arquivo

Arquivo mensal: agosto 2010

Você conhece o clichê, claro. Esta aqui é a terra da criatividade. Aqui fazemos diferente. Sabemos misturar, temos flexibilidade, jogo de cintura, malemolência, isquindô, telecoteco, balacobaco.

Mas, então, por que é que nossa economia, mesmo nestes tempos de prosperidade, é tão imensamente dependente do menos criativo dos setores: o das commodities?

No país de Garrincha, criatividade ainda é vista como algo próximo da inconsequência

Commodities são produtos em estado bruto ou muito pouco industrializados. São padronizados, para que possam ser comercializados nas Bolsas em grandes quantidades. Não importa de onde as commodities vêm. Não importa se o sujeito que a produziu é criativo. Só o que importa é baixar custos, melhorar processos. Commodity é tudo igual. O Brasil é o rei das commodities: petróleo, café, suco de laranja, minério de ferro, soja, alumínio e muito mais.

Este mês, o editor da excelente revista Monocle, o canadense Tyler Brûlé, esteve em São Paulo e reclamou da falta de criatividade da economia brasileira. Cadê as marcas brasileiras? “Petrobras e Vale não chegam ao consumidor final europeu e americano e muita gente acha que a Embraer é alemã. Chegou a hora de vocês irem além das Havaianas”, disse ele na ocasião.

Veja bem. Não se trata de ser contra as commodities. Ainda bem que o Brasil é rico delas. Foi essa riqueza que fez a balança comercial pesar para o nosso lado, inundando o país de dólares e dando origem à atual prosperidade.

Mas apostar todas as fichas em commodities é arriscado e ineficaz. O metro quadrado dedicado às commodities agrícolas tem rentabilidade baixíssima. Esse mesmo espaço poderia dar muito mais dinheiro para muito mais gente se fosse dedicado a uma finalidade criativa, que “agrega valor”, em língua de gente de negócios. Já as commodities minerais, incluindo o petróleo, dão bastante dinheiro. Mas, em compensação, são imensamente voláteis e expõem a economia à instabilidade, além de degradar o ambiente brutalmente.

Fico aqui me perguntando porque é que um país tão conhecido por sua criatividade está construído em bases tão pouco criativas. Tenho uma teoria. Acho que o Brasil sempre desconfiou de sua criatividade. Os políticos e os empresários sempre viram criatividade mais como um risco do que como um valor. O foco deles sempre foi “cortar as asinhas dos criativos”, uniformizar processos, padronizar.

Isso acontece tanto no setor público quanto no privado. Um e outro são autoritários, burocratizados e tornam a vida de quem quer inovar um inferno. Falo de camarote. Já trabalhei fazendo serviço criativo para governos e grandes empresas. Tanto uns quanto outras têm sistemas – diferentes mas igualmente eficazes – montados para matar ideias novas.

Nas empresas privadas é essa mania de querer ver uma “referência” antes – só se implanta um projeto se você mostrar que alguém já fez parecido em algum país desenvolvido. Garante-se, assim, que nada novo surgirá aqui.

Nos governos são as regras de contratação, super rígidas, super desconfiadas. Regras criadas para evitar corrupção, mas que matam qualquer possibilidade de fazer coisas de um jeito diferente. Para completar, além da dificuldade de contratar, demitir é quase impossível, matando a renovação e acomodando a força de trabalho.

A sociedade, de certa maneira, compactua com isso. A imprensa, por exemplo, só sabe bater em quem propõe um jeito diferente de fazer as coisas. Os jornais estão cheios de matérias irônicas criticando políticos ou servidores públicos que propõem políticas fora do convencional. Por todo lado se reproduz a ideologia do “sempre foi assim então só pode ser assim”.

Para mim, o salto do desenvolvimento do Brasil só vai se dar no dia em que este país estiver cheio de pequenos grupos criativos, multidisciplinares, informais e ágeis, inventando coisas novas à revelia da velha classe dirigente de políticos e empresários engravatados. Só no dia em que houver aqui uma agricultura criativa, uma indústria criativa, um serviço público criativo, cidades criativas, uma economia criativa. Aí sim, o Brasil será um país criativo.

Se você fosse um extraterrestre voando de espaçonave na alta atmosfera do Planeta Terra há 100 mil anos atrás o que veria abaixo de você seria muito azul do oceano, muito branco dos pólos, um tanto de amarelo avermelhado dos desertos e imensas extensões de um verde felpudo: as árvores.

Se voltasse 50 mil anos depois, veria mais ou menos a mesma coisa. E não seria muito diferente a paisagem na janela se você cruzasse o céu no tempo do avô do seu tataravô.

Mas, se você fosse passear de disco voador hoje, veria uma mudança bem fácil de notar: o verde felpudo está acabando. Hoje há apenas metade das 800 bilhões de árvores que havia há cento e poucos anos. Para onde foram as árvores?

Foto: denis rb (CC)

Elas desmaterializaram-se.

Foram queimadas para produzir energia. Foram transformadas em papel e depois descartadas para apodrecer nos aterros sanitários.

Desmaterializaram-se, mas não sumiram. Afinal, desde o tempo de Lavoisier se sabe que nada desaparece: as coisas mudam de forma. Nossas árvores, transformadas em gás carbônico (fumaça) e gás metano (do lixo), estão neste exato momento flutuando sobre a sua cabeça, prezado leitor.

Óbvio que isso traz consequências para o clima. Ou você acha que 400 bilhões de árvores gasosas voando na atmosfera passam despercebidas? Óbvio que essas gases fazem diferença no ar que respiramos, no equilíbrio das correntes de ar, na dinâmica do transporte de umidade, na transmissão de calor. No clima.

Lógico também que a ausência dessas árvores faz falta cá embaixo na terra. Ao arrancá-las, o que deixamos foi terra exposta. Exposta, ela escorre para os rios, gerando assoreamento. Ela é fritada pelos raios de sol, o que mata nutrientes. Ela se saliniza, perde a fertilidade. Ela é compactada e torna-se impermeável. Ela é comida pela erosão. Ela dá à luz desertos.

Aí a atmosfera mudada pelas árvores voadoras (e também pelo petróleo queimado) acaba explodindo com mais frequência em tempestades, nevascas, furacões, tufões, ondas de calor. E tudo isso acaba carcomendo ainda mais o solo exposto. E os rios, entupidos pelo assoreamento, não dão vazão às chuvas cada vez maiores. E nossas cidades se acabam em enchentes, deslizamentos, falta d’água, epidemias.

Tudo isso é causado pela desmaterialização das árvores.

O que me faz pensar…

A solução é simples: rematerializem as árvores!

Tirem-nas da atmosfera e fixem-as novamente no solo. Uma árvore, quando cresce, suga as árvores voadoras da atmosfera. Cada árvore nova no chão é uma árvore voadora a menos no ar.

As árvores rematerializadas vão segurar e proteger o solo de novo. E os rios voltarão a correr.

E, se por acaso algum ET atento voar pelo céu de espaçonave e olhar para baixo pela janela, vai anotar no diário de bordo:

– Está tudo certo aqui de novo.

Eu tenho falado de passagem nas últimas semanas de como poderia ser um novo modelo de produção, que substitua o atual, que obviamente está falido. Hoje eu quero entrar um pouco mais fundo nessa discussão. Mais uma vez, vou citar o livro “Cradle to Cradle” (“berço a berço), de William McDonough e Michael Braungart, que acho uma obra fundamental.

Numa concretização dos conceitos que defende, o livro é feito de um material plástico e a tinta é termicamente removível, possibilitando o reaproveitamento total. E é à prova d'água!

Bom, a mudança básica que o livro propõe é bem simples: substituir um sistema linear por um circular. Hoje é:

recursos > produtos > resíduo

O que obviamente nos deixa com cada vez menos recursos e cada vez mais resíduos. Os autores querem que seja:

………..recursos
………/                 \
resíduos  –    produtos

Em outras palavras, trocar um sistema que vai “de berço a túmulo” por outro que vai “de berço a berço”, de maneira que a economia continue girando bonitona mas a Terra não seja consumida no processo.

O legal do livro é que um dos autores é arquiteto e o outro é químico. Juntos, os dois têm conhecimento bem aprofundado sobre como as coisas são: da relação das pessoas com o espaço aos processos industriais. Com essa visão abrangente do mundo eles conseguem perceber com clareza o quanto nosso sistema atual é ineficaz.

Quando fabricamos um produto, nossa única preocupação é como chegar ao consumidor. Ninguém quer nem sabe se os produtos químicos usados são voláteis e cancerígenos. Ninguém nem liga se, após o uso, o negócio vai ter que passar 300 mil anos ocupando espaço num aterro sanitário. Ninguém se interessa pelo que acontece depois.

O resultado disso é que produzimos lixo numa quantidade que supera qualquer outro produto. E esse lixo é uma mistureba de milhares de substâncias diferentes – tão bem misturadas que é impossível recuperar qualquer coisa. Já que não dá para reaproveitar, toca a retirar mais recursos da natureza.

Para resolver esse problema, o livro propõe uma divisão básica entre as matérias-primas que a humanidade emprega. Há apenas dois tipos: aquelas que são “nutrientes biológicos” e as que são “nutrientes técnicos”. Nutriente biológico é matéria orgânica, que pode ser digerida e reintegrada aos ecossistemas. Nutriente técnico é aquele que, mesmo após o uso, continua tendo valor para a indústria. Por exemplo: metais e outros materiais valiosos. Nutriente biológico alimenta o metabolismo biológico, nutriente técnico alimenta o metabolismo técnico.

A coisa mais importante é separar um tipo de nutriente do outro, para que continue disponível ao respectivo metabolismo. Só que, hoje em dia, quase todos os produtos que você encontra no supermercado misturam ambos. O resultado é uma contaminação que torna impossível o reaproveitamento. Complicado? Talvez dois exemplos simples ajudem a tornar mais concreto:

exemplo 1 – todas as embalagens de alimentos poderiam ser feitas de “material comestível”. Comestível por gente ou mesmo pelo jardim. Não há nenhuma razão para uma bolacha que é comida em 3 segundos deixe na Terra uma embalagem que ainda vai existir quando o seu tatatatatatatatatataraneto vier ao mundo. A embalagem poderia ser projetada para durar só um pouquinho mais do que o produto. Depois, quem sabe, você pode jogá-la no mato e ela vira nutriente para a terra. Para isso, claro, não dá para contaminar a embalagem (nutriente biológico) com metais pesados (nutriente técnico).

exemplo 2 – a indústria de produtos eletrônicos poderia criar um sistema de “leasing de material”, em vez do sistema atual. Em vez de comprar uma televisão, você compra 10 mil horas de direito de usar os materiais que fazem uma televisão (nutrientes técnico). 10 mil horas depois, um sujeito vai à sua casa, pega a TV, leva para a fábrica, desmonta e cada mínimo pedacinho é reaproveitado para fazer uma nova TV, muito mais avançada. Você sai ganhando: vai ficar bem mais barato. A indústria sai ganhando: seus custos e riscos diminuirão astronomicamente ao não ter que financiar a mineração de centenas de minerais. E quem sabe quanta coisa legal pode ser feita nas áreas onde hoje estão as minas.

Interessante, não é?

O post da semana passada bombou. Teve comentário raivoso, gente se chamando de idiota e inútil e, no geral, aquele mesmo clima de diálogo de surdos com o qual estamos tão acostumados sempre que se toca num desses temas quentes (ideologia, homossexualidade, drogas etc.). A grande maioria dos comentários seguia o mesmo script: há o meu lado e há aqueles cretinos que pensam diferente. Nós estamos certos, eles são débeis mentais. Simples assim.

Eu lamento.

Mas entendo.

Estamos dobrando uma curva civilizatória. Num momento como esse, é mesmo normal que haja confusão. Estamos no processo de inventar um novo modelo de produção para a humanidade. É normal que, numa hora assim, haja um monte de gente sem entender o que está acontecendo. E, consequentemente, um monte de discórdia.

O livro "Cradle to Cradle" propõe um novo jeito de produzir, no qual cada item produzido melhora o mundo um pouquinho (em vez de piorar)

O deputado Aldo Rabelo, por exemplo, não está entendendo nada, coitado. Você viu a entrevista dele para a Veja na semana passada? Lá o deputado diz que os ambientalistas querem impor garganta abaixo do país a obrigatoriedade de preservar a mata nas margens dos rios. Ora bolas, diz ele. “É uma loucura. Basta andar pelo interior do Brasil para ver: toda a agricultura tradicional sempre foi feita nas beiras dos rios, porque é lá que está a água.”

Verdade. Sempre foi assim.

E o resultado disso é que, no país inteiro, as margens dos rios, sem a sustentação das raízes, estão desmoronando. Isso vai entupindo o rio de terra (o chamado assoreamento), o que diminui o fluxo d’água e mata os peixes. Quando chove, o rio assoreado não dá conta de escoar a água e as cidades e plantações na margem são destruídas. Morre um monte de gente, perde-se um monte de dinheiro. Para completar, a água é contaminada por agrotóxicos e esgoto que escoam para o rio. O desmatamento também libera carbono no ar, o que aquece a Terra e aumenta a frequência de chuvas desastrosas, de maneira que um problema vai alimentando o outro.

Não é só no Brasil, como lembra o deputado Rabelo. Isso acontece no mundo todo, a não ser em sociedades muito desenvolvidas e bem educadas, o que obviamente não é nosso caso (a gente não sabe nem debater ideias sem xingar a mãe).

O interessante é que, no fundo, recuar as cidades e plantações para longe do rio é do interesse de todo mundo, inclusive do agronegócio. Garanto para você que a maioria dos grandes produtores tem consciência de que um modelo de negócio baseado em assoreamento, enchente, poluição e desmatamento não é bom para eles tampouco. A maioria, na intimidade do lar, lamenta a destruição do rio que eles amaram na infância. Eles também iriam preferir trabalhar de um jeito em em que a ameaça de uma enchente desastrosa ou de uma seca matadora não seja uma constante.

Mas, assim como o deputado Rabelo, eles também acham que “sempre foi assim”, e que portanto não poderia ser diferente. A maioria acha que os ambientalistas são uns chatos que só existem para colocar obstáculos no processo produtivo – e portanto diminuir as margens de lucro. (E, justiça seja feita, há mesmo muito mais ambientalistas apontando para problemas do que sugerindo soluções.)

Não deveria ser assim. Deveríamos inventar um novo sistema de produção em que a preservação do rio não seja vista como um obstáculo, mas como uma imensa oportunidade.

Como fazer isso? Difícil, sem dúvida. Mas tem jeito e certamente o mundo caminha para isso. De novo, busco inspiração neste livro sensacional que estou lendo (“Cradle to Cradle”, de William McDonough e Michael Braungart).

E se, como sugere o livro, imaginássemos um processo produtivo no qual, quanto maior a produção, maior o benefício para o ambiente? Loucura? Uai, por quê? A natureza sempre funcionou assim. Cada nova árvore plantada melhora o mundo (firma o solo, captura carbono, produz sombra, fertiliza a terra, abriga vida selvagem etc) e aumenta a produção ao mesmo tempo. E se as plantações seguissem essa mesma lógica em vez de focar unicamente em aumentar a produção em relação ao ano passado?

E se as cidades fizessem o mesmo?

Garanto que, no final, isso iria fazer bem até mesmo para o PIB.

Como escrevo um blog que tem a palavra “sustentável” no título (muito embora acompanhada da ressalva de que “é pouco”), volta e meia alguém me chama de “ambientalista”. Isso sempre me incomodou, mas eu ainda não tinha parado para pensar por quê. Pois andei pensando nisso. E cheguei a uma conclusão.

Quer saber?

Ambientalista é o cacete.

Quando me chamam de “ambientalista”, geralmente é com alguma condescendência. É como se “ambientalista” fosse o contrário de “desenvolvimentista”: uns se preocupam com a natureza, outros querem dar emprego para o povo. O cacete. Não existe essa divisão.

A psicanalista Maria Rita Kehl, em um artigo recente na sua coluna no jornal O Estado de S.Paulo, deu sua opinião sobre qual é a verdadeira divisão nessa história. “O objeto da disputa é o tempo”, escreveu ela. De um lado, há os que querem “agarrar tudo agora”. Do outro, estão os que “se preocupam com as gerações que vão continuar vivendo no Brasil quando todo o interior do País for igual às regiões mais secas do Nordeste atual – algumas das quais já foram ricas, verdes e férteis, antes de ser desmatadas pela agricultura predatória.”

Semana passada, no sertão nordestino, um pesquisador da Embrapa, que além de tudo faz uma geleia de umbu incrível, me levou para conhecer uma propriedade rural onde ele construiu uma cisterna para captar a água da chuva. Coisa de pouco mais que R$ 1.000. A água captada pela chuva é conduzida por canos com gotejadores – tudo baratíssimo. Na outra ponta dos gotejos, àrvores frutíferas. Um pomar lindo, lindo, lindo. Conversamos com o proprietário, um homem orgulhoso, de peito estufado, que comandava uma família de oito. Estava de visita seu filho, um menino esperto que estuda enfermagem em Petrolina. O pomar, construído sob orientação do pesquisador, começou faz só dois anos, mas a família já não dá conta de comer toda a comida que ele produz. Mamão, acerola, coco, coentro, gergelim, graviola, caju, maxixe, batata-doce, mandioca, tangerina, limão, tomate. Tudo só com água da chuva. Estou falando do sertão do Nordeste.

Esta foto na verdade foi tirada no pomar-laboratório da Embrapa. (O pomar do agricultor, com todo respeito à Embrapa, é muito mais bonito.) Foto: Cia de Foto (C)

Perguntei a ele se ele vendia a produção. Nada. Ganharia muito pouco dinheiro concorrendo com grandes corporações cujas duas únicas preocupações são custo e receita. O que a família dele não consegue comer ele dá para algum vizinho. Não vi ninguém magrela na região.

Esse pomar lindo não contribui em um centavo furado para o PIB brasileiro. Mas, se você me dissesse que isso não é desenvolvimento, eu responderia “você está completamente louco e deveria procurar um especialista”.

Por outro lado, em 1991, quando o navio petroleiro Exxon Valdez derramou 100 milhões de litros de petróleo na costa do Alasca, o PIB da região aumentou. É que o trabalho de limpar a desgraça movimentou a economia. O efeito colateral foi que, oito anos depois, 21 das 23 espécies animais não tinham se recuperado. Centenas de pessoas que viviam da pesca perderam seus empregos. E é de se esperar que muitos deles tenham feito o que quem perde o emprego é tentado a fazer: beber demais, tornar-se violento, triste, amargo. Segundo o livro “Cradle to Cradle”, outros sinais de “prosperidade” com efeito positivo no PIB são “acidentes de carro, internações hospitalares, doença (como o câncer) e vazamentos tóxicos”.

Não estou insinuando que todo PIB seja ruim ou que tudo que é bom não dá PIB. Apenas que o pensamento dominante, de enxergar o PIB como onisciente, onipotente e onipresente, acima de tudo e de todos, é uma idiotice.

Lógico que tem muita gente interessada em defender que o futuro tenha mais vazamentos de óleo e menos agricultores auto-suficientes. Muitas empresas vivem de gente dependente. Para muitos políticos, então, é uma maravilha. Gente que tem pomar e cisterna não aceita vender voto em troca de uma visita de um caminhão-pipa.

Portanto, ambientalista é o cacete. Só quero que essa galera tire a mão da herança dos meus hipotéticos filhos, a Terra.

Foto: Cia de Foto (C)