É proibido debater

Conheci Pedro Abramovay em 2008. Na época eu tinha a encomenda da Editora Abril de criar uma nova revista para adultos jovens – gente entre a maioridade e o auge da idade produtiva, aos 30 e tantos. Decidimos começar o projeto com uma pesquisa. Juntei um time de quatro pessoas e por um mês rodamos de carro 7 mil quilômetros, entrevistando gente que “estava fazendo coisas legais”. Fomos para 11 cidades em 10 estados do país e em todas elas encontramos uma cena vibrante de jovens criativos e independentes, conectados ao mundo, brilhando por seu talento. Foi uma viagem reenergizante.

Brasília estava no nosso roteiro. Eu estava interessado em saber se a capital federal – geralmente associada no imaginário popular a burocracias lentas e preguiçosas – tinha uma “classe criativa” tão agitada quanto as outras. Resposta: tinha sim. Encontramos por lá um monte de gente legal com projetos grandiosos e divertidos.

Mas será que esse agito só estava acontecendo na esfera privada? Será que não havia também dentro do governo uma cultura de criatividade, inovação, independência? Comecei a perguntar e logo me falaram do Pedro, na época com 28 anos, comandando um time de 15 advogados no Ministério da Justiça, a maioria com menos de 30. Segundo me disseram, era um núcleo extremamente ativo que produzia muito, trabalhava com paixão e conseguia resultados.

Pedro Abramovay, no dia em que o entrevistamos

Fomos entrevistá-lo em seu gabinete. Encontramos um sujeito apaixonado por seu trabalho e empenhado em transformar o panorama jurídico brasileiro, cheio de ineficiências e injustiças. Por exemplo: ele estava empolgadíssimo com a ideia de abrir espaço para discussões públicas de leis na internet, de maneira a aumentar a qualidade da democracia brasileira. Por horas, Pedro nos contou com os olhos brilhantes sobre as batalhas que ele estava lutando. Ele disse que, quando chegou, o lugar era tão burocrático quanto o estereótipo de uma repartição pública: “era um grande cartório isso aqui”. O rejuvenescimento da equipe trouxe um time menos acomodado, gente idealista verdadeiramente interessada em participar de transformações importantes. “Os salários não são altíssimos e trabalha-se 14 horas por dia. Só está aqui quem realmente acredita nas coisas que dá para fazer, quem não quer apenas bater ponto”, disse.

Pedro não tinha muita paciência para a vida partidária. “Os partidos políticos estão todos muito chatos”, reclamou. “O sistema político os induz a não discutir nada”. Mas ele acreditava que os governos ficariam cada vez mais criativos, com núcleos como o dele se multiplicando e ocupando cada vez mais espaço, como está acontecendo em muitos países.

Na época, Pedro me contou de uma ideia que eles estavam discutindo lá: a de distinguir na lei o pequeno do grande traficante de drogas, de maneira a diminuir a influência das grandes organizações criminosas, como o PCC e o Comando Vermelho. Do jeito que a lei é hoje, tratando qualquer adolescente que compra fumo para os amigos como se ele fosse o Fernandinho Beira Mar, ela serve de incentivo para os meninos da favela para que eles se armem, tornem-se violentos e ingressem nas fileiras do crime organizado. O time de Pedro estava fazendo estudos para descobrir como fazer para mudar isso.

Essa ideia finalmente veio a público no comecinho de 2011, quando Pedro anunciou que o governo apoiaria a mudança na lei. Duas semanas depois, ele perdeu o emprego. Poderíamos entrar na discussão sobre se o projeto que ele defendeu é bom ou ruim (eu acho que é bom), mas, para mim, essa não é a questão mais importante. Mais importante é entender que país autoritário é esse que, em vez de debater ideias em público, demite quem ousa tentar propor algo diferente daquilo que todo mundo espera. Como é que queremos mudar o Brasil se temos tanto medo de mudança? Não pode nem conversar sobre ela?

Pedro estava certo quando disse que o atual sistema político acaba com a possibilidade de haver um debate vibrante no Brasil. Mas acho que, infelizmente, ele estava errado quando previu que núcleos jovens e vibrantes iriam ganhar mais e mais espaço no interior dos governos. Não é o que parece estar acontecendo.

60 comentários
  1. Marcelo disse:

    Afinal Denis, O Pedro foi demitido ou pediu para sair? Será que o governo vai deixar de apoiar mudanças na legislação por medo do “custo político” que isto poderia trazer.

  2. denis rb disse:

    Ah, sem dúvida isso entra na equação, Marcelo: obviamente esse é um assunto impopular ao qual político tem aversão.

  3. alexandra martins disse:

    Não consigo politizar o debate. Pelo que me consta, ele é um funcionário competente. Você descarta motivos pessoais nessa demissão?

  4. Júnior Alves disse:

    Denis, isso acontece em qualquer lugar e não só na política ou em repartições pública. Quando você chega a um lugar para trabalhar e as pessoas estão lá há anos e fazem tudo do mesmo modo (ruim) e no mesmo ritmo (lento), nós sabemos que, ao tentar mudar, será você contra todos. Na primeira oportunidade que tiverem, irão tentar tirar você do emprego. Isso só não acontece com tanta frequencia em empresas privadas, porque os líderes (ou aqueles que definem quem será a equipe) estão atentos para isso e evitam que a situação chegue a este ponto.
    Mas e na política? Quem deveria cuidar para que reacionários não se mantenham empregados e evitem o progresso e o avanço? Somos nós!
    Acontece que nos, os eleitores, não renovamos a política! O maior exemplo disso é o Senado. Há quanto tempo Sarney, Simon, Jarbas Vasconcelos e Suplicy estão lá? Sabe, não estou dizendo que possam ser corruptos, ausentes, incompetentes ou algo do gênero. Apenas acredito que, na política, precisa haver renovação, mas isso precisa partir de nós. Este é um exemplo clássico de como criticamos o “sistema” ao invés de fazermos a nossa parte.
    Temos de mudar a mentalidade das pessoas. No Brasil, concurso público não está relacionado a termos a oportunidade de servir à nação e sim a estabilidade. Ninguém critica este discurso imbecil e medíocre e assim alimentamos este clientelismo social. Os políticos, patrimonialistas que temos, é o puro reflexo disso.

  5. Giovanna disse:

    Pois é, e pra nada mais nada menos a Secretária que o Pedro estaria assumindo em uma ato importante de reciclagem e mudança na politica de drogas, pois a presidenta Dilma ao retirar do GSI a SENAD e passar para a Justiça tomou uma decisão que tinha sido tentada desde o inicio de Lula. Ironia. Cai Pedro e se mantem a SENAD com uma equipe similar a anterior, pois a Paulina já estava ai a 8 anos.

  6. Gerson B disse:

    Por que as visões otimistas quase sempre dão errado?

    Infelizmente cada vez desanimo mais quanto ao Brasil.

  7. Diogenes disse:

    impocivel, o PT que ta no poder agora, isso deve ser esagero seu, no PT só tem gente disposta a lutar por um brasil melhor pra nos todos

  8. Leonardo Xavier disse:

    Sob que alegação eles demitiram o Pedro?

  9. Ed disse:

    As boas ideias não vingam por aqui por causa de pessoas como o Sr. Diogenes ( comentário abaixo ).
    Como ele disse: “impocivel”; o PT só tem gente boa e acha “esagero” seu, meu caro Denis…
    Sem mais comentários ( infelizmente ).
    Abraço e parabéns pelo post.

  10. Roberto Hering disse:

    Falta Escola! que Ensine, com E(s) maiusculos, que forme Cidadãos e não consumidores, consumidores de política populista. Aí sim, vamos conseguir um debate, uma evolução.
    Enquanto formos uma minoria, que debatemos uma legalização benéfica a nossa estrutura social, que lemos um blog e compreendemos a idéia, nada avançará, é o preço da democracia.
    Democracia depende de cultura, a primeira já temos, batalhemos pela segunda.

  11. denis rb disse:

    Leonardo Xavier,
    A versão oficial é que ele quis sair porque recebeu uma oferta. Especula-se que na realidade ele tenha sido demitido porque irritou o ministro da justiça ao defender abertamente sua ideia numa entrevista para O Globo. Para mim, só o fato de essas questões não serem tratadas às claras, publicamente, e de só chegar ao público esse duelo de versões sem confirmações já é um indício da falta de disposição para debater questões espinhosas, deste governo e de todos os outros.

  12. Camilla disse:

    O fato é que enquanto não existir uma educação digna, começando nos lares brasileiros, nada vai mudar. “Tiriricas da vida” continuarão a fazer parte da vida pública e envergonhar o país. Infelizmente, ideias que acabam com o bolso dos “velhos do poder”, serão silenciadas dessa maneira injusta! Aposto que se o Sr Abramovay dizer exatamente o que aconteceu, ele simplesmente vai sumir do mapa, literalmente.

  13. Fellows disse:

    Fiquei ainda mais decepcionado ainda ao ler que o Abramovay é alinhado
    com a participação popular nos trabalhos do legislativo.

    Imagino que o lobby da droga ilegal esteve por trás da manutenção da legislação atual com todo seu anacronismo e mostra sua força mais uma vez. Até que um dia o contribuinte acorde e resolva entrar nesta questão, desistindo de pagar todo o ônus do custo com a saúde dos dependente e passando a dividir esta despesa com os próprios fornecedores – talvez os únicos beneficiados neste negócio. Como é feito com o tabaco, o alcool…

    A diferenciação entre o pequeno e grande traficante é moderna, lógica e coerente com uma política responsável e inteligente de saúde e segurança pública. Isso é um fato que até o George Bush sabe!

    É Profundamente lamentável a fuga, ou expulsão, de cabeças do serviço público.

    Denis, pode ter certeza que vc encontra outros centros de excelência dentro do governo. Posso ficar somente com o pessoal do software livre e do IBAMA, mas garanto que existem muitos outros.

    Com este debate, consistentemente, passo a passo, a razão chega lá!

    Abs.,
    Marcelo

  14. Marcelo disse:

    Não entendi, vc ficou decepcionado com o Abramovay por ele ser alinhado com a participação popular no legislativo ou por ele ter sido demitido?

  15. reynaldo moreira disse:

    Concordo com o Roberto Hering no sentido de que a democracia depende da educação.

    Ora, a liberação das drogas leves também depende da educação. Afinal, de que vale o sujeito fumar seu baseadinho para depois ligar a chupeta eletrôncia para assistir ao Ti-Ti-Ti da Globo? Não é o fumo que vai deixar o cara lesado, mas essa novela (que o Tony Belloto chamou de “obra de arte”), a série de TV norte-americana, violenta, mórbida e previsível, o pastor evangélico, o padre católico ou outro qualquer atravessador de Deus, Ana Maria Braga conversando com o Lôro, a poesia comovente do Bial ao apresentar o BBB e assim por diante.

    Se for só para isso, para curtir esse bagulho entorpecente, melhor ficar careta, concorda? Vai que a droga propriamente química aprofunda essa “bad trip”, ahn! Vai que.

    E, Denis, voltei de férias e li seus ultimos posts. Gostei particularmente daquele em que você promete, ao voltar da Amazônia, tirar para si um tempo de qualidade para ler seus livros do começo ao fim. Está conseguindo, amigão?

  16. Marcelo disse:

    Reynaldo, o seu problema é com as drogas ou com a programação da globo?
    Eu praticamente não assisto TV, mas fumo aquele baseadinho que, como vc disse, não vai me deixar lesado, então que tal liberar a maconha?

  17. denis rb disse:

    Tô sim, reynaldo,
    Claro que a luta é diária. Tem dias que me deixo levar pelo avalanche. Mas no geral, estou sim conseguindo me aprofundar mais nas coisas que me interessam.

  18. denis rb disse:

    Fellows,
    Não tenho dúvidas de que há outros núcleos de excelência, com aquele espírito. Mas a vida deles é dura neste país historicamente dominado por autoritários.

  19. Marcelo Azevedo disse:

    Tenho minhas dúvidas se, como povo, queremos que esse país seja menos autoritário. Quando se reduz a autoridade central, consequentemente aumenta-se a responsabilidade individual do cidadão pelos rumos de sua vida. Ora, acabamos de sair de um “reinado” de oito anos de um presidente que se apresentou como “pai dos pobres” e elegemos a “mãe do PAC”. Isso mostra que queremos ser tutelados e que estamos dando carta branca para políticos “salvadores da pátria”, que por sua vez, como nossos pais, têm direito de decidir o que é melhor para nós de forma autoritária.
    Se por um lado há autoritarismo, do outro há total desinteresse popular pelo debate construtivo de quaisquer questões relevantes para o país. Assim fica realmente difícil quebrar esse ciclo de autoritarismo. Aliás, ele tende a aumentar, enquanto não tivermos oposição atuante, e quando for aprovada a lei de controle da imprensa (alguém duvida que será aprovada?)…

  20. Victor Faverin disse:

    Roseana Sarney foi reeleita, pela terceira vez, governadora do Maranhão – estado com um dos piores IDH’s do país. Edison Lobão é escolhido ministro de Minas e Energia (e deixou Edison Lobão Filho em sua vaga no senado). Será que a oligarquia, ainda pulsante em nosso país, não está por trás de tudo? Difícil ter inovação assim…

  21. Júnior Alves disse:

    Pois é Victor Faverin, falando assim parece que eles tomaram o poder com um golpe político/militar. Eles estão lá por que nós votamos neles. Vamos ao silogismo: se todo problema tem uma causa, se a causa do problema são “os outros” e “os outros” não existem…
    …não temos uma causa. Logo, não temos um problema.

  22. Fellows disse:

    Denis,
    muito dura a vida de quem tenta trabalhar com seriedade e inovação no governo. O clientelismo e o oportunismo tem efeito ainda mais perverso nesta seara.

    Marcelo,
    fiquei decepcionado com a demissão do Abramovay. Ainda mais por saber de seu alinhamento com a participação popular.
    Desculpe, meu texto saiu com alguns erros.

    Aliás, Denis será que não é possível melhorar o espaço de edição dos comentários?

  23. reynaldo moreira disse:

    Ô, Marcelo, sua vida afetiva, após o baseadinho diário, acaso não continua saudável o suficiente para entender que eu estava usando, em minha intervenção, da velha e boa ironia?
    Aliás, peço desculpas ao Denis por ter feito um comentário fora do foco do artigo em questão, ou seja, o que estaria por trás da demissão de Abramovay.
    Afinal, há uma regra básica nos debates desta espécie: o colunista propõe um tema e, de forma alterocentrada, seguimos esse norte. Caso contrário, é masturbação, viajem mental, desplugada do mundo, do outro, da diferença que nos faz sair para fora e andar para frente. Nada contra quem prefere a masturbação, claro.
    E que bom que você está conseguindo se dar um tempo de qualidade, Denis. Espero que isso se reflita em seus escritos, espero que eles ganhem alguma licença poética, algum floreio, deslize ou despropósito, alguma loucura substanciosa, organicidade, calor afetivo.

  24. Marcelo disse:

    Não Reynaldo, o baseadiho diário não está afetando a minha vida afetiva (diga-se de passagem vou me casar este ano =]). Eu entendi a sua ironia, por isso respondi com ironia tbm. Ou vc não percebeu que proibir novela no Brasil além de impossível é antidemocrático? O que me incomoda é que, pelo jeito, vc não leva esta discussão a sério. Vem aqui só para ficar fazendo piadinhas sem graça (ou “masturbação mental”, como vc chama). Se vc é contra a legalização argumente de verdade, aí sim nós podemos dialogar e quem sabe chegar a um consenso.

  25. Victor Faverin disse:

    Junior Alves,
    Vc está correto, mas não estou me eximindo de culpa, longe disso. Se aquelas pessoas estão no poder e exercem práticas oligargas e nepotistas, agem em conluio à alienação da sociedade. Por isso é importante discutir o tema proposto no texto. A inovação é fundamental ao setor público brasileiro. Quem busca um modo menos atravancado e burocrático de fazer as coisas para, consequentemente, simplificar e conferir funcionalidade à vida de todos nós é, quase que automaticamente, excluído deste processo renovador e negligenciado por nós mesmos, enquanto sociedade.
    E, mudando de assunto (mas não tanto assim), cadê o Cherston?!

  26. reynaldo moreira disse:

    Não sei porque não posso ser sério e irônico ao mesmo tempo. Se for para o sujeito fumar maconha e ficar assistindo a MTV, sou contra a liberação, porque a droga química pode agravar os efeitos maléficos da droga cultural. Falei a mesma coisa no formato sério que satisfaz Vossa Excelência, Marcelo? Sou a favor sim da proibição de todo tipo de entorpecente veiculado pelas TVs, cinemas, jornais, revistas, livros, etc. Mas não tenho poder para isso e a sociedade hipnotizada justamente por esses meios não vai me delegar esse poder, correto? Vão achar que estou louco, vão me acusar de ditador. Agora, amigão, você acredita que os donos da mídia são democráticos? Se o fossem, tratariam de usar seus poderosos veículos de comunicação e educação para tornar as pessoas mais conscientes, ou seja, mais livres, independentes em suas decisões. Mas o que pretendem não é formar cidadãos mas consumidores e consumidores inconscientes, autômatos facilmente manipuláveis. E fazem isso não porque sejam terríveis vilões, mas porque também são vítimas do mesmo processo de estupidificação. Cuidado, você também pode ser uma vítima e, como eles, nem percebe. Agora chega! Repito: não vamos perder o foco da discussão, é deselegante, Denis Russo não merece, é um sujeito esforçado, um cara legal.

  27. Marcelo disse:

    Reynaldo, sempre que vc diz que é contra “a liberação se o sujeito fumar e assitir isso ou aquilo” vc está tirando a discussão do seu foco. Vc se faz de bobo. A maconha não causa em ninguém a vontade irresistivel de assistir programas bobos, os efeitos do THC são bem diferentes e vc sabe disso.
    Eu não acredito que os donos dos meios de comunicação são democráticos, nunca disse isso. Em outras palavras, o que eu disse foi que enquanto ibope das novelas for o maior da TV brasileira elas continuarão passando todas as noites, quer vc, eu, ou até mesmo os próprios donos dos meios de comunicação, gostem ou não.
    “Sou a favor sim da proibição de todo tipo de entorpecente veiculado pelas TVs, cinemas, jornais, revistas, livros, etc. Mas não tenho poder para isso”
    O que seriam este “entorpecentes” veiculados pelos meios de comunicação? Quem deve definir o que é e o que não é impróprio? O governo? A igreja (qual delas)? Ou a “sociedade” (como se houvesse um consenso…)?
    Ué… Vc, então, é a favor da volta da censura? Se sim então vc, de fato, merece o rótulo de ditador (ainda bem que vc não tem mesmo poder para isso).

  28. Marcelo disse:

    Eu não perco meu tempo assistindo programas idiotas na TV. Estudo e trabalho. Fazendo isso eu cumpro os requistos que Vossa Excelência impõe para a concessão do direito de fumar maconha? Se não, o que falta?

  29. reynaldo moreira disse:

    Sim, você cumpre os requisitos, Marcelo, parabéns. Sendo assim, eu te concedo o direito de fumar seu baseadinho após a janta, só para relaxar. Agora, 95% da programação das TVs abertas ou pagas é lixo. Quem sou eu para dizer o que é lixo ou não? Ora, ora, Vossa Excelência sabe diferenciar o vinho Chapinha do Bordeaux, não sabe? Então deve saber também diferenciar “A Rosa do Povo”, de Carlos Drummond de Andrade, do “Programa do Gugu”, certo? Agora, você acredita que 95% das pessoas são broncos incorrigíveis que trouxeram nos genes o desejo imperativo de beber vinho Chapinha e assistir o Programa do Gugu e por isso ele continuará sendo veículado “quer vc, eu, ou até mesmo os próprios donos dos meios de comunicação, gostem ou não”? Ou você acha que as pessoas assistem esse lixo porque uma educação familiar e escolar deficitária não as preparou o suficiente para separar o joio do trigo? Aliás, mesmo que pudessem separá-los, na atualidade, não teriam onde encontrar programação de qualidade, pois está “tudo dominado”. Agora, você já viu algum estádio lotado para assistir o Lima Duarte declamando os poemas de “A Rosa do Povo”? Não. E porque não? Porque a veiculação de conteúdo de qualidade em massa criaria cidadãos conscientes, finos, seletivos, espertos, críticos e não consumidores autômatos e isto não interessa aos grandes meios de produção e “comunicação” (leia-se “propaganda” ou “manipulação”) que você reconhece que não são democráticos. Agora, o que você prefere: um déspota esclarecido que não vai impor seus próprios conteúdos mas simplesmente abrir esses grandes meios a conteúdos de qualidade ou um falso democrata com poder efetivo de estupidificar milhões e milhões de pessoas, como acontece de fato? Aliás, esses “democratas”, que estão invariavelmente no comando, são os mesmos que determinam o que você vai consumir ou não e são eles que determinam que o vendedor de droga seja chamado de “traficante” e o de bebidas alcoólicas seja qualificado de “respeitável empresário”. São os mesmos que demitiram sumariamente esse competente e corajoso Abramovay por defender uma posição racional e inofensiva. Eu, como ditador, liberaria primeiro “A Rosa do Povo” para o povo e só depois o baseado.

  30. Marcelo Azevedo disse:

    Vou tentar fazer do limão uma limonada…
    TV é lixo. Fato. Mas é lixo porque os consumidores querem consumir lixo. É da natureza humana se interessar pela vida alheia, que é o que o Programa do Gugu mostra. Sempre foi assim e sempre será. Educação é importante, mas o consumo de “lixo cultural” atravessa todas as classes sociais e níveis de instrução. Nenhum déspota esclarecido teria o poder de “salvar” a espécie humana da “estupidificação”, simplesmente porque esta é uma opção que emana do livre arbítrio das pessoas. Uma sociedade culta, crítica, seletiva, é utopia…
    E aí voltamos ao ponto central do post: ninguém quer, realmente, discutir a política antidrogas. Abramovay tentou, mas talvez tenha lhe faltado um pouco de tato em encontrar a melhor forma de fazê-lo, e acabou conseguindo um belo chute no traseiro. No entanto ele mesmo deu a pista: “O sistema político induz a não discutir nada”. O sistema é formado por políticos oportunistas e sociedade omissa. Somente uma mudança no sistema (sugiro voto distrital e facultativo) estimulará aa sociedade a discutir política e os assuntos que realmente importam. Talvez Abramovay não tivesse sido demitido se suas opiniões encontrassem eco em qualquer setor importante da sociedade…

  31. Marcelo disse:

    “Sim, você cumpre os requisitos, Marcelo, parabéns. Sendo assim, eu te concedo o direito de fumar seu baseadinho após a janta, só para relaxar.”
    woow já que é assim…
    Quando vou ganhar a minha carteirinha de usuário de maconha autorizado pelo Reynaldo Moreira para mostrar quando a polícia me abordar?

  32. reynaldo moreira disse:

    Se você for falar em “natureza humana” pelo conhecimento que tem de seus vizinhos burgueses neurotizados, meu caro Marcelo, é bom dar cabo a esta discussão. Recomendo a leitura de algumas dezenas de livros de antropologia e alguns anos de trabalho de campo entre índios e camponeses, por exemplo, em seguida retomamos esse papo. Posso te orientar, tenho muita experiência nessa área. Depois dessa imersão na teoria e na prática, as idéias que você assimila do vento geral da opinião vão tombar uma por uma, posso assegurar. Os livros de história e psicologia também ajudam, assim como o cinema de qualidade, se você não tem a manha de sobreviver no sertão (no cinema tem ar condicionado).
    E fica esperto com a polícia, nego, pois você vai penar quando botarem a mão em você!
    E agora basta, já abusamos demais desse espaço de discussões, estou parando por aqui, peço desculpas a Denis mais uma vez. Ciao.

  33. Marcelo Azevedo disse:

    Opa, Marcelo Azevedo não é o Marcelo “maconheiro”, rsrsrs…
    Nenhuma intenção de ser pejorativo, by the way…
    Mas tudo bem, além da leitura de livros (vai ser difícil selecionar aqueles que não tenham pesada carga ideológica), de fazer um uga-uga com os índios, trocar uma idéia com camponeses (onde é que se encontra isso???), vou procurar o Morpheus e tomar a pílula vermelha.

  34. Luna disse:

    Denis…Parabens!!! Pelo menos aqui em seu espaco, esta’ provado que nao e’ proibido debater. Nesse debate do ovo e da galinha entre Marcelo e Reinaldo, eu que nao fumo e nao assisto TV acabei com um imenso desejo de fumar um baseado enquanto assisto uma novelinha…rsrsrs. Help!!!!

  35. reynaldo moreira disse:

    “Isso” são os camponeses, certo? Onde se encontra “isso”? Só numa pequena parte do Vale do Jequitinhonha, entre os municípios de Minas Novas, Turmalina e Capelinha, onde realizo minhas pesquisas de campo, eles se encontram aos milhares. Mas há outros milhões na Bahia, em Goiás ou no Mato Grosso, só para falar no Brasil. E cultivam a terra, e fazem belíssimas peças artesanais e dançam e cantam a folia de Reis ou o Congado, um espetáculo maravilhoso, que recomendo a quem suporta viver fora do ar condicionado. Você não tem a menor idéia, Marcelo, do quanto poderia aprender a respeito da “natureza humana” visitando essas “pessoas”. Essas questões irrelevantes com certeza não interessam a madame Luna, melhor mesmo fumar um baseadinho e assistir uma novelinha para relaxar.

  36. Marcelo disse:

    Por que vc não tenta conhecer alguns maconheiros, Reynaldo? Talvez haja algo a aprender sobre a natureza humana com eles… ainda somos humanos, não é?

  37. reynaldo moreira disse:

    Conheço diversos beberrões, cheiradores, maconheiros e etc, dos piores aos melhores, alguns muito melhores do que eu, que estou longe de ser careta e muito menos um santo, só não vejo razão para ficar me expondo assim aos quatro ventos, como se o mundo todo fosse uma extensão de minha consciência e tivesse a obrigação de compreender tais diferenças. Se liga!

  38. Marcelo disse:

    Ninguém pediu para vc se expor, Reynaldo. Conhecer maconheiros não dói nem “expõe” ninguém. mas já que vc conhece alguns responda há motivo justo para proibir a maconha? Ela transforma seres humanos normais em monstros detestáveis?

  39. reynaldo moreira disse:

    Não vou girar em círculos, meu amigo. Fumai em paz. Volto em outra oportunidade, Denis Russo e seus leitores não merecem.

  40. Marcelo Azevedo disse:

    Reynaldo, respeito seu trabalho. E não tenho dúvidas de que se pode aprender muito sobre a natureza humana com essas pessoas. Assim como acho que dá pra aprender muito sobre a natureza humana com as pessoas que vivem nas cidades. Só não sei por que os camponeses (entendo esse termo como “população rural”, 20% da população brasileira aproximadamente) são melhores do que os urbanos para isso, principalmente considerando que a TV (“chupeta eletrônica”) está presente em mais de 96% dos lares brasileiros. Isso significa que só os camponeses e índios são humanos, e nós “urbanóides” pertencemos à outra categoria de animal? Acho que você não está falando de “natureza humana” mas sim da “natureza DAQUELES humanos”.

  41. Luna disse:

    Reinaldo Moreira…Essa e’ para voce:
    A madame Luna hoje acordou de bom humor e se divertiu bastante a ponto de deixar um comentario leve so’ para descontrair. Agora falando serio: Sempre entendi bem os seus pontos de vista a ponto de o julgar um homem serio e equilibrado. Hoje, vejo que alem de preconceituoso, voce nao tem senso de humor…Falei. But…who cares!!!

  42. reynaldo moreira disse:

    O que pretendia dizer, Marcelo, é que não existe essa tal “natureza humana” de que você fala, que um mesmo sujeito pode ser muito diferente conforme tenha sido criado como um índio, um sertanejo ou como eu e você, um burguês, um habitante do burgo, da cidade. Somos “em larga medida”, embora não em absoluto, claro, o fruto do meio social em que fomos criados. Ou você acredita que, sendo criado como um Kalapalo, comendo peixe na brasa com beiju, possuiria uma tendência irresistível a entrar no MacDonald assim que fosse apresentado à maravilha de culinária que servem por lá? A discussão começou porque eu afirmava não ser possível a alguém entender essa suposta “natureza humana” se esse alguém conhece apenas o típico burguês da cidade grande moderna, cada vez mais estressado, individualista, competitivo, neurotizado. Ainda existem outros modos de vida e é certo que eles estão sendo exterminados rapidamente pela imposição da civilização mecânica e urbana. O modo de viver e produzir dos indígenas e camponeses, você deve saber, está mais ligado à terra, mais em harmonia com os ritmos da natureza e existe como tal apenas dentro de um contexto comunitário. Claro, Marcelo, a vida humana tem seus problemas, não importa o modo como ela se organize, foi assim no passado e será assim no futuro. Agora, não concordo em absoluto com você quando afirma que as pessoas consomem e sempre consumirão o lixo da indústria cultural porque é da “natureza humana”. Para afirmar isso, deveríamos oferecer produtos e serviços de qualidade em massa, educar as pessoas não com o Big Brother ou o Big Mac mas com o Pequeno Príncipe ou mesmo com novelas interessantes como O Bem Amado. Quando elas se habituassem com o bom, duvido que escolheriam o lixo, ou duvido que a maioria o escolheria. Poderíamos, assim, oferecer também o lixo para essa minoria, tudo bem, mas não impô-lo à maioria por razões de mercado. Acredito nas pessoas, acredito que elas podem ser sempre mais e mais sensíveis e inteligentes desde que tenham acesso aos meios para tanto. Agora, foi você quem qualificou os camponeses de “isso”. Estou certo que agiu assim não porque é má pessoa, mas porque desconhece essa realidade em sua complexidade. Tudo o que eu estou te sugerindo é que se informe mais antes de emitir juízos genéricos sobre uma suposta “natureza humana” egocêntrica, estúpida, competitiva. Essas características estão presentes em todos nós, sim, mas se tornam um problema em decorrência de um sistema que as estimula, em detrimento de outras tendências que também possuímos, de altruísmo, lucidez, racionalidade, capacidade de diálogo, de amor, de superação de nossas limitações, etc., e o desenvolvimento desses aspectos positivos depende da criação de uma sociedade menos artificializada, mais ligada à terra e à vida coletiva. Não é uma posição ideológica, é a posição de quem dialogou arduamente e aprendeu muito com as ciências sociais, sobretudo com a antropologia e história, além do que vivencia de corpo e alma há mais de quinze anos formas de vida muito diversas da nossa. Poderia me aprofundar, mas já abusei demais desse espaço.
    E peço desculpas, Luna, pela ironia de ontem, mas o que a despertou em mim, foi seu jeito superior, de quem planava soberbamente sobre a discussão: “nesse debate do ovo e da galinha entre Marcelo e Reynaldo”, se lembra? Não sou preconceituoso e tenho um excelente senso de humor. Mas minha pena é uma faca afiada, triscou, ela machuca.

  43. Marcelo Azevedo disse:

    Quando disse “isso” para a palavra “camponeses”, não foi de forma pejorativa. O fato é que não vejo a existência de sociedades rurais isoladas. A palavra “camponês”, por si só, está carregada de ideologia, pois remete ao marxismo do início do século XX. Essas sociedades não estão mais isoladas. No campo, tem telefone, energia elétrica, carros, TV, como em qualquer cidade grande. Há integração entre as sociedades urbanas e rurais. Aliás, não sou partidário dessa história do “bom selvagem”. Se fôssemos índios até hoje, não teríamos descoberto a penicilina, seríamos antropófagos, mataríamos nossos filhos gêmeos, enterraríamos filhos sem pai, entre outras coisas vistas em diferentes culturas indígenas. Os índios adoram o modo de vida deles, até que descobrem o nosso, e aí não voltam mais para a aldeia.
    Entendo o que você diz: as experiências de vida fazem parte do que somos e são parte integrante de nossas decisões. Mas enquanto você acha que as pessoas consomem o que lhes é oferecido, eu acho que oferecem às pessoas o que elas querem consumir. E o que as pessoas querem consumir é, em grande parte, fruto dessa tal “natureza humana” a que eu me referia. Veja o caso dos programas como o BBB, o expoente máximo do lixo cultural. Voyeurismo puro. A fofoca, o interesse pela vida alheia, isso é humano. Acho que você encontra isso em qualquer sociedade. Dá para fazer um tratado com várias referências também sobre o fato de o ser humano ser um egoísta por excelência, mas acho que não é o foco, pois creio que deixei claro o meu ponto.
    Sua crítica sobre a imbecilização social não é improcedente. O que eu acho que é ideológico é colocar a culpa disso numa espécie de conspiração do sistema. Não é assim que a coisa funciona. A cultura é uma manifestação da sociedade, não é uma imposição. A sociedade não é assim porque alguém nos impôs, mas porque somos parte dela e dela fazemos parte, ativa ou passivamente. Por isso, repito: penso que consome-se lixo cultural porque é o que as pessoas querem consumir, não porque lhes é imposto. Conheço diversas pessoas, bem educadas, que conseguem achar os escritos geniais de Machado de Assis, a que muitos têm acesso, uma chatice sem tamanho.

  44. reynaldo moreira disse:

    Estatísticas, mesmo se fossem inquestionáveis, não expressam nenhuma circunstância real, Marcelo de Azevedo. Para saber o nível de isolamento desta ou daquela comunidade específica, camponesa ou indígena, é preciso estar no local e por muito tempo. Existem níveis diversos de influência da sociedade envolvente, conforme a comunidade, e há centenas de livros de antropologia que tratam do assunto, escritos há quarenta, vinte, dez, dois anos atrás. Se quiser se aprofundar, posso recomendar. Leia com cuidado meu comentário, não há nele nada parecido com a idéia do “bom selvagem”. Você leu meu texto desse modo porque o leu com o olhar Hobbesiano, que se transformou na visão do burguês mediano porque reflete seu modo de vida, individualista, competitivo, artificial e neurótico. Os índios adoram o modo de vida deles, até que encontram o nosso, geralmente quando vão à cidade mais próxima beber cachaça e pegar doença venérea. Quisera pudessem encontrar numa cidade pequena do Mato Grosso uma única biblioteca com obras de Machado de Assis e alguém diante dela gritando: “venham, venham, rapazes, aqui temos gratuitamente deliciosos contos de Machado de Assis e Eça de Queiroz traduzidos para os diversos dialetos Tupi e Gê, venham, venham!” Então os índios se contentam em brincar dentro rio e dançar no Kuarup até que alguém lhes apresente o BBB e eles percebam que assistir esse programa é irresistível porque ele é a manifestação da “natureza humana”? Tenha a santa paciência! Agora, aponte-me um só burguês acostumado desde a infância a consumir o lixo da indústria cultural que, um dia, por uma iluminação, tomou a decisão livre e soberana de pegar um teco-teco até o Xingu só para experimentar o gosto de ouvir as histórias dos velhos em volta da fogueira enquanto saboreia macaco assado. Você vai me perguntar: para quê o sujeito faria isso, se sua natureza mais profunda simplesmente o leva a enfiar a mão no bolso e pegar essa coisa orgânica chamada dinheiro para dar ao caixa do MacDonald em troca de um sanduiche de isopor?

  45. Marcelo Azevedo disse:

    Hobbesiano, eu? Não fui eu quem se propôs ser o Leviatã da cultura de massas!
    Sugestões de obras eu sempre aceito, manda!
    Há histórias diversas de pessoas que largaram a cidade e sua cultura de massas e foram morar com os índios. Conheci uma pessoa assim anos atrás (Ei, não dizem que foi de um macaco comido meio cru que veio o vírus HIV?). Mas o fez por sua livre escolha. Assim como é livre escolha das pessoas ignorarem Machado e Eça e preferirem Caras e Contigo. Eu sou contra a teoria da conspiração capitalista contra o pobre burguês ignorante. (A própria utilização dos vocábulos “burguês” e “camponês” fazem parte de um conhecido jargão). Acho que há liberdade de escolha. Você escolheu (ou você tomou a pílula vermelha do Morpheus?). Só não acho que você seja melhor do que seu vizinho que prefere assistir ao BBB comendo Mc Lanche Feliz. Noves fora quem não tem acesso nenhum à educação, os demais escolhem. Entre as coisas que acho que fazem parte da natureza humana está a “lei do menor esforço”. Pensar cansa. Ter posição, opinião, é cansativo. Política? Isso é chato. Prefiro ficar babando na frente da TV. Aí a TV ganha dinheiro com isso! Não é crime! Não é conspiração! É troca. Dinheiro por serviço. Simples assim.
    .
    Mas, vem cá… se é tão legal ser índio, afinal por que eles vêm para a cidade tomar cachaça e pegar sífilis? É o canto de iara?

  46. denis rb disse:

    Oba,
    Um ditador a menos no mundo. Bye bye Mubarak, boa aposentadoria, que você possa jogar muito dominó. Menos um na terra achando que tem autoridade para decidir o que as pessoas podem ou não podem fazer. A propósito, caro reynaldo… Proibir novelas? Jura? O que você sugere? Uma comissão de “grandes intelectuais” que passem o dia todo, de 2a a 6a, das 9 às 5, lendo e assistindo toda a cultura produzida no país e decidindo o que é e o que não é apropriado para os outros? Mas… Isso não seria um desperdício estúpido do tempo dos “grandes intelectuais”? Não seria mais produtivo deixá-los produzindo “grande cultura”, deixando a decisão de o que é e o que não é apropriado para cada pessoa do mundo? Em outras palavras: não é uma bobagem imensa ficar desperdiçando tempo lamentando a baixa qualidade da cultura dos outros quando há tanta cultura de alta qualidade para consumir (ou, melhor ainda, para ser produzida). Pelo amor de deus, reynaldo, não venha querendo proibir a novelinha. Nunca assisti novela, mas, se proibissem, era capaz de me dar vontade de assistir.

  47. Marcelo Azevedo disse:

    Valeu, Denis, concordo 100%.

  48. Fellows disse:

    E que caiam muitas outras, pq ainda tem muito ditador pra cair. Que nem fruta podre, basta sacudir um pouco o tronco, que vão desandar a cair.
    Parece que foi o Churchil que disse, que a melhor forma de governo é o conduzido por um despóta esclarecido, mas a única forma de evitarmos um tirano sanguinário é adotando a democracia. Ou ainda, é a pior forma de governo, a democracia, excluindo-se todas as outras.

    Espero que em breve a gente consiga migrar desta representativa para um tipo mais evoluído, mas participativo.

    Abs.,
    Marcelo

  49. reynaldo moreira disse:

    Então falou, Denis, vamos continuar deixando para o genial e democrático Sílvio Santos escolher o que é bom para as pessoas consumirem. E vamos continuar deixando que 95% por cento da programação das TVs abertas ou pagas seja aquele lixo que rende lucro para os capitalistas porque ganhar dinheiro é “da natureza humana” (afinal, dinheiro e lucro existem desde que o mundo é mundo, não é verdade?) Jamais propus que os intelectuais ditassem o que é bom ou ruim para as pessoas. E eu não sou propriamente um “intelectual” (essa idéia pejorativa que costuma se aplicar a quem busca o conhecimento nos livros), eu sou um pensador que dialoga com os livros porque não acredita em conhecimento instintual. Você também é um pensador, não? Então deveria saber que esse diálogo com a alta cultura pode nos ajudar a pensar melhor, não? Ou você costuma assistir o BBB para se iluminar antes de escrever suas colunas semanais? Só estou dizendo que me recuso a acreditar que a imensa maioria das pessoas sejam esse lixo que se alimenta de lixo, como vocês estão tentando me provar com base no senso comum. Tudo o que estou propondo é a divulgação em massa de produtos de qualidade (incluindo os culturais) para que déssemos às pessoas a chance de escolher. Primeiro seria preciso dar essa chance, depois, se elas escolhessem o lixo, eu concordaria com vocês. Você não quer que eu imponha nada, mas a imposição já existe e você parece concordar com ela, e é a imposição do lixo que você bem conhece e duvido que consome, pois teve uma educação privilegiada que te transformou no sujeito refinado que é. Faça o favor de não distorcer minha posição. Existe uma idéia corrente de que quem deixa tudo como está não tem posição ideológica, como se houvesse uma mão invisível guiando a sociedade para um caminho ideal, basta deixar rolar. Ora, a sociedade humana já se organizou dos modos os mais diversos possíveis e não há nenhuma virtude definitiva no sistema da “livre iniciativa”, do “estado de direito” e da “democracia”. Já falei aqui diversas vezes mas você se recusa a me ouvir, pois precisa me enquadrar para melhor me digerir: não estou propondo que os rumos de minha e de sua vida sejam ditados pelos psicopatas que escolhem uma ideal supostamente elevado (aquele exposto na Bíblia, em O Capital ou coisa que o valha) para impor sua vontade doentia à maioria. Agora, deixar essa tarefa para o Pedro Bial também não leva a grande coisa, concorda? Mas se você acha que os 95% de lixo que produz a indústria cultural satisfaz a 95% das pessoas porque elas buscam voluntariamente esse lixo, porque esse lixo é a expressão de sua “natureza”, aí é com você, não vai me convencer disso nem a pau.

  50. reynaldo moreira disse:

    Está certo, Marcelo de Azevedo, você acredita, como o moralista católico do século XII, que somos o fruto de nossas escolhas livres. Eu penso como centenas e centenas de cientistas sociais, historiadores e antropólogos que estudaram arduamente o ser humano nas circunstâncias as mais diversas até chegarem à conclusão de que as pessoas são o fruto do meio, repito, EM LARGA MEDIDA, MAS NÃO EM ABSOLUTO. Recomendo a leitura de um só livro de antropologia, dos mais fáceis: “Crônica dos Índios Guayaqui”, de Pierre Clastre. Ele esteve entre esses índios na década de sessenta, no Paraguai, quando ainda eram isolados. Descobriu que há entre eles muito mais homens que mulheres e que por isso até três deles são obrigados a casar com uma só delas. Isso não satisfaz os machões e há rituais que aliviam essa pressão, senão a sociedade implodiria. E há essa diferença de número entre os sexos porque matam meninas de oito ou nove anos toda vez que um adulto de prestígio morre, porque uma alma pura deve guiá-los ao mundo dos mortos. Se agissem racionalmente, não fariam isso, pois o resultado (uma mulher casada com três homens) de modo alguma os satisfaz. Mas para eles essa ordem social é tão impositiva quanto a ordem natural, o passar dos dias e das noites ou o ciclo lunar. É praticamente impossível algum iluminado ter a idéia aparentemente óbvia: “vamos parar de matar as meninas que haverá esposas para todos” e se ele a tivesse seria banido como um louco. Assim, da mesma forma, os rapazotes norte-americanos preferem morrer nas areias do deserto do Iraque a ver o solo de sua vida abalado, ou seja, ver questionado o fato, para eles inegável, de que estão defendendo os ideais da “liberdade” e da “democracia” e não o direito dos EUA explorarem com privilégio as ricas jazidas de petróleo do lugar e marcar uma posição estratégica entre o Irã e Israel. Agora, se desde a infância esses mesmos soldados tivessem sido esclarecidos a respeito dos interesses da elite econômica que estão por detrás da guerra, duvido que dariam sua vida só para encher os bolsos do empresário da indústria armamentista. Confio na lucidez das pessoas, mas ela precisa ser facultada, como qualquer virtude humana. A cabeça é como o músculo. Você sabe o que acontece com o músculo quando não o exercitamos, não? Não disse que somos todos iguais. Só disse que o cidadão comum pode ir muito além dos limites atuais se tiver acesso a produtos culturais de qualidade. O dia em que isso acontecer e as pessoas continuarem buscando, em massa, o lixo, eu concordo com você. Mas você acredita que a maioria é um lixo que busca o lixo e nós somos aquele elite que busca o conhecimento por “livre arbítrio”. Não compartilho dessa idéia elitista nem a pau.

  51. reynaldo moreira disse:

    “…qualquer um, independente das habilitações que tenha, ao menos uma vez na vida, fez ou disse coisas muito acima da sua natureza e condição, e se a essas pessoas pudéssemos retirar do cotidiano pardo em que vão perdendo os contornos, ou elas, a si próprias por violência se retirassem de malhas ou prisões, quantas mais maravilhas seriam capazes de obrar, que pedaços de conhecimento profundo poderiam comunicar, porque cada um de nós sabe infinitamente mais do que julga e cada um dos outros infinitamente mais do que neles aceitamos reconhecer.” José Saramago A Jangada de Pedra – .

  52. denis rb disse:

    Não, reynaldo,
    Você está dizendo mais que isso: está dizendo que o tal “lixo cultural” deveria ser proibido.
    Eu não tenho como concordar ou discordar de suas críticas ao Silvio Santos ou ao BBB ou às novelas porque nada disso faz parte da minha dieta cultural. Mas definitivamente discordo de qualquer tentativa de classificar a cultura em “boa” ou “má” com o intuito de proibir o que quer que seja. Além disso, há hoje sim um acesso tremendo a produtos culturais de qualidade, como aliás jamais houve na história da humanidade. Há milhares e milhares de obras reveladoras disponíveis ao alcance de um clique de mouse, muitas vezes de maneira gratuita. Uma pessoas escolhem se aproveitar dessa oportunidade, outras preferem esvaziar a mente com “lixo cultural”. E daí?

  53. reynaldo moreira disse:

    O fato de haver muitos produtos culturais de qualidade disponíveis não significa que a maioria das pessoas estejam expostas, dia a dia, a eles, desde a mais tenra infância, e que se acostumem a eles como hoje se acostumam ao “CSI Miami”, à “Zorra Total” ou produtos similares que constituem hoje 95% da programação das TVs abertas ou pagas. E se eu falei em proibir alguma coisa foi por ironia, achei que você fosse capaz de perceber. É óbvio que não desejo impor nenhum conteúdo específico a ninguém e mesmo que desejasse não teria o poder de fazê-lo, tenho plena consciência disso, não sou um idiota arrogante ao estilo de Hugo Chavez, você insiste em ignorar esse fato só para me enquadrar e ficar mais fácil lidar com meu ponto de vista. Apenas, eu confio nas pessoas, tenho certeza de que não escolheriam assistir ao “Domingo Legal”, só para preencher com baboseiras o vazio de seu dia de folga, se sua dieta cultural durante toda a infância e também ao longo da vida adulta tivesse sido uma dieta de qualidade. Dê ao bebê o leite puro, fervido assim que for tirado da vaca, da vaca que só se alimenta do pasto, leite orgânico, durante toda a infância, e depois experimente fazer com que ele aprecie o leite industrializado, acinzentado, morto, que ficou seis meses dentro da caixinha. Tente fazer o sujeito acostumado ao Bordeaux tomar uma só taça do vinho Chapinha. E quando falo de qualidade, não imagino 95% por cento da população brasileira, por exemplo, lendo Hamlet, é claro. Sei que isto é impossível, mesmo que seja desejável. Minhas pretensões são muito mais rasteiras. Eu me pergunto, por exemplo, porque as novelas da Globo não mantêm a qualidade de um “Bem Amado”, por exemplo. Confio tanto nas pessoas, que acredito que a audiência seria maior, nesse caso. E estou certo de que a partir desse produto popular de qualidade, elas se acostumariam a exigir mais e mais qualidade, confio que existe um bom gosto inato que se aperfeiçoa na medida em que é estimulado e se atrofia caso não o seja. Agora se você não tem critério para definir o que “bom” ou “ruim” em termos culturais e coloca o BBB no mesmo nível do “Grande Sertão: Veredas”, não me resta alternativa a não ser concordar com você, meu caro.

  54. Marcelo Azevedo disse:

    Reynaldo,
    Elitismo só na sua forma de ver. Na minha é exatamente o contrário: somos todos iguais (o oposto de Elitismo). E como disse o Denis: uns escolhem umas coisas, outros escolhem outras. Nunca na história da humanidade tivemos tanto acesso à informação e possibilidade de escolha como agora. Ditadores não conseguem mais restringir a informação, vide Egito. Por outro lado, se educação fosse absolutamente necessária para a consciência política, nunca haveria a queda da Bastilha. Deixe o lixo cultural em paz, você dá muita importância a algo que não é determinante, como se fosse evidência de uma enorme conspiração, só para vender conceitos anti-capitalistas…

  55. reynaldo moreira disse:

    Não vamos concordar, mas tudo bem porque nossas posições ficam marcadas e o leitor desses comentários pode apreciar por si mesmo, o quanto basta. Portanto, que fique bem claro: eu acredito que a maioria das pessoas (não todas, evidente) escolhe o lixo cultural porque se acostumou a consumi-lo desde a infância, portanto, eu confio em que elas possam se transformar, que podem se aperfeiçoar, principalmente se tiverem uma formação de base de qualidade. Vocês acreditam que a maioria consome o lixo porque é um lixo, o capitalismo é a expressão dessa tendência inata à pequenez, é a mais pura expressão dessa baixa “natureza humana”, portanto, não há nada a fazer, vamos deixar tudo como está. Se eu digo que o capitalismo produz essas maravilhas que são a penicilina e a internet, estou sendo objetivo. Se digo que produz padronização, massificação e estupidificação, estou vendendo conceitos, estou sendo ideológico. Não ideológico é só quem concorda com vocês, certo?

  56. Oswaldo disse:

    Sobre os posts [Duas drogas] e [É proibido debater]
    Claro que pode debater, ora! Só não pode exigir unanimidade, ainda mais quando o assunto é DROGAS!
    .
    É impressionante o que ocorre neste espaço da Veja. Se você é contra a liberação das drogas, então você é hostilizado, sofre chacotas e se apegam até a questões ortográficas para se esquivar. Se alguém diz que as drogas fazem um mal ´maior´ ou ´mais grande´ a sociedade, não muda o teor do argumento. As drogas fazem mal, independente da ortografia. Não usem a ortografia para desqualificar um argumento ou opinião, como já foi feito aqui.
    .
    Já percebi que tanto Denis quanto aos demais favoráveis as drogas, se tem seus argumentos esvaziados, invertem a lógica do que se disse e passam a atacar pessoalmente. Em alguns casos até manipulam o que citamos. Onde exatamente estou tentando te calar Denis? Aponte por favor.
    .
    Denis, eu não vou gastar tempo aqui tentando te explicar a analogia que fiz sobre centro/periferia com audiência/alcance do site da Veja. Você entendeu, tenho certeza disso, mas fingiu que eu disse algo nada a ver. Você realmente coloca o site da Veja em pé de igualdade com qualquer outro portal, site, blog, etc ou mesmo com outro qualquer do trilhão citado? Tem mesma audiência e alcance então? O que eu me referi é que em um ambiente de tal abrangência como o site da Veja, com a pluralidade dos visitantes, vocês nunca conseguirão convencer todas as pessoas contrárias as drogas. Então por que lamentar como você fez Denis? Lembrando seu comentário falho:
    .
    denis rb
    17/01/2011 às 16:26
    “Ah, faz uns três dias que essa conversa começou a andar em círculos. Vejo até um esforço de alguns em discutir a sério, mas os outros estão com seus calcanhares firmemente enterrados nas opiniões que eles sempre tiveram. Não vão mudar de ideia, não importa o que se diga. Tô fora desse debate que não chega a lugar nenhum.”
    .
    Não quer unanimidade Denis? Seria “chatice” então? Sei… Então por que lamentar que “não mudamos de idéia”? Você é incoerente neste pontos, e acho que nem fica ruborizado ao se desmentir/desdizer ou quando apontamos alguma incoerência sua.
    .
    É lógico que você pode escrever o que quer no seu blog da Veja. O problema não foi esse, é claro. O problema que vi foi você e outros favoráveis as drogas em fazerem questão de impor a liberação das drogas e lamentar que não mudamos de opinião. Em outro comentário até querem “dar a útima palavra” no debate porque “se o assunto é maconha, então maconheiro fala por último”. Não me incomoda de vocês defenderem as drogas aqui. O que me incomoda é você quererem unanimidade sim, e hostilizam os contrários até com ataques pessoais. Ou então Denis, faça sua retratação sobre seu comentário onde lamentou que não mudamos de opinião… Admita que podemos continuar sendo contra as drogas, a favor do observância das leis, e ainda assim não nos classificar como hipócritas como vocês constumam dizer, como se nós fossemos o retrato do atraso e vocês os progressistas…haha
    .
    Em seu post em nenhum momento argumentou sobre direitos individuais, outro comentarista apontou essa falha sua. Você concorda que ele apontou uma incoerência mas você segue normalmente fingindo que foi normal o que você fez. Depois que esgotamos os argumentos a favor da maconha é que você “apelou” para direitos individuais. Esta certo, estamos numa sociedade democrática, temos direitos individuais. Então vamos falar sobre democracia agora, porque aqui, alguns comentaristas favoráveis as drogas pretendem até dar aulas sobre democracia, além das aulas sobre drogas, claro.
    .
    Se vivemos num regime democrático, uma democracia representativa, então temos leis criadas pelos representantes do povo, eleitos democraticamente para representar os desejos da sociedade. Dentro das regras democráticas temos então a lei contra o uso de drogas. A democracia representativa é assim. O Denis ou os outros comentaristas podem não gostar, mas temos leis estabelecidas democraticamente proibindo as drogas. Ok, vocês querem liberar, então quando a sociedade democraticamente decidir sobre isso, teremos a mudança. Em democracia, as minorias são respeitadas e os direitos individuais assegurados, mas isso não quer dizer que o Denis, ou o fulano ou o beltrano podem fazer o que bem entender desreipeitando as leis estabelecidas. É melhor que a sociedade dentro das regras democráticas estabeleçam as leis. Pode ter decisões erradas nesse sistema, mas é melhor que seja a sociedade de forma democrática, e não o Denis ou outra pessoa qualquer que não foi eleita democráticamente para representar a sociedade perante as instituições democráticas. Na democracia, a maioria decide, não a minoria. A minoria tem seu espaço assegurado, mas não o direito de se impor sobre a maioria.
    .
    Querem outro exemplo sobre democracia representativa? Em outro post o Denis reclama que o prefeito de SP não o consultou sobre determinado assunto e ficou indignado. Denis, na boa, você foi irônico com outro comentarista como se ele se sentisse poderoso, mas é você que esta se achando poderoso demais aqui. Estamos numa democracia representativa. O eleitos pelo povo tem a procuração para fazer em nosso nome, incluindo o prefeito de SP. Já imaginou se o prefeito ou o governador ou algum legislador tivesse que te consultar individualmente? Ou mesmo a mim ou outra pessoa? Eles estão lá para representar e decidir pela sociedade. Eles prestam contas para as instituições democráticas, para a sociedade e para seus eleitores, não para o Denis especificamente. Denis, não fique triste, o prefeito sabe que você existe.
    .
    E nem vou apontar aqui, pois outros já fizeram, Pedrinho Abromovay não foi demitido pela sua opinião sobre as drogas, que já era conhecida pelo seu superior, Pedrinho foi demitido por outros motivos que os petistas do governo sabem bem… outros comentaristas já apontaram aqui e Reinaldo Azevedo explicou muito bem… mas, mais uma vez você distorce a realidade para dar um gás [que não agride a camada de ozônio] em suas militâncias e teorias.
    .
    Se expresse a vontade Denis. Pelo menos aqui você mostra suas militâncias, já na SuperInteressante ficava meio encoberto, camuflado, não é mesmo? Não sou contra você ou outros se expressarem, você é que tentou manipular/distorcer mais uma vez o que eu comentei aqui.
    .
    Aí, pra finalizar naquele seu comentário, já que para as minhas opiniões você não encontrou contra-argumento, você se faz de vítima como se eu estivesse tentando calar(!?), e me desqualifica no debate dizendo que não “me leva a sério”. Fácil, não pode contra-argumentar ou convencer a opinião contrária, então desqualifique o outro do debate. Retirando (não levando a sério) do debate a opinião contrária, fica mais fácil não é mesmo?
    .
    PS: seu post sobre democracia ficou bom, mas parece que esse tipo de assunto não gera tantos comentários aqui… nem os posts sobre eco-sustentabilidade…

  57. Marcelo Azevedo disse:

    Oswaldo, só um comentário… Primeiro, me mostre onde foram esvaziados argumentos nos debates aqui, pois não vi isso acontecer. Segundo, releia as discussões e veja que hostilidades ocorreram de lado a lado, o que é até natural em um debate tão acalorado. Você é que está levando para o lado pessoal. Terceiro, me mostre onde está havendo “imposição” e onde está se argumentando contra o Estado de direito. Quarto, para todas as suas opiniões você pode encontrar sim contra-argumento (não quer dizer que o assunto tenha sido esvaziado) mas você não tem disposição nem de ler todo o debate, nem de efetivamente debater, já que aparece aqui uma vez por semana e ainda larga um comentário de quase 6 mil caracteres, querendo ser mais protagonista que o próprio blogueiro.
    Quando quiser realmente debater, estarei sempre por aqui, à disposição. Mas se quiser aparecer, sugiro que crie seu próprio blog, nas “profundezas” ou no “centro” da internet, conforme suas possibilidades.

  58. Maico disse:

    Denis,
    Tenho 23 anos e já percebi que infelizmente somos propensos a não gostar no “novo”. Tenho a impressão de que tudo já está etiquetado num “quem manda em que(m)” que impossibilita a construção de um debate aberto sobre as mudanças de comportamentos que precisamos adotar para solucionar nossos principais problemas.
    Por oportuno, que revista é essa de que você fala no texto?
    Abraços e parabéns pelo blog, pois sou leitor “das antigas”.

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