Desobedeça

– É uma criança tão boa, tão obediente!

O equívoco começa bem cedo na vida. Desde a primeira infância, a criança aprende a acreditar que ser “bom” é sinônimo de ser “obediente”. Mas não é. Aliás, muito longe disso. Quem quer realmente ser bom necessariamente vai ter que desobedecer autoridades em algum momento da vida.

Prova disso é o clássico Experimento de Milgram, conduzido em 1964 nos EUA. A ideia foi do psicólogo Stanley Milgram, que queria estudar a propensão humana a obedecer a autoridade, mesmo quando isso implica em ser cruel com outros seres humanos (Milgram estava interessado em entender como Hitler foi capaz de mobilizar milhões de pessoas comuns no seu projeto genocida).

Foi um experimento engenhoso (e que hoje certamente seria considerado antiético). Começou com a publicação de um anúncio num jornal pedindo voluntários para um estudo sobre memória e aprendizado.

Os voluntários que se candidataram foram recebidos por um cientista de jaleco branco que explicou o experimento. Eles teriam que se sentar em frente a um vidro e operar uma máquina cheia de botões. Do outro lado do vidro, haveria outro voluntário, um senhor afável, que teria que decorar e repetir uma série de palavras. A cada palavra errada, o voluntário teria que apertar um botão, e o senhor do outro lado do vidro levava um choque. A cada erro, o choque ficava 15 volts mais forte. No final, o senhor dava gritos desesperados e dizia que ia morrer porque tinha um problema cardíaco. Os choques eram fortíssimos e o botão continha avisos de que havia risco de vida.

Bom, nada disso era verdade. Não havia choque nenhum. O senhor era um ator que errava por querer. O objetivo do experimento não era medir aprendizado, mas descobrir se as pessoas seguiriam ordens mesmo com um sujeito estrebuchando de desespero. Resultado: a imensa maioria segue ordens.

65% das pessoas administrou o choque até o limite máximo, de 450 volts. Todos os voluntários se sentiram incomodados e quiseram parar o experimento quando os gritos começaram, lá pelos 300 volts. Quando eles faziam isso, o cientista de jaleco reagia com dureza, dizendo que eles precisavam continuar, que não havia perigo e que eles tinham concordado com as regras do experimento (muito embora todos eles tenham sido avisados no começo de que poderiam parar se quisessem).

Uns poucos reagiram à autoridade e disseram que parariam mesmo assim. Mas a grande maioria obedeceu. O interessante é que, nesse ponto, eles deixaram de se incomodar com o outro. Alguns até começaram a demonstrar uma certa raiva sádica ao apertar o botão. A presença da autoridade como que “desligou” a culpa deles, o senso de responsabilidade sumiu. A partir da bronca do cientista, quase todos estavam dispostos a tudo. E, se o senhor afável morresse… Ora, não foi culpa minha, eu estava só cumprindo ordens.

Outro psicólogo famoso, que aliás estudou com Milgram na mesma escola do Bronx, em Nova York, é Philip Zimbardo, ainda ativo na Universidade Stanford (Milgram morreu em 1984). Zimbardo é autor de outro estudo clássico (igualmente questionado pela ética científica de hoje), o Stanford Prision Experiment. Ele recrutou garotos para fazer o papel de guardas e prisioneiros numa prisão fictícia. Em poucos dias, os guardas tinham virado torturadores covardes e os prisioneiros estavam tendo colapsos nervosos.

Zimbardo, comentando o experimento de Milgram, costuma dizer que o que o mundo precisa é de mais heróis. Só que, para ele, “herói” não é necessariamente alguém inalcançavelmente generoso, que entrega a vida a uma causa, como Gandhi ou Martin Luther King. Herói, para ele, é gente comum, que leva sua vida, mas que, quando vê algo errado acontecendo, tem coragem de dizer não (veja a palestra de Zimbardo no TED aqui).

No experimento de Milgram, algumas pouquíssimas pessoas se recusaram a dar choques, levantaram-se indignadas e saíram gritando que não participariam mais daquilo. Quando isso acontecia, todos os outros voluntários na sala recusavam-se também a continuar. Um único herói, provou-se então, tem o poder de catalisar uma reação positiva enorme.

A questão é que, quando educamos nossas crianças apenas para serem obedientes, a chance de elas agirem com heroísmo quando a oportunidade aparecer é minúscula. Crianças boas são aquelas que, quando chega a hora de escolher entre o certo e o errado, são capazes de desobedecer.

Anúncios
43 comentários
  1. Roberta disse:

    Como sempre fui obediente, vou continuar educando meu filho para ser obediente e quando crescer mais um pouquinho, vou ensina-lo a ter uma visão crítica sobre tudo que lê, ouve e aprende. Pois o meu objetivo é que ele seja um homem educado, mas saiba diferenciar argumentos relevantes de bobagens escritas ou ditas como se fossem um grande “descobrimento”.

  2. denis rb disse:

    haha

    Ótimo, Roberta!

  3. Lana Rosa disse:

    Existe uma frase de um santo que diz que “Quem obedece não erra!”. Ouvia muita gente falando isso. Claro, sentindo-me uma grande pecadora por não aceitar vive-la.
    Então conheci um padre, muitíssimo inteligente, que me disse: Você precisa usar a cabeça que Deus te deu. Ele te deu um cérebro para ser usado. Quem anda pela cabeça dos outros é piolho. Pense, reflita e escolha. Obedecer precisa ser uma postura de liberdade. Você obedece sabendo que esse é o melhor. Se ver que não é o melhor… Desobedeça!

    Ontem assisti um filme que retrata um pouco desse assunto: “Uma prova de amor” do diretor Nick Cassavetes. Vale a pena!

  4. Memyself disse:

    A criança deve obedecer. Não tem discernimento para saber o que é perigoso, o que é melhor para ela, o que pode ser prejudicial. Os pais estão alí para mantê-la segura e mostrar-lhe p que é melhor para ela. Bons pais, conforme a criança cresce, vão dando a ela elementos para que aprenda o que é moralmente aceitável, o que é honesto, o que é ético. A obediência a tais princípios é fundamental para se tornar um adulto produtivo, confiável e equilibrado. Mas não dá para negar que em algumas pessoas, mesmo aquelas que tenham tido a melhor formação possível, habita o mal e em outras habita o medo. Quando as duas coisas se juntam temos o que o experimento mostrou.

  5. Felipe Maddu disse:

    Minha mãe dizia que os pais criam os filhos para o mundo, para crescerem e saberem lidar com ele. Eu só acho que os filhos que os pais deixam fazer tudo ficam muitas vezes mimados, mas é melhor do que criá-los com uma rédea curta a todo tempo.

  6. Luna disse:

    Seria muito bom se escolher entre o certo e errado fosse pura matematica. Preto no branco.Mas nao e’ assim. Antes de podermos tomar decisoes precisamos aprender a usar o cerebro de forma independente. Nao podemos pensar em “massa”.
    Infelizmente para muitos pais, educar ainda significa impor aos rebentos, dogmas, tradicoes e medos, ao inves de ensina-los a pensar por si mesmos e deixa-los escolher os proprios caminhos.
    Agora, regra e disciplina sao indispensaveis na vida das criancas. As fazem sentir seguras, amadas e cuidadas.

  7. Cristiana disse:

    Tenho uma filha linda, de quatro anos de idade. Odeio criança mimada e birrenta e sempre a ensinei a ser educada. Quando era mais novinha e pedia algo que eu negava, ela começou a esboçar crises de birra, mas eu dizia de maneira que pudesse entender que ela somente obteria o que queria se me vencesse através do argumento. leva tempo, bastante tempo educar uma criaça, mas compensa. hoje, quando digo não, ela não chora ou faz birra, mas me questiona: quer saber o motivo da recusa e muitas vezes em que recusei algo, revi minha decisão por causa dos argumentos dela. Acho que a matéria quer passar isso: criança questionadora não se confunde com criança birrenta, mal educada. São duas coisas distintas. Minha filha questiona, quer saber o motivo de tudo, é esperta, gosta de livros (com figuras, pois ainda não lê).

  8. Lívia Ascava disse:

    outro dia li sobre um experimento parecido no posto do hupsel, no yahoo. ele dizia sobre “carrascos” voluntarios: http://colunistas.yahoo.net/posts/1479.html não falou de heróis e nem das mudanças de comportamento quando um rejeitava seguir…

    mas eu chegue a debater com o colunista sobre ele não ter colocado ali as questões da hierarquia e do poder. porque elas estão muito relacionadas a questão da obediência. quando você educa com a noção de hierarquia e o poder que ela te traz, engessa e a obediência é um reflexo, infelizmente.

    gostei de ver seu olhar sobre o tema, denis. acho bacana demais ver o quanto uma mesma história, contada por diversas pessoas, traz a pessoa junto!

    beijos

  9. GILBERTO FERRAZ disse:

    Excelente. A grande questão é não obedecer cegamente. Os pais, ou qualquer outra pessoa, podem sim, estar errados. Essa capacidade de discernimento é muito difícil de ser ensinada. Envolve temperamento, meio social, acesso educacional, entre outros fatores.
    Parabéns, Denis.

  10. denis rb disse:

    Cristiana,
    Já gostei de sua filha
    🙂

  11. Jay Jay, Nigéria disse:

    A obediência deve ou deveria estar sempre atrelada a princípios morais e parâmetros éticos.

    Normalmente na educação familiar, os princípios e parâmetros ensinados são aqueles que prevalecem na família que está educando e dependendo do ambiente e das necessidades familiares, esses princípios variam de família para família ou de grupo para grupo contendo muitas variáveis, inclusive o componente étnico a que a família pertence.

    Isso tudo para dizer que as crianças devem sim, ser obedientes mas com claros limites impostos pelos princípios morais e parâmetros éticos do seu meio ambiente e grupo sócio-cultural, isso é o que se chama diversidade e o que faz a nossa sociedade ser tão interessante como ela é.

    Não há uma uniformização como a que foi tentada pelo regime soviético e que falhou exatamente por não levar em conta as aspirações individuais de cada pessoa e do seu grupo de origem.

    Obediência não tem que ser necessariamente cega, há de ser crítica também.

  12. jorji disse:

    ” Ter discernimento ou não, eis a questão “, é aí que mora o problema, a grande maioria pensa igual, a grande maioria nasceu para obedecer, não para ser líder, a grande maioria segue o que a maioria pensa, a grande maioria acredita em Deus e Demônio, a grande maioria segue sempre as leis da natureza, a grande maioria acredita em honestidade, a grande maioria é como uma manada , acredita no que os lideres religiosos e politicos falam, falam um montão de besteiras, o que a mamãe e o papai ensinaram é a verdade absoluta, inconcientemente a grande maioria quer é sobreviver, salvar a sua própria pele e quem sabe ser feliz e bem sucedido, a maioria é uma massa de manobra e sempre foi, de religiosos, políticos e militares, assim tem sido milhares de anos.

  13. Dionísio disse:

    Penso que todas aquelas pessoas que obedeceram eram despidas por uma formação moral e princípios sólidos. Já as outras, que são minoritárias, foram embargadas da prática tétrica pela formação que receberam.

  14. Marina disse:

    Que bom ler textos que “incomodam” como esse… Quer lugar mais fácil de encontrar “autômatos” do que ambiente de escritório? Todo mundo sabe uma forma de fazer melhor ou de fazer certo, mas…

  15. Gisele disse:

    Meu filho só tem dois anos e já contesta tudo, acho isso o máximo apesar de outros pessoas falarem que ele é mau educado e birrento.
    Acho que o jeito que a minha mãe me criou está ultrapassadíssimo e ela quer que eu crie o meu filho do mesmo jeito, colocando medo, dizendo que se ele não obedecer “o bichão vai pegar”, isso é super traumatizante para a criança e elas acabam se transformando em adultos inseguros.
    Outro dia deixei o Renato com a minha mãe, e quando voltei ela me contou que ele hávia desobedecido e saiu para o quintal, quando a minha mãe gritou:
    – O bichão vai te pegar!
    ele só olhou pra ela e falou:
    – A Dedele (Mamãe) já matou ele!
    Minha mãe ficou furioza, mas caiu na gargalhada.KKKK

  16. Biba disse:

    Gente eu sou a mãe do Denis, dessa vez tenho que comentar. O Denis até que foi uma criança fácil, nunca briguei seriamente com ele, mas ele sempre só fez o que quis. E argumentava, como argumentava! Sem malcriação, impondo seu ponto de vista. Às vezes vencia pelo cansaço, teimoso que só! Mas um ótimo filho! Desculpa Dê, mas não podia deixar passar. Beijos.

  17. Anouk disse:

    Gostei da Biba, E nao é mae judia; hein?

    Xiii Denis, até que somos parecidos. Sendo assim: Viva a desobediência!

  18. denis rb disse:

    Não é mãe judia, é italiana.
    Aprendi cedo a diferença: as judias (como a minha avó) dizem “se você não comer, eu me mato”. As italianas, como a minha, dizem “se vc não comer eu TE mato”.

  19. Anouk disse:

    Denis,

    O experimento demonstra que frente a uma certa pressao social extrema, o indivíduo abdica da responsabilidade pela acao. O que é muito diferente de conformismo, por exemplo.

    O conformismo é a fonte natural de controle social numa democracia, pelo fato de homogeneizar a sociedade.

    A obediência em formas extremas é a expressao natural dos sistemas fascistas. Ela surge com a suposicao de diferencas nos direitos individuais.

  20. Milena Boniolo disse:

    Adorei o artigo!
    Um herói, um desobediente, um inovador provoca MEGA mudanças ao seu redor!
    Que injeção de ânimo!!!!!!!!!!

  21. Ana Maria disse:

    Milgram deve estar se revirando no tumulo com este artigo. A questao nao eh tao simples. O ponto nao eh que as criancas devem ser desobedientes. Se voce for pesquisar o que ele escreveu, vai descobrir que o caminho para se criar um adulto consciente e etico esta na educacao, no desenvolvimento de um espirito critico e questionador. Sem obediencia a sociedade nao funciona.

  22. Felipe Maddu disse:

    Ana Maria, foi o que ele disse, no espírito crítico. Tudo o que vc disse não vai de encontro ao que foi sugerido no texto.

  23. Carla Mader disse:

    Adorei esse artigo!
    Só para ilustrar:

    “É por isso que se mandam as crianças à escola: não tanto para que aprendam alguma coisa, mas para que se habituem a estar calmas e sentadas e a cumprir escrupulosamente o que se lhes ordena, de modo que depois não pensem mesmo que têm de pôr em prática as suas idéias.” – Immanuel Kant

  24. Lorena Borges disse:

    Um discurso belíssimo frente a práticas nem tanto… Esse é o discurso que a gente escuta a cada esquina: “tenha coragem, faça algo diferente”, mas quando a gente faz, cadê o reconhecimento, cadê as mudanças? É mais fácil obedecer os políticos, mesmo que a gente brade aos quatro ventos que eles são falastrões, não é mesmo? (quem não faz isso, que atire a primeira pedra). É mais fácil obedecer o professor, afinal a nota que ele vai me dar determina se eu vou passar ou não. Até mesmo as revistas da Editora Abril obedecem, não é mesmo Russo? E as atitudes que fogem ao convencional, às normas, são vistas como aberrações, criticadas e colocadas de canto… Abortadas por todos os que bradam “seja corajoso, faça algo diferente”, morrem sem nem ganhar espaço… Algumas se consolidam… só algumas… E, depois de consolidadas, as pessoas apontam e dizem: “como é linda!”… Só um adendo às pesquisas que você citou: ao menos uma delas se refere não apenas à capacidade de Hitler mobilizar milhões de pessoas, mas a dos judeus serem carrascos de seu próprio povo nos campos de concentração… Difícil não obedecer com a arma na cabeça!

  25. Zé disse:

    Obedecendo a esse texto, eu desobedeço (!)

  26. Luna disse:

    Eu sou uma rebelde e aprecio imensamente os rebeldes,aqueles com ideias prorias, mesmo que pensem diferente de mim. Sendo o cerebro o nosso maior presente depois da vida em si mesma, como podemos nos humildemente deixar que outros decidam nossas vidas sem ao menos um segundo pensamento, uma pequena analise. Assim, a maioria das pessoas segue em frente quase como automatos em “quiet desperation” como diria Thoreau. Viva a desobediencia!!! Principalmente aquela que e’ resultado de ideias criativas e inovadoras, caracteristicas de pessoas inteligentes.

  27. Marcos Filho disse:

    Difícil mesmo, pro jovem, é desobedecer à essa onda de rebeldia fajuta. A maioria acaba contaminada, sem se dar ao traballho de pensar por conta própria, achando que todo o resto é “alienado”. Eu hein?!

  28. Felipe Maddu disse:

    O problema é a passividade, precisamos de “pílulas gregas”.

  29. Anouk disse:

    Pais como bom exemplo. Esta é a questao.

    As criancas observam o comportamento dos pais. A memória é um fator importantíssimo no desenvolvimento das criancas. Se os pais sao impulsivos, hostis à críticas, com tendências a discriminar pessoas por causa de raca, religiao, idéias políticas, posicao social, etc e tal, também nao podem esperar dos filhos ponderacao e discernimento.

  30. denis rb disse:

    Anouk, e complemento:
    Entre as coisas que crianças aprendem pelo exemplo dos pais, o caso mais extremo é o dos medos. Medos são registrados no cérebro numa pequena região chamada amigdala. A amigdala é uma área cerebral primitiva, simples. A lógica da amigdala é bem diferente da lógica do córtex (aquelas minhoconas do lado de fora do cérebro). O córtex é o lugar do raciocínio complexo, sofisticado, do pensamento racional, lá os pensamentos são longamente processados. Já a amigdala grava sinais mais simples, e processa as coisas com muita rapidez. É por isso que, quando você toma um susto de alguém, seu corpo gela e seu coração dispara antes mesmo de você ter tempo de pensar no que é.
    Pois então: medos dos pais são transmitidos de maneira muito poderosa para os filhos. Isso tem razão evolutiva (filhos aprendem a evitar cobras, fogo e onças vendo o pavor nos olhos da mãe, e isso é bom). Mas significa que os pais têm um poder enorme de tornar seus filhos medrosos. Pais que morrem de pavor de autoridade, que insistem que seus filhos não chamem atenção, não tenham coragem, não se exponham, têm uma chance enorme de incutir esses pavores na geração seguinte.

  31. Anouk disse:

    Perfeito, Denis.

    Tema delicioso; né?

    Gostei das minhocas do lado de fora do cérebro.

  32. hacs disse:

    Finalmente, a revisao.

    Abs.

  33. Desconhecida disse:

    Olá! Gostaria de segui-lo no Twitter. Não sei como fazê-lo. É mais prático, para mim. Do Twitter passo para o Orkut. Já perdi alguns assuntos que gostaria de ler. Com Rafael Sbarai (desculpe-me se errei o nome), estou bastante cansada. Enfim, com ele deu certo. Agradeço. Um abraço. Bom domingo.

  34. Breno disse:

    Obediência e disciplina são virtudes tais quais às que referem a diferenciar o certo e o errado, ter senso crítico, coragem, reflexão, etc. É através da combinação de virtudes que individualmente e coletivamente avançamos em cidadania.

    Dois pontos que gostaria de destacar no texto – O primeiro é de mera questão semântica já que entendo a obediência como virtude – bastando entender o quê e a quem devemos obedecer mais. Meu segundo ponto é relacionado à formação escolar e participação do professor nesse processo.

    (1) pouco se observa que as pessoas que OBEDECIAM ao “chefe” estavam ao mesmo tempo DESOBECEDENDO aos seus princípios maiores (o de não maltrarar, matar, roubar, etc). Poderíamos ter acabado o texto – entendendo que as crianças boas são as que são capazes de continuar obedecendo aos seus princípios básicos, não é?

    (2) Há pouca referência à escola e ao professor como motores ao aprendizado da ética e cidadania. Associada à família e círculo de amizades, a escola é o ambiente onde a criança aprende a fazer escolhas baseadas em princípios universais. Hoje, pouco se explora isso na escola e até mesmo na universidade. Enquanto professores não forem preparados para oferecer conhecimento e formas de apoiar escolhas mais cidadãs e justas, a tendência natural é usar a hierarquia e a obediência como justificativas e desculpas para fazer algo que já se sabe que é errado.

    Nos EUA, Reino Unido, Austrália, Irlanda e Nova Zelândia há um site onde os alunos discutem a performance de seus professores – http://www.ratemyteachers.com/ Esse site já se tornou bastante relevante para avaliação de escolas e professores.

    Aqui no Brasil, lançamos o http://www.avezdoaluno.com.br, que infelizmente ainda não decolou. o AvezdoAluno é um ambiente onde podemos trazer essas questões sobre escola, aprendizado, ética, professor – tendo a participação de quem mais importa no processo: os alunos. Ajudem a divulgar o http://www.avezdoaluno.com.br !!!

    Forte abraço,
    Breno
    http://www.thetoptips.com.br

  35. mariângela disse:

    ADOREI!!!! Eu sempre preferi educar minhas duas meninas com este olhar crítico sobre as decisões de professores, diretores e outros colegas. NÃO É FÁCIL, pois ao menor sinal de questionamento, estas autoridades se dizem ofendidas e confundem pessoas críticas com má educação.

  36. Danielle disse:

    Mariangela,

    Tivemos os mesmos problemas que voce. Com o agravante das nossas filhas terem estudado ate a a serie em escolas publicas, as do tipo comunzinhas mesmo (nao as escolas modelo, excecoes). Ja tive que levar a minha mais nova, durante 6 meses, no psicologo, porque a VACA da diretora (desculpe a palavra, mas eh isso que essa mulher eh na realidade), achava a minha filha cacula muito revoltada e anti-autoridade. A unica coisa que criamos nelas eh o nao aceitar ordens sem explicacao, sem razao. Somente isso. Cansamos de brigar com diretor.

    Aqui nos EUA, elas floresceram. A mais velha, agora com 15 anos, era uma crianca bullied na escola particular em que estudava em SP (particular, mas proximo das drogas de escola publica da regiao, Butanta). Aqui, ela eh respeitada por ser nerd, e manda aa merda os bulliers (que sempre existem). Aqui se aceita mais argumentacao nas criancas.

    Abs,
    Danielle

  37. Elisangela disse:

    Excelente o texto. É um alerta para pais e educadores trabalharem nas crianças o conhecimento, o discernimento , de forma que estas cresçam amadurecidas, tenham atitude e senso crítico.
    Parabéns. Abçs,
    Elisangela

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: