Energia custa caro (em grana ou em vidas)

Energia nuclear dá medo, óbvio. É natural que as pessoas percam o sono diante da possibilidade de ter o núcleo das células despedaçado por um inimigo invisível, que causa câncer e, horror dos horrores, transmite sua desgraça para as futuras gerações. Claro que está todo mundo acompanhando com apreensão o desdobramento da crise no Japão, torcendo para que o flagelo nuclear não se some aos outros dois que se abateram sobre o país – um terremoto terrível e um tsunami gigantesco.

Marie Curie, a criadora da teoria da radioatividade, morreu em 1934 vítima da radiação. Começa aí a má fama nuclear

Mas é bom lembrar que, apesar da má fama, a energia atômica não é a única que tem “efeitos colaterais”. A maior parte da energia gerada no mundo vem da queima de petróleo, que libera fuligem e gases de efeito estufa no ar. Queimar petróleo é certamente um jeito mais danoso de produzir energia do que quebrar núcleos atômicos.  A energia atômica causou a morte de 56 pessoas em Chernobyl, em 1986, e, de lá para cá, não houve mais nenhum acidente nuclear digno de nota. Enquanto isso, a queima de petróleo mata gente todos os dias de doenças respiratórias e está por trás das mudanças climáticas globais, que já custaram a vida de milhares de pessoas no mundo. Energia atômica eventualmente mata alguns. Energia do petróleo mata sempre, e muitos.

Acidentes nucleares não matam apenas gente: matam pedaços de terra também. O vazamento de Chernobyl custou à Ucrânia a evacuação de uma cidade inteira e o de Fukushima provavelmente também vai inviabilizar o uso produtivo de parte da região. Isso é terrível. Mas vale lembrar que as usinas hidrelétricas, que compõem a maior parte da matriz energética do Brasil, também provoca a destruição de território e a remoção traumática de comunidades. A energia hidrelétrica também tem seus efeitos colaterais, e eles são terríveis para muita gente.

Nós humanos gostamos de dividir o mundo entre heróis e vilões e, nessa lógica, as usinas nucleares estão certamente na segunda categoria. Mas a realidade é que todas as formas mais populares de gerar energia têm vantagens e desvantagens. As desvantagens da energia nuclear provavelmente não superam muito as da energia hidrelétrica e são brincadeiras de criança se comparadas às da queima do petróleo.

Mais importante do que demonizar essa ou aquela fonte de energia é se conscientizar de que energia é um recurso precioso, que precisa ser poupado. No Brasil, desperdiçamos uma enormidade de energia nas linhas de transmissão e, em pleno século 21, continuamos tomando banho com ineficientes chuveiros elétricos. Fabricantes fazem aparelhos eletrônicos que, quando desligados, iluminam a casa inteira à noite, de tantas luzinhas inúteis. E ainda achamos bonitinha a decoração de Natal das cidades. Enquanto isso, abrimos mão alegremente de centenas de quilômetros quadrados de floresta valiosa, para aumentar a produção de energia.

Só faz sentido abandonar a energia nuclear se for para substituí-la por fontes realmente limpas e seguras, como as turbinas eólicas e as placas solares. Vão dizer que aí a energia ficará mais cara. Verdade. Mas queremos mesmo economizar uns trocados ao custo de terras alagadas, rios represados, clima modificado, ar poluído, radiação no ar?

77 comentários
  1. Glauco disse:

    Numa primeira leitura … Irretocável.

  2. Alexandre Monassa disse:

    Opa excelente artigo Denis. Parabéns , achei bem esclarecedor num ambiente de total desinformação das ONGs que pregam a defesa do meio ambiente e que tem como bandeira o fim da energia nuclear.

  3. pedroca disse:

    opa, peraí, Denis!

    Acho bem complicado fazer a comparação da inutilização de vastas áreas por usinas hidrelétricas e nucleares pelo simples fato de que as áreas alagadas podem ser, a princípio, recuperadas se drenadas, enquanto que as terras contaminadas por vazamentos nucleares estão, na prática, inutilizadas pra sempre (ou até inventarem uma improvável tecnologia de “limpeza nuclear”).

    No mais, concordo com o artigo (e, com o perdão da grosseria, acho a Usina Belo Monte um belo monte de m…).

  4. Alziro Ribeiro da Silva disse:

    Ficar procurando culpados por coisas ruins que acontecem em nosso planeta é procurar chifres em cabeças de cavalos, não acham ?. Tudo de bom que acontecem vem com certeza da raça humana e isso acontecem também quando temos que conviver com as ruins, só não vê aqueles que não querem ver, somos humanos produzimos o bem e também o mal.

  5. Se simplesmente tivéssemos controlado nossos números, como Bourlaug recomendou, quando criou A “REVOLUÇÃO VERDE” que salvou a espécie humana da fome mundial nos anos 50, poderíamso facilmente substituirmos nossas fontes de energia por alternativas limpas…Mas, para 7 bilhões (e aumentando), simplesmente não temos nenhuma alternativa para geração de energia, além de queimar petróleo, urânio, carvão e gás natural, todos estes em óbvio declínio.

    [WORDPRESS HASHCASH] The poster sent us ‘0 which is not a hashcash value.

  6. JJOSÉ J. AZEVEDO disse:

    Creio que Veja tem razão com relação ao “fim da era nuclear”. Chernobyl e Fukushima mostram a fragilidades de sistemas tecnologicos que diziam ser “infalíveis”. O mundo vem acumulando centenas de toneladas de resíduos cuja toxidade mortal fica ativa por centenas e até milhares de anos. Qual o efeito cumulativo de tantos vazamentos? Como o ser humano do século 21 poderá prevar as mudanças geológicas, gravitacionais, etc do planeta se sua ciência é tão recente frente aos milh~eos de anos do planeta? O sol é nossa fonte de nenergia por excelência – e graças a ele as gerações humanas vem sobrevivendo com ar, água e alimentação sadia – apesar de escassa. É templo de meditar, refletir e decidir com sabedoria e prudencia a mudanças de paradigma daquilo que chamados de “progresso”. Não podemos nos esquecer que “a soberba precede a queda”! O mundo precisa colocar os pés no chão do único planeta habitável entre milhões de corpos celestes e repensar seu estilo e o sentido da vida. Uma humana sociedade baseada no lucro, na concorrência – violando a ordem natural – estará fadada ao sucesso, que é o verdadeiro bem-estar da vida em sua diversidade?

  7. Mariama disse:

    Olá, eu trabalho na Usina nuclear de Angra dos Reis e moro em uma distancia de 20 km da mesma!
    Hoje as Usinas nucleares que tem no brasil são preparadas pra Tsunami e outros desastres naturais. a segurança é tão forte que a probabilidade de radio atividade na natureza é mínima quase nula. Além de tudo é uma energia limpa. Só por curiosidade uma pessoa ganha mais radiotividade tirando Raio-X do que trabalhando 1 ano no reator de uma usina nuclear!
    acho que temos que parar de ter IDÉIAS formadas sem ao menos pesquisar sobre a questão. O Brasil precisa antes de tudo evoluir mentalmente!

  8. Acir disse:

    Perfeita a análise. Todas as formas de geração de energia impactam o meio ambiente. Mesmo a energia eólica, aparentemente uma fonte sem efeitos colaterias, gera ruídos que podem ser prejudiciais, além de afetar a fauna aérea. Como diz o ditado, não há almoço grátis.

  9. FRANCISCO MEDEIROS disse:

    MUITO BEM, NUNCA DEVEMOS NOS BASEAR PELA EXCEÇÃO E SIM PELA REGRA.

  10. Marcelo Azevedo disse:

    “Vão dizer que aí a energia ficará mais cara.”
    Será que não é isso que precisamos? De energia mais cara para que seja estimulada a economia de energia, o fim das luzinhas de natal, o desenvolvimento de equipamentos cada vez mais econômicos?
    O fornecimento de água na minha casa é feito por uma concessionária do município. O preço do m3 de água varia de acordo com o consumo. De 1 a 10 m3, o preço é um. De 11 a 15 m3, o preço é maior, e assim sucessivamente com várias faixas. Isso estimula a economia de água e pune os exageros. Deveríamos ter sistemas assim para todos os recursos que precisamos economizar, inclusive a energia elétrica.

  11. rodrigo disse:

    É uma falacia tremenda comparar os danos de um acidente atômico com os causados por outras formas de geração de energia. A grande diferença é que os danos atômicos são potencialmente muito mais danosos, e mesmo que estatisticamente pequenas as chances de acidente, elas se tornam imensas quando multiplicadas por anos infinitos .Imprevisto é uma palavra auto-explicativa, portanto não adianta absolutamente nada dizer que uma usina é a prova disso ou daquilo quando nem se conhecem os tipos de ameaça que odem ainda surgir a segurança de uma usina, deve-se usar o principio da prudencia e constatar que qualquer beneficio se esfumaça perto do inferno nuclear, ficar exposto a rediação nao tem a mais remota similaridade com respirar um pouco de monoxido de carbono !

  12. Cristiano - LAMENTÁVEL! disse:

    MUDANÇAS CLIMÁTICAS GLOBAIS… MAIS UM PAPAGAIO DO ÓCIO QUE TEM NADA O QUE FAZER E VEM REPETIR MENTIRAS PORQUE NÃO TEM CRIATIVIDADE PARA ESCREVER SOBRE ALGO NOVO E TEM QUE MOSTRAR SERVIÇO PARA OS DONOS DA VEJA.
    .
    .
    .
    LA-MEN-TÁ-VEL!!!!!!!!!

  13. wagner disse:

    Acho que o principal fator é o consumo, que no meu entender é a engrenagem principal do modelo socioeconomico adotado pelo sistema atual. Mais consumo = mais dinheiro = mais enregia necessária para a produççao = mais consumo. Um ciclo interminável. Quer dizer, interminável até terminar os recursos naturais. Acho importante a discussão e a procura do desenvolviemnto de novas tecnologias, mais limpas e mais baratas, de se obter energia. Mas acho que o foco central, para a resolução do problema, estaria em como o ser humano encara a “realidade “, que no meu ponto de vista , está distorcido e ultrapassado. Se não editarmos novos valores, como reduzirmos o consumo, focar a felicidade no ser e não no ter, entre outras mudanças necessárias. Não adiantara em nada, novas formas de energia.

  14. Felipe disse:

    Tudo tem um custo. O -inicial – da energia limpa é só aquele e outros mínimos depois. Já o nuclear, por exemplo, é gigantesco no antes e depois -construção de usinas e, principalmente, segurança. Podemos fazer uma analogia rasa com a comparação bikeXcarro. A primeira tem o custo para construir ela, desde o material utilizado até o impacto na sua produção. Já o segundo precisa de muito mais matéria-prima pra ser construida, além de poluir incessantemente, mexer com a paciência e o bom-senso dos outros e por ai vai.

  15. Hugo Penteado disse:

    Interessante seu artigo, gostaria de adicionar uns pontos. Em primeiro lugar, se o desperdício de energia estimado em 73% (conforme matéria na News Scientist) fosse cortado, não haveria necessidade alguma de usinas nucleares nem de grande parte da queima de combustível fóssil. Se por exemplo todas as pessoas, começando por aquelas ligadas à sustentabilidade, abandonassem os automóveis e o consumo medieval de carne, as metas de redução de emissões dos gases seriam imediatamente atingidas. Em segundo lugar, a posição da UCS sobre energia nuclear precisa ser lida, porque qualquer decisão tem que ter parâmetros relativos: http://bit.ly/fbHaGe. Antes de complicar as coisas, temos que ter em mente que a escassez de energia é um grande mito. O que há não é escassez de energia e sim excesso de desperdício, dentro de uma ignorância lancinante sobre o que isso significa para cada um de nós, numa teia pela qual aqui somos todos um. Abraço Hugo

  16. Daniel Menin disse:

    Hora do Planeta é muito pouco. Proponho o DIA DO PLANETA: um dia sem nada eletrônico!
    Não que isto resolva algo, mas apenas mostra às pessoas o quanto é possível viver consumindo menos…

  17. denis rb disse:

    Obrigado, Hugo, comentário imensamente esclarecedor.
    É isso que estou querendo dizer aqui: escassez de energia é um mito. Não precisamos de novas usinas, precisamos de um novo modelo de produção, que elimine o gigantesco desperdício.

  18. denis rb disse:

    Verdade, pedroca, você está certo: contaminar uma região com radiação é um dano muito mais difícil de reverter do que alagar essa região. Por outro lado, é bom lembrar que esses alagamentos nunca são revertidos: uma vez que nossas necessidades energéticas não param de aumentar, nunca usinas são desativadas. Além disso é bom lembrar que contaminação atômica acontece muito raramente – a última foi há 25 anos. Já o alagamento é condição necessária para fazer qualquer nova usina.

    [WORDPRESS HASHCASH] The poster sent us ‘0 which is not a hashcash value.

  19. denis rb disse:

    rodrigo,
    Ainda que se leve em conta o princípio da precaução, continuo achando que o impacto de gerar energia com a queima de petróleo é muito maior do que o de gerar energia atômica. Você diz que potencialmente um acidente nuclear poderia causar um dano gigantesco. Verdade, e Chernobyl (onde morreram 57 pessoas e uma cidade foi abandonada) é um exemplo disso. Ainda assim, o custo em vidas, destruição e sofrimento causado pelas mudanças climáticas globais é insuperável.
    Mas veja bem: não estou aqui defendendo que se construa mais usinas atômicas. Concordo com o Hugo Penteado: não precisamos construir mais usina nenhuma, precisamos ter coragem de mudar o sistema e economizar de verdade.

  20. veiaco disse:

    Não é a única fonte, mas a mais incontrolável, inclusive pela ambição humana. Estão demorando muito para lacrar a usina japonesa, buscando reativa-la. Ela está a 50m do mar, é só lacrar e alagar. Aliás, ao ver helicopteros tentando com água do mar baixar o nível de radiação, sugeri em um post que o mais eficiente seria colocar as bombas d!agua que servem para lavar o convés dos navios “cientificos” baleeiros em funcionamento. Se mataria dois coelhos com uma só cajadada. Solucionado o problema da radiação e os navios ficariam ali até 2511, contaminados pela mesma.

  21. jorji disse:

    O terremoto e o tsunami já eram esperados no Japão, eles sabem que a qualquer momento acontecerá em alguma região daquele arquipélago, que milhares morrerão, que terão que arcar com enormes prejuízos materiais e humanos, mas o acidente nuclear num território tão pequeno, pode ter consequências mais arrasadores que o terremoto ou o tsunami. A população humana vem aumentando ano a ano, o crescimento econômico da India , a China e outros emergentes tem gerado necessidade de mais fontes de energia, os recursos da Terra são finitos, a energia como o petróleo acabará, a única fonte em termos de futuro, quando se pensa em grande escala, é a solar, não existe outra opção, a eólica é limitada. Está na hora de lançar placas solares no espaço para captar a luz do sol , e enviar a energia em forma de microondas para ser processado na Terra, e assim gerar energia elétrica, o futuro é essa forma de energia, os nipônicos projetam que em 200 anos, toda energia da terra do sol nascente será solar, fazendo jus “terra do sol nascente”, é questão de sobrevivência.

  22. reynaldo disse:

    Esqueceu de tocar na questão dos resíduos radioativos produzidos pelas usinas nucleares, Denis, um problemão de que poucos falam. E sempre é preciso olhar a outra ponta do problema, o estilo de vida que se impõe a cada dia pelos quatro cantos do planeta. Se a madame continuar levando seu cachorrinho ao veterinário e depois passando na escola para buscar a criança entendiada numa Hilux 4.0, não há planeta que aguente, não é verdade? O noroeste do Rio Grande do Sul tem uma experiência muito legal de cooperativas de pequenos produtores que usam pequenos cursos d’água para gerar energia elétrica barata e com um mínimo de impacto sobre o ambiente. Os grandes produtores de energia estão tentando, claro, invabilizar essa idéia. Imagine se pega?

  23. denis rb disse:

    Verdade, reynaldo
    Não mencionei no texto o problemão que são os resíduos radioativos (que aliás são a maior parte do problema hoje no Japão).
    abs

  24. Gabriel disse:

    Dênis, onde está o texto que sugere a produção de maconha no semi-árido brasileiro? Já procurei no site inteiro e não consigo encontrar.
    Abraço

  25. Jefferson disse:

    O número de vítimas diretas em Chernobyl foi 56, mas muito mais pessoas foram afetadas nos anos seguintes. Ainda assim, esse número é muito menor do que os efeitos da queima de fósseis, e seria ainda menor se a ucrânia não tivesse tentado esconder o acidente. Não que eu queira te ensinar a escrever.

    Ah, e as fontes “alternativas” não são tão compactas assim, nem só alguns centavos mais caros. Mas são o caminho mais correto, mas como nosso mundo não vive sem energia elétrica, é um mal necessário.

  26. pedroca disse:

    Denis, é que eu estou pensando a longo prazo. Não tenho muita ideia de quanto tempo levará até que tenhamos (quase) toda nossa matriz energética baseada em energias “limpas” – solar, eólica, geotérmica, marés, etc. -; chuto que deve levar qualquer coisa entre 50 e 1000 anos. O que eu sei é que, findo esse período, os efeitos perniciosos das usinas hidrelétricas serão menores e mais reversíveis do que os das usinas termoelétricas e nucleares.

  27. pedroca disse:

    Reynaldo, excelente ponto sobre pequenas usinas. Aliás, a única solução que vejo funcionar a longo prazo pra nossa civilização é a descentralização de TUDO – geração de energia, produção de alimentos, desenvolvimento de tecnologias, decisões políticas. Já temos o meio fundamental pra fazer isso acontecer – a internet. Falta amadurecer e espalhar essa ideia.

  28. veiaco disse:

    Cadê o Greenpeace, cade as ONGs de araque que não estão lá em Fukushima protestando para lacrarem aquela porcaria. Os americanos já cortaram a importação de produtos do japão, é nós vamos importar essa imundicie? Parece que a parte que está doendo mais em toda essa catrástofe é o bolso da empresa de eletricidade.

  29. reynaldo disse:

    Pedroca, o Globo Rural fez uma excelente reportagem, há uns dois ou três anos, sobre essa experiência das cooperativas de pequenos produtores rurais que gerem essas pequenas usinas hidrelétricas. Chamam a atenção também para o fato de que existe uma campanha das grandes distribuidoras de energia para melar essa experiência. Então é preciso pensar complexo, pois os grandes interesses econômicos possuem uma força dos diabos! Também é preciso pensar sempre o sistema como um todo: motivação do lucro gerando produção em massa que gera padronização de produtos e serviços que gera massificação que gera estupidificação que gera consumo inconsciente que gera lucro, um ciclo infernal que está na base do desgaste dos recursos naturais de forma insana. Não faz o menor sentido um único fazendeiro ocupar e degradar áreas no Brasil Central do tamanho de certos países europeus, ainda mais que existem dois, três, duzentos outros caminhando no mesmo sentido e outros milagres sonhando em ser como os primeiros. O planeta não suporta o crescente número de madames nos EUA, Brasil, China e Índia levando o cachorrinho ao veterinário na caminhonete 4.0 4X4. Em breve haverá tantas Devassas em série que será preciso explorar silicone na lua. O sistema e o estilo de vida que ele promove, em grande escala, é o que é essencialmente insustentável. De algum modo, em bloco ou através de iniciativas no sentido contrário que se somem, aos poucos, é preciso mudar radicalmente nosso modo de produzir ou consumir. O problema energético será automaticamente resolvido com essa mudança fundamental. Energia aeólica e pequenas usinas hidrelétricas não sustentam esse consumo massificado. Se não plantarmos enormes florestas de eucaliptos, não há como alimentar os fornos das grandes siderúrgicas. Então é preciso pensar: é possível um mundo sem siderúrgicas? Não? Então vamos plantar eucaliptos do sul da Bahia até o norte do Mato Grosso, a perder de vista, pois a demanda tende a crescer. O estado de São Paulo emite diariamente quinze mil novas carteiras de motorista.

  30. denis rb disse:

    Pois é, reynaldo e pedroca,
    Descentralizar é sim boa parte da solução da energia no mundo – mas é obvio que as grandes centrais energéticas não gostam muito da ideia. Imagine vocês que já é viável construir uma rede elétrica “inteligente”, capaz não apenas de levar energia para todo mundo, mas também de recolher energia de todo mundo. Imagine como seria se cada um de nós pudéssemos instalar turbinas eólicas ou placas solares na nossa casa. Se produzirmos mais energia do que gastarmos, em vez de receber uma conta no fim do mês, recebemos um cheque… A discussão sobre redes inteligentes pega fogo pelo mundo. Aqui no Brasil, não se houve nem pio sobre o assunto.

  31. reynaldo disse:

    Descentralizar seria uma medida paliativa e já vemos como é difícil de ser implementada. A solução mesma está na outra ponta do problema, nosso modo de produzir e consumir. Sem uma mudança radical no modo de produção e consumo, a descentralização tem efeito bem limitado. Já discutimos muito como essa mudança pode ser feita e creio que concordamos que ela não pode ser deixada na mão de psicopatas que usam para seus propósitos doentios as melhores idéias. Uma série de pequenas iniciativas de sucesso que vão se somando parece ser uma proposta melhor, o problema é o poder de cooptação do sistema e o tempo escasso, considerando que para cada boa atitude arduamente engendrada, o sistema engendra “espontaneamente” um milhão de outras dentro do ciclo infernal lucro-massificação-estupidificação-consumo desvairado-lucro.

  32. Tia Ví disse:

    Denis,
    Dizem que em Portugal a energia das mares(Maremotriz)já é comercializada. Seria interessante investir nessa opção aqui Brasil, já que temos tantas praias. Li outro dia que a UFRJ tem pesquisado sobre isso, espero que saia do papel para o mundo.
    Abços…

  33. Gabriel disse:

    Eu podia jurar que havia um post seu criticando a vinícola que foi criada no semi-árido (“por quê insistir em produzir um vinho de má qualidade em um clima que está longe de ser propício para tal” talvez fosse o ponto central do texto) e, no fim, sugeria a plantação de maconha em seu lugar, que poderia ser utilizado para a produção de tecido inclusive, dado que este é mais resistente que o algodão.

    Mas, de qualquer forma, obrigado pela resposta.

  34. pedroca disse:

    Reynaldo, não acho que a descentralização seja uma medida paliativa; eu concordo plenamente quando você fala que a solução está no modo de produção e de consumo, mas me parece que está aí implícito que a produção e o consumo devem ser mais localizados, ou seja, descentralizados. Lógico que isso passa por uma melhoria na educação, mas olhe só: isso implica na descentralização do acesso ao conhecimento, que não pode ficar restrito à pequena fatia da população que pode pagar (caro) por ele. E uma internet livre e barata é um instrumento crucial nesse processo.

    Claro que esse é um desafio árduo, ma luta de Davi contra Golias, um trabalho de Sísifo dos infernos, mas não dá pra esperar que governos ou grandes empresas resolvam alguma coisa. A situação parece mais feia ainda quando vemos que mesmo pessoas com boa formação e amplo acesso ao conhecimento acham que está tudo divino-maravilhoso nos verdes campos do capitalismo corporocrático (?), ou que qualquer coisa que desvie um pouco desse modelo já seja uma forma de comunismo vermelho em dentes e garras… por isso mesmo esse tipo de espaço aqui é fundamental, pra colocar em cheque as dicotomias ideológicas simplistas (capitalismo-comunismo, gene egoísta-bom selvagem, desenvolvimentismo-ludismo, etc.). Isso tudo pode soar meio idealista, mas acho que precisamos mesmo temperar o pragmatismo com um pouco de idealismo, e vice-versa.

    Aliás, é um sinal bem interessante ver as ideias do Denis cravadas no meio da Veja… hehe

    Um abraço!

  35. Marcelo Fellows disse:

    Acho que uma experiência de descentralização é o smart grid. Parece que começou na Itáli e já está bem desenvolvido no Texas e no Canadá. Permite aos pequenos produtores de energia comercializem seus excedentes via rede, transformando as linhas de transmissão em duas mãoes.

  36. denis rb disse:

    Exato, Marcelo Fellows, é o que eu chamei num comentário aí embaixo de “rede inteligente”. E concordo contigo, pedroca: descentralizar é mudar a lógica do sistema.

  37. denis rb disse:

    Não, Gabriel, não assino embaixo dessas ideias não.
    Mencionei os vinhos do Vale do São Francisco num post sobre a Amazônia, tentando contrapor a importação de uma cultura estrangeira (o vinho) à possibilidade de criarmos nossas próprias tradições gastronômicas (com produtos nativos amazônicos) – http://veja.abril.com.br/blog/denis-russo/amazonia/diarios-amazonicos-%E2%80%93-parte-3/
    Mas de maneira nenhuma sou contra a cultura da uva e a produção do vinho no sertão nordestino. Pelo contrário, acho que é um feito notável que tem que ser celebrado.

  38. Esses dias me revoltei com uma matéria da Band sobre o Japão. Ao tocar no assunto energia nuclear, eles simplesmente disseram que, ao ocorrer acidentes, ela mata muitas pessoas e depois defenderam as hidrelétricas. Mas claro que não mencionaram que as hidrelétricas matam ecossistemas inteiros e prejudicam famílias da região assim que são construídas. Jornalismo tendencioso e, pior, se fazendo de imparcial. Uma tristeza ver formadores de opinião analisando o cenário de forma tão superficial. Pô, eu, que sou leiga no assunto, sabia mais que ele que estava fazendo uma matéria sobre isso! Triste. Triste. Ou será conveniente?

  39. veiaco disse:

    Será que a humanidade está preparada para usar a energia nuclear quando usa seu lixo para isso:

    “Esse desastre do urânio exaurido começou a aparecer durante a Primeira Guerra do Golfo, de 1991, e infligiu grande dano na saúde dos civis iraquianos por treze anos completos antes de o presidente George W. Bush ordenar a invasão. O segmento a seguir revela que esse material é fatal para os soldados que lidam com os armamentos que contêm urânio exaurido:

    “A substância é também responsabilizada pela assim chamada “Síndrome da Guerra do Golfo”, uma doença ainda não explicada que parece ter afetado centenas de milhares de veteranos da guerra. As reportagens na imprensa dizem que cerca de 100.000 toneladas de munições com urânio exaurido foram usadas na operação militar “Tempestade no Deserto”, a primeira vez que essa arma foi usada em uma guerra.”

    Essa é a melhor idéia de recilclagem de lixo que já vi.

  40. reynaldo disse:

    Também sou contra as dicotomias ideológicas simplistas, Pedroca, apenas acho importante uma leitura atenta dos clássicos marxistas e de outros tantos livros em ciências sociais que têm o marxismo entre seus fundamentos, ao lado da moderna antropologia, da moderna ciência política e da posicologia social, etc. Tenho certeza de que Marx, se estivesse vivo, não estaria do lado dos que adotam ideologias simplistas para justificarem seus interesses de dominação. É simplista também qualificar todo pensamento de esquerda como ideológico, o buraco é mais embaixo.

  41. pedroca disse:

    Reynaldo, mais uma vez concordo contigo, e vou além: se analisarmos o cerne da teoria liberal de Adam Smith, veremos que ela é fundamentalmente baseada (ainda que implicitamente) na capacidade de auto-organização de sistemas (entidades “econômicas” semi-autônomas que, ao interagir simetricamente num “mercado livre”, geram ordem). Infelizmente, assim como as idéias centrais do Marxismo, elas foram distorcidas e aplicadas de maneira incoerente (hoje temos entidades econômicas interagindo de maneira fortemente assimétrica num mercado apenas aparentemente livre; nada mais distante da ideia original do Mr. Smith), quer por oportunismo, quer por uma compreensão pobre mesmo.

    Sobre o processo de auto-organização, recomendo o excelente documentário “A vida secreta do caos”, produzido pela BBC.

    Um abraço

    PS: não sou comunista, nem capitalista, nem liberal, conservador, ou anarquista.

    (me desculpem por continuar me desviando do assunto)

  42. pedroca disse:

    ops… leiam o PS como
    “não sou marxista, nem liberal (econômico), nem anarquista. Podem me chamar de empirista.

  43. denis rb disse:

    Opa, pedroca,
    Fique à vontade para desviar do assunto – a discussão é fascinante.

  44. Renan b. disse:

    Imagino a usina nuclear como escolher viajar de avião: é um meio muito seguro, mas quando ocorre falhas, essas são fatais, graves e geram muita polêmica. E que deixa muita gente com medo de tirar proveito dessa alternativa.

  45. denis rb disse:

    Acho uma ótima comparação, Renan b.

  46. reynaldo disse:

    Domingo passado fui a uma peça de teatro a convite de uma das atrizes, uma grande amiga. A peça era horrível mas a amiga é excelente, sua presença íntegra e forte era uma nota dissoante dentro de um roteiro sentimentalista, maniqueísta. A peça tentava narrar a vida da comunista revolucionária polonesa, Rosa de Luxemburgo. É difícil ficar entre o planfetário e o artístico, para dar em coisa boa é preciso muita fineza, e a diretora não tinha. Um dos temas tratados era o feminismo, a pretensa grande participação de Rosa e outras ativistas no incipiente movimento de libertação da mulher na Europa do fim do século XVIII e começo do XIX. Personalismo, glorificação dos heróis da revolução, uma chatice. Quem está libertando a mulher, aos poucos, em todo o planeta, é o capitalismo ou, antes, a capacidade revolucionária que esse sistema tem de desarraigar todas as culturas antigas, predominantemente patriarcais. A perda de raízes gera desorientação, muita gente que põe os chifres acima da manada se assusta e corre para se agarrar ao que está à mão: o Heavy Metal, a ideologia neocon da Fox e da Revista Veja, o mundinho gay, as novas igrejas evangélicas, etc. Outros, uma minoria, corre à procura de novos sentidos, sempre evanescentes. É o que alguns teóricos chamam de “a revolução permanente”. O ideal seria que uma mudança de sistema fosse comandada por aqueles que já aderiram à revolução permanente, criando as condições para que o desarraigamento se acompanhe em larga escala de uma oferta em massa de novos sentidos, sentidos abertos, profundos, reflexão e mudança constante. Imagine o grande patrimônio cultural da humanidade inteiramente à disposição da humanidade. Isso seria comunismo. Sou comunista, dentro das premissas expostas acima, não tenho vergonha de ser comunista, podem meter o pau, não estou nem aí.

  47. Gerson B disse:

    Um dia voê deve fazer um post sbre o crescimento populacional, Denis. O crescimento do consumo é um dos lados, mas tambem há esse.

  48. denis rb disse:

    Imagine, não tem porque meter o pau. Respeito suas ideias, e respeito-o duplamente por ter ideias.
    Só não me peça para concordar com elas…

  49. Felipe disse:

    O f*** é crescimento populacional + crescimento do consumo – crescimento intelecutal, essa é a m****!!!

  50. jorji disse:

    Sejamos objetivos, no caso de um acidente nuclear bem no meio do território francês, um desastre equivalente a Chernobyil, o que aconteceria ?

  51. jorji disse:

    O que Felipe pensa, eu venho comentando neste blog, e mais um detalhe, nunca se morreu tão pouco, a espectativa média de vida só tem crescido, há poco tempo atrás a média era de 40 anos no Brasil, hoje já passamos de 70 anos.

  52. denis rb disse:

    Uai, jorji
    Em Chernobyl morreram 56 pessoas e uma cidade teve que ser abandonada. Se acontecesse na França, não há porque imaginar que as consequências fossem muito diferentes.

  53. veiaco disse:

    Não estou entendendo mais nada. Está faltando combustível para cremar os mortos pelo tsunami no japão.

  54. Augusta Ruhn disse:

    Pô VEIACO MALUCO!
    Será que entendi bem????Você está sugerindo que as pessoas sejam cremadas na própria usina de Fukushima????

  55. veiaco disse:

    Cara Augusta: Buda escreve certo por linhas tortas, os homens que não querem entender. Até segunda-feira, teremos o pior acidente nuclear da história, ultrapassando Chernobil, só porque a Tepco, não quer admitir a queda de suas ações em 64% e lacrar a usina. Não quer admitir perdas materiais, mas admite perdas humanas, agora e no futuro. A continuar esse tipo de atitude, muito bem relatado pelo Denis no post anterior a esse, logo você terá em sua mesa resquicios dessa radiação, como aconteceu com Chernobil onde houve suspeita de importação de queijo radioativo da Europa.

  56. Alex disse:

    Estão agora querendo condenar as usinas nucleares por causa do que aconteceu no japao. Relembram chernobyl e outros acidentes como o de three mile island onde ocorreu uma fusão parcial.
    O que devemos porem perceber é que em todos estes casos, o principal causador do problema foi o descuido e o descaso humano. Usinas nucleares nao são bombas relogio esperando para explodir(ate por que elas não tem essa capacidade, ja que o uranio que usam é pouco enriquecido).

    A energia nuclear é uma das maiores descobertas do seculo 21, capaz de produzir bastante com pouco comsbutivel. Os problemas que as usinas tem estão lentamente sendo resolvidos em pesquisas, como por exemplo o caso do lixo nuclear, que esta sendo reutilizado como combustivel em reatores testes.
    Ja sabemos que houve negligencia por parte da Tepcon no acidente e que as condições de segurança eram poucos em Fukushima.
    Se há um real problema com esta fonte de energia, sao as proprias usinas em si: Elas envelhecem. Estima-se que o prazo de validade de uma usina seja de 70 anos. Depois disso, apesar de reformas, o risco de acidente sao grandes e elas portanto devem ser desativadas.

    Vale a pena lembrar que milhões de litros de petroleo ja foram derramados no mar. Nossas maquinas poluem a atmosfera com a queima do combustivel. O efeito estufa está se agravando no planeta, mas nem por isso nos não discutimos em parar de usar esta fonte de energia, que ja causou, ainda causa e futuramente ira causar danos terriveis e permanentes ao nosso mundo.

    Nessas horas… a energia nuclear salva. Basta apenas mais pesquisa.

  57. Augusta Ruhn disse:

    Bem com essa vamos criar uma empresa brasileira que receba produtos contaminados e fazer dela UM BENEFICIO PARA A HUMANIDADE.????Como um aluno de Santa Maria já dizia ….ainda vamos voltar a idade da pedra!!!!

  58. Augusta Ruhn disse:

    DA GLOBONEWS!
    a usina neste momento está 10 mil vezes maior a radioatividade-4:04 27/03/. Concordo com o veiaco até segunda a radiação poderá chegar no brasil….

  59. veiaco disse:

    Ja chegou ao Brasil, mas como diria a Tepcon, não em níveis alarmantes. Se já tivessemos um APP da Apple no Iphone para detectar a radiação (Steve, depois me manda os royaltes) seriam detectados níveis de radiação nos aeroportos de voos vindos do Japão. Quanto a Fukushima a própria usina se condenou, e segundo noticias recentes, condenou uma área de 4 a 5 municípios em sua volta que não poderão plantar nada por décadas e estão retirando a população do local (vamos chamar aqui de inundação ionizante). Gostaria de estar totalmente errado Augusta e Alex, mas fico com os alemães, que considero os campeões em manutenção para aviões, carros, motos etc…, e que chegaram a conclusão que não podem brincar com essa geringonça.

  60. Augusta Ruhn disse:

    Excelente idéia!Falando sério
    Assim como criaram GPS,poderiam criar GPR-Grau Podenderável de Radiação! És um gênio veiaco!!!!

  61. jorji disse:

    Denis, ontem mesmo assisti num programa de tv que em Chernobyl morreram mais de 200.000 pessoas, só 56?

  62. reynaldo disse:

    Se você estivesse bem atento, Denis, veria como ao longo desse nosso diálogo, que já dura uns dois anos, eu concordei com você e incorporei parte de suas idéias. Não posso dizer o mesmo de você.

  63. denis rb disse:

    Eu notei sim, reynaldo, e fico feliz.
    Da minha parte, estou sempre mudando minhas ideias. Eu não me aferro a nada, leio tudo com atenção, e aprendo todo dia. Certamente aprendi com nossa correspondência.

  64. denis rb disse:

    jorji,
    Houve 56 mortes diretamente atribuídas ao desastre. As mortes – principalmente de câncer – causadas de maneira indireta pelo aumento nos níveis de radiação são quase impossíveis de calcular, porque não há como ter certeza se o câncer teria ocorrido sem a radiação. O número que você cita – 200 mil – é a estimativa do Greenpeace.

  65. reynaldo disse:

    Pode até ser que aprendeu com nossa correspondência, Denis, mas não pude perceber muito não, para dizer a verdade. Também sou muito atento e vou tentar ser um pouco mais, quem sabe eu possa captar alguma vírgula, ponto e vírgula ou dois pontos que tenha aparecido em virtude de minha influência. Não que eu atribua um valor muito grande a essas discussões muito sumárias, num espaço em que não é possível grandes aprofundamentos. Um de meus principais esforços tem sido, justamente, o de remeter o leitor a certa literatura em ciências humanas que tende a ser desprezada, taxada de antiquada, quando estou certo de que não o é. Se consegui influenciar alguém nesse sentido, estou satisfeito. No mais, vou seguir expondo, mesmo que resumidamente, idéias incômodas, que muitos preferem manter à sombra.

  66. reynaldo disse:

    Só uma palavra sobre aquelas “luzinhas inúteis” de que você fala na coluna, os famosos “stand by”, que calculam aumentar o consumo de uma casa em até 8% ao mês. Uma pergunta: para que existe o “stand by”? Porque as pessoas estão ficando tão preguiçosas que não podem mais apertar o botam de “liga-desliga” antes e depois de acionar o controle remoto? É tanto sacrifício assim? E que tal pensar a relação que existe entre esses hábitos preguiçosos e a indústria? Não é a indústria que cria esses hábitos e ao mesmo tempo é estimulada por eles? E não existe quem lucre com esses hábitos, por exemplo, as geradoras de energia elétrica, que lucram mais quando o consumidor gasta mais? Há pouco comprei um fogão novo e corri atrás de um modelo que tivesse um fogo baixo de verdade. Estou descobrindo que não fabricam mais fogão com fogo baixo. O fogo baixo do fogão é como o alto dos “antigos” (fabricados há cinco anos atrás) e o fogo alto é ainda mais alto. Vão falar que eu tenho a mente conspiratória, mas aposto que é um consórcio entre a indústria de fogões e as fornecedoras de gás de cozinha. Como fazer o cidadão gastar menos se existe um complô para fazer com que ele gaste mais e mais porque isso gera lucro para as empresas. Esse o motor do capitalismo, o lucro, que está no cerne do sistema. Fica difícil lutar contra esse mecanismo, é o que eu estou tentando dizer e note-se que a coisa vai-se agravando. Quem imaginaria há cinco anos que ficaria impossível comprar um simples fogão com fogo baixo para meu querido arroz integral ficar no ponto e não queimar no fim do cozimento? Salve-se quem puder!

  67. denis rb disse:

    Pois é, reynaldo,
    Ultimamente ando revoltado com a NET. Os caras vieram aqui em casa e instalaram nada menos do que 8 luzinhas vampiras e um relojinho digital para aumentar minha conta de luz e ajudar a alagar a Amazônia. É muita falta de noção.
    Um jeito de regulamentar essa questão é aquele que discuto muito aqui: internalizar as externalidades. Transformar em custos para as empresas aquilo que hoje só é custo para a sociedade. Cobrar por carbono emitido, por exemplo (e energia desperdiçada é carbono emitido).
    Um outro jeito é via conscientização do consumidor. Eu sei, eu sei, parece uma ideia ingênua – um país que não tem nem educação nem justiça e ficamos aqui acreditando que o povo vai saber escolher o que é melhor para todos na hora de comprar. Mas estou cada dia mais convencido de que esse caminho , por mais que seja demorado, é único que resolve o problema de verdade.

  68. Augusta Ruhn disse:

    Será que meu neto achará o Japão no mepa?

  69. veiaco disse:

    Augusta, só se eu for o gênio da lâmpada vampira. O governo japones solicitou que não se faça alarme sobre a crise. Curvo-me a sabedoria milenar e vamos encerrar esse assunto por aqui. Só faltou avisar aquele agricultor que levou 10 anos para desenvolver um repolho sem agrotóxico e quando descobriu que existem coisas piores…

  70. Augusta Ruhn disse:

    Infelizmente encontrei outro brasileiro MICHA- quer encerrar o caso como tantos outros. Sabemos que um não faz verão ONDE ESTÃO OS COMUNISTAS…onde estão para eu me aliar a eles. Cade Che, Cade o che…tô sozinha…

  71. fabio disse:

    Quem é este aluno da UFSM que plagiou Einstein; Quando perguntaram ao grande genio como seria a terceira guerra mundial, ele respondeu;
    A terceira eu nao sei, mas, a quarta será de PAUS E PEDRAS, entendeu Augusta?

  72. veiaco disse:

    Pior que a inundação iônica e muito além da sustentabilidade.
    Uma menina de oito anos originária de Minamisoma, localidade situada a vinte quilômetros das instalações atômicas, por exemplo, foi recusada por um hospital da cidade de Fukushima porque não tinha certificado de não radioatividade. O episódio reavivou as lembranças de discriminações sofridas pelos “hibakusha” – sobreviventes dos ataques americanos com bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki – que foram discriminados devido ao medo de que contaminassem outras pessoas.

  73. Augusta Ruhn disse:

    EM SEIS MESES O PT DESMATA TODA A AMAZONIA!!!!VEM DESDE MARINA SILVA …..

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: