A coragem de elogiar

Responda depressa: cite um exemplo de algo bom que alguém do governo fez recentemente.

Difícil, né? Difícil lembrar de uma só história.

Tente então lembrar o nome de um servidor público que seja honesto, que tenha ideias inteligentes e inovadoras e que esteja empenhado em melhorar o país.

Lembra algum? Um nome só?

Aposto que não.

Talvez isso queira dizer que, no Brasil, todos os funcionários públicos e políticos são imbecis completos e corruptos em potencial. Mas, honestamente, eu não acho que seja isso (até porque, na posição de jornalista, já conheci dezenas e dezenas de funcionários públicos que me pareceram bastante inteligentes, honestos e idealistas). Eu acho que isso revela uma doença da nossa sociedade.

Nós, brasileiros, gostamos mesmo é de nos achar espertões, malandrões. Então a gente nunca elogia ninguém, nunca aponta um bom exemplo – e se houver um defeito que não estou vendo e eu passar por ingênuo depois? No final, isso cria um desincentivo para gente talentosa se arriscar no serviço público. Para quê? Para virar saco de pancadas?

Na minha carreira de executivo, eu aprendi uma ou duas coisas sobre administração de recursos humanos. Aprendi que, se queremos ter uma equipe motivada, é importante avaliar o desempenho e conversar sempre sobre as falhas de cada um, com foco em corrigi-las. Mas, acima de tudo, é fundamental celebrar os acertos, elogiá-los publicamente, criar um ambiente em que todos os funcionários saibam o que se espera deles e sintam-se motivados a ousar, a inovar, a tentar algo novo.

Pois fazemos o contrário disso na maneira como avaliamos nossos servidores públicos. Quando eles erram, nós descascamos os caras, caímos matando, fazemos piada, fazemos os sujeitos se arrependerem de ter tentado. Nada de discutir o que poderia ter sido melhor – muito mais fácil e divertido é ridicularizar o que saiu errado. Quando eles acertam, na melhor das hipóteses, nós ignoramos. Na pior das hipóteses, nós damos um sorrisinho cínico e fazemos uma insinuação maldosa (e sem provas) sobre as reais motivações deles. “Devem estar levando algum por fora…”

Não estou aqui sugerindo que todos nós banquemos os polianas. É óbvio que espírito público é produto meio raro aqui na terrinha, não nego. Mas vivemos um período em que precisamos, mais do que qualquer outra coisa, de inovação. O mundo está mudando de maneira quase cataclísmica, e isso significa que precisaremos reinventar nosso sistema político, nossos modelos de produção, de consumo, de trabalho, nossos estados, nossas escolas, nossa economia, nossas leis. Esse trabalho de reinventar coisas já é difícil normalmente, e torna-se quase impossível num ambiente conservador, em que as pessoas têm medo de tentar, de ousar, de experimentar.

Precisamos aprender a celebrar os bons exemplos. Não porque precisemos de heróis, mas porque precisamos de gente motivada tentando fazer o melhor e acreditando na importância do seu trabalho.

Ser cínico é fácil prá caramba. Rir dos outros não oferece nenhum risco (a não ser a de um eventual – e merecido – tapa na cara). Mas elogiar exige coragem.

Foto: carderel (CC)

50 comentários
  1. Ecotretas disse:

    Aqui em Portugal, pessoa séria perde eleições. Dizer a verdade custa ouvir!

    Ecotretas

  2. jorji disse:

    Escolas, mais educação, mais inteligência e cultura, o que o povo brasileiro mais quer e precisa, o resto é consequência.

  3. jorji disse:

    O prefeito de minha cidade, tem sido elogiado pela maioria, dentro das possibilidades, o seu trabalho é muito bom, está no segundo mandato, nunca fala bobagem, com ele a minha querida cidade deu um grande passo, e o Brasil aos poucos vai melhorar .

  4. denis rb disse:

    Eu não acho que falar bobagem seja o problema.
    Servidor público não deveria ser cobrado por “não falar bobagem”. Isso é uma cobrança autoritária, intimidadora, feita mais para espalhar medo e tirar a gana de inovar do que para servir ao interesse público.

    Deixe o servidor falar tanto quanto ele quiser – quanto mais melhor. Pior era no tempo em que os servidores públicos nunca diziam nada – mas, na calada da noite, apavoravam.

  5. Jaguar disse:

    Denis, sou servidora pública federal há seis meses. Fiz carreira na iniciativa privada, em planejamento estratégico. Tenho dois cursos de pós-graduação e uma infinidade de especializações. Fui atraída, como a maioria, por um salário razoável combinado a “estabilidade”. Faço parte do grupo dos dez primeiros colocados no concurso, todos igualmente experientes. E sabe o que aconteceu conosco? Fomos jogados na lata do lixo pelos nossos “superiores” hierárquicos!!!!! Chegamos e encontramos uma instituição completamente aparelhada e, apesar de sabermos que nossos conhecimentos são necessários e valiosos e poderiam ser utilizados para aumento da produtividade, fomos relegados INTENCIONALMENTE a passar o dia em atividades braçais e repetitivas que, quando não completamente inúteis, poderiam ser desempenhadas por pessoas com formação primária. E tenho certeza que essas pessoas as executariam FELIZES por 10% do que eu ganho. Eu e meus colegas temos vergonha de ganhar o que ganhamos, pois sabemos que o dinheiro que paga nossos salários vem do suor de nossos pais, de nossos amigos, de nossos irmãos e do nosso também. Nós somos a prova viva que SIM! existe vida inteligente, honesta, com vontade de fazer as coisas diferentes no funcionalismo público. Mas somos sistematicamente sufocados por uma máquina repleta de parasitas e incompetentes, que acredita que somos uma ameaça ao status quo. Em nossa primeira avaliação de estágio probatório, fomos – OS MELHORES COLOCADOS – prejudicados com notas ridículas, cujo fundamento objetivo ninguém conseguiu nos explicar – porque não existe!!!. Não somos estúpidos, não somos incompetentes, não fazemos corpo mole. Nosso pecado? Sermos inteligentes, participativos e – supremo absurdo! – um grupo qualificado.
    Eu sei porque o contribuinte tem a sensação de que tudo no serviço público é ruim. É porque na ESMAGADORA MAIORIA das vezes, é MESMO!!!! E os que tentam remar contra a maré são sumariamente condenados à uma vida de irrelevância profissional, temperada com inúmeras outras formas de assédio moral.
    Eu contaria a história com detalhes para qualquer um que quisesse saber a fórmula para se destruir um bom profissional e jogar MUITO imposto no lixo. Mas quem quer saber disso, não é mesmo?
    Espero, sentada, que um candidato leve o tema eficiência no serviço público realmente a sério.

  6. Eduardo Leite disse:

    Caro,

    Não há necessidade desse tipo de reconhecimento. O próprio nome já diz: é um serviço público. A qualidade pode ser avaliada através de critérios objetivos e tangíveis quanto a qualidade e eficiência. A sociedade deve se colocar sempre com olhar crítico ao governo a os serviço que ele presta. No caso, um político pode ser reconhecido com mais um mandato eletivo. Já um servidor goza de estabilidade e carreira. Não serão tapinhas nas costas que o farão mais motivado a realizar um bom trabalho. Em tempos de um aparelhamento político cada vez maior da máquina pública me espanta alguém surgir com uma idéia como a sua! O que devemos ter é melhores mecanismos de supervisão e avaliação dos servidores, bem como a busca de um sistema de carreira baseado em mérito.

  7. wagner disse:

    bom…concordo com vc denis. Mas acho q isso ocorre: “quando eles erram, nós descascamos os caras, caímos matando, fazemos piada”, pelo fato da grande maioria estar calejada por anos e mais anos de má administraçao, corrupção e descaso com o dinheiro público, e o bem estar da sociedade. Isso leva a esse tipo de reação, essa falta de credibilidade, esse desanimo e num consequente apoliticamento da populaçao, desanimo até daqueles privilegiados quem tem acesso a informação. Já cansei de ouvir pessoas dizerem que nao se interessam por politica, por causa ladroagem e descaso dos ditos governantes.

    Mas acredito, e sei, que existem boas intenções e boas idéias, falta sim é espaço e incentivo pra que elas aconteçam. Tendo isso, pode nao só fazer com que essas pessoas desenvolvam o fruto de suas idéias, como que tb, a credibilidade e por consequente a divulagação de suas boas ações, incentivem a outras pessoas (honestas e bem intencionadas) a tomarem coragem de lutar pelos seus ideais, e coloca-lás em prática.

  8. Isabel Cristina Félix da Silva. disse:

    Muito adequado o seu artigo,com certeza todos nós fazemos isso.Não acreditamos que existem pessoas honestas,mas como conseguir encontrá-las nessa mundo onde o ser humano está inteiramente poluído?Complicado,porque eu sempre fico fazendo está pergunta pra mim mesma,e não consigo a resposta.Um abraço Denis!

  9. jorji disse:

    Isabel, 100% honesto ninguem o é, todos os princípios apregoados são uma escala de valor, inclusive religião. A corrupção citada pelo Denis faz parte do mecanismo de prostituição, dentro de uma análise absolutamente racional, todos os humanos, independentemente de onde more, são corruptíveis, há um ditado que diz, que se parar a corrupção, o mundo para. A corrupção se torna uma praga quando foge do controle, como é o caso no Brasil, tudo é uma questão de índice, e essa maldita penaliza principalmente as classes menos abastadas, favorecendo as mais abastadas, mas no fundo quem perde é a sociedade, é o país que perde.

  10. wagner disse:

    “se parar a corrupção o mundo para”….????

    acreditando e aceitando isso, fica dificil.

  11. Green Yolk disse:

    A questão de se elogiar (ou criticar coerentemente) vem vinculada com estar a par das ações dos servidores públicos. Recordo-me das aulas de História, aquela retrospectiva da política do Brasil, e juro que de cada governo o professor se interessava em detalhar cada ponto podre. Desde o coronelismo até o mensalão, a lista realmente é comprida, mas só lamentar corrobora essa situação.

  12. denis rb disse:

    Eduardo Leite,
    Aí que tá… Você diz que não deveria haver reconhecimento para quem faz um bom trabalho, já que eles já têm estabilidade. Pois eu acho o contrário. Acho que o absurdo é a estabilidade, do jeito que é hoje. Acho que todo mundo deveria ter o mesmo direito trabalhista – CLT para todos. Do jeito que é hoje, é praticamente impossível demitir um funcionário incompetente ou corrupto. Da mesma forma, é praticamente impossível recompensar quem faz um bom trabalho.
    Não estou falando de tapinhas nas costas: estou falando de criar ambientes de trabalho dinâmicos e inovadores, como aqueles aos quais me acostumei em empresas privadas.

  13. denis rb disse:

    Pois é, Jaguar,
    Belo depoimento.
    Acho que um problema na sociedade brasileira é nossa fissura por poder. O país só quer saber de falar do chefe – do presidente, do ministro, do secretário. Ninguém presta muita atenção no técnico talentoso, no garoto inovador, no especialista. Só se fala do político. Enquanto que muito do mais interessante que acontece no serviço público acontece em escalões mais abaixo, longe dos holofotes. No fundo o presidente da república é o menos importante dos servidores – o trabalho dele é fazer teatro para a mídia ver. O importante acontece mais abaixo, e envolve gente que entende dos assuntos e lida diretamente com as questões. Mas a imprensa nem se aproxima desses caras. O povo nem conhece. E o chefe – dono do “pequeno poder” – não deixa sobressair.

  14. Just-for-fun disse:

    Num país viciado e loteado como o nosso, onde aqueles que deveriam dar as diretrizes por conhecimento de causa são compostos por gangues que ali estão somente para se perpetuar no poder, cuja função é desviar recursos e espalhar inverdades para confundir os “naives”, quem menciona como avaliar e aplaudir um funcionário publico desconhece as entranhas do sistema tupiniquim.

  15. denis rb disse:

    Just-for-fun,
    Pois eu acho exatamente o contrário.

    Acho que, num país loteado por gangues mal-intencionadas que dominam a política, deveríamos pensar é em incentivos para que gente decente queira entrar na política.

    Criar um ambiente de divisão, de “nós contra eles”, só interessa a “eles”, que afinal de contas tomam contra do cofre.

  16. jorji disse:

    Emprego vitalício é um problemaço!

  17. denis rb disse:

    Não sei você, mas eu, se tivesse um emprego vitalício, virava preguiçoso.

    (Os maiores culpados não são as pessoas: são os sistemas, que são mal desenhados.)

  18. Fellows disse:

    Trabalho em uma grande autarquia de desenvolvimento de sistemas. Temos buscado apoiar o software livre e na medida do possível incentivar as iniciativas inovadoras, o trabalho colaborativo e a criatividade nas soluções apresentadas aos nossos clientes e mesmo em nossos processos internos. Um dos projetos em que trabalhei visava justamente identificar fraudes e fragilidades de nossos processos. Um outro permitiu a utilização de uma ferramenta livre para emissão de relatórios que gerou uma bela economia aos cofres públicos ao livrar o aplicativo da obrigação de utilizar uma ferramenta proprietária. Existem muitos outros exemplos pelo serviço público posso garantir.
    Como em toda organização humana temos pessoas bem intencionadas, idealistas e abnegadas. E temos também preguiçosos, interesseiros e picaretas. Chefes justos com equipes voluntariosas, bem como gerentes que exercem sua tirania cercados de puxa-sacos, aspones, enfim curriolas cuja única qualidade é a eficiência em se eternizar no comando.
    Já trabalhei na iniciativa privada, em micro, pequenas e grandes empresa e também já fui empresário. Em todas estas experiências lidei com pessoas com todo tipo de caráter. Acredito que a ocorrência destas características nas duas esferas, pública e privada, seja semelhante.
    Entendo que por este motivo, o problema do gestor do serviço público é justamente das amarras que o impedem de incentivar ou punir com justiça. É como dizemos: “Não temos cenoura – para premiar, nem chicote – para punir, e fazer o burrico puxar a carroça”.
    Concordo porém que muitas vezes o pessoal esquece o grande patrão, o contribuinte, e acaba dificultando as coisas para aquele que garante seu salário no fim do mês.

    Lembro porém que alguns princípios como probidade, legalidade, moralidade, impessoalidade e publicidade devem nortear a todos no serviço público, principalmente os gestores.
    Ou seja, a lei existe, basta querer e saber cumpri-la.

    Abs.,
    Marcelo

  19. jorji disse:

    Denis, desde que ganhe muito bem, ok! Ficar trabalhando anos e anos numa repartição pública, eu com certeza não me adaptaria. Voce vê como tudo é difícil, há algum tempo atrás, o emprego vitalício era uma virtude, hoje um mal exemplo.

  20. denis rb disse:

    Oi Fellows,
    Obrigado também pelo belo depoimento.

    Pois é, também tenho a sensação de que os setores público e privado têm proporções semelhantes de canalhas e gente legal. Mas os sistemas de incentivos dos dois são completamente diferentes, e o do setor público simplesmente não funciona. Se a regra do jogo é “erre e será ridicularizado, acerte e não será premiado ou fique parado e tudo ficará bem”, a imensa maioria das pessoas vai ficar parada.

    E, se tratarmos os servidores públicos como se todos fossem iguais, independente da culpa e dos méritos de cada um, a tendência é desestimular quem é sério e incentivar quem não é.

  21. Memyself disse:

    Quem me conhece sabe que a perspectiva de ter de tratar de qualquer assunto com um funcionário público chega a dar-me insônia. Tenho certeza de que há exceções – possivelmente massacradas e humilhadas como Jaguar conta abaixo – mas aqueles que atendem o público normalmente são ou muitissimo mal preparados para a função ou acham que tem de fazer o distinto público pagar por sua infelicidade profissional ou acham que vivem na Idade Média e que são algum tipo de baixa nobreza. O funcionário público deve ser valorizado? Sem dúvida! Um profissional valorizado, satisfeito, bem pago é sempre melhor do que o contrário. Mas não se pode esperar que o público mal atendido aplauda. E mais, do jeito que as coisas vão, do jeito que o aparelhamento tomou vulto, logo seremos perguntados, antes de qualquer coisa, qual nossa filiação/simpatia partidária. Dependendo…

  22. denis rb disse:

    Mas Memyself,
    Isso é claramente um ciclo vicioso. Cidadãos odeiam servidores públicos, partem do princípio de que são todos incompetentes e, ao tratá-los mal indiscriminadamente, criam incentivos que afastam do serviço público quem tem intenção em trabalhar direito. Com isso, eles passam a odiar ainda mais.

    Não estou sugerindo que o público mal atendido deva aplaudir. Pelo contrário: deve reclamar, cobrar, demitir. O que estou dizendo é que deveríamos falar mais dos bons exemplos. Identificá-los, difundi-los, espalhá-los. E há bons exemplos.

  23. Surfs disse:

    Olá Denis, vc deletou meu post ou foi erro de sistema? Se deletou, estou supreso (e decepcionado).

    Afinal não escrevi nenhuma mentira, aliás, sou testemunha do que escrevi. Estou na terceira multi e nas três presenciei o que escrevi.

  24. Memyself disse:

    Denis, concordo que bons funcionários devam ser elogiados, promovidos, recompensados. Mas não vejo como – ou por que – nós, os contribuintes, tenhamos ainda que fazer mais este trabalho. Esse pessoal tem hierarquias, chefias, treinamentos (bem caros), avaliações e que tais. Certamente conseguem identificar quem é bom e quem é ruim. A questão, já aventada aqui, é que não faz diferença o servidor ser bom ou ruim: ele não é demitido em caso de desonestidade, má fé ou simples incompetência. Ele é tranferido para alguma posição onde não chame tanta atenção e o mal-feito continua. Eu quero aplaudir, eu quero elogiar. E acho que qualquer pessoa que pague impostos quer o mesmo. Mas o funcionalismo público – feitas as exceções de praxe – tem de começar a enteder que nós somos os patrões pois, ainda que indiretamente, pagamos seus salários, e – mais importante – somos os clientes, não estamos pedindo favores ou suplicando boa vontade. Mas já que estamos falando de elogios, vou fazer um, sem nominar pessoas em especial, mas elogiando o trabalho da Secretaria da Saúde em São Paulo. Está sendo feito um cadastramento das pessoas que necessitam de medicamentos de alto custo (como meu sobrinho, esquizofrênico) e eles passarão a ser entregues em casa, evitando que o doente ou o responsável por ele precise se locomover e ficar horas esperando em filas. Alguém teve a idéia genial, alguém a encampou, muitos certamente trabalharam para concretizá-la e muitos mais trabalham para que a operação se dê sem problemas.

  25. denis rb disse:

    Pronto, Memyself,
    Concordamos em tudo.
    Não tenho nenhum reparo a fazer a suas exigências de sermos mais rigorosos.

    E o que você fez em relação à Secretaria da Saúde fui justamente o que estou sugerindo que façamos mais.

    Alguém mais aí tem um elogio a alguém que fez algo certo?

  26. denis rb disse:

    Surfs,
    Não deletei nada não (e, a propósito, nunca deleto nada sem avisar que deletei).

    E não tem nada pendente no anti-spam. Poxa, hoje e ontem o site está dando muito pau. Me parece que seu comentário não subiu. Perdoe-me, mas posso te pedir que mande de novo?

  27. Surfs disse:

    Legal Denis! Achei super estranho mesmo! rs

    Cara, hoje não estou muito inspirado, mas vou tentar rs.

    É muito comum a gente ouvir falar sobre “corrupção e inércia” no funcionalismo público, estatais, etc; como se o setor privado fosse a panaceia para se acabar com a ineficiência.

    Só que a prática é bem diferente: trabalho há dez anos em multinacionais e já vi muita corrupção, apadrinhados incompententes assumindo cargos de gerência, estrangeiros totalmente perdidos, sem a menor idéia do que é nossa cultura, liderando departamentos, diretores e presidentes com salários ridiculamente altos em comparação com o restante dos funcionarios, noitadas em bordeis pagas no cartão da empresa, enfim, a lista vai longe.

    Claro que isso é uma parte e não o todo, mas usei o paragráfo acima para dar meu parecer e tentar desmistificar um pouco essa aura de pureza que se atribui ao setor privado.

    Claro, também, até por experiências empiricas de muitos aqui – acredito -, que o serviço público, estatais e afins está longe de ser o ideal. Mas, vejam, ideal como ‘todo’, pois, em parte e em determinados setores, houve muitos avanços.

    Alías, está bem claro que a melhora no serviço público está diretamente relacionada com o aumento de cargos ocupados através de concursos públicos em detrimento dos cargos de confiança – esses sim, um perigo.

    No fim das contas a gente acaba “esbarrando” em Aristóteles e chega à conclusão de que o meio termo é a saída. Ou seja, precisamos de modelos públicos e privados coexistindo eficazmente. E eficácia combina com mérito, que passa por “saber elogiar o que deve ser elogiado”.

  28. FM disse:

    Até parece que no setor privado são mil maravilhas, bem falado Surfs rsrsrsr Ia falar de outra coisa agora, fiquei observando os funcionários de cartórios, tb atendem mal pacas e os donos dos cartórios* montando a máfia em cima…Quanto ao trabalho de funcionário público, tem um amigo meu que trabalha em Fórum e me disse que o lance não é mole não hein, trabalha de verdade.

    * Aliás eu tive que tirar um documento aqui em SP, minha irmã no Rio. O MESMO documento, mas ela teve que tirar mais DOIS documentos para conseguir retirar o tal MESMO que tirei aqui. Ou seja, tem alguma coisa errada.

  29. denis rb disse:

    Concordo inteiramente contigo, Surfs,
    O setor privado brasileiro está cheio de corrupção, apadrinhamentos, autoritarismo, favorecimentos, incompetência e tosquidão de todo o tipo.
    O Memyself diz que a mera perspectiva de ter que tratar de algum assunto importante com um funcionário público lhe tira o sono. Pois sinto algo parecido quando tenho algo a resolver com um telemarketing de alguma grande empresa privada, por exemplo.
    Nós brasileiros, na média, somos muito mal tratados por ambos os setores. Mas isso não quer dizer que todo funcionário público (ou privado) seja um escroque.

  30. Monica disse:

    Denis, tive que ler o post duas vezes pra avaliar se estava ou não se refereindo a mim, funcionária pública, e às equipes das quais fiz parte até então. Fiquei confusa! Será que falamos do mesmo “setor público”? Acho que a primeira questão que se coloca é não avaliar da mesma forma “poderes” com modus oprerandi, finalidades e processos de trabalho tão distintos, principalmente o Legislativo e o Executivo (o que vc acabou por fazer no seu texto).

    Fiz uma excelente faculdade ‘pública’ e na minha profissão há uma abertura, até mesmo um incentivo, para o investimento na carreira “privada” ou liberal. Mas eu, junto a uma quantidade boa de pessoas com quem já convivi e convivo, investiram (pesado) no setor público por escolha consciente e não por falta de opção. As pessoas mais brilhantes e produtivas que conheço, diga-se de passagem e felizmente, estão no setor público, produzindo pesquisa, extensão, tecnologia, medicamento, gestão colegiada, dando aula, promovendo equidade, com uma energia enorme e cheia de crença naquilo que fazem.

    Me impreciona o discurso quanto a estabilidade. Há um desconhecimento geral de que existe um período probatório (ampliado recentemente) a ser cumprido e a possibilidade real de exoneração. Nos esquecemos que a instabilidade tem gerado vínculos e condições de trabalho não só extremamente precários, mas também perversos pra humanidade em geral. Falta de estabilidade é prerrogativa da contemporaneidade. Esquecemos que há duas, três gerações as pessoas estabeleciam um vínculo e lá permaneciam (se assim o quisessem) e isso nunca foi impeditivo pra que a humanidade produzisse, mais e melhor, fosse inventiva e comprometida com seu trabalho (vide meu pai, que se aposentou pela empresa privada que assinou sua carteira por 30 anos). Agora que o mundo do trabalho não tem mais o “pleno emprego” pra nos oferecer, passamos a achar vergonhoso uma vida de trabalho assegurada pelos direitos trabalhistas conquistados historicamente a duras penas. Inversão de valores tendenciosa e perigosa. Estranho!

    A reflexão que você traz é necessária e importante, mas não por estas vias. Grande parte do trabalho pesado e que ninguém quer fazer (cuidar de nossa sujeira e nosso lixo, cuidar das crianças de nossas faxineiras, porteiros, vigias, condutores…nas creches e escolas, fiscalizar industrias e locais de trabalho (privados) IMUNDOS, cuidar de gente idosa, cuidar de gente com baixa remuneração adoecido por que mora dentro do esgoto… pra não passar o dia inteiro aqui escrevendo) é feito por servidores públicos EXTREMAMENTE mal remunerados e por vezes sem orientação/formação nenhuma pra fazer o que fazem.

    Um próximo texto a este respeito poderia passar pela questão do Poder. Sem esta discussão, qualquer tentativa de análise, por mais bem escrita que seja, fica ingênua.

  31. denis rb disse:

    Bons pontos, Monica,
    Olha só: minha ideia central é que a sociedade olha com imensa desconfiança para o setor público, e tende a não enxergar ilhas de talento e competência. Claro que o setor público é gigantesco e a realidade, digamos, de um professor público é bem diferente da de um gari que é bem diferente da de um senador. Meu post é imensamente genérico, claro, porque minha intenção era discutir essa atitude, não casos específicos.
    Quanto à estabilidade: entendo o que você diz. Vivemos sim tempos de ansiedade, de “constante mudança”, em que profissionais são obrigados a se reinventar toda hora. Isso pode ser muito estressante e está deixando as pessoas mais infelizes. Não estou pregando aqui a total desregulamentação, o “cada um por si”. Mas acho que está aí um vespeiro que em algum momento alguém vai ter que enfrentar. Outro dia, conversando com um gestor do setor público, ele me disse que a equipe dele tem 400 funcionários, mas que pode contar com 100. Entre os outros 300, há gente claramente mal intencionada. E que ele tinha uma vez tentado demitir um funcionário, e simplesmente não conseguiu. Sucedem-se administrações e os novos gestores vão acumulando camadas de gente nova às multidões com quem não pode contar. Isso não pode estar certo. O que eu pago de imposto não pode estar certo.

  32. hacs disse:

    Oi Denis,

    Ser bem pago, mal pago, elogiado, criticado, honesto, corrupto, etc. Acho que a coisa nao eh por ai.

    Um sistema de incentivos nao determina o quanto cada um rendera, pelo contrario, o proprio individuo/funcionario/etc determina o quanto rendera, mas sabendo de antemao que se produzir 1 palito de fosforo por dia, vai receber alguns centavos por dia (sei la, vamos supor 1 centavo), e se produzir 100 caixas por dia (cada caixa com 40 palitos), vai receber 100x40x(1+premio), onde o premio eh maior quanto mais palitos de fosforo por dia forem produzidos por ele (ou seja, premio eh uma funcao do total de palitos produzidos, portanto, no segundo caso do exemplo mencionado, premio (4000), e no primeiro caso, premio (1)).

    O premio tem que ser crescente, pois deve gerar o estimulo necessario para que aqueles que sao mais eficientes exercam suas habilidades ao maximo. Contudo, contabilizando-se o quanto cada individuo/funcionario/etc produzira (o valor do total dos palitos produzidos por dia), e descontando-se o quanto custara (a remuneracao correspondente, isto eh, o numero de palitos produzidos por dia, N, multiplicado por 1+premio (N)), o contratante podera fixar a estrategia de remuneracao/premiacao que considere mais vantajosa.

    O ganho liquido do contratante, por palito produzido, pode ser decrescente como funcao da eficiencia do funcionario/individuo/etc, mas o ganho liquido total diario do contratante eh crescente em funcao da eficiencia.

    Eh claro que a outra parte, o funcionario/individuo/etc, tem que aceitar o trato, portanto, se o contratante pretende atrair alguem com capacidade de produzir ate 6000 palitos por dia, o valor da tarefa ofertada, dada a remuneracao (e outros fatores) estabelecida para um funcionario/individuo/etc com essa capacidade, 6000x(1+premio(6000)), deve superar o custo de executar a tarefa percebido pelo funcionario/individuo/etc num montante que exceda eventuais alternativas (outras tarefas/empregos em outras empresas).

    Obviamente, o contratante fixara a remuneracao que lhe for mais vantajosa, dadas as restricoes acima mencionadas.

    Outra questao eh a verificacao do cumprimento da tarefa. Nem sempre compensa estabelecer mecanismos de vigilancia/controle muito sofisticados. O custo da vigilancia pode acabar superando o custo de algum grau de ineficiencia no cumprimento da tarefa, mesmo que o sistema de controle funcione perfeitamente (ou seja, elimine ineficiencias por preguica, enrolacao, etc). Portanto, algum grau de ineficiencia eh tolerado. De qualquer forma, se houver intervencao humana nesse sistema de controle/vigilancia, quem vigia o funcionario/individuo/etc que vigia? Mais ainda, ha perturbacoes aleatorias que alteram o desempenho final, portanto, essas aleatoriedades devem ser consideradas para que um bom funcionario nao seja punido injustamente. Em suma, ha tolerancia, mas se o fucionario/individuo/etc frustrar frequentemente as expectativas, acaba demitido.

    O exemplo simplorio que cito nao se aplica diretamente a nenhuma situacao real, muito menos ao sistema publico, mas ilustra bem a ideia de incentivo. Dele pode-se entender que isonomia e estabilidade sao regras que geram incentivos contrarios aa produtividade, pois nao se pode demitir e nem se pode separar via remuneracao os funcionarios de valor, daqueles que estao la para tomar cafe, bater papo e fazer aquela politica de baixo nivel almejando aumentos salariais injustificados. A ausencia de processos de mensuracao e indicadores de produtividade eh consequencia (nao a causa) da inutilidade que os mesmos representariam, dadas as regras existentes (e quando alguem mede, nada acontece). Alem disso, num pais que convive com taxas relativamente altas e instaveis (historicamente) de desemprego, estabilidade ganha um valor que garante a permanencia dos que ja entraram no servico publico. Ou seja, sao milhares/milhoes de pessoas que escolheram o servico publico justamente em funcao do que oferece (ha excecoes, nao sei quantas, mas mesmo essas acabam se adaptando para nao sofrerem represalias de chefes e colegas). Qualquer tentativa de mudanca nas regras que mencionei acima vai enfrentar um contingente enorme de funcionarios entrincheirados, e com razao, pois muitos deles estao la em funcao desses privilegios (se alguem me oferecesse 10000 reais por mes so para bater o cartao na entrada e na saida, eu aceitava). O sistema foi mal concebido do ponto de vista de quem esta fora e o sustenta com impostos, nao de quem conseguiu entrar (com excecoes, eh claro).

    Fica entao a questao das alternativas. Alguem tem alguma sugestao?

  33. Monica disse:

    Concordo, Denis. Alguma coisa não anda certa aí, nem que seja a inoperância de seu amigo, que não sabe o que fazer com 300 seres humanos sob sua gestão.

    Agora vamos pensar na seguinte situação (que em nada e em absoluto justifica a situação por vc citada): você conversa com um outro amigo administrador e ele diz que tinha uma equipe de 400 empregados. Destes, 300 foram demitidos por que o trabalho passou a ser feito por máquinas. Dos 100 que ficaram, cinco recebem o equivalente ao salário dos 95 demais. Cada um destes 95, apesar da boa formação escolar e experiência profissional, acumula o trabalho de 2 ou 3 OU é mal remunerado OU é terceirizado, quarterizado, com vínculo precário e desprovido de alguns direitos trabalhistas/estabilidade (nada de adoecer, nada de engravidar, nada de reivindicar por melhores condições de trabalho). O que você vê de certo nisto? Talvez o fato de serem pessoas que ficam felizes com elogios/”reconhecimento” e são constantemente “recompensadas” por eles.
    Você está certo quando diz que estamos numa encruzilhada.

    Voltado ao tema do “público”, uma parte considerável da “classe média” brasileira abriu mão destes serviços num determinado momento: nas déc. de 60 e 70, evadiram-se as escolas públicas, mesmo com a oferta de educação de qualidade e o governo militar se encarregou de acabar de enterrar o morto; optamos pelos planos de saúde privados e foram as comunidades da periferia/movimento social que batalharam durante décadas pela construção do SUS; ninguém com dinheiro neste país recorre a um defensor público…só pra ficar nos exemplos mais óbvios. Quem vai exigir bons serviços e boa gestão de algo do qual não faz uso?!

    E hacs, existem cálculos mais simples e fáceis de entender: um trabalhador precisaria produzir 100 palitos para pagar seu salário, cobrir os custos da manutenção do serviço e gerar lucro para o seu empregador. Contudo, é cobrado a produzir 10.000, mas só é pago por 10.

  34. hacs disse:

    Monica, o assunto nao eh salario justo, mas incentivos, dos quais a remuneracao eh uma parte importante. Alem disso, como mencionei, o individuo so aceita se quiser, nao eh escravo da empresa, se achar que eh pouco (e isso dependera de cada pessoa), cai fora e arranja outro emprego em outra empresa.

    Se essa pessoa nao consegue arranjar um emprego em outra empresa que ela mesma considere melhor que o “mal” remunerado emprego atual que possui, entao o que essa pessoa oferece aas empresas tem pouco valor. Isso pode ser por que rende relativamente pouco para o contratante, e ai ha uma lista enorme de possiveis causas, ou devido aa relativa abundancia desse tipo de mao de obra (isso eh mais caracteristico de trabalhos que demandam baixa qualificacao). De qualquer forma, a ideia de “mal” remunerado decorre de algum conceito aprioristico de “justa remuneracao”, ou seja, algum conceito de justica social, outra discussao interessante tambem, mas me referi somente a incentivos.

    Abs

  35. Marcos Filho disse:

    Monica, não duvido que existam pessoas capacitadas em instituições públicas. No entanto, faz todo sentido o post do Denis.

    Vc parece afirmar que não há estabilidade no setor. HÁ SIM!!!! Só são exonerados aqueles indíviduos que incorrem em improbidades administrativas ou que, repetidamente, não alcançam metas (subdimensionadas, aliás). E além da estabilidade, que gera falta de compromisso, inexiste também meritocracia. Trabalho na iniciativa privada e sou professor de uma univerisidade federal. Fui coordenador do Departamento de Economia e tentei instalar um sistema de ponto, que desse uma solução ao alto absenteísmo dos professores. Fui execrado! Meus colegas se dispõem a fazer greves vez e outra, quando a maioria, na verdade, recebe bolsas de incentivo à pesquisa sem realizar uma mísera revisão biliográfica. É ridículo.
    Os nossos direitos trabalhistas são excessivos. Você tem que ter em mente que o trabalho é também uma operação mercantil. Equilibra-se em demanda e oferta. Poderíamos ter contratos de trabalho muito mais inteligentes e interessantes ao trabalhador não fossem estes tais direitos conquistados “arduamente” e que, no fim, são flexibilizados, sobrando apenas o INSS obrigatório.
    Sabe por que as pessoas têm optado por planos de saúde? Sabe por que têm optado por escolas particulares? Porque o Estado brasileiro é um estelionatário! O SUS (que é até uma boa ideia, diga-se) não funciona, as escolas públicas estão cheias de professores que não sabem uma tabuada. E os indivíduos que estão encontados nesses antros são sustentados por nós. O próprio governo, inclusive, incentivou a iniciativa privada no caso da saúde suplementar, por não dar conta da demanda. Então, PELO AMOR DE DEUS, que diabo de pergunta é essa: “Quem vai exigir bons serviços e boa gestão de algo do qual não faz uso?”. Eu não uso porque não presta, oras! E o pior: eu pago por isso!
    Deixe de ser corporativa e veja a situação real. Se você acha que a economia pode se manter com um estado aparelhado como o nosso (e, na sua visão, deveria ser ainda mais), isso mostra o nível de sua “excelente faculdade” ou dos “geniais e brilhantes trabalhadores das empresas públicas”. Ai, ai.

    Abçs

  36. jorji disse:

    “Nos brasileiros, na media media, somos muito mal tratados pelos dois setores”, o setor público de uma maneira geral é corrupto, com serviços prestados à população ruim, o setor privado idem, o que eu já tive de dor de cabeça, vichi Maria, santa mãe de Deus, e olha que vivemos no “melhor país do mundo”.

  37. FM disse:

    A meritocracia é coisa do mercado financeiro Marcos, não acho que se tratando de educação seja viável. Por ex, o governo do Estado de SP, que paga os professores mal e porcamente, quer implementar isso e em vez de pagar decentemente todos, pega uns puxa-sacos e dá mais grana. Além do que esse negócio é meio vago não acha? Quem tem o merito e tal é escolhido. Se trata de uma decisão quase sempre política e não de quem tem mais competência. além disso, e o que fazer com os “incompetentes”? Jogar todos na rua da margura e colocar robôs em seus lugares? Tem que se pensar na questão humana, pq se for pensar só nos custos das empresas, é melhor calar todos sindicatos e a própria democracia, automatizar tudo, tirar todos direitos e enfiar guela abaixo míseros salários para os que restarem.

  38. Gabriel disse:

    FM:

    “Além do que esse negócio é meio vago não acha?”
    O sistema de meritocracia não tem que ser obrigatoriamente vago. Quanto mais QUALITATIVO ele for, com base em análises subjetivas do departamento de pessoal dos órgãos públicos, sim, ele vai se tornar vago. Mas, fazendo-se uma análise de desempenho (dos professores públicos, no seu exemplo) com base em provas aplicadas pelo MEC para os alunos de todo o país, eu acredito que ele se tornaria um método eficaz de avaliação (e este é apenas um exemplo de como aplicar as avaliações, que também podem ser utilizadas diretamente para os professores ou, como vem ocorrendo em Nova York, para os diretores das escolas).

    “Além disso, e o que fazer com os “incompetentes”?”
    Bom, neste caso não devemos desperdiçar os professores que não obtiveram bons resultados. Como se sabe, há um déficit de professores, principalmente em ciências. Treiná-los e capacitá-los, a meu ver, seria uma opção mais interessante do que simplesmente descartá-los.

    Meritocracia não é “coisa do mercado financeiro”, FM. Inúmeras empresas e governos a utilizam com resultados interessantes tanto para eles quanto para seus funcionários.

    Recomendo a leitura do artigo do Gustavo Ioschpe na revista Veja desta semana.

  39. Memyself disse:

    Marcos Filho disse:
    junho 4, 2010 às 8:58 am
    “Quem vai exigir bons serviços e boa gestão de algo do qual não faz uso?”. Eu não uso porque não presta, oras! E o pior: eu pago por isso!

    E isso se aplica a escolas, à saúde, à segurança (do guardinha de rua aos hiper-modernos sistemas de alarme), a tudo que influencia nossas vidas diariamente. Exatamente as áreas que o serviço público deveria ser de excelência.

    Fiz um elogio à Secretaria de Saúde de São Paulo e o mantenho. Finalmente, alguém pensou em tratar o cidadão como um cliente, como uma pessoa que recebe serviços pelos impostos que paga e não como um pedinte.

    Mas, com as exceções que confirmam a regra, Marcos Filho tem toda razão.

  40. Chesterton disse:

    Se as pessoas vivessem de modo a se tornar menos dependentes de serviços públicos teriam mjkuito menos a se queixar.

  41. Leandro disse:

    Já q tu falas em coragem, QUEM neste governo VOCÊ, Denis, corajosamente, elogiaria?

  42. Monica disse:

    Marcos F.,

    É claro que falamos a partir de nossas experiências e vivências. E são bacanas estes encontros virtuais, pq em nossa vida pessoal, via de regra, falamos entre iguais, uma vez que tendemos a nos realacionar com pessoas que se aproximam de nossas crenças. Assim como Denis, tbm acho que há algo de errado na quantidade cobrada de impostos, gostaria que fossem melhor usados/empregados, gostaria de pagar menos…

    A questão aqui não é fazer apologia do ´público´ou do ´privado´, mas responder à questão “lembrar o nome de um servidor público que seja honesto, que tenha ideias inteligentes e inovadoras e que esteja empenhado em melhorar o país “…e digo pra vc que não tenho um nome, mas dezenas!!!! E me parece sim claro que há interrese no desmonte da coisa pública (foi isso sim que se fez com a educação neste país, vide estes shopings centers que proliferam, um por dia e por esquina, com pretensões de local de produção de sebaer) e este tipo de questionamento só contribui pra isso, sem que algumas questões importantes sequer sejam resvaladas como, por ex, nossa responsabilidade pelo destino e gerencia destes mesmos impostos. As pessoas pagam duas vezes pelos serviços pq é mais cômodo e fácil abrir a carteira do que construir coletivamente os que já existem. Minha lógica é muuuito diferente da tua: ocupar espaço e fazer “prestar” (ao invés de ficar de fora jogando tomate). Isto se chama empoderamento. É uma escolha política e escolha de vida, portanto, não retórica.

    Não posso ser corporativa pq não faço parte de nenhum corporação. É simples. Sou trabalhadora da saúde, e só. E trabalhadora já quarterizada, uma vez que são, em grande parte, as Organizações Sociais (deitadas, rolando e chafurdando no $$$), que gerenciam o RH da saúde neste país, se vc não sabe, a um bom tempo!

    E, por ora, os serviços privados de saúde são complementares (e não suplementares), simplismente pq é assim que tem que ser numa democracia, com ou sem autosuficiencia dos serviços prestados pelo Estado.

    Abç

  43. Marcos Filho disse:

    Ahhh, agora vc colocou tudo em outros termos. No seu primeiro comentário você discoradava de vários pontos do post, entre eles “o discurso da estabilidade”. Bem, foi isso que eu rebati no meu comentário anterior. Mas, enfim, não quero polemizar a questão.

    Ah, e não acho que estejamos aqui fazendo “apologia” do publico ou do privado. Mas acho sim, que o Estado brasileiro teria melhores resultados diminuindo a máquina pública. A Constituição de 1988 (art. 175) dispõe que ao Poder Público cabe prestar serviços públicos, direta ou indiretamente, neste caso mediante concessão ou permissão. Até a primeira metade da década de 90, os serviços públicos vinham sendo prestados diretamente, quer por órgãos da Administração Direta, quer por autarquias ou empresas estatais. A partir daí, muitos desses serviços foram privatizados, ou seja, seu EXERCÍCIO foi transferido para empresas privadas, mantida sua TITULARIDADE pelo Poder Público. Com a privatização dos serviços públicos, surgiu uma nova função atribuída ao Poder Público, que é a de regular os serviços concedidos. Aí surgiram as agências, como a ANEEL, ANATEL, ANS, etc. Não se trata de “desmontar a coisa pública”, mas de transferir o exercício da atividade a quem tem mais condições de orferecer qualidade aos usuários.

    Por fim, três pontos do seu comentário:

    1- Não estou de fora jogando tomate. Como disse, faço parte também da “coisa pública” (adorei a definição) e tento mudá-la, a maior parte das vezes em vão.

    2- “Ocupar espaço e fazer prestar” é empoderamento? Bem, acho que Paulo Freire aguenta essa…

    3- Como assim você não faz parte de uma corporação? E você não trabalha em uma ORGANIZAÇÃO? Voê e o resto da organização (a tal “coisa pública”) não deveriam, ao mesno em tese, buscar objetivos em comum?

    4- Complementares e suplementares são sinônimos. Quem cunhou esse termo não fui eu, surgiu no país lá pelos anos 60 (também é o termo adotado em todo o mundo) e é utilizado oficialmente: ANS – AGÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE SUPLEMENTAR.

    Enfim, aproveite a sua estabilidade.

  44. Monica disse:

    Ohhh, amigo, vc ainda não entendeu que sou uma prestadora de serviços e não uma concursada ???
    Não sou o tipo de pessoa que passaria a vida inteira fazendo a mesma coisa e no mesmo lugar. Por isso, não teria como “aproveitar” minha estabilidade, mesmo que fosse concursada…abri mão de dois deles e estou no meu terceiro Estado, de mala na mão, pronta, pronta pra construir e aprender outras coisas, em outro canto.

    Como disse, faço parte de um SETOR público, amplo, com finalidades múltiplas e não de uma corporação. E mesmo se assim entendesse, fazer parte de uma organização está bem longe de ser corporativista. No mundo onde fui criada, este setor tem entre suas principais finalidades prestar serviços de qualidade e se não me sentisse fazer isso ou não acreditasse ser possível fazer, já estaria fora a muito tempo. Sentir que se trabalha em vão deve ser muito frustrante…

    O termo ‘complementar’ em política pública de saúde não é só vocabulário, é um termo técnico e um princípio constitucional…faz toda a diferença, portanto, usar um ou outro (suplementar).

    Boa semana pra vc…

  45. Marcos Filho disse:

    Desculpe, Monica. Não quero ficar debatendo nesse canal, até porque o post nem diz respeito a este assunto, diretamente. Mas não deixei de notar um aspecto particularmente cruel de seu comentário: “as pessoas pagam duas vezes pelos serviços pq é mais cômodo e fácil abrir a carteira do que construir coletivamente os que já existem”. O que será essa “construção coletiva”? Talvez ela seja formada pela fila de pequenos caixões brancos, ocupados pelas centenas de bebês mortos em nossas maternidades públicas. Ou ainda pelos bons cidadãos que esperam vaga de UTI nos corredores dos hospitais. Eles não optam pelo caminho fácil de pagar um plano de saúde ou hospital particular, não é mesmo? Ah, têm ainda as milhares de famílias mortas nas nossas estradas federais, todas em péssimas condições. Todos eles estão participando dessa “construção coletiva” da qual você fala, Monica? Ou seria “tragédia coletiva”?

    Você acha mesmo que um cidadão de classe média, que ganhe maios ou menos R$ 1.500,00 mensais, paga plano de saúde, escola e aparatos de segurança (cerca elétrica, vigia de condomínio, etc) porque acha mais “cômodo” que utilizar os serviços públicos que, aliás, ele é obrigado a custear também? O cidadão opta por esses serviços, Monica, de fato porque ele não quer participar da “construção coletiva” que você cita. Como você diz, é uma escolha de vida (ou de morte).

    Eu jogo tomate sim! Jogo tomate nas centenas de mortes da saúde pública brasileira. Jogo tomate nas estradas federais esburacadas e “assassinas”. Jogo tomate nas universidades e escolas públicas sem condições de ensino. Jogo tomate na ineficiência, na irresponsabilidade, nos altos custos, nos ultra-dimensionados quadros de pessoal, nas greves desnecessárias, na inépcia, na irresponsabilidade. Isso não faz com que eu não reconheça os (raríssimos) bons exemplos e incentive-os, como defende de forma muito bem articulada o Denis. Mas reitero: não há saída para a “coisa pública” que não passe pela redução dessa sangria de impostos e, portanto, da abertura de muitos mercados. Enquanto isso, vamos coletivamente construindo cemitérios Brasil afora.

  46. Monica disse:

    E quanto a Paulo Freire, vc não tem noção de como por este interiorzão a fora, no sertão, comunidades ribeirinhas, entre os assentados, quilombolas… existem pessoas fazem trabalhos belíssímos de educação popular, educação em saúde, terapias comunitárias, fazendo uso, entre outros, do seu referencial…Denis, vc não queria um elogio? Aí vai, minha admiração por estes trabalhadores que fazem o que podem e com as ferramentas disponíveis, mal remunerados, sem visibilidade e reconhecimento, sem maiores empáfias, pelo Brasil a fora…

  47. Marcos Filho disse:

    Para finalizar: sinceros parabéns pela sua disposição. Você pode ser citada como um dos bons exemplos na “coisa pública”, não obstante alguns posicionamento algo dúbios. Há, como afirma o Denis, diversas pessoas como você, que optam pelo caminho do setor público e buscam a eficiência. Mas observe: você faz questão de frisar que não é “concursada”, não tendo, pois, “estabilidade”. Ora, é isso mesmo: você não quer e não precisa de estabalidade, justamente por ser competitiva e buscar a excelência. Não sofre com a acomodação. Esse é o cerne da questão debatida aqui, Monica.

    Só para esclarecer a questão da Saúde Suplementar (desculpe o texto longo):

    Saúde Complementar, nos termos da Constituição e da terminologia oficialmente utilizada, ocorre quando as instituições privadas poderão participar de forma complementar ao Sistema Único de Saúde, segundo diretrizes deste útlimo, mediante contrato de direito público ou convênio. Há preferência, no entanto, por entidades filantrópicas e as sem fins lucrativos. Ao firmar convênios e contratos com diversas pessoas jurídicas de direito privado que realizam ações e serviços de saúde, o Estado as insere no âmbito das ações e serviços públicos de saúde, igualando-as àquelas prestadas diretamente por seus órgãos e entidades. A saúde complementar deve ser compreendida, portanto, por meio das ações e serviços de saúde que, embora sejam prestadas por pessoas jurídicas de direito privado, são consideradas ações e serviços públicos de saúde em razão da existência de uma relação jurídica específica, concretizada por contratos ou convênios firmados entre essas pessoas jurídicas e a União.

    Por outro lado, as ações e serviços privados de saúde também podem ser prestados por meio de planos de saúde, oferecidos por operadoras de planos de saúde, no campo que se convencionou nomear de saúde suplementar. A saúde suplementar é o setor que abriga os serviços privados de saúde prestados exclusivamente na esfera privada. Representa uma relação jurídica entre prestador de serviço privado de saúde e consumidor, organizada por meio de planos de saúde, conforme previsto nas Leis Federais 9.961, de 28 de janeiro de 2000, e 9.656/1998. Na saúde suplementar, as ações e serviços desenvolvidos não possuem vínculo com o SUS, exceto, obviamente, os vínculos advindos das normas jurídicas emanadas dos órgãos de regulação do Sistema (Ministério da Saúde, Secretarias de Saúde, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Agência Nacional de Saúde Suplementar, entre outros).

    Então, quer dizer que não há Saúde Suplementar no Brasil? Só Complementar?

    Ótima semana pra você.

  48. Just-for-fun disse:

    @denis rb, você acha, mas eu não me oriento por “achismo”, me oriento baseado em indícios, evidencias, dados, provas cabais, et cetera.
    Se quer insinuar que pessoas que se movem por princípios morais e fundamentos éticos vão se sentir em casa, o seu argumento continua “naive”.
    Num sistema farsesco provas cabais nada significam, existe o exemplo do juiz do Rio Grande do Sul (está na entrevista da Veja de alguns anos atrás) que tentou aplicar a lei para os delinqüentes do MST e teve que correr para salvar a própria pele e da família, se com MST é assim, imaginem os gangues que usurparam a União. Hah o Madoff foi apanhado em dezembro de 2008 no USA e em março de 2009 já estava transitado em julgado. E o caso do juiz do “mensalão” (maio de 2005) que taxou os integrantes de gangue, milhares aplaudiram, mas me faz suspeitar que tudo caminha para prescrição e este apenas fez pirotecnia para proveito próprio, é esperar para ver… Estava louco para aplaudir, mas após todos estes anos…

  49. Ricardo Horta disse:

    Denis,

    Acompanho seu blog há muito tempo, em geral gosto bastante dos posts. Mas desta vez você vai me desculpar: você pisou na bola. E feio.

    Com a imprensa que temos, que tem ânsia por achar bodes expiatórios e manchetar incessantemente “escândalos”, é fácil ter a visão simplista que você demonstra no texto. Difícil é ser um cidadão informado de fato, e procurar saber como funciona o Estado na prática.

    Meu caro, existe vida além das manchetes de jornais.

  50. Marcos Fernando disse:

    Ótimo texto, verdadeiro e moderno.

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