Cidade psicopata

Em 2007, um pesquisador de engenharia de tráfego chamado Horácio Figueira fez uma pesquisa no trânsito de São Paulo. Ele saiu pelas ruas de carro, com um assistente sentado ao seu lado armado com um bloquinho de anotações. Aleatoriamente, Horácio escolhia um carro no trânsito e seguia-o de perto, observando seu comportamento. O assistente ia anotando cada infração de trânsito que o motorista cometia. Ao todo, 628 carros foram pesquisados, todos com placa de São Paulo. As conclusões são apavorantes.

Se a lei fosse cumprida em São Paulo, em média, um motorista paulistano levaria pouco menos de 8 minutos para acumular 20 pontos e perder sua carteira de motorista. Na média, um motorista paulistano leva 2 minutos para cometer uma infração que deveria ser multada.

O recordista da pesquisa foi um carro que Horácio só conseguiu seguir por 2:58 minutos (os pesquisadores ficaram para trás num sinal vermelho). Nesse tempo, o motorista conseguiu cometer 10 infrações. Isso teria valido a ele 50 pontos na carteira e R$ 1.234,36 a pagar em multas – em apenas 3 minutos. Horácio foi checar quantas multas esse motorista efetivamente recebeu: apenas uma ao longo de um ano inteiro, por estacionar em local proibido. Ou seja, a impunidade é praticamente total. A partir da amostra de sua pesquisa, Horácio calculou quantas infrações são cometidas na cidade, e depois comparou com o número de multas aplicadas. Resultado: segundo sua estimativa, apenas 1 em cada 17.409 infrações de trânsito é punida em São Paulo. “O motorista em São Paulo tem certeza absoluta de sua impunidade”, diz o pesquisador.

São números tão imensos que parecem exagerados. Mas, se você é cético, proponho um teste fácil de conferir. Saia de casa e procure uma faixa de pedestres sem semáforo. A cada vez que um pedestre se aproximar da beirada da rua, verifique se o motorista que vem vindo dá passagem. Aposto que o índice de motoristas que desrespeitam a lei ficará bem próximo de 100%, principalmente se for uma via de alta velocidade.

O condutor do veículo com a placa EBW-2413, flagrado enquanto colocava a vida de um ser humano em risco

Outro dia vi uma senhora idosa parada na beira de uma rua, onde havia faixa de pedestres e semáforo. Estava verde para ela, mas ela não se mexia. Perguntei por quê. Ela disse que preferia esperar fechar e abrir de novo, porque na última vez não tinha se movido rápido o suficiente e tinha medo de ser surpreendida pelo sinal vermelho no meio da rua. Tente se colocar na pele dessa senhora. Para ela, cada esquina da cidade é uma ameaça de morte. Andar três quarteirões significa escapar da morte três vezes, uma em cada esquina.

Carros são a arma que mais mata no Brasil – mais que revólver. Seu uso deveria ser fiscalizado com atenção e rigor. O condutor de um automóvel deveria se comportar com cuidado absoluto, como quem carrega um objeto muito perigoso no meio de uma multidão.

Não é o que acontece. Praticamente ninguém é multado por colocar a vida dos outros em risco. Quase metade das multas aplicadas são por rodízio ou estacionamento irregular. Só é multado quem atrapalha o fluxo de veículos, não quem ameaça a vida alheia. Pela minha experiência, a situação é igual ou pior em quase todas as grandes cidades brasileiras.

Definitivamente, a prefeitura tem responsabilidade nisso, pela incompetência escandalosa em aplicar a lei. Mas, como costuma acontecer com problemas sistêmicos, o responsável não é um só. É quase todo mundo. O primeiro passo para resolver um problema sistêmico é reconhecer a responsabilidade de cada um. A cada esquina, cada motorista tem uma escolha a fazer: ele pode decidir se se importa com a vida dos outros ou não. Ultimamente, o índice de motoristas paulistanos que opta pelo não gira em torno de 100%.

40 comentários
  1. Mariana disse:

    por coincidência, eu estava hoje justamente pensado no comportamento egoísta dos motoristas. ninguém para na faixa de pedestres, ninguém te dá oportunidade para mudar de faixa, buzina-se incessantemente. aqui em Recife, o órgão de trânsito responsável aparece nas ruas basicamente para fiscalizar o cumprimento da lei seca, o que é importantíssimo, mas deve-se fazer mais. poucas vezes vi agentes multando estacionamentos em locais proibidos, por exemplo. e acho que eles deveriam multar todo carro que não parasse na faixa de pedestres. e os governos estaduais deveriam fazer ininterruptas campanhas educativas para o trânsito.

  2. ricardo galvão disse:

    Quando eu era criança, tiraram de circulação uma propagando de TV que mostrava um menino triste e ele dizia “MEU PAI MORREU NA ESTRADA”
    a justiça de então retirou a propaganda do ar por ser forte e ofensiva…
    Hoje vemos o resultado desta permissividade….
    Morre mais gente por ano no trânsito no brasil do que em cinco anos de guerra do Vietnam…
    Triste Brasil….

  3. Wilton Carvalho disse:

    Que falta de ocupação deste rapaz. Ele deveria procurar um serviço.

  4. Andrius disse:

    Denis,
    É claro que os carros tem que parar para os pedestres passarem quando tem uma faixa de pedestres pintada no chão, mas tem várias ruas que têm uma faixa no cruzamento, outra mais a frente, no meio do quarteirão e, no próximo cruzamento, mais uma faixa. Não acho que isso seja viável ou prático. Eu acredito que isso aconteça a) porque a prefeitura não tem competência para planejar o trânsito e b) porque é capaz de faixas de pedestre garantirem mais alguns votos ao vereador responsável. De novo, não estou querendo justificar a desleixo dos motoristas mas argumentar que a situação atual é um tanto irrealista.

  5. Green Yolk disse:

    Até nas auto escolas e nos exames do Detran vê-se desleixo e péssima qualidade. Dizem que eles são verdadeiras máquinas de dinheiro.

  6. #42 disse:

    Sou motorista e tenho que assumir, no transito eu viro um psicopata. As vezes só percebo o quão horrivel agi após deligar o carro, porém as vezes percebo ainda em transito, e a sensação de poder e não temer “passar por cima de qualquer um” é mais forte. E o pior é que até hoje eu só vi um ou dois motoristas que não agissem assim. Se pudesse eu voltava a ir trabalhar de bicicleta.

  7. jorji disse:

    Denis, em meus comentários sempre tenho sido deselegante, muitas vezes até ofensivo, sempre com comentários de que o problema sempre são os indivíduos, são as pessoas, felizmente voce finalmente chegou a essa conclusão, passou da hora da imprensa de parar de atribuir a minoria, apenas a uma minoria os responsáveis pelos problemas.

  8. joao disse:

    Nossa… se essa pesquisa fosse feita em Fortaleza-CE um bloquinho de anotações não seria suficiente para o assistente anotar tudo!! Já vivi em SP e hoje moro em Fortaleza e maninho, o desrespeito no trânsito aqui é fenomenal!
    Calçada é o local oficial para jogar lixo e estacionar carros… transitar na calçada só você for um rato ou barata!!!
    Furar sinal vermelho, andar na contra-mão e estacionar em local proibido, se você não fizer um desses é porque você deve ser extraterrestre!!! é bem possível que o sujeito atrás de você buzine se você não avançar o sinal vermelho…
    Faixas de pedrestres, pedestres, ciclistas e qualquer tipo de sinalização são praticamente invisíveis… Na verdade acho que invisível mesmo é a fiscalização… vejo muito mais acidentes de trânsito diariamente do que vejo fiscais… pra falar a verdade nunca vi um, nem sei a cor do uniforme!!

  9. Luciano disse:

    E ainda há muita gente que argumenta que há indústria de multas

  10. denis rb disse:

    jorji, não mudei de ideia não. Veja bem, estamos falando de duas coisas bem diferentes: culpa e responsabilidade. Você fala muito de culpa – de punir os culpados pelos problemas. Eu não acho que seja por aí. Acho que o importante é implantarmos no país uma cultura de responsabilidade: só aí será razoável discutir a culpa por eventuais problemas.
    Para ficar no exemplo do post acima. Hoje o índice de motoristas que desrespeitam as leis de trânsito está em torno de 100%. Instituir um clima de “caça às bruxas”, de encontrar culpados, não vai ajudar nada a resolver nossos problemas – só vai atiçar ressentimentos. Imagine o que aconteceria se, de uma hora para outra, começássemos a punir com multas todas as infrações de trânsito. A imensa maioria dos motoristas teria que pagar, no primeiro mês, mais do que o valor do automóvel em multas. Praticamente todos os motoristas do Brasil perderiam suas carteiras.
    Eu acredito que a solução dos nossos problemas está mais na esfera da cultura do que na policial. É claro que a sensação de impunidade total não ajuda nada a mudar a cultura. É necessário sim um ambiente de respeito às leis. Mas o que o Brasil precisa mesmo é de um novo pacto social, não de mais gente apontando o dedo na cara dos outros. Já há gente demais apontando dedo. O que falta é gente assumindo sua responsabilidade.
    Por isso parabenizo o #42 pela coragem de reconhecer que é parte do problema.

  11. denis rb disse:

    Andrius,
    Não sei em que cidade você mora, mas não lembro de ter visto quarteirões com três faixas de pedestre, como você descreve. Na realidade, em comparação com qualquer país onde haja respeito à vida, o Brasil têm muito menos faixas de pedestres. Mas ainda que seja verdade que haja alguma cidade com faixas demais no Brasil, acho bem discutível a ideia de que o fato de haver muitas faixas nos autoriza a desrespeitar todas elas. Lembre-se: nas vias onde não há faixas, a preferência é SEMPRE do pedestre. Ou seja: quando não há faixa, o pedestre pode atravessar onde e quando quiser. Portanto, é do interesse do motorista que haja muitas faixas.

  12. Wagner disse:

    Não concordo com o ponto de vista defendido no artigo. O que faz com que as pessoas respeitem as leis de transito não são multas, mas sim educação. A cidade é muito grande, é utópico achar que teríamos uma boa cobertura de fiscalização. O certo era investimento em educação.

    Acho também que deve ser levado em consideração o direito e dever, a cidade de São Paulo não cumpre com seu dever de manter ruas com manutenção em dia, a sinalização é péssima (vertical e horizontal), e com o exemplo da polícia e CET também cometendo infrações. Então é difícil cobrar um exemplo de motorista quando você não oferece um exemplo de serviço.

    Como eu posso manter a distância de 1,6m de um ciclista em uma via onde tenho que dividir uma faixa de um pouco mais de 2 metros com buracos, motociclistas e má sinalização? Sem contar que a chance deste ciclista não estar usando os equipamentos obrigatórios também é perto do 100%.

    E os pedestres, que mesmo onde tem passarela teimam em se aventurar entre os carros? Ou tentam atravessar entre os carros e as motos.

    E só para constar eu paro para pedestres rsrsrs, quando acho que é seguro para ele atravessar e para eu parar. Conheço pessoas que foram atropeladas porque o motorista de uma faixa deu passagem mas o da outra não.

    Não é fácil dirigir em São Paulo, eu tento fazer minha parte, mas por aqui boa educação não consegue atravessar cruzamento sem semáforo, tem que ser na força mesmo. Infelizmente.

  13. Wagner disse:

    E outra coisa, acho esse seu avatar dos Simpsons muito loko!

  14. denis rb disse:

    Wagner,
    A diferença é que, quando não usa os equipamentos de segurança, um ciclista não ameaça a vida de ninguém, a não ser de si próprio.
    Não estou defendendo aqui que se multe 100% das infrações. Estou defendendo que o foco da fiscalização seja preservar a vida, não simplesmente aumentar a velocidade do fluxo de automóveis. E estou defendendo que os motoristas mudem de atitude no trânsito e passem a levar em consideração o fato de que as pessoas lá fora, além de serem a maioria da população, são seres humanos também.

  15. Jenny Heemann disse:

    Concordo com o Wagner quando ele diz que ciclistas e pedestres também não fazem a sua parte. Sou pedestre 100% das vezes que saio de casa e reparo muito em como os outros pedestres se comportam na rua. Sempre tem alguém atravessando perto de uma faixa – mas não NA faixa. Ou alguém que nem espera o sinal abrir para pedestres e vai desafiando as ruas. Ou algum ciclista que não usa equipamentos nem respeita as leis de trânsito. E se um carro tiver que desviar dele por causa da sua infração e acabar atropelando outras pessoas? E batendo em outros carros? E ser condenado injustamente de ter matado alguém?
    Todos são responsáveis por aumentar a chance de ocorrer algum acidente, arriscando sua vida e a de outros. Infelizmente, a má educação não está nos motoristas em si, mas no povo brasileiro como um todo. Esteja ele dentro de um carro, em cima de uma bike ou a pé.

  16. silvasaurosnet disse:

    olá denis; Eu sou aqui de Fortaleza e tudo que foi dito pelo joão sobre o transito aqui desta cidade é a mais pura verdade.estamos falando de multas, educação etc… e concordo com vc quando diz que o problema do transito não possui apenas uma via um responsável.Acho que tudo está precissando ser repensado na forma do ser humano encarar a sua vida neste planeta, seja em relação a mobilidade como também em outras areas como energia, sustentabilidade,respeito portudo e por todos etc…É utopia sim e das grandes mais sonhar e fazer nossa parte não custa. Grande abraço

  17. denis rb disse:

    Exato, silvasaurosnet,
    Seria bobagem eu ficar aqui apontando o dedo, dizendo “a culpa é do motorista, que não respeita a vida”. Aí os motoristas poderiam responder que “a culpa é do pedestre, que não respeita a faixa”. E o pedestre diria que “a culpa é do motoqueiro, que não respeita nada”. E o motoqueiro diria que “a culpa é da bicicleta, que invade o nosso corredor”. E seguimos nesse diálogo de surdos, dedo de um na cara do outro, fingindo que a virtude é exclusividade nossa. Não me interessa saber de quem é a culpa. Eu quero assumir a minha responsabilidade nessa meleca e convido todo mundo a fazer o mesmo.

  18. Palmas disse:

    Wagner, educação se aprende em casa, na escola e no curso para tirar habilitação. É como dizer que não se deve punir um erro médico porque o estado não oferece um exemplo de hospital. É sério que vc prefere não passar com a roda do seu carro no buraco e arriscar a vida de um ciclista passando a menos de 1,5m dele? Prefiro não acreditar.

  19. denis rb disse:

    Se há muitos buracos nas ruas, isso é um motivo a mais para que os motoristas dirijam com muito cuidado e atenção.

  20. Wagner disse:

    Palmas, não cometa erros de interpretação lendo o que eu escrevi. O que eu quis dizer sobre o ciclista é que ainda não temos esta cultura, e que desviar de ciclistas hoje é uma grande dificuldade quando o motorista precisa enfrentar vários obstáculos. Isso não quer dizer que eu não faça ou que seja impossível. Quando disse sobre os equipamentos do ciclista, foi só uma ilustração de que as infrações de transito não são exclusividades dos motoristas, já que se não me falha a memória uso de capacete é obrigatório ao ciclista (por exemplo).

    Não concordo que a educação venha apenas destes três locais citados. Afinal esta discussão também é uma forma de passar o conhecimento a quem esta acompanhando, assim como o a pesquisa do Horácio Figueira também educa. Provavelmente se uma pessoa que não tinha estas preocupações com ciclistas e pedestres, possa começar a ter após ler o artigo e os comentários. O governo usa muito o comercial na TV para educar sobre uso de camisinhas e dirigir alcoolizado principalmente em época de carnaval, e a pouco tempo tentou lançar uma campanha de transito mais “sociável”, o que não foi continuado (uma pena). Não tem como dizer que não são campanhas para educar.

    Enfim, espero que todos nós nos tornemos cidadãos melhores ao final deste bate-papo, e que sempre tentemos fazer nossa parte da melhor forma possível.

    E só para esclarecer, eu paro em faixa de pedestre; dou preferencia para ônibus; respeito os ciclistas e motociclistas; e freios para animais! rsrsrs

  21. AVELAR AMADOR disse:

    Olá denis, aqui onde moro Petrolina PE é uma das poucas cidades do Brasil onde o motorista respeita a faixa de pedestre verdadeiramente…por outro lado os pedestres já avançam na faixa sem ao menos olhar um pouco se vem carro e também sem dar sinal de vida…isto quer dizer que se este pedestre for a um lugar como são Paulo e tiver a mesma atitude provavelmente será atropelado…portanto, no Brasil, antes de iniciar a faixa deveria ter um aviso ao pedestre : Dê sinal de vida!

  22. denis rb disse:

    Wagner,
    Só acho bom lembrar que cabe ao motorista – por ser ele quem está portando um objeto altamente perigoso – a responsabilidade por zelar pela segurança de todos. Você tem razão quando diz que o desrespeito à lei de trânsito é generalizada, e que ciclistas e pedestres igualmente desobedecem as regras. Mas é importante frisar que não dá para aceitar que desrespeitar a faixa seja uma infração equivalente a não usar capacete. Desrespeitar a faixa é colocar vidas humanas em risco; deixar de usar capacete, se machuca alguém, é o próprio ciclista, e nem isso é certeza (o Brasil é um dos únicos países do mundo onde o capacete é obrigatório e muitos ciclistas pelo mundo são contra o uso desse acessório, porque alegam que, estatisticamente, ele não reduz os riscos, e até que ele induz os motoristas a passarem mais perto do ciclista, aumentando o risco). Ou seja, dizer que a culpa pelas mortes é dos ciclistas, por não usarem capacete, é mais ou menos como sair pela rua dando tiros de revólver e culpar os mortos por não estarem de colete salva-vidas.

  23. denis rb disse:

    Mas Wagner,
    Concordo inteiramente contigo quando você diz que a responsabilidade pelo enfrentamento do problema é de todos os atores envolvidos. E de maneira nenhuma quero jogar toda a culpa pela guerra no trânsito nos motoristas.

  24. denis rb disse:

    Pois é, Avelar,
    Senti a mesma coisa quando voltei a SP depois de um ano vivendo nos Estados Unidos, onde há respeito à vida por parte dos motoristas. Morria de medo de esquecer que eu não estava mais lá é dar de cara com um pára-choques. Muito cuidado quando vier para cá!

  25. Evelyn Araripe disse:

    Dia desses no cruzamento da Rebouças com a Dr. Arnaldo (quando elas encontram a Consolação), vi uma situação parecida com a da idosa desse artigo. Uma mulher com dificuldade de locomoção não atravessava, mesmo o sinal estando verde para os pedestres. Eu estava de bike, aguardando o semáforo e perguntei para ele porque não atravessava. Ela disse que tinha medo, pois andava muito devagar, o semáforo ia abrir e ninguém ia esperar. Ela preferia não ter nenhum carro para atravessar em segurança! Quando que não vai ter carro naquele cruzamento???!!!! Nunca. Atravessei com ela. Fazendo sinal para os motoristas aguardarem. O semáforo abriu, mas eles tiveram que esperar… com alguns buzinando logo atrás, claro!!! Nessas horas sempre lembro da pergunta da placa lá no memorial da Márcia Prado, na Av. Paulista: Sua pressa vale uma vida?! Acho que índice de motoristas paulistanos que opta pelo SIM talvez também seja na casa dos 100%! Lastimável

  26. Oi Denis!

    Excelente o teu texto, pegou no ponto certo: respeitar a lei simplesmente porque é é o certo, não porque tem um guarda/pardal/radar observando.
    Alguns complementos: capacete NÃO é obrigatório para ciclistas, apenas refletivos na frente, atrás e dos lados. Ainda segundo o código de trânsito, se a faixa de pedestre mais próxima estiver a mais de 50m, os pedestres têm direito de atravessar com preferência sobre os veículos (inclusive bicicletas…)
    Portanto, o que precisamos é circular na via prestando atenção nos outros e respeitando seu direito. Viu um pedestre próximo à faixa? Já diminua a velocidade, provavelmente ele vai querer atravessar..
    O mesmo vale na relação motorista-motorista: que tal dar passagem pra quem está esperando pra entrar ou sair da via? OU se o ônibus tá saindo do ponto, dê passagem, ele leva Muito mais pessoas que teu carro. Parece que todo mundo tá indo tirar o pai da forca!
    Creio que só com muito respeito e gentileza vamos ter um trânsito harmonioso. Parabéns.

  27. jorji disse:

    Denis, nos últimos 35 anos, sempre tenho ouvido falar em maior responsabilidade, concientização, educação, punição, respeito, e o que tem mudado na atitude das pessoas em relação ao trânsito? Uma infinidade de leis, campanhas diversas na mídia, por acaso mudou alguma coisa? É muito falatório, e os índices de acidentes de trânsito só tem aumentado, nos humanos não se pode confiar, só há uma maneira de disciplinar a conduta humana, reprimir o instinto biológico da nossa espécie, e isso só se consegue com um rígido mecanismo de repreensão, é assim em países desenvolvidos, cadeia!

  28. Silvia disse:

    Denis, se não estiver correndo o risco de levar uma batida na traseira, eu paro nas faixas de pedestres. Sabe qual a reação das pessoas? Parar, olhar bem pra mim (provavelmente pra ter certeza de que estão sendo vistas), titubear um pouco e, ao meu sinal de “pode passar”, atravessar, agradecendo. Quando estou simplesmente fazendo a minha obrigação. Eu não devia ter medo de levar uma batida na traseira, e os pedestres não deviam ter medo de atravessar na faixa. E, mais de uma vez, em rua com mais de uma pista, só eu parei, os carros das outras pistas simplesmente ignoram o pedestre.

  29. reynaldo disse:

    Pego os ônibus que saem do terminal Bandeiras e vão pela Nove de Julho todo dia. Biarticulados, misto de combustível e elétrico, uma maravilha…para quem vê de fora. Os donos das empresas adoram, economizam no óleo diesel. Mas lá dentro, há enormes espaços ocupados pelas baterias que obrigam uma redistribuição dos bancos, postos mais altos e alguns de frente para outros. As barras para segurar também sobem para quem sai do banco não bater a cabeça. Mas o brasileiro que está de pé, baixinho, não alcança. Colocaram umas alças de nylon, pendendo para baixo, mas não são suficientes. Quem senta de frente para o outro não tem espaço onde colocar as pernas, pois os bancos estão a poucos centímetros uns dos outros. Se você é alto, esqueça. Não há mais aquela cordinha para dar o sinal de descida, apenas alguns botões. Só que não estão bem posicionados e muitas vezes, com o ônibus lotado, não temos acesso a eles. Em suma, o engenheiro nunca pegou um ônibus desses, considerando que muitos levam horas e horas até os terminais de Santo Amaro, Guarapiranga, e além. E uma pequena parte dos motoristas agem como se estivesse levando gado. Já vi gente idosa cair porque encostam bruscamente nos pontos e ai de você se reclamar! Quando os motoristas estão assim alucinados, olho para a cara das pessoas e ninguém parece perceber o que está acontecendo, cansados, de volta para casa, levam uma vida de zumbis. Assim que concordo que o problema é sistêmico e porque é sistêmico justamente envolve cada uma das pessoas, não como responsáveis, mas como vítimas. É um sistema desumanizante que dezumaniza as pessoas, do engenheiro que não planeja um veículo para o conforto das pessoas mas para o maior lucro possível para o capitalista dono da empresa ao motorista assassino até o passageiro zumbi. E qual a característica desumanizante essencial desse sistema, o fato de que está voltado para produzir lucro, acúmulo de capital e não para a satisfação das necessidades das pessoas.

  30. denis rb disse:

    Pois é, concordo muito, reynaldo. Acho que no Brasil tem uma questão chave que é o sistema burro de licitações, que privilegia apenas preço e ignora todos os outros fatores (conforto, inovação, beleza, sustentabilidade). Desde que sou criança em São Paulo, assisto a uma piora gradual da experiência de andar de ônibus. A cada dia os bancos são mais duros e escorregadios, o som do motor é mais áspero e agressivo.

  31. denis rb disse:

    Uma coisa interessante, reynaldo:
    Note que os fabricantes de carros particulares investem uma fortuna em conforto interno. O clima lá dentro é ameno, a luz é suave por causa dos vidros escurecidos, os bancos são sofás. Enquanto isso, por fora, os carros são cada vez mais agressivos, parecem tanques de guerra.
    Já os ônibus ficam cada vez piores por dentro enquanto por fora passam uma impressão cada vez melhor: parecem modernos, futuristas.
    Não me admira que as pessoas, quando podem escolher, prefiram andar de carro.

  32. Antenor disse:

    Seu texto ainda fica válido se tirar São Paulo e colocar João Pessoa-PB.
    Perfeito. Temos a 3º frota de automóveis do país em relação ao número de habitantes e um trânsito caótico, ansioso e pouco fiscalizado. Viu a nova propaganda pelo ‘Trânsito Gentil’? Acredito que isso só se efetiva mediante a rígida fiscalização da polícia de trânsito como também de uma proposta sobre Justiça de Trânsito para acabar com o compadrio que sempre evita a punição. O artigo bem poderia se chamar ‘A Educação no Bolso: uma campanha pela multa’.

  33. Si disse:

    Aqui no centro de Campinas o desrespeito na faixa de pedestre é gritante. Pouca gente (motoristas e pedestres) parece saber para que serve a faixa. Carros estacionam sobre a faixa, não param para pedestres passarem (100%, nunca vi alguém parar) e param sobre a faixa quando o semáforo fecha, não dando espaço para o pedestre passar. Um horror. E pedestres atravessam fora da faixa. Quase todos os dias vejo pessoas correndo entre os carros, algumas puxando crianças pelo braço. Tem um lugar em Campinas onde vejo que as faixas são respeitadas: nas ruas e estacionamentos do Shopping Iguatemi. Não estou com isso afirmando que pessoas “mais ricas” são mais civilizadas, só estou expondo um fato: frequentadores desse shopping, em sua maioria, param nas faixas para os pedestres. Porque no centro, para usar o popular, é um pega pra capar, uma selvageria.

  34. DN disse:

    Denis: sera que a lei nao esta errada? Se todos desrespeitam e porque ela nao faz parte dos usos e costumes, logo deveria ser mudada.

  35. denis rb disse:

    Pois é, DN, ou mudamos a lei ou mudamos os “usos e costumes”
    Nesse caso específico, eu pessoalmente acho que o que precisa mudar são os usos e costumes, porque não gosto de viver numa sociedade onde quem dirige carro tem mais direitos do que quem não dirige, e em que não se dá valor à vida.

  36. Observer disse:

    Me espanto quando paro para um pedestre atravessar na faixa. Não que eu sempre pare, sou pecador também, mas quando paro a expressão de espanto do pedestre diz tudo. Na maioria das vezes que não paro o faço para proteger o pedestre pois como só eu vou parar este ao inciar a travessia pode ser atropelado…só paro se houver segurança completa. É preciso olhar o retorvisor e ver se não vem nenhuma moto pois aí o perigo se multiplica.

  37. alberto santo andre disse:

    SE NO BRASIL TIVESSEMOS ENGENHEIROS DE TRAFEGO COMO VI EM ALGUNS PAISES DA EUROPA COM CERTEZA TERIAMOS MAIS AGILIDADE NO TRANSITO , MENOS IRRITACOES DO MOTORISTA ,POIS AQUI NO BRASIL, CARRO NA VERDADE E SINONIMO DE ARRECADACAO ,BASTA QUE SE FACA COMPARACAO A OUTROS PAISES, PORTANTO CASO PARTAMOS PARA AS COMPARACOES, VEREMOS QUE NOSSOS ENGENHEIROS DE TRAFEGO, ESTAO NA MESMA PROPORCIONALIDADE EM NIVEL COM OS RELATORIOS DA ONU E BANCO MUNDIAL SOBREA EDUCACAO NO BRASIL ,

  38. Fred Vilar disse:

    Na cidade onde cresci, a última capital aniversariante, há um respeito mínimo para essas coisas. Mas como Brasília é exceção, vou contrariando o que cantou Alceu Valença – meu amor por ela não é hipocrisia. Parabéns Brasília! Tudo seja bom por lá!

  39. Pingback: JF em Pauta

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