De quem é a rua?

Alvo?

Passa carro, passa carro, passa carro, passa carro, passa carro, passa carro, passa carro, passa carro. Abre pro pedestre, corre, 2, 1, 0. Passa carro, passa carro…

Saiu hoje na Folha que o pedestre tem em média 15 segundos para atravessar uma avenida. Está muito claro que as ruas são dos carros. Pedestres podem usá-las comedidamente, mas apenas se prometerem não atrapalhar.

15 segundos para atravessar significa que, ainda que você esteja muito atento e coloque o pé na rua no mesmo segundo em que o sinal abrir, terá que andar a 1,2 m/s para chegar do outro lado antes que o sinal abra – 50% mais rápido que a dita “velocidade de caminhada” (que é 0,8 m/s). Ou seja, há que correr. O pessoal da Companhia de Engenharia de Tráfego diz que é “mais que suficiente”. Verdade. Dá tempo. Desde que o sujeito esteja atento. Desde que ele se mova rápido. Desde que o motorista respeite o sinal. O que nem sempre acontece.

Em 2009, o trânsito de São Paulo matou 1.382 pessoas. Só 222 eram motoristas. 671 eram pedestres. A maioria deles morreu em cima da faixa de pedestres. 30% das vítimas eram idosos, cuja velocidade é menor. Morre mais gente no trânsito do que por homicídio na cidade. Homicídios tendem a se concentrar na população de jovens adultos homens. Já as mortes no trânsito costumam privilegiar os mais fracos: idosos e crianças entre eles.

A gente está cansado de ouvir essas estatísticas. Cansado de ouvir comparações estapafúrdias. Que o trânsito de São Paulo mata mais em 4 meses do que toda a Guerra do Golfo matou nas forças ocidentais. Que mata mais do que o conflito da Palestina. Mata mais do que malária e dengue somados matam no Brasil inteiro.

Levando-se tudo isso em conta, não é curioso que a gente continue achando que o problema do trânsito é apenas sua lentidão? Os jornais diários e as revistas (incluindo a Vejinha) sempre fazem matérias sobre os buracos no asfalto, mas raramente comentam os buracos nas calçadas. Os projetos da prefeitura visam a aumentar o fluxo de carros. Só.

A prefeitura de São Paulo acabou de anunciar que, a partir de 2012, vai acabar com as vagas de estacionamento no meio fio. Motoristas vão ter que parar em estacionamentos fechados. Para quê? Para aumentar o fluxo de carros.

Ok, é óbvio que os carros precisam andar. Mas será que o foco não deveria ser diminuir a quantidade de carros? E se o prefeitura pegasse um quinto do espaço liberado no meio fio e criasse ciclovias? Isso faria as ruas infinitamente mais seguras para ciclistas. Certamente haveria uma explosão das bicicletas na cidade e o número de carros diminuiria (hoje, com o caos atual, já há mais gente se deslocando de bicicleta do que de táxi).

Tenho ouvido sugestões ainda mais criativas. Por exemplo: e se a prefeitura desse descontos no preço do aluguel de quem morar perto do trabalho? Assistencialismo!, já ouço berrarem. Na verdade não: é um jeito de economizar dinheiro público. Investir em diminuir os deslocamentos na cidade sai mais barato do que construir metrô.

E, ainda que não saísse… Por que é que o trânsito, que mata mais brasileiros do que a aids, a diarreia ou o câncer de pulmão, não vira prioridade para a saúde pública? Como é que o carro, que mata mais que o revólver, não tem seu uso controlado?

Foto: yuri__lima (Flickr / CC)

109 comentários
  1. Marcelo disse:

    Denis, vc sabe que apoio a maioria (senão todas) as suas idéias para um futuro sustentável. Adorei o texto, vc tem razão, o uso de carros deve ser desestimulado. Mas não gostaria de viver num futuro onde apenas os ricos, que podem pagar pedágios caros e outras restrições que visam o bolso, terão o privilégio de usar carros enquanto o resto se espreme em onibus lotados. Sou um tanto preguiçoso e as distancias e o calor aqui no Recife não incentivam o uso de bicicletas ou caminhadas…

    Enfim, eu quero poder usar carros, mas não quero poluir o meio ambiente. Onde estão os carros elétricos? Pq nunca se ouve falar deles? As grandes indústrias do setor não têm interesse em torná-los populares? Talvez devessemos começar um movimento, tentar aprovar uma lei que obrigue as empresas do setor a investir no desenvolvimento e barateamento deste tipo de transporte, com prazos e metas a serem cumpridas e tal.

    Alguma coisa precisa ser feita, a quantidade de carros vem aumentando aceleradamente e, com o crescimento dos países emergentes, a tendencia é piorar muito. Acho quase impossível diminuir o número de carros nas ruas, mas sem dúvida é perfeitamente possível torná-los não poluentes. Só precisamos contrariar os interesses da indústria do petróleo… facinho, facinho…

  2. denis rb disse:

    Oi Marcelo,
    Acho que o mercado vai dar uma resposta a esse problema – de certa maneira já está dando.
    À medida em que se difundir a consciência de que dirigir um carro acarreta um custo social, ocupa espaço público, mata, atrapalha os outros, e em que aumentar a pressão social por cobrar por esses bens públicos, a tendência é que comecem a surgir carros menores, menos poluentes, menos perigosos, menos barulhentos. Enfim, menos nocivos. E as pessoas que optarem por esses carros não precisarão pagar como os motoristas que continuarem dirigindo tanques de guerra.
    Num certo sentido, novos modelos como o Cinquecento da Fiat, o Smart e o Mini Cooper já refletem essa tendência. Mas são extorsivamente caros, em parte porque incluem no preço o benefício simbólico de fazer o motorista se sentir à frente dos outros. O mesmo acontece com os carros elétricos e híbridos, que ainda são tão caros a ponto de as montadoras nem cogitarem lançar no Brasil, tão baixo o nível de conscientização aqui (ninguém aceita pagar tão mais por um benefício ambiental). (Tive a chance de dirigir um Prius, o híbrido da Toyota, ano passado. Uau. Foi o mais perto que já cheguei de ser um Jetson.)

  3. Lena disse:

    Daqui a um tempo as propagandas de carro também trarão aquelas mensagens tipo: “andar de carro faz mal para a saúde, a sua e a dos outros”. Brincadeiras a parte, concordo com o Marcelo no sentido de que enquanto o poder público não viabilizar as alternativas para o uso do carro com seriedade, ninguém vai deixá-lo, até que tudo pare de vez. Tem uma avenida de 4 pistas perto da minha casa, que para atravessar aproveitando os 4 sinais abertos falta pouco para eu me posicionar como os atletas corredores de olimpíadas e tomar um impulso no momento exato em que o sinal(em Minas falamos sinal) de pedestres abre.

  4. Mariana disse:

    Marcelo, a questão não se resume aos carros serem menos poluentes. Ainda que toda a frota de carros fosse elétrica, ou seja, não emitisse diretamente CO2, continuaríamos com inúmeros problemas urbanos: congestionamentos, atropelamentos, ocupação prioritária do espaço urbano pelos automóveis.

    Seria ótimo que aqui em Recife tivéssemos, por exemplo, o VLT (veículo leve sobre trilhos – o bondinho moderno). Lindo, limpo, com ar condicionado, poderia convencer quem tem carro a deixá-lo em casa.

  5. Palmas disse:

    Menos carros mais bicicletas
    Menos jornalistas miopes mais Denis Russo.

    @opalmas

  6. Marcelo disse:

    Sim, sem dúvida Mariana, a poluição é só um dos muitos problemas que os carros acarretam. Mesmo assim eu sou um tanto otimista, creio que todos os problemas citados podem ser resolvidos sem tanta dificuldade. Como? Eu aposto na tecnologia.

    Veja só, congestionamentos, atropelamentos, ocupação prioritária do espaço urbano pelos automóveis, podem ser resolvidos com carros menores e uma coisa que não sei se já estão desenvolvendo por aí (se não estão deveriam estar): carros que se auto-dirigem. Parece coisa de um futuro distante né? Mas na verdade as tecnologias necessárias para se produzir um desses já existem: sensores, GPS, computadores ligados ao sistema de direção dos carros. Imagine-só! A lei seca não terá mais utilidade quando os carros puderem “se recusar” a ser guiados por motoristas alcoolizados ou talvez possam até mesmo tomar o controle do veículo quando percebrem a iminência de algum acidente. Eu creio mesmo ser possível zerar acidentes no trânsito quando tecnologias assim virarem realidade.

  7. Leticia disse:

    Talvez um investimento sério em ônibus já ajudasse tb – ônibus com qualidade no embarque e baldeações (vide Curitiba); ônibus em quantidade (quem tem carro tem coragem de entrar num onibus entre as 17 e 19hs em SP?); e tb ônibus diferenciados, tipo com ar-condicionado – mesmo com uma tarifa maior outras classes sociais pegariam ônibus sim, pela promessa de rapidez, sem stress ao volante ou para achar vagas. O que não dá é tirar vagas de estacinamento, fazer rodízio, ets, e o transporte coletivo continuar o lixo que está!

  8. André Pasqualini disse:

    Marcelo, invariavelmente o carro será sempre de uso de quem pode mais. Se você não gosta de ônibus lotado, tem que lutar por ônibus em melhores condições. Dá nojo ver o orgulho com que algumas pessoas da classe média (nesse caso classe “mérdia”) falam que andaram de ônibus em Londres, em Paris e aqui no Brasil nem cogitam essa possibilidade.

    Qual a diferença do Brasil para esses paises europeus onde é possível andar de ônibus? A unica diferença é que esses paises dão prioridade ao transporte público e dificultam ao máximo a vida de quem tem carro, taxando de tudo que é jeito, acabando com estacionamentos gratuitos e por aí vai. Já no Brasil dão prioridade ao carro e fazem com que o transporte público seja ridiculo para pessoas como você, optarem por um carro para benefícios das montadoras e das distribuidoras de combustíveis.

    Se a maioria das pessoas como você questionassem essa opção opção absurda pelo privilégio ao carro e fizesse como os europeus, com certeza teriamos a opção de abrir mão do carro.

  9. André Pasqualini disse:

    Marcelo, você está assistindo muito Fantástico. Toda essa tecnologia já existe e nenhuma cidade séria, que já resolveu o seu problema de trânsito, vai adotar qualquer medida que estimule o transporte individual. Os americanos podem até ser, mas teremos que escolher o modelo de cidade que queremos viver, sem contar o espaço que termos que consumir.

    Entre o modelo Europeu ou Japonês de cidade e o Americano, prefiro o primeiro, não quero na minha cidade monotrilhos espalhados por tudo que é canto com carros passando na minha cabeça. Você quer isso para você? Já imaginou abrir a janela da sua casa, de frente ao mar e ver uma Freeway onde você via o mar?

  10. Marcelo disse:

    Oooa… calma aí André, Não se precipite assim, vc não leu o que escrevi direito? Eu concordei com a necessidade de diminuir a quantidade de carros nas ruas, se fosse por mim Recife já teria rodízio. E disse que quero o carro elétrico, menor , mais leve, não poluente, silencioso e mais barato que os carros atuais grandes, sujos e barulhentos.
    Eu raramente tenho a oportunidade de dirigir um carro. Uso praticamente apenas transporte público para me locomover, chego a pegar 5 linhas diferentes em um só dia!! Por isso reclamo do transporte público. Trabalho e estudo cara! E diariamente eu perco mais de 3 preciosas preciosas horas da minha vida!!
    Vc é muito precipitado, leia com mais cuidado o que as pessoas escrevem.

  11. ricardo galvão disse:

    10!
    concordo com cada palavra….
    ACORDA BRASIL….

  12. Gabriel disse:

    Denis, eu tenho algumas dúvidas:
    1) esses estacionamentos serão criados ou já existem?

    2) Se eu não me engano, eu li que garagens de edifícios serão utilizadas. A informação procede?

    3) E, por último, esses estacionamentos fechados serão gratuitos ou haverá uma taxa para usá-los?

    Cara, se eles forem estacionamentos privados, não vai sair barato utilizá-los, servindo como uma espécie de “pedágio alternativo” já que a ideia dos pedágios nas marginais não foi pra frente. Ou seja, vai restringir, sim, a qtde de automoveis que circulam pelas vias da cidade. E, ao mesmo tempo, o governo apresenta a alternativa da expansão do metrô e reforma na CPTM.

    Eu acho que o que está sendo feito é certíssimo. Ciclovias/ciclofaixas seriam lindas, mas realmente há demanda pra isso? Eu conheço muita gente em SP, mas não lembro de ninguem que utilize as bikes pra se locomover pela cidade.

    Valeu pelo post. Abraço!

  13. Anouk disse:

    Denis,

    Concordo com você.

    Quanto aos carros elétricos, no entanto, qual seria a energia usada para fabricá-los e carregá-los?.

  14. Willian Cruz disse:

    Denis, parabéns mais uma vez pelo seu texto, extremamente lúcido e verdadeiro. A sociedade se acostumou tanto com o “mal necessário” que até mortes na família já são tratadas como fatalidades, sem se perceber que é um reflexo do caos. Aí aparece alguém como você gritando que o rei está nu e ninguém acredita. Ora, todo mundo sabe que a roupa dele é assim, quero comprar uma também, em 50 meses sem IPI…

  15. Marcelo disse:

    Anouk,
    Temos várias alternativas só esperando investimento: solar, eólica, maremotriz, hidrelétrica, nuclear… são muitas opções.

  16. Felipe Maddu disse:

    A ideia não é outra senão CONSCIENTIZAÇÃO & EDUCAÇÃO. As pessoas tem que mudar a mentalidade cega e jogada de joelho à cultura do carro. Fazer isso não é fácil e de quebra a prefeitura estimula esse movimento motorizado, então fica difícil. A população tem que ter estímuloe acho que o que deve ser feito é fundir cada vez mais bikeXmetrô, empresas deveriam estimular o uso de bikes, ter estacionamento para elas nos lugares públicos. Sem falar nas ciclofaixas(vias), mas isso sem esquecer de ter um planejamento, o tal do grid de post´s e post´s atrás. Mas acima de tudo uma ciclofaixa de domingo, para passeio e outra do lado da marginal, também para passeio, não vão resolver 000000000,0000% do problema. Que é espacial e mental. Bicicleta como MEIO-DE-TRANSPORTE já!

  17. Sofia disse:

    Educaçao, tudo é educar e conscientizar ,se as pessoas analisassem a intençao por tras de cada atitude que toma acredito q as coisas melhorariam mas nossa sociedade estimula o olhar para o outro para fora e assim como zumbis vamos vivemos, a maioria tem ate medo do silencio , vai q eu me ouça?

  18. denis rb disse:

    Gabriel,
    Quanto a não haver demanda por uma rede cicloviária em São Paulo.
    Hoje, na cidade, ocorrem 147.107 deslocamentos de bicicleta por dia. Isso é quase o dobro do total de deslocamentos de táxi, por exemplo (78.357 – os números são de 2007). Leve em conta que há uma excelente infraestrutura para os táxis na cidade – pontos em todos os bairros, uso compartilhado dos corredores de ônibus. Já a infraestrutura cicloviária é de país africano, de quarto mundo. Quem pedala em São Paulo sabe que está arriscando a vida (morre um ciclista por semana na cidade). Acho incrível que, ainda assim, haja mais paulistanos andando de bicicleta que de táxi. E o número está crescendo muito rápido. Eram 45.157 deslocamentos de bicicleta em 1987 – portanto um crescimento de 225% em 20 anos, enquanto os deslocamentos de carros e os de ônibus cresceram 15% no mesmo período.
    Acho que dizer que não devemos fazer ciclofaixas porque não há demanda é inverter a discussão. Haverá muito mais demanda se houver infraestrutura. Interessa à cidade incentivar esse tipo de transporte. Mais bicicletas significaria menos poluição, menos gastos com saúde pública, menos ilhas de calor e portanto menos tempestades e enchentes, menos trânsito, menos obesidade, menos doenças cardíacas, menos diabetes. Enfim, cabe à prefeitura estimular esse tipo de transporte, em vez de permanecer no eterno trabalho de enxugamento de gelo que é atender as demandas dos motoristas de carros.
    (Para quem gosta de estatísticas, tirei todas estas do ótimo site São Paulo em Movimento, da prefeitura: http://www9.prefeitura.sp.gov.br/spMovimento/index.php )

  19. denis rb disse:

    Gabriel,
    Respondendo a suas perguntas:
    Os estacionamentos serão criados. Serão criadas 32.000 novas vagas de estacionamento em prédios privados. As vagas não serão gratuitas.

  20. Anouk disse:

    Oh Marcelo, você é tao bonitinho….

  21. denis rb disse:

    Anouk,
    Fabricar um carro elétrico dispende tanta energia quanto fabricar qualquer outro tipo de carro. Abastecê-lo causa sim um impacto consideravelmente menor do que encher o tanque de gasolina, mesmo em países desenvolvidos, onde a matriz energética é dependente de termoelétricas (e portanto o carro, no final das contas, também é indiretamente movido à queima de combustíveis fósseis).

  22. Green Yolk disse:

    O setor automobilístico é um filão da economia brasileira. Ceder lucros a troco de diminuir a frota e priorizar o pedestre, penso, é quase uma impossibilidade para um país em desenvolvimento, e é aí onde está o erro.

  23. denis rb disse:

    Só esclarecendo uma coisa. Não estou dizendo que todo o espaço hoje ocupado por carros estacionados deveria ser convertido em ciclofaixas. Só precisaríamos que houvesse faixas a cada quatro ou cinco ruas (por isso eu disse no texto que precisamos de um quinto desse espaço para as bicicletas). Isso seria suficiente para criar uma rede abrangente, comparável à de uma cidade decente.

  24. denis rb disse:

    Green Yolk,
    Você toca num ponto chave. E tem razão: qualquer iniciativa que derrube a venda de carros pode afetar muito a economia do país. É fácil entender por quê. Carros são o segundo bem mais caro na vida das pessoas (depois da casa), muito à frente do terceiro. Nenhuma indústria de bem de consumo movimenta tanto dinheiro. Portanto, a rigor, investir maciçamente em transporte público pode até ter o efeito imediato de esfriar a economia (na medida em que carros deixem de ser uma necessidade vital). É por isso que esse assunto é tão delicado e falar disso gera tanta resistência.

    Acontece que a “civilização do carro” está esgotada, atingiu o seu limite. Vivemos num mundo em aquecimento, com espaços públicos degradados, que enfrenta epidemias de obesidade, doenças cardíacas e diabetes, além de uma grande instabilidade geopolítica nos países produtores de óleo. Todos esses males tão distintos estão em maior ou menor grau ligados à centralidade do carro na economia e, portanto, na sociedade. Portanto: concordo que não seja fácil livrarmo-nos da dependência do carro. Mas para mim está claro que precisamos fazer isso. (Assim como não é fácil parar de fumar, o que não impede a constatação de que não parar é quase suicídio.)

  25. Marcelo disse:

    Sou mesmo…rsrsrsrs…

  26. Gabriel disse:

    Ok, Denis, obrigado pelas respostas. Eu não sou contra a criação de ciclovias e ciclofaixas, mas acho que elas sozinhas não são a solução.

    “Mais bicicletas significaria menos poluição, menos gastos com saúde pública, menos ilhas de calor e portanto menos tempestades e enchentes, menos trânsito, menos obesidade, menos doenças cardíacas, menos diabetes.”

    Mas a utilização de metrô, trem e ônibus também não reduziriam esses problemas? Pense na senhora da foto e nas pessoas com algum tipo de deficiência… Elas PRECISAM do carro ou do transporte coletivo.

    Além disso, essa é a primeira de uma série de medidas que podem ser tomadas dentro da cidade de São Paulo. Colocação de radares para diminuir a velocidade dos carros, criação de uma faixa para os automóveis com mais de uma pessoa dentro, respeito à faixa de pedestre (parece simples, mas deu certo em Brasília), assim como as tais ciclovias de que vc tanto fala.

    Enfim, só estou dizendo que o Kassab e o Governo do Estado têm razão no que estão fazendo, e que as políticas de mobilidade urbana estão no caminho certo.

  27. Gabriel disse:

    E, só pra complementar, não é fácil andar de bike em São Paulo, né… As distâncias, as ladeiras, o frio que faz no inverno, as chuvas que sempre caem no verão, a poluição.

    Por mais que a poluição diminua, continuaremos com as ladeiras, as chuvas e o frio. A única cidade que eu morei fora do Brasil foi Buenos Aires. Lá o clima é bom, a cidade é completamente plana e, além disso, eles têm (mesmo que pouco) avenidas largas que contam com um espaço grande para estacionar, justamente para que as bikes e os carrinhos da polícia possam circular livremente.

    Mas, ainda assim, eu não vi muitos ciclistas… O que eu vi foram muitos, muitos pedestres, bastante gente utilizando o taxi, além de ônibus, metrôs e trens sempre lotados.

    Ou seja, antes de sairmos falando para ocuparmos as ruas com bicicletas, devemos nos atentar para essas mesmas estatísticas e comprovar se isso vai dar certo, ou se vai contribuir apenas para mais trânsito, stress e doenças cardíacas. O aumento no uso de ônibus foi menor do que o de bicicletas… E aí, quais foram as melhorias nos ônibus, nos pontos de ônibus, no valor da tarifa e no tempo de deslocamento? E os taxis, vc já reparou no absurdo que é a corrida em SP?

  28. denis rb disse:

    Gabriel,
    Talvez a melhor grande cidade das Américas para se pedalar seja San Francisco, nos EUA. Perto de San Francisco, São Paulo é plana. Lá é muito mais montanhoso, e os morros são muito mais íngremes. Essa história de que São Paulo não é boa para pedalar porque tem muita subida é uma lenda. O Eduardo Jorge que diz: “quem diz isso não pedala desde os anos 80. Eles não sabem qe as bicicletas de hoje em dia têm marcha”. Na verdade, muitos ciclistas preferem terrenos íngremes a terrenos planos. Assim se faz mais exercício. E subidas têm uma característica: elas sempre são seguidas de uma descida.
    Quanto às distâncias longas: é por isso que bicicletas precisam ser vistas como mais uma modalidade de transporte que pode ser integrada às outras. Nos EUA, pode-se levar bicicletas dentro de trens e metrôs ou colocá-las em racks na frente dos ônibus (São Paulo começou a experimentar com esses ônibus adaptados). Aqui o pouco que se faz é feito como se fosse uma concessão. Deixam estacionar a bicicleta na estação de metrô e acham que isso é muito. Não é. É muito pouco.
    Quanto ao frio de SP… Poxa… As melhores cidades do mundo para pedalar são Amsterdam, Copenhague, Portland, San Francisco, Chicago, Nova York… São Paulo é fria?

  29. denis rb disse:

    Gabriel,
    Só para esclarecer:
    Concordo com a administração Kassab no que se refere a tirar os carros estacionados do meio-fio. Tá certo. Estacionar o carro na rua é se apropriar privadamente do espaço público, sem pagar nada.
    Só que tenho a sensação de que a administração pretende pegar 100% desse espaço e entregá-lo à circulação de carros. Aí tá errado. Porque significa não aproveitar um espaço ganho para tentar mudar a lógica da cidade, que está equivocada desde os anos 60.
    Não estou dizendo que parte desse espaço não possa virar caminho de carros. Pode. Mas não custa separar 20% dessas vias para as bicicletas. 30, 40, 50% para ônibus. Aumentar espaço de circulação de carros, simplesmente, é enxugar gelo.

  30. Felipe Maddu disse:

    “Enfim, só estou dizendo que o Kassab e o Governo do Estado têm razão no que estão fazendo, e que as políticas de mobilidade urbana estão no caminho certo”. Forçou essa hein Gabriel eauhaeuhae Tá a mesma coisa de sempre, só incentivo ao carro e a mobilidade(porém do automóvel, não do ser humano, independente de meio-de-transporte). Vide o ridículo fim aos fretados. Deveria ter mais fretados ainda, não jogá-los há 100 km do trabalho. E seus amigos tão por fora, tem muita gente aderindo a bike. Para você ver como é a mobilidade, eu consigo chegar em 15 min da Pompeia até a Barra Funda, em horário de pico, passo fácil os carros e ônibus nem se fala, eu to na faculdade e o ônibus nem passou no ponto.

  31. denis rb disse:

    Outra coisa, Gabriel:
    Vc pergunta que progresso foi feito no transporte público de São Paulo nos últimos 20 anos. Continua longe do ideal, mas a verdade é que houve bastante progresso sim: bilhete único, corredores de ônibus, agora a expansão do metrô. Enquanto isso, o progresso na rede cicloviária foi ridículo: criou-se uma ciclovia de verdade (a da Radial Leste), uma ideia promissora que por enquanto é inútil (a ciclovia da Marginal) e algumas iniciativas dispersas, incoerentes e até contraprodutivas (como a piada da ciclofaixa de domingo). Nada de rede. Nada de sistema.
    Não acho também que bicicletas sozinhas sejam a solução. Acho que precisamos de um sistema diverso e integrado, com opções para vários tipos de usuários. E não conheco nenhuma cidade do mundo que tenha conseguido isso com sucesso prescindindo da bicicleta.
    Amsterdam, a cidade grande mais ciclística do mundo, faz 50% de seus deslocamentos de bicicleta. São Paulo faz 1% (contra 50% de carro). Me parece que ainda há o que melhorar.

  32. Marcos Filho disse:

    Caros,

    O mercado automobilístico é mesmo o grande “motor” (desculpem o trocadilho) da economia mundial. Basta ver que as grandes inovações organizacionais e comerciais surgiram a partir desse mercado. O Japão, por exemplo, deve, em grande parte, a recuperação de sua indústria pós-guerra ao modelo Toyota de produção. Desse jeito, fica mesmo difícil contrariar um mercado tão poderoso.
    No entanto, devemos levar em conta outras variáveis nessa conta: “o transporte individual (automóveis e motocicletas) emite 4,9 vezes mais poluentes e 1,8 vezes o volume de CO2 do que os meios públicos de transporte. O custo da poluição para a sociedade é de cerca de R$ 4,2 bilhões anual, sendo o transporte individual responsável por 65% deste valor” (Ministério das Cidades, 2006).
    Claro que “sentir” os impactos do custo social dos veículos automotivos é bem mais difícil que mensurar o custo real de uma “freada” (de novo o trocadilho) na economia. É aí que o caldo entorna! Desestimular o uso de carros é o mesmo que “estimular” o desemprego imediato e outras mazelas decorrentes de uma queda no consumo.

    Mas, sinceramente, não vejo um cenário tão terrível quanto o que pintam.

    A indústria automobilística tem por característica também a facilidade de adaptação. Some-se a isso o fato que a redução do uso de automóveis não aconteceria da noite para o dia e seria acompanhada, como bem evidenciou o Marcelo (será que é o mesmo da discussão do “estilo gafanhoto”: questão indígena e “ruralistas”???), de diversos avanços tecnológicos, que poderiam ou ser adicionados à grande indústria ou mitigar as perdas econômicas no médio e longo prazo.
    Os dois problemas que vejo para essas medidas são:
    1) A “indústria automobilística” não é um ente com razão, como algumas pessoas parecem acreditar. Não há homegeneidade e cada indústria, ainda que multinacional e de grande alcance estratégico, tem suas próprias necessidades e características. Desse modo, ao passo que parte da indústria estará preparada para um entrave como esses, que surtiria impacto a médio prazo, outra parte estaria vulnerável, e, bem… quebraria.
    2) Medidas que mitiguem o transporte individual passa por um necessário estado forte. Sou liberal de carteirinha, hehehe. Assim, teríamos que ter governos como o da Dinamarca, por exemplo, com grande participação na economia e poder de transformação imediato. Os impostos, que por aqui já são exorbitantes, aumentariam. Ai, ai…

    A questão é muito, mas muito complicada mesmo, Denis. Mas concordo com você: vale mesmo ficar escondendo o problema com a eterna desculpa de impactar a economia? Fui o primeiro a criticar seu texto, no que dizia respeito à redução do crescimento econômico, o post “estilo gafanhoto”. Mas não concordo que reduzir a utilização de automóveis vá, necessariamente, quebrar a economia global. É preciso estudo apurado por parte de governantes e acâdemicos para ver até que ponto as medidas são viáveis, economicamente e socialmente falando. Mas cadê esse “ente” para reger esse movimento todo???

  33. Gabriel disse:

    Denis, quando vc fala que São Paulo é uma cidade legal para se pedalar, essa é a sua opinião (de um ciclista, ou ciclo-ativista, como preferir). O ideal seria perguntar praqueles que não andam de bike e saber se eles não o fazem por falta de ciclovias ou se eles não têm interesse/capacidade fisica mesmo, na minha opinião. Pra mim, pelo menos, SP não é uma cidade legal para andar de bike, e ninguém vai me convencer do contrário.

    “Vc pergunta que progresso foi feito no transporte público de São Paulo nos últimos 20 anos.” Não, Denis, eu pergunto sobre os ÔNIBUS e os táxis, especificamente: “E aí, quais foram as melhorias nos ônibus, nos pontos de ônibus, no valor da tarifa e no tempo de deslocamento? E os taxis, vc já reparou no absurdo que é a corrida em SP?”

    Você tem razão, o Bilhete Único foi uma invenção legal, mas se vc pegar um editorial da Folha dos ultimos dias (desculpe a imprecisão), vc vai reparar que a velocidade média desses ônibus continua a mesma.

  34. denis rb disse:

    Gabriel,
    Os ônibus melhoraram demais, em especial os que passam nos corredores. Eu sei porque uso. A velocidade média não aumentou, verdade, em grande medida porque a quantidade de carros nas ruas cresceu demais, diminuindo os espaços (no mesmo período, a velocidade média dos carros caiu bastante).

    Minha perspectiva é a de um ciclista sim. Um ciclista que já pedalou bastante em várias cidades do mundo – São Paulo, Rio, Goiânia, Nova York, San Francisco, Paris, Barcelona, Phnom Pen, Ho Chi Min, Hanoi, Santiago, Berkeley… E que portanto sabe a diferença entre pedalar num lugar sem infraestrutura, no qual pensa-se constantemente na morte, e num lugar com infraestrutura, no qual o caminho para o trabalho é um imenso prazer. Eu sempre pedalei, e sempre estive cercado de não-ciclistas. Pela mera convivência, assisti a dezenas de amigos meus se converterem e adotarem a bicicleta, não por ativismo, não por consciência ambiental, mas simplesmene porque a vida fica melhor e mais barata. Eu sei do que estou falando: construa a infraestrutura e eles virão! Aconteceu assim no mundo inteiro, inclusive em cidades não tão diferentes de São Paulo, como Bogotá e México. São Paulo é perfeita para bicicletas.

  35. Marcelo disse:

    Sim Marcos Filho, sou eu mesmo… Gostei deste seu último post, só não concordo com a teoria liberal no que se refere ao estado mínimo, não acho que resolva o problema. Sim, eu sei, o estado brasileiro já tem uma carga tributária pesadíssima, comparável a da Dinamarca e outros países que seguiram as idéias Keynesianas, mas os serviços que ele oferece ainda estão muito longe do padrão dinamarquês. E o motivo disto se resume em uma palavra: corrupção, este é o principal mal que devemos combater se quisermos viver em cidades mais bem projetadas.

  36. Leonardo Xavier disse:

    Eu realmente não conheço São Paulo e por enquanto no Recife esses problemas de trânsito ainda são um pouco menores e a infra-estrutura para ciclovias é ainda menor. Eu acho que a unica iniciativa que eu vi em prol das bicicletas foi permitir que as pessoas carregassem as bicicletas em vagões específicos do metro. E eu realmente tenho visto que a maioria das pessoas que tem condições financeiras acabam optando pelo automóvel como meio de transporte devido a má qualidade do sistema público de transporte. Os ônibus vivem cheios no horário de maior demanda e a maior parte deles não possui ar condicionado e com o calor do nordeste já dá para imaginar.

    No entanto, nos últimos dois anos minhas atribuições me permitem ter um horário mais flexível e eu uso ônibus para ir trabalhar fora do horário de maior demanda. O que tem sido uma experiência bem agradável, eu tenho aproveitado para ler nas minhas viagens para o trabalho e tem sido um experiência agradável. Eu acho que se o transporte público não fosse mal dimensionado seria interessantíssimo utilizar esse tempo da viagem para adquirir cultura e informação, por que você iria lá sentado sem ter que se preocupar em estar dirigindo, simplesmente lendo um livro, um jornal. Se eu realmente pudesse manter os meus horário flexíveis como eles são agora e evitar esse horários de maior demanda, eu confesso que não me preocuparia em comprar um automóvel.

  37. Luna disse:

    Gozado Denis…voce fala como se remover os carros das ruas fosse resolver o problema da falta de educacao do motorista brasileiro. Sem duvida alguma o mais mal educado do mundo.

  38. Luna disse:

    Bicicleta pode ser muito bom para uma faixa da populacao. Mas de uma maneira geral nao e’ solucao. Nao da’ para levar as criancas ao colegio de bicicleta, por exemplo. Ou ir ao supermercado, ou levar a vovo’ no medico. Para a maior parte da populacao, por uma razao ou outra, ciclismo continuara’ sendo um luxo, um esporte, ou coisa deste genero.

  39. Olavo disse:

    Denis,
    Tu é um herói, me explica, como tu não é demitido da veja :^) por escrever assim? Uma revista conhecidamente digamos “conservadora”.
    E basta ler uns comentários de leitores fiéis da veja para ver o que pensa essa gente. Realmente tu é um herói, parabéns!

    Luna, dá para levar os filhos de bicicleta sim,é só ter estrutura para isso, basta ver o exemplo europeu, lá até as vovós andam de bicicleta desde que que nasceram.

    Solução para o trânsito é simples,ciclovias e transporte público de qualidade! Isso já foi feito a mais de 70 anos na Europa, não é novidade nenhuma!

  40. Thaynara disse:

    Denis, assino embaixo desta coluna. O foco é outro, gente, parem de buscar soluções para os carros, só poluem, só dificultam e cada vez mais trazem problemas. Andar a pé (ou de bike) traz melhorias para o trânsito, para a saúde, para os relacionamentos interpessoais… enfim. Vamos nos concentrar nos nossos pedestres! Obrigada!
    thayrezende.blogspot.com

  41. Natália disse:

    Gente, eu também já quebreu a cabeça (e o pau com muita gente) em discussões sobre esse assunto até entender uma coisa: infra estrutura de mobilidade urbana, sozinha, não muda NADA.

    Não cheguei a essa conclusão sozinha. Conversei com muita gente que estuda o assunto há anos, como o Thiago Guimarães, que estuda mobilidade urbana na alemanha (e tem um blog aqui: http://planetasustentavel.abril.com.br/blog/pralaepraca/), a Karla Fernandes, que tem diversos estudos sobre o assunto na web e o Mário Garcia, um senhor de 80 anos que estuda mobilidade urbana desde que participou da implementação do metrô em São Paulo (e, por acaso, é meu avô).

    Cada um tem sua visão, mas há dois pontos pacíficos:

    1-) A única iniciativa que melhora efetivamente o trânsito em uma cidade é diminuir a demanda por deslocamentos diários. São Paulo tem 38 milhões de viagens feitas todos os dias, que demoram em média 40 minutos. Porque as pessoas moram muito longe de onde trabalham/estudam. O movimento é sempre o mesmo: a CPTM ou o METRÔ identificam uma área com demanda por mais transporte público e anunciam um corredor de ônibus ou a extencão do metrô. Imediatamente no dia seguinte, ocorre uma valorização imobiliária no local e quem seria benecifiado pelo transporte público não pode mais pagar pra morar lá. As pessoas de baixa renda, então, se mudam para outro lugar, criam uma nova demanda e um ciclo vicioso… Como resolver? Por que parte dessa grana da valorização imobiliária não é tributada e convertida em financiamento de moradia pra pessoas de baixa renda naquele local? Ou pessoas de classe média, mas que trabalhem ali perto? O ponto é: precisa-se diminuir a demanda por deslocamentos.

    2-) Diminuídas as demandasPor mais que não exista uma solução única (teria que haver uma combinação entre metrôs, ônibus, trens, bicicletas e corredores de ônibus eficientes) é ponto pacífico que a política de mobilidade urbana PRECISA desestimular o uso de automóveis particulares. Conceder lugar pra parar o seu carro NÃO É responsabilidade do poder público. E pedágio urbano é MAIS do que justo. Você está gerando impacto na infra-estrutura e na saúde das pessoas. Justo pagar por isso, não? E pra não ficar abusivo, que tal pagar o mesmo que uma passagem de metrô?

  42. Felipe Maddu disse:

    Luna, imagina se todo mundo quissesse pegar seu carro para fazer coisas banais? É o tal da diminuição da demanda por deslocamentos que a Natália disse. Têm muita gente nessa cidade. A descentralização econômica é o caminho, dinamizar a grande z/l e a imensa z/s.

  43. Natália disse:

    Em uma de suas dissertações, a Karla Fernandes defende algo que me parece bem justo e equilibrado:

    “A mobilidade urbana sustentável se define por quatro práticas: o planejamento de transporte e uso e ocupação do solo urbano, a actualização da regulação e gestão do transporte colectivo urbano, a promoção da circulação não motorizada e o uso racional do automóvel.”

  44. Breno disse:

    Os benefícios dos carros são inegáveis e poderosos, por isso que é difícil de encontrar uma solução que combine a flexibilidade, custo, conforto e eficácia deles. Claro que quando se colocam 20 milhões de pessoas no mesmo lugar, dá congestionamento até de pedestre – vide as estações de metrô de SP ou Londres.

    Eu moro na Inglaterra há 3 anos e meio, onde sou professor e faço doutorado. Não tenho carro. Não preciso de carro para ir ao cinema, trabalhar, ou para ir ao bar tomar uma cerveja – mas isso é completamente diferente de negar a conveniência e mobilidade que um carro me proporciaonaria para outras atividades diárias. Vale lembrar que só posso ter esse estilo de vida porque o modelo de desenvolvimento urbano inglês e europeu criou cidades extremamente densas do ponto de vista populacional. Isso é bom por um lado, mas torna o centro muito caro para se morar também sem falar na menor qualidade de vida.

    O Brasil não pode imitar o desenvolvimento urbano de outras áreas. É preciso criar o seu – que seja de acordo com sua população, clima e cultura. E daí adequar o uso dos veículos de forma sustentável a isso – engraçado que Curitiba, dentro do nosso Brasil, é exemplo para o mundo (incluindo São Franciso) e não é citada ou imitada por aí…

    Abraços

  45. Gabriel disse:

    Ok Denis, sem mais comentários.
    Que nós criemos ideias de ciclovias, ciclofaixas, melhorias para os ônibus e seus itinerários, para a questão da ocupação imobiliária e seus impactos na cidade…

    Um abraço.

  46. Carolina disse:

    discordo cntigo denis. não acho que criar um espaço para bicicletas irá ajudar, a maioria não andaria.. é quanto as chuvas? afinal, sp é a terra da garoa.. concordo sim em criar mais espaços para o transito, e fazendo talvez, travesia para pedrestes por cima, através de passarelas.. muito mais eficaz, convenhamos. em algo concordo contigo: sim, 15s é ridiculo para atravessar um cruzamento.

  47. Felipe Maddu disse:

    Chuva? hahaha A gente não mora em Seatle não !!!

  48. denis rb disse:

    São Paulo ERA a terra da garoa, Carolina.
    Praticamente parou de garoar aqui. Isso se deve à cobertura de asfalto que impermeabilizou a cidade e aumenta a temperatura, gerando “bolhas de calor” sobre a cidade (o motor dos carros colabora com esse efeito). As bolhas de calor chocam-se com correntes frias e úmidas vindas do Atlântico e provocam tempestades. Hoje São Paulo é mais a “terra da enchente”.

    Não estou dizendo que todos devam ser obrigados a pedalar. Estou dizendo que a cidade não precisa matar aqueles que querem pedalar. Não estou dizendo que precise ser uma solucnao para todo mundo. Estou dizendo que deveria ser uma alternativa, assim como já é em qualquer cidade decente do mundo. E São Paulo é imensamente adequada para pedalar.

  49. André Pasqualini disse:

    Quem disse que não dá para levar o filho de bicicleta para escola? O que é aquilo que uso para levar meu filho todos os dias? Uma bicicleta ou um disco voador? Bicicleta não é a solução para o trânsito de São Paulo, mas pode ser a solução de quem opta por ela. Porque só os motoristas tem o direito de se deslocar com o mínimo de dignidade em São Paulo? Porque esse direito não é estendido aos ciclistas, pedestres e usuários do transporte público?

    Pessoal, quem quiser andar de carro que ande, mas deixem quem não quer ter esse direito.

    Abraços

    André Pasqualini

  50. Andre Leme disse:

    Excelente texto, mas… vi em diversos posts aqui as mais variadas desculpas por usar transporte x ou y, não entendo porque se desculpar, se vc vai de ónibus é por uma razão, se é carro, tem os seus motivos. Em nenhum momento o texto obriga alguém a usar a bike, apenas é mais um modal, uma moça colocou a dificuldade de levar as crianças para a escola, e o André Pasqua (que eu conheço pessoalmente) diz que é possível, eu mesmo levava minha filha para a escola, mas agora são dois aí as coisas ficam mais difíceis. Resumindo, eu preciso de um veículo para a família, mas não preciso de dois, revezamos o uso do carro, e vários dias que eu fico com o carro este fica na garagem. Usamos o meio de transporte que é mais adequado para o momento,pois ninguém vai de carro para a Europa (hehe), mas devemos conhecer e respeitar a opção dos outros.
    ps.: Se vc não pode deixar de usar o carro, por favor plante uma árvore por ano, é divertido.

  51. Andre Leme disse:

    Para apimentar a discussão: Sou a favor da velocidade máxima na cidade ser de 50km/h, em qualquer via exeto as expressas que devem ficar no 70km/h.
    Assim os motoristas vão ver as pessoas atravessando a rua e terá tempo para alguma manobra.

  52. Pedro disse:

    Luna, levei por vários anos minhas crianças à escola de bicicleta…quando morei na alemanha. E se a vovó também pedala, ela será mais saudável por muito mais tempo, estatisticamente falando, e daí menos necessidade de ir ao médico. Lá na europa as companhias de seguro de saúde fazem campanhas estimulando as pessoas a ir de bicicleta ao trabalho. Será que é somente porque a bicicleta está na moda?

  53. Felipe Maddu disse:

    Uma ótima ideia Andre, além de diminuir a velocidade, em ruas que não tem sinal o motorista deveria esperar o pedestre passar tb, tal qual funciona em Brasília e na Europa.

  54. Marcos Filho disse:

    Pois é, não é impossível: já funciona em vários lugares. Precisamos lembrar (e nos lembrar, também) que é a cidade é dos pedestres!!! Quando circulamos pelas cidades a pé (ou de bicicleta) praticamente temos que pedir desculpas aos motoristas. É ridículo! Eu, que adoro caminhar (vou ao trabalho a pé, distância de 3,7 km), sinto-me um estranho nas avenidas. São necessárias medidas urgentes que recuperem o espaço das cidades, quase todo ele cedido aos automóveis.

    PS.: Por milagre, nunca fui atropelado por um automóvel. Mas, outro dia, uma bicleta bateu em mim quando eu estava atravessando a faixa. Hehehe, que coisa, não?

  55. denis rb disse:

    Pois é, Marcos Filho,
    É muito verdade que os ciclistas paulistanos raramente respeitam sinalização e muitas vezes ameaçam os pedestres. Eu até entendo as razões: a cidade é imensamente hostil a eles, a sinalização está inteirinha contra os ciclistas (não há uma ciclovia que preste, mas há um monte de plaquinhas por toda parte dizendo que bicicletas são proibidas). Isso cria uma atmosfera de confronto, de desafio. “A cidade não tem espaço para mim, então não respeito as regras da cidade”.

    Dá para entender, mas obviamente não justifica. Ciclista que assusta pedestre na faixa (ou pior, atropela) faz um desserviço a todos os ciclistas e chancela o pensamento dominante, de que quanto maior o seu veículo maior o seu direito.

  56. Marcos Filho disse:

    Pois é, Denis. Na verdade, não acho que a resposta esteja na linha de “A cidade não tem espaço para mim, então não respeito as regras da cidade”. Concordo, sim, com seu segundo pensamento, de que as pessoas pensam que “quanto maior o seu veículo maior o seu direito”. É nessa linha que, infelizmente, a maior parte acaba agindo. O que vai, aliás, contra a nossa legislação, que diz que quanto maior o seu veículo, maior a sua responsabilidade e cuidado para com os demais.

    Mas, fora isso (que realmente muitos ciclistas não respeitam pedestres) insisto que devemos olhar a cidade com outros olhos. Concordo especialmente com o último post seu “Aqui não é Paris”. Antes mesmo de discutirmos qual é a melhor saída, se transporte público de qualidade, tributos aos motoristas, ciclovias (ou tudo isso junto, o que eu assino embaixo), precisamos é ter a visão de pedestres (ou turistas, como você bem colocou) para a nossa cidade. Pensá-la não apenas como “o caminho de casa pro trabalho” ou “o shopping no fim de semana”, mas como uma extensão da nossa residência. Isso, e não só a questão de alternativas do transporte, muda o comportamento das pessoas. Veja a relação que os nova-iorquinos têm com a cidade em que moram, por exemplo. Ou seja, é necessário revitalizar a cidade como um todo, o que inclui, além da questão do transporte, a segurança e a própria aparência da cidade.

    Eis o problema!!!

  57. denis rb disse:

    De acordo, Marcos Filho,

    Quando falo dessa atitude agressiva dos ciclistas (e dos motoboys também), acho que estou descrevendo só um dos sintomas dessa mesma doença que você diagnosticou: que é encarar a cidade não como nossa casa, mas como nossa inimiga. Não vou me fingir de inocente. Teve época (nos meus testosteronados 19 anos) que eu andava pela cidade com uma corrente nos ombros. Era a corrente que eu usava para prender a bike, com um cadeado gigante. Era também uma tática para intimidar, para afastar trombadinhas e motoristas. O pior é que eu nem me dava conta dessa minha agressividade (só me dei conta anos depois, na primeira vez em que pedalei em NY, quando saí à rua e, no primeiro sinal vermelho que furei, os carros todos pararam assustados, na linha “quem é esse doido?”). Não acho que os motoristas de SP sejam todos psicopatas e assassinos em potencial (embora alguns certamente sejam). Acho sim que estamos todos amortecidos pela agressividade do espaço urbano. Os motoristas fazem conversão à direita sem levar em conta que o sinal está aberto para o pedestre também, sem esperá-lo passar, sem levar em conta que seja uma velhinha de 80 anos, ou uma criança, ou uma mulher grávida. Claro que o fato de ele estar dirigindo um tanque de guerra laminado com um odioso vidro fumê, incapaz de estabelecer contato visual, atrapalha. Mas o fundamental é o que vc diz: que cada um de nós cuide de um pedacinho da cidade… A soma disso é uma cidade inteira bem cuidada.

  58. Marcos Filho disse:

    Sem dúvida!

    Hehehe!!! Essa do “tanque de guerra com fumê” foi ótima!

    O problema é que a gente sempre soa inocente quando fala que, além de obras públicas, a questão dos valores (respeito, cidadania, generosidade…) é muito importante.

    E o incrível é que, em outros lugares, essas coisinhas costumam dar certo.

  59. denis rb disse:

    Pois é,
    Soa como demagogia ou ingenuidade. Penso muito nisso: no quanto é difícil atrair a atenção das pessoas com esse papo.

    Acho que em parte é uma reação bem humana: de reagir defensivamente aos questioamentos. Nós sabemos que precisamos muito de mudanças de hábito, e é sobre isso que escrevo na maior parte do tempo. Aí muitas vezes recebo comentários bem agressivos, me acusando de ser autoritário, ou comunista, ou “engenheiro social”. A impressão que me dá é que muita gente se sente “acusada” por essa conversa. Eu digo que o trânsito é ilógico e que há carros demais, e alguns motoristas acham que eu estou dizendo que a CULPA é deles. Não tenho o menor interesse em encontrar culpados. O que me interessa é pensar nos problemas sistêmicos, e em como interferir neles. Se fôssemos falar de culpa, a minha seria gigantesca: voo de avião, como carne etc. Mas falar de culpa me parece uma bobagem…

  60. jorji disse:

    “Violência”, a sociedade brasileira é violentíssima em todos os aspectos, as mortes no trânsito é uma simples questão de violência, pedestre, ciclistas, motociclistas, motoristas de automóveis, ônibus, taxistas, enfim, toda a sociedade tem a sua parcela de culpa, e muita culpa, por parte das autoridades entra a corrupção, a falta de capacidade de planejamento urbano, que dá prioridade para os automóveis, por parte da população civil, a falta de respeito, principalmente em relação à vida. Nas ruas de minha cidade, há uma série de barbáries cometidas por pedestres, ciclistas, motociclistas, motoristas, é catador de lixos que atrapalham o trânsito, é o pedestre que atravessa avenidas e ruas movimentadas em qualquer lugar, é cachorro abandonado atravessando as vias, são pais que permitem filhos menores dirigirem os carros, gente que bebe e dirige, estacionar carro em fila dupla, atravessar o sinal vermelho, uma série de desrespeito, uma falta de ética generalizada, o Denis comete um erro elementar, como jornalista, e toda a imprensa comete o mesmo erro, está na hora de voltarmos os olhos para o nosso próprio umbigo, o problema principal no Brasil somos todos nós, está na hora da imprensa deixar a covardia e dizer a verdade, apontar a raiz do problema sem medo.

  61. jorji disse:

    O importante é apontar os culpados sim, quem erra tem que pagar, temos que dar basta a muitos tipos de perdão que infestam os princípios que regem a nossa gente. Os motoristas , em sua grande maioria são uns verdadeiros assassinos sim senhor, são verdadeiros criminosos, assim que tem que ser tratados quando atropelam nas faixas de pedestres por exemplo, entre outras barbáries que são cometidos em nossas ruas, não reclamen caso algum familiar de voces forem vítimas, provavelmente a maioria que participa deste blog comete atrocidades no trânsito.

  62. Anouk disse:

    Denis,

    É exatamnete esta a razao de sentir-me tao bem em Hamburgo. Aqui, apesar dos carros de grande porte e do aumento de veículos nas ruas da cidade, a prioridade é SEMPRE do pedestre.

    Um pequeno incentivo às mulheres brasileiras.

    É comum vermos por aqui, senhoras acima dos 70 anos ELEGANTEMENTE vestidas e pedalando.

    Pedalar é chique meninas; coragem!

  63. denis rb disse:

    jorji,
    Isso simplesmente não é verdade. Você não pode sair por aí dizendo que a grande maioria dos motoristas são assassinos em potencial. Como assim “a grande maioria”? Você tem dados para provar isso?
    Cuidado com isso, jorji. Você faz acusações sérias – e acusar alguém de crime sem provas é crime também.

  64. Marcos Filho disse:

    Jorji, você mesmo diz que é um problema cultural.

    Não veja a questão de um ponto de vista tão apocalíptico, cara. E outra: não misture as coisas. As mortes no trânsito, em geral, são ocasionadas por infrações ao Código (por exemplo, dirigir sob efeito de álcool). Aqui, nós estamos comentando o pouco espaço que pedestres e ciclistas têm em meio à selva urbana. Não se trata de reclamar da alta taxa de mortes (sobretudo nas estradas), que ocorre mais por falta de fiscalização, punição e condições das vias que por desrespeito ao pedestre, por exemplo. Claro que, quem “mata” com o automóvel, tem que pagar por isso. Mas não se trata de chamar todos de “assassinos”! Que é isso?

    A questão é: ao entrar em um automóvel, ou qualquer outro veículo, as pessoas têm uma sensação de poder com relação aos menos desfavorecidos (pedestres ou indíviduos em veículos menores). Essa sensação gera no motorista a impressão de que seus direitos são prioritários. Essa é a “leitura” que a aioria dos indíviduos têm.

    Tenha cuidado com esse tipo de argumento, rapaz. Eu sou motorista, tenho carro (que fica quase 100% do ano na garagem, hehehe), posso ter recebido uma ou outra multa por displicência, mas não sou um serial killer em potencial. Nem o ciclista que me atropelou.

  65. jorji disse:

    Denis, é impressionante as infrações cometidas por mototistas em nossas ruas, estatisticamente o Brasil tem um dos trânsitos mais violentos no mundo, está mais que comprovado, voce mesmo citou o quanto se morre em São Paulo, as televisões por repetidas vezes fazem reportagens sobre o desrespeito de nossos motoristas e pedestres, eu mesmo não sou muito diferente, eu me condeno das vezes que atendi o celular dirigindo, por exemplo.

  66. jorji disse:

    Marcos, empaíses mais sérios, quem dirige alcoolizado vai para cadeia.

  67. denis rb disse:

    jorji,
    Verdade, quem dirige alcoolizado tem que ir pra cadeia.
    Verdade, há problemas culturais sérios entre os motoristas brasileiros, que realmente se consideram superiores.
    Verdade, há muitos motoristas que são canalhas, energúmenos, imbecis, que dirigem sem nenhum respeito à vida.
    Tudo isso é verdade.

    Mas daí a falar que “a imensa maioria” é de “assassinos em potencial” tem uma distância. Primeiro: como sabemos que é mesmo a imensa maioria? São 75%? 51%? 99%? Não devemos citar informações estatísticas fortes se não temos segurança dos números. Isso é inventar dados. Segundo: generalizar raramente ajuda alguma coisa. Colocar o dedo acusatório sobre um grupo imenso, de 5 milhões de pessoas, só serve para aumentar o caráter divisivo do debate e para colocar o outro na defensiva. Eu acho que a “imensa maioria” dos motoristas é gente boa e precisa ser convencida a viver de um jeito um pouquinho diferente no mundo. Chamá-los de assassinos não vai ajudar a convencê-los.

  68. denis rb disse:

    jorji,
    Perdoe se pego no seu pé. Mas é que tem uma questão importante para mim aí:

    Estamos vivendo uma transição cultural. Isso significa que tem valores antigos que estão deixando de fazer sentido. É preciso compreender que transições culturais são mesmo difíceis. Se olharmos com olhos dos nossos tempos, muito provavelmente nossos avós todos tinham atitudes condenáveis.

    Acho importante questionar essas atitudes. Acho importante encontrar esses problemas sistêmicos, desmascará-los e propor alternativas. Mas acho uma bobagem ir para o pessoal: xingar as pessoas, criar um clima de confronto, de agressão, de ofensa. É uma bobagem tremenda porque não funciona, e também porque isso implica uma visão arrogante, na linha “eu sou melhor que você”.

  69. Luna disse:

    Denis,nao acho que Jorgi tenha dito nada de mais que necessite reprimenta. Aonde esta’ a liberdade de expressao? …
    Desculpe-me sair do assunto chave, mas necessito fazer um comentario. Divido a minha vida entre Brasil e USA for decadas. Para saber se os motoristas brasileiros sao “serial killers” em potencial fiz um simples teste. Quantas pessoas eu connheco nos dois paises que “morreram” vitimas do transito. Nao conheco nenhum aqui nos USA. Ai no Brasil…parei de contar quando cheguei a 25. Corro risco de vida quando vou ao Brasil e parentes inocentes bondosamente se oferecem para nos levar aos lugares. Alugar carro tambem e’ uma catastrofe. Uma fez um pedestre, paraplegico sentado em uma taboa com rodas estava no meio dos carros, muito fora do nivel dos olhos.
    Nao faco apologia aos carros. Simplesmente acho que assim como os avioes, os carros vieram para ficar. Acredito que devemos”brigar mesmo” por energia limpa. Por que ainda se fabricam carros a gazolina? As massas seguem o que o mercado impoe. Luta ingloria matar a vaca para acabar com o berne.Outras technologias existem a muito tempo. Alem do mais, precisamos aprender a usar o carro responsavelmente, como muitos de seus leitores ja fazem.Quer seja ele a gazolina, a alcool, hibrido ou eletrico. Precisamos de linhas para “high occupancy vehicles”, precisamos de estacionamentos nos bairros junto a terminais de transporte coletivo eficiente. Precisamos de meio de transportes eficientes. Precisamos de faixa para ciclistas. Precisamos de cursos de habilitacao melhors e que realmente eduquem motoristas, ciclistas e pedestres. pois somos todos os mesmos.
    Por ultimo…nao e’ so’ porque eu ando a cavalo que deva achar que todos devam fazer o mesmo.

  70. Luna disse:

    reprimenda..ha!ha!ha!

  71. Felipe Maddu disse:

    A Luna tá em outro mundo mesmo, é a típica brasileira que lá fora só deve falar mal do próprio país em vez de fazer algo. É bem triste isso. E por incrível que pareça eu estava pensando hoje mesmo nessa ideia do Jorji de que todo mundo é violento, o mundo é violento e ponto final. Se fosse verdade isso estaríamos num caos, o mundo todo seria um imenso Haiti ou Iraque. Mas não é verdade. o Brasil tem muita coisa para se mudar, e as vezes até eu fico com raiva de nós, porém isso não resolve. O Problema todo mundo já sabe, quero ver a solução. Não é bom ficar generalizando mesmo, que nem o Serra que disse que 80 a 90% da cocaína que entra no Brasil vem da Bolívia. Ou seja, a fonte tem que estar sempre presente. Tipo assim, “É isso então? Dá onde você tirou esses números?’

  72. Luna disse:

    Felipe…voce nao sabe o que diz.

  73. Chesterton disse:

    E o aquecimento global, acabou o assunto? Aqui no Rio de Janeiro pedestre adora se jogar na frente de cassos em movimento, pois não foram educados a atravessar apenas na faixa de segurança. Eu, década atrás, fui multado por passar sinal fechado a pé!!!! Educação no trânsito começa pela educação do pedestre, é óbvio, pois crianças não dirigem.
    O Supremo decidiu a favor de um motorista que foi abalroado por um pedestre em via pública, que terá que pagar o conserto do carro….boa essa , não?

  74. Anouk disse:

    Chesterton,

    Pelo amor de Deus. Os motoristas no Rio sao muito abusados. Eu sou carioca e sei como aquela coisa funciona.

    Na Av. Copacabana uma senhora idosa quase foi atropelada pelos carros na faixa, só porque a coitada nao conseguiu chegar do outro lado antes de o sinal abrir para os carros. Foi um horror ver os carros passando pela velhinha sem o menor respeito, até que finalmente um ônibus parou para que ela pudesse chegar ao outro lado; o pessoal ainda ficou rindo.

    Quer outra, em Botafogo um paraplégico sem cadeira de rodas, com a maior dificuldade para atravessar, também na faixa, passou pelo mesmo sufoco. Ele foi ignorado e quase atropelado.

  75. Marcos Filho disse:

    Felipe, alguns números do Relatório da Polícia Federal 2008:

    – Operação Seis Fronteiras: Apreensão de 20,99 kg de cocaína, 287,263 kg de maconha, automóveis e bens diversos na fronteira terrestre com a Bolívia.
    – Operação Libertad: 8 Presos e 153,00 Kg de Cocaína apreendidos nas fronteiras MT/Bolívia, AC/Bolívia e RO/Bolívia
    – Operação Rheas: Prisão de um grupo de traficantes holandes com 1.230 Kg de Cocaína provenientes da Bolívia.
    – Operação Duas Caras: 2.870 kg de cocaína apreendida ao longo da investigação de tráfico internacional a partir de territórios bolivianos.
    – Operação Spectro: 30 Presos de origem brasileira, libanesa e boliviana e 122 Kg de Cocaína apreendidos.
    – Operação Hélio – Desarticular conexão Bolívia-Acre-Nordeste comanda por preso brasileiro. 04 presos. Apreensão de 1.368,00 kg de maconha, de aeronave modelo Skyline prefixo PT IRI, de 11 veículos, de uma moto, de um caminhão, de 250 quilos da substância Química PROCAÍNA, de uma pistola cal. 380 e de 03 imóveis sequestrados.

    Apreensões cocaína de origem estrangeira por região em 2008:
    Norte: 678 kg
    Nordeste: –
    Centro-Oeste: 1.221,83
    Sudeste: 1.230,30
    Sul: 627,00

    De acordo com a ONU, a Bolívia tem capacidade para produzir 10% da cocaína no mundo. Levando-se em conta que o governo Evo Morales acabou com a DEA, agência de controle de drogas, sob o pretexto de eles estarem “se metendo no governo do país”, a produção só tem aumentado. Autoridades estimam que mais de 60% da cocaína utilizada no Brasil vem da Bolívia, através principalmente da cidade de Corumbá (a produção da Colômbia, mais pura e mais cara, vai praticamente toda para os EUA e Europa). No entanto, é consenso que a produção boliviana a entrar no país pode ser bem mais que isso. A afirmação do Serra é baseada no fato que, das apreensões realizadas pela polícia federal nas fronteiras, mais de 80% era de origem boliviana.

    Mas concordo com você, faltou ele dizer as fontes.

  76. jorji disse:

    Denis, realmente exagerei no termo “assassino”, digamos que um veiculo em mãos de pessoas que dirigem de forma irresponsável, se torna em uma arma letal, que mata e aleija milhares de pessoas todos os anos no Brasil, e eu tenho certeza que a maioria dirige dessa forma, e a consequência é o elevado número de acidentes em nossas estradas e ruas.A prioridade tem que ser o pedestre, depois o ciclista, mas a engenharia de tráfego e os nossos motorista inverteram essa lógica, sempre foi assim. O Anouk está comentando sobre os cariocas, aqui em Maringá é a mesma coisa, já morei em São Paulo é a mesma coisa, morei em outras cidades é a mesma coisa, realmente a questão é generalizado, seja nas ruas ou rodovias, e já estive várias vezes no Rio, aquele trânsito é uma loucura.

  77. Felipe Maddu disse:

    Po Marcos, eu também não tenho as fontes, mas “dúvido o dó” que só 10% vem da Colômbia.

  78. Felipe Maddu disse:

    Chesterton no Rio até os buzaum passam lotados no vermelho, perto dai
    SP é um paraíso. Só não é pior que em outros lugares, que nem na Índia, onde vi um video incrível de um lugar sem sinal e que incrivelmente ninguém batia em ninguém. Vejam como é surreal http://www.youtube.com/watch?v=-heUqVB2vMM

  79. Marcos Filho disse:

    Oras,Felipe, duvidar todo mundo pode. Eu só citei o que está nos relatórios da ONU ou da PF. Quem sou eu para chegar a conclusões sozinho? Acredito que o Serra também tenha apenas interpretado esses dados, já que a produção boliviana só cresce, enquanto que a colombiana teve redução (singela, mas teve).

    Bem, mas voltando à discussão do trânsito, o comentário do Chesterton é esclarecedor quando cita os pedestres “se jogando” em frente aos carros. Bem, se fosse assim, configuraria-se num estranho suicídio em massa, não? O que acontece é que os pedestres (e os ciclistas) têm que enfrentar condições precárias nas cidades. Esperar meia hora para atravessar uma avenida. Percorrer quarteirões em busca de uma faixa ou de um farol (torcendo para que estes sejam respeitados). Isso sem falar nas calçadas impróprias etc etc etc. O problema todo está nesse raciocínio que tira a cidade dos pedestres para entregá-la aos motoristas, como se esses tivessem “mais pressa” ou “mais responsabilidades”. E vamos nos acostumando a pensar que “ah, o pedestre tem que ter o maior cuidado”. Uma ova! O pedestre tem que ter liberdade para andar pela cidade sem se preocupar com que algum veículo vá passar-lhe por cima. Dentro de um automóvel você sente-se sem liberdade para este ou aquele lado, ou, pior, você sente medo? A resposta é um sonoro NÃO! Mas os ciclistas e pedestres sentem! Eu, particularmente, não sei andar de bicicleta (é sério, hehehehe, perfiro andar mesmo a pé), mas vejo as ciclovias como uma das melhores maneiras de humanizar nossas cidades, junto ao transporte coletivo digno e de qualidade (o que ainda é uma utopia nas grandes cidades brasileiras) e, PRINCIPALMENTE, O FIM DESSA MENTALIDADE DE QUE TEM MAIS DIREITO QUEM ESTÁ ACIMA DA “CADEIA ALIMENTAR DO TRÂNSITO”, OU “QUANTO MAIOR, MAIS DIREITOS. É o oposto! Em primeiro lugar vem o pedestre, seguido pelo ciclista e por aí vai.
    É tão simples!

  80. Anouk disse:

    Felipe,

    Reinaldo Azevedo, num post de hoje, traz uma entrevista sobre o assunto da coca na Bolívia.

    Vale a pena ler. Abs.

  81. denis rb disse:

    Eu, como pedestre, atravesso frequentemente fora da faixa ou no sinal vermelho. Faço isso porque não vejo nenhuma razão para limitar meu trânsito a essa ou aquela área, de maneira a dar espaço para quem quer que seja. Quando não estou conduzindo um monte de lata de 1 tonelada, não tenho nenhuma obrigação de obedecer a limitações no meu direito de ir e vir. Motoristas sim precisam ser cerceados para não colocarem os outros em risco. A rua é minha, a cidade é minha, construídas e mantidas com o dinheiro do meu imposto. Óbvio que cuido da minha segurança, tomo cuidado para não me colocar em situação de risco e, por mera gentileza da minha parte, evito atrapalhar o trânsito dos outros. Mas atravesso onde quero.

  82. Anouk disse:

    Denis,

    Eu também atravesso onde quero, mas com seguranca para mim e claro, para os motoristas. Só evito quando criancas estao por perto.

  83. Chesterton disse:

    Ei, pessoal, não estou livrando os motoristas do Rio de janeiro das barbeiragens e abusos que cometem, mas são maus motoristas porque não foram educados a primeiro atravessar a pé na faixa de segurança. O próprio Denis, com essa falsa rebeldia dá o mau exemplo. Vai acabar atropelado. E não vai poder processar ninguém.
    Lei e ordem é a solução para a segurança numa cidade grande, para uns e para outros.
    Quanto ao Denis, vai acabar compreendendo e concordando comigo, como aconteceu no episódio do suuposto aquecimento global.(temos uma pequena idade do gelo pela frente relacionada a diminuição da atividade solar).

  84. Luna disse:

    Aondem convivem ou tentam conviver milhoes de pessoas, queiramos ou nao, leis sao necessarias. No caso de pedestres, as faixas existem para seguranca dos mesmos. No caso do nosso Brasil o problema em todos os niveis e setores, quer governamental ou individuall, retorna-se sempre em um mesmo ponto. Falta de educacao, resultado um individualismo horripilante. Nenhuma consciencia coletiva. Dificil ter esperanca quando governo e comunidade nao trabalham juntos para trazer solucoes que beneficiem a todos os segmentos da populacao.

  85. Marcos Filho disse:

    Luna, sou um ferrenho defensor do respeito às leis. Eu atravesso em faixas de pedestres. Mas não é por isso que não possamos nos perguntar porque cargas d’água as leis atuais favorecem aos automóveis e desfavorecem aqueles que se locomovem sem gerar nenhum dos malefícios que os primeiros geram?

  86. Jorge Luís disse:

    Na verdade, segundo o código de trânsito brasilero o motorista é culpado em um atropelamento mesmo que o pedestre esteja fora da faixa. No que se refere à culpabilidade do motorista, está explicitamente colocado na lei que o motorista tem que, a todos os momentos, estar dirigindo a uma velocidade compatível com a segurança e que permita manobras de contingência em caso de qualquer possibilidade de acidente. Ou seja, com faixa ou sem faixa, o motorista tem que estar atento e dirigindo a uma distância segura e a uma velocidade razoável para poder frear/desviar ou evitar qualquer acidente de outra forma.

    Este o princípio pelo qual o interesse do pedestre/ciclista é sempre protegido, por se tratarem dos elementos mais vulneráveis do trânsito (sim, pedestres fazem parte do trânsito!).

    Aquele “stampede” (não sei direito um termo em português, mas me refiro aos rebanhos de animais selvagens correndo e atropelando tudo no caminho, sem parar) de carros que vemos nas grandes avenidas em São Paulo é apenas uma atividade que poderia ser civilizada elevado à potência do caos…

  87. Chesterton disse:

    Não é verdade Jorge Luis, o pedestre tem muitas obrigações e pode sim ser considerado culpado do próprio atropelamento. Procurem nos sites de busca.

  88. Felipe Maddu disse:

    To de boa Anouk, hoje é 6ª, já imagino o que ele disse!!!! Agora só falta o Chesterton achar que as vítimas de atropelamento todas se jogaram contra os carros rsrsrsr Tem lugar também que não tem como poo. Onde moro tem ruas que não há sinal (mas há faixa de pedestres) e os carros não param de passar, nem se tem uma mulher grávida ou uma senhora esperando para atravessar. É rua, não avenida. Se a pequena burguesia paulistana tivesse bom senso pararia para o pedreste passar. Dai a única alternativa e se jogar um pouco, gesticular para os carros pararem e seguir em frente que atrás vem gente.

  89. denis rb disse:

    Exato, Jorge Luís,
    É óbvio que a responsabilidade de não colocar os outros em risco é de quem conduz o monte de lata. Bem colocado.

    Luna,
    Concordo que grandes espaços urbanos, principalmente os de alta densidade populacional, precisam de normas aceitas e respeitadas por todos para que a convivência seja harmônica. Mas não é isso que temos em SP. O que temos é um ambiente de opressão. Estou disposto a aceitar regras justas. Mas as regras da minha cidade dizem que estou proibido de usufruir do espaço público urbano. Apenas tenho o direito de transitar numa faixa pintada de branco pelo período de 15 segundos a cada 5 minutos, desde que eu me apresse. Não há aí um contrato social justo de compartilhamento do espaço público. O que há é uma imposição pela força. Essas regras eu me recuso a aceitar. Dêem-me 3.000 quilômetros de ciclovia e eu prometo que respeitarei a placa de “proibido bicicletas”. Enquanto não me dão, aquela placa é uma piada. Assim como a ciclofaixa de domingo é uma piada. Se eu for pedalar pela República do Líbano num domingo de manhã (o que é improvável, porque acordo tarde aos domingos) vou dar preferência por transitar fora da ciclofaixa, no espaço dos carros. Não sou gado para ser confinado.

  90. Chesterton disse:

    Bem, já concordamos no princípio, é muito bom. Carros nas pistas, pedestres nas calçadas (parece que os egípcios são sacaneados pelo resto do mundo por andar nas ruas enquanto podem andar nas calçadas, que permanecem vazias). Tambem concordo que é desejável a proliferação de passarelas, ciclovias, sinais de trânsito com tempos compatíveis com o idoso, pistas exclusivas, ruas fechadas para carro, enfim….Só não se joguem na frente dos carros achando que nada vai acontecer.

  91. denis rb disse:

    Chesterton,
    Para que esse princípio funcionasse um bom primeiro passo é que houvesse calçadas.

    Nos bairros ricos, até há, embora elas sejam cheias de buracos, apelidados por aqui de “armadilhas para idosos”, “quebra-bacia” ou “mata-vovô”. Nos bairros pobres ou no centro, elas nem existem. São uma faixinha de quando muito 30 centímetros, espremida entre postes, orelhões e grades de carros curvas que se projetam para fora. São interrompidas por grandes degraus, porque as calçadas na realidade não são para os pedestres, são para os carros cruzarem no caminho para a garagem – daí seu nivelamento ser projetado à partir da rua, o que gera os degraus. Ah, e, enquanto se caminha por elas, somos frequentemente surpreendidos por um holofote manejado por sensor de movimento, que faz lembrar aqueles filmes de interrogatório.

    Prefiro andar na rua.

  92. jorji disse:

    Temos que analisar essas questões dentro de um embasamento estritamente cientifico, todos sabem que aqui é uma bagunça, e uma das consequências são os milhares de mortos e deficientes, que tornam o Brasil o país com o maior índice de vítimas em acidentes de trânsito no mundo, e um dos maiores também de mortes violentas ( assassinato, suicidio e acidentes em geral ). Eu acredito em solução, mas a medio e longo prazo, e em qualquer país do mundo, a melhor coisa são as pessoas, e o pior também, e todas as soluções depende muito mais de seres humanos do que a engenharia, ou seja, do fator tecnico, de nada adianta o melhor projeto de engenharia de tráfego no mundo, se as pessoas não agirem conforme os bons princípios e costumes, é óbvio que não existe santo neste mundo, mas o mais importante de tudo, pelo menos, é o respeito à vida, e isso falta na atitude de nosso povo, dirigir um veículo, temos que pensar primeiro nos outros.

  93. jorji disse:

    Eu já fui atropelado na calçada, por bicicleta, carro, não cheguei a machucar, torci o meu tornozelo algumas vezes, um colega meu caiu num bueiro aberto, quando voltava do trabalho a noite, foi parar no hospital, até caçada é um perigo, imaginem as nossas ruas, realmente é uma verdadeira guerra.

  94. Anouk disse:

    Felipe,

    Pelo visto o Reinaldo nao publicou o seu comentário; né? Alguns dos meus também nao foram aprovados. Rsss…

    C’est la vie mon ami.

    O Denis tem uma paciência com a gente; né?

  95. denis rb disse:

    Só retribuindo a paciência que vocês têm comigo, Anouk😉

  96. Chesterton disse:

    Você prefere andar na rua quando há calçadas (!?), pois é claro que se não há calçadas você não tem onde andar. Então você afirma que por questão de gosto se expõe ao risco de ser atropelado, e se um dia isso ocorrer todos seus leitores serão testemunhas a favor do “atropelante”.
    Faça pelo menos um bom seguro para a familia.

  97. Felipe Maddu disse:

    Anouk, eu não li o texto. Uma coisa que tem que diferenciarmos. Meu pai também foi atropelado por uma bike e quebrou o braço. Entretanto, ele tá vivo. Por mais que exista barbeiros ciclistas, as bikes não matam. Nunca ouvi falar de alguma pessoa que morreu atropelada por uma bike. Já por carro e ônibus é o que mais tem. Portanto, os motoristas têm que ter mais responsabilidades ao volante.

  98. Chesterton disse:

    Acidentes de bike são muito graves, principalmente para o “baiqueiro”. E sim, conheci um senhor que foi atropelado por um ciclista e morreu . Esse responde por homicidio culposo como se tivesse dirigindo um carro.

  99. Felipe Maddu disse:

    1 em 1 milhão né Chesterton rsrsrsrsr

  100. jorji disse:

    Tem gente que foi atropelado por carroça e morreu, até carrinho de rolemã é um perigo.

  101. hacs disse:

    Oi Denis,

    Li seus ultimos posts, concordo com as ideias propostas, mas creio a questao eh entender quais razoes levam a uma forma ou outra de ocupacao e uso das cidades. Ja tive longas discussoes com a minha irma, que eh arquiteta e sempre se interessou por urbanismo, sobre esse tema. Ha incontaveis abordagens, cada uma propondo diferentes solucoes, desde aquelas abordagens semioticas e fenomenologicas (e eu nem tinha tomado uma cervejinha antes) ate as que poderiamos chamar de abordagens automaticas problema a problema. Nao acredito em nenhuma daquelas, nem tampouco nas abordagens que enfatizam aspectos culturais. Eh claro que a cultura local eh um fator importante, mas nao eh um determinante, talvez um fator de atrito essencial aa estabilidade (no sentido de suavizar as mudancas, nao de impedi-las) das aglomeracoes humanas. Contudo, incentivos funcionam, portanto, se se pretende alterar o uso da cidade e se estabelecer uma nova cultura local que sustente (por meio do atrito que gera) essa nova forma de ocupacao, foco nas fontes de incentivo. Leis e regras direta ou indiretamente relacionadas ao uso e ocupacao do espaco urbano, assim como os agentes que se estabeleceram no local dadas as leis e regras em vigor, sao responsaveis (nao no sentido de culpa, mas de causacao) por boa parte dos incentivos e cultura local que sustentam os habitos e comportamentos, inclusive quanto ao uso e ocupacao da cidade. Eh um todo auto-consistente que se estabeleceu ao longo de decadas e que dificilmente sera alterado de fora para dentro. Eh preciso instabilizar o bloco usando a dinamica interna do proprio bloco, e isso so eh possivel se regras e leis forem alteradas num sentido que seja interessante a aqueles (do bloco), o que envolve criar alternativas e interesses novos que motivem as mudancas de forma gradual e natural (afinal, democracia e autoritarismo nao se misturam, ainda que a causa seja boa, nem com o apoio de uma maioria). Mas essa abordagem nao faz parte dos inumeros planos, discussoes e estudos que ja conheci (nem sempre por livre e espontanea vontade), e, correndo o risco de simplificar demais a questao, creio que essa eh a principal razao que mantem tudo como esta, apesar dos incontaveis planos de mudanca.

  102. Chesterton disse:

    Felipe, se você sofrer um acidente em pequena aeronave, e seu seguro de vida eclui esse tipo de acidente na sua apólice, oriente sua família a dizer que foi acidente de bicicleta. Incrível, né? Mas é igualzinho, não sobra quase nada.
    Jorgi, burros (o animal) matam muita gente (tinha até uma propaganda). Imaginar uma cidade sem transporte coletivo de massa, sem trânsito, sem ônibus, sem trens, semc arros é uma crueldade para o idoso.

  103. Marcelo disse:

    Denis!!!
    O vazamento de petróleo no golfo do México, a um ritmo de 2 a 3 milhões de litros por dia corre o risco de continuar até agosto!!

  104. Marcelo disse:

    “possivelmente o pior desastre ecológico” da história dos Estados Unidos!

    ?={

    Não seria do mundo?

  105. hugo veloso disse:

    Um dos melhores mecanismos para diminuir o trânsito é permitir que empresas sejam abertas nas residências e que a jornada de trabalho possa ser realizada em casa. Isso, inclusive, ampliaria a oferta de serviços nos bairros, desconcentrando a renda do centro para a cidade em geral.
    Agora, vc cita que em 2009 o trânsito matou 1382 pessoas e que 222 eram motoristas e 671 não eram. E as outras 489 pessoas? Eram o quê?
    Abraços

  106. denis rb disse:

    Oi hugo veloso,
    Concordo contigo – mais homes-offices seria bom para o trânsito.

    Quanto à sua pergunta: dos 1.382, 671 eram pedestres, 428 eram motoqueiros, 222 eram motoristas e 61 eram ciclistas.

  107. edna carmelia audino pires disse:

    Até que enfim, relaxei. Ri muito. O Jorji (o arquiteto que conheci/conheço – que está vivo, está), chama-se Jorge. Enfim, o Jorji e o Felipe fecharam com chave de prata. (prefiro a prata, acho mais elegante, mais fino).

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