Meu vizinho folgado

Meu vizinho estava com muito calor neste verãozão pelo qual passamos. Ele resolveu então comprar um aparelho gigantesco de ar condicionado, desses que ocupam uma parede inteira. Instalou o trambolho de frente para a minha janela. O dia inteiro, agora, aqui na minha casa, fica aquele vrrrrruuuuu. Da minha janela, a vista é uma grelha de metal preto. 24 horas por dia a minha sala é preenchida pelo ar quente que o aparelho tira da casa do vizinho. Minha casa virou um inferno.

Pergunta: meu vizinho tem o direito de fazer isso?

A história é fictícia, graças a deus. Mas não tanto. Quando saio à rua, que também é minha casa, já que é sustentada com o dinheiro dos meus impostos, o que vejo é basicamente a mesma coisa.

As ruas estão tomadas de carros, que são caixas de metal sobre rodas. Para que as rodas deslizem melhor, a prefeitura da minha cidade (com o dinheiro dos meus impostos) arrancou toda a vegetação e despejou por cima da terra um pixe grosso e negro.

Óbvio que, neste sol tropical daqui, não é muito agradável ficar dentro de uma caixa de metal sobre pixe endurecido, na barulheira do motor. Para aliviar esses problemas, há uma porção de soluções tecnológicas: ar condicionado, portas e janelas vedadas, vidros escurecidos, sistema de som. Com isso, o ambiente dentro da caixa de metal fica agradável, fresco e silencioso. Mas na rua aqui fora (minha casa, mantida com o dinheiro dos meus impostos), o inferno reina. O barulho, a fumaça e o calor ficam para fora, comigo.

Estamos acostumados com isso. Cidades são dominadas por carros em todo lugar e sempre foi assim, portanto não cabe questionar. Certo?

Errado.

Nem sempre foi assim: na verdade essa é uma onda muito recente, começada nos anos 1960. Também começou nos anos 1960 um aumento mundial da criminalidade nas ruas, das doenças respiratórias, das mortes violentas, do consumo de drogas como o crack e de outros sintomas da morte dos espaços públicos. Será que é coincidência? Eu acho que é consequência direta da infeliz escolha de fazer espaços para os carros.

E não é em todo lugar que isso acontece. Há pelo mundo um bom número de cidades que resistiu ao domínio dos carros e criou espaços públicos que priorizam as pessoas: Copenhague, Amsterdam, Paris, São Francisco, Melbourne são algumas delas.

Leio aqui no jornal de hoje que o prefeito de São Paulo está com um mega plano para aumentar a velocidade do trânsito da cidade. Aviso desde já: eu me recuso a seguir este plano. Vou desobedecê-lo, civicamente. Não reconheço um sistema que, embora pago com o meu dinheiro, não me consulta e não me leva em conta.

A cidade é minha, mano. Tenho direito de viver bem nela.

PS: a propósito: minha colega Natália Garcia, que trabalhou comigo na criação do site !sso Não É Normal, está com um projeto de passar um ano viajando por 12 cidades do mundo construídas para as pessoas – um mês em cada uma. A ideia é montar um grande banco de conhecimento sobre soluções urbanas. O projeto será financiado coletivamente, através de doações feitas neste site aqui. Se você se importa com isso, doe. Cada vez mais tenho a convicção de que só assim se vai mudar a lógica das coisas. A prefeitura não dá a mínima para os paulistanos. A universidade – igualmente financiada com a minha grana – não oferece alternativa nenhuma porque é refém da mesma lógica (a USP tem muito mais área dedicada a estacionamentos do que a laboratórios). Resta financiarmos a nós mesmos para conseguirmos o que queremos.

74 comentários
  1. João disse:

    Você só tem o direito de reclamar, se utiliza única e exclusivamente, o transporte coletivo. Se você anda de carro pra cima e pra baixo, esse texto não tem o menor sentido. Ainda que você ande com os vidros abertos.

  2. João disse:

    Ou de bicicleta…

  3. Yoko disse:

    Cara, soluções e alternativas para problemas urbanos existem às pencas. O que não existe é interesse político.
    Ao invés da sua amiga fazer um passeio pelo mundo, traria muito mais resultados organizar algum tipo de pressão na administração municipal ou federal contra essa forma de ocupação física da cidade. Mas aí é chato de mais, né…

  4. Denise Watson disse:

    Essas cidades que já tive oportunidade de conhecer, morei em Newcastle, no norte da Inglaterra,tem uma população muito menor que São Paulo. Só se pode comparar São Paulo com nova York, Cidade do México, e outras com um número elevado de habitantes. Esse é o grande problema de São Paulo, é daí que surge a criminalidade.

  5. Chesterton disse:

    Porque você não se muda para uma cidade mais agradável se está tão ruim assim? Se está ruim, como é que você quer trazer mais gente ainda para São Paulo?

  6. denis rb disse:

    João,
    Eu só utilizo transporte público e bicicleta. Não tenho carro.
    Mas discordo totalmente de você. Acho super compreensível que alguém queira andar de carro em SP: realmente não é fácil viver sem, eu sei bem. Nem todo mundo está disposto a arriscar a vida no trânsito selvagem lá fora. Mas isso não impede as pessoas de protestarem e de desejarem uma cidade melhor.

  7. Thais disse:

    Sem mencionar as consequências de se jogar pixe na cidade inteira, né? SP não dá mais. Vou fugir daqui o quanto antes.

  8. denis rb disse:

    Chesterton,
    Melbourne mudou de cultura: deixou de ser uma cidade construída para os carros e passou a ser uma cidade para as pessoas. Ao fazer isso, a população do centro aumentou 83%.
    Carros ocupam muito espaço. Calcula-se que um carro em movimento ocupe algo em torno de 120 metros quadrados, se contar a área à sua frente, que precisa ficar vazia. Uma cidade construída para as pessoas pode sim acomodar uma população maior.
    Quanto à sua pergunta “por que você não se muda?”… Como responder a uma cretinice dessas sem ofender ninguém? Melhor se abster, né?

  9. Cris Tanio disse:

    Não consegui ver relação entre a quantidade de carros nas ruas e o aumento da criminalidade e do consumo de crack. Isto aconteceu nos anos 60 com o plano do JK, de crescer 50 anos em 5. Para que as indústrias automobolísticas viessem pra cá e gerassem emprego e talz, as estradas e ruas precisaram ser construídas/ ampliadas. Progresso? Ok, mas sem planejamento é isso: ficamos reféns desta indústria, nosso nacionalismo é muuuuuito recente. O que dizer de um país que some com os impostos de carros para aumentar o consumo em época de crise??? Consumo de carro???

  10. Thais disse:

    Pior é esses espíritos de porco que vêm aqui tentando te detonar. É por isso que a cidade tá uma merda: ninguém coopera, estamos todos disputando uns com os outros, tentando ser melhor. Bando de idiotas.

  11. denis rb disse:

    Cris Tanio,
    Para entender essa relação, vale a pena ver a obra de Jane Jacobs, autora de “Vida e Morte das Grandes Cidades Americanas”. Ela mostra como o aumento do fluxo de carros mata a vida comunitária. Há pesquisas que mostram o quanto a quantidade e a velocidade de carros numa via afeta diretamente o número de pessoas na calçada, o vigor dos laços comunitários e, consequentemente, a segurança da calçada. Cidades construídas para carros matam o espaço público, tiram a “gente de bem” das calçadas e cria áreas mortas, que acabam dominadas pelo submundo.

  12. jorji disse:

    Quando morei na minha terra natal, o Japão, lá eles dizem que no futuro um dia os automóveis de uso pessoal e familiar acabarão. Analisemos sob ponto de vista antropológico, dizem que o automóvel, simbolicamente falando, equivale ao pênis para os homens, um símbolo de poder e supremacia, muito mais que um simples meio de transporte. Mas dentro da realidade atual a questão é como diminuir o número de veículos em circulação nas grandes cidades brasileiras, a solução é simples mas cara, com aquilo que dispomos hoje sob ponto de vista da engenharia, são trens e metrôs, se São Paulo construir 1.000 km de linhas, com trens com ar condicionado ( quente e frio ), cobrar pedágio caro para que os veículos possam circular nas ruas centrais da cidade. Com essas providências, em pouco tempo o número de veículos em circulação cairia drasticamente nas ruas e avenidas, o importante é melhorar o serviço público, isso faria com que a classe média ,e até mesmo a classe A usem um meio de transporte rápido e eficiente. Em países desenvolvidos, todos usam trens e metrôs, mas é urgente melhorarmos o serviço público em geral, sem essa providencia, outras soluções como ciclovias não funcionariam, as bicicletas competirem com oas automóveis as ruas é muito perigoso.

  13. jorji disse:

    Também não vejo relação entre o aumento de automóveis com o aumento da criminalidade, é que na década de 60, a criminalidade se concentrava na zona rural, com a migração de trabalhadores braçais do meio rural para as cidades, inchando a periferia é que houve um aumento da criminalidade, ela migrou do meio rural para o urbano, o Brasil sempre teve um alto índice de criminalidade, são os resquícios da escravidão.

  14. jorji disse:

    Sob ponto de vista econômico, já está comprovado que automóveis são um prejuízo para um país, ocupam muito espaço, poluem, matam, aleijam, e ainda teremos mais alguns bilhões de automóveis, na China, índia…………..

  15. Chesterton disse:

    Quanto à sua pergunta “por que você não se muda?”… Como responder a uma cretinice dessas sem ofender ninguém? Melhor se abster, né?

    chest- olha, cretinice é viver infeliz num lugar com um mundão desses para se escolher. Refaço a pergunta. Qual o motivo que realmente impede a mudança? Trabalho, familia, grana, namorada, enfim, qual o motivo não cretino?
    (eu me mudei anos atrás)

  16. Marcelo Azevedo disse:

    O grande problema é que não há planos de longo prazo. Investimentos em metrô e trens urbanos, os mais eficientes meios de transporte urbano, são caríssimos, e é mais barato e mais efetivo do ponto de vista eleitoral construir uma meia dúzia de pontes e umas faixas adicionais em grandes avenidas. E imagine o impacto eleitoral negativo de você implantar uma medida impopular como o pedágio em certas regiões centrais, como ocorre em Londres. Sem um plano de longo prazo, que pense em um novo modelo de ocupação para o centro da cidade, que repense a mobilidade das pessoas nessas regiões sem depender tanto do automóvel, nada se resolve. Damos voltas e mais voltas, os problemas sempre recaem sobre a falta de políticas públicas e sobre a omissão do Estado…
    .
    Denis, as vezes é mais fácil ignorar o troll…

  17. Chesterton disse:

    Jorji, tem que cavoucar muito tunel de metrô no Rio ou SP para fazer com que o número de carros diminua de modo sensível. Tem grana para isso? Melhor e mais fácil o Denis fundar outra cidade. O interior do estado de São Paulo tem cidades bem mais atraentes que o interior do Rio de janeiro.

  18. Chesterton disse:

    Marcelo Azevedo, troll é a……..aquele brinquedo que concorria com a Atma. Veja bem, como assinante da VEJA e assíduo consumidor da editora Abril, sou patrão do Denis ( o cliente tem sempre razão).

  19. Marcelo Azevedo disse:

    Não citei nomes, se a carapuça serviu… kkk
    Eu também assino a VEJA. Também compro outras revistas da Abril. Nem por isso tenho direito de perseguir um cara que está sendo pago para dar sua opinião sobre um assunto, não é? Aliás, como consumidor de imprensa, você bem sabe que a liberdade editorial é premissa do produto que você está comprando, razão pela qual você deixa de ter qualquer ascendência sobre o editor.

  20. Tulio Malaspina disse:

    Pois é Denis, para você a história é fictícia, mas para mim é uma realidade. A janela do meu quarto é bem em frente ao motor do ar condicionado do escritório da Colgate. Imagine o tamanho da turbina e o barulho que ela faz. Para piorar, moro num prédio, e do lado tem outro prédio, ou seja, são dois prédios que sofrem diretamente com o incomodo do barulho.
    Logo vou marcar uma reunião na Colgate e espero ser atendido.
    Se não for atendido, farei questão de escrever um post similar ao seu, contando o meu caso, no meu blog: http://www.atitudeco.wordpress.com
    Parabéns pelo texto!

  21. Chesterton disse:

    A liberdade editorial implica em liberdade de comentar, certo? Você já me acusou outras vezes, logo não se faça de idiota (ou melhor, precisa?).

  22. jorji disse:

    Chest, realmente a questão é grana mesmo, quase tudo sob o aspecto tecnico e logístico tem solução, as enchentes de São Paulo, diminuir o número de veículos em circulação, a desfavelização, entre outras questões importantes, que melhorariam e muito a qualidade de vida em São Paulo, porém ainda somos terceiro mundo, que sequer sabemos planejar, e pior, pouco recurso, ainda gastamos mal, fora a corrupção………..

  23. Marcelo Azevedo disse:

    Eita, “Sr. Saraiva”… não sabe reconhecer um comentário irônico.
    Comente, Chesterton, mas limite-se a isso. Você já disse coisas do Denis desde insinuar que é maconheiro até acusá-lo de “desonestidade intelectual”. É só ver nos históricos dos posts. O que estou criticando fortemente é sua postura de levar as coisas para o lado pessoal. Quer ser contra as idéias, seja, mas deixe no campo das idéias. Pare de pegar no pé do cara.

  24. Chesterton disse:

    Eu não insinuei que Denis é maconheiro ou qualquer termo desse calibre, indaguei se ele era usuario e ele não disse que não. Tive esse semana problemas muito graves com drogas com parentes distantes que só reforçam meu ponto de vista. Detalhes omitirei.
    Nunca ataquei ninguem pessoalmente, só idéias, e você está sendo leviano.

  25. Marcelo Azevedo disse:

    O blog tem seus comentários guardados, se você está com a consciência limpa, ok, desculpe a leviandade. Vamos a partir de agora nos ater aos temas.

  26. jorji disse:

    Chesterton X Denis, Denis X Chesterton, isso me parece mais paixão que ódio.

  27. Chesterton disse:

    Jorge, nada tenho pessoal contra Denis, até me diverte muito. Mas o cara é um teimoso. Não gosta de nada, tudo o perturba, não anda de carro para não colocar carbono na atmosfera, não anda de ônibus para não poluir com óleo diesel a atmosfera, odeia poluição sonoro mas mora em Sampa, cidade que por sinal que mudar radicalmente, contra a vontade dos paulistanos por certo. Aí diz que o céu de Araraquara pegou fogo, mas que ele não é um catastrofista climático. isso aqui é diversão garantida.

  28. Júnior Alves disse:

    Denis, quanto à pesquisa para descobrir o que estas cidades fazem de diferente, adianto: ela não trará grandes alternativas para São Paulo. Como disse a Denise Watson, temos de comparar cidades semelhantes. Segundo o IBGE, em 2000, São Paulo já tinha 6.915 hab./km². Enquanto, segundo o Wikipédia (embora não seja uma fonte confiável, acredito que não deve estar tão distante da realidade), a densidade de Melbourne é 1566 hab./km², São Francisco é 1.357 hab./km², París é 815 hab./km² e Amsterdam é 3,5 hab./km².

    Então eu pergunto: se o trânsito de São Paulo é tão ruim, mas tão ruim, por que as vendas de carro continuam crescentes no município? Porque, por mais caótico que sejam as estradas, o transporte público consegue ser pior. Não há condições de morar em São Paulo e utilizar transporte público se você tem condições de ter um carro, pois o deslocamento, para muitas pessoas, é muito grande de suas casas até seus trabalhos. Infelizmente, apenas quem não tem condições financeiras para ter um carro faz uso de ônibus e de metrô. Dificilmente você encontrará um executivo no metrô de São Paulo. Agora, em Nova Iorque (esta sim com 6.910 hab./km²) a situação é completamente diferente. O trânsito é igualmente caótico, mas o metrô está repleto de pessoas de todas as classes sociais. Ninguém usa carro lá para ir ao trabalho, pois o metrô é mais eficiente e econômico.

    O problema também não é custo. A prefeitura de São Paulo, em 20 anos (tempo do retorno médio de obras de investimento em metrô) gastou muito mais em infra-estrutura de estradas do que gastaria para a construção de galerias subterrâneas (como em Nova Iorque). O problema é que a opinião pública não anda de metrô (pergunte para seus colegas da Abril como eles fizeram para chegar ao trabalho hoje). Todos os dias há notícias sobre os problemas de trânsito de São Paulo, agora dificilmente encontramos uma sobre os problemas de lotação no metrô.

    Quem sobre com problema de transporte público deveria votar em políticos que prometessem resolver o problema e fiscalizar suas obras, mas a população está muito mais preocupada em saber o que a nova presidenta fará no carnaval, para que time o ex-presidente torce e quantos anos têm a esposa do vice-presidente.

    Assim como em Nova Iorque, a situação só irá mudar quando o transito estiver 100% paralisado (e então a opinião pública será afetado e o governo não terá escolha se não investir em metrô).

  29. denis rb disse:

    Júnior Alves e Denise Watson,
    Nova York e Cidade do México também estão no projeto da Natália, porque são duas cidades que, ao contrário de São Paulo, estão mudando de lógica e colocando as pessoas no centro do foco.

  30. denis rb disse:

    jorji,
    Não é só questão de grana. É questão de foco também. É questão de lógica: os administradores de São Paulo não sabem pensar de um jeito que torne a vida das pessoas melhor na cidade. Bogotá é tão pobre quanto São Paulo e é prova de que só dinheiro não basta.
    Júnior Alves,
    Mas estou de acordo com você. Não estou dizendo que “a culpa é do motorista”. Não me interessa atribuir culpa a ninguém. A culpa é da lógica da cidade, que permite que meu vizinho continue folgando. A lógica precisa mudar: só aí vou poder cobrar do vizinho que pare de folgar.

  31. denis rb disse:

    Este fim de semana encontrei um leitor do blog que me encostou na parede:
    “Confessa, vai. O Chesterton é um pseudônimo que você inventou, para aumentar a força dos seus argumentos na contraposição com o que ele diz.”
    Não é, prometo. Não conheço o Chesterton (embora eu também me pergunte frequentemente se ele não é um trote de algum amigo com senso de humor perturbado). Claro que sou grato a ele pelas polêmicas, que aumentam minha audiência e dão a sensação falsa de que este blog é um imenso sucesso. Mas juro que não o inventei.

  32. denis rb disse:

    Na verdade, jorji, focar nas pessoas é, no final, muito mais barato do que focar nos carros. Só que exige mudar de mentalidade antes, e isso dá um trabalhão. Exige planejamento e inteligência, itens escassos no mercado brasileiro.

  33. Chesterton disse:

    De nada. Tenho consciência de que sem as tais polêmicas o blog ficaria muito chato. Não pretendo atacar ninguem pessoalmente, e confio plenamente nas boas intenções do Denis. Também já fui um iludido (sem palanque) e custei um pouco mais do que deveria para cair na realidade dos fatos. Talvez esteja aí minha teimosia em “brigar” contra o que considero ingenuidade do autor.
    Como ele diz, “mudar mentalidades” num ambiente escasso como o brasileiro é como lutar contra moinhos de vento.
    Denis, continue, mas tenha um plano B. Creia, meu temor é ver você daqui a alguns anos frustrado tendo que reconhecer que perdeu seu tempo. Aliás, tenho certeza que você tem um “plano B”.

  34. Júnior Alves disse:

    Pois é Denis, mas como você acha que o governo irá colocar as pessoas no centro do foco? Por que você acredita que eles ainda não o fizeram? Sinceramente, temos de ser realistas. A resposta é: isso não dá voto!
    Os políticos estão preocupados apenas com a opinião pública, pois vivemos um país onde a população é massa de manobra dela. Há uma força “liberal” reivindicada pela imprensa tão forte quanto a que existia na época da ditadura. Ela simplesmente não permite que alguém tente falar direto com a população (vide o que aconteceu no caso com o Dunga, durante a Copa da África). É de interesse dela, como alguns repórteres gostam de falar, que a imprensa seja “porta voz do povo”. Então, nenhum político fará algo direto ao povo. Ele atende aos apelos da imprensa (que, como você pode notar, não solicita sistemas coletivos e sim estradas).
    O que precisa mudar é a consciência política das pessoas. No momento em que se interessarem por eleger um candidato e acompanhar o seu mandato é à população que o político passará a se reportar e não mais à imprensa, como é hoje.

  35. denis rb disse:

    Obrigado por se preocupar comigo, chest. Vc é tão bom pra mim.

  36. denis rb disse:

    Júnior Alves,
    O que você quer dizer? Que não adianta discutir modos de fazer melhor as coisas? Ser “realista”, na sua concepção, é aceitar que o jeito como as coisas são é o único jeito como as coisas podem ser?
    Há toda uma metodologia desenvolvida para colocar as pessoas no centro do foco. Um dos maiores especialistas nesse assunto é Jan Gehl, o arquiteto dinamarquês que transformou Copenhague nos anos 1960, depois trabalhou intensamente no bem sucedido projeto de Melbourne e hoje presta consultoria para transformar Londres e Nova York, com ótimos resultados. Outro caso de sucesso, mais próximo de nós, são as administrações Mockus e Peñalosa, em Bogotá, que igualmente colocaram as pessoas no centro (baseando-se em parte em experiências bem sucedidas na administração Lerner, em Curitiba). Claramente o jeito de pensar São Paulo vai inteiramente contra tudo que eles dizem. Os níveis de ruído e poluição da cidade estão absolutamente fora dos padrões mundiais e causam dezenas de mortes. Claramente o espaço público de São Paulo não é pensado a partir das pessoas. Prova disso é a esdrúxula CET, que nem leva o ser humano em conta na hora de planejar as vias da cidade, apenas se esforça em aumentar a velocidade com a qual os carros passam.

  37. Lucas Migotto disse:

    Denis, acho que a mudança na mentalidade tem que vir da cidade de São Paulo mesmo.
    Na cidade em que moro, Taubaté-SP, o trânsito já está um caos por incompetência dos governantes. E aqui só tem 300 mil habitantes!
    Já sugeri soluções de transporte público e ciclovias à prefeitura e ao legislativo (veja nos links abaixo) para contornar o aumento de automóveis. Mas, como você pode ver no site, por falta de vontade dos políticos, as pessoas acabam preferindo soluções paulistanas mesmo, como: marginais para a rodovia Presidente Dutra, duplicação de viadutos e até, pasmem, rodízio de veículos.
    http://migre.me/3MQAR
    http://migre.me/3MRjR

  38. denis rb disse:

    Denise,
    O texto que você linkou fala de uma ciclovia em NY que tem pouco movimento. Há muitas outras ciclovias lá que têm um baita movimento – o próprio texto diz que uma das prováveis razões do pouco movimento nessa via específica é a existência de outra ciclovia paralela que passa por dentro do Central Park – é lógico que as pessoas preferem ir por lá.
    De qualquer maneira, meu texto não fala de ciclovias: fala de construir as cidades para as pessoas e não para os carros. Nova York é um exemplo óbvio de cidade construída para as pessoas – tem um sistema de transporte público fabuloso, estacionamentos de bike em toda esquina, uma rede cicloviária de mais de 700 quilômetros e está criando mais e mais espaços públicos agradáveis (trocou carros por cadeiras de praia na Times Square e transformou o “minhocão” do highline em um parque suspenso).
    Enfim, se você “rest your case”, honestamente não sei qual é o seu “case”.

  39. joana disse:

    Não tem nada haver este tipo de argumento João. Como se quem anda de carro não andasse a pé em algum momento do dia, da semana. Quem tem carro também pode ir a padaria perto de casa andando, sabia? todo mundo é pedestre em algum momento da rotina. Maniqueismo é bobagem enão leva a lugar nenhum. Os carros não sao vilões porque eles nem se mexem sozinhos, eles prestam serviço importantes e devem exisitr também. ningeum tá fladno em todo mundo andar a pé ou de bicicleta agora. Coexistir é a palavra de ordem. São as pessoas dentro dos carros que devem fazer a reflexão mas estes, estão esperando o problema se resolver sozinho para sair do seu carro e poder andar de metrô quando eles estiverem por todo lado da cidade, ou de ônibus decentes em vias limpas e arborizadas e calçadas confroataveis. Enquanto isso vão enlouquecendo lentamente de stress nos engarrafamentos achando que o probema não é dele. O brasil é assim porque o brasileiro é assim. E eu tenho o direito sim de andar de carro (e do que mais eu quiser) e não querer que somente o carro seja levado em conta.

  40. Chesterton disse:

    Obrigado por se preocupar comigo, chest. Vc é tão bom pra mim.
    ____________________

    Era uma vez um pardal cansado da vida.

    Um dia, resolveu sair voando pelo
    mundo em busca de aventura.

    Voou, voou, até chegar numa região
    extremamente fria; foi ficando
    gelado até não poder mais
    voar, e caiu na neve.

    Uma vaca, vendo o pobre pardal
    naquela situação, resolveu
    ajudá-lo e cagou em cima dele.

    Ao sentir-se aquecido e confortável,
    o pardal começou a cantar.

    Um gato ouviu o seu canto, foi até
    lá, retirou-o da merda e o comeu.

    MORAL DA HISTÓRIA:

    1 – Nem sempre aquele que caga
    em cima de você é seu inimigo;

    2 – Nem sempre quem tira você
    da merda é seu amigo;

    3 – Desde que você se sinta quente
    e confortável, mesmo que
    esteja na merda, conserve
    seu bico fechado;

    4 – Quem está na merda não canta!

  41. Chesterton disse:

    ops, a parte escatológica não era para sair, apague por favor.

  42. Rodrigo Mowat disse:

    Olá, Denis. Leio rotineiramente os seus textos, apesar de quase nunca comentar. Só gostaria de agradecer pelas indicações de literatura e estudos inclusos nesse post. Já estou procurando o livro “Vida e Morte das Grandes Cidades” e outras coisas. Valeu e parabéns.

  43. Denise Watson disse:

    Quem é que acha bom ficar no ponto de ônibus na chuva, frio, ou calor escaldante? Ou trabalhar em um lugar sem ar condicionado?

  44. Vero disse:

    El cliente siempre tiene la raz’on, pero no deja de ser un boludo, no? Y espero Denis que no me borres esto!🙂 Eu tamb’em nao entend’i bem a relacao entre criminalidade e quantidade de carros, mas nao acabei de ler os comentarios, simplesmente o chesterton sempre ganha a minha admiracao jaja…Jorji: estou en Singapur agora, voce conhece o transporte publico daqui? Eu acho q ‘e extraordinario (va en espaniol, jaja, mezcla), mas tambem acho que tem q ter mas inclusao para as bicicletas, nao tem muitos lugares onde deixalas quando voce nao esta usando y nao tem ciclofaxias nas ruas, tem s’o nos parques…Parece que o uso da bicileta est’a planejado como para o lazer, nao como um medio de transporte…

  45. jorji disse:

    Denis, o cerebro, a questão é o cerebro, quantos anos tem o metrô de Londres? se não me engano, começou as operações em 1890, a de Toquio em 1927, copiando o modelo londrino. As nossas universidades não são capazes de formar planejadores, os EUA construiram milhares de quilômetros de estrada de ferro, integrando o país de leste a oeste isso no tempo do faroeste, e ainda insistimos nas estradas de rodagem, priorizamos em pleno século XXI nas cidades os automóveis em detrimento ao transporte público, nós temos a tendência do contrário, o telefone é o orelhão, a mais idiota das invenções, em vez de cabines telefônicas. Eu vejo o Brasil em termos de planejamento da seguinte forma, as coisas privadas, são construções grandiosas, mas aquelas de interesse público, como hospitais públicos, escolas públicas, bibliotecas públicas, aquelas que são responsáveis na formação dos indivíduos, extremamente pobres. Realmente falta inteligência, invertemos a lógica, não fosse o interesse do primeiro mundo em abrir novos mercados, o que seríamos?

  46. jorji disse:

    Vero, verdade que em Singapura cuspir na rua dá multa? Só conheço o transporte público de Tóquio, o maior centro urbano do mundo, eu garanto que o número de automóveis em circulação nas ruas da capital japonesa é bem menor que São Paulo, conheço e morei nessas duas metrópoles, garanto que Toquio é muito melhor, como tem japonês andando de bicicleta.

  47. Marcelo Azevedo disse:

    Não há dispositivos de planejamento urbano que sejam fortes o suficiente para que passem ao largo dos interesses políticos. Dei uma olhada rápida no plano diretor da cidade de São Paulo, disponível no site da prefeitura na internet. Diz claramente lá:
    Art. 82 – São objetivos da política de Circulação Viária e de Transportes:
    II – priorizar o transporte coletivo ao transporte individual;
    Entre outras coisas que estão escritas lá e que poderiam ser base para questionamento do plano do Kassab, por exemplo. Mas esse tipo de dispositivo não tem força suficiente para obrigar o prefeito a investir mais em metrô, a investir pesado na eficiência do transporte coletivo…
    Os planos diretores dos municípios deveriam ser mais importantes até que o partido do prefeito. O prefeito deveria simplesmente ser impedido de não cumpri-lo (como é impedido de gastar mais do que arrecada pela Lei de Responsabilidade Fiscal). Aí sim conseguiríamos ter planejamentos de longo prazo decentes para as cidades, sem a interferência das mesquinharias e das ideologias do jogo político.

  48. denis rb disse:

    Pois é, Marcelo Azevedo. Uma coisa interessante é notar que a prefeitura de São Paulo (assim como quase toda prefeitura brasileira) atua na ilegalidade. Isso não é de hoje, é parte da cultura brasileira. Exemplo bom: a Câmara Municipal da cidade foi construída sobre um leito de rio, contrariando qualquer código de construção que se preze. Fazemos leis lindíssimas e ninguém cumpre, nem a prefeitura. Aí cria-se um ambiente de desmoralização geral das leis, que deixa todo mundo mais ou menos à vontade de descumpri-las (mas também dá ao poder público o poder de punir quem ele quiser, já que está todo mundo errado). Enfim, ambiente perfeito para o desmando e a corrupção. Concordo contigo: plano diretor é muito mais importante que prefeito. Mas aqui é sempre assim: o plano já chega pronto lá de cima, sem levar o interesse do cidadão em conta. Não se trata de questão partidária, mas de cultura política mesmo. Tanto é que todos os grupos políticos fazem a mesma coisa.
    Acredito que alguns comentários que aparecem aqui são demonstrações interessantes dessa cultura política autoritária. O João, por exemplo, que se arroga a decretar que “você só tem o direito de reclamar, se utiliza única e exclusivamente, o transporte coletivo”. Ora bolas, como assim? Reclamação é livre. Reclamo do que eu quero, quando eu quero, e posso concordar ou discordar com o que eu quiser. Há uma democracia em vigor. O tom do João é um pouco como o do político brasileiro: “quem é você para palpitar? quem manda aqui sou eu”.
    O Chest incorre no mesmo hábito ao sentenciar que, se eu não estou satisfeito, devo mudar de cidade. Não se tolera dissenso, não há paciência com opiniões diversas. Se o prefeito declara que é assim e se ele impõe um projeto vindo do nada e sem consultar ninguém, cabe ao resto de nós obedecer, porque o papel do prefeito é mandar, o nosso é obedecer. Se eu insisto em discordar, sou chato, “não gosta de nada, tudo o perturba”.

  49. Júnior Alves disse:

    Denis, quando falo em realidade estou querendo dizer que para estes projetos com foco nas pessoas se efetivarem, eles precisarão que algum governante se interesse por eles. Vivemos em um Estado Democrático de Direito. O que isso quer dizer? Que a democracia não está baseada na opinião do povo (como você reclamou que não fora questionado) e sim nas leis. Acontece que os eleitores não dão a mínima para política e, consecutivamente, não pressionam os políticos para o cumprimento das leis. Quando vocês comentam que o prefeito não cumpre o plano diretor, em nada adianta demonstrarem suas irritações em um blog. Precisam levantar da cadeira e visitar o gabinete do vereador que elegeram (se é que alguém lembra para quem votou nas eleições municipais passada) e cobrar dele, uma vez que o elegeram para fiscalizar o executivo municipal (se é que alguém sabe o que faz um vereador).
    Moro em Porto Alegre e, dias atrás, reparei que as paradas de ônibus do meu baixo não tinham lixeiras. Fui até o gabinete do vereador e pedi que ele levasse a situação a par do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU). Como nada aconteceu, dias depois, no intervalo do meu almoço, passei na câmara e o cobrei novamente. Em duas semanas todas as paradas tinham lixeiras.
    Denis, como um político pode saber o que seus eleitores querem se nós não nos manifestamos pelas vias corretas? Como eu disse antes, o termômetro deles acaba sendo a imprensa. De todos que reclamam da política, quantos de fato participam dela e cumprem seu papel como eleitor/contribuinte/cidadão?

  50. Marcelo Azevedo disse:

    Junior Alves,
    Vc tem razão. Nós não participamos como deveríamos do sistema político.
    Problema: o sistema político é confuso. Ninguém em quem votei nas ultimas duas eleições, se elegeu. A quem cobrar?
    Para mudar isso, aí precisamos gritar por uma reforma política que traga o voto distrital e resolva o problema da representatividade (as pessoas sabem exatamente a quem devem cobrar quando têm solicitações, independente se votaram no cara ou não).
    Sem isso, ou precisamos nos manifestar da forma como você faz, admirável e merecedora de meu profundo respeito, mas inviável para questões de âmbito nacional (ou vai dar pra ir no gabinete do deputado/senador/presidente?), ou precisamos nos organizar em associações civis, como a mobilização que levou à aprovação da lei da ficha limpa.
    Eu só não desdenharia o poder da manifestação pública pela Internet: é ela que está na raiz do movimento popular no Egito…

  51. denis rb disse:

    Pois é, Júnior Alves,
    Mas eu acho que adianta protestar sim. É claro que é importante pressionar o executivo e o legislativo para que eles trabalhem direito. Mas isso é apenas uma parte da cidadania. Outra parte, igualmente importante, é propor coisas diretamente. Não apenas cobrar que o prefeito trabalhe, mas dizer a ele como achamos que ele deveria trabalhar. Fazer novas ideias circularem para que elas inspirem as lideranças, já que os políticos de hoje estão muito desatualizados e têm uma visão muito incompleta e ingênua do que deve ser uma cidade. Muitas vezes, para que esses projetos se concretizem, só o que precisa é de uma liderança disposta a emcampar essas ideias, que ao final favorecem todo mundo (menos as grandes empreiteiras e a companhias petrolíferas, que estão satisfeitíssimas com o jeito como a máquina funciona hoje). Não é tão difícil quanto parece, como Mockus e Peñalosa demonstraram em Bogotá.

  52. Bruno H disse:

    Grandes partes do centro de minha cidade, Curitiba, estão absolutamente abandonados. Existem as ruas, e muitos carros passam por elas, mas, tanto calçadas como comércios e residências ou estão abandonados ou decadentes.
    Não sei dizer se a lógica do Denis, sobre os carros ocupando o lugar das pessoas, tem relação com este abandono mas, com certeza, concordo com ele de que este abandono causa um aumento gigante de criminalidade e “feiura” à cidade.

    Moro a 25min do centro.
    Teimava em ir a pé até lá, porque de bicicleta é um tanto quanto perigoso.
    Fui assaltado 4 vezes.
    Agora vou comprar um carro.

    Infelizmente.

  53. Marcelo Azevedo disse:

    Vivi em Curitiba até 2005, razão pela qual tenho muito carinho pela cidade. Meus pais ainda moram lá, então visito a cidade com alguma frequencia. Sob pretexto de melhorar a fluidez do trânsito nas áreas centrais, o prefeito mandou retirar vagas de estacionamento em uma avenida importante do centro (Visconde de Guarapuava). Resultado: todo o comércio da região está fechando as portas e abandonando o lugar, pois ninguém mais pode parar lá. Abandono e decadência por conta da preferência pelos carros. E olha que Curitiba tem talvez o melhor transporte público do Brasil (imagina o pior…)

  54. Júnior Alves disse:

    Exatamente, Marcelo! É isso mesmo. Precisamos de uma forma política (inclusive com leis que incluam ensino civil nas escolas primárias, criando uma geração de informados pela política). Meus candidatos das últimas eleições também não se elegeram. Resta-me identificar no plano de governo daqueles que chegaram ao poder as idéias que concordo para cobrá-los.
    Obs.: assim como não conseguiremos falar diretamente com o prefeito, e neste caso usamos os vereadores, também não conseguiremos falar com a presidenta. No caso dela, devemos usar os deputados federais. Como fazer isso se eles estão em Brasília? Através do site da câmara (http://www.camara.gov.br/). Lá, você pode escolher o nome do deputado e conseguir todas as informações dele (e-mail para contato, telefone, etc). É claro, falaremos com uma assessora e ela é quem encaminhará o assunto para ele.
    Obs.2:No ano passado, pouco antes das eleições, postei em meu blog um “mini manual” sobre as funções de cada cargo e como devemos pensar na hora de votar: http://taosofia.blogspot.com/2010/10/dicas-para-uma-votacao-consciente.html

    Denis, concordo com você. Você está certo. Podemos utilizar espaços como este, no qual o fluxo de visitas é alto, para discutir idéias e dar aos políticos uma forma diferente de “ouvir” o que a opinião pública está dizendo, ao invés de apenas fazerem uso da impressa.

  55. jorji disse:

    Voces viram o projeto de Rio de Janeiro, do uso de transporte coletivo para acesso à vila olímpica? aquele corredor de ônibus? ridículo!

  56. jorji disse:

    Cidade como São Paulo, de 11 milhões de habitantes, só tem uma solução, trens e metrô de primeiro mundo, o resto das soluções só vai funcionar com essa providência, a questão é tornar o transporte coletivo atrativo para todas as camadas da sociedade.

  57. jorji disse:

    Leis no Brasil ninguém cumpre, nem povo nem quem governa.

  58. Glauco disse:

    Vou discordar da Yoko lá do começo dos comentários. Do mesmo jeito que há muitas alternativas, há muitas formas de contribuir. Ficar, combater e pressionar traz resultados com certeza, mas às vezes para sair do buraco é preciso olhar por onde podemos desviar. Conhecer outras idéias, soluções inovadoras e pensarmos de maneira diferente pode ser a saída para as cidades. E ao contrário do que a Yoko diz, há muito interesse político. Afinal, o que nós estamos fazendo aqui?

  59. Matias Mignon Mickenhagen disse:

    é cara, foda… acredito nessa força do faça por vc mesmo. Mas temos também que mudar os políticos se não queremos mudar de cidade, de país. É o fim da picada ter o sarney de novo como presidente do senado, bom dia ainda, obrigado pelo seus textos!

  60. Luna disse:

    Denis, desculpe o meu seticismo, mas gostaria de saber o que sua colega Natalia Garcia pretende e pode fazer com as informacoes acumuladas nesse circuito. Faz-se muita pesquisa e se debate se muito sobre o meio ambiente. Meio ambiente e’ profissao, passatempo e “hobby” para a garotada. Mas as coisas mudam pouco ou muito devagar. Necessitamos lideres que se envolvam profundamente…Lideres populares que junto ao e com o povo consigam revindicar e exigir do governo acao real e imediata. Se voce conhece alguem assim… me avise e pode passar o chapeu.

  61. Luna disse:

    oops um “se” demais ai…

  62. Marcelo Azevedo disse:

    Apenas um comentário… não deixa de ser interessante a visão da Luna de que as coisas mudam muito pouco ou muito devagar no que diz respeito ao meio ambiente, em contraposição com o discurso do Chesterton de que o “ecofascismo” está mudando o mundo para pior. Até parece que não estamos vivendo no mesmo planeta…

  63. denis rb disse:

    Luna,
    A Natália é jornalista, como eu aliás. O trabalho dela é reunir e divulgar informação. Eu acredito firmemente no poder transformador da informação. Acredito que saber da existência de modelos diferentes modifica anseios e expectativas e aumenta a possibilidade de surgirem líderes mais qualificados. A cultura política brasileira é completamente ignorante da mera existência de modelos alternativos. Kassab governa para empreiteiras não porque seja mau (ao que eu saiba), mas porque ele acha que esse é o único jeito de governar. É importante que as pessoas saibam que não é.
    O projeto da Natália não é mudar a política pública: é ajudar a mudar a cultura política. E mudanças na cultura acontecem assim, lentamente, gradualmente, pela disseminação de informação entre uma pessoa e outra, até que se adquira massa crítica.

  64. Petrus disse:

    Prezado Denis eu gosto muito da revista Veja e de sua coluna, acho que muitas pessoas não o compreendem pelo simples fato de nunca terem ido a uma cidade boa, no exterior, mas, acho também que vc exagera muito para o hoje, temos que ir passo a passo, sim, com um projeto para o futuro, mas calma meu caro, Roma não foi construída em um só dia
    Só vou lhe dar outro toque: Se vc acha que SP é ruim, é por que vc não sabe o que é o Brasil, vai para o Nordeste, Norte, Sul, Centro-Oeste, sim, até no sul, mas vá para o interior, o Estado não existe lá, não tem leis, todos são pobres, escolaridade baixa e muita miséria
    O norte de Minas não fica muito atrás
    Resumindo: -Concordo com vc em partes
    -Roma não foi construída em um só dia
    -Caso vc me diga que conhece sim este Brasil e SP ainda assim é pior, eu terei certeza de que vc esta mentindo, pois SP não é uma maravilha, mas veja o resto
    Agradeço desde já

  65. Augusto Nunes disse:

    Grade Russo, meu ótimo vizinho de portal!
    Passo sempre por aqui, e sempre com renovado interesse em ler os seus textos sempre muito inteligentes e inspiradores (lamento os muitos “sempre” da frase, mas a verdade sobrepujou o rigor estilístico). Fica o convite para você visitar o meu blog (http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/) e deixar os seus comentários. Creio que assim podemos tornar o portal mais vivo e vibrante, com a troca, a contribuição não apenas dos leitores de cada um dos blogs, mas também dos próprios autores dos blogs do portal Veja.
    Aguardo você, Denis!
    Abraço fraterno do Augusto!

  66. Breno Nunes disse:

    Denis,

    o texto é interessante, pois traz a discussão sobre cidades, carros, e sustentabilidade de volta. Eu faço parte de um projeto de pesquisa em mobilidade urbana na Europa e sou professor na Aston University na Inglaterra … Permita-me acrescentar alguns pontos vendo os problemas e soluções de outros ângulos.

    1) É inegável os benefícios de mobilidade dos carros.
    Transporte porta-a-porta, custo razoável, conveniência, conforto, status, etc. A frequência e horário de uso é que em geral causam poluição extrema e congestionamento. É também resultado de áreas super populosas. Se o Brasil tivesse um desenvolvimento mais distribuído, SP não estaria tão ruim do ponto de vista de mobilidade. A questão da poluição urbana e barulho poderá ser minimizados com os carros elétricos… ainda assim o congestionamento continuará sendo um problema.

    2) Dessas cidades que você cita, todas com exceção de Melbourne foram construídas antes do carro existir e mesmo assim têm altíssima taxa veículos por habitante e por km2. Europa na verdade, não é exemplo de desenvolvimento sustentável para o Brasil. Os recursos são importados, as cidades são superpovoadas, e de floresta nativa sobrou pouquíssimo.
    A Holanda achando pouco ainda incentiva a natalidade…🙂 Veja estatísticas de carro por km2:
    http://www.nationmaster.com/graph/tra_veh_abu-transportation-vehicle-abundance

    Ainda Melbourne, a mais nova das cidades, é altamente dependende de carros – veja o link abaixo. O transporte público de fato mudou, é muito melhor que no BR, mas SP poderia ser tal qual se tivesse apenas 4 milhões de habitantes.

    http://en.wikipedia.org/wiki/Melbourne#Transport

    A questão de mobilidade sustentável vai muito além do uso diário do carro. É quando, como, para que, e para onde se precisa de carro. Há estudos que mostram que tornar as cidades compactas é falácia que no fim REDUZ a felicidade de seus habitantes.
    Esse estudo liderado pela Universidade de Cambridge examina soluções de planejamento urbano
    http://www.suburbansolutions.ac.uk/

    Enfim, creio que colocar todos os problemas da cidade aos carros e a infra-estrutura necessária para eles é de um reducionismo grande dada a complexidade do tema.

    Abraços,

  67. denis rb disse:

    Obrigado pelos comentários, Breno Nunes
    Veja só: não estou aqui tentando culpar os carros pela baixa qualidade do espaço público brasileiro. O que quero dizer é que as cidades deveriam ser projetadas para as pessoas, não para os carros. Que a preocupação central de alguém planejando uma cidade deveria ser como ajudar as pessoas a viverem bem, não apenas como fazer os carros andarem mais rápido. Numa cidade projetada para as pessoas, há carros também. Não nego os benefícios dos carros (embora ache que minha bicicleta oferece todos esses e mais uma vida ativa e saudável). Outra coisa: as cidades brasileiras também foram na maioria criadas antes do carro existir. Elas foram “convertidas” para tirar espaço das pessoas e dá-los aos carros, e isso é um fenômeno bem recente. Para mim, isso é prova de que o oposto poderia acontecer. Outra: não acho que o adensamento, por si, aumente a felicidade. Mas acho sim que , dentro de uma filosofia que coloca as pessoas no centro, o adensamento provavelmente será positivo – o caso de Melbourne é um ótimo exemplo.

  68. denis rb disse:

    Oi Augusto,
    Fico feliz com sua visita e com as palavras tão gentis. Que honra ter por aqui alguém com sua experiência e seu olhar para o jornalismo. Agradeço o convite, certamente aparecerei por lá. Sinta-se à vontade por aqui também.
    abs
    Denis

  69. vavo disse:

    Meu amigo Dênis,
    só pra ilustrar seu (como sempre) excelente artigo:
    moro numa vila fechada com portão e com chão de paralelepípedos, ou seja, um pouco mais privado das nossas ruas cheias de caixas metálicas e do asfalto escaldante.
    Hoje, domingo, depois do almoço (naquele horário em que o sol está castigando até mesmo dentro de casa) meu ilustríssimo vizinho de frente, também sofrendo com verãozão, resolveu simplesmente entrar em sua caixa metálica e ligar o ar condicionado para poder fazer sua siesta tranquilamente. Então, eu e minha família (com as portas e janelas abertas, sofrendo do mesmo calor) fomos obrigados a respirar a saudável fumaça, junto com o calor e o barulho do motor de seu auto durante os 45 minutos do tempo regulamentar!
    Realmente, as pessoas precisam de um pouco mais noção de cidadania. Não basta levar as latinhas de breja pra reciclar no supermercado da panamericana e pagar de auto sustentável, o negócio começa no quintal da própria casa, com respeito aos próprios vizinhos e, por que não ao planeta!
    Infelizmente, essa história é verídica…

    um grande abs!
    vavo

  70. Roberta disse:

    Bom dia!
    Gostaria de sugerir alguma reportagem sobre a tecnologia utilizada nas hidrelétricas no Brasil, já que essas utilizam sistemas desatualizados, portanto seria muito mais barato aprimorar o que já existe no Brasil em vez investir bilhões no Rio Xingu e impactar amplamente o meio ambiente da região. Temos que começar a pensar uma solução para esse dilema. Atenciosamente, Roberta.

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