Por um governo mais criativo

Semana passada mandei aqui pelo blog uma carta aberta ao prefeito Kassab. Era uma ideia para ele: um projeto de transformação urbana para São Paulo. Poxa, Gilberto, você não vai responder minha cartinha? Não vai escrever? Não vai mandar notícias?

Brincadeiras à parte, é óbvio que não fiquei surpreso com a falta de resposta do prefeito da maior cidade do país. Era isso mesmo que eu esperava: o silêncio. É esse o costume neste país: governantes não conversam com a sociedade sobre ideias (se eu fizesse uma denúncia pessoal, aí sim certamente receberia uma resposta).

Exemplo do que estou dizendo está na campanha eleitoral em curso. Os candidatos estão o tempo todo na TV pedindo o seu voto, mas quantos deles estão propondo um diálogo sobre ideias? Quantos deles estão dispostos a ouvir sugestões da sociedade, da academia? Quando muito, eles prometem fazer isso, construir aquilo, mas não se trata aí de discutir ideias. Os candidatos falam como quem conhece todas as respostas, com o tom de quem sabe a verdade. Eles não querem dialogar: querem apenas nos convencer de que os sabichões são eles.

Aí o debate político fica miserável de pobre. E o único assunto no qual a maioria dos candidatos fala é “eficiência”. Lógico que não sou contra eficiência. Seria muita burrice da minha parte se eu fosse: pago um terço do meu salário em impostos e recebo um serviço porco em troca. Mas eu preferia ver políticos propondo novos jeitos de fazer as coisas, em vez de apenas fazerem auto-elogios na linha “eu faço melhor”.

Outro dia falei aqui sobre a necessidade de termos um país mais criativo. Alguns leitores comentaram dizendo que criatividade é para o setor privado, ao setor público não cabe inventar nada. Pois discordo imensamente. Verdade: precisamos sim reduzir corrupção e aumentar eficiência. Mas, mais do que tudo, precisamos criar condições para um governo que saiba inventar.

Trânsito de SP: o que é mais fácil? Asfaltar mais ou arrumar uma solução criativa?

A falta de criatividade do poder público brasileiro custa imensamente caro para o Brasil. Quer um exemplo? Os governos sabem construir ruas, avenidas e viadutos. Mas não sabem criar sistemas inteligentes de sinalização. As ruas brasileiras são labirintos confusos, cheios de gente perdida. Garanto para você que uma equipe criativa multidisciplinar, sem asfaltar um centímetro quadrado das cidades, seria capaz de melhorar o fluxo do trânsito, melhorar a experiência de se locomover, tornar as pessoas mais móveis e mais felizes nas ruas.

Outro exemplo: quando se fala sobre energia no Brasil, a única conversa é sobre construir novas usinas. Mas o estado é incapaz de soluções criativas que reduzam consumo, incentivem as pessoas a produzir energia em pequena escala, a diminuir desperdício. Caramba, quase todo o país ainda toma banho com chuveiro elétrico! Se fizéssemos um esforço criativo para mudar isso poderíamos reduzir tanto o consumo nacional de energia que daria para vender Itaipu pro Paraguai. Mas alagar um teco da Amazônia é mais fácil.

Mais do que tudo, a falta de criatividade do país é um imenso desperdício de dinheiro porque torna o serviço público mortalmente chato. Ambientes criativos atraem gente produtiva, jovem, talentosa. Ambientes burocráticos não. Ambientes criativos são divertidos para se trabalhar – tão divertidos que nem precisam pagar tão bem para atrair talentos.

Lógico que há exceções. Há nos governos um monte de ilhas de talento e criatividade. Mas são ilhas, não é a regra. Se fossem, se os governos tivessem normalmente o hábito de discutir ideias e de trabalhar para efetivamente melhorar a vida das pessoas, todo mundo ia querer participar do trabalho de governar. Se todo mundo participasse, economizaríamos dinheiro e criaríamos um ambiente em que seria muito mais difícil roubar, porque todo mundo estaria atento.

Poxa, prefeito, discutir ideias vale a pena. Responde minha carta, vai!

33 comentários
  1. Chesterton disse:

    Denis, a única criatividade de político você sabe bem qual é. Político bom é aquele que dorme bastante, assim não atrapalha os cidadãos.

  2. denis rb disse:

    Supondo que isso seja verdade, Chesterton: não deveríamos estar conversando sobre soluções sistêmicas para que isso deixe de ser verdade?

  3. Gabriel disse:

    “Mais do que tudo, a falta de criatividade do país é um imenso desperdício de dinheiro porque torna o serviço público mortalmente chato.”

    Sem dúvida, Denis. Muito, muito chato… Eu, como funcionário de uma empresa pública, gostaria de ver todo o processo da empresa, do início ao fim. Gostaria de ter autonomia pra tomar decisões, não só pegar um trabalho começado (mal começado, diga-se) e passar pra frente. Gostaria de sugerir mudanças, como abolir aquela p*** daquele cartão de ponto, flexibilizar os horários, as tarefas e inclusive o salário.

    Enfim, queria discutir formas de se fomentar a inovação, a mudança, a criatividade… Não só com os demais funcionários, mas com os políticos, com aqueles que recebem os nossos serviços, com a população em geral.

    Mas, desacreditado de que tudo isso irá acontecer tão cedo, prefiro abrir mão do meu emprego e partir pra próxima. Enfim, parabéns pelo texto. A vontade que eu tenho é de imprimi-lo e sair panfletando nas ruas, nos serviços públicos, onde for…
    Um abraço.

  4. denis rb disse:

    Poxa, Gabriel, obrigado, fico feliz.

  5. Monica disse:

    Denis, gostei bastante do texto…
    há algumas confusões que, se esclarecidas, facilitariam muito nossa função de controle:
    – as coisas funcionam de forma diferente nas tres esferas de governo (município, estado, união). Não dá pra por tudo no mesmo saco. são esferas distintas de planejamento, execução, mobilização e possibilidades de ação;
    – as gestões públicas são definidas, orçamentaria e programaticamente, no início de cada gestão (o Plano Plurianual/PPA e as pactuações entre estas três esferas/PPI,p. ex.);
    – todas as ações estratégicas, as políticas setoriais, os ‘programas’, são pensados e propostos, na sua implantação e implementação, por equipes técnicas, na sua maioria bem preparadas (sempre há renovação, seja por aposentadoria, por formação continuda ou por contratações temporárias), resultado de criatividade e MUITO, MUITO trabalho. A questão é que a decisão de efetivação destas propostas NUNCA é da equipe, mas de quem está sentado com a ‘buzanfa’ no poder (e é tão frustrante, inclusive!).

  6. João Fernando disse:

    Que coincidência, Denis!

    Ontem mesmo eu estava pensando, em porque as ideias boas e criativas não vingam.
    Olha o que apareceu na minha cabeça:
    1- Deveria haver muito teste, pois ao primeiro erro grave, a ideia seria descartada e os idealizadores seriam estigmatizados para sempre;
    2- Para haverem testes satisfatórios, seriam necessário muito tempo e dinheiro, o que iria totalmente contra o atual modelo econômico, que privilegia a solução mais barata;
    3- Se o item 1 acontecer, iria desestimular muito a criação de novas e boas ideias, mantendo a estagnação;
    4- Ninguém tolera fracassos, apesar de termos sidos criados por uma sucessão deles (teoria da evolução das espécies);
    5- Se o item 4 não fosse verdade, teríamos uma enxurrada de ideias que através de seus fracassos e sucessos, seriam selecionadas a ponto de beirar à perfeição.

    Se alguém tiver mais a acrescentar ou criticar, eu adoraria.

    Abraços!

  7. João Fernando disse:

    Outra coisa… Quando você candidatar, já tem meu voto.🙂

  8. Leonardo Xavier disse:

    Dennis, eu estava pensando nisso. É possível ver como mesmo candidatos que dizem querer mudar o status quo, se eleitos, continuam a fazer propaganda da mesma maneira arcaica e obsoleta, que só gera ainda mais poluição nos centros urbanos. Sejam os santinhos que caem nas ruas, sejam os carros de som a tornar as cidades mais barulhentas, ou cavaletes poluindo visualmente a cidade e privando as pessoas das calçadas. E o pior de tudo é que a maioria das vezes todos esses cartazes, folhetos e carros de som não interagem com as pessoas e, pior de tudo, não passam nenhuma mensagem.

    Eu acho que enquanto tivermos esse tipo de liderança no governo, eu acho que não haverá espaço para criatividade. Eu lembro que quanto a questão da poluição visual eu cheguei a procurar e-mails para manifestar meu desapreço e a maioria dos comitês de candidatos, efetivamente não disponibilizam um e-mail para se você quiser manifestar sua opinião. A maioria só disponibiliza um endereço para se você tiver interesse de receber material para divulgar a campanha. Se antes de ser eleito já é assim. Imagina depois…

  9. denis rb disse:

    Interessante você falar sobre a necessidade de fazer muitos testes, João Fernando. É por aí sim.
    Muito do que eu disse neste texto e em outros sobre criatividade foi inspirado nas coisas que ando lendo sobre “design thinking”. Design thinking é uma metodologia para inovação: um jeito de trabalhar que favorece a criatividade. Basicamente, a ideia é a seguinte:
    – focar no público. Começar fazendo muita pesquisa, muita entrevista, muita observação. Hoje a maioria das empresas e dos governos não foca no público: foca em suas necessidades e capacidades internas.
    – criar colaborativamente com uma equipe multidisciplinar utilizando muitos brainstorming.
    – e, finalmente, prototipar cada passo do processo. Prototipar significa testar. É importante testar muito, testar sempre e testar cedo (para descartar logo as ideias que não são boas). Quem prototipa não tem medo de errar porque aprende com cada erro.
    Devo voltar a escrever sobre esse assunto. Mas quem quiser se aprofundar mais, uma dica é o livro Design Thinking, do Tim Brown. Outra dica é assistir as palestras do TED do pessoal da empresa precursora do design thinking, a Ideo: Tim Brown, David Kelley e Paul Bennett.

  10. tomas faria disse:

    Parabens Denis,exelente post.Imprimi e manda pelo correio pra ele !!

  11. Luis Zapatta disse:

    Infelizmente nem todas as pessoas pensam da mesma forma. A maioria ainda se satisfaz apenas com aquilo que muda diretamente (na visão dela) sua vida, como uma creche ou posto de saúde perto de casa. Falta a consciência de pensar no coletivo – e aí não está apenas querer e incentivar um governo criativo, falta educação para não jogar lixo na rua, por exemplo.

  12. r r dias disse:

    Eu deixo aqui registrado algo bacana que vem ocorrendo em Recife. A secretaria das cidades, que está armando um plano de ciclovias metropolinas (algo que na minha opinião será muito importante para as cidades da RMR) chamou grupos de ciclistas para dialogar em reuniões as coisas que estavam sendo feitas no grupo de trabalho deles.

    Nessas reuniões (fui em duas) apresentaram o andamento das coisas e nos ouviram, procurando em nós demandas, sugestões e críticas, inclusive para continuar o processo.

    Não sei como trabalham de fato, e se esse jeito micro é o melhor de interagir com a sociedade, mas me senti cidadão ouvido e respeitado, num negócio que tá nascendo agora.🙂

    Abraço,

  13. João Fernando disse:

    Bem, pelo que eu entendi da sua explicação, Denis, e dos vídeos do TED, é que este conceito de Design Thinking, procura desenvolver produtos que mudem o comportamento das pessoas, tirando o que há de melhor nelas. Contrapondo-se ao atual conceito, onde o produto é criado para ser bonito, tecnológico, inovador, … e inútil.
    Foi aí que eu lembrei de uma série de vídeos chamados “The Fun Theory” (http://www.thefuntheory.com), que mostram como ideias simples, melhoram e muito a nossa qualidade de vida.
    Assistam aos vídeos e tentem pensar neste problema: como tornar os estudos mais divertidos? Se resolvermos este problema, teremos uma geração de estudantes mais criativa no futuro…

  14. João Fernando disse:

    Acho que exagerei escrevendo que o atual modelo de design cria produtos inúteis. Isso aconteceu, porque eu estava pensando em um Juicer na hora.🙂
    Após uma boa noite de sono, me vieram outros exemplos de produtos que são úteis, mas se esqueceram do principal elemento do processo, o ser humano.
    Acredito que movimentos como o Design Thinking e The Fun Theory, estão vindo para ficar.

  15. Gerson b disse:

    Legal esse Fun Theory. Não conhecia.

    Mas a escada-piano tambem gasta energia…

  16. Glauco disse:

    Outro dia participei aqui em BH de uma reunião de planejamento estratégico para 2030. Não sou funcionário da prefeitura, tampouco de algum partido. Fui como cidadão e acho que valha a pena compartilhar aqui minhas impressões sobre o encontro, já que o post tocou o dálogo entre estado e sociedade civil. Encaminho o mesmo texto que madei para uns amigos:
    -A reunião começou com 36 minutos de atraso;
    -Esse atraso se deu para esperar a chegada do prefeito (em pessoa) que participou o tempo (quase) todo da reunião, respondendo os munícipes diretamente (o que muito me admirou!);
    -A reunião era para tratar de assuntos da envergadura de Desenvolvimento Social, Cultura e Segurança para os próximos 20 anos e havia no auditório cerda de 50 pessoas (0,002% da população da cidade), sendo a imensa maioria funcionários da PBH, que devem ter sido “convidados” para o encontro.
    -Foram apresentados dados muito interessante sobre o presente e futuro de BH (Vocês sabem que a taxa de assassinatos de BH, óbitos por centena de milhares de pessoas, é maior que do Rio e São Paulo?).
    -Quem quis falar, falou.
    -Devido ao local, nível da informações e tipo de convocação, a grande maioria das pessoas que falaram, falaram sobre cultura. E se limitaram a reivindicar maior aporte de recusros para o tema.
    -Falaram produtores culturais, professores da UFMG, promotora de justiça, ONGers e eu.
    -Ao final do encontro conversei com muita gente interessante.
    -A discussão durou exatas duas horas e o prefeito encerrou a sessão dirigindo a palavra a mim, coisa que parecia impossível para mim numa cidade tão grande como a nossa.
    Quem quiser saber mais: http://www.pbh.gov.br/bhmetaseresultados/plano-estrategico.php
    Não acho que estamos próximos da participação ideal das pessoas nos rumos da cidade, mas penso que este passo está sendo interessante.

  17. Izabel Cristina da Silva disse:

    Parabens, pela materia sobre o caus que vive a população de SP mas o nosso Brasil imenso, sugerimos que vc analizasse a nossa capital de Porto Velho RO, que fazem dois anos que iniciaram a construção de viadutos (6) e simplesmente as obras do PAC juntamente com a Prefeitura do PT, continua a passo de tartaruga, a população sofre a cada dia.

  18. reynaldo moreira disse:

    “Ambientes criativos são divertidos para se trabalhar – tão divertidos que nem precisam pagar tão bem para atrair talentos”. Boa dica, Denis, vai ficar muito mais barato para os capitalistas criarem ambientes agradáveis de trabalho, reservar meia hora após o almoço para a “siesta” ou o “tai chi”, do que fazer justiça, ou seja, dar ao trabalhador uma parte maior do que foi produzido pelo, adivinha?, trabalhador. Pessoas felizes mal sentem que estão sendo exploradas, não é verdade? Ai, ai, ai, lá vem o chato tirar todo o charme do discurso moderninho!

  19. denis rb disse:

    reynaldo,
    Eu quero ter sentido na minha vida. Quero me divertir, quero criar coisas, quero fazer coisas que façam sentido pros outros. Se vc acha que dinheiro é muito mais importante do que essas subjetividades, o problema é seu. Para mim, não é.
    Ah, e se é verdade isso que você diz – que é mais fácil pro “capitalista” tornar o ambiente agradável – por que então eles quase nunca o fazem?
    Acho incrível como esse seu discurso supostamente marxista é confortável para o status quo.

  20. Edna disse:

    parabens Dênis, excelente colocação. concordo em gênero, número e grau!

  21. Felipe disse:

    Reynaldo, pelo contrário, o ideal é todos ganharem bem e trabalharem de uma forma saudável, não robótica.

  22. denis rb disse:

    Oi ana mutram,

    Vi sim! Uma outra leitora já tinha me mandado o link, coincidência. É muito interessante o que ele diz.

    abs

  23. Chesterton disse:

    Governo mais criativo? Não! Menos governo!
    Aí, Denis, está saindo do forno mais um termo de propaganda climática. Não é mais Global Warming, nem Climate Change. É Climate Disruption! Bacana o que o marketing pode fazer né? (um monte de B.S.)

  24. denis rb disse:

    Chesterton,
    É aí que tá: o foco não pode ser no tamanho do governo. O foco tem que ser em como atender melhor às pessoas – o tamanho do governo é uma discussão secundária.
    Peguemos um exemplo concreto: educação pública no Brasil, que sabidamente tem qualidade baixíssima. Como é que reduzir o tamanho do governo melhora a educação?

  25. reynaldo moreira disse:

    Ficar fechado entre paredes no mínimo oito horas por dia fazendo o que um esquemão já pronto determina (produzir peças de automóvel, fechar o dia na redação, fazer rolar a máquina da burocracia estatal, etc.), independentemete do ambiente de trabalho ser criativo, agradável, ou não, é extremamente prejudicial à formação das “subjetividades”. Ao invés de ver as coisas sempre do ponto de vista das possibilidades limitadas do horizonte capitalista, eu penso desde a distância de um outro mundo possível. Toda essa mesmice do status quo não tem para mim o menor significado e tampouco me interessam os fogos de artifício da tecnologia. Para mim um só poema de “A Rosa do Povo”, de Drummond, é mais relevante para a humanidade do que todo o projeto espacial da Nasa ou coisa que o valha. Vê o quanto sou idiota? Se vocês, Denis, Edna, Felipe, e tantos outros, querem continuar trabalhando dentro desse limite estreito do possível, o problema é de vocês. Agora, Denis, não desvirtue minhas intervenções, eu não afirmo que o dinheiro é mais importante do que a subjetividade. Digo apenas que a maior parte do empresariado paga o menos possível e quem paga o menos possível (e embolsa o mais possível de mais-valia) dificilmente estaria preocupado em criar bons ambientes de trabalho, a não ser que isso permita que se pague menos, explorando mais. Admito até que um em cada mil empresários pode ser um “idealista”, desde que, claro, isto não o impeça de continuar enriquecendo por meio do trabalho dos outros. Uma das armas modernas da exploração capitalista é esta, parecer simpática, e o bravo colunista parece estar muito afinado com esta tendência. Meu dever é revelar que o sistema é fundado no roubo do tempo de trabalho do assalariado, o verdadeiro criador de riquezas, e vai continuar assim enquanto existir como sistema. Nem comecei a discutir o marxismo com você, Denis, porque respeito esse espaço, que não é a academia. Mas se quiser, podemos começar. Are you ready?

  26. denis rb disse:

    reynaldo moreira
    Para começo de conversa, acho que um ambiente de trabalho verdadeiramente criativo necessariamente não exigiria que se fique fechado entre quatro paredes. Equipes criativas precisam estar em contato constante com as pessoas que elas pretendem beneficiar (no caso, os cidadãos). É necessário passar dias e dias convivendo com os problemas que eles se propõem a resolver, vivendo lado a lado com os usuários da inovação antes de gerar soluções. E, depois, é preciso passar muito tempo na rua testando ideias, prototipando soluções, melhorando-as.

  27. reynaldo moreira disse:

    Você não tocou em nenhum ponto essencial de minha resposta, Denis. Não conseguiu por falta de tempo (cuidado, isso é perigoso!), por falta de argumentos ou para satisfazer de modo fast food o leitor que acompanha o debate, dando a última palavra de modo esquivo?

  28. denis rb disse:

    reynaldo,
    E por que tem que ser você que decide quais são os pontos essenciais da sua resposta? Para mim, o ponto essencial é esse que eu levantei: o do espaço criativo, aberto, inteligente. Não interessa se a empresa é pública ou privada: no Brasil hoje ambas são estupidamente chatas. Não interessa se o ideólogo é de esquerda ou de direita, ambos são igualmente autoritários, tentando encaixar ideias dissonantes nas suas rígidas formas ideológicas. Eu me recuso a ser pautado pela sua agenda. As coisas que me interessam são aquelas sobre as quais eu escrevo.

  29. reynaldo moreira disse:

    Atenção Denis, o ideólogo é aquele que determina um caminho a seguir, exemplo, o socialismo através da revolução operária. Eu não fiz isso em momento algum, eu usei as ciências sociais (e o marxismo é um dos principais fundamentos das ciências sociais modernas, apesar do esforço da grande imprensa para exterminá-lo, já que é incômodo) para dar um diagnóstico da sociedade em que vivemos. Você está sempre tentando me tornar um ideólogo porque assim é mais fácil lidar com o incômodo que eu provoco. Não saí um centímetro de sua pauta, só vejo os problemas que você aponta de um ponto de vista mais distanciado. Se você não suporta isso e chama minha crítica ácida de autoritarismo, é porque está se incomodando. Aliás, tenho te achado irritado com minhas intervenções, porque? Só aceita os afagos do leitor que transita dentro de seu horizonte limitado de referências da ordem do dia, de preferência vindas da matriz, os Estados Unidos da América? Uma sugestão: ajoelhe todos os dias em direção a NY, em direção ao totem fantasma das twin towers e abaixe três vezes até o chão. Vamos lá: um…dois…três.

  30. renato disse:

    reynaldo, não quero complicar a discussão mas qdo vc afirma que:

    “Meu dever é revelar que o sistema é fundado no roubo do tempo de trabalho do assalariado, o verdadeiro criador de riquezas, e vai continuar assim enquanto existir como sistema”

    parece-me que vc torna o assalariado um escravo desse sistema, o que acredito não ser verdade. Ele tem a liberdade de escolher a empresa em que trabalha e mesmo a possibilidade de ter seu próprio negócio.

    Desculpe-me se faço-lhe uma crítica mas aqui de fora parece que vc enxerga vários erros mas não aponta nenhuma direção. E o que acho mais interessante neste blog e tb o que tem faltado demais em nossa sociedade, é exatamente essa ousadia de expor novas ideias e experimentar novas direções.

    Ah, e excelente sua indicação:
    “Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
    e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
    Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
    Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
    É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.”

  31. Vinícius disse:

    Saiba, se você candidatar-se e apoiar a interação da população ao governo não hesitaria em dar meu voto a você.

    Acredito que suas afirmações são com toda a certeza corretíssimas.

  32. Nestor Carvalho disse:

    Não me afino com grande parte de seus pontos de vista expostos nesta coluna. Por outro lado, concordo 100% com a outra parte e, em qualquer caso, admiro a sua competência em bem escrever e em produzir textos instigantes e inspiradores. Neste caso, por exemplo, achei irretocável o artigo. Mas o que mais me impressiona ao ler os comentários, é ver o quanto as pessoas perderam de suas capacidades de ouvir (no caso ler) as opiniões alheias. Perdem-se em discordâncias às vezes irrelevantes, sobre pontos secundários e não conseguem debater, ou sequer entender, a mensagem do autor.
    Por exemplo, não vejo incompatibilidade entre menos governo e governo mais criativo. Nem um nem outro, isoladamente são a solução. Mas com certeza quanto mais agigantada a estrutura, menos ágil, menos criativa e menos participativa ela pode ser.
    Outros, tentam reduzir todo e qualquer assunto à sua própria ótica, e não conseguem debater nada sem tentar atribuir aos interlocutores antolhos ideológicos como os deles mesmos (apenas com o sinal trocado). Com estes, do tipo que acredita que “o marxismo é um dos principais fundamentos das ciências sociais modernas”, não vale a pena nem tentar qualquer argumento. São um caso perdido. Prefiro quando você emprega seu tempo em nos trazer novos textos instigantes e inteligentes, como neste caso.
    Cordialmente.

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