Nós não somos dinamarqueses

Em 1962, Copenhague, a capital dinamarquesa, foi tomada por uma polêmica. Estava nos jornais:

“Nós não somos italianos”, dizia uma manchete.

“Usar espaços públicos é contrário à mentalidade escandinava”, explicava outra.

O motivo da polêmica:

Um jovem arquiteto chamado Jan Gehl, que tinha conseguido um emprego na prefeitura meses antes, estava colocando suas manguinhas de fora. Gehl, que tinha 26 anos e era recém casado com uma psicóloga, vivia ouvindo dela a seguinte pergunta: “por que vocês arquitetos não se preocupam com as pessoas?”. Gehl resolveu preocupar-se. E teve uma ideia.

Havia em Copenhague uma rua central, no meio da cidade, cheia de casas imponentes e de comércios importantes. Era uma rua que tinha sido o centro da vida na cidade desde que Copenhague surgiu, no século 11 – a rua viva, onde as pessoas se encontravam, onde conversavam, onde os negócios começavam, os casais se conheciam, as crianças brincavam, a vida pública acontecia. Nos anos 1950, os carros chegaram e aos poucos essa rua foi virando um lugar barulhento, fumacento e perigoso. As pessoas já não iam mais lá. Trechos inteiros tinham sido convertidos em lúgrubes estacionamentos.

Pois bem. Aquele jovem arquiteto tinha um plano: fechar a rua para carros.

Copenhague não aceitou facilmente a novidade. Os comerciantes se revoltaram, alegaram que os clientes não conseguiriam chegar. São dessa época as manchetes de jornal citadas no começo do texto. O que os jornais diziam fazia algum sentido: Copenhague não é no Mediterrâneo. Lá faz frio de congelar – o mês de dezembro inteiro oferece um total de 42 horas de luz solar. Ninguém quer andar de bicicleta, ninguém quer caminhar. Deixe meu carro em paz.

Mas o jovem arquiteto ganhou a disputa. Nascia o Strøget, o calçadão de pedestres no meio da cidade que hoje é a maior atração turística de Copenhague. As pessoas adoraram a rua para pedestres desde que ela foi fundada. Na verdade, o comércio da região acabou lucrando muitíssimo mais, porque a área ganhou vida e gente passou a caminhar por lá a todo momento. É até lotado demais hoje em dia.

O arquiteto Gehl caiu nas graças da cidade e continuou colaborando com a prefeitura. Suas ideias foram se aprimorando. Ele descobriu que o ideal não é segregar pedestres de ciclistas de motoristas: é melhor misturá-los. Alguns de seus projetos mais interessantes são ruas mistas, nas quais os motoristas sentem-se vigiados e dirigem com um cuidado monstro. Outra sacada: que essa história de construir ruas para diminuir o trânsito é balela. Quanto mais rua se constrói, mais trânsito aparece. Quanto mais ciclovia, mais gente abandona o carro.

Em grande medida graças às ideias de Gehl, Copenhague é a grande cidade europeia com menos congestionamentos. 36% dos deslocamentos são feitos de bicicleta, mesmo com o clima horrível de lá, e a população tem baixos índices de obesidade e doença cardíaca.

httpv://www.youtube.com/watch?v=7gjqgt7qkQw

“Copenhaguizar” virou um verbo: significa tornar uma cidade mais agradável à maneira de Copenhague. Jan Gehl abriu um escritório de arquitetura cuja filosofia é “primeiro vem a vida, depois vêm os espaços, depois vêm os prédios”. Ele passou a ser contratado por várias cidades australianas interessadas em “copenhaguização”. Seus projetos revolucionaram Sidney, Perth e Melbourne, tornando seus centros mais divertidos, cheios de cafés, arte e vida, reduzindo carros, atraindo gente para fora de casa. De uns tempos para cá, Gehl, que hoje tem 74 anos, passou a ser procurado pela “big league” das cidades: Londres e Nova York o contrataram como consultor para transformar seus espaços urbanos. Ambas têm feito muito desde então.

Enquanto isso, aqui na minha cidade, se alguém fala em melhorar o espaço público, logo ouve:

“Nós não somos dinamarqueses. Usar espaços públicos é contrário à mentalidade brasileira.”

50 anos atrasado.

Outra frase que se ouve muito aqui:

“Brasileiro adora carro.”

Adora nada, meu filho, presta atenção. Isso é propaganda de posto de gasolina!

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111 comentários
  1. Lucas Migotto disse:

    É, Denis… A minha esperança é que, com a Copa e as Olimpíadas, os governos decidam investir de uma vez na qualidade de vida nas cidades principalmente em S. Paulo. O ideal seria aproveitar esses eventos para revitalizar a cidade ou, pelo menos, implantar essa semente na cabeça das pessoas.

    E concordo com você. Esse negócio de que brasileiro gosta é de carro é pura invenção de marketing. Mas não de posto de gasolina somente, mas também de montadora de automóveis e até do governo. Pois todos acabam lucrando fácil com essa mentalidade. Veja só a indústria das multas, pedágios e impostos.

    Ou a Copa e Olimpíadas ajudarão a mudar isso ou somente a Educação de qualidade para todos fará. Veremos.

  2. denis rb disse:

    Lucas Migotto,
    Adoraria que você estivesse certo, mas não tenho muitas esperanças de que a Copa seja aproveitada para mudar a lógica das cidades brasileiras. A julgar pela cafonice da festa de apresentação da semana passada (da qual só os meus amigos do Barbatuques se salvaram), a inteligência por trás do projeto Brasil-14 é baixíssima…

  3. Marina Gomes disse:

    Gostaria muito de saber o que nossos arquitetos estudam e fazem na famigerada FAU-USP…

  4. wagner disse:

    tem q mudar em muito a mentalidade…moro em bh, e tenho dificuladade para atravessar uma rua…ontem msm, ai iniciar a travessia em uma faixa, observaçao: com o sinal de pedestre verde, no meio da avenida tive q voltar correndo, pq os motoqueiros, como loucos sairam em disprada, antes msm do sinal dos automóveis ficar verde. Fiquei p… e assutado, e logo depois um sentimento de decepçao, onde anda a educaçao e o respeito? Pra isso acontecer aqui, coisas basicas como citei, educaçao, respeito cidadania, tem que existir. E pelo que sinto, isso está longe…

  5. Marina disse:

    Aqui em Curitiba o coração da cidade é a Rua XV de Novembro, um calçadão fechado para carros… E que coincidência, está no Brasil!

  6. gino carvalho disse:

    Denis, a diferença é que copenhague tem hoje apenas 600.000 habitantes e o nivel de pobreza lá é baixo e educação alto… aqui calçadões viram camelódromos, as pessoas não respeitam as ciclovias nos parques (vide ibirapuera nos finais de semana) imagine nas ruas. As distâncias em São Paulo são N vezes maiores que copenhague. No Brasil o que se deveria fazer é investir nas pequenas e médias cidades para evitar que se tornem o que são paulo se tornou.Em vez de se investir milhões para limpar o tiete e pinheiros, deveriam começar a investir milhares para evitar que pequenos rios do interior virem esgoto. Um projeto de ciclovia em cidades menores com certeza funcionaria e educaria

  7. Mariana disse:

    Ainda tenho esperança de que algumas melhorias urbanísticas serão implementadas com a Copa/Olimpíada. O que me entristesse é que tais melhorias virão apenas devido a estes eventos que trarão muitos turistas ao país. Parece que nós não estamos precisando e querendo cidades mais agradáveis a muito tempo!
    Por falar em ceticismo, Denis, a capa do Diário de Pernambuco, no dia após a chuva que destruiu algumas cidades de Pernambuco/Alagoas, era: “Imagine uma Copa aqui” e mostrando fotos de alagamentos, falta de energia e muitos pontos de congestionamento em Recife. Achei sensacional!

  8. Luana disse:

    Morei na Dinamarca por 8 meses e é impressionante como organização e planejamento podem elevar nossa qualidade de vida a níveis altíssimos. Mas trabalhar a consciência da população para que ela mude seus hábitos também é essencial. Depois de morar em Copenhagen é difícil voltar ao Brasil. Parece até outro planeta rs.

  9. Silvia disse:

    Eu uso mais o carro por falta de coragem de por minhas filhas nas ruas de bicicleta do que por gostar de carro. Pra falar a verdade, gosto da liberdade de ir e vir que o carro me dá. Mas preferiria mil vezes ter a liberdade de escolher o meio de transporte mais adequado, deixando o carro na garagem – quem sabe até vendendo!

    Queria infraestrutura para poder escolher bicicleta, metrô, ônibus, caminhada… Sem ficar morrendo de medo de expor minhas filhas a um risco desnecessário. Agora elas estão começando a se virar melhor na bike, e tenho procurado sair com elas pela vizinhança para pequenos passeios ou pequenas tarefas (ir para a aula no clube, ir até a padaria, ir à casa de amigos que morem no bairro). Mas minha coragem se limita aos caminhos em que dá para deixá-las andar na calçada, já que temos uma ciclofaixa muito da sem-vergonha, que mais parece faixa de estacionamento.

  10. Leo Cabral disse:

    É uma tarefa corajosa exigir qualidade de vida e bater de frente com lobbies respeitados no Brasil: carro e petróleo. Por mais que se diga que energias renováveis nunca farão o petróleo deixar de ser industrialmente utilizado (ainda mais hoje, com carros cada vez mais feitos de plástico). Sabendo como e difícil que empresas e indústrias percebam o ganho de produtividade que uma ida ao trabalho rápida e tranquila, em ambientes arborizados e bem mantidos o que nos resta é partir da população a devida mobilização por tais melhorias. Mas aí começaremos a falar da copenhaguização da educação…

  11. denis rb disse:

    Marina Gomes,
    Entendo sua crítica aos arquitetos da USP.
    Mas acho que é um pouco injusto colocar toda a culpa nos arquitetos. O problema é nosso modelo de desenvolvimento urbano: autoritário, que não ouve as pessoas, todo criado por uma elite de engenheiros e administradores públicos que raramente vai à rua. O problema é a nossa – minha, sua, de todos nós – dependência do carro e da queima de combustíveis fósseis. Os arquitetos apenas refletem esses problemas sistêmicos. A sociedade não está exigindo boas cidades dos arquitetos.

  12. denis rb disse:

    É uma ótima revista, Lica.
    Tem alguma matéria em especial que chamou sua atenção?

  13. Carlos Motta disse:

    Parabéns, Denis! Como sempre você nos chama à razão, e nos faz ver o quão antigo é aquilo que alguns acham que ainda não estamos preparados para suportar. Abraço

  14. Surfs disse:

    Denis, belo texto. Todas as grandes mudanças começam com a descrença, passam pela polêmica & resistência até atingir o êxito e mudar o curso das coisas.
    Seu texto me remeteu à história da revitalização rio ‘Cheonggyecheon’ na Coréia do Sul. Vc a conhece? Resumindo: o prefeito de Seul resolveu demolir um “minhocão sul-coreano” para revitalizar o rio que passava em baixo. Segue o link com a história no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=dH9ygL1AAII

    Abs

  15. Gisela Blanco disse:

    Que legal essa história! Apesar de ter morado por lá, nunca tinha ouvido. A impressão que dá é que os dinamarqueses já nasceram andando de bicicleta. E lembrando das outras cidades que conheço por lá, basicamente TODAS tem um calçadão assim principal bem no centrinho, que é sempre o lugar mais gostoso de passear. E as lojas que ficam por lá são sempre muito muito boas, mesmo que não dê pra estacionar na porta.

    São Paulo bem que podia ter também… pensando no centro da cidade, nem parece tão difícil assim de fazer o mesmo aqui… era só distribuir melhor a Virada Cultural no resto do ano… =)

  16. Felipe disse:

    Marina, acho melhor vc perguntar pros caras da Poli, das empreiteiras…Esses que tem o poder aehuhae

  17. GW disse:

    O melhor da Dinamarca é que os ciclistas sabem respeitar os pedestres! Em outras cidades do mundo é comum ver ciclistas concentrando toda sua raiva automobilistica em cima de um ou outro pedestre desavisado que invade sua ciclovia.

  18. As pessoas, são e serão sempre pessoas. Já assisti excelentes palestras de arquitetos do escritório do Gehl, e a mentalidade de pensar as cidades para as pessoas é tão incrivelmente simples.

    Em São Paulo, alcançamos o que o planejamento urbano traçou ao longo das últimas décadas, cidade para os carros. Agora aos que perdem seus dias parados, perguntem se gostam de carro! 🙂

  19. denis rb disse:

    Conheço a história sim, Surfs. Sem dúvida inspiradora.

  20. denis rb disse:

    Pois é, Gisela. Recebi aqui um projeto incrível de um pessoal de um escritório de arquitetura que é mais ou menos assim: uma rede de ruas dominadas por pedestres conectando vários bairros de São Paulo. O mais incrível é que dá para fazer isso sem impactar em nada o fluxo de carros (apenas diminuindo vagas de estacionamento no meio-fio). Certamente voltarei a falar disso em breve.

  21. Daniel disse:

    Adorei o artigo!

  22. Fellows disse:

    Acho que acabamos todos batendo na mesma tecla. Apesar de ter a minoria dos votos, os principais interessados em manter nossa sociedade baseada no automóvel é muito bem organizada. Sua pressão para manter o status quo seja via lobby ou na sedução via marketing nos faz acreditar que esta é a melhor solução. Ou pior ainda a única alternativa possível.
    Enquanto o povo não tiver a consciência de que pode mudar, ficaremos enxugando gelo, ou gasolina (e sem estopa).

    abs.,
    Marcelo

  23. Paulo disse:

    No Brasil parece que as coisas só saem através de choques.
    Já que é assim por que não um choque de transportes públicos e um choque educacional?
    Nossos maiores inimigos que impedem a prática de boas políticas públicas são os políticos populistas que preferem manter o povo ignorante e vivendo de esmolas. Para chegar a Copenhague ainda temos muito caminho pela frente.

  24. Morar em Copenhague deve rejuvenescer mesmo… o arquiteto em 1962 tinha 26 anos e hoje tem só 64…. dá pra ver como morar em uma cidade PLANA e desenvolvida tem tudo a ver com esses projetos… Em Santos e São Vicente há milhares de trabalhadores que se locomovem em ciclovias. O detalhe é que tratam-se de pessoas de BAIXA RENDA, que se utilizam de bikes somente porque não tem outro meio de locomoção. Tão logo sobem um degrau na escala social essas pessoas abandonam o hábito…
    Sou executivo do mercado financeiro e tentei anos atras uma alternativa usando minha bike para trabalhar … a operação só dava certo em dias EXTREMAMENTE FRIOS pois eu suava e não existia em meu escritório meios para tanto….
    Temos que considerar também que, devido à pessima qualidade da água desses paises (muito sódio e magnésio) as pessoas não tem o hábito diario de banho…em consequencia o desconforto causado por suor eventual é menor…

  25. Marcos disse:

    Hummmmm è curioso olhar para o passado da industria automobilistica e perceber que ela nasceu no século XIX, do seio de tradicionais famílias amantes de mecânica e da velocidade. È importante ressaltar que se vivia a maior mudança da historia do homem: A REVOLUçÃO INDUSTRIAL,a febre da procura do novo. É como hoje com as novas tecnologias, só que na época isso era feito de forma mais romantica. essa nova revolução é um ato puramente de especulação financeira..acredito muito mais em horoscopo que nesta esta pseudo-ciencia da sustentabilidade e olha que eu tenho um pézinho na dinamarca tá !?

  26. denis rb disse:

    Ixi
    Obrigado, Edson Magalhães, mancada minha, já corrigi: são 74 anos.

  27. denis rb disse:

    Marcos,
    Sustentabilidade não é ciência, nem pseudo-ciência. Nada a ver.

    Sustentabilidade é um conceito. Um processo sustentável é aquele que alimenta a si próprio, sem resíduos ou déficits. É simples. Exemplo: se seu projeto de vida é sustentar sua família com a venda dos móveis da sua casa, seu projeto é insustentável. Por quê? Porque os móveis vão acabar um dia. Se você tem um emprego que paga salário todo mês, aí sim o projeto é sustentável.

    Ou seja: não tem nada para acreditar ou deixar de acreditar aí. Tem algo para entender. Sua comparação com o horóscopo é bastante descabida.

  28. Max Meirelles disse:

    Parabens pelo texto, muito bem colocado. “Ou progredimos ou desaparecemos”

  29. Lucas Jerzy Portela disse:

    Semeando Livros http://ultimobaile.com/?p=2591 Nossa intervenção urbana de #bookcrossing

    dê uma olhada, talvez te interesse. Se quiser, republique aqui ou no twitter.

  30. Juliano Pappalardo disse:

    Quase caiu uma lágrima aqui ao ver o filme, a barra do sobretudo esvoaçando ao vento…

    50 anos atrasados mesmo. É como se nós, ciclistas, estivéssemos numa luta cujo vitória já é conhecida, mas precisamos mesmo assim todos assistir ao filme que já foi assistido.

  31. maduca disse:

    Deixo aqui o meu blog de design-consumo e meio ambiente, e no fundo e´apenas um problema de mentalidade, educação e cultura do cidadao e governo. Acredito as vezes que a sustentabilidade e´para aqueles paises que merecem e ganharam o direito de exercer ela proporcionando antes saude, habitação. educação de qualidade para os cidadãos.
    http://marciodupont.blogspot.com

  32. Rafael Baldasso disse:

    Infelizmente a maioria dos brasileiros são muito atrasados tanto social quanto culturalmente… a resposta acima evidencia isso ;(

  33. Carlos, Recife - PE disse:

    Ainda bem que não somos dinamarqueses. Ô povo triste aquele. O país faz frio de doer, as pessoas estão sempre depressivas, mesmo sendo louros, bonitos e ricos. No inverno só tem duas horas de luz por dia. Deus me livre!

    Querer importar/copiar uma realidade alienígena para os trópicos, é não querer ter idéias PRÓPRIAS para resolver os NOSSOS problemas.

    Achar que u zeropêus fazem sempre “melhor” é desconhecer as mais simples regras de Geografia e realidade social. Desconhece-se o Brasil ainda.

  34. paula disse:

    lindo post Denis ! agua mole em pedra dura tanto bate até que fura .. seu trabalho por São Paulo é importantissimo, a mentalidade se muda aos poucos, precisa começar com as crianças. Os 5 dias que passei recentemente em SP deu pra perceber pelas conversas que usar a bike para trabalho e escolha não é mais tão novidade como antes. parabens!

  35. gino carvalho disse:

    Não é simplismo comparara uma cidade de 500.000 habitantes com um cidade de 12.000.000 ?

  36. denis rb disse:

    gino carvalho,
    Não estou comparando uma cidade de 500.000 habitantes com uma de 20 milhões (se contarmos a área metropolitana inteira). Estou discutindo modos de ver o espaço urbano. Jan Gehl propõe uma abordagem nova, focada no cidadão. As ideias dele foram colocadas em prática em cidades de vários tamanhos: Copenhague, Melbourne, Londres, Nova York e, cada vez mais, são discutidas em cidades pobres, como Bogotá e Cidade do México.

  37. denis rb disse:

    Carlos,
    “u zeropêus fazem sempre melhor”?
    Olha, em nenhum momento eu afirmei isso. Pelo contrário. Meu texto é justamente para mostrar a importância de encontrar caminhos próprios, de não acreditar em visões preconceituosas. O nosso modelo atual de cidade, esse sim, é importado (dos EUA) sem qualquer esforço de adaptação à realidade local. Somos dependentes dos carros só porque acreditamos que esse é o único jeito de ser. Não é.

  38. denis rb disse:

    Juliano,
    Ótima definição. É isso mesmo. Já sabemos o que vai acontecer: é óbvio que nosso modelo atual é insustentável e que é inevitável que a gente acabe encontrando uma alternativa. A inevitabilidade está a nosso favor. Ainda assim, temos 20, 30, 40 anos pela frente até chegarmos lá.

  39. Johnny disse:

    Acabo de voltar de Copenhagen, Oslo, Stockholm e Helsinki. Em todos estes lugares, há um forte estímulo ao não uso do carro, a começar pelo estacionamento nas ruas, que chega a custar 5 ou 6 euros a hora. Em Copenhagen paguei pouco mais de 50 euros pra deixar o carro estacionado num subsolo do hotel, que tb pertence a municipalidade (o subsoo, não o hotel). Se tirar o carro dali, chega outro e a vaga está perdida, não tem lugar garantido. E os calçadões estão lotados de turistas e vazios de carros.

  40. Johnny disse:

    Carlos,

    Realmente faz frio na dinamarca, mas chamá-los de “povo triste” é desconhecer a realidade deles.

  41. Johnny disse:

    Carlos,

    Realmente , copiar dos outros e querer implementar igualzinho aqui não dá muito certo, mas boas idéias podem e devem se avaliadas e copiadas, seja dinamarquesas ou australianas. Mas esse bairrismo de repudiar o que os europeus fazem só pra dizer que “temos de resolver nossos problemas” é tacanha demais.

    Johnny
    ======

  42. Sofia disse:

    Denis adorei seu texto alem de informar pois eu nao conheço Copenhague,ele emociona ficou meio poetico e me levou a sonhar e se um dia aqui for assim?Eu meu filho marido avos todos pedalando cheira a paraiso

  43. jorji disse:

    O Brasil não é Dinamarca, não é Itália, não é Alemanha, não é EUA ( que tem cidades muito mais bonitas que as nossas ), não é Japão, etc, o Brasil não tem arquitetos urbanistas como a Dinamarca, o Brasil não tem um povo como a Dinamarca.Planejamento, essa é a palavra chave. Já entendi o raciocínio do Denis, é exterminar os veículos automotores, e regredir para a idade média, a culpa de tudo é o automóvel, é emblemático, em parte ele tem razão, eu já penso diferente, a culpa de tudo se chama evolução, quem mandou descer das árvores. Voltando para as nossas cidades, precisamos criar uma geração de arquitetos com uma mentalidade nova, renovadora, com idéias mais voltadas em humanizar as nossas violentíssimas, sujas e imundas ruas e avenidas, cidades feias e sem graça nenhuma, em vez de gastar dinheiro em novos viadutos e avenidas para os novos carros, essa idéia de ruas exclusivas a pedestres, ruas exclusivas para ciclistas, mais praças, mais parques, mais verde em nossas cidades, é possível sim, basta planejar, o que nos falta é inteligência, também com essas escolas públicas e particulares………………

  44. Denis voce ja parou para pensar na etimologia da palavra DINAMARCA?
    danmarck vem da expressão “MARCA DE DAN” ou em bom portugues danados que segundo a biblia e o velho testamento era um dos filhos de Caim e chefe de uma das doze tribos perdidas de Israel qe foram parar no fundo daquele Oceano Gelado e revoltado conhecido como Mar do Norte…então se voce imaginar que nossa “civilisação tupiniquim” tem pouco mais de 500 anos um “delay” de 50 não significa muita coisa muito pelo contrario teremos que passar por algumas provações e purificações para atingir o estagio evolutivo de um dos povos mais civilisados do planeta…os dinamarqueses como em toda a escandinávia tem uma das sociedades mais organisadas em que o conceito de coletivo esta muuuito acima do individualismo esacerbadamente egoista em que nos encontramos agora….tenho um pézinho na dinamarca meu avô Fritz Waldemar Honorê,nasceu em Frederícia (Dinamarca) a 19 de fevereiro de 1881. Filho de um próspero industrial da recem nascida Industria Automobilistica em Copenhague(WAGONMAKER), Peter Honorê, e de Else Margrethe Sorensen, formou-se em Engenharia na Escola Real de Artes e Ofícios da capital dinamarquesa. Após a I Primeira Guerra Mundial, no início da década de 20, veio para a América do Sul como correspondente de um jornal. Depois de passar por Buenos Aires e Rio de Janeiro, Honorê veio para a então província do Paraná, aonde conheceu Amasilia de Campos Lima. Fixando residênciatrabalhou como construtor de diversas obras.Com o general Mário Tourinho, participou da construção das obras de construção da estrada que ligaria Guarapuava a Foz do Iguaçu, na década de 50. Como ele morreu? pasmem foi atropelado em Guarapuava no ano de 1958 enquanto se dirigia ao seu trabalho de bicicleta!

  45. “Nós não somos dinamarqueses”. Na Dinamarca de hoje, essa frase pode se perfeitamente aplicada a boa parte da população.

  46. denis rb disse:

    Não tenho dúvidas disso Alfeo e jorji,
    O Brasil não é mesmo a Dinamarca.

    Mas isso não é razão para não tentarmos criar um modelo de cidade que respeite o ser humano.

  47. Felipe disse:

    Não é Dinamarca, é algum lugar no Planeta Terra. E daí que foi na Dinamarca? Poderia ser na Estônia, na Croácia ou no Canadá. Já adotamos modelos estrangeiros desde que o Brasil é Brasil. Aliás aqui é uma pátria inventada. E, apesar de gostar demais do Brasil, eu sou do mundo, do universo. Odeio provincianismo e adoro essa frase de Samuel Johnson:

    O patriotismo é o último refúgio dos canalhas

  48. Carlos disse:

    Caro Johnny, ir à Escandinávia à passeio ou negócios por alguns dias, é uma coisa, agora morar é outra coisa completamente diferente. Eu morei na Suécia e te digo que os escandinavos não riem nunca. Quantos habitantes têm esses países? Poucos e são muito mais homogêneos etnicamente apesar de uma tímida imigração lá (os imigrantes vão pra Alemanha, França e Inglaterra). É perfeita a colocação do Gino Carvalho, apesar que esse conceito de “idade de um país” não colar muito, vide Austrália e Nova Zelândia, que eu também as conheço. Não é bairrismo. No Rio de Janeiro estão fazendo políticas de urbanização que estão dando claros resultados (por favor, deixem a política de lado). Mas São Paulo precisa finalmente parar com a cultura do automóvel (é uma metrópole cada vez mais asfaltada) e isso é pedir também à prefeitura e não somente aos paulistanos,já sufocados pela enorme poluição.

  49. JulioK disse:

    Prezado Denis,

    Acho que daqui a 20 anos o Brasil vai tornar-se o país mais esquizofrênico do mundo.
    Os brazucas branquelas (descendentes de europeos) querem importar TODAS as leis e maneira de viver do Norte da Europa.
    Nossa legislação de acidentes de trabalho, ambiental e etc. são todas importadas de lá. O Brasil vai parar!
    Vamos investir em transporte público!
    Vamos investir em preservação ambiental COM a manutenção da produção.
    Vamos investir em redução das tensões sociais no Brasil!
    Este é um bom começo. Quando atigirmos esse patamar ai começaremos a “andar de bicicleta” por livre e espontânea vontade!
    Liberdade e democracia forever!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  50. muito interessante JulioK sua colocação…mas isso é bom sabe?, o capitalismo feroz dos Estados Unidos que quer engolir todo mundo está perdendo mais sua força…esse mesmo capitalismo cria uma giga desigualdade e já sabemos da grande desigualdade do Brasil. É preciso tomar o exemplo dos países escandinavos realmente só assim as coisas irão melhorar no Brasil. Investir no social realmente, na educação do povo, no desenvolvimento sustenvável, é isso que faz a diferença. Mas o Brasil não vai parar por causa disso, a economaia ciclica, as tecnologias também, pois morre uma tecnologia quando nasce outra tecnologia.E isso tudo é para facilitar a vida do homem e fazer com que ele tenha longevidade.

  51. Marcos Filho disse:

    “o capitalismo feroz dos Estados Unidos que quer engolir todo mundo está perdendo mais sua força”…

    Pfiii…Dizem isso há uns cinquenta anos, no mínimo.
    Esquerdofrenia é uma coisinha perigosa!

  52. Marcos Filho disse:

    Sabem, não entendo o motivo de tanto alvoroço, do tipo “ah, o Brasil não é a Dinamarca”, “ah, nós temos que encontrar soluções ‘tupiniquins'”, “ah, o Brasil quer ser branquelo”, “ah, esse capitalismo feroz”…

    Vejam bem, não se trata de uma revolução de costumes ou ainda uma profunda mudança econômica. Há pouco mais de quarenta anos atrás, os carros eram artigo raro na paisagem das grandes cidades do país, diga-se. Não temos a cultura automobilística dos EUA (que, mesmo com grande concentração de carros, sabe sim desenvolver soluções inteligentes para o problema). O que propõe o texto é apenas a adoção de um modelo que está dando mais que certo na Escandinávia. Quem já visitou Roskilde, Copenhague ou mesmo Hässleholm, Visby e Estocolmo (Suécia) sabe disso.

    Mas vocês tratam isso como se fosse a Perestroika. Não é. E não tem nada de “ir contra o capitalismo” ou “redução de tensões sociais”. Isso é bobagem.

  53. Marcos Filho disse:

    O espaço público pode ser melhor aproveitado. Não sou contra os carros; acho-os até certo ponto indispensáveis em grandes metrópoles. O que não dá é para manter esse modelo atual, onde ao menos 70% do espaço público é destinado aos automóveis (e mesmo os 30% restantes aos não-motorizados são invadidos, vide por exemplo as calçadas/estacionamentos).
    Soluções como o transporte público, calçadões e parques são interessantíssimas! E acho ótimo quando este blog se concentra nisso, ao invés de outros temas “progressistas”…

    Parabéns, Denis!
    Abçs a todos.

  54. denis rb disse:

    Pois é, Marcos Filho,
    Concordo.
    Não estou falando em adotar “soluções nórdicas”. Estou falando em tentar enxergar as questões do espaço urbano e da mobilidade urbana com uma lógica diferente, mais humana, como aliás está sendo feito em boa parte do mundo, não só na Europa. Toda cidade média e grande dos EUA tem uma baita rede cicloviária. E Bogotá é a prova viva de que não são só os habitantes do primeiro mundo que têm o direito de não serem atropelados ou de respirarem oxigênio (Bogotá, aliás, foi muito influenciada pelas ideias que Jaime Lerner colocou em prática em Curitiba).

  55. denis rb disse:

    JulioK,
    Olha, acho que não é por aí.
    Veja bem: você dá a entender que as opções são excludentes. Ou se investe em transporte público ou em ciclovias. Ou se cuida do “desenvolvimento” ou melhora-se o espaço urbano. Como se, no momento em que o PIB crescer automaticamente o espaço urbano vá melhorar. Essas ideias estão profundamente equivocadas.
    Na verdade, aumentar o número de alternativas de mobilidade urbana é o jeito mais barato de consertar o sistema. Se um terço dos paulistanos usasse bicicletas (como acontece na cidade que usei de exemplo), a consequência seria que haveria mais espaço nas ruas e, com isso, o trânsito diminuiria e o transporte público melhoraria. Ciclovias custam baratíssimo, poupam espaço da cidade e reduzem a pressão sobre o sistema de transporte público.
    Seu jeito de enxergar é comum. Ouvi outro dia a Marta Suplicy, ex-prefeita, dizer mais ou menos a mesma coisa: “melhore as vias que a situação das bicicletas melhora automaticamente”. Não poderia estar mais errado. Criar uma cidade que não ameace de morte qualquer um que ouse caminhar por suas calçadas é um trabalho difícil que exige um esforço consciente nesse sentido – não acontece “automaticamente”. E desenvolvimento não é só PIB. Tratar seres humanos como seres humanos (criando espaços urbanos acolhedores) é condição sina qua non para o desenvolvimento, do jeito que eu enxergo.

  56. denis rb disse:

    Abro meu coração com vocês, caros leitores.
    Estou abismado com o simplismo de alguns comentários aqui embaixo.

    Estão dizendo que não devemos adotar uma solução importada da Dinamarca – a solução de ter cidades vivas, onde as pessoas se encontram. Devemos respeitar nossa tradição brasileira de ruas entulhadas de latarias enferrujadas fumacentas forradas de vidro fumê com gordinhos na janela.

    Ora bolas, solução importada é essa ideia esdrúxula de entregar nossas ruas para montes de lata que pesam 1 tonelada. Tirem essa lataiada da frente. Quero de volta a velha tradição brasileira de ruas cheias de gente se encontrando. Todas as cidades brasileiras eram assim até os anos 1960, quando caímos na lorota rodoviarista. Quero isso de volta.

  57. Carlos disse:

    Qual o paulistano que vai trocar o carro para ir de bicicleta pro trabalho? Todo mundo acha “legal” a idéia, mas quase ninguém inicia a praticá-la. Denis, vc fala no centro de São Paulo ou também das periferias? São Paulo, por sua natureza geográfica, não é uma Amsterdam ou Copenhaguem, onde é possível morar perto do lugar de trabalho. SP começou já “car-oriented”, Maluf que o diga e esse negócio de pensar no caos do trânsito começou já nos anos 50 na Europa e EUA. Pretender que SP (20 milhões, como vc mesmo disse) adote isso HOJE, do dia pra noite, é um pouco absurdo. É um processo que leva ANOS e levou pouco tempo relativamente na Dinamarca porque lá vivem 4 gatos. No Brasil da era Lula isso vai ser impossível de fazer em SP, basta ver a explosão da produção de carros e seu consumo. Todo mundo vai quere seu carrinho. Quero só ver os paulistanos deixando de comprar carros pensando na “qualidade urbanística” e andar de bicicleta.

  58. denis rb disse:

    Carlos,
    Não é bem assim.
    Há um número crescente de paulistanos adotando as bicicletas. Talvez você não os esteja enxergando porque é da natureza da posição de motorista perder contato com a vida nas ruas e por isso muitos motoristas não conseguem ver os ciclistas (o que explica muitos atropelamentos).
    Hoje já há 147.000 deslocamentos diários feitos de bicicleta em São Paulo. Em 1987 eram 45.000, um aumento de 225%. Já há mais paulistanos usando bicicleta do que usando táxi (embora táxi tenha uma bela estrutura na cidade, com vários pontos em todos os bairros e bicicleta tenha infraestrutura de quarto mundo). Todos os dias eu vejo gente que andava de carro mudar para a bicicleta – porque não aguenta mais desperdiçar a vida atrás de um volante.
    Mudar a cultura é muito mais fácil do que você pensa. O fato de que a cidade é grande demais não impede isso: basta “integrar os modais”. Em outras palavras: trens e metrôs com vagões exclusivos para ciclistas, ônibus e táxis com rack de bicicleta. Quando eu morava em Palo Alto, Califórnia, pedalava minha bicicleta até a estação de trem, viajava no vagão exclusivo para ciclistas, descia em San Francisco e ia para onde quisesse combinando bicicleta e metrô. O caminho até o destino era boa parte da diversão. E eu não ficava menos “produtivo para a sociedade” porque me divertia no caminho para o trabalho. Pelo contrário: me sentia energizado, criativo, empolgado, bem disposto.

  59. Carlos disse:

    Ok, Denis, mas se é assim tão fácil mudar a cultura, então aonde está o problema? Por quê não se começa logo com publicidades da Prefeitura na TV? Estamos esperando por quem? 225% de 45 mil usuários, da metade dos anos 80 pra cá, me parece pouco. E como fica a explosão do consumo de carros atualmente? Eu realmente espero que, cada vez mais, se deixe o carro na garagem e se passe a usar a bike. A Calfórnia sempre esteve à frente do resto dos EUA. Meu carro, vendí em 1998. Amsterdam é plana, pequena (como Copenhaguem) e sempre teve a facilidade da bicicleta. No Brasil, só quem tem um certo nível (e mora no centro) pode se dar à esse luxo. Mas as classes, que até ôntem eram C e D, irão comprar carros assim que puderem. Vai ser um deus-nos-acuda por aí. Espero realmente que se mude de mentalidade, mas isso depende também das prefeituras e não do povão sozinho. Você sabe disso. Fico por aqui. Abs.

  60. ONDAS QUEIMAM ROCHAS COM SEU SAL III Belo Horizonte 1994
    ‘No inicio do ano, um alarme soou nos comandos das campanhas dos dois candidatos à presidência dos EUA:em nada menos do que cinco pesquisas de opinião, problemas que tradicionalmente mobilizam o eleitorado, como o crime, a economia e a educação, foram deslocados para o segundo plano. Cerca de 26% dos consultados se dizem mais preocupados com o crescimento desordenado e o congestionamento do tráfego, problemas provocados pela expansão dos subúrbios. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA, a cada ano 3 milhões de acres de áreas verdes ou fazendas são asfaltadas para dar lugar a novos condomínios Engarrafamentos constantes. Ruas que não levam a lugar nenhum. Falta de áreas verdes e parques. Excesso de estacionamentos. Paisagens monótonas, vidas monótonas. Estes problemas, que vêm angustiando um número cada vez maior de americanos, são sintetizados pela palavra sprawl , o termo, que em português significa espalhar descreve o processo de expansão dos subúrbios e a conseqüente esvaziamento das cidades dos EUA”
    A segunda geração do movimento ambientalista: políticas de base de mercado – define como prioridade metas de contenção da poluição nos centos urbanos: como fontes móveis, os carros, desempenham um papel importante nos problemas de poluição do ar na maioria das grandes cidades; Problemas de poluição que podem ser enfrentados com sistema de licenças de emissões comercializáveis, atualmente em uso na cidade de Los Angeles, regulamentada através da Lei do Ar Puro de 1990 criado para combater a chuva ácida.
    Uma rota é o incentivo ao programa de carros velhos no qual grandes fontes poluidoras estacionarias, como fábricas e usinas elétricas podem compensar suas emissões comprando e retirando do mercado veículos extremamente poluidores, fabricados antes de 1981
    As taxas sobre a poluição e outros instrumentos de base de mercado podem trazer à luz do dia questões importantes tornando explícitos os custos e as vantagens cada vez maiores da proteção ambiental. O alastramento desordenado dos subúrbios nos últimos 50 anos, aparelhados mais para carros do que para pessoas fez acontecer o mais importante movimento da arquitetura atual: Antigas cidades populares, que fomentavam um senso de comunidade, cuja chave do sucesso é criar espaços públicos que as pessoas queiram utilizar – o esboço do que se convencionou chamar “teoria do não-transporte,” casas radiantes, mundo radiante -comercio próximo das casas, a fim de que as pessoas andem à pé para fazer compras e ir ao trabalho em lugar de ruas labirínticas ligadas à vias expressas, as ruas se entenderiam em tramas simples para facilidade de fluxo de tráfego e melhor entendimento dos que não a conhecem – árvores e estacionamento junto às ruas serviriam de amortecedor de ruídos entre o tráfego e os pedestres – casas e ‘prédios’ em escala semelhantes para enfatizar a comunidade – maioria do espaço público com lugares cívicos pois a utilização do espaço urbano se dá da forma que ele é entendido, elementos diferenciadores de espaço proporcionam dignidade; cabe então à esta “nova”corrente urbanística, criar elementos referenciais que permitam a identificação e a conseqüente interação do indivíduo ao meio urbano!
    muitos culpam a ganância dos empreiteiros, mas na hora de apontar o responsável pelo que deu errado nos sistemas urbanos contemporâneos, nove entre dez urbanistas vêem no automóvel o grande vilão . As nossas cidades, nos quais os pedestres raramente têm vez, são planejadas em função dos carros
    Vivendo à grande distância dos locais de trabalho, seus habitantes perdem três ou quatro vezes mais tempo do que os moradores das “novas’cidades. O romance entre o “americano”e seu automóvel tem raízes profundas e é baseado numa relação diferente vivida pelo europeu, a situação revela as dificuldades do transporte publico nas Américas , aonde o automóvel reina soberano ante ao esvaziamento humano
    O mal estar experimentado pôr muitos habitantes – caricaturado em filmes como o recente Beleza Americana – faz o êxodo nas cidades, com isto o fardo do custo dos serviços recaia sobre um numero menor de habitantes mais pobres, enquanto a população mais prospera deixa as cidades; O exemplo máximo dessa segregação são os condomínios fechados, onde ocorre uma concentração de renda nos centros urbanos. “Verbas são deslocadas dos centros e bairros mais antigos das cidades para pagar melhoramentos em áreas cada vez distantes em novas comunidades.Os impostos sobem e a qualidade da água e ar cai, talvez quando os carros se amontoarem de vez num engarrafamento as pessoas acordem” !!!

  61. denis rb disse:

    Carlos, Copenhague e Amsterdam não “sempre tiveram facilidades para bicicleta”. Elas optaram por isso nos anos 1960. Antes disso, estavam submetidas à mesma cultura rodoviarista daqui. San Francisco ficou até os anos 1980 nessa e só aí começou a mudar. Nova York não mudou até os 1990. Essa é a questão: precisamos começar. É nisso que eu estou trabalhando aqui: na transição cultural, na difusão de ideias novas (que, convenhamos, já são bem velhas).
    Publicidade da prefeitura na TV??!!! Não!!! Por favor!!! A Prefeitura que não venha torrar meu dinheiro com mensagenzinhas publicitárias porque tem muita coisa para fazer na rua.

  62. denis rb disse:

    Ah sim, Carlos, respondendo à sua pergunta:
    Entre 1987 e 2007, enquanto o número de deslocamentos de bicicleta cresceu 225%, o número de deslocamentos de carro cresceu 15%.

  63. Carlos disse:

    Mas em 1960, além de ainda se ter poucos veículos, os caras lá foram espertos e já previram o caos que seria em Am’dam e Copenhaguem num futuro, pois o início dos anos 60 a Europa estava em pleno boom econômico. Enquanto isso, 10 anos depois, em 1970 no Brasil tivemos o Maluf (política de asfaltar o mais que se puder: isso é progresso!) presenteando jogadores da Seleção com carros cada um. Daí você tira a diferença de culturas: no Brasil não se enxerga “olhando” pro futuro. Só enxergamos os problemas quando eles já aconteceram. E já que a Prefeitura (responsável maior disso tudo) ou outro potente órgão de governo local não é benvindo, que pelo menos arrume as ruas da cidade e as torne mais viáveis. Já ajudaria um bocado.

  64. Marcos Filho disse:

    Denis, o mais engraçado nos comentários é o fatalismo. O Carlos, por exemplo, pergunta-se como poderíamos fazer isso da noite pro dia, se na Dinamarca já há bicicletas “desde sempre”. Também tem a história que ninguém vai deixar de andar de carro, pois o poder de compra tem aumentado e tal. Ora bolas! Se não começarmos em algum momento, a tend~encia é só piorar. E vejam só, não se trata de mudar de uma hora para outra e incendiar todos os carros da cidade… A questão que o Denis propõe é simples: desenvolver alternativas para quem não quer depender exclusivamente do carro. E as classes C e D, meu caro, com a alta dos preços de combustíveis, optariam por soluções como essas.
    E a Califórnia não está necessariamente “na frente” das outras cidades americanas não! Portland é considerada uma das melhores cidades do mundo para se pedalar. Eu adorei New Haven, em Connecticut, cidade excelente para os pedestres.

    A questão é simples: temos que repensar o espaço urbano. Melhorá-lo ou, como afirmou o Denis em post anterior, amar a cidade. Simples assim.

    PS.: E nós nem por isso ficaremos “menos brasileiros”…

  65. Carlos disse:

    Marcos, as intenções aqui são as melhores possíveis, mas a realidade na maioria das vezes se apresenta como uma montanha inespunhável, porque tudo não depende só da gente, mas de uma burocracia que talvez vc não tenha idéia. Eu não disse pra não começar, mas o exato contrário. Só que acho que se enfrentará problemas insormontáveis. Fabricantes de carro não querem nem saber, a industria está a todo vapor, isso significa que os carros estão sendo vendidos, pôxa! Temos uma malha ferroviária como na Europa? Não! Por quê? Os fabricantes nunca quiseram.

  66. Marcos Filho disse:

    inespunhável? insormontáveis?

    Não é bem assim, Carlos. Essa história de “o fabricantes nunca quiseram” não é necessariamente verdade. Tendemos a achar que por trás de tudo sempre há uma grande conspiração, mas isso é apenas excesso de criatividade. Um exemplo: os fabricantes de cigarros têm,sem dúvida, uma das indústrias mais fortes e lucrativas do mundo. Nos anos 80, eram uma força insuperável. E eles puderam deter a onda de propaganda anti-tabagista, as leis e impostos mais duros e até mesmo o banimento de seu patrocínio em alguns esportes?
    O problema está mais é nas políticas públicas e nos cidadãos. Os governantes focam em problemas simples de se resolver, em questões imediatas. Por isso não temos malha ferroviária, por exemplo. Asfaltar uma avenida pode ser mais rápido e fácil que elaborar todo um projeto para uma cidade, mudando até mesmo sua mentalidade. Mas, se aos poucos fizermos como no caso dos cigarros, aí sim teremos mudanças.

    Um abraço.

  67. Marcos disse:

    Obrigado Denis sua definição de sustentabilidade bate com aquela do dicionario sobre o verbete cybernetica : da palavra grega Kibernetiks significa retroalimentação e plano de voõ mas o que eu falo é sobre o “consumo consiente” um elo que falta atualmente no nosso Brasil para este conceito vigorar; a minha paixão pela maquina mais perfeita que o homem invetou é antiga e quem me conhece sabe que sou a história viva do bom uso da bike. E quem não me conhece pode me identificar pelo boné e pela bike.Meu primeiro movimento pela manhã é pegar minha velha bike e meu último ao chegar em casa é deixá-la no bicicletário.Aos 6 anos ganhei a primeira e nunca mais desci de uma. Há pelo menos 20 anos não tenho carro, nem mais moto.Por onde vá dentro e fora do país sempre uma bike. De terno a trabalho, de sunga na praia, com sol, com chuva. Bike, bike, bike, bike, sou um bike dependente. Houve época que ia trabalhar e tinha uma bolsa onde colocava meus dois gatos com as respectivas cabeças pra fora e uma “oqueira” dependurada no pescoço com Ronaldinho Loirão meu passarinho cantor. Todos íamos serelepes e felizes para o trabalho de …bike. Odeio carro. Viva a Dinamarca, a Holanda, a antiga China. Adoro as Bikelands do mundo!

  68. denis rb disse:

    😀
    Sensacional, Marcos. Nos cruzamos pela estrada.

  69. jorji disse:

    Na maioria dos paises desenvolvidos, tem mais veiculos por habitante do que no Brasil, principalmente automóveis, a diferença é o uso que se faz dessas geringonças, que é o meu brinquedo favorito. Em países desenvolvidos, ricos, classe média e pobres fazem o uso de transporte coletivo público, seja metrô, trem ou ônibus urbanos, já morei em metrópole muito maior que São Paulo, a grande diferença é que lá tem uma rede de metrô e trens no minimo dez vezes mais extenso que a capital paulista, confortáveis ( climatizado ), limpos, bonitos, estações muito melhores , o que eu quero dizer fundamentalmente é que enquanto prevalecer a mentalidade absurda e idiota, de que coisa pública é coisa de pobre, andar de bicicleta é diminuir o status, não tem solução. Diminuir o número de veículos em circulação é perfeitamente possível sem diminuir a frota de veículos, mas a solução em princípio é trazer a classe média para o transporte público, mas aí ficam as perguntas: e a segurança? a qualidade do serviço? , para andar de bicicleta, aqui em Maringá é um perigo, é o que eu digo, planejamento, eis a questão! Mais um detalhe, Dinamarca não tem favela, não tem arrastão, não tem sequestro relâmpago, um número bem pequeno de crimes em geral, não tem motoristas doidos como os daqui, nem motoqueiros kamikazes, pedestres que atravessam sinal vermelho,sujeira nas ruas, a melhoria de uma cidade passa por todas as questões inerentes ao ser humano, o primeiro passo é a palavra ordem, disciplina, respeito ao próximo, organização, etc, um dia chegamos lá.

  70. denis rb disse:

    Interessante, Marcos Filho.
    Um exemplo disso que você diz.
    O Kassab conseguiu de maneira exemplar reduzir a poluição visual da cidade, com a Lei Cidade Limpa. É uma questão fácil: depende basicamente de legislacão e fiscalização e tem efeito muito rápido, o que ajuda nas eleições.
    Mas a cidade continua suja como o diabo. O sistema de coleta e processamento de lixo de São Paulo é absolutamente terceiro-mundista. Muito muito menos do que 1% do lixo coletado é reciclado. Nada é compostado. Os bueiros ficam entupidos de lixo e a cidade é tomada por enchentes. O lixo fica disposto em sacos nas calçadas e vão aos poucos se espalhando pela cidade. Tosco.
    Alguém discorda que recolher o lixo e evitar enchentes é mais importante do que proibir outdoors? Mas é também muito mais complexo. Exige mais que lei e fiscalização: exige inteligência, criatividade, trabalho no campo. Aí os políticos acham chato.

  71. jorji disse:

    Denis, somos terceiro mundo, o que isso significa voce sabe muito bem, sujeira nas ruas é em quase todas as cidades brasileiras e de paises de terceiro mundo, por isso ficar sugerindo soluções que requer principalmente mudança de mentalidade dos indivíduos que compõe uma sociedade, é no mínimo estranho, aliás existe em São Paulo profissionais que são especializados em recolher lixos e entulhos, e jogam em terrenos baldios e ruas, saiu na tv.

  72. Anouk disse:

    Oi Denis,
    A história do Marcos é ótima. Tem um cara aqui na Alemnaha que sai de Bike com uma arara. Ela vai no guidon quietinha. Quando o vento é muito forte ela muda de posicao e vai de costas. Uma vez o tal ciclista levou um tombo feio, ainda no chao meio atordoado gritou o nome da arara que havia desaparecido. De repente ele ouve uma voz vinda do alto de uma árvore que perguntava o porquê de ele estar no chao. Aliviado com o fato de sua arara nao ter-se machucado , constatou que além de esperta ela é espirituosa.
    A propósito, o meu marido comprou hoje uma bicicleta. Como vê, o seu blog conseguiu motivar um hamburguês da gema do ovo. Ele fala muito pouco português, mas sabe das novidades do seu blog e como eu falo pelos cotovelos… Abs.

  73. Chesterton disse:

    “Mudar a cultura é muito mais fácil do que você pensa.”
    Isso é que me dá medo. o autoritarismo.
    A Dinamarca tem 400 carros por mil habitantes. O que é muito. Copenhagem tem 600.00 habitantes (li aí embaixo), um pouco mais populosa que Juiz de Fora. Aqui no Rio de Janeiro o que acaba com a tranquilidade são os ônibus em excesso, fumacentos e vazios. Denis , se eu for de bicicleta para o trabalho em dia de chuva vou ter que levar uma mala com roupa limpa, toalha, sabonete e ainda ter que arrumar um chuveiro para tomar banho quente e rezar para não pegar um resfriado. Estou tentando colocar em prática seus “ensinamentos” mas não consigo viabilizá-los. Tenho a bicicleta, tem ciclovia, mas mesmo assim não dá. Ajude-me.

  74. Chesterton disse:

    Denis, o que você acha da viabilidade econômica e ambiental do trem-bala Rio-SP?

  75. Jeniffer disse:

    Eu simplesmente adoro seus posts. Precisamos de um Gehl no Brasil urgente!

  76. Luna disse:

    Denis!
    Me impressiona a garra com que voce se dedica a “difusao de ideias novas”. Como seria bom se o Brasil tivesse mais candidatos a cargos publicos com esse tipo de postura. Pessoas jovens, sem compromisso com o sistema e sem agenda pessoal. Voce seria um excelente canditado.

  77. thiago disse:

    mto bom precisamos mesmo de mais espaços para se viver nao de passarelas automobilisticas.

  78. Diego Jucá disse:

    Há 3 anos morando em Barcelona, não me canso de dizer que a melhor coisa daqui é não precisar de carro para absolutamente nada. Entre metrô, ônibus e bicicletas, os níveis de stress são infinitamente mais baixos.

  79. denis rb disse:

    Chesterton,
    Não sei se você está sendo irônico no seu pedido de ajuda, mas vou responder a sério!
    Verdade mesmo que você está querendo adotar a bicicleta para ir para o trabalho? Uau, parabéns! Seu coração agradece.
    Você mora no Rio, eu moro em São Paulo, então é um fato da vida que o suor será um problema maior para você do que é para mim. Atividade física faz suar, ainda mais no calor úmido da sua terra. Mas esse é um problema que vai ser cada dia menor, à medida em que você ganha condicionamento. Mais importante até do que o condicionamento é o aprendizado de conhecer os ritmos do seu corpo. Ciclistas experientes sabem manter o ritmo da pedalada constante num limiar tranquilo, sem transpirar muito. A dica: manter um ritmo em que não se fica ofegante, em que é possível falar normalmente enquanto pedala. Quando você domina esse ritmo, consegue subir ladeiras íngremes sem suas (pedalando como quem caminha, não como quem corre).
    Por outro lado, o exercício será bem mais intenso se você suar – e terá um efeito bem maior na sua saúde cardiovascular. Portanto, se existe a possibilidade de tomar banho no seu trabalho, eu aproveitaria. Pegar um resfriado? Olha, se você pedalar meia hora todos os dias, garanto que, em alguns meses, sua resistência a resfriados vai subir bastante. Ah, e existe uma alternativa melhor do que carregar uma mochila nas costas: coloque um rack traseiro na sua bicicleta e prenda uma bolsa nele. Melhor prender o peso à bicicleta do que colocá-lo nos seus ombros. Qualquer boa loja de bicicletas vende racks (ou você pode usar a Samba, que vem com uma cestinha genial no guidão (Samba é um ótimo sistema de aluguel de bicicletas na zona sul carioca).

  80. denis rb disse:

    Mas olha só, Chesterton,
    De maneira nenhuma estou insinuando que todas as pessoas devam se mover de bicicleta. Só o que eu quero dizer é que as cidades deveriam permitir que as pessoas que queiram o façam. Eu acho que as cidades brasileiras de hoje são imensamente autoritárias: elas impõem a ditadura do automóvel. Se você não tem um carro, é condenado a respirar a fumaça de quem tem e precisa se sujeitar a um modelo opressivo de mobilidade. Sonho com cidades mais parecidas com aquela onde morei na Califórnia: onde cada pessoa podia escolher como queria se mover. Uns andavam de carro, outros de bicicleta, alguns de skate ou patinete, muitos a pé. Os ônibus tinham racks para colocar bicicletas, os trens tinham um vagão exclusivo para ciclistas. E, como consequência, o trânsito era imensamente tranquilo.

  81. denis rb disse:

    Oi Luna,
    Poxa, agradeço demais o imerecido elogio. Mas meu papel na sociedade é outro. Não sou nem serei candidato a nada, porque o caminho que escolhi na vida (o de cronista) pressupõe um nível alto de independência, que eu não poderia ter se fosse político.

  82. denis rb disse:

    Esse vídeo que o Lucas Migotto linkou é genial: mostra o trânsito de bicicletas na cidade de Utrecht.

  83. jorji disse:

    Ônibus com racks, trens com racks, que idéias simples e funcionais, aí tá uma idéia possível e ótima, poderia até ser adotado em ônibus e trens inter municipais e estaduais.

  84. denis rb disse:

    Ah sim, tinha esquecido de responder à outra pergunta que o Chesterton fez, sobre a viabilidade econômica-ambiental do trem-bala RJ-SP.
    Tem uma coisa na licitação que me deixa encafifado. O critério de escolha será o seguinte: ganha querm propuser o preço mais baixo para a passagem de classe econômica. Legal, ok, importante. Mas será que não deveríamos avaliar esses projetos segundo mais de um critério? Os projetos serão diferentes, e certamente várias dessas diferenças serão bem subjetivas: por exemplo, um poderá ter um impacto ambiental muito maior que outro. Entendo a necessidade de criar critérios objetivos – e preço é totalmente objetivo – para impedir favorecimentos. Mas não seria mais interessante uma avaliação independente mais subjetiva que viesse acompanhada de transparência total, para que a sociedade pudesse se assegurar de que a melhor escolha foi feita? Digo isso porque acho que licitar tendo apenas o preço como critério é um baita incentivo para se esconder externalidades e uma explicação importante para o imenso impacto ambiental que as obras públicas invariavelmente causam. Tenho percebido que as regras de uma licitação pública tornam praticamente impossível que se faça um trabalho surpreendente, inovador, criativo.
    De resto, fico feliz em ver o Brasil finalmente criar infraestrutura ferroviária, embora tenha dúvidas quanto às prioridades: será que um país com tanta carência de linhas de ferro deveria gastar tanto num trecho tão pequeno? Talvez a resposta seja “sim”, já que SP-RJ (+ Guarulhos e Campinas e seus aeroportos internacionais) são um pedaço imenso do PIB e do tráfego nacional.

  85. Rodyer Cruz disse:

    Denis,

    Grande texto!!! Colocarei em meu blog com os devidos direitos autorais. Este vídeo que você postou é muito legal – uma música de piano e as pessoas andando de bike – dá uma calma e tranquilidade. É isto que queremos em nosso dia-a-dia. E viva a Bike e os lugares para as pessoas! Novamente parabéns pelo texto!!

  86. Luis Gustavo disse:

    Dênis, sobre o seu comentário do trem-bala.

    Você disse: “uma avaliação independente mais subjetiva que viesse acompanhada de transparência total”. Isso é “quase” que conflitante. Afinal critérios subjetivos irão variar com a percepção das pessoas, um critério subjetivo adotado por um, pode não “bater” com a opinião do outro. No mais tenho certeza que propostas de melhoria na avaliação dos projetos seriam muito bem aceitos pelo orgão responsável pela licitação. Torço para que minimamente haja uma avaliação séria do impacto ambiental da proposta escolhida, os conhecidos EIA e RIMA.

    Sobre o seu texto acima, concordo que temos que mudar a “forma de viver” das grandes cidades brasileiras. Transporte público seria a solução, mas a incapacidade de gerar resultados satisfatórios por parte do poder público nessa área não me deixa muito otimista.

  87. Denis para encerrar esta brilhante o oportuna matéria com chaves de ouro sugiro a logo marca criada pela artista plastica Everly Giller de Curitiba como uma forma de ilustrar seu pensamento…Everly trabalha em linoleogravura com um estilo proprio de “primitivismo”
    Apreciem
    http://everlygiller.blogspot.com/

  88. Como seremos vistos no futuro? Este legado maldito que vamos deixar para a nossa posteridade nada mais é do que realmente nós somos hoje! Os nossos antepassados deixavam gravuras, bonecos, objetos de artesanato, vestígios de alimentação hábitos de uma realidade e um modo de viver! Bom a nós não vai ser diferente! Uma infinidade de revistas, jornais, centenas de bonecos e bonecas de plástico, Milhões de quilos de eletrônicos, Toneladas de lixo de embutidos e fast food. Vamos deixar ora enterrado ora não a realidade e o nosso modo de viver! Vai ser algo realmente interessante para nos próximos 200 anos sermos estudados como seres que regrediram na evolução da história.

  89. Gil berto Gil ja cantou assim ” A RAÇA HUMANA É UMA SEMANA DO TRABALHO DE DEUS” temos os mesmos atributos do criador porém para Deus(ou a naturesa) o tempo não é o mesmo…
    “Quando si dice la verità, non bisogna dolersi di averla detta.
    La verità è sempre illuminante.
    Ci aiuta ad essere coraggiosi”
    – Aldo Moro

  90. “tem os que passam
    e tudo se passa
    com passos já passados
    tem os que partem
    da pedra ao vidro
    deixam tudo partido
    e tem, ainda bem,
    os que deixam
    a vaga impressão
    de ter ficado”
    Obrigado

    Alice Ruiz

  91. Relaxem caro leitores, rs rs logo logo o trânsito será acima de nossas cabeças, conhecem o jetpack? já viram o carro da terrafugia?? tecnologia nova é cara eu sei mas quando começarem a vender realmente esses tipos de transportes, esse ano no caso do jetpack e os carros aviões no ano que vem vai aparecer um monte de empresas querendo fabricar também e aí a tecnologia irá cada vez mais ficar barata por causa da competição dessas empresas. O Brasil está precisando ousar mais, fazer ainda mais, precisa ser muito mais inovador e fazer coisas realmente que possam facilitar a vida do homem moderno…eu gosto muito quando cientistas criam novas tecnologias.

  92. Maria Elisa Galvão Menezes disse:

    Adorei!!!!! Adorei!!!! Enqto isso, aqui na cidade onde moro, calçadão é sinonimo de menos vendas…Itu!!!!Imagine uma viela (a largura das ruas aqui é de viela)com uma fila infindável de carros, disputando as calçadas estreitissimas, e todo mundo circulando junto, sem sequer ter condições para parar e admirar as vitrines. E quando se fala em um projeto desses, os velhos donos de lojas justificam que não, porque ninguem passará em frente a loja dele…ai que limitação! A população tem que acordar para antigas idéias, antigos conceitos que nos faziam mais gente, menos automatos. Pensar na direção da evolução, não da distração aos acontecimentos no universo. Parabéns Denis, pela feliz e proveitosa materia. Divulgarei-a com prazer!

  93. Maria Elisa Galvão Menezes disse:

    Só completando meu comentário: tenho percebido que tudo é ciclico, fazemos parte de um ciclo constante. E eu tenho certeza de que estamos logo depois do topo de um circulo, girando de volta pro fundo. Imaginem o que não virá ainda por nossas cabeças e corações, no que diz respeito a sociedade. A forma que nos organizamos, as idéias mirabolantes. Imagino o mundo, planeta terra, daqui umas decadas (e não muitas) a luz de lampião, andando em lombo de burro, comprando o necessário para um dia apenas, vestindo o que pudermos costurar. Acreditem! Apesar de contribuir bravamente pela preservação ambiental, não acredito que o que estamos destruindo e poluindo com nosso grande egoismo de uso e abuso aqui no planeta Terra, irá causar o fim do mundo. Somos uma centelha dentro de um imenso universo. As intempéries, o buraco na camada de ozonio, etc., etc., são minimas coisas dentro do universo. O universo está caminhando dentro de seu ciclo, que também já teve seu auge e hoje se reorganiza através destes fenomenos. Podemos sim, retardar um pouco este final (se é que será um final, ou apenas um recomeço)e exercitarmos nossa generosidade, nossa capacidade de servir, aprender, crescer e mudar. Talvez seja este nosso maior desafio, muito maior do que economizarmos agua, do que não poluirmos o meio ambiente, do que plantarmos arvores, do que não dizimar a terra nem os animais. O nosso maior exercício de preservação pode ser o de mantermos nossas relações limpas, honestas, incorruptíveis, fazendo ao outro, o que gostariamos que fizessemos a nós mesmos!

  94. Fernando G. Simon disse:

    Maravilha ! Infelismente a mentalidade da nossa sociedade está longe disso. Sou arquiteto e fui vice prefeito 2005-2008 de uma pequena cidade do interior de SP. Como ex praticante de skate e amante da bike, projetei uma reforma numa praça que estava a anos abandonada.Para isso foi incorporada uma pequena rua sem importancia e sem trafego que era usada para aulas de uma auto-escola.A praça seria uma grande área de lazer e esportes, com quadra poliesportiva, futebol de areia, volei de areia, palco, playground, e uma grande pista de skate sem igual na região.Já no meio da obra, alguns energumenos motivados pela oposição burra, entraram com ação na promotoria embargando a obra por causa do fechamento da rua,- apenas para carros – pois pedestres e bike poderiam circular livremente. Enfim, o promotor aceitou a denuncia e fez demolir a pista de skate e reabrir a rua, que novamente fica impedida quase todos os dias para aulas da auto-escola.A alegação da justiça é que não se pode mudar a destinação de área pública. Vários calçadões tem sido reabertos para os carros, seguindo a mentalidade desses promotores.

  95. Tati disse:

    Parabéns pela matéria, muito bom.

    Mas tenho um comentário: aqui se ocupa espaço público, sim. O espaço público é bastante ocupado pelo morador de rua, flanelinha, viciado em crack, e uma multidão infinita de camelôs. E sempre haverá alguém para defender o “direito” desses infelizes, em alinhamento com o eterno argumento do descamisado que não teve chance na vida.

  96. Adriana disse:

    Vivo a quase 3 anos em Copenhague e nunca precisei de um carro,tenho minha bike e os transportes publicos funcionam a maravilha. Muito legal a materia.

  97. Carlos N Mendes disse:

    Só uma ressalva à Tati: o espaço público é ocupado pelo flanelinha e pelo viciado em crack porque o espaço público, apesar de ser público, foi abandonado por NÓS, PÚBLICO. Vejo minha cidade se esvaziar ano a ano; aqui em Santos, os moradores compraram como bolso e a alma a ideia trabalho-shopping-castelo fortificado, nessa ordem. Para a tríade funcionar, a ferramenta indispensável se chama AUTOMÓVEL, aparelho que torna obsoletas as ferramentas PERNAS e CALÇADA. Se eu fosse um indigente, por quê não tomaria a calçada? Cresci pulando muros e brincando na rua. Hoje sei que meu filho chegará a adolescência sem ter andado 10 metros sozinho na calçada de meu quarteirão. Se ele fizesse o que fiz há 35 anos seria eletrocutado ou tomaria um tiro. Sinal dos tempos: depois de erguer um muro de 4 metros de altura em torno de seu centro de treinamento, a direção do Santos FC está arrematando a obra com arame farpado. Deve ser para o Neymar não fugir… Brincadeira; tem algo mais “in” do que domínios fortificados? Viva o Brasil dos flanelinhas, das milícias e dos vigilantes norturnos.

  98. Gledson Silva disse:

    Então eu grito: NÓS NÃO SOMOS DINAMARQUESES!!!!
    Tomara que funcione aqui tb!
    Ótimo texto! Quero autorização p publicar no blog (com todos os direitos) http://www.ciclorganico.wordpress.com
    Posso?

  99. Rosângela disse:

    Muitos lugares, são exemplos de atitudes inovadoras e que acabam beneficiando a humanidade e poderiam ser copiadas. Porém, por quê a maioria só copia justamente as que não contribuem em nada?

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