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Arquivo mensal: outubro 2010

Tem um erro importante no texto abaixo. Escrevi que os sabonetes antibacterianos contêm antibiótico. Na realidade, eles contêm triclosan, que é um “biocida”, ou “antibacteriano”. Há mil dúvidas sobre a definição de “antibiótico”. Em latim, antibiótico é “aquele que é contra a vida”, enquanto “biocida” é “o que mata a vida” – ou seja, os dois termos significam mais ou menos a mesma coisa. Mas antibióticos são produzidos por outros seres vivos para se proteger de ataques (a penicilina, por exemplo, é produzida por um fungo). E esse não é o caso do triclosan, que é um veneno químico. Há sim muita polêmica sobre a adequação de se usar sabonetes com biocidas. Há também suspeitas de que bactérias desenvolvam resistência a biocidas e se aventa a possibilidade de que o uso de biocidas gere resistência a antibióticos que ajam de maneira semelhante. Mas essas suspeitas não estão resolvidas – não há provas definitivas de que bactérias desenvolvam resistência a esse tipo de substância (um assunto que está resolvido em relação aos antibióticos).

Peço desculpas pelo erro, mas mantenho o raciocínio central, que continuo achando válido. Continuo achando que só quem realmente tem motivos sérios para se preocupar com contaminação com bactérias deveria usar esse tipo de sabonete (catadores de lixo ou enfermeiras, por exemplo). Continuo achando que essa história é simbólica do tempo em que vivemos e da forma esquisita como lidamos com a natureza e o consumo. Obrigado às pessoas que me avisaram do erro.

A cena é bucólica. Uma menininha cata lixo numa corredeira ao pôr-do-sol. A mãe, encantada, comenta:

“Minha filha está participando de um movimento ecológico para cuidar do meio ambiente. Eu me encho de orgulho, mas também me preocupo, porque ela fica exposta a muitas bactérias.”

A natureza é linda, mas suja. Ainda bem que a indústria farmacêutica está atenta, nos protegendo dos inimigos invisíveis. A propaganda traz a solução: o médico da mãe recomendou um novo sabonete, que elimina 99,9% das bactérias. Na cena, a menininha se molha num riacho cristalino, supostamente depois de se ensaboar com o tal sabonete antibiótico.

Faz mal? As autoridades lavam as mãos

O que o comercial não discute é o destino de 0,1% das bactérias – aquelas que não morrem envenenadas pelo sabonete. Essas sobrevivem e se multiplicam velozmente, como é de hábito entre bactérias. O que salva a vida delas é que elas carregam genes que produzem substâncias resistentes ao antibiótico do sabonete. Ao se reproduzirem, suas descendentes também carregarão esses genes. Ou seja, em questão de dias, a mão da menininha estará coberta de bactérias que não morrem com aquele tal antibiótico. E não só a mão dela: o riacho onde ela se lavou também, carregando bactérias resistentes e antibiótico para a próxima família feliz.

A propaganda segue a tradicional estratégia da publicidade de aproveitar-se dos medos e desejos humanos para criar um impulso irresistível de comprar. Como resistir à ideia de que nossos anjinhos inocentes estão à mercê de bactérias brutais? Para reforçar a mensagem, o comercial dá números, que passam uma sensação de confiança: algo que mata 99,9% das bactérias só pode ser bom, certo? Acontece que esse número não poderia ser pior. Quanto mais perto dos 100% sem chegar a ele, mais eficaz será o processo de seleção natural rumo a uma superbactéria.

Produtos como o sabonete com antibiótico são bem típicos dos nossos tempos. Vivemos o fim de uma era, na qual tínhamos a ilusão de que eventualmente teríamos total domínio sobre 100% da natureza. Tudo um dia seria padronizado, uniforme, homogêneo. Aquilo que é útil na natureza seria engarrafado e produzido em massa. O que é inútil seria exterminado com o sabão certo.

O sabonete com antibiótico vende uma falsa sensação de segurança ao custo de tornar o mundo inteiro efetivamente mais inseguro. Para que a mamãe da propaganda durma tranquila achando que sua loira filhinha está protegida das cruéis bactérias, cada um de nós neste mundo temos que lidar com a realidade concreta de que há por aí bactérias letais resistentes a tudo. Em troca de um falso benefício individual, temos que lidar com um dano coletivo concreto.

Ainda assim, sabonetes como esse estão à venda e são meigamente anunciados em comerciais de TV, travestidos de “ambientalmente corretos”. Remédios que causam efeitos colaterais ao indivíduo são rigidamente regulados por agências e sua venda é limitada. Mas produtos que causam efeitos colaterais à sociedade toda, como os carros, não.

Em parte, isso se explica por uma questão técnica. A “sociedade toda” é um sistema gigante e complexo. Não é fácil saber como um fator afeta esse sistema. Não dá para fazer “testes clínicos”, como se faz com medicamentos em indivíduos, dando doses controladas a algumas pessoas e observando atentamente os efeitos.

Por isso, é difícil controlar a comercialização e a propaganda de produtos maléficos como o tal sabonete. Pelo menos enquanto não avançamos no estudo de sistemas complexos. O que resta, então, é difundir informação sobre esses produtos para que as pessoas possam pelo menos tomar decisões mais bem informadas e não cair na pegadinha da publicidade.

Enrique Peñalosa foi prefeito da cidade de Bogotá, capital colombiana. Bogotá era um inferno, uma cidade arrasada pela violência, de baixíssima auto-estima, sinônimo de lugar ruim. Peñalosa foi um dos líderes de um renascimento que levou os bogoteños de volta para a rua e transformou a cidade numa surpreendente história de sucesso de renascimento urbano. Hoje, ele mora em Nova York, onde é presidente da ITDP, o Instituto para Políticas de Transporte e Desenvolvimento, uma organização mundial dedicada a melhorar os espaços urbanos e a mobilidade das pessoas nas cidades do mundo.

O ITDP de Peñalosa contratou o Jan Gehl Architects, um escritório de arquitetura de Copenhague, na Dinamarca, para fazer um projeto para o centro de São Paulo. Já falei do Jan Gehl aqui. Ele é o arquiteto que, nos anos 60, começou a transformar Copenhague na cidade que é hoje: cheia de gente na rua, mais dependente das bicicletas do que dos carros. Seu escritório está por trás de muitas das histórias de sucesso das grandes cidades da atualidade: as ciclovias de Londres, o renascimento do centro de Melbourne, as cadeirinhas da Times Square, em Nova York.

Enfim, juntou-se um “dream team” do novo urbanismo mundial para dar ideias para São Paulo. Os arquitetos do escritório de Gehl resolveram dedicar-se a transformar a região do Anhagabaú no centro vivo da cidade, um lugar onde a cidade toda se encontraria. Eles passaram semanas observando o jeito como as pessoas se relacionam com o espaço, entendendo o papel de cada um lá: os mendigos, as prostitutas, os policiais, os meninos de rua, os trabalhadores, os executivos, os camelôs. Ao final, eles propuseram um projeto lindo. Fiquei morrendo de vontade de passear pelo novo Anhagabaú.

Mas provavelmente não vou ter a chance. São Paulo recusou o projeto do dream team dos urbanistas do mundo. As ideias deles servem para Bogotá, Londres, Nova York, Copenhague, Melbourne, mas não para nós.

Por quê? Por quê São Paulo – e muitas cidades brasileiras – são tão refratárias a ideias inovadoras? (Mês passado escrevi uma carta aberta ao prefeito Kassab sobre uma outra ideia para a cidade, de um grupo de jovens arquitetos que oferecia o projeto de graça à cidade. Não mereci nem resposta do prefeito ou de sua equipe de planejadores urbanos.)

Em parte é fácil de entender o porquê. Os setores imobiliário e de construção são os maiores financiadores de campanhas eleitorais, tanto à prefeitura quanto à Câmara dos Vereadores. A Associação Imobiliária Brasileira deu dinheiro a 29 dos 55 vereadores em exercício – o suficiente para ganhar com folga qualquer votação em plenário.

Não estou aqui insinuando que todos esses vereadores sejam corruptos e vendam seus votos. Mas claramente há em São Paulo uma tendência de defender os interesses desses setores: e esses setores adoram grandes obras, novas avenidas, túneis, pontes ou projetos de “revitalização” que envolvem demolir um bairro todo e construir outro no lugar. Eles não gostam tanto de projetos feitos para as pessoas, que envolvem pesquisa, observação, inteligência – em vez de apenas derramar concreto.

Aliás isso não é só em São Paulo, nem só nas prefeituras, nem é exclusividade do grupo político do prefeito Kassab (que é dos Democratas. O PT também tem as construtoras entre seus principais doadores e isso ajuda a entender projetos meio sem pé nem cabeça como a transposição do rio São Francisco, num país em que a maioria da população ainda não tem saneamento básico).

Quer entender por que o espaço público tende a ser tão ruim no Brasil? Talvez a resposta esteja nas regras de financiamento de campanhas e no sistema político. Talvez nosso sistema privilegie os candidatos que se preocupam em agradar empreiteiras e incorporadoras, em vez de se especializar em atender as pessoas e tornar a vida delas melhor.

Não estou acostumado a ser vip. Apesar de trabalhar há anos “na mídia”, como se diz, jornalistas que escrevem sobre ciência, ideias e meio ambiente, como eu, geralmente não recebem muitos convites. Nada que se compare àqueles que escrevem sobre consumo (moda, carros, entretenimento, essas coisas que fazem a roda da economia girar).

Talvez seja sinal dos tempos o fato de que usufruí do meu primeiro convite vip esta semana. Foi lá no festival de rock SWU, sigla de starts with you, “começa com você”, um evento internacional que foi licenciado no Brasil. Como é um festival “sustentável”, além de convidar patrocinadores, artistas, diretores de marketing, publicitários, jornalistas de cultura, os organizadores resolveram incluir a “turma da sustentabilidade” na lista vip.

Este que vos fala inclusive. Fui lá falar no tal “fórum de sustentabilidade”, que incluía um monte de empreendedores sociais e inovadores em geral. No resto do festival, eu pude circular para lá e para cá com um crachá que trazia o adesivo “backstage” no verso. Com esse crachá, os seguranças me deixavam entrar em qualquer lugar: atrás dos palcos em meio aos músicos, numa área cercada de grades junto ao palco, com visão privilegiada dos shows, ou até na “tenda do Eduardo Fischer”, nomeada em homenagem ao publicitário que organizou a festa, um espaço confortável, cheio de sofás, com uísque 12 anos, caipirinhas, canapés deliciosos e, supremo luxo, banheiros de verdade.

Foi estranho. Foi a primeira vez que vi um mega show desses do lado mais verde da cerca. Pude ficar colado ao palco, enquanto os simples mortais lá trás se espremiam numa grade. Lembrei envergonhado do ódio que eu tive por esses executivos arrumadinhos em shows como o dos Rolling Stones, na praia de Copacabana, em 2006, com 1 milhão de pessoas na praia e algumas centenas de vips à sua frente, os únicos com direito de enxergar o palco. Na época, sugeri lançar a campanha “acerte um vip”, com latinhas de cerveja. Ah, o radicalismo da juventude. E agora aqui estava eu, mastigando sashimi, de caipirinha de frutas vermelhas na mão, todo sorridente.

Foi bizarro também. Havia tantos vips que às vezes se formavam filas deles. Como todo mundo na fila era vip, isso dava origem a uma guerra de carteiradas, todo mundo furando a fila com a justificativa de ser vip, sem se dar conta de que todos na fila eram vips.

O Brasil é o país dos vips. Como estamos acostumados a sermos o país mais desigual do mundo, achamos normal que haja uma elitezinha minúscula cercada por uma imensa ralé. Ao longo da história, nos tornamos especialistas em erguer grades vigiadas por seguranças truculentos separando uns dos outros. Estamos na ponta em termos de tecnologia de segregação. Claro que, nesse clima, todo mundo quer ser vip. Ninguém quer ter o azar de ir parar do lado errado da cerca. Por conta disso, quem conhece os executivos que distribuem crachás vips cultiva com cuidado essas relações. Isso dá um poder imenso.

O Brasil está mudando. Milhões de pessoas estão ascendendo socialmente, o que vai lentamente superlotando as áreas vips. Talvez esteja chegando a hora de elas serem abolidas de uma vez. A hora de tratar bem o público inteiro e de permitir que quem chegar antes ao show possa escolher o melhor lugar. A hora de respeitar a audiência pela sua humanidade, e não pela cor do seu crachá. Isso sim seria um festival “sustentável”.

Qualidade de vida, alguém aí é contra?

Claro que não.

A própria palavra “qualidade” denota algo que é melhor quanto mais houver. Ouve-se de tudo nesses dias de hoje: defender redução do crescimento, do estado, do consumo, da automatização, da alimentação, dos gastos, do trabalho, do ritmo. Mas ninguém defende redução na qualidade de vida.

Por outro lado, está para existir expressão mais escorregadia que essa. “Qualidade de vida” é um conceito mais gasto do que sola de Conga. Papo de publicitário querendo vender para você uma área verde cercada de muros eletrificados, com meninos de rua, fumaça e trânsito te esperando do lado de fora.

Por causa disso, a expressão parece não significar mais nada. “Qualidade de vida” é um conceito tão vago e subjetivo que tornou-se inútil. É uma frase vazia e brega, como “coração partido” ou “flechado pelo cupido”. Esqueça a qualidade de vida.

Mas isso é uma loucura, se você for pensar bem. Afinal, por mais que o conceito seja subjetivo, você sabe muito bem o que ele quer dizer. Pense na sua própria vida. Muito provavelmente você vai conseguir lembrar de épocas em que ela estava boa e outras épocas em que estava piorzinha.

Se você estava envolvido em algum grande projeto, foi bom. Se morreu alguém querido, foi ruim. Se você estava muito próximo de bons amigos, foi bom. Se você perdeu o emprego ou a namorada, foi ruim. Se as pessoas estavam respeitando você e querendo saber o que você pensava, foi bom. Se seu emprego era repetitivo e entediante, foi ruim. Se era criativo e recompensador, foi bom. Você sabe do que estou falando.

Não dá para por um número na qualidade de vida, como dá para por no PIB. Mas, ainda que não tenha número, é sim uma coisa real, concreta.

Há muita pesquisa científica sobre qualidade de vida. Sabe-se com um grau de segurança bastante razoável que tipo de coisa melhora a vida das pessoas e que tipo de coisa piora (os exemplos logo acima são reais). Sabe-se, por exemplo, que consumir não melhora muito a qualidade de vida. “Buscar felicidade no consumo é como urinar nas calças para se aquecer num dia frio de inverno: provê apenas uma breve sensação de calor ”, diz o Manifesto pela Política da Felicidade, da organização de pesquisa independente Demos, da Finlândia.

Hoje, a imensa maioria das pessoas que administram o mundo ignoram flagrantemente essas pesquisas. Nunca leram nada disso. São absolutamente ignorantes no assunto. Mas sabem medir o PIB que é uma beleza.

Isso precisa mudar.

Qualidade de vida para todos os seres é o tema que foi proposto para a conferência TEDxAmazonia, que vai acontecer no mês que vem num auditório flutuante no Rio Negro, perto de Manaus. Estou trabalhando na equipe colaborativa de curadoria que montou a programação da conferência. Está ficando muito legal. Se você quiser participar, pode se inscrever até domingo no site www.tedxamazonia.com.br. A entrada no evento é grátis e a hospedagem também: só tem que pagar a passagem para Manaus. Mas a seleção é rigorosa, porque as vagas são poucas. Boa sorte.

Ontem, passeando pelas calçadas da cidade durante as eleições, notei que, em frente de cada posto de votação, a calçada estava coberta de pequenos quadradinhos de papel, cada um deles trazendo fotos, nomes e números de candidatos. Eram papéis pequenininhos, de menos de 10 centímetros cada um.

Aqui em São Paulo, estamos nos aproximando da época das grandes tempestades do final do ano. As próximas chuvas, que talvez caiam hoje mesmo, a julgar pelo cinza do céu que estou vendo agora, provavelmente vão empurrar os papeizinhos para os bueiros. O tamanho dos santinhos é ideal para que eles sejam facilmente arrastados pela água e para que se acumulem nas bocas de lobo, formando uma massa de papel machê. Nos próximos meses, quando as enchentes cíclicas da cidade chegarem, nossos bueiros estarão devidamente entupidos por santinhos de políticos.

Essa historinha é boba, quase óbvia, um detalhe desimportante que passa despercebido no meio das emoções eleitorais. Mas, quando pensamos nela com atenção, é difícil não ficar chocado. Nossos políticos – supostamente as pessoas que zelam pelo patrimônio público – estão sistematicamente colaborando para as enchentes das grandes cidades, que trazem prejuízos bilionários para o mesmo estado que eles querem administrar. Não é uma loucura?

É. E aí vem a questão: de quem é a culpa? Dos políticos? Sem dúvida: tudo culpa daqueles picaretas hipócritas corruptos bandidos usurpadores do patrimônio público. Eles são más pessoas, e por isso o sistema eleitoral é tão ruim. Apontar o dedo para os culpados dá uma sensação boa, um alívio. Mas é imensamente simplista.

Pergunto a você: o seu candidato espalhou papeizinhos com o nome dele pelo chão? Meu palpite é que provavelmente sim. Temos um sistema eleitoral que recompensa visibilidade. Nesse sistema, espalhar uma montanha de papeizinhos pelas ruas é incentivado: quanto mais papeizinhos você jogar no chão, mais gente vai ter a chance de ver o seu número e mais gente vai votar em você. Políticos que não imprimem papeizinhos tendem a não ser notados e não se elegem. Temos portanto um sistema que premia quem colabora com as enchentes e pune quem pensa na cidade. O nosso problema, portanto, não é das pessoas, é do sistema. Não é culpa dos políticos, eles estão apenas respondendo a incentivos para que se comportem mal.

Os papeizinhos na rua são apenas um entre tantos problemas sistêmicos da nossa política. Há outros muito mais sérios. Por exemplo: as eleições são decididas pelo tempo na TV e os critérios para distribuir esse tempo incentivam coligações esdrúxulas. Por isso, quase todo mundo faz coligações até com o diabo. Outro exemplo: candidatos “de protesto” tendem a ser bem votados e podem ajudar a eleger outros da mesma coligação. Isso faz com que quase toda coligação tenha algum personagem bizarro, como o Tiririca aqui em São Paulo, que parecia uma piada, mas na verdade era parte de uma estratégia bem séria.

Resolver problemas sistêmicos é difícil pacas – muito mais difícil do que achar culpados. Ainda mais na política. Como são os próprios políticos que fazem as leis, eles estão envolvidos no sistema: não têm interesse em mudá-lo. Por causa disso, estamos há décadas esperando a tal “reforma política” e ela nunca vem. Por que viria? Os grandes partidos estão confortáveis com o atual sistema e não têm interesse em mudá-lo.

Caberia à sociedade então encontrar soluções. Talvez o que o Brasil precise seja de um grupo multidisciplinar de representantes da sociedade independentes, vindos de vários setores diferentes, talvez até com a participação de um ou outro não-brasileiro que consiga olhar para o problema de um jeito fresco, novo. Esse grupo de pessoas entrevistaria políticos e eleitores, imaginaria modelos melhores, faria brainstormings e testes e, ao final, proporia um novo sistema – completo, buscando atacar cada probleminha e problemão, dos santinhos ao Tiririca, dos debates xoxos ao financiamento de campanha, buscando criar um sistema que torne a experiência de votar muito mais satisfatória. Aí, com o projeto pronto, o trabalho seria pressionar o Congresso a aprová-lo.

É assim que se conserta sistemas. Não é fácil. Mas temos quatro anos antes da próxima grande eleição. Que tal começarmos hoje (antes da chuva)?