Política da felicidade

A Crown Fountain, em Chicago, uma fonte lúdica-interativa-artística: exemplo de política pública que deixa as pessoas mais felizes. Foto: albany_tim (cc)

A ideia de que o papel do governo é deixar as pessoas felizes não é nova, claro. Qualquer um que seja versado em contos de fadas sabe que, desde o tempo do era uma vez, um bom rei é aquele cujo povo é feliz e próspero. Era assim na antiguidade, continuou a ser assim no estado moderno. A Declaração de Independência dos Estados Unidos, logo no seu preâmbulo, avisa num texto quase tão familiar quanto o hino americano que “todo Homem foi criado igual, e foi dotado pelo seu Criador com certos Direitos inalienáveis, entre eles a Vida, a Liberdade e a busca da Felicidade”.

Note que o texto não menciona Dinheiro. Também não há referências a iPad. Mas o fato é que, tanto nos Estados Unidos quanto em todo o mundo moderno, os estados ultimamente têm se esforçado muito mais para deixar o povo próspero do que feliz.

Talvez seja em parte porque riqueza é bem mais fácil de medir do que felicidade. Felicidade é fugidia, e absolutamente sujeita a ser frustrada pelos caprichos humanos.

Um exemplo disso é um estudo clássico feito por três psicólogos americanos em 1978. Eles compararam os “níveis de satisfação com a vida” de três grupos de pessoas: “ganhadores na loteria” (que receberam prêmios entre 50.000 e 1 milhão de dólares), “vítimas de acidentes devastadores” (alguns deles tornados paralíticos) e um grupo-controle de gente comum escolhida ao acaso. Resultado: os ganhadores da loteria não se consideravam mais felizes que o grupo-controle. Quando perguntados  se esperavam um futuro melhor, as vítimas de acidente levaram vantagem. Os ganhadores na loteria se declararam menos capazes de tirar prazer de tarefas cotidianas.

Realmente, se você olhar a correlação entre riqueza e felicidade, não vai encontrar um retrato fácil de interpretar. Pegue o caso americano. Por lá, todos os indicadores financeiros melhoraram imensamente nos últimos anos. Desde os anos 1970, a renda americana subiu mais de 60%, o tamanho médio das casas cresceu quase 50% e todos os índices de consumo aumentaram. Enquanto isso, os níveis de felicidade permaneceram teimosamente inalterados (eles tinham crescido constantemente até os anos 1950). Nos últimos 30 e tantos anos, o mundo desenvolvido acumulou um monte de dinheiro, mas não tanta felicidade.

O fato é que, embora a felicidade seja realmente fugidia e difícil de medir, a ciência já sabe razoavelmente bem como encontrá-la. Vidas com sentido são mais felizes. Vidas ativas também. Espaços agradáveis de convívio aumentam a felicidade, espaços ruidosos sem trocas humanas diminuem. Tempo livre aumenta a felicidade, mas só quando ele é preenchido de uma maneira que traga sentido à vida, se não mais atrapalha que ajuda. E por aí vai.

Nas últimas décadas, esse tema foi lentamente ocupando espaço no debate político mundial. Primeiro foi um rei no Butão que inventou a ideia de Felicidade Interna Bruta (FIB), que nortearia os objetivos de seu governo mais do que o tradicional PIB. Até aí, era só uma iniciativa exótica de um governo autocrático em um país remoto. Mas, em 2007, o primeiro-ministro do Reino Unido nomeou um “czar da felicidade”, focado em alegrar os súditos da rainha. No ano seguinte, o presidente da França montou uma comissão liderada por dois Nobel de Economia (Amartya Sen e Joseph Stiglitz) para orientar o governo sobre como governar de maneira a deixar os franceses mais felizes.

Agora, na semana passada, um think tank finlandês chamado Demos, em parceria com os ambientalistas da WWF, lançou um manifesto batizado de “A Política da Felicidade”, propondo que os governos coloquem a busca pela felicidade no centro de sua agenda, no lugar onde até outro dia ficava a economia. Para mim, é o mais interessante documento já escrito sobre o tema (esta é a versão em inglês).

O Brasil não é a Finlândia, óbvio. Em países pobres como o nosso, felicidade aumenta sim quando a renda aumenta (garanto que ninguém é feliz com diarreia, fome ou malária). Mas o manifesto é bem interessante, inclusive para dar algumas ideias para os dois principais candidatos à presidência brasileira (quando olho para a cara do Serra ou da Dilma, certamente o que me vem à cabeça não é “essa pessoa quer me fazer feliz!”)

O texto parte de constatações científicas muito bem fundamentadas sobre a natureza da felicidade para fazer recomendações concretas de política pública. Por exemplo:

– criar um “fundo nacional de tempo”, que daria feriados às pessoas que doassem trabalho cívico (tanto feriados quanto trabalho cívico tendem a aumentar a realização pessoal).

– criar uma cultura de “design criativo” de espaços públicos. Prédios públicos têm que ser engraçados, surpreendentes, estimulantes e abertos para o uso de toda a população.

– gradualmente extinguir os exércitos e, no lugar deles, criar uma espécie de “acampamento cívico” aberto a todos os cidadãos.

– priorizar o trabalho coletivo na educação. Hoje, todo o sistema de educação é baseado no indivíduo e não incentiva nem ensina o trabalho coletivo, que aumenta os níveis de felicidade.

– proibir carros onde há crianças.

– aumentar impostos sobre espaço não utilizado. Criar incentivos financeiros para quem compartilha espaço.

Não é legal?

34 comentários
  1. marina chevrand disse:

    e é engraçado ver como sp é carente de politicas assim… tive essa sensacao muito clara quando fui a sessão de cinema no domingo a noite no minhocão. aquele lugar inospito transformado em cinema a ceu aberto, com certeza fez o domingo daquelas pessoas que estavam ali ou nas janelas dos apartamentos muito melhor… e felicidade esta nessas coisas tão simples, nao é mesmo? quero um czar da felicidade tambem pra pensar iniciativas assim aqui em sp!

  2. Rodrigo disse:

    “uma fonte lúdica-interativa-artística”
    HAHAHAHAHA!!!!!
    Denis, vai comer capim seu hippie!

  3. Rodrigo disse:

    “gradualmente extinguir os exércitos e, no lugar deles, criar uma espécie de “acampamento cívico” aberto a todos os cidadãos.”
    Certo, aí quando a Al qaeda nos atacar convoquem o Denis, a WWF e esse tal Demos, que eles lançarão ervas-ecologicamente-corretas-e-sustentáveis nos nossos inimigos!

  4. Juliana disse:

    Pois é, leiam os epicuristas.

  5. Mauricio disse:

    É tão obvio e tão certo que é chocante como eu nunca pensei nessas coisas. Obrigado e sucesso.

  6. Não posso apontar nenhum estudo, mas sinto que felicidade estimula a criatividade que, por sua vez, ajuda a resolver problemas (pessoais e profissionais).
    Ou seja, FIB favorece o PIB.
    A felicidade também combate a frustração que, por sua vez, pode levar o indivíduo a cometer ações destrutivas (prejudicar alguém, danificar algo, etc.). Daí sobra mais energia para construir algo novo, já que temos menos para recuperar.
    Novamente, o FIB favorece o PIB.
    Não posso apontar nenhum estudo, mas… não faz sentido?

  7. #42 disse:

    Felicidade é importante, uma política que a busque também… Porém acho que vc saiu um pouquinho do chão…

  8. Anouk disse:

    Hahahaha…

    Oh Denis,

    Nao seria legal nao.

  9. Chesterton disse:

    Definitivamente o papel do estado não é o de produzir felicidade, ou pessoas felizes. Isso é de uma ingenuidade atroz.

  10. Não é ingenuidade achar que o papel do Estado pode ser produzir pessoas felizes. Esse papel não é definido para todos, cada Estado (me refiro ao modelo dominante de Estado hoje – o Estado-nação, baseado em uma constituição) define o seu papel, sua razão de existência. O Estado brasileiro é definido como um “Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias” com 4 objetivos claros:

    I – construir uma sociedade livre, justa e solidária;
    II – garantir o desenvolvimento nacional;
    III – erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;
    IV – promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

    Outros Estados tem objetivos muito diversos – se não me engano o Irã tem o “combate ao sionismo” como uma de suas razões fundamentais.

    Obviamente, o papel do Estado vai evoluir junto com a sociedade que o sustenta, e não é absurdo pensar que, uma vez que as necessidades materiais de um povo estejam suficientemente atendidas a ponto de o desenvolvimento econômico deixar de produzir pessoas mais satisfeitas, a promoção da felicidade passe a se tornar objeto de política pública. Um grande feito desse documento que o Denis citou é criar uma relação palpável, baseada em em estudos, sobre como políticas de governo podem gerar felicidade para os cidadãos.

    Seria o começo?

    Obrigado pelo excelente artigo, Denis!

  11. denis rb disse:

    Chesterton,
    Não acho que o papel do estado deva ser produzir felicidade – isso seria realmente absurdo.
    Mas não é absurdo pensar que o papel do estado seja criar condições para que as pessoas possam ser felizes. Lembrando a Declaração de Independência dos EUA: o que é considerado um direito fundamental é a “busca da Felicidade”, não a felicidade em si. Encontrar a felicidade é trabalho para cada um de nós.

  12. Chesterton disse:

    Olha, tem um problema na raiz de teu raciocínio. O estado nada produz. (e você ainda tem a cara de pau de sugerir que se criem mais impostos…carácoles!).
    O estado tem que deixar o indivíduo em paz, quando ele passa a ser fornecedor de serviços acaba em falência, déficits fiscais, filas, racionamento, etc…Mas além de serviços tangíveis, você sugere que ele forneça o mais intangível de todos os serviços imagináveis: a felicidade. Cara, tem uma realidade lá fora,

  13. Silvia disse:

    Fantástico. Espero que os presidenciáveis acompanhem o teu blog.

    Mas, no quesito educação voltada para o trabalho em equipe, para o coletivo, já não é uma realidade distante. Muitas escolas, principalmente as construtivistas, trabalham essa questão. Elas estimulam a cooperação em vez da competitividade. E é lindo de ver, dá esperança no futuro.

  14. jorji disse:

    Para o povo, há algumas dezenas de milhares de anos é a mesma coisa, ” pão e circo”, em qualquer sociedade é assim,agora, a felicidade de um indivíduo depende muito do fator biológico de cada um, mas basicamente a questão é de “saúde”, a saúde fisica, a saúde financeira, e o mais importante, a saúde psicológica, o equilibrio que uma pessoa deve ter para ser feliz não é fácil de se atingir. Já está comprovado cientificamente que muitos indivíduos produzem pouco determinados hormônios, como a serotonina , por exemplo, que existe naturalmente em nosso cérebro. O “sentido da vida” é a mesma há bilhões de anos, o sexo, o resto é consequência.

  15. denis rb disse:

    Mas é fato que em determinadas sociedades é mais difícil ser feliz do que em outras.

  16. Marcos Filho disse:

    Chesterton,

    Sobre felicidade e governos, sugiro a leitura dos oito tomos de Política, obra fundamental de Aristótles. Excetuando-se a parte em que se preocupa em “justificar” a escravidão, a obra é excelente. Segundo Aristotéles, a política seria a ciência que objetiva a felicidade humana, podendo ser compreendida e subdividia em ética (felicidade individual) e política de fato (felicidade coletiva). Enfim, com aleitura da obra, podemos compreender que há formas de governo que asseguram uma vida possivelmente feliz a seus cidadãos. Particularmente, sou pessimista, e acho que essa história de “PIB da felicidade” é uma bobagem. Mas acho que o governo tem o dever de proporcionar condições de bem-estar aos cidadãos. Para isso, o Estado tem que encarar mais na função de governança que na de assistencialismo, como preferem muitos. Ou seja: meter-se menos em nossa vida e cuidar do que importa, como a manutenção de espaços públicos, como bem lembra o Denis. Desse modo, teríamos reduzidos os impostos e, sem dúvida, melhoradas nossa convivência e vivência em sociedade.

    Para a Sílvia:
    Sinto muito, mas a educação é um PÉSSIMO exemplo! O construtivismo é uma chaga que vem se perpetuando (com infinitas interpretações, algumas desastrosas) nas escolas brasileiras. Por isso temos esses péssimos indicadores de ensino no país. Até porque, essa aplicação prática nas escolas detém apenas o nome da teoria (criada pelo suíço Jean Piaget e que nada tem a ver com isso). Essa história de “não haver competitividade”, é na verdade a ausência de medição de qualidade de ensino, parâmetros para a educação e, pior, um método. O conhecimento é meritocrático e, ainda que exista sim a necessidade de experiências, de criação de contextos para o aprendizado, há que se ter em mente a necessidade de um processo e de uma padronização no ensino. Assim funcionam os melhores sistemas educacionais do mundo. Sem isso, não funciona o sistema brasileiro.
    Abçs a todos.

    P.S.: Infeliz mesmo eu estou é com a Seleção. Meu Deus! Realmente, aquela propaganda da cerveja tinha razão: parece que haviam raízes saindo do grama e prendendo as pernas dos nossos jogadores. Sempre que o Luís Fabiano tocava na bolam, então, parecia que estava lidando mesmo com uma pedra, hehehe.

  17. Silvia disse:

    Marcos, como em tudo na vida, acho que há casos e casos. Eu estou muito satisfeita com o método de ensino pelo qual minhas filhas estão aprendendo. Elas estão, sim, evoluindo, e trabalhando exaustivamente as inteligências múltiplas, segundo a teoria de Howard Gardner (http://pt.wikipedia.org/wiki/Intelig%C3%AAncias_m%C3%BAltiplas).

    Eu vivo encantada com o que elas aprendem, e adoraria ter estudado numa escola assim.

    Claro, acho que indivíduos diferentes respondem melhor a estímulos diferentes, mas até o momento estou gostando dos resultados.🙂 Acho, sinceramente, que estou dando a elas a melhor educação disponível dentro das minhas possibilidades.

  18. Chesterton disse:

    Oito tomos? quer me matar? De qualquer modo não confunda a política com o estado. sei que os políticos sugam o estado, mas fazer política em princípio nada tem a ver com estatismo.
    A fórmula da felicidade, não me3 canso de repetir, é: Ser meio surdo e ter péssima memória.

  19. FM disse:

    A Silvia tá certa, eu em escolas particulares e construtivistas e tenho muito orgulho disso. Não ia gostar de estudar num Objetivo da vida que desde criança induz o aluno a ficar “noiado” em vestibular. Não gostaria de ver flho meu estudando em escolas do tipo, que só formam o indívduo para o mercado e não para ter uma visão ampla do mundo. Agora, o último ano do colegial fui para um colégio público na vila Madalena, de péssimo ensino. O problema não é o método e sim a qualidade, o que, evidentimente, não tinha na Estadual que estudei.

  20. jorji disse:

    “Quem faz da felicidade uma prioridade de vida, nunca vai ser feliz”.

  21. Chesterton disse:

    Por falar em felicidade, me lembrei de uma piadinha que julgo muito pertinente..
    Um sujeito chegou num bar junto com uma avestruz que o seguia, e pediu uma coca-cola e um bauru. Em seguida perguntou a avestruz o que ele iria querer e ela respondeu:
    – vou querer o mesmo (imitando voz de avestruz!?)
    Quando terminaram ele pediu a conta e o cara do bar, achando aquilo tudo estranho falou .
    -Vinte e sete reais e 35 centavos.
    O sujeito meteu a mão no bolso e tirou a quantia exata e pagou a conta.
    Vários dias se passaram e todos os dias era a mesma coisa , variando a conta ele metia a mão no bolso e sacava a quantia exata…e a avestruz sempre repetindo:
    -vou querer o mesmo (imitando voz de avestruz!?)
    Aí o cara do bar não aguentou de curiosidade e perguntou afinal de contas que porra era aquela.
    O sujeito calmamente explicou que tinha achado uma lâmpada mágica, tinha um gênio que disse que ele teria 2 desejos (porque tinha muita inflação e o terceiro acabou).
    O primeiro desejo era que sempre que precisasse de dinheiro, para qualquer coisa, era só colocar a mão no bolso que a quanti exata necessária estaria disponível. Por exemplo, se ele fosse numa loja de carros e o carro custasse 50 mil, ele colocaria a mão no bolso e de lá sairiam os 50 mil. No posto de gasolina, a mesma coisa e assim por diante.
    -Tá bom, tá bom , entendi, mas e essa avdestruz que o segue sempre e não para de repetir:
    -vou querer o mesmo (imitando voz de avestruz!?)?
    -bom, o segundo desejo era que o genio me arrumasse uma companheira de pernas longas e que concordasse sempre comigo…..tóing!!!!!
    Moral da história: cuidado com seus desejos de felicidade que eles acabam se cumprindo. Só que às avessas.

  22. denis rb disse:

    Como é que é voz de avestruz?

  23. Marcos Filho disse:

    Chesterton,

    Confesso que a piada não é lá grande coisa (também não sei como seria possível se imitar voz de avestruz) mas entendi. Veja bem: sou um liberal; sou totalmente contra estatismos. Mas acho que é papel sim do governo porporcionar condições para o cidadão “ser feliz” (veja bem: condições e não porporcionar “felicidade”). Quanto à questão da política e de Aristóteles, quando se referia à felicidade coletiva, o filósofo tratava da felicidade que a pólis pode proporcionar a seus cidadãos, ou seja, as formas de o governo proporcionar condições para a felicidade.

    Veja trecho:
    “Vemos que toda cidade é uma espécie de comunidade, e toda comunidade se forma com vistas a algum bem, pois todas as ações de todos os homens são praticadas com vistas ao que lhes parece um bem; se todas as comunidades visam a algum bem, é evidente que a mais importante de todas elas e que inclui todas as outras tem mais que todas este objetivo e visa ao mais importante de todos os bens; ela se chama cidade e é a comunidade política”

    Mas não engulo essa de PIB da felicidade e nem acho que é fácil medí-la (sobretudo a felicidade de uma nação ou cidade), o que invalida esse tal manifestto da felicidade. Exemplo: em certa pesquisa, a Colômbia saiu-se com o melhor resultado no ranking de felicidade. A Noruega, por exemplo, ficou lá atrás. Qual país proporciona melhores condições a seus cidadãos? O raciocínio é simples: quanto mais altas as expectativas dos cidadãos, mais difícil satisfazê-las. Países com expectativas baixas, como o nosso, por exemplo, se contentam com coisas pequenas, como economia estável (algo básico nos EUA, por exemplo) ou bolsas assistencialistas. Tá todo mundo feliz com o governo por conta disso.

    Ainda assim, o Denis tem toda razão ao levantar a questão, principalmente citando (de forma acertada) a bela Declaração de Independência dos americanos.

  24. Guilherme disse:

    Achei interessante a ideia, e me lembrei de um vídeo que vi no TED (o link está abaixo). É de um psicólogo chamado Mihaly, e ele fala sobre o que faz viver valer a pena. Como o Denis disse, não é exatamente dinheiro. As pessoas que tem o básico para viver são tão felizes, ou até mais, que aquelas que tem muito dinheiro.

  25. denis rb disse:

    Marcos Filho,
    Não acho que desconfiar do tal FIB inviabilize a ideia toda.

    Também desconfio do FIB. O FIB é uma ideia antiga, dos anos 1970, quase tão antiga quanto as ideias desses mal humorados que vêm aqui (abraço, Chesterton!). É uma tentativa de criar um indicador que torne o trabalho de prover condições para ser feliz menos subjetivo. Antes disso, qualquer ditadorzinho merreco dizia que estava governando pela “felicidade do povo”, e ninguém tinha como checar.
    Mas meu post não é sobre o FIB não. Os documentos produzidos pelos governos inglês e francês são muito mais sofisticados e interessantes que isso. E o manifesto que linkei – o finlandês – vai ainda mais longe, A ideia básica: qual é mesmo a missão fundamental de um governo? É aumentar o PIB? Ou é criar condições para que as pessoas sejam mais felizes? Independe de haver um FIB, um indicador, um número. Trata-se de definir o objetivo. Qualquer capitalista sabe que as empresas realmente interessantes são aquelas que têm uma “missão” desafiadora, possível e empolgante. Por exemplo, a missão do Google é “conectar o mundo”. Dá para medir isso? Existe um “CIB” (Conectividade Interna Bruta)? Não. Mas todo mundo entende o que é. Portanto tem força para mobilizar gente em torno de um projeto.
    Idem com a felicidade. Eu não sei medir felicidade. Mas garanto: qualquer um de nós sabe identificar felicidade quando vê.

  26. Marcos Filho disse:

    Exatamente, Denis!!!!

    Por isso mesmo citei as tentativas de se medir a felicidade de uma nação a partir de pesquisas e, com isso, dicordei do tal FIB. Você tem toda a razão: sebamos identificar quando uma nação PORPORCIONA CONDIÇÕES para a felicidade de seus cidadãos.

    Abçs

  27. edna carmelia disse:

    Se sua intenção era de deixar-me chocada, não consigo, com a minha “grosseria” ao citar o programa CBN-Debates (CBN-Ctba) – (activia: … ruiva), conseguiu seu intento. E mais ainda.
    Nada tinha a comentar.
    Minhas poucas amizadas, coninuam incólumes. Mas, vou retirar a CBN Ctba do Twitter.
    Não pelos seus … no Twitter. Nem dos outros colunistas.

  28. Olá Denis! Mais um ótimo post! Parabéns! Gostaria de uma ajuda para a minha luta pessoal, que acredito irá refletir em algo bom para todos.

    Gostaria da opinião e do seu apoio para proceder a respeito de uma das únicas áreas verdes que restam em São Paulo, que se não impedirmos, será derrubada para construção de edifícios.

    Deixo o site para que você possa ver mais detalhes.

    http://vivaoparque.wordpress.com/

    Um abraço,

    Fernando Salvio

  29. denis rb disse:

    Oi Fernando Salvio,
    Acho que vale a briga sim. Num momento em que São Paulo precisa desesperadamente de áreas verdes que ajudem a conter enchentes, uma causa dessas pode convencer alguém na prefeitura ou na iniciativa privada. Vc já sabe de quem é a área, o que havia lá antes, esse tipo de coisa?

  30. Chesterton disse:

    Dennis, não sou mal humorado, apenas não tenho tolerância para burrice..
    Marcos Filho, não precisa confessar nada, o autor da piada sou eu, logo, quem tem que confessar sou eu mesmo. A piada é boa, principalmetne pela moral. A felicidade não é um objetivo comum, a ser alcançado por um povo, ou uma cidade, é questão de foro íntimo.

  31. Olá Denis, obrigado pela resposta.

    A área foi comprada por uma contrutora. Antes e desde sempre era uma chácara. Talvez a última da região. Ao lado do terreno existia uma viela que era aberta. O interessante é que agora fecharam tudo com “portões de ferro” talvez para ninguém ver os crimes que eles andaram cometendo, como queimar árvores, conforme foi relatado por moradores. Inclusive tenho depoimentos gravados em vídeo de um morador. E quem conhece a área vê nitidamente que a vegetação está cada vez menor. Parece que eles vão sumindo com as árvores durante a noite, o que eu não duvido, já que o estande de vendas que já está montado nos fundos fica aceso a noite toda.

    Ao ver essa área sucumbir ao desejo macabro das contrutoras eu penso também que a história do bairro está sendo apagada, junto com o pouco de humanidade na Vila que existia.

    Hoje (sábado) irei me reunir com lideranças no bairro para recolher assinaturas, expor a situação, já que quase ninguém sabe o que está para acontecer.

    O projeto está tramitando nas secretarias da prefeitura. Fui até a secretaria do meio ambiente e fotografei a planta do projeto, conversei com o engenheiro responsável que apenas se limitou a dizer que eles estão dentro da lei… Fazendo pequenas intervensões para ingles ver, do tipo transplanta uma arvorezinha, planta uns matinhos etc.

    Eu acredito que algo pode ser feito já que outros locais como o terreno onde hoje é o parque Mário Covas na Paulista, estava na mão da construtora e pelo que soube foi com uma iniciativa dessa e apoio do Banco Itaú, conseguiram impedir a construção do prédio e mantiveram a área verde.

    Peço que me ajude a mostrar para as pessoas e para as empresas que podemos fazer algo bom e útil para muitas gerações. (desculpe o tom exagerado, mas é o que eu penso)

    Logo em breve irei colocar no site a planta do projeto diabólico e já coloquei um link para o abaixo assinado.

    Um abraço e conto com seu apoio.

    Fernando Salvio
    http://vivaoparque.wordpress.com/

  32. Fala Denis!

    Só passei para avisar que coloquei a planta do projeto que a construtora queria fazer na área verde e um vídeo com o depoimento de um morador contando como foi o incêndio criminoso que devastou boa parte do terreno.

    Dá uma olhada: http://vivaoparque.wordpress.com

    Abraço,

    Fernando Salvio

  33. Olavo B disse:

    SUPER MEGA ULTRA legal!

  34. Mais material para embasar o Modelo de Desenvolvimento Urbano da Felicidade.

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