O elefante na sala

Cheguei ontem bem cedinho aos Estados Unidos, a tempo de ver pela janela do aeroporto de Newark o sol nascendo enorme no horizonte, quase tão grande quanto o Empire State Building, ao lado dele. Ainda no aeroporto, comprei a revista The Economist, que avisava na capa que a guerra contra as drogas chegou à América Central.

Hoje os minúsculos países do istmo da América Central são o pedaço mais violento do mundo, se não contarmos os países em guerra. Na realidade, tanto a Nicarágua quanto El Salvador são mais violentos hoje do que quando estavam em guerra civil. A revista estima que o combate ao crime custa à América Central, que já é pobre, 8% do seu PIB. É uma desgraça. Até a Costa Rica, antes “a Suíça da América Central”, está sofrendo.

A onda de violência começou depois que o México endureceu a repressão às drogas vindas da América do Sul, especialmente cocaína. Agora, toda a cocaína que entra nos Estados Unidos precisa necessariamente passar pela América Central. Conversei ontem em Washington com Steven Dudley, diretor da InSight, uma organização que investiga crime na América Latina. “É fácil de entender”, ele disse. “Quando entra na Guatemala, pelo sul, um quilo de cocaína custa 7 mil dólares. Quando sai de lá, pelo norte, custa 15 mil. O preço mais que dobra. É por esse dinheiro que as gangues estão brigando.”

A Economist discute possíveis soluções para a violência, mas conclui batendo mais uma vez numa velha tecla. “Essas ideias não vão resolver o problema fundamental: enquanto drogas que as pessoas querem consumir forem proibidas, e portanto fornecidas por criminosos, livrar uma área ensanguentada dos traficantes só vai servir para empurrá-los para outro lugar.”

É um velho problema que nós aí na terrinha conhecemos bem: endurecer a repressão contra as drogas há décadas tem servido apenas para tornar o crime mais e mais violento – é um pouco como enxugar gelo, um esforço constante que não leva a lugar nenhum. O consumo não cai um milímetro e o número de pessoas sofrendo com overdoses, dependência e violência só aumenta.

Estou aqui para fazer uma pesquisa sobre esquemas alternativos de lidar com as drogas. A ideia é escrever um livro para ser lançado ainda este ano. Pretendo ir conhecer os estados americanos que estão bolando esquemas para fornecer maconha para uso médico e entender a quantas anda o movimento pela legalização – parece possível que, pela primeira vez em décadas, pelo menos um estado americano legalize a maconha no ano que vem. Quero visitar a indústria da maconha legal nos EUA, que alguns especialistas dizem que já se tornou o maior produto agrícola do país. Depois vou conhecer iniciativas de flexibilização na Europa. Este blog vai tratar muito deste tema nos próximos dois meses (mas não exclusivamente dele).

Legalizar as drogas não é a solução mágica para todos os problemas do mundo, claro. Na verdade, é a proibição que foi concebida como uma solução mágica que livraria o planeta do sofrimento causado por substâncias malignas. Com o tempo, o mundo foi percebendo que essa solução radical – a proibição – era enormemente ingênua. Ela não apenas não resolveu o problema que se propunha a atacar – o sofrimento na verdade aumentou –, como causou vários novos. A onda de violência na América Central é só o último de uma longa lista.

A proibição às drogas foi como um elefante que deixamos entrar na sala. Tirar o elefante não vai acabar com o cheiro ruim de uma hora para outra. Mas pelo menos vamos conseguir começar a limpar a sujeira acumulada nesses anos todos de política equivocada.

42 comentários
  1. Marcelo Azevedo disse:

    Parabéns pelo texto e pelo trabalho que se inicia. Tomara que ajude mais gente a ver o elefante (inclusive outros blogueiros radicais deste mesmo veículo de imprensa…). No mais, prepare-se para mais uma avalanche de comentários destilando ódio e ressentimento que essa temática sempre levanta, e boa sorte… Abraços!

  2. Marcelo disse:

    Excelente texto. Me anima constatar que este debate enfim está posto e não sairá da sala até que apareçam as soluções de verdade, aquelas que em vez da polícia e dos orgãos repressivos envolvem políticas sociais e de saúde pública. É uma pena que iniciativas como a do Paulo Teixeira, que propôs a liberação do autoplantio, sejam usadas por pessoas hipócritas com o intuito de denegrir a imagem destas pessoas corajosas que não se intimidam com o tamanho do elefante.

  3. Marcelo disse:

    Where’s the trolls? They’re late…

  4. jorji disse:

    A coisa mais elementar , é óbvio que a questão relacionado a drogas é questão de ordem médica, todo comportamento humano é questão de quimica do cerebro, depressão, doenças mentais em geral, pessoas violentas, o temperamento das pessoas, o tal do caráter, etc, hoje, com o desenvolvimento científico em geral, principalmente no campo da biologia(genetica), os segredos de nosso cérebro estão sendo desvendados, essa divisão que se dá entre pessoas do bem e do mau está acabando, já que ninguém tem culpa de nascer com determinado tipo de cérebro, já que a maioria das características é de ordem genética. O que eu quero dizer fundamentalmente é de que os humanos tem que enchergar os fatos de forma absolutamente cientifica, a realidade é questão biológica, e a questão das drogas é tão fácil administrar, mas o maior inimigo dos humanos são os princípios que regem a sociedade, embasados na mentira.

  5. Paulo Hora disse:

    Tá ,mas você foi ambíguo.
    Realmente acha que a legalização é o caminho?
    Porque pra mim parece simples tanto para drogas quanto para armas, se a produção for legal
    a oferta aumenta; assim, como qualquer objeto de consumo, a tendência é aumentar a demanda também.
    A sociedade ficaria,então, mas armada e drogada.
    Não adianta dizer que um determinado plantio de maconha está legal e é só para medicina, porque nada garante que alguém o use para esconder um comércio ilegal para consumo irresponsável.
    Além disso, o caminho da repressão funcionou, como você mesmo disse no México, por que não funcionaria também na América Central? Basta comprar essa briga. Aliás, a Colômbia é outro bom exemplo de melhoria através da repressão.

  6. Marcelo disse:

    Paulo Hora, “melhoria através da repressão”? Na colômbia? Onde as FARC dominam metade do país, sequestram e mantém prisioneiros durante anos? Isso é melhorar?!?
    Por que vc não vê os exemplos de melhorias através da legalização. No Canadá, nos EUA, na Holanda, na Espanha, em Portugal, etc.?
    Drogas, a priori, não são naturalmente relacionadas à violencia, muito menos a masi inofensiva delas, a maconha. Já a proibição sempre vem acompanhada de muito sangue e matança.

  7. Marcelo disse:

    Aeh galera!
    Aí vai a programação Nacional da Marcha da Maconha. É hora de arrastar o maior número possivel de pessoas para esta luta. Por um futuro menos violento e hipócrita.
    PROGRAMAÇÃO NACIONAL
    ORGANIZE TAMBÉM NA SUA CIDADE
    PROCUREM OS FÓRUNS NA INTERNET AJUDE A ORGANIZAR A MARCHA EM SUA CIDADE
    Confirme a participação na sua cidade

    » 7 DE MAIO
    BELO HORIZONTE
    Praça da Estação, 15h30
    RIO DE JANEIRO
    Jardim de Alah, 14h
    VITÓRIA
    UFES, 14h

    » 8 DE MAIO
    ATIBAIA
    C. de Conv. Victor Brecheret, 15h

    » 15 DE MAIO
    NITERÓI
    Praia de Icaraí, 14h

    » 21 DE MAIO
    SÃO PAULO
    MASP, 14h

    » 22 DE MAIO
    JUNDIAÍ
    Estação de Trem, 14h
    PORTO ALEGRE
    Parque da Redenção, 15h
    RECIFE
    Recife Antigo – Torre Malakof, 14h

    » 27 DE MAIO
    BRASÍLIA
    Catedral, 14h

    » 28 DE MAIO
    CAMPINAS
    Largo do Rosário, 13h
    FLORIANÓPOLIS
    Trapiche – Av. Beira Mar, 16h
    FORTALEZA
    Praça da Bandeira (Dq. de Caxias), 14h
    NATAL
    Largo do Bar Astral, 14h
    SALVADOR
    Campo Grande, 14h20

    » 25 DE JUNHO
    RIO DAS OSTRAS
    Concha Acústica/Praça São Pedro

  8. Marcelo disse:

    CONTATOS:

    AMERICANA
    americana@marchadamaconha.org

    BELO HORIZONTE
    belohorizonte@marchadamaconha.org

    BRASÍLIA
    brasilia@marchadamaconha.org

    CURITIBA
    curitiba@marchadamaconha.org

    FLORIANÓPOLIS
    florianopolis@marchadamaconha.org

    FORTALEZA
    Coletivo Plantando Informação – coletivoplantandoinformacao@gmail.com
    fortaleza@marchadamaconha.org

    GOIANIA
    goiania@marchadamaconha.org

    JOÃO PESSOA
    Enrique Ch. (Graduando em Psicologia)
    joaopessoa@marchadamaconha.org

    JUÍZ DE FORA
    juizdefora@marchadamaconha.org

    NATAL
    Coletivo Antiproibicionista Cannabis Ativa – Natal – RN
    coletivocannabisativa@hotmail.com

    PORTO ALEGRE
    Príncipio Ativo – Coletivo Antiproibicionista de Porto Alegre
    Rafael Gil Medeiros
    Victor Thiago Bartz Höher
    portoalegre@marchadamaconha.org

    RECIFE
    recife@marchadamaconha.org

    RIO DE JANEIRO
    Renato “Cinco” Athayde (Sociólogo)
    riodejaneiro@marchadamaconha.org

    SALVADOR
    ANANDA – ATIVISMO, REDUÇÃO DE DANOS, PESQUISA E INFORMAÇÕES SOBRE DROGAS
    E-mail: contatoananda@gmail.com

    SÃO PAULO
    Marco Magri (Cientista Social)
    Gustavo Cossermelli Vellutini (Estudante de Comunicação)
    Lucas Caldana Gordon (Estudante de Psicologia)
    Coletivo DAR – coletivodar@coletivodar.org
    saopaulo@marchadamaconha.org

    TELEFONES PARA CONTATO
    +55 (11) 6333-5505
    +55 (21) 8705-3357
    +55 (51) 9296-0627
    +55 (71) 8177-1488
    +55 (84) 9955-9425
    +55 (84) 9178-2465

  9. Marcelo disse:

    Fico imaginando o que seria este “consumo irresponsável” a que o Paulo Hora se refere. Como assim? Não existe overdose de maconha e quem fuma não é impelido a cometer crimes violentos só pq fumou maconha. Na verdade o álcool, comprovadamente, causa muito mais atitudes violentas e anti-sociais do que a maconha. Que na maioria das vezes só faz o usuário ficar levemente ébrio, relaxar, ficar com sono, etc.

  10. Felipe disse:

    Tá bom que funcionou no México Paulo, pelo contrário os traficantes estão cada vez mais poderosos por aquelas bandas.

  11. Marcelo disse:

    Óbvio que a repressão nunca funcionará no México. É lá onde estão sediados os maiores traficantes que operam no mercado americano, o maior do mundo. Bem, na verdade a repressão funcina muito bem por lá, mantendo a polícia (os principais traficantes em qualquer país) e os corruptos do país muito bem remunerados.

  12. denis rb disse:

    Paulo Hora,
    A repressão, ao longo das décadas, tem funcionado um pouco como apertar uma bexiga de ar: aumenta a pressão num canto, o ar vai parar em outro canto. E, a cada vez que isso acontece, o nível de violência sobe um patamar.
    Não tenho todas as respostas: minha proposta agora é justamente procurar por elas. Mas está claro para mim (e para quase todo mundo que estuda o tema) que precisamos nos livrar do paradigma da “guerra contra as drogas”, que exacerba a violência e custa imensamente caro. Precisamos acabar com a proibição. Sem a proibição, os estados terão condições de regular os mercados, de criar regras, de estabelecer limites. Essa mudança de abordagem certamente não deve ser repentina: ela precisa acontecer gradualmente, de maneira consciente, constantemente observando os resultados de cada movimento e aprendendo com eles. A maioria dos especialistas que eu tenho ouvido concordam que há dois movimentos que podem ser feitos sem muitos riscos:
    1. descriminalizar o uso (o que diminui o dano social da repressão, mas não resolve o problema da violência)
    2. regulamentar o comércio de maconha (o que quase certamente não teria efeitos sociais indesejados e tira uma fonte de renda das mãos do tráfico).

  13. Marcelo disse:

    Vc apagou o comentário errado Denis! Não era o imediatamente anterior àquele, era o das 11:54 que não fazia sentido…

  14. Marcelo disse:

    Paulo Hora, “melhoria através da repressão”? Na Colômbia? Onde o narcotráfico controla metade do país, sequestra e mantém prisioneiros durante anos? Isso é melhorar? Pq vc não procura se informar sobre estes países que melhoraram coma legalização? Tem a Holanda, Os EUA, O Canadá, Portugal, Espanha etc…

  15. silvasaurosnet disse:

    OLÁ A TODOS, NÃO CONSIGO ENTEDER COMO A LEGALIZAÇÃO DAS DROGAS PODERIA SURTIR ALGUM EFEITO NOS VARIOS TIPOS DE VIOLÊNCIA GERADOS PELO USO DE QUALQUER QUE SEJA A DROGA. ASSIM COMO TAMBÉM VEJO QUE O MODELO ATUAL QUE EXISTE NO COMBATE AS MESMAS NÃO SURTEM MUITO EFEITO POSITIVO.DENIS O ALCOOL,O CIGARRO QUE SÃO DROGAS LEGALIZADAS CAUSAM VIOLÊNCIA E MORTES EM TODAS AS CAMADAS DA SOCIEDADE DO VELHO AO JOVEM DO RICO AO POBRE.ONTEM ASSISTIR A UMA OTIMA ENTREVISTA DO DR DRAUSIO VARELA NO RODA VIVA DA TV CULTURA E EM DETERMINADO MOMENTO MARILIA GABRIELA PERGUNTA (O BLOCO FALAVA SOBRE DROGAS) O PORQUE DA HUMANIDADE GOSTA TANTO DO USO DESTAS SUBSTÂNCIAS. DR BRAULIO RESPONDEU QUE TALVEZ FOSSE O PRAZER GERADO POR ELAS. SABE DENIS SINCERAMENTE ACHO QUE ESTÁ É UMA LUTA QUASE PERDIDA A NÃO SER QUE COM REPRESÃO OU LIBERALIZAÇÃO ENSINEMOS QUE ESTE PRAZER DO QUAL FALOU DR DRAUSIO É MOMENTÂNTENEO E TRISTE NO FINAL.COMO DR DRAUSIO AINDA CONFIO MAIS NA EDUCAÇÃO PARA MELHORAR O MUNDO. ABRAÇOS

  16. denis rb disse:

    Fernando,
    A guerra contra as drogas gera violência. A proibição gera violência, porque acua os usuários, tira do mercado os vendedores não-violentos e cria um clima em que quem tem a metralhadora maior domina o mercado. Por isso, precisamos nos livrar da proibição.
    Isso não significa “liberar tudo”. Significa que o estado vai poder regular (não dá para regular o que é proibido). Com regulação seria possível combater de um modo muito mais eficaz o mal que as drogas causam. Não se acaba com uma guerra com armas e polícia – se acaba uma guerra com inteligência e negociação. Precisamos acabar com essa guerra. Aí sim poderíamos investir em educação.

  17. Monica disse:

    Denis, sorte e sucesso nesta nova (e tão necessária) empreitada!

    Gostei do texto…todas as argumentações contrárias e favoráveis – de cunho político, econõmico, social, humano – ja estão mais que lançadas, o que me faz crer, cada vez mais, que a dificuldade em entender a necessidade de colocarmos em questão a política proibicionista e propormos alternativas mais inteligentes a ela, é mesmo de cunho moral.

    Acrescento, na sua argumentação a favor da regulação, por parte do Estado, de substâncias hoje elencadas enquanto ilícitas, que a curva de consumo do tabaco tem decrescido de forma significativa (diria até contundente), nas últimas duas décadas, fruto do aumento das pesquisas acerca dos efeitos das substâncias (como a nicotina e o alcatão) no organismo humano, de campanhas educativas (promoção e prevenção), da limitação das campanhas publicitárias, da conversa aberta e sincera sobre os malefícios, entre outros. A esperança é que consigamos fazer o mesmo com as demais substâncias, ao invés de tentar esconder este elefante debaixo do tapete!

  18. jorji disse:

    A violência jamais acabará, ela está no DNA humano, faz parte do mecanismo de evolução e seleção das espécies, existem uma infinidade de formas de violência, entre elas existe o crime, a sociedade se nutre e alimenta o crime, quem consome as drogas são gente como a gente, são as pessoas, que tem familia, eu sempre afirmo que o maior crime organizado é a própria sociedade, o tráfico de drogas não existiria se não não tivesse o consumidor, não existiria se o preço das drogas fosse pouco lucrativo, o traficante também tem mãe e pai, sejamos realistas, se analisarmos embasados em princípios que regem a sociedade, todos somos culpados, a minha insistência é que sejamos mais racionais em nossas análises, para discutir e ter dicernimento em relação a um assunto tão complexo, é preciso dominar fundamentos como psicologia, direito, antropologia, sociologia e principalmente biologia (área médica), sem a qual são palavras inúteis. A educação na qual se refere o Denis também terá pouca efetividade, talvez nenhuma, essa questão da droga não é uma guerra entre o certo e o errado, entre bandidos ou supostas vítimas, é uma questão tão simples, tão simples, simples demais, a ignorância que reina em todas as camadas de nossa sociedade é o fator de complicação, é a ignorância!

  19. jorji disse:

    Ignorância inclusive da imprensa no mundo todo, quem sou eu para julgar a imprensa, canso de ver em todos os meios de comunicação banalisando questões tão importantes, a mídia é denominado de quarto poder, a formadora de opinião, um exemplo lastimável foi a cobertura dos assassinatos de crianças na escola de Realengo, considerando o autor de “monstro”, sendo que o mesmo sofria de esquizofrenia e tinha passado por bullying, não estou querendo julgar o fato em si, mas foi lastimável, estar ao lado das vítimas eu entendo e apoio, mas a denominação de monstro feita pela imprensa teria que ser condenado, foi um absurdo, peço equilíbrio, ponderação, racionalidade, esse tipo de informação também é uma violência, por isso gostaria que o assunto drogas seja tratado de forma mais inteligente.

  20. Felipe disse:

    Denis, tem uma matéria interessante no Estadão hoje, “Expert em poluição só anda de bike em SP”, que é com Paulo Saldiva, Professor de Patologia Pulmonar na Faculdade de Medicina da USP – especialista que já foi entrevistado por você.

    “Ia para a USP de bicicleta em 1972, por aí. Como já remava na raia olímpica – fiz isso por dez anos -, acabei me acostumando ao exercício físico”, diz Saldiva. Ele afirma que, em São Paulo, é pior estar dentro do carro: os poluentes não têm por onde sair.

  21. Marcelo Fellows disse:

    Acho que temos um best-seller em gestação!!

  22. Marcelo Fellows disse:

    Entendo que este debate e o livro do Denis só vem contribuir trazendo luz para amadurecimento e reflexão de assunto tão delicado.
    O número estarrecedor de pessoas que assistimos destruídas pelas drogas – de comercialoização legal e ilegal – justifica e aponta que é chegado um momento de atitude.
    Se há um consenso é de que este dinheiro ilegal tem força corromper todas as instituições e que deve ser combatido a todo custo pelas pessoas de bem.
    Em minha (humilde) opinão o caminho mais óbvio para esta guerra é o da legalidade. Nem que seja com a tributãção da maconha servindo para rehabilitação e amparo aos detonados pelas vítimas crack.
    Temo imaginar em que resultaria em um plebiscito sobre o tema hoje em dia. E olhem que sou a plenamente a favor da democracia direta.
    E para que este debate não se transforme em uma guerra santa ou algo como a inquisição, que se lancem análises como o livro do DRB, ponderadando e abordando todos os lados da questão.

    Sds.,
    Marcelo

  23. Acir disse:

    Mais ingênua do que a pretensão de que a proibição seja uma solução definitiva é a idéia vigarista de que a legalização resolva qualquer coisa. Acreditar que legalizar drogas “leves”, se é que existe alguma, vai diminuir a violência é realmente patético, como se os traficantes fossem deixar de vender as outras mais pesadas. Como os políticos malandros, que sempre encontram uma solução fácil para os problemas difíceis (e.g.: cotas para universidade, desarmamento da população, bolsas e mais bolsas…), dizer que a proibição das drogas é a causa da violência é uma tremenda cafajestada, uma defesa basedada em argumentos simplórios e falaciosos. Mas, para a felicidade dos “usuários recreativos” (o termo politicamente correto para os maconheiros), é provável que algum político iluminado crie o Bolsa Erva, totalmente legalizado e com verba do governo. De um jeito ou de outro quem vai pagar a conta é quem trabalha e paga impostos.

  24. Luna disse:

    Pes no chao Acir e Jorgi…Enquanto outros voam. O problema e’ o cerebro humano.

  25. Marcelo disse:

    Quem trabalha e paga impostos já paga uma conta caríssima, Acir. Dinheiro desperdiçado por completo, já que os usuários simplesmente não obedecem (e nem deveriam mesmo) estas leis inúteis e preconceituosas. Vc sabia que grande parte do volume de drogas que circulam por aí são controladas e vendidas por policiais? Vc está pagando para traficantes com distintivos “combaterem” as drogas. Inteligente isso não?

  26. Marcelo disse:

    Acir, de fato os trficantes não deixarão de vender drogas mais pesadas. Mas quando eles não tiverem mais o monopólio sobre a maconha suas receitas diminuiram para menos da metade. Ou seja, menos dinheiro para comprar armas e contratar jovens nas periferias (vc já ouviu falar no crime organizado na Holanda? Não. pq lá eles não têm o poder que têm em países que proíbem como o Brasil, os EUA, o México, etc…).

  27. Marcelo disse:

    OPS… que desatenção a minha… O certo é “diminuirão” e não “diminuiram”

  28. reynaldo disse:

    Muitas sociedades indígenas, todos sabem, usam drogas e às vezes drogas pesadíssimas. Já li centenas de livros de antropologia e nunca topei com nenhum relato relativo a viciados em droga entre índios. Em parte porque o uso é ritualístico, e o ritual é governado pelos mais velhos, guardiões da tradição, em parte porque o sujeito está, no dia a dia, mais interessado em caçar, nadar, cantar, dançar, conversar, conviver, contar e ouvir histórias, namorar e fazer amor, essas coisas simples que são a essência da vida humana. Nós e os indígenas pertencemos todos à mesma espécie humana, nenhuma dúvida, portanto, possuímos idêntica estrutura física e cerebral, correto? Porque nossa sociedade é tão penalizada, não pelo uso, mas pelo abuso de drogas, legais ou ilegais? E porque o problema se agrava a cada ano? (visito cidades do interior do país que há três ou quatro anos não conviviam com o crack mas já começam a ter problemas com essa droga devastadora). Comparemos com um fenômeno que parece estar ocorrendo em todo o mundo “desenvolvido”: existe cada vez mais gente, crianças inclusive, obesa e malnutrida. As crianças estão tendo pressão alta, diabetes, altas taxas de colesterol, etc., problemas de gente idosa. As pessoas estão comendo mais e pior. O mundo em que vivemos fomenta a ganância, a avidez, o desejo de consumo ilimitado e penso que é essa tendência de desarraigamento, de falta de limites, que está por trás tanto do abuso de drogas quanto do consumo inconsciente e exagerado de todo tipo de lixo produzido pela indústria: sanduiches, biscoitos, novelas, filmes, maconha, cocaína, crack, etc. O uso de drogas nunca foi um problema grave, nunca desestruturou uma sociedade, como querem os moralistas. Mas o abuso é, sim, um problema. Pergunto: se a liberação é feita no contexto de uma sociedade que incita o abuso, vale a pena?

  29. jorji disse:

    A maior parte dos países produtores de petróleo são pobres, os maiores consumidores de derivados do petróleo são ricos, a maior parte dos países produtores de drogas são pobres e violentos, os países que mais consomem drogas são ricos e com menores índices de violência, porque? É elementar meus amigos, nos países ricos tudo é muito organizado e portanto disciplinados, até o criminosos são mais organizados e atuam de forma mais sostificada, o crime em países desenvolvidos tem regras, tem comando com hierarquia, mata pouco e lucra bastante, solução para a questão das drogas não existe, acabar com o crime impossível, o caminho é buscar alternativas para tornar essas questões menos traumáticas em países pobres, só existe um caminho, o desenvolvimento da sociedade num todo, seja econômico, seja cultural e de conhecimento, povo inteligente, crime aceitável.

  30. jorji disse:

    A droga que mais mata é o álcool, imaginem se proibissem e incriminassem o comercio e o consumo da pinga, cerveja , uíque, champanhe………..eu ia enlouquecer, ia ficar pirado, quando estou tritezinho ou deprimidinho, uma cerveja resolve qualquer problema de natureza neurológica no meu caso, resolve mais que carinho de mulher.

  31. denis rb disse:

    Acir,
    Releia os dois últimos parágrafos do texto e você vai perceber que ninguém aqui está dizendo que o fim da proibição das drogas resolve todos os problemas. É o contrário disso: a proibição é que foi uma tentativa ingênua e autoritário (embora de certa forma bem intencionada) de resolver os problemas como se fosse mágica. Obviamente deu errado. A proibição é o típico exemplo de solução fácil para problema complexo que os políticos inventam. Acabar com a proibição não vai resolver os problemas, mas pelo menos para de causá-los.

  32. Claudio disse:

    Parabéns Denis!! Nada como expor a verdade para esclarecer mentes estagnadas incapazes de enxergar o óbvio.

  33. nelson disse:

    O dia em que os consumidores de qualquer droga entenderem que eles são co-responsáveis pelas consequências geradas pelas drogas teremos um panorama menos complicado para administrar. Enquanto estiverem achando que não têm responsabilidades na rede do crime, não dá para discutir o assunto em questão.

  34. Claudio disse:

    O dia em que proibicionistas entenderem que essa proibição não funciona; que defendem medidas fracassadas, que gerou tráfico, corrupção e violência; e quando entenderem o que significa legalização, o assunto em questão nem precisará ser debatido.

  35. Marcelo disse:

    Proibicionistas são utópicos:
    “O dia em que os consumidores de qualquer droga entenderem que eles são co-responsáveis pelas consequências geradas pelas drogas”.
    Ah tá. Então, em vez de legalizar e viver em paz respeitando a liberdade individual de cada um, vamos esperar que milhões e milhões de pessoas (cujo número só aumenta graças a décadas de políticas equivocadas) “tomem consciência de sua responsabilidade social” e parem de usar drogas para vivermos em paz. Já que estamos na àrea dos sonhos impossíveis e contos de fadas, que tal chamar Papai Noel, ou sei-lá… O Super Homem e a Liga da Justiça para ajudar no esforço de conscientização?

  36. nelson disse:

    “Então, em vez de legalizar e viver em paz respeitando a liberdade individual de cada um…”. O que isso quer dizer? Que a utilização de drogas está no âmbito da liberdade individual? Que tese estúpida é essa? A questão não é individual ou pessoal e nunca será. Se assim fosse seria fácil resolver. O âmbito é outro. É o coletivo!!!! Desejam que a maconha seja legalizada, mas não explicam por qual razão deve-se manter as demais drogas na ilegalidade. Por que elas são mais fortes e a maconha não? Então ficamos assim, só vou por a cabecinha tá? E eu é que sou utópico!!

  37. Marcelo disse:

    Nelson,
    Na minha opinião todas as drogas devem ser tratadas dentro da legalidade (o que não quer dizer que todas devem ser simplesmente legalizadas). A maconha, a mais inofensiva de todas, inclusive mais inofensiva do que drogas hipocritamente legalizadas(e que talvez até vc mesmo consuma ocasionalmente) como o álcool e o cigarro, deve ser legalizada e sua produção e comércio regulamentados e taxados pelo Estado, que poderia usar o dinheiro para investir em prevenção, educação e saúde.
    Não quero que o estado gaste o dinheiro que sai do MEU bolso tentando inutilmente proteger de si mesmas pessoas que não dão a mínima se uma bala perdida comprada com dinheiro de drogas vai acertar um familiar meu.
    Querem se drogar? Por mim que se droguem a vontade. Basta que não perturbem a minha paz entregando dinheiro para criminosos violentos que compram fuzis e contratam crianças para serem soldados nas periferias.
    Para encerrar, vou por só a cabecinha também: vc sabia que grande parte do volume de drogas que circulam por aí é controlado e vendido por policiais? Vc está pagando para traficantes combaterem as drogas.
    Inteligente isso, não?

  38. denis rb disse:

    nelson,
    Política pública, num mundo ideal, deveria se feita de maneira racional, a partir da observação de resultados e de decisões técnicas que aumentem a eficiência, diminuam o sofrimento e reduzam custos, financeiros e sociais. No caso da droga, acontece quase o contrário: tomamos decisões a partir de paixões, certezas morais e preconceitos, sem nenhuma base na observação factual. A maioria dos especialistas em política pública defende que a proibição das drogas – que obviamente falhou e criou mais problemas do que resolveu – seja removida de maneira gradual, cuidadosa, para proteger a sociedade de efeitos inesperados. Por isso, faz todo sentido começar a mudança por uma droga que comprovadamente tem baixo custo social e causa poucos efeitos negativos: a maconha. A partir da observação do que acontece com o fim da proibição da maconha, será possível planejar outras mudanças. Mas é fato que a descriminalização do uso de qualquer tipo de droga tem se demonstrado extremamente bem sucedida em países como Portugal, Suíça e Holanda.
    É bom lembrar que drogas como o crack e a heroína só passaram a existir depois da proibição. Elas são consequência de um mercado desregulamentado e dominado pela violência e pelo moralismo. Em outras palavras: tenho bastante certeza de que, se a proibição não existisse, o crack também não existiria (o que não quer dizer que o crack vá desaparecer se a proibição acabar, uma vez que o número de viciados já é gigantesco).

  39. Claudio disse:

    “Desejam que a maconha seja legalizada, mas não explicam por qual razão deve-se manter as demais drogas na ilegalidade..”
    .
    Legalizaram o álcool depois de anos de proibição totalmente fracassada. Nunca proibiram o comércio de tabaco, apesar dos graves danos à saúde. Por que razão manter a maconha (que nunca fez vítimas por ser consumida) na ilegalidade? Quantas pessoas já morreram pela forma com que ela vem sendo comercializada?
    .
    Como o colega abaixo disse, a legalização deve acontecer gradualmente, começando pela maconha por ser uma droga menos danosa que o álcool, menos letal que o cigarro, por ter alta demanda e por ser responsável por mais da metade dos lucros dos traficantes.
    Traficantes e marginais não são os mais indicados pra “controlarem” mercados, principalmente o das drogas. Só com a legalização da maconha o tráfico sofreria uma perda de 60% nos lucros.
    Todas as drogas estão sendo consumidas, e todas as declaradas ilícitas sem o menor controle. A proibição não impediu o surgimento do Crack, e agora do Oxi, nem tão pouco que pessoas se viciassem. Da mesma forma que surgiram bebidas de altíssimo teor alcóolico durante a época da proibição do álcool, está acontecendo agora com as drogas ilícitas. Não deveríamos estar cometendo os mesmos erros do passado. A melhor forma de derrubar um mercado é abrindo uma boa concorrência, como foi feito com o álcool. Legalizar não é liberar traficantes e usuários para atuarem à vontade, é controlar de forma responsável mercado e consumo.

  40. Religado disse:

    Ufa, finalmente uma luz no fim do túnel!
    Parabéns, Denis!
    É preciso apontar o dedo àqueles alcoólatras e tabagistas proibicionistas que, sentados sobre o alto de uma montanha com 500 mil cadáveres – meio milhão de mortos a cada dez anos no Brasil – odiosamente condenaram, barbaramente perseguiram e genocidamente exterminaram centenas de milhares de maconheiros no Brasil, durante quase 100 anos, ininterruptamente.
    Por isso, valem as sábias palavras do Professor Fernando Henrique Cardoso, que somam-se às palavras do Deputado Paulo Teixeira e, também, às nossas:


    Abraços.

  41. Discriminado disse:

    Bom dia, Denis.
    Ninguém, absolutamente ninguém pode ser privado de seus direitos nem sofrer quaisquer restrições de ordem jurídica por motivo de sua orientação espiritual ou religiosa. Isso significa que também os maconheiros, da religião rastafári, têm o direito de receber a igual proteção das leis e do sistema político-jurídico instituído pela Constituiçã‬o. Essa é a lei. O reconhecimento do plantio caseiro de uma planta em um vaso não afeta qualquer direito de terceiros ou qualquer bem jurídico. A sua recusa é uma medida autoritária.
    Duas questões são abominadas por força da Constituição Federal da República Federativa do Brasil: A Intolerância e o Preconceito.
    A Constituição Federal de 88 prima pelo reconhecimento e pela proteção dos direitos fundamentais, bem como prima por uma acolhida generosa da vedação de todo tipo de discriminação, principalmente essa que tem feições de ódio contra os maconheiros brasileiros, e que requer solução imediatamente.
    O reconhecimento dos direitos oriundos dos maconheiros em plantar uma erva caseira num único vaso encontra seus fundamentos em todos os princípios constitucionais que estabelecem direitos fundamentais – normas essas, auto-aplicáveis. Todas as formas de preconceito merecem repúdio de todas as pessoas que se comprometam com a democracia. Contra todas as formas de preconceito, há o direito constitucional. O livre arbítrio também é um valor moral relevante.
    O Brasil vencerá a guerra desumana contra o preconceito.
    A pretensão é que se confira juridicidade a esse plantio caseiro de uma planta 100% natural, para que os maconheiros possam sair do segredo, sair do sigilo, vencer o ódio e a intolerância em nome da lei. Uma sociedade decente á uma sociedade que não humilha seus integrantes.
    O reconhecimento legal desses direitos responderá ao grupo de pessoas que durante longo tempo foram humilhadas, cujos direitos foram ignorados, cuja dignidade foi ofendida, cuja identidade foi denegada e cuja liberdade foi oprimida. O STF, ou o Congresso Nacional, lhes restituirão o respeito que merecem, reconhecendo seus direitos, restaurando sua dignidade, afirmando sua identidade e restaurando a sua liberdade. As sociedades se aperfeiçoam através de inúmeros mecanismos e um deles é a atuação do Poder Judiciário, superando barreiras e estimulando a tolerância ao dar um fim a esta discriminação e humilhação de alguns de seus membros.
    Assista, com Fernando Henrique Cardoso:

    Abraço.

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