Estilo gafanhoto

O capitalismo não é o inimigo.

O inimigo, como eu já falei outras vezes, é uma certa mentalidade, e essa mentalidade é dominante tanto entre os “neoliberais” quanto entre os “comunistas”. “Capitalismo e socialismo são irmãos”, me disse numa entrevista semana passada o Secretário do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo, Eduardo Jorge. Irmãos, filhos da mesma herança cultural, com a mesma visão de mundo, que Jorge define assim: “há o econômico e há o social, que precisam ser equilibrados. Os recursos naturais são inesgotáveis e existem unicamente para dispormos deles infinitamente, seja para o econômico, seja para o social”. Esquerda quer que a balança penda pro social, direita puxa pro econômico, mas as duas estão igualmente erradas no essencial: os recursos não são infinitos.

A coisa central que precisa mudar, para a conta fechar, é essa crença que nós temos entranhada de que é preciso crescer sempre. Se a economia brasileira era de 1 trilhão em 2005, precisa ser de 1 trilhão e tanto em 2006, e precisa crescer todo ano para sempre. Veja bem, não me entenda mal. Não estou dizendo que crescer seja ruim. É bom, óbvio, e crescimentos precisam ser celebrados. Mas o financismo da nossa cultura impõe mais que isso: ele quer que crescimento seja a regra geral do mundo. Tudo tem que crescer sempre, todo ano. As empresas estabelecem metas de crescimento, e essas metas tendem a ser mais agressivas a cada ano. Muita empresa se exige crescer 20% de um ano para o outro, até 30%. E aí elas se medem por esse crescimento. Se crescer só 15%, não vai haver celebração: vai haver demissões, tristeza e suicídios eventuais.

Essa agressividade das metas acaba significando que muitos funcionários de grandes empresas privadas acabam se comportando mais ou menos como batedores de carteiras. Eles saem às ruas com os olhos furiosos, inventam esquemas intransparentes de empurrar produtos, disfarçam gato de lebre, lucram vendendo o que deveria ser de todos. Há uma imensa agressividade no nosso jeito de atuar no mundo, e a humanidade fica meio parecida com gafanhotos: uma espécie que se espalha rápido e que, assim que chega aos lugares, seca tudo, come tudo, caga tudo e vai embora para outro lugar.

"O sorriso do gafanhoto", de e-du (CC).

"O sorriso do gafanhoto", de e-du

Mudar essa crença de que o crescimento é eterno é duro. Eu sei bem. Luto contra isso todo dia. Fui criado nessa cultura, vivo sob essa lógica, no fundo tenho dificuldade de escapar dela. Sou um sujeito competitivo. Saí da faculdade, fui trabalhar numa corporação, virei madrugadas, meu colesterol subiu, minhas pálpebras tremiam. Pouco depois dos 30, eu era um executivo bem pago, que fazia algumas dezenas de milhões de reais por ano para o meu chefe, ganhava bônus todo ano e dirigia um carrão, com a gasolina “por conta”. No processo, eu vi como as coisas funcionam. Vi a pressão por transformar em dinheiro qualquer asset que me caísse na mão, fosse ele renovável ou não: credibilidade, qualidade, saúde, recursos naturais. Vi como era difícil resistir a essa cultura, por mais que as pessoas sejam decentes e bem intencionadas (e, na empresa onde eu trabalhava, eu estava cercado de gente decente e bem intencionada).

Ano passado, pedi demissão, porque fui acometido da certeza de que é preciso mudar de lógica. Vou te dizer: meu colesterol não baixou nem minha pálpebra parou de tremer. Continuo vira-e-mexe perdendo o sono com preocupações. Sabe por quê? Porque, embora racionalmente eu saiba que estou fazendo a coisa certa, meu cérebro, moldado pela lógica do crescimento eterno, vive me perguntando “mas será que você não se precipitou, Denis?” Embora eu saiba que dirigir aquele carrão com gasolina “por conta” era insustentável e fazia minha barriga crescer, de tempos em tempos meu cérebro viciado pega no meu pé (geralmente é quando eu estou me espremendo num ônibus). Embora eu saiba que eu não preciso acumular tanto, morro de medo de faltar, e se acontecer isso, e se acontecer aquilo?

Enfim, não são só as empresas e os países que querem crescer todo ano. São as pessoas também. Todo mundo acha que merece ganhar mais este ano que no ano passado. Parece que ninguém percebe que as vidas mais incríveis e marcantes são aquelas que têm altos e baixos.

Foto: e-du (CC)

Anúncios
88 comentários
  1. Rodrigo disse:

    Como a Veja pode contratar alguém como você Denis? Já que você era tão bom executivo, poderia ter continuado como tal. Porque como jornalista você é coisa mais incopetente que existe. Você é uma máquina de fabricar clichês e escreve mal pra caramba.
    Volta pro escritório pelo amor de Deus! Pro bem da humanidade que você diz se preocupar.

  2. Marina disse:

    Excelente texto Denis… dificil para as pessoas te compreenderem, obviamente vao te mandar de volta para o escritorio para “produzir” mais, pois já estao tao envolvidas na lógica que é impossivel enxergar outro modelo, ideias e pensamentos. Precisariamos de mais uns 5 planetas para dar conta de todo crescimento que nos cobramos. So a terra não daria conta de fornecer todo o recurso necessario para cumprimos todas as metas impostas.

  3. denis rb disse:

    Pois é, Marina. Nem acho que o problema seja “produzir”. Quero produzir muito nessa minha nova “encarnação” profissional, mas numa outra lógica.

    E aproveito para agradecer a contribuição do Rodrigo. Sempre pertinente, inteligente, um texto bem encadeado, propositivo, cheio de informações úteis. Parabéns, Rodrigo! (O mais engraçado é que ele não consegue viver sem mim!)

  4. Paula disse:

    Sensível e equilibrado como sempre, Denis. Parabéns por mais esse belo texto com que você nos presenteia.

  5. Mateine disse:

    Parabéns Rodrigo. Poucas vezes vemos matérias abordando inteligentemente um tema tão na contramão do “cresimento”. O dia que descobrirmos um equilíbrio, seria o dia do juízo final, porque infelizmente uma parte da raça humana (e creio que a menor parte, mas infelizmente a mais poderosa) quer sempre mais para si mesma, independemente se terá tempo de usufruir de todo seu “sucesso”.

  6. Mateine disse:

    Parabéns Denis. Poucas vezes vemos matérias abordando inteligentemente um tema tão na contramão do “cresimento”. O dia que descobrirmos um equilíbrio, seria o dia do juízo final, porque infelizmente uma parte da raça humana (e creio que a menor parte, mas infelizmente a mais poderosa) quer sempre mais para si mesma, independemente se terá tempo de usufruir de todo seu “sucesso”.

  7. denis rb disse:

    Hehe, estamos os dois de parabéns, Rodrigo!

    (brincadeirinha, Mateine 🙂

  8. Rodrigo disse:

    Caro Denis, não se preocupe que o seu blog não é o único que comento com uma certa frequência. É que é irresistível cutucar alguém tão raso e que só espele estupidez e asneiras.

  9. denis rb disse:

    Ui, irresistível!

  10. Jose disse:

    Rodrigo, o correto seria algo como “pro bem da humanidade COM A QUAL vc diz se preocupar.” Sua incapacidade de pontuar então, melhor nem comentar. Hilário ver gente analfabeta criticando texto dos outros.

  11. Marcelo disse:

    Geente por favor não levem o Rodrigo muito a sério… Ele já é tipo um frequentador ilustre deste blog e cumpre uma função de suma importancia. Ele nos diverte com esta… raiva (paixão?) que ele tem do Denis que faz ele vir aqui só para dizer que não concorda, que nada presta, que o Denis escreve mal e que nem quer explicar porque acha tudo isso.

    Enfim ele representa todas as pessoas incapazes de reconhecer o mérito da luta por uma sociedade mais justa e sustentável ou de compeender, vislumbrar os significados e implicações mais profundas das questões sobre quem somos, por que vivemos como vivemos, se seria sábio mudar nosso estilo de vida, como devemos nos relacionar com nossos semelhantes e com o nosso planeta, nossa única e finita casa até hj. Questões imprescindiveis que nos desafiam neste terceiro milenio.

    Podemos fazer diferente.

  12. Leonardo Xavier disse:

    Eu acho que você tem razão. No entanto, eu tenho seguinte dúvida se realmente essa questão de achar um ponto de equilíbrio onde as pessoas foquem suas metas na sustentabilidade virá através de uma revolução cultural ou tecnológica. Será que essa sustentabilidade virá de uma cultura de consumo mais consciente ou se isso virá do desenvolvimento de tecnologias sustentáveis?

    E a questão principal? Como convencer as pessoas a desistir de querer sempre uma fatia maior do bolo?

  13. Henrique disse:

    Denis,
    Muito bom esse seu texto. Me identifiquei com a sua situação pois estou vivendo algo semelhante. Tenho um ótimo estágio numa multinacional petrolífera e a efetivação está batendo a porta com um salário mais do que atraente. Todas as pessoas que trabalham lá são muito boas e bem intencionadas, mas sinto que são alienadas por um padrão cultural. O que eu queria estar fazendo neste momento era estar trabalhando em uma ONG. O problema é que eu sinto muito medo de “perder” esta oportunidade de crescer profissionalmente agora (tanto financeiramente como no aspecto desenvolvimento corporativo da carreira). Será que esse meu medo não pode me deixar no caminho errado? Sempre acreditei muito na minha intuição e sempre fui uma pessoa que gosta de inovar. O problema é que a pressão para que eu seja mais um white collar worker de um big business vem de todos os lados. O que fazer?

  14. denis rb disse:

    Ah, Henrique…
    Quem sou eu para opinar? Conheço o canto da sereia e sei como é difícil resistir a ele.

    Vou te dizer o que eu costumo dizer a mim mesmo, para me convencer de que estou no caminho certo 🙂
    Hoje a economia brasileira ainda é hiper concentrada na mão de pouca gente. Isso está mudando rápido, mas ainda há poucas empresas em cada setor, pouca gente jogando o jogo, pouco empreendedorismo. Nada indica que vai continuar sendo assim, se levarmos em conta a internet, as oportunidades que ela dá de conectar gente rápido, as vantagens de ser leve e ágil, sem falar na tendência de desburocratização da economia, que está demorando pacas mas um dia deve acontecer. Enfim, vai haver cada vez mais espaço para quem é independente, para quem propõe seu próprio caminho. Talvez demore para haver espaço suficiente para viver com conforto. Mas, a médio e longo prazo, vai rolar. Portanto, estrategicamente, acho mesmo que pode ser uma boa hora de estar lá fora.

    Mas isso sou eu racionalizando. Porque a questão central é uma só: quem está disposto a viver com menos para viver de acordo com o que acredita? Eu acho que isso é o correto a fazer. Mas não acho nada fácil de fazer.

  15. Lu disse:

    Querido amigo
    Obrigada pelo texto. Me lembra bastante a Vida Simples, e uma conversa bacana que tivemos numa das esquinas da Vila Madalena. Compartilho suas inquietações. Concordo que a contraposição simples de capitalistas e socialistas não explica mais por$#@¨$$$ nenhuma, e as pessoas que ainda entram nessa o fazem por ignorância, inocência ou má-fé mesmo.
    Mas as perguntas mais importantes são outras. Então, como desenhar o futuro? Qual é o limite do que eu preciso ter? Qual é o peso das ações corretas que nós, ditos cidadãos “comuns”, podemos tomar frente à finitude dos recursos, e qual o peso de ações políticas abrangentes? (não estou sugerindo que reduzir a fralda descartável ou água da casa sejam coisas inúteis, mas juro que esta é uma pergunta séria que eu tenho pois muitos cinicamente podem achar que nada vale apagarmos a luz mais cedo…). Uso consciente dos recursos é ensinado nas escolas? Como, e quando? Mil perguntas. Por isso, como é bem-vinda sua sinceridade e transparência para discutir estes temas! E adoro que o Rodrigo (?) participe, pois isso dá mais corda… se bem que ele poderia não só adjetivar seu texto, mas também contribuir com argumentos (contra, a favor, etc…) seria mais bacana.
    Para a minha sessão de confissão, atualizo que ainda sigo nas multinacionais capitalistas e dirijo um carrão. Me pergunto sempre quando virá meu ponto de mutação. Ainda não tenho tanta confiança no meu poder pessoal para me “garantir” num lado B… mas ele virá. Sim, este ponto de mutação virá.
    Um beijo grande, friend
    Lu

  16. Luna disse:

    Denis!
    Parabens pela lucidez e coragem. Coisas de gente muiiiiito especial.

  17. #42 disse:

    Aproveitando a deixa que vc deu, qual rumo tomou o projeto secreto?
    Volta a ser editor Denis! Não pelos motivos que o Rodrigo deu mas pelo fato de vc ser um ótimo jornalista.
    Você vive tocando na ferida.
    Boa Sorte, no rumo que vc escolher… e boa sorte para o rumo que a raça humana está tomando, afinal nós não iremos destruir a terra, mas sim nós mesmos se continuarmos desse jeito!

  18. Clarice Manhã disse:

    óÓÓÓtimo post! só li agora, e foi no momento certo! Muito reconfotante saber que pessoas que eu admiro dentro da profissão que eu escolhi para minha vida passam pelas mesmos questionamentos que eu. E também é bacana ver e fazer parte da comunidade que se forma por aqui (só não entendo pq quem definitivamente não gosta faz questao de vir sempre, tem gente que gosta de se incomodar voluntariamente…) Acho que além dos textos, um grande atrativo do blog é reunir pessoas que estão fugindo do “estilo gafanhato”. =)

  19. Clarice Manhã disse:

    óÓÓÓtimo post! só li agora, e foi no momento certo! Muito reconfotante saber que pessoas que eu admiro dentro da profissão que eu escolhi para minha vida passam pelas mesmos questionamentos que eu. E também é bacana ver e fazer parte da comunidade que se forma por aqui (só não entendo pq quem definitivamente não gosta faz questao de vir sempre, tem gente que gosta de se incomodar voluntariamente…) Acho que além dos textos, um grande atrativo do blog é reunir pessoas que estão fugindo do “estilo gafanhoto”. =)

  20. Valeu, Burgierman! “Nós vamos chegar lá…” também foi outro “estímulo” que nos perseguiu nos últimos trinta anos.

  21. Fernando disse:

    Caro Denis,

    Pra mim gafanhoto sempre foi aquele aprendiz de kung fu, cheio de questões e sempre pronto a receber um ensinamento que o faria reflexivo por três temporadas… (acho que naquela época ainda não era chamado de temporada… isso é coisa pós “friends”), alias nunca gostei do nick (outro coisa moderninha) “gafanhoto”, associava o inseto a multidão, devastação, praga, o que definitivamente não combinava com a imagem do pequeno kung fu.
    Voltando ao seu texto, seria surpresa alguém que não se encontre em suas linhas, creio que é censo comum, mas como é duro abrir mão do carrão…e eu nem tenho…
    A natureza do homem é essa, o cara já queria um tacape maior, modelo novo, uma caverninha de cobertura…
    A questão obviamente é como cuidar da nossa casa, criar mecanismos, sistemas, processos e procedimentos que permitam, que dêem tempo para que ela se restabeleça.
    O que não vejo ninguém questionando é como se coloca 12 pessoas num fusca, essa é a pergunta. Pior, o pessoal do fusca ta envelhecendo, não produz nada e começa a ter dor nas costas, no joelho…

    Abç

    Fernando

  22. Bruno H disse:

    É realmente complicado fugir desta lógica. Por exemplo: como pode ser bom para um país não crescer?
    Em outras palavras, como uma economia estagnada pode atender aos anseios de todos os seus cidadãos?

  23. Paulo Roberto disse:

    costumo dizer a minha mãe que preferia ter nascido na mesma época, nos mesmos tempos em que ela, onde as pessoas não tinham essa busca incessante pelo materialismo, viviam em paz e tranquilidade, diferente de hoje, onde a violencia, e o poder de consumo toma conta da populaçao

  24. Felipe Maddu disse:

    O que tem que crescer MESMO é a mentalidade das pessoas(vide o Rodrigo). E acreditem, não é só um diploma em faculdade que traz esse crescimento intelectual. Às vezes é a família (não no sentido TFP da coisa), a educação em casa. Por exemplo, eu fui educado a comer sempre tudo o que tem no prato, pouca ou bastante comida. Agora deveria existir nas escolas uma educação ambiental, comçando pelos mais jovens, para crescerem já com a mentalidade do séc. 21.

    PS Eduardo Jorge me passa uma sensação de tristeza no semblante saca, ele era do PT, dai deve ter se desiludido, foi para o PV e trampa para a prefeitura. Deve ser difícilll ser secretário do meio-ambiente nesta cidade onde quem comanda são as imobiliárias e empreiteiras resposáveis pela vergonhosa especulação imobiliária.

  25. Interessante ver que mais alguém pensa como eu, que não estou sozinho na minha inquietação em relação o Businesse Bingo Tabajara e que outros estão tentando sair do meio das engrenagens gastas do crescimento. Outro dia mesmo eu estava comentando com um amigo sobre o IPI reduzido, a indústria automotiva e a necessidade de sempre estarem vendendo. É uma coisa louca, porque uma hora o mercado tem que ficar saturado, mas parece que ninguém pensa nisso. Entendo que o setor é forte e que gera muita movimentação de capital, desde a produção, impostos, multas, gasolina, manutenção, pedágios, inspeções, mas e aí? Não vai chegar uma hora que todos terão seu carro ou uma hora em que não haverá mais espaço nas ruas? E nesse momento a economia vai ruir? O mundo vai acabar? Ou as empresas vão chorar ao governo novamente e este irá beneficia-las novamente com redução de impostos e o ciclo irá continuar? Vamos abrir mais estradas e pontes estaiadas pelo meio da cidade? Parabéns pelo texto Denis e espero que possamos realmente mudar e ajudar outros a entender suas vidas integradas ao todo e não apenas viver como gafanhotos.

  26. Felipe Maddu disse:

    Fernando disse tudo! É espantoso, tá tudo saturado!!!

  27. Gastão disse:

    Como assim “lucram vendendo o que deveria ser de todos.”?

  28. Vera Magalhães disse:

    Parabéns, De. Ótimo texto.
    E você também deve gostar do tal do Rodrigo, que, pobrezinho, escreve expelir com ”s”, porque fez uma menção a ele e publicou uma foto bem em close do gafanhoto no post.
    Bjs

  29. Anouk disse:

    Denis,

    Com a sua determinacao, nao há motivo nenhum para preocupacao. Onibus cheio é um saco mesmo. Aí meu caro, nao há determinacao que agüente.

    Rodrigo,

    VADE RETRO!

  30. jorji disse:

    ‘ A vida é uma eterna procura “, no fundo é a lei da natureza, o grande problema é que todos almejam mais do que a sua capacidade pode conseguir, transformando os objetivos em grandes frustações, e essa cultura de sucesso embasada na posse, ostentação, etc, pode matar e mata.

  31. Monica disse:

    Denis,

    ainda há o fato de que nem todo “crescimento” econômico garante crescimento social e qualidade de vida. Os números do crescimento podem até ser alcançados, mas sem a garantia de que isto vá se reverter de forma positiva para a população em geral.

    fui uma menina muito idealista e sempre ficou bem claro pra mim que bancaria minhas escolhas, pra viver “afinada” com minhas crenças. parece que a medida que a gente vai envelhecendo, as crenças já não são tão claras assim (elas ficam turvas e meio anêmicas!!! rss) e os questionamentos sobre suas escolhas sempre batem à porta, às vezes de forma bastante impiedosa…mas isso tudo pra dizer que gostei do post e que me sinto contemplada no seu comentário “estar disposto a viver com menos para viver de acordo com o que acredita”.

    seu livro chegou e acabei de ler, obrigada! e alguma dica de leitura sobre o fato da água não ser um recurso renovável? dificuldade em argumentar a respeito disto!

  32. Edu Di Petta disse:

    Olá Denis. Hj tive que bater forte na Veja no meu facebook por conta da polêmica com o Eduardo Viveiros de Castro, o absurdo que a Veja fez e está mantendo. Vc não tem nada com isto e está aí, cumprindo seu papel com textos maravilhosos e do bem, mas por outro lado, você é um cara tão legal e as vezes penso que trabalhar na Veja deve ser que nem trabalhar na Souza Cruz, pro Maluf, Sarney….deve ser duro trabalhar para um título que tanto desfavor tem prestado ao nosso país e a tantas pessoas que ela destrói todas as semanas.
    Queria te ver em outro endereço. Gosto muito de vc e de seus textos, mas sai fora da Veja meu velho. Isso aí tá podre. Gde absss

  33. jorji disse:

    Eu queria ter 1 trilhão de dólares só para mim.

  34. Marcelo disse:

    Edu Di Petta, apoiado!

  35. Felipe Maddu disse:

    Apoio também a ideia em parte, mas acho Denis tem que ficar aqui “só pra contrariar” srrsrsrs

    PS: o Jorji é loquinho de pedra rrsrssrr Se eu tivesse 1 mi tava bom

  36. Marina disse:

    Parabéns pelo artigo, Denis! Realmente é irritante ver notícias do tipo “lucro do banco X diminuiu 3%”… putz, mas então houve lucro, né? Que coisa!

  37. denis rb disse:

    Exato, Marina. E o mesmo acontece com o PIB. Se o país cresce num ano, mas não tanto quanto no anterior, a manchete é “crescimento do PIB diminui”.

  38. wagner disse:

    Primeira vez que entro em sua coluna, nao tenho muito hábito de ler veja, mas, agora meio que envergonhado, tenho que admitir que tem coisa boa na veja, e a sua coluna é uma que me chamou a atençao. Concordo com o seu ponto de vista. Todos os dias, de preferência quando estou preso no trânsito, e observando a loucura desse mundo “moderno”, sempre me pergunto: qual o sentido disso tudo? Trabalhar todos os dias, o dia todo, para gerar dinheiro, para “comprar nossas necessidades”, e assim por diante, um ciclo vicioso, qual o sentido nisso? qual o sentido de vida? nao seria viver e gozar a vida?! Mas nao fazemos isso, como robos, influenciado pela midia e pelo sistema economico, apenas trabalhamos e ganhamos dinheiro pra comprar falsas necessidades. E onde entra o meio ambiente nisso? Tenho 30 anos, e como você penso em mudar de emprego e de estilo de vida, mas ainda falta coragem e como voce mesmo diz, desmoldar meu cerebro desse sistema criado antes de eu nascer.

    parafraseando o cantor e compositor Babilak Bah: “ou a gente se raúne, ou a gente se istingui”

    Tenho inveja dos indios, antes do Brasil se Cabralizar!!

  39. wagner disse:

    Ah, e só mais uma coisa, concordo com o nosso amigo Edu Di Petta….voce ta no lugar errado, tenta uma boquinha la na piuai, acho que combina mais com sue estilo.

    grde abço!!!

  40. Jorge Luís disse:

    Gente, não tem motivo para ficar recomendando ao Denis que ele mude de revista/meio eletrônico/editora… O Denis escreve uma COLUNA, que é (como bem notaram vários aqui) editorialmente independente da revista em si. Eu particularmente prefiro que o Denis fique onde está, fazendo com que essas idéias tão importantes tenham um alcance muito maior do que em outros meios, ampliando os horizontes de quem mais tem poder para fazer a diferença, do que que ele vá para outro lugar só porque a linha editorial é mais próxima das idéias que ele sempre defende (ou mais focada nelas).

    Denis, parabéns pelos textos fantásticos. Sou um leitor assíduo da sua coluna – embora um comentador bem menos constante. 🙂 Obrigado pelos momentos de inspiração!

  41. denis rb disse:

    Opa!
    Eu é que agradeço, Jorge Luís.

  42. Felipe Maddu disse:

    É Denis, é engraçado como tem pessoas dos dois lados que falam para vc sair, reproduzindo o embate “direitaXesquerda”… O que eu acho, na verdade, é que você deveria empliar o debate para o “mundo real”. Sei lá promover debates, shows, sei lá. Por quê às vezes a discussão fica muito fechada aqui. É só uma ideia. Té mais

  43. Felipe Maddu disse:

    É Denis, é engraçado como tem pessoas dos dois lados que falam para vc sair da “VEJA”, reproduzindo o embate “direitaXesquerda”… O que eu acho, na verdade, é que você deveria ampliar o debate para o “mundo real”. Sei lá promover palestras no estilo do TED, shows, sei lá. Por quê às vezes a discussão fica muito restrita. É só uma ideia. Té mais

  44. denis rb disse:

    Gastão,
    Explicando o que eu quis dizer com “lucram vendendo o que é de todos”.

    Estou falando aqui basicamente das tais “externalidades”, que são custos que ficam de fora do cálculo do preço de um produto. Por exemplo: imagine que alguém invada uma área de floresta, derrube a floresta, bote bois pastando e depois mate os bois para vender carne. Quando você comprar a carne, não vai pagar o preço da floresta (porque a invasão foi ilegal, e portanto o invasor não arcou com os custos dela). Mas esse hipotético desmatador está vendendo algo que não era dele (a floresta) e lucrando com isso. Como esse, há inúmeros exemplos de empresas que se apropriam de recursos públicos ou naturais e depois vendem seus produtos e embolsam a grana toda.

  45. jorji disse:

    Denis, por esse raciocinio, certas carnes brasileiras está saindo mais cara que o bife de Kobe.

  46. Felipe Maddu disse:

    São os “bois piratas”. São esses “pecuaristas” que Kátia Abreu, Caiado e a bancada ruralista defendem.

  47. Marcos Filho disse:

    Tanto o texto postado quanto os comentários são extremamente rasos. Pelo amor de Deus, vão estudar economia!!!
    Ora, ora… pra quê diabos um crescimento no PIB? Voltem aos anos 80 e talvez possam entender a importância que hoje se dá a esse fator. As desigualdades sociais, a pobreza, dentre outras mazelas, só podem ser mitigadas se em conjunto a um robusto crescimento econômico. Não sou eu quem digo: estudem um pouquinho de macroeconomia e avaliem, com base nas estimativas das curvas de Lorenz (se souberem o que é isso…) se é ou não verdade. E isso vale para qualquer modelo econômico, seja para o “terrível” capitalismo-imperialista-norte-americano (!) seja para o modelo de planilficação central (socialismo). Este último, inclusive, tem como grande paradoxo a sua sustentabilidade em relação ao crescimento.
    E porque crescer? Uma resposta tão rasa quanto este texto, entretanto mais digna do que “para ganhar dinheiro”, é: porque a população cresce, entre outras centenas de milhares de variáveis. Sei que vocês falarão que já há muita gente pobre etc etc e que há muitos podres de rico e etc etc… Mas, se alguma nação experimentasse tirar o pé do acelerador (e isso acontece, às vezes) vocês veriam quantos milhões morreriam de fome. Para um indivíduo somente, como é o caso do Denis, é uma alternativa viável. Ele encontrou alternativas que favoreciam ao seu estilo de vida (mas, claro, está escrevendo de forma “independente” para uma corporação que só o mantém por que conta com executivos preocupados em… ter lucros!). O crescimento do Brasil nos últimos anos (provocado justamente pelos “ruralistas” que tantos odeiam) é o que proporcionou o desenvolvimento da qualidade de vida do brasileiro nos últimos anos. Claro que, em nosso caso, há o grande problema da administração pública, mas isso não vem ao caso.
    Não sei se os índios “pré-cabralização” é que morreriam de inveja da gente. Mas se algum de vocês visitar alguma aldeia indígena que ainda não tenha tido o perverso contato com a civilização ocidental, por favor contabilizem o índice de mortalidade infantil e a expectativa de vida média, ok? Os dados serão interessantes…

  48. Marcos Filho disse:

    A propósito, não me entenda mal, Denis. Gosto do blog. Só que esse texto confunde algumas coisas e simplifica outras muitas, hehehe.

  49. Jorge Luís disse:

    O maior desafio de uma economia “sustentável” seria justamente inserir na economia os valores que hoje são destruídos ou usurpados – as “externalidades”: no exemplo dos bois, o pecuarista não pagou pelo uso dos recursos da área que era floresta, e não repassou esses custos para o consumidor. Mas acontece que, ao melhor estilo “there is no such thing as a free lunch”, os custos da derrubada da floresta e exploração dos recursos naturais daquela área na verdade são pagos por alguém – seja nos prejuízos causados pelas mudanças climáticas, seja nos prejuízos à saúde dos seres humanos causados por poluição/contaminação, seja por outro meio. O lado perverso dessa lógica é que quem paga essa conta hoje são as populações mais vulneráveis a esses prejuízos, e não quem produziu e quem consumiu a carne.

    Aí as pessoas argumentam: “mas aí a carne ficará bem mais cara!”. Voilà, essa é a mágica – a carne ficará bem mais cara, mas refletirá os REAIS custos de produzí-la. Com esses valores inseridos na economia, quanto mais nociva for uma atividade econômica para o ambiente e a sociedade, mais cara ela será. Isso fará com que haja um desestímulo a essa atividade OU que valha a pena economicamente inventar um jeito de realizá-la com um impacto menor – e aí a lógica do capitalismo estará finalmente a favor da nossa existência continuada…

    O grande problema: easier said than done!

  50. denis rb disse:

    Marcos Filho,
    Não se preocupe, não me ofendo fácil. Mas acho que vc viu coisas no texto que não estão lá.

    Não acho que nada do que você diz no seu comentário esteja em desacordo com o que eu disse no post. Já disse: não sou “contra” o crescimento. E, obviamente, quando não há crescimento, não há oportunidades, não há mobilidade social, não há como fugir da pobreza. Disse e repito: crescimentos precisam ser celebrados. Não é aí que está meu incômodo – me incomodo com o fato de que crescer é mais importante do que qualquer outra coisa. E que, muitas vezes, cresce-se ao custo de ignorar externalidades e de destruir recursos não renováveis (tecnicamente, portanto, não deveria chamar “crescimento”, deveria chamar “liquidação total de recursos”).

    Deixa eu dar um exemplo. As mudanças climáticas estão acelerando o processo de desertificação do semi-árido. Com isso, uma parte gigantesca do sertão vai se tornar inteiramente estéril. Calcula-se que alguns estados, como o Ceará, estão ameaçados de perder mais de 70% de sua atividade econômica. Será mesmo que vale a pena crescer 3, 4, 5, 6% ao ano quando isso implica numa redução de 70% da economia lá na frente?

  51. Marcos Filho disse:

    Opa Denis! Acho que acabei me referindo mais aos comentários que ao texto propriamente.
    O problema, Denis, é que as pesquisas para desenvolver essas formas alternativas de produção necessitam de investimentos pesados, concorda? E aí os tais 3, 4 ou 5% já entram.
    Se você está falando do processo de desertificação causado pela pecuária irresponsável, concordo. São necessários estudos mais aprofundados a respeito das terras a serem utilizadas. Mas aí entra aquele probleminha da nossa administração pública, não é?
    Já com relação às mudanças climáticas… é melhor irmos com calma. Os escândalos do IPCC, entre outros estudos importantes, podem indicar que a responsabilidade do “crescimento” nessas mudanças pode ser bem menor do que acreditamos.

  52. Felipe Maddu disse:

    Três coisas. Primeiro, não entendi o que você fala dos índios aí, se a cultura deles faz um pouco parte da nossa também (ou você se acha um ocidental americano formado em Harvard?). Esqueceu do verdadeiro “massacre” e exploração desses povos pelo homem branco? Confesso que não vi sentido no que disse. Isso é típico de pessoas provincianas que tentam ser “viajadas” e modernas.

    Segundo.Não são esses “ruralistas” não. Essa bancada só representa a elite que quer continuar a crescer sem precedentes, mesmo em terras muitas vezes griladas e públicas, afogar de soja e pasto o país inteiro, não importando que exista trabalho semi-escravo, devastação da amazônia e que exercem um corporativismo sem precedentes no congresso.

    Terceiro. Aqui é um lugar de debate, cada um pensa de um jeito, ninguém precisa de aulas. Você devia parar de copiar modelos e ter ideias mais inovadoras. Ninguém na verdade sabe o modelo ideal, Nem seu pares, não deu certo o consenso de Washington e veja o que aconteceu em 2008 e agora na Grécia. Sem contar que é evidente que um erro de alguns cientistas não minimiza o fato de que, sim, a humanidade gera impacto no Planeta.

    Futuramente as empresas os produtores brasileiros, que merecem niosso respeito, vão ter quew ser empresas sustentáveis, em todo sentido, pq senão vai ver suas ações caírem e a imagem arranhada.

  53. Marcos Filho disse:

    Opa, Felipe. Calma, rapaz: o estresse, como bem evidenciou o Denis, não é bom!

    Posso usar o seu esquema para responder? Lá vai:

    1º- O que eu falei a respeito dos índios foi uma pequena brincadeira com um comentário de um dos leitores, que dizia ter “inveja dos indios, antes do Brasil se Cabralizar”. Ok! Eu, particularmente, acho que eles é que teriam inveja da gente. E, a propósito, elenque os pontos da cultura dos índios que fazem parte da nossa (além da rede e da mandioca, por favor…). Ah, e também não me assusta você não ter visto sentido no que eu disse. Está na hora de você parar de ler livro de história do ensino médio, rsrsrs.

    2º – Rapaz, agora sou eu quem não consegue entender o que você afirma. Acredito que você se refira ao ponto em que cito os tais “ruralistas” (esse termo pegou mesmo) como responsáveis pelos superávits do Brasil. E não são? Pois é, meu amigo, realmente existem muitas falhas no campo, assim como nas cidades, mas não é isso que eu vejo a tal bancada ruralista defendendo, não. O que eles defendem é o fim do vale-tudo no campo e o respeito aos produtores LEGAIS. Nada de grileiros ou terras públicas. Mais: defina-me “trabalho semi-escravo”, por favor. Eu, pelo menos, não sei o que é. Os fiscais do Ministério Público do Trabalho, ao que parece, também não. Por fim, desde quando é proibido um grupo ter representatividade no Congresso? Que eu saiba, há representatividade para diversas minorias. Porque não a dos “ruralistas”?

    3º – Não, você não precisa de aulas. Você precisa é estudar. Estudar é bom, acredite. Só evite as fontes que você tem utilizado. Olha, e eu tenho minhas próprias ideias, sim. Aliás, elas são mais inovadoras que as que você demonstra, acredite. Só não me pretendo um revolucionador da economia como tantos aqui, afirmando que lucro é lucro, ora essa, hehehe. Ninguém sabe mesmo o modelo ideal, mas você parece que sabe: é aquele modelo onde as pessoas não precisam trabalhar tanto assim, onde não se toca nas florestas, onde ninguém estuda e todos têm ideia inovadoras e, principalmente, onde não existam ruralistas, esses demônios do mundo moderno. Ah, e onde todos tenham certeza do mal que fazem ao tentar sobreviver nesse pobre planeta.

    PS.: Não sou contra a sustentabilidade, veja bem. Sou leitor do Denis. Mas essa discussão assumiu tal anafalbetismo econômico que achei que um mínimo de lucidez não faria mal a ninguém. Agora começo a achar que faz mal sim…

    Um abraço!

  54. Júnior Alves disse:

    Boa tarde, Denis.
    O post foi excelente. Bastante reflexivo e esta deve ser a idéia nestes espaços democráticos. Porém, dando continuidade nesta reflexão, será que objetivar cada vez mais não é algo inerte a nós? Será que teríamos obtido o desenvolvimento científico e o advento tecnológico que dispomos se não fosse esta “insaciável” ambição?
    O que nos falta, em minha humilde opinião, são valores. Alguns, como ética e moral (só estes, hehehe), seriam capazes de nos fazer observar o mundo ao nosso redor e não apenas a nossa frente. Ambição com temperamento egoísta e individualista é o que resulta neste comportamento “gafanhótico”.

  55. denis rb disse:

    Concordo, Júnior Alves,

    Outro valor que poderia ajudar muito: transparência. Se todo mundo vê como as coisas são feitas, muda o jeito como elas são feitas.

  56. jorji disse:

    O crescimento econômico não significa apenas melhoria na qualidade de vida, é uma questão de poder, seja para indivíduos, seja para a nação, é um ciclo natural. Buscar o equilíbrio entre crescimento e preservar é um grande desafio para a humanidade, principalmente para os países emergentes. Para um indivíduo, ter “saúde”, seja financeira, psicológica e física é muitissimo difícil, para uma nação idem, e os países, os humanos sempre cresceram e evoluiram extraindo da natureza os recursos que dispunham, seja da floresta, da água, do solo, e a medida que se foi formatando a sociedade, mais destruição, e é recente a constatação que estamos destruindo o nosso lar ( Terra ), hoje já somos 7 bilhões que querem sobreviver, que querem uma boa alimentação, ter para si todos os bens materiais, procriar, querem educação, clamam por dignidade, etc, será que não é tarde demais, será que o nosso planeta aguenta tamanha necessidade?. Não vai ser fácil, no fundo crescer economicamente significa extrair da natureza o alimento, os minérios, a água, os pescados, energia, um dia esses recursos com certeza acabarão, a nossa “mãe”, um dia os seus seios secarão, e as nossas bocas, em que teta mamaremos? A mãe Terra, a nossa amada mãe, como judiamos dela, sem piedade, sem dó, quanta crueldade, no fundo o Denis tem razão.

  57. glenn disse:

    jorji,
    é justamente esse sentimento paternalista e equivocado de que a terra não aguenta que é um dos maiores problemas…
    proteger a terra? sim, mas pelo bem estar do homem.
    a terra aguenta todo esse tranco muito bem, afinal já passou por cinco consideráveis mega-extinções.
    agora, o homem, esse não aguenta o tranco.

  58. Felipe Maddu disse:

    1º) Se for pensar assim, não temos nada (a não ser a rede e a mandioca) justamente pq dizimamos a cultura deles. E acorde, a generalização é fruto da ignorância dos outros povos. O continente todo era composto por uma infinidade de povos, com característica físicas, culturais, de desenvolvimento, totalmente distintas. É a mesma coisa falar que alemães são iguais a eslovenos. Acho que você que têm que voltar pra sala de aula que adolescente de 7ª série tá manjando mais (rsrs).

    2º) Legais para uns e pra outros não né (isso me lembra um tal de Mendes)? Quanto aos “ruralistas”, leia um pouco o blog do Sakamoto, ele exprime melhor os questionamentos à esse grupo. Ele fala muito bem o que tem de ser dito.

    3º) Esse é um problema também não só seu, mas de muitos. Uns olham só sore o aspecto econômico, pensando só no capítal, esquecendo do humano no final. Capital humano. No aspecto ambiental muito mais (acho que por isso talvez vc esteja um pouco certo, não aprendemos com os indígenas, mais evoluido nesse sentido).

  59. Marcos Filho disse:

    Hehehe!!!

    Ok, Felipe.
    Depois desse seu comentário cheio de sagacidade e inteligência, acho que tenho que voltar para a 7ª série mesmo. Você por acaso sabe de algum colégio “sustentável”? Eu pesquisei bastante por escolas indígenas, tipo assim, que ensinem a respeitar a mãe natureza e tudo o mais. Infelizmente, acho que dizimamos mesmo a cultura deles… Fazer o quê, né? Terei que me contentar com professores como você mesmo, que não sabem utilizar a estranha pontuação da língua Portuguesa, mas que também não dominam o Tupi…

    PS.: Cara, antes de responder, você deveria ler seus próprios comentários. Você entra em contradição! No primeiro parágrafo você disse que generalizar é fruto da ignorância. Ok. O problema é que em outro comentário você se referiu a mim e a meus “pares” de Whashington, disse que eu me achava ser formado em Harvard, etc. Então, quando alguém fala sobre economia com um pouco mais de base científica, já é logo tachado de “americano neo-liberal”? E o melhor é que, depois, você já afirma que todos os indígenas (olha aí a tal generalização) são ou foram mais evoluídos que nós no sentido de preservar o meio ambiente. Ai, ai.
    Por fim, não existe essa de legais para uns e para outros não. Quando eu escrevi legal, não queria dizer “legal” no sentido de bacana, “limpeza”, gente-fina, essas coisas. O que é legal, meu amigo, é o que está na lei, na Constituição, no Estado de Direito. O tal Mendes sabe disso, com certeza, melhor que você. Talvez você, que tanto herdou da cultura indígena, não compreenda esse conceito, né? Ora, a palavra final nas tribos era a do Cacique (ou do Pajé, sei lá). Assim, o que era “legal” para uns poderia não ser “legal” para outros.

    Um forte abraço!

  60. Marcos Filho disse:

    A propósito, Felipe: não colha informações em blogs. Blogs costumam emitir opinião. O Sakamoto é um notório anti-ruralista. Não costuma apresentar dados, mas leituras irresponsavelmente simplificadas de situações complexas. É “anti” muitas outras coisas também, mas basta dizer que ele era a favor da greve da USP. Precisa dizer mais?

  61. Felipe Maddu disse:

    Só pra encerrar, dúvido que vc não pega informações de blogs (desde mesmo espaço aqui, tem bem uns dois com ideias parecidas com as suas). Posso até ter caído numa contradição ao te julgar, mas você foi bem mais genérico em sua dicotomia civilização ocidentalXindígena. Eu não disse que cultura indígena é superior, mas um yanomami não é igual a um inca ou a um cherokke, é simples. Por último, é óbvio que o que falei de legal não foi no sentido “cool ” da coisa. O LEGAL eu falo em leis também oras. Semi-escravidão e devastação é contra as leis. A lei não é só para os outros. Tinha que ser também pra quem é pego no flagra e recebe habeas corpus de juiz porque tem contatos e poder.

  62. Marcos Filho disse:

    ai, ai… Tomara que você saiba o que é um Habeas Corpus…
    E mais uma vez: o que é semi-escravidão mesmo, hein?

  63. Marcelo disse:

    “Semi-escravidão” ou a expressão mais usada “condições de trabalho análogas à escravidão” são conceitos que estudiosos cunharam para se referir àqueles trabalhadores que mesmo não sendo oficialmente “propriedade” de nenhum senhor de escravos se vêm obrigados a trabalhar para alguém (geralmente por dívida ou coerção) sem carteira assinada e sem os direitos fundamentais que a constituição institui. Sequindo o consenso atual sobre esta questão não se pode chamar nenhum trabalhador brasileiro de “escravo” já que só é considerado “escravo” aquele que é de fato propriedadde de outrem.

    No campo brasileiro existem diversos casos, inclusive envolvendo parlamentares brasileiros (da bancada ruralista claro), em que foram constatadas “condições análogas à escravidão”. O trabalhador, além de estar empregado clandestinamente, não recebe em dinheiro ou recebe tão pouco que precisa contrair dívidas (geralmente com o próprio empregador) para sobreviver. É uma forma disfarçada de escravidão, em vez de ser proprietário da mão de obra propriamente dita o cara se impõe como credor e por isso teria o direito de se apropriar de tudo que o trabalhador produzir sem observar os direitos básicos das pessoas. Eles fazem isto de maneira que o trabalhador nem se dê conta da exploração a que é submetido. Por falta de instrução eles crêm que são devedores e precisam trabalhar mais e mais sem nunca conseguir quitar a dívida.

    A bancada ruralista mais de uma vez já tentou atrapalhar ações de orgãos públicos que combatem o trabalho escravo (ops “trabalho em condições análogas à escravidão”) no Brasil.

  64. Marcelo disse:

    P.s. Não sei quem disse que a contribuição dos Indios no Brasil se resumia à rede e mandioca, mas não poderia estar mais errado. Só para citar alguns exemplos da presença da cultura indígena no brasil: umbanda, milho, tapioca, tomar banho todos os dias, morumbi, pacaembu, maracanã, ibirapuera, ipanema, beberibe, capibaribe, jaboatão, tejipió, (estes ultimos são rios da meu querido Recife), as centenas de nações de maracatu, os vários romances indigenistas que fazem parte de nossa história literária. Gente, basta procurar existem incontáveis provas da herança cultural indigena no Brasil. E eles não foram exterminados, ainda estão por aí, basta procurar.

  65. Felipe Maddu disse:

    Isso ai Marcelo, to cansado de gente que quer ser europeu e esquece que o brasileiro é uma junção de negro, brancos e índios.

  66. Luiz Otavio disse:

    Denis, seu texto me lembra que um dos pecados originais é o estrabismo. Gostei do seu texto. Abraços.
    Segue uma estorinha sobre o estrabismo do ser humano:

    Mestre Nasrudin estava meditando quando um grupo de pessoas se aproxima e se dirige a ele:
    – Nasrudin, queremos que voce nos guie no caminho.
    – Esta bem, disse Nasrudin, então me acompanhem.
    Nasrudin monta no seu burro ao contrário. As pessoas começam a rir e ele se dirige a elas:
    – Do que é que vocês estão rindo?
    – Nasrudin, é que você está olhando na direção errada!
    – Vocês querem que eu os guie no caminho, mas acreditam mais no burro do que em mim?

  67. Marcos Filho disse:

    Marcelo, talvez você não tenha notado um certo tom de ironia na minha pergunta a respeito da “semi-escravidão”. A questão, meu caro, não é o conceito em si, mas como ele tem sido interpretado e aplicado em nossas terras. E mais: “semi-escravidão” não é a mesma coisa que “condições de trabalho análogas à escravidão” (que é o termo apropriado). Mas deixa pra lá.
    Vamos em frente. Não lhe conheço e não faço idéia de sua formação, portanto vou considerar que talvez você não saiba como é feita a constatação de “condições de trabalho análogas à escravidão” pelos nossos fiscais do MPT. Eles se utilizam basicamente da NR-31 (conhece?) que elenca nada mais nada menos que 252 itens a serem observados. Cada um dos itens tem uma punição dirente em caso de descumprimento. No entanto, o que tem sido regra no MPT? Caracterizar tudo como “condições de trabalho análogas à escravidão”! Não estou dizendo que não exista a prática de escravidão no campo (também há nas cidades e indústrias, ATENÇÃO!), nem que a norma não deva ser aplicada com todos os seus critérios. O problema é que existem erros clamorosos na conceituação. Você cita parlamentares da tal “bancada ruralista” que estão envolvidos com processos a respeito de trabalho escravo. Não conheço nenhum. No entanto lembro de um parlamentar, deputado do PR (da base governista, e não dos “ruralistas”), acusado de manter trabalhores em tais condições. Sabe quais eram as condições? Dormitórios em desacordo com a NR-31. Acontece, meu caro, que não se trata de dormir no chão, em senzala, etc: se as camas ou beliches não estiverem nas distâncias e alturas regulamentadas, isso já basta para o proprietário ser enquadrado. Deve ser punido? Sim, claro. Só não deve é ser tachado de “escravocrata”! Da mesma forma, trabalhores sem capacetes também estão sendo considerados em “condições de trabalho análogas à escravidão”. Outro ponto é a mudança de postos de trabalho, que exige um tremendo aparato bucrocrático. Se não houver a comprovação de atendimento a todas as exigências, por exemplo, um vaqueiro que passasse a cuidar do campo já seria considerado um trabalhor em “condições de trabalho análogas à escravidão”. Ocorre que de fato existe trabalho escravo no Brasil. Mas o números não são tão extravagantes como o noticiado, simplesmente por conta do viés de interpretação dos fiscais e divulgação da imprensa.
    E quanto à bancada ruralista e à CNA, hein? Você conhece a Embrapa? Pois é, a Embrapa e a CNA têm atuado em conjunto na redução de impactos ao meio ambiente, coisa pouco noticiada, no entanto. Acontece meu caro, como afirmei anteriormente, que de fato há coisa errada nos campos brasileiros. Também há nas cidades, ora essa! O que não se pode fazer é demonizar os produtores rurais, colocando todos no mesmo saco, inclusive esquecendo que é por conta deles que navegamos nesse mar de tranquilidade econômica.
    Ok?

  68. Marcos Filho disse:

    Quanto aos índios, Marcelo…

    Ao pedir pro Felipe dizer as heranças culturais dos índios, citando mandioca e rede, estava brincando justamente com isso: as tais heranças culturais são alguns itens de consumo, nomes e, no máximo, algumas manifestações folclóricas. Compare com as nossas noções de ética, humanismo, direito, etc. Qual tem peso maior? Achei especialmente engraçadas algumas citações que você colocou:
    1 “morumbi, pacaembu, maracanã” – hehehe, que índios mais futebolistas, não?
    2 “ibirapuera, ipanema, beberibe, capibaribe, jaboatão, tejipió, (estes ultimos são rios da meu querido Recife)” – a não ser que algum desses locais tenha sido inventado por um pajé, a “contribuição cultura” foi só o título, não é?
    3 “as centenas de nações de maracatu” – ai, ai, ai… O maracatu é uma junção de elementos da cultura européia, africana e (sim) indígena. No entanto, qualquer antropólogo recém-formado (ou mesmo os meus colegas de 7ª série, né Felipe?) sabe que a raíz da tradição está na cultura africana.
    4 “os vários romances indigenistas que fazem parte de nossa história literária” – E algum deles foi escrito por um índio? Até mesmo a corrente literária que deu origem a tais obras é européia: o romantismo. Misturou-se com o mito do “bom selvagem” (também europeu, vide Rousseau) mais uma dose de patriotismo barato e auto-afirmação… voilá: um “romance indigenista”, como você diz…
    Nunca afirei que a cultura índigena não tem valor ou ainda que os índios não tem participação em nossa formação étnica. Aposto que devo ter algum remoto antepassado índio. Desde o começo, no entanto, tratei de colocar que nossa civilização só teria a ensinar e não o que aprender com a cultura dos índios antes da “Cabralização do Brasil” (seja lá o que isso signifique). Parem com essa história de que índio está mais ligado à mãe natureza e tudo o mais e resolvam estudar. Faz bem!

    Um abraço!

  69. Marcos Filho disse:

    E por fim, pro Felipe:

    Antes eu queria ser “formado em Harvard” (o que de fato eu quero mesmo!, hehe). Agora eu quero ser europeu???? Eu não. Apesar de tudo, gosto do meu país. E não preciso querer ser europeu: afinal, “o brasileiro é uma junção de negro, brancos e índios”, né? Sou um pouquinho angolano, um pouquinho francês e um pouquinho guarani, de acordo com a sua definição. Hehehehe!!!!

    Você é muito bacana, sério!
    Abraços.

  70. Marcelo disse:

    Marcos filho… então, “nossa civilização só teria a ensinar e não o que aprender com a cultura dos índios”. É exatamente assim que pensavam os europeus que dizimaram as milhares de nações indigenas da América.

    Vc não percebe como é etnocêntrica e boçal esta maneira de pensar. Eu é que não tenho absolutamente nada a aprender com alguem que pensa assim.

  71. Marcelo disse:

    E vc está mentindo, a bancada ruralista não tem nada de boazinha. para começar eles NUNCA admitiram que a absurda concentração fundiária brasileira é um problema. Acham que todas as terras agricultaveis do Brasil devem pertencer a meia dúzia de famílias ricas.
    Vc não sabe de nenhum caso sério envolvendo a bancada ruralista?

    Procure no google o caso de Juarez Vieira Reis que foi expulso em 2003 da terra onde vivia desde o seu nascimento, em Tocantins, graças a uma intervenção judicial a pedido da senadora Kátia Abreu (DEM/TO). Ela está querendo fazer uma reforma agrária ao contrário tomando as terras de diversos pequenos proprietários.

    Ela e seu grupinho fazem o possível para dificultar as ações dos técnicos que combatem o trabalho escravo no Brasil. E não é pq as normas são “rigorosas” demais como vc afirma, é pq eles querem continuar explorando seus trabalhadores sem serem incomodados pelo poder público.

  72. Marcelo disse:

    P.s.Marcos Filho,

    Então: comidas típicas, manifestações folclóricas, religiões como a Umbanda, livros que, mesmo escritos por brancos, procuram retratar a cultura indigena e se tornaram parte indiscútivel do nosso patrimonio cultural, tomar banho todos os dias, nomes que mesmo depois de séculos nós ainda usamos para batizar pessoas, parques, estádios, praias, cidades, estados, rios, etc. São irrelevantes como herança cultural?

    O Felipe foi generoso com vc, 7ª série é avançada demais para o seu nível.

  73. Marcelo disse:

    OPs tinha esquecido… A origem do maracatu depende de qual maracatu vc está falando Marcos Filho, alguns estão mais ligados á cultura africana e outros à culutra indigena.

    E também não é por causa dos ruralistas que o Brasil vai tão bem na economia, a riqueza que eles produzem fica concentrada nas mãos de meia dúzia de ricaços. Os bons números da economia se devem à inclusão social sem precedentes que o Brasil vem proporcionando às suas classes mais baixas, que agora finalmente fazem a diferença no mercado consumidor e fortalecem as empresas e indústrias que vendem mais e precisam contratar mais.

  74. Marcos Filho disse:

    Pois é Marcelo. Vamos voltar juntos para a alfabetização: talvez lá eu possa lhe ensinar a ler!

    No meu comentário, escrevi o seguinte: “nunca afirmei que a cultura índigena não tem valor ou ainda que os índios não tem participação em nossa formação étnica”. Deu pra entender ou quer que eu desenhe??? Não estou negando que há presença histórica e cultural da população indígena no Brasil. Seria impossível. Agora, se formos mesmo medir (o que não proponho, claro) qual o valor representativo de cada cultura na formação do nosso povo, é simples: somos mais europeus e africanos que índios. Esse nosso debate, inclusive, é bem “europeu”, não?
    Você sofre de um problema terrível, Marcelo: a ignorância orgulhosa. Você acha que ter uma opinião e um notebook com acesso a internet o eximem de ler Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Lévi-Strauss, Durkheim… Quer um exemplo do quão raso (e rápido) é seu pensamento?
    Você conseguiu citar duas manifestações reconhecidamente de origem africana como sendo heranças culturais indígenas: maracatu e umbanda. Já expliquei sobre o maracatu. Agora vou lhe dar uma aulinha sobre a umbanda que o google não deu: a Umbanda é intimamente ligada às raízes africanas dos escravos; em alguns pontos do páis, a tradição mesclou-se a aspectos da pajelança indígena, dando origem a uma das várias correntes umbandistas, a chamada Umbanda de Caboclo. E aí, deu?
    Quanto ao banho, agradeço aos nossos antepassados índigenas. No entanto, com certeza já estaríamos tomando banho regularmente, mesmo sem os índios: o hábito foi retomado na Europa no século XIX.
    Ah, e pode ter certeza que eu saberia perceber um pensamento etnocêntrico. O meu não é. Etnocêntricos são aqueles que fazem copmparações valorativas entre duas culturas, excluindo “o outro”. Eu fiz? Não. Afirmar que teríamos a ensinar mais que a aprender é fato, ainda que não corrobore com o pensamento politicamente correto. Diga-me porque afirmar isso é etnocêntrico. Ê, rapaz, estude os conceitos antes de sair por aí dando uma de “sabido”.
    Já que falei em Lévi-Strauss (que talvez seja um ilustre desconhecido para você), o enfoque errado é justamente esse seu, das tais “contribuições culturais índigenas”, que estão em acordo com uma análise do ponto de vista da história cumulativa. Segundo Lévi-Strauss, não faz sentido uma lista de contribuições de uma cultura para outra civilização. As culturas devem ser observadas segundo sua forma única de resolução de problemas e de seus valores.
    A análise e a comparação entre duas culturas foram, na verdade, o foco que eu queis dar quando comecei a falar da cultura índigena relacionando ao tal comentário dos índios “antes da cabralização do Brasil”. Só podemos comparar duas culturas do ponto de vista estrutural, analisando elementos comuns a ambas. No entanto, é justamente nos elementos não-estruturais que temos avanços que garantiram a sobrevivência da chamada cultura ocidental. E isso, com certeza, os índios adorariam ter aprendido.
    Faça, então, uma nálise estrutural e diga-me: de onde vieram os valores predominantes na formação de nosso país?

    Depois da alfabetização e de um curso de interpretação de texto, recomendo a seguinte leitura:
    Antropologia Estrutural – Lévi-Strauss
    Casa-Grande & Senzala – Gilberto Freyre
    Raízes do Brasil – Sérgio Buarque de Holanda
    Aconselho que você leia atentamente essas obras antes de responder alguma coisa embasado apenas no google e na wikipédia.

    P.S.: Leve as brincadeiras com bom humor, ok?
    P.S
    Um abraço!

  75. Marcos Filho disse:

    Ai, meu Pai!

    Marcelo, você está piorando… Mais uma aula:

    O agronegócio garante os superávits brasileiros, gênio. Em 2004, o Brasil teve um saldo de U$ 33.666,20 (em milhões). As exportações foram responsáveis por nada menos que 72% desse resultado. A partir daí, o saldo só cresceu (daí as reservas brasileiras terem crescido) e a participação do agranogócio, idem. Com o aumento das reservas, o risco-país diminuiu, trazendo investidores que, já acumulando dinheiro com o aquecimento econômico mundial, resolveram diversificar investimentos. Os investimentos deram uma guinada no mercado interno, que já vinha em estabilidade desde o plano real; a inflação baixa decorrente daquele plano possibilitou um aumento de crpedito nunca antes visto, o que, aí sim, causou a tal inclusão social. Mesmo com o mercado interno com esse aquecimento todo, qualquer “marolinha” faria o país tremer nas bases. Durante a crise, a indústria teve péssimos resultados. Cadê a inclusão social??? Ora, os investidores cairam fora do país e resolveram ficar com títulos mais seguros. O agronegócio segurou o país. O saldo brasileiro continuou positivo, e as reservas pouco foram afetadas.
    E aí? Fui claro?

    Confesso que a sua visão de economia me intriga. Depois desse seu comentário, é melhor você desconsiderar os livros que recomendei: você não vai entender nada!

    hehehehe!!!
    Abçs

  76. Marcos Filho disse:

    “E também não é por causa dos ruralistas que o Brasil vai tão bem na economia, a riqueza que eles produzem fica concentrada nas mãos de meia dúzia de ricaços”

    Hehehehehe!!! Essa sua frase já é antológica! Cara, se dê ao trabalho ao menos de ler Marx e entender a “mais-valia”.

  77. Marcos Filho disse:

    Ahhhh… sobre a Kátia Abreu, né?

    Não precisei buscar no google, não. Já tinha lido a resportagem na Carta Capital.Péssima reportagem por sinal (Mino Carta adooora uma reportagenzinha encomendada…). Não vou defender a Kátia, como você deve estar esperando. Não sou pago pra isso e nem sou advogado. Se ela errou, que pague, oras! Se não errou, que se processe a revista por difamação. Não cabe a mim apurar. Mais uma vez, no entanto, peço que avalie sobre o que estávamos falando: “trabalho semi-escravo”. E aí?
    E onde foi que eu menti? Eu por acaso disse que a “bancada ruralista” é boazinha? Eu não! Pra mim nem existe essa de bancada ruralista. Quem opôs bem e mal foram você e o Felipe. Pra mim, não há ninguém celestalmente bom e nem demoniacamente mau. Isso é balela. O que quis deixar claro é: demonizar os produtores rurais, chamando todos de escravocratas, grileiros e destruidores do meio-ambiente é ignorância e mistificação, além de uma tremenda demagogia. Apensa isso.

    Abçs.

  78. Marcelo disse:

    Sou historiador, Marcos Filho, estudo na UFPE. Nenhum dos autores que vc citou me é estranho, muito pelo contrário, estudei todos eles e em nenhum momento poderia deduzir as coisas que vc deduziu destas obras. A Umbanda e o Maracatu têm profundas raízes indigenas e o sincretismo com a cultura africana não anula a importancia da cultura indigena em sua formação.

    O Brasil SEMPRE, desde sua origem foi um país de economia majoritariamente agro-exportadora, esta atividade, em séculos de nossa história NUNCA, em momento algum, teve a virtude, nem indiretamente, de distribuir renda e facilitar a inclusão social e vc quer me dizer que só agora, de repente é o agronegócio, como se o Brasil tivesse começado a exportar alimentos ontem, que está salvando o Brasil?

    O que está proporcionando o avanço na área social não são latifundiários que ficam com toda a riqueza para si e sim programas sociais de transferência de renda, do aquecimento estratégico feito pelo governo de setores cruciais da economia como a construção civil e a Indústria, e de universalização do ensino superior e técnico, vc pode vir com quantos argumentos fajutos e economiquês de boteco vc quiser, a economia do Brasil cresce tão fortemente porque os pobres estão entrando no mercado consumidor SEM a ajuda de nenhum latifundiário.

    “Etnocêntricos são aqueles que fazem copmparações valorativas entre duas culturas, excluindo “o outro”Eu fiz? Não. Afirmar que teríamos a ensinar mais que a aprender é fato, ainda que não corrobore com o pensamento politicamente correto”

    Sim, vc fez.

    Aqui, nesta sua frase: “nossa civilização SÓ TERIA A ENSINAR E NÃO O QUE APRENDER com a cultura dos índios” claramente etnocêntrica, prepotente e ignorante. Não sei de onde vc tirou que as obras de Levi Strauss, Gilberto Freire e etc. concordam com este tipo de bobagem.

  79. Marcelo disse:

    O lobby ruralista existe sim Marcos, negar isto só prova o seu tendencialismo. Nunca disse que todos os produtores ruaris são escravocratas, até tenho amigos fazendeiros. Só disse que este ainda é um grave problema no campo e que temos parlamentares que dificultam o combate ao trabalho “semi-escravo”. Não menti em nenhum momento.

  80. Marcos Filho disse:

    Agora entendi: Carta Capital, trabalho “semi-escravo”, investimentos do governo, porgramas de distribuição de renda… Desculpe, não sabia que estava lidando com discurdo eleitoreiro.

    Bem, vc é historiador? Sinceramente, tenho pena de seus alunos (se é que você os tem). Não afirmei que SBH, Freyre ou Lévi-Strauss concordavam comigo. Pode apostar que também não concordavam com você. E eu não deduzi coisa nenhuma. Até porque não “se deduz” uma obra; procure o termo correto, hehehe.
    Bem, pelo que vejo os cursos de humanas nas federais do país continuam a mesma coisa. Você não gosta de “economiquês”, Marcelo? Que raios de historiador é esse?
    Os dados que apresentei são falsos? Quer que eu aplique aqui um estudo demonstrando que sua explicação para a estabilidade do país é tosca? Pelo amor de Deus.
    A sua situação, como historiador, é muito triste. Não entende ABSOLUTAMENTE nada de macro-economia (muito menos de micro), não faz idéia do que é mais-valia, não sabe como se dá o tal “combate ao trabalho semi-escravo”, ignora a fundamentação de expressões populares como o maracatu e a umbanda, e, pior, nem mesmo sabe escrever o nome de Lévi-Strauss e de Gilberto Freyre.

    PS.: Sempre que for começar com discurso eleitoreiro, governista, oposicionista, ou sei lá o quê, avise logo de cara. É chato ficar achando que o debate gira em torno de argumentos quando do outro lado há um fantoche de partido, cheio de ideologia e fraco de discurso. Ai, ai.
    Pelo menos o Felipe era mais original (eu acho).

    Pobre UFPE…

  81. Marcos Filho disse:

    É muita ignorância para uma pessoa só!

  82. Marcelo disse:

    Oooa, Marcos, peraí… Quem veio com discurso partidário e panfletário foi vc, defendendo o lobby ruralista, (chega a alegar que não existe!!). De fato não se “deduz” uma obra mas vc pelo jeito não leu o que eu postei com atenção, eu disse que vc deduz DESTAS obras, ou seja vc leu alguma coisa e deduziu um significado que não está lá, percebeu a diferença? (não vou imitar o seu ídolo o “Tio Rei” como vc fez perguntando se quer que eu desenhe, é muita falta re originalidade).

    De economiquês eu entendo e gosto, só não gosto do economiquês de boteco simplista que vc usou e que deve ter copiado de algum site demotucano, destes que fazem qualquer negócio para “provar” que o Brasil na verdade está indo bem pq o governo anterior (no tempo da dívida externa humilhante, do FMI mandando no Brasil, impondo cortes em educação e programas sociais e dos juros em quase 30%) é que fez tudo sozinho.

    Os dados que vc apresentou não são falsos, mas estão incompletos e interpretados de maneira errada. Se o que vc diz é verdade e o Brasil está indo tão bem só por causa do desempenho no campo (que sempre foi a principal atividade econômica do país) então porque este crescimento não acontecia antes, no governo FHC por exemplo? Por que só agora, depois de séculos exportando alimentos, a riqueza gerada começou a promover a distribuição renda?

    Eu conheço bem as teorias marxistas. Queria ver vc tentar explicar como o conceito de mais-valia de Marx prova que não há concentração de riqueza no campo brasileiro, como vc afirma em seu comentário das 1:06 pm.

    Ps. Se vc não tem argumentos não devia ficar criticando errinhos ortográficos em mensagens despreocupadas postadas na internet, isto não ajuda em nada para esconder sua falta de conhecimentos, só prova que vc não é capaz de discutir idéias de verdade, só coisas irrelevantes.

  83. Marcelo disse:

    Ops esqueci… Eu sei muito bem o que são a Umbanda e o Maracatu. Já vc, diz que a influencia imdigena nestas manifestações culturais é irrelevante. Quanta ignorancia!

  84. Marcos Filho disse:

    Que site “demotucano” o quê, rapaz? Os dados são do Ministério da Fazenda e do Ministério da Agricultura. Mais uma aulinha:
    Para você ter idéia, por exemplo, em 2005 o PIB total brasileiro foi de R$ 1.937.598 (em milhões) e o PIB agropecuário foi de R$ 145.829. Ou seja: 8% do total. Desde 1991, essa participação só cresce. As exportações brasileiras de carne bovina cresceram 413,6% entre 1999 e 2007. Sua fatia no mercado internacional, para você ter idéia, pulou de 6,8% para 28,4%, apesar das tarifas. Na exportação de frango, a participação brasileira saltou de 12,6% em 1999 para 35,5% em 2007. Açucar, 31,2% para 42,1%.Soja, então, nem se fala: as exportações brasileiras representaram 27% do quantia mundial em 2007. E ainda tem leite, trigo, frutas e legumes, etc etc etc.
    Ah, Sr. Historiador, o Brasil sempre foi uma economia agro-exportadora? Sim. No entanto, as condições fiscais internas, as altas taxas de inflação e política cambial vascilante nunca permitiram ao país a formação de reservas e condições mínimas de investimentos externos. Não existe “crescimento social” sem crescimento econômico, meu caro. E disso o governo se orgulha: do ótimo desempenho do país. Mantega fala disso todo santo dia. E esse crescimento é uma conquista do país, independente de partido: foi fundamentado no governo FHC e continuado no governo Lula, quando o Brasil aproveitou para “surfar” na onda de desenvolvimento mundial. É daí que vem o orçamento para os programas sociais dos quais você fala (e que são péssimos para o país!).
    E aí? Isso é “economiquês de boteco”? Se quiser, da próxima vez lhe dou mais uma aulinha sobre formação de ativos, orçamento da União e a relação disso tudo com a formação do poder de consumo das classes C e D na última década. Claro, vou ter que simplificar: alguns conceitos você não vai entender.
    Ai, ai…

  85. Marcos Filho disse:

    Desista de discutir economia, meu amigo. Fique com as idéias de propaganda política, pouco me importo se você acha que partido A ou B fizeram isso ou aquilo. Os meus comentários todos, foram apenas para provar que qualquer páis depende do crescimento econômico e “pisar no freio” por conta de teorias ecológicas mal fundamentadas é catastrófico. No Brasil, condena-se com veemência os produtores rurais, tratando-os como verdadeiros criminosos, defendendo “movimentos sociais” que só têm causado o retrocesso no campo. Enquanto isso, a balança comercial brasileira depende desses protudores. Isso é fato.
    O que devemos fazer é deixar de ter saudade de um passado que nunca existiu e de um futuro que nunca haverá: sejamos mais realistas. Temos é que trabalhar. Mudei o assunto para a questão dos índios porque não tem sentido ficar ligando comunidades indígenas a idéias como “amor à natureza”, “qualidade de vida” e etc. Qualidade de vida é uma ova: como disse, meça os índices de mortalidade infantil e de expectativa de vida de uma aldeia que ainda não tenha tido contato com a “civilização ocidental” e compare.
    E de uma vez por todas: NÃO DISSE QUE A CULTURA INDÍGENA NÃO TEM PARTICIPAÇÃO NA NOSSA FORMAÇÃO ÉTNICA. Afirmei sim que nossa cultura é majoritariamente da tal “civilização ocidental” com, aí sim, elementos da cultura africana e indígena (entre outras). E, por fim, a participação da cultura índigena no maracatu e na umbanda existe, eu não afirmei o contrário. A participação de elementos da cultura européia também. Agora afirmar que devemos à cultura indígena ou à européia o surgimento dessas duas manifestações é uma violência histórica, é quase um desrespeito com as heranças africanas, meu caro.

    Mais uma vez (e pela última vez): vá estudar.

    PS.: Quem diabos é “Tio Rei”??? Eu leio é Bertrand, Bacon, Haavelmo, Akerlof, Smith, Penrose… enfim, essas coisinhas que você não conhece. E essa expressão do desenho, bem, não sabia que pertecia a alguém, hehehe: pensei que era “domínio público”!

  86. Marcos Filho disse:

    Ah, já que você diz que é historiador, sugiro a leitura da obra de Szmrecsányi. Se você estiver com preguiça, o que é provável, leia ao menos “Formação econômica do Brasil”, de Celso Furtado. É um bom livro para começar a entender como diabos funciona a economia brasileira, hehehe!
    Agora, o mais recomendado para sua situação é mesmo “Economia mundial para iniciantes”, de Charles Epping. Com ele você vai desvendar alguns segredos do universo econômico. Não tente nem mesmo ler “A riqueza das Nações” ou, pior, algum dos volumes de “O Capital” sem dar uma “averiguada” nos conceitos básicos…

    Abçs.
    Boa sorte no aprendizado.

  87. Marcelo disse:

    haha, Marcos Filho
    Não vou perder mais o meu tempo, como disse não tenho nada a aprender c vc.

  88. Ronaud Pereira disse:

    Grande texto! É bem isso, o paradigma capitalista/consumista nos suga como um imã atrai um pedaço de metal. Mas é preciso permanecer fazendo e decidindo o que é certo, e não o que nos dizem que é certo. Parabéns!
    http://www.ronaud.com

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: