O Brasil é um país criativo?

Você conhece o clichê, claro. Esta aqui é a terra da criatividade. Aqui fazemos diferente. Sabemos misturar, temos flexibilidade, jogo de cintura, malemolência, isquindô, telecoteco, balacobaco.

Mas, então, por que é que nossa economia, mesmo nestes tempos de prosperidade, é tão imensamente dependente do menos criativo dos setores: o das commodities?

No país de Garrincha, criatividade ainda é vista como algo próximo da inconsequência

Commodities são produtos em estado bruto ou muito pouco industrializados. São padronizados, para que possam ser comercializados nas Bolsas em grandes quantidades. Não importa de onde as commodities vêm. Não importa se o sujeito que a produziu é criativo. Só o que importa é baixar custos, melhorar processos. Commodity é tudo igual. O Brasil é o rei das commodities: petróleo, café, suco de laranja, minério de ferro, soja, alumínio e muito mais.

Este mês, o editor da excelente revista Monocle, o canadense Tyler Brûlé, esteve em São Paulo e reclamou da falta de criatividade da economia brasileira. Cadê as marcas brasileiras? “Petrobras e Vale não chegam ao consumidor final europeu e americano e muita gente acha que a Embraer é alemã. Chegou a hora de vocês irem além das Havaianas”, disse ele na ocasião.

Veja bem. Não se trata de ser contra as commodities. Ainda bem que o Brasil é rico delas. Foi essa riqueza que fez a balança comercial pesar para o nosso lado, inundando o país de dólares e dando origem à atual prosperidade.

Mas apostar todas as fichas em commodities é arriscado e ineficaz. O metro quadrado dedicado às commodities agrícolas tem rentabilidade baixíssima. Esse mesmo espaço poderia dar muito mais dinheiro para muito mais gente se fosse dedicado a uma finalidade criativa, que “agrega valor”, em língua de gente de negócios. Já as commodities minerais, incluindo o petróleo, dão bastante dinheiro. Mas, em compensação, são imensamente voláteis e expõem a economia à instabilidade, além de degradar o ambiente brutalmente.

Fico aqui me perguntando porque é que um país tão conhecido por sua criatividade está construído em bases tão pouco criativas. Tenho uma teoria. Acho que o Brasil sempre desconfiou de sua criatividade. Os políticos e os empresários sempre viram criatividade mais como um risco do que como um valor. O foco deles sempre foi “cortar as asinhas dos criativos”, uniformizar processos, padronizar.

Isso acontece tanto no setor público quanto no privado. Um e outro são autoritários, burocratizados e tornam a vida de quem quer inovar um inferno. Falo de camarote. Já trabalhei fazendo serviço criativo para governos e grandes empresas. Tanto uns quanto outras têm sistemas – diferentes mas igualmente eficazes – montados para matar ideias novas.

Nas empresas privadas é essa mania de querer ver uma “referência” antes – só se implanta um projeto se você mostrar que alguém já fez parecido em algum país desenvolvido. Garante-se, assim, que nada novo surgirá aqui.

Nos governos são as regras de contratação, super rígidas, super desconfiadas. Regras criadas para evitar corrupção, mas que matam qualquer possibilidade de fazer coisas de um jeito diferente. Para completar, além da dificuldade de contratar, demitir é quase impossível, matando a renovação e acomodando a força de trabalho.

A sociedade, de certa maneira, compactua com isso. A imprensa, por exemplo, só sabe bater em quem propõe um jeito diferente de fazer as coisas. Os jornais estão cheios de matérias irônicas criticando políticos ou servidores públicos que propõem políticas fora do convencional. Por todo lado se reproduz a ideologia do “sempre foi assim então só pode ser assim”.

Para mim, o salto do desenvolvimento do Brasil só vai se dar no dia em que este país estiver cheio de pequenos grupos criativos, multidisciplinares, informais e ágeis, inventando coisas novas à revelia da velha classe dirigente de políticos e empresários engravatados. Só no dia em que houver aqui uma agricultura criativa, uma indústria criativa, um serviço público criativo, cidades criativas, uma economia criativa. Aí sim, o Brasil será um país criativo.

37 comentários
  1. Chesterton disse:

    cara, tenho uma má notícia para você …GOSTEI MUITO DESSE POST!!!!
    THAT´S THE WAY!!!
    Criatividade é capitalismo, empreenddorimo é capitalismo, marcas brasileiras é amadurecimento e enfim capitalismo. O problema do Brasil é o estado gigante e parado. Como ( e porque) ser criativo se a montanha de impostos come os frutos da criatividade, se a burocracia emperra a criação (de novas empresas criativas) e se uma montanha de fiscais cai sobre você toda hora?

  2. Lucas Nunes disse:

    Russo

    Acredito que a carga tributária brasileira dificulta que o Brasil desenvolva e manufature muitas outras coisas por aqui. Em consequencia, há poucos desenvolvimentos, poucas coisas novas, até porque não há incentivos governamentais.
    Gostei da matéria, mas ainda acho que o Brasil tem um pouco de criatividade, só que faltam sempre recursos, ou quando os têm, a tarifa é alta.

  3. Leonardo Xavier disse:

    Realmente Denis, eu também tenho essa impressão que a maioria das vezes as instituições não se permitem correr os riscos de inovar, algumas vezes preferem repetir formulas de sucesso utilizadas em outros locais que nem sempre se adaptam a instituição em questão. Eu acho que isso se torna especialmente claro quando se trata de estruturas públicas engessadas pela burocracia.

  4. Lucas Migotto disse:

    Brasileiro é criativo sim. Só precisa de algumas ferramentas necessárias para pôr em prática a sua criatividade a serviço do país.
    A principal dessas ferramentas, penso eu, é a educação de qualidade.

    Não estou falando de educação para o trabalho, como o que está sendo prometido nestas eleições. Educação é ensinar a pensar, interpretar, procurar soluções novas para velhos problemas, etc. Com uma boa educação, as empresas seriam obrigadas a inovar, caso contrário a concorrência passaria na frente.

    O problema é que vários políticos que estão no poder estão comprometidos com esse tipo de comércio de Commodities, por isso não lhes interessa mudar esse sistema.

  5. Manoel Lemos disse:

    Isto é, em parte, efeito das políticas de livre comércio.

  6. denis rb disse:

    Educação é chave, sim, Lucas Migotto, fundamental.
    E sua distinção entre educação para o trabalho e para a vida é super relevante. Por trás dessa história de que educar deveria ser treinar mão-de-obra está esse mesmo autoritarismo que descrevi no texto: não se quer formar gente criativa, que resolva problemas. O que se quer são técnicos comportados e obedientes.

  7. denis rb disse:

    Valeu, Chesterton!
    Fico feliz.
    Mas te digo: isso que escrevi aqui não é assim tão diferente do que tenho escrito nas últimas semanas. Quando falo de uma nova economia, a tal “economia verde”, também estou falando de empreendedorismo. Quando falo sobre internalizar as externalidades, meu ponto central é o aperfeiçoamento do capitalismo.

  8. jorji disse:

    O jeitinho brasileiro nada mais é do que safadeza, a tão falada criatividade, nada mais é do que os eternos quebra galhos, somos criativos apenas em criar piadas do cotidiano. De nada adianta a criatividade, sem o dominio de tecnicas ( tecnologia ), a criatividade aliada à tecnica é a maior riqueza econômica que uma nação pode ter, somos exportadores de commodity porque não temos a nossa própria indústria que exige apuro tecnológico, não fosse o interesse de países desenvolvidos em buscar novos mercados, o nosso parque industrial seria paupérrimo, o PIB nacional é gerado por 55% por capital externo. Para termos mais tecnologia e criatividade, o que mais precisamos é a infraestrutura de base, como um sistema educacional muito melhor, a saúde pública, saneamento, etc, a soma desses fatores criarão um povo mais dinâmico e com mais inteligência, são os indivíduos que fazem uma nação em todos os sentidos.

  9. Seiichi Okada disse:

    Concordo com o Chesterton, acho que o que falta aqui no Brasil são taxas de impostos mais justas. Me soa totalmente ilógico um pais que consome 1/3 de tudo o que é produzido em impostos, conseguir desenvolver uma economia “avançada”. Pois vivemos em cadeias produtivas, ao extrair matéria prima você paga impostos, para tratar essa matéria prima você paga mais imposto, ate chegar na montagem final do produto agregado você pagou tantos impostos que o produto fica extremamente caro e fica mais barato importar as peças da Europa e somente montar o produto final aqui do que realmente desenvolve-lo internamente.

  10. William disse:

    Bem, criatividade é um grandioso diferencial.
    Pessoas focadas apenas numa área, num setor, que não buscam assuntos/conhecimentos de outras partes, sejam por necessidade do ego ou apenas lazer, são menos criativas. Acredito que a criatividade estar em saber aplicar características/conteúdo de outras área para o desenvolvimento da sua.
    Não sei bem, mas duvido muito que algum economista assista pelo menos um filme por mês, por exemplo. O foco em sua área limita sua criação.

  11. William disse:

    *seja
    **está

  12. Chesterton disse:

    Um país onde a nata intelectual da juventude vê seu futuro apenas prestando concursos públicos não é criativo. Temos pessoas criativas, mas a criatividade não prepondera nesse cenário econômico. Por definição, funcionário público não é, nem deveria ser, criativo. Tem que administrar a máquina pública de modo competente sem querer inventar o que já existe. Quando funcionario publico começa a ser “criativo”, dá em coisas parecidas com o que aconteceu no Ministerio da Reforma Agraria em mato Grosso.

  13. jorji disse:

    Dizem as más linguas, que povos de países de clima quente como o Brasil, os povos são mais festeiros, porém menos criativos e tecnicos, em função de que alimentos são mais abundantes na natureza, e o clima quente deixa as mentes mais preguiçosas, enquanto nas regiões frias, em função da dificuldade, o ser humano foi obrigado a usar mais o cérebro para sobreviver, daí a tecnica e criatividade serem mais aprimorados.

  14. Felipe disse:

    É o que eu sempre falo, ficar fadado ao agronegócio é atraso!!!!!

  15. Felipe disse:

    Jorji, isso ai é mito, não há comprovação científica para isso. Acredito muito mais na ideia de que o motivo seja a nossa colonização mesmo.

  16. Glauco disse:

    Belo texto, Denis!
    Nossa criatividade tem que extrapolar a capacidade de nos adequarmos aos sistemas vigentes e alcançar o ponto de se capaz de criar novos sistemas e novas fronteiras.
    O jeitinho brasileiro pode ser tomado de maneira positiva ou negativa quando se analisa as “Raízes do Brasil”. Talvez seja essa forma brasileira uma das chaves da contribuição do Brasil numa nova criatividade mundial, como bem sugeriu o João Cavalcanti no TEDx. Como brasileiros temos que tentar entender o que esse jeito significa e o que ele traz de positivo. Enquanto não entendermos as raízes, o que há de mal e bom nela, fica difícil frutificar alguma coisa.
    Para mim, o Brasil é o futuro.
    Faço parte de um desses pequenos grupos informais tentando ser criativo e inventar novas formas.
    Já te sigo há alguns meses Denis.
    Nos encontramos em breve.

  17. jorji disse:

    Felipe, existe comprovação cientifica sim, o clima tem sido um dos fatores decisivos na formação das sociedades. O jeitinho brasileiro tem que acabar, temos que eliminar esse mal, parar de ter orgulho da malandragem, da esperteza, do enganar, etc, isso não é criatividade a que se refere o Denis, nada a ver.

  18. Milena Boniolo disse:

    Oi Denis, adorei!

    O discurso de sociedade massificada e de exportar commodities está em pauta a muito tempo, por que não saímos dessa lama???

    Concordo com vc quando diz ser difícil inovar, principalmente tecnologicamente.

    Ao entrar na universidade e logo no mundo acadêmico das pesquisas, laboratórios e afins, pensava eu que nas universidades inovar era mais fácil, afinal trata-se de um local no qual prioriza-se o intelecto, mas na verdade, grande parte dos que lá estão pensam somente em fazer da forma “tupiniquim” o que tem sido feito em outros laboratórios mundo afora.

    Muitas das nossas pesquisas baseiam-se em trabalhos já desenvolvidos em outros continentes, apenas usamos materiais nacionais, as vezes nem isso.

    Será que o Princípio de Conservação da Massa “Nada se cria, tudo se transforma” elaborado por Antoine Lavoisier em 1760 aplica-se a este contexto e modifica-se para a versão tão famosa “Nada se cria, tudo se copia” ????

  19. João Fernando disse:

    Plagiando nosso amigo Denis: Criatividade é pouco🙂
    Tenho milhões de ideias viajando na minha cabeça, acima da velocidade máxima permitida para minha ação, infelizmente.
    Uma que eu lembrei agora, é um sistema de segurança digno dos filmes de ficção científica, contando com monitoração remota, uso da íris ao invés de senhas, etc… Graças à minha formação técnica, tenho base para implementar este sistema, e pretendo fazê-lo assim que me casar e mudar para minha casa.
    Bom, mas o que eu queria dizer é: o que adianta eu inventar isso da minha cabeça, por para funcionar, mas não divulgar com outras pessoas as dificuldades que enfrentei, quais são os melhores equipamentos, os melhores softwares, etc…
    Ou seja, vamos ser criativos, e vamos também por o egoismo de lado e compartilhar o conhecimento.

  20. João Fernando disse:

    Exemplificando o que eu disse antes, e dando uma sugestão para o Brasil:
    http://noticias.bol.uol.com.br/internacional/2010/08/19/ausencia-de-lei-de-direitos-autorais-era-o-motivo-da-expansao-industrial-na-alemanha.jhtm

    Ausência de lei de direitos autorais era o motivo da expansão industrial na Alemanha

    A rápida expansão industrial vivida pela Alemanha no século 19 ocorreu por causa da ausência de lei de direitos autorais? Um historiador alemão argumenta que a imensa proliferação de livros e, portanto, de conhecimento, levou à fundação do poderio industrial do país.

  21. paraxaba disse:

    Denis
    E NAO DESISTIMOS NUNCA.

  22. reynaldo moreira disse:

    “Só no dia em que houver aqui uma agricultura criativa, uma indústria criativa, um serviço público criativo, cidades criativas, uma economia criativa”. Acho que dá para entender que todo o serviço público encontra-se na categoria dos não criativos, não inovadores, pois não vi em seu texto uma linha que apontasse as exceções que, em sua correspondência privada, você aceita que existam. Também é preciso deixar bem claro que, em inúmeros casos, o servidor público lida com uma enorme sobrecarga de trabalho. Pense naquele funcionário da justiça do trabalho, por exemplo, que tem uma pilha de processos para dar conta todo dia, faz hora-extra, sofre assédio moral, e depois lê na imprensa que é um marajá e vagabundo. Muito antes de falar nessas maravilhas que são a criatividade e a inovação, seria preciso denunciar essas condições de trabalho, a falta de estrutura, o sofrimento das pessoas (há inúmeros casos de suicídio devido à pressão e aos maltratos, mas isso jamais vai aparecer na grande imprensa). Mas você está mais preocupado com inovações tecnológicas do que com o sofrimento do trabalhador, pelo que parece. Apenas depois de resolvidos todos os problemas estruturais e sendo o servidor bem pago, com política de reajustes salariais anuais (conforme manda a Constituição), para que não precise viver fazendo greve (não triscam em culpar também o servidor pela greve, quando foi empurrado para ela), é que poderíamos falar no milagre da criatividade. Mas você parece viver na Suiça ou na Dinamarca, sei lá. Que tal fazer primeiro um estudo profundo dos problemas estruturais do serviço público, analisar como a grande imprensa anda demonizando o trabalhador, para variar, pois é mais fácil botar a culpa no mais fraco, que tal falar de como ela faz isso movida por grandes interesses, os interesses da aristocracia financeira que está sugando os recursos do estado sem nenhuma contrapartida? Que tal falar nos problemas reais, no sofrimento palpável do trabalhador, antes de falar nesses ideais de inovação? O buraco é muito mais embaixo, meu caro. Mas você não vai falar de nada disso, não é um discurso charmoso, vai soar a idiotice de esquerda e você não quer ser identificado com essa gente, quer? A Veja não vai gostar, vai? Reynaldo Moreira.

  23. João Fernando disse:

    Tudo seriam flores, se os problemas fossem simples e focais como o Reynaldo narrou.
    Porém temos problemas multidisciplinares e multifocais, que exigiriam equipes multidisciplinares. Mas como formar estas equipes se estamos formando semi-analfabetos no ensino médio, e nas faculdades existe um abismo entre teoria e prática.
    O MIT acabou de disponibilizar todos os seus cursos de graça na internet. Se nossos estudantes fossem estimulados a procurar por conhecimento, soluções para nossos problemas brotariam do nada e em todo lugar.

  24. jorji disse:

    A sociedade mais inovadora e criativa do mundo é a dos EUA, as melhores universidades do mundo também, o monumento mais famoso da terra do tio Sam é a estátua da “LIBERDADE”, um país que sempre defendeu a liberdade, a democracia, desde a sua independência, provavelmente a ferramenta mais importante para o criar seja o livre pensar, “penso e crio”, o incentivo e a valorização de quem fomenta uma idéia é uma das virtudes da sociedade americana.

  25. Felipe disse:

    Jorji, liberdade para os Americanso vc quis dizer né. Apesar das positividades q

  26. Felipe disse:

    Jorji a Austrália é pobre? E lá o clima é igual ao nosso, praticamente.

  27. jorji disse:

    Felipe, cedo ou tarde é o modelo americano é o que vai prevalecer no mundo, adaptado a cada país, o sistema anglo-saxão. Australia é excessão, mas as regiões mais densamente habitados estão na região sul daquele país, que tem clima mais ameno. Sobre esta questão de clima, veja bem, no nosso continente, só os EUA e Canadá são desenvolvidos, a Europa tem o clima temperado, na Ásia, Japão e Coreia do Sul são de clima temperado, os únicos países desenvolvidos naquele continente, a China um dia chega lá, também um país de clima temperado. Outro detalhe, os países que foram colônias portuguesas e espanholas são todos atrasados, isso significa que o sistema latino-católico não foi bem sucedido, o anglo-saxão deu certo, não estou dizendo que exista superioridade racial.

  28. carlos eduardo ferreira disse:

    Gostei da materia e concordo com ela, analizei os comentarios, e cheguei a conclusão que o buraco é mais embaixo. Colonização nal sucedida, impostos elevados entre outras coisas dificulta a dita criatividade que ao meu ver deve estar relacionada a identidade, positiva é claro, já que malhamos a nação por motivos obvios e a reverenciamos na copa do mundo.

  29. Diogo Costa disse:

    Excelente questionamento quanto a criatividade do nosso pais.
    Para mim, dizer que o Brasil é um “país criativo” é por uma máscara no “empurramos tudo com a barriga”.Digo, a tão mencionada criatividade fica restrita apenas ao futebol e as folias de carnaval. Infelizmente, as mentes brilhantes da tão assobiada PÁTRIA AMADA atribuem as suas magníficas idéias em projetos ínfimos que não acrescentam muito ao desenvolvimento intelectual, pessoal e profissional dos brasileiros.
    Será que se a especulada criatividade fosse aplicada a melhoria da educação, da saúde e da relação entre homem e meio ambiente, teríamos que viver hoje em um país que forma semi-analfabetos,que investe oceanos de dinheiro em saúde curativa em vez de saúde preventiva e que definha com catástrofes ambientais em consequência da ignorância e de práticas inconsequentes de seu povo? Creio que não.Para os “gênios brasileiros”, investir em educação a fim de conceber “mentes criativas” seria o fim da manipulação, teríamos visão mais crítica, seríamos mais seletos ao escolher os nossos “aladins”. Constituir-se-ia o fim da roubalheira na “lâmpada mágica”.
    Sinto falta do útero da minha mãe, lá, ao menos não tinha que viver em meio a criatividades inciradas…Mas,por sorte ou azar e por lei da natureza fui expelido das entranhas da matriz que me gerou quando completei nove meses plantado dentro dela e obrigado a sobreviver no país da criatividade invisível. (((Diogo Costa)))

  30. Felipe disse:

    É claro que há criatividade. Nosso povo é rico culturalmente, só cego não vê. Acontece é que há um pensamento atrasado que contamina o duelo esquerda/direita e a sociedade em geral. Mas aos poucos o país vai melhorando.

  31. Paola Abreu disse:

    Achei interessantíssimo esse artigo!
    O Brasil é um caso sério quando fala em criatividade.
    Temos que tirar essa visão internacional de que o Brasil só é: “Futebol, bundas e bundas”
    Aqui há pessoas muito inteligentes, e precisamos ser vistas como tais.

    No Brasil é preciso que aja uma Revolução e não uma simples reforma.
    “Acorda Brasil, acordemos brasileiro”

  32. Gabriel disse:

    Reynaldo Moreira, mas não seria a inovação tecnólogica a principal responsável pela diminuição na “pilha de processos” do qual vc fala? Ou, se não for essa a solução, está sendo discutido entre os funcionários (e não entre o alto escalão do governo) alguma maneira de inovar no funcionalismo público?

    Eu trabalho em uma empresa pública e não vejo inovação… O que eu vejo é um trabalho mecânico, extremamente burocrático e chato. Sem falar em nomeação política, falta de eficiência operacional, desperdício e, no final das contas, um serviço caro e mal feito.

    Em relação ao salário, eu não tenho do que me queixar.

  33. Rosa M M de Souza disse:

    Bom dia
    a todos aproveitando o dia 22 de Setembro o dia mundial sem carro . gostaria de sugerir uma matéria com Cristina Moreno representante da Carta da Terra no Brasil.Grata pela atenção Rosa Moledo 85469959

    Quais serão os principais eventos comemorativo do seu conhecimento da data aqui no Brasil?
    Cristina Moreno: Não sei se teremos outros eventos no Brasil. Nós, da Iniciativa da Carta da Terra, estamos aproveitando esta data para lançar uma campanha de disseminação dos valores éticos contidos na Carta da Terra. São princípios e valores universais necessários à construção de um mundo mais justo, sustentável e pacífico. Esta é uma campanha mundial , que foi desenvolvida por voluntários brasileiros, numa maravilhosa rede de colaboração.

    Outro quase segredo intrigante é a Carta da Terra, o documento.
    Cristina Moreno: A Carta da Terra está completando 10 anos e ainda é uma ilustre desconhecida. Ela é resultado de amplo processo de consulta aos povos da Terra e, embora tenha começado a ser rascunhada durante a ECO 92 no RJ só foi concluída em 2000. Seu lançamento ocorreu, em 29 de Junho de 2000, no Palácio da Paz, em Haia, com a presença da Rainha Beatriz da Holanda.

    : É uma carta de princípios éticos, interconectada, que nos convida a praticar uma Responsabilidade Universal, com um profundo amor e compromisso com as futuras gerações. É a principal referência desustentabilidade e poderia ser considerada como a Constituição de nosso Planeta. Ela se fundamenta em quatro pilares: 1) Respeitar e Cuidar da comunidade de Vida; 2) Integridade Ecológica; 3) Justiça Social e Económica e 4) Democracia, Não violência e Paz.
    O Movimento Carta da Terra é ainda menos divulgado…
    : A “Iniciativa da Carta da Terra” é o nome dado a uma rede global de extrardinária diversidade de pessoas, organizações e instituições que participam da promoção e implantação dos valores e princípios da Carta da Terra. Representa um amplo esforço voluntário da sociedade civil. Entre os participantes incluem-se destacadas instituições internacionais, governos nacionais e suas agências, associações universitarias, organizações não-governamentais e grupos comunitários, governos locais, grupos ecuménicos, escolas e empresas – assim como milhares de indivíduos.

    : A Carta da Terra Internaciona ” é formada pelo Conselho e pela Secretaria da Carta da Terra (com sede na Universidade da Paz, na Costa Rica). Ela se esforça em promover a divulgação, adoção e implantação da Carta da Terra e em apoiar o crescimento e desenvolvimento da Iniciativa da Carta da Terra em todo o mundo.

    : A CTI foi criada em 2006 como parte de um importante processo de reorganização e expansão das atividades Carta da Terra. É importante lembrar que, embora o Conselho da Carta da Terra INTERNACIONAL ofereça liderança e orientação para ampliar a iniciativa, ele não administra ou controla dire a Iniciativa Carta da Terra como um todo. A iniciativa não é regida formalmente em qualquer sentido. O Conselho é responsável apenas pela governançata da Carta da Terra Internacional.

  34. Obrigado Denis por este artigo. Sim o Brasil tem que ser visto como algo mais do que simplesmente o pais do carnaval e do futebol. Nao é facil aqui na França levar as pessoas a entender que Brasil tem muito para mostrar e oferecer. Para mim, a creatividade dos brasileiros ultrepassa de longe as de muitos paises ditos “desenvolvidos”. Por isso que tentamos aqui, mostrar isso, tentando sair dos preconceitos e dos clichês.

  35. Érika de Moraes disse:

    Ótimo, Denis! Todo mundo pede e cobra criatividade, mas, na hora H, vale o “manter as referências”. E nosso país só vai mesmo ser criativo quando criatividade não se resumir a passes de futebol, mas à economia, política, cultura, educação… E olha que, mesmo no futebol, não vejo nada parecido com o que leio sobre os lendários Pelé e Garrincha.

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