado que prevalece, em teste que eu fiz, constatei que no meu caso prevalece o lado esquerdo, o da razão, não sei se é bom ou ruim. Também é óbvio que o cérebro é o órgão mais que extraordinário, a massa encefálica, os neurônios, todos aqueles elementos químicos que fazem com que funcione é algo impressionante, a nossa personalidade, inteligência, sensibilidade, temperamento, se somos violentos ou não, enfim, tudo, mas toda resposta está no nosso cérebro e no DNA, o que reforça a maneira como penso a respeito do que seja verdade, é uma pura questão biológica, e para que o biológico se mantenha em equilíbrio, precisamos do lado direito do cérebro, jamais devemos perder a “ternura”.

  15. Rodrigo disse:

    Denis, você por acaso fez uma tomografia da minha cabeça pra saber que lado eu uso mais do meu cérebro? Eu, por nenhum momento, contestei a teoria científica da doutora Taylor. Nem teria como fazê-lo pois eu não sou cientista. O que eu critiquei foi essa idéia de “estamos conectados ao Universo”, ou “fazemos parte de um mesmo e grande organismo”. Não sei se ela ou você são ou não panteístas. Mas que o discurso lembra, ah isso lembra.
    E pode deixar que, como católico apostólico romano que sou, entendo que a razão e a fé andam juntas.

  16. denis rb disse:

    Lembra sim, Rodrigo
    Essa sensação de ser parte do Universo tem muito a ver com o panteísmo. Mas Bolte Taylor não é uma panteísta. Ela é uma agnóstica bastante cética. E o texto não fazia nenhuma referência a uma experiência mística – isso foi sua imaginação. É o que chamo de “projeção” – você imputou a ela algo que o irrita num determinado modo de pensar, que tem coisas em comuns com o dela.

    Veja bem: ela não “acredita” que existe um fluxo de energia universal do qual todos nós fazemos parte. Ela sentiu isso. Ela experimentou isso (como consequência de um derrame). E, a partir daí, ela entendeu que essa experiência está disponível para ela – que o cérebro humano é capaz disso. Hoje, quando ela tem uma crise de ansiedade (típica manifestação do hemisfério esquerdo), a estratégia dela para lidar com isso é lembrar-se de que o cérebro tem dois hemisférios e que ela é capaz de escolher qual deles ela quer que predomine em cada momento. É lembrar-se de que ela é capaz de reviver aquela sensação.

    Não, não fiz tomografia em vc. Mas sua manifestação foi bastante típica, foi bem fácil de reconhecer.

  17. jorji disse:

    Denis, ela domina o lado direito e esquerdo do cérebro? Capaz de escolher qual dos dois lados predomine? Será que voce não está sendo enganado? Será que isso não foi em consequência de um trauma, no caso o derrame? Se isso for verdade, se algum dia o cérebro for capaz de dominar o próprio funcionamento do cérebro, a cura para patologias de natureza psicológica se dará sem as drogas atuais, me desculpe, mas acho que é pura fantasia por parte dela ou esperteza.

  18. jorji disse:

    De qualquer forma, um assunto sensacional!

  19. Rodrigo disse:

    Como projeção senhor reis dos clichês? Além de fazer raio x do meu cérebro agora você é psicanalista?Você, que não a vê como uma panteísta, concorda que parece panteísta!

  20. denis rb disse:

    jorji,
    Todo mundo é capaz de decidir em que modo mental quer estar. É uma decisão, está ao seu alcance, é disso que ela está falando.

  21. denis rb disse:

    haha

    Não vou entrar nessa não, Rodrigo. O texto é justamente sobre isso, sobre a inutilidade de debates divisivos entre gente que já decidiu o que pensa e de quem ela discorda. Pode resmungar aí, não respondo mais.

  22. jorji disse:

    Denis, o funcionamento do cerebro depende muito dos hormônios, na maioria das vezes, não é uma simples questão de querer.

  23. Rodrigo disse:

    Denis, você é uma piada! Você realmente se acha o ponto de equilibrio do debate. Quem está projetando atitudes mentais que diz repudiar é você.
    “O texto é justamente sobre isso, sobre a inutilidade de debates divisivos entre gente que já decidiu o que pensa e de quem ela discorda.”
    Quer dizer que você é o ponderado do debate? Você não decidiu o que pensa de antemão e nem de quem discorda? Agora eu, que ousei te criticar sim?
    Você é um comédia rapaz!

  24. Júnior Alves disse:

    O Rodrigo está correto. A idéia lembra sim (e muito) o panteísmo. Agora, não podemos ser ingênuos ao ponto de não aceitar que qualquer ação é cabível de classificação. Se você disser que acredita em Deus, é religioso; se duvida, é ateu; se argumentar que acredita em uma força não divina, é agnóstico; se relacionar Deus com a natureza, é panteísta. E por ai vai. Ou seja, neste aspécto concordo com o Denis: por mais que pareça panteísmo, a intenção dela não deve ter sido esta e sim falar sobre um episódio que vivenciou.

    A verdade disto tudo é que quem se define se limita. Ao fazer isto, deixamos de aproveitar o que cada idéia possui de melhor. Se eu estiver sendo algumacoisateísta agora, qual o problema?

  25. Mariana disse:

    Rodrigo, desde quando tomografia identifica qual lado do cérebro se usa mais????? Nossa, fiquei curiosa com isso.

  26. Felipe disse:

    Esse Rodrigo é um fanfarrão hahah Pede pra sair

  27. denis rb disse:

    Pois é, Júnior Alves,
    A capacidade cerebral de nos dar a sensação de que fazemos parte do Universo e estamos integrados a ele está na origem do panteísmo – e, desconfio, de toda experiência mística. Mas o fato de ter essa experiência não significa que você seja panteísta (ou religioso de alguma forma). Jill teve uma experiência proporcionada pelo lado direito do seu cérebro. Isso não faz dela uma panteísta. Ela não se tornou religiosa quando passou por essa experiência justamente porque conhecia suficientemente bem o funcionamento do cérebro para saber que era ele que estava lhe causando tal sensação (e não alguma divindade).

  28. Clarice Manhã disse:

    Olá! Adorei! Acompanho seu blog há quase um ano, ou mais, já nem lembro,
    e por meio dele conheci Buckminster Fuller, Elinor Ostrom (q inclusive ficou na minha área de trabalho um tempão), aquele coletivo do guaraná, e outras pessoas/ideias muito interessantes. Agora estou passando aqui só pra dizer obigado por compartilhar conhecimento conosco. Ah! outra coisa… procurei no “busca” do blog mas não achei, um post bem antigo, sobre 10 maneiras de reciclar, reutilizar, eletrodomésticos, e outras coisas… vc lembra? Ainda está na área de acesso ?? =)

  29. Monica disse:

    Denis, esta experiência de “integração e conexão com o mundo” é feita com todo o corpo e não
    apenas com o (lado direito do) cérebro. Toda a polarização que se tentou refutar aqui é anulada ao nos colocarmos esta escolha: lado direito x lado esquerdo.

    Vi o vídeo e, desculapa a sinceridade, a Jill pode até ser uma das cem mais influentes do Terra, mas certamente é tbm uma das cem mais chatas. O depoimento dela acerca dos transtornos mentais é deprimente. Esquizofrenia, uma doença “cerebral”? “Utilizar, em 2010, o termo doença mental”? Categorizar esquizofrenia e “veia explodindo” como similares”? Derrame cerebral agora é “doença mental”? Muito confuso e, de certa forma, um desserviço.

    Ou ela não entendeu que teve esta experiencia profunda de conexão com o cosmos pq havia um coagulo “do tamanho de uma bola de golfe” no seu cérebro ou não se recuperou ainda. Respeito com a grandeza do todo e sentimento de conexão com o universo, acredito eu, independe de que hemisfério seja dominante/mais atuante. É uma escolha ética e política que cada um faz, também em função de sua história de vida. Defender que todos dêem maior vasão ao seu lado direito é comprometer a diversidade: existem poetas, artirtas, engenheiros, cientistas, físicos, literatos, contadores…pq um lado é mais preponderante que outro e isso não pressupõe a polarização “melhor” ou “melhor” e não pressupõe que uns sejam mais conectados e mais conscientes da sua “integração com o todo” do que outros.

    (e pq a polarização hippiesx cientistas? a desvalorização de um em detrimento de outro? Vc não percebeu que talvez os “hippies” sejam as pessoas que conseguiram dar vasão ao lado direito, tal qual defendido pelo post ??)

  30. jorji disse:

    Sensação do cerebro de fazer parte do universo, realmente a imaginação humana é extraordinário, fantástico!

  31. Felipe disse:

    O fato é que a cabeça humana(racional ao extremo ou ignorante idem) ás vezes esquece que vivemos num planeta, que está dentro do sistema solar, e que este sistem solar está dentro de uma galáxia, que está galáxia está dentro de um universo infinito(pelo que sabemos). SOMOS muito pequenos!!!!!! Daí ficamos discutindo coisas imbecis, tp Estado ou mercado, panteísmo ou não, maconha faz mal. A gente esquece de viver, ou de usar mais o lado direito.

  32. Bruno h disse:

    O corpo caloso divide anatomicamente os dois hemisférios do cérebro. Certo.
    Contudo, associar as atividades ‘criativas’ a um lado, e as ‘racionais’ ao outro lado, é o mesmo que dividir a política em direita e esquerda. Até dá, já foi usado antes, mas hoje entendemos não é bem assim.
    Muitas áreas diferentes coordenam ao mesmo tempo funções complexas, como pintar um quadro ou interpretar uma equação matemática.

    Ou seja, me parece que a cientista em questão deveria deixar mais explícito que este papo de equilibrar os hemisférios é MUITO mais uma metáfora para como devemos encarar a nossa vida, do que realmente uma questão fisiológica, como a mim fez entender o texto do Denis.

  33. Clóvis Fritzen disse:

    Olá! Eu queria saber se você pode me dizer um site ou um lugar para montar uma bicicleta para viajar e se puder dar umas dicas do que levar ou fazer para evitar problemas.

    Obrigado.

  34. denis rb disse:

    Monica,
    Acho que é minha sina. Como encaro este blog como um espaço para buscar diálogos, para tentar divulgar ideias “novas” e demonstrar que elas não são assim tão incompatíveis com valores antigos, tendo a irritar gente de um lado e do outro.

    Eu acho que percebi sim que os hippies eram as pessoas que davam vazão ao lado direito do cérebro. Não acho que eu veja uma polarização entre hippies X cientistas. Pelo contrário, na minha cabeça, é justamente sobre isso o post. Mostrar que aqueles valores hippies (tidos com ingênuos, esotéricos) têm muito a ver com o que essa cientista pragmática está dizendo. Em nenhum momento tive a intenção de criticar a diversidade humana – pelo contrário. Para mim não se trata de dizer que o cérebro direito seja melhor que o esquerdo – trata-se de dizer que ele não é pior, ao contrário do que as pessoas costumam crer. Trata-se de conclamar as pessoas a buscarem mais equilíbrio entre os hemisférios, em vez de acreditar que haja uma hierarquia entre eles.

    Quanto à expressão “doença mental”, confesso que não entendo as implicações negativas às quais você se refere. Não é adequado chamar “esquizofrenia” de “doença cerebral”? Por que não? É uma doença, e se manifesta no cérebro… Ok, entendo que o termo “desordem” é mais “leve”, mas não me parece que “doença” seja um termo errado. (A propósito: o irmão de Jill é esquizofrênico, e foi por causa disso que ela decidiu dedicar sua vida às neurociências.)

  35. denis rb disse:

    Oi Clóvis Fritzen,
    Montar uma bicicleta? Você quer dizer comprar uma bicicleta nova?
    Posso dar dicas sim. Vc quer me mandar um email? (O endereço está lá no alto do blog, no canto direito.)

  36. Monica disse:

    rss. Sina de espaços democráticos!

    Há um diálogo fantástico num dos filmes do Polasnnk, O Inquilino, que traduz um pouco esta questão. É mais ou menos assim:
    – se tirarem meu braço direi: meu braço e eu?; se tirarem minha perna direi: minha perna e eu?…. Mas, e se me cortarem a cabeça? Direi: eu e minha cabeça ou eu e meu corpo?

    A verdade é que este vídeo me irritou mais do que deveria. Achei meio ostensivo/espetáculoso esta coisa de levar pro palco um cérebro, e o velho Descartes e a racionalidade ocidental sempre se atualizando: meu corpo e alguma coisa outra (espírito, alma, subjetividade, afetividade…), funcionando como duas entidades alheias. Meu cérebro/corpo funciona e eu (uma entidade outra que não sei bem o que é) escolho isso ou aquilo outro. Estamos tão viciados que é quase impossível entender que se trata de uma coisa só.

    Denis, mais especificamente depois da II Guerra estamos travando uma discussão epistemológica épica em torno do que foi instituído pelo saber x poder médico psiquiátrico desde meados do séc. XVIII, mais especificamente com Pinel, sobre a loucura. Este foi o momento em que o ocidente passa olhar para a loucura enquanto uma doença, passível de localização no corpo e, por isto, de medicalização. Este foi sem dúvida um avanço, mas tbm algo perigoso na medida em que passa a ser um único discurso possível e aceitável, abrindo brechas para aberrações como o isolamento e a cronificação nas instituições psiquiátricas. Esta unanimidade está agora sendo questionada e reavaliada e tem-se tentado resgatar a loucura (na maioria das vezes expressa pela palavra esquizofrenia) enquanto uma possibilidade de expressão de comportamento humano, sujeita e necessitosa de terapêutica (medicamentosa ou não), na medida em que causa sofrimento ao seu portador e/ou àqueles a sua volta, e não apenas uma doença.

    Uma frase do Foucault que me diz muita coisa: “as palavras não são ingenuas” (a ordem do discurso).

  37. Monica disse:

    rss, Polansk…

  38. Felipe disse:

    Monica tem tanta coisa pra se irritar, Panetone, Belo Monte, Mensalinho, Mensalão, Trânsito, Falta de educação, Reforma mal feita(que tão fazendo em casa) relaxa hahahaha

  39. Luna disse:

    Em comparacao ao universo a ciencia e’ uma crianca. Problemas basicos de nossas vidas ainda estao a espera de uma solucao cientifica. Questoes como: “Havera’ vida depois da morte?” ainda sao deixadas de lado pela ciencia, simplesmente porque ainda e’ muita areia para o nosso caminhaozinho.
    A 300 anos atras seria impossivel entender um telefone celular, internet, etc, etc…Hoje, como ja entendemos “waves of all kinds” alguns cientistas ja se atrevem a perguntar “eu sou o telefone? ou a voz no telefone?” Um dia quem sabe saberemos. Por enquanto, metafisica continua inda sendo simplesmente filosofia. E cada um de nos julga pelo que sente nas entranhas.
    Todo mundo sabe que nos USA, quando alguem passa por uma “experiencia pessoal”, ela deve escrever um livro, abrir uma fundacao, arrecadar fundos ou dar (nao quer dizer que sejam gratuitas) palestras. Isso faz parte da mentalidade empresarial do americano. Em outras palavras, a vida continua apesar dos traumas e doenca e todo mundo procura encontrar sua missao. Pouquissimos sao os Neil Armstrongs da vida. Quanto a Mrs Taylor, nao diminuindo nem um pouco a capacidade intelectual dela e sua educacao formal, me pergunto: por que ela parece tanto com uma pregadora de “mega church”? Por que os jestos treatrais e as piadinhas? A mensagem porem, verdadeira. Os problemas causados pelo Homem os quais enfrentamos atualmente sao conseguencia da tentativa humana de desconectar-se, isolar-se. Enfim…regrinha basica: causa e efeito.

  40. Janine Stecanella disse:

    Hoje nos preocupamos muito em ser isso e aquilo, menos nós mesmos. O que ela falou só reforça que precisamos de equilibrio pra sobreviver. Isso muitas vezes quer dizer não achar uma resposta racional pra tudo. E superar, até mesmo, nossas dificuldades.

  41. Felipe disse:

    Janine disse tudo

  42. Bruno h disse:

    O problema é justamente não sermos racionais o tempo todo.
    As emoções, ainda que prazerosas, em geral atrapalham a tomada de decisões.

    O mundo está como está por decisões não racionais… não pelo uso exclusivo (sic) do lado direito do cérebro.

  43. Marly Winnie disse:

    Vou ficar com os comentários nota 10 do Felipe e da Janine! Eles são simples, transparentes, objetivos e práticos! A grande verdade dita por eles é que precisamos nos preocupar em viver e “viver não é fácil,não”! Precisamos cuidar da nossa saúde, educação, habitação, trabalho, renda, segurança, transporte, filhos, netos, e como se tudo isso não bastasse ainda temos que nos preocupar com a corrupção, eleições, violência desenfreada, drogas, falta de energia, etc.etc. usando ou não usando os dois lados do cérebro!!!
    A Dra.neurocientista sabe dar o seu recado e é encantadora, mas comete um grande erro quando diz …”E, enquanto isso, estamos matando o planeta”. Se foi o lado esquerdo ou direito que mandou ela dizer isso, pouco importa, mas peço, Denis, que diga para ela que o planeta não precisa de nós, pois é justamente o contrário! A insignificância humana diante da grandeza da Terra é gigantesca! A espécie animal, principalmente a humana, é a espécie mais frágil que existe, vc concorda? O simples despertar de um vulcãozinho causou enormes prejuizos e transtornos aos europeus! E o que dizer dos terremotos, tsunamis, chuvas, nevascas, tornados,etc.? Os Ministros do Meio Ambiente precisam discutir como salvar a espécie humana da falta de trabalho, da fome, da falta de energia, e NUNCA , JAMAIS, como “impedir mudanças climáticas”, desde que o Clima da Terra e as variações de temperatura que existem são função do movimento de translação do planeta ao redor do Sol! Grande abraço.

  44. Eliel do Lago Souza disse:

    A paz que ela disse ter experimentado, qualquer pessoa pode conhecer em Jesus, que é o Príncipe da paz.

  45. jorji disse:

    Tinha que aparecer Jesus!

  46. jorji disse:

    O príncipe de tudo, o rei de tudo!

  47. jorji disse:

    Até rei do futebol!

  48. Sofia disse:

    Viveriamos melhor se existissem no mundo mais pessoas que valorizassem as coisas que voce valoriza

  49. Renata disse:

    Obrigada, obrigada Denis. Adorei o vídeo.
    Me espanta que ela seja tão articulada para uma pessoa que perdeu o lado esquerdo do cérebro (que comanda a fala).

  50. Anouk disse:

    Adorei o tema,

    A cientista emocionou-se ao relatar uma experiência ainda desconhecida e no caso particular, altamente perigosa, mas muito comum para quem faz exercícios de meditacao transcendental; desprendimento do corpo e ausência de espaco e tempo. Uma de minhas irmas sofreu um derrame, só que nao passsou pela mesma experência. Ao contrário da cientista, minha irma nao percebeu nada e só entendeu o que lhe havia acontecido após a cirurgia. Em seu caso o hemisfério direito foi atingido e nao o esquerdo como no caso da cientista. Felizmente o derrame de minha irma nao deixou seqüelas.

  51. felipe disse:

    Fantástico!!! fiquei impressionado com o funcionamento do cérebro e suas possibilidades e a superação da palestrante bem como a narrativa precisa do evento que ela vivenciou. Parabéns! não lembro em minha memória de ter assistido a algo tão extraordinário assim. obrigado.

  52. Cibele Comerio-Kappert disse:

    WOW, e de repente deparo com essa entrevista e com o artigo de Denis Russo Burgierman…tudo dentro de um sistema de sincronicidade fantástica, na hora exata e no lugar correto. E vindo de um brasileiro, incrivel. Valeu mesmo. Abracos de uma brasileira distante da terra brasilis.

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