Drogas, alavancas e cachorros deprimidos

Em 1967, um pesquisador fez um experimento clássico da história do comportamento animal. Ele colocou três grupos de cachorros em três jaulas separadas. Uma era o grupo-controle, onde nada acontecia. Nas outras duas, o cientista aplicou choques elétricos dolorosos nos cachorros – naqueles tempos, os cientistas não davam muita bola para os direitos dos animais. Em cada uma das duas jaulas, havia uma alavanca. Numa delas, quando os cachorros batiam na alavanca, o choque parava. Na outra, não. O choque parava e recomeçava, mas sem que os cachorros tivessem qualquer controle.

Isso não vai dar certo

Aí, num segundo momento, os coitados dos cachorros foram colocados numa sala com uma cerca baixa e de novo receberam choques. Dessa vez, era fácil escapar da dor: bastava pular por cima da cerca e os choques paravam. Os cachorros do grupo-controle e os que, na primeira fase do experimento, ficaram na sala onde a alavanca funcionava, escaparam tranquilamente da tortura. Os que estavam na sala onde a alavanca não funcionava, no entanto, ficaram estendidos no chão, ganindo, levando um choque atrás do outro, sem se mover. Eles tinha aprendido a não ter esperança.

A teoria da “learned hopeleness” (desesperança aprendida), elaborada pelo psicólogo americano Martin Seligman a partir desse experimento, foi muito citada ontem em Washington no Transparency Camp, uma conferência da qual eu participei que discutia transparência pública e participação cívica. Estávamos conversando sobre esse senso de apatia que domina a política no mundo. Por toda parte (inclusive aqui na área de comentários deste blog), se ouve com frequência comentários do tipo “isso nunca vai mudar, as pessoas são más, a política nunca vai funcionar, não adianta querer fazer as coisas de um jeito diferente, qualquer tentativa de transformar o mundo é ingenuidade”. Isso é “desesperança aprendida”. Puxamos tanto as alavancas sem ver as coisas fundamentais mudarem que ficamos como os cachorros da última sala: deitados no chão, deprimidos, achando que no final vai dar tudo errado.

Isso me faz pensar no tema da pesquisa que estou fazendo agora: política de drogas. Oitenta anos atrás, um grupo de idealistas utópicos com inspiração religiosa, movidos pela boa intenção de tentar acabar com o sofrimento causado pelas drogas, resolveu inventar um sistema ultra-radical para lidar com esse problema: a proibição. Eles puxaram as alavancas, proibiram as drogas e nada mudou: o sofrimento continuou. Ao longo das décadas, o que eles fizeram foi tornar o projeto deles cada dia mais radical: a cada década gastou-se mais com armas e prisões para acabar com as drogas. Quanto mais radical a proibição, maior o sofrimento, maior o consumo de drogas, mais problemas eram causados por elas.

A proibição falhou, obviamente. Todos os países do mundo tentaram, nenhum conseguiu. Mas nossa sociedade está tão tomada por um senso de “desesperança aprendida” que não há espaço para ideias. Só o que é permitido é mais do mesmo. Os defensores do radicalismo da proibição bloqueiam qualquer tentativa de discutir o assunto e de chegar a uma política menos ingênua para lidar com as drogas. É proibido discutir, é proibido debater, é proibido propor, é proibido pensar. Só o que se permite é ficar deitado no chão, ganindo. Pior, quando alguém tenta dar alguma ideia nova, a matilha de cachorros deprimidos parte para cima, a dentadas.

48 comentários
  1. Fabio disse:

    A boa noticia eh que o que foi aprendido poder ser des-aprendido !

  2. meandros disse:

    Denis, apenas uma pequena correção. Sou psicólogo e o termo neste caso usualmente utilizado no português do Brasil é “desamparo aprendido” e não “desesperança”. Abraço!

  3. Leonardo Xavier disse:

    Denis, eu confesso que parece que há dias que essa sensação que realmente não dá para mudar o mundo aparece. No entanto, tem dias que você para e observa que tem tanta gente fazendo tanta coisa fantástica que você realmente tem esperança que a humanidade consiga solucionar a maioria desses problemas e se possa ter um mundo melhor.

  4. Claudia Chow disse:

    Eu so achava q esse experimento era com macacos e nao cachorros.

  5. André disse:

    Sua pesquisa é fundamentada na possibilidade do convívio “normal” das drogas legalizadas? Sinceramente tenho medo! Caminhando pela cidade vi um homem exibindo uma espingarda na calçada, me borrei, mas legalmente o cara não fazia nada de errado, mas isso causa uma estranheza imensa.

  6. denis rb disse:

    Oi meandros,
    Agradeço a correção, mas acho que vou deixar assim. Embora não seja o termo usualmente empregado, me parece que “desesperança” é mais fiel ao termo original em inglês e que traduz melhor o paralelo com nossa relação com a política. Ok?
    abs

  7. denis rb disse:

    Essa sensação é totalmente compreensível, Leonardo Xavier. Também sinto às vezes. Mas precisamos lutar contra ela porque ela atrapalha. Ela é ruim para o mundo. E ela é contraprodutiva. Ficar deitado ganindo enquanto leva choque, quando um pulinho pode resolver o problema, é contraprodutivo.

  8. denis rb disse:

    André,
    Minha pesquisa é em busca de modelos que não causem desgraça, sofrimento e violência a mais do que o necessário. A proibição que temos hoje em dia é criminosa. Precisamos nos livrar dela. Não significa implantar um “liberar geral”. Significa pensar a sério no assunto, experimentar coisas, controlar, regular, usar a cabeça. É claro que entendo seu medo. Mas não podemos deixar o medo nos paralisar. Do jeito que está, tá ruim demais.

  9. Marcelo disse:

    Armas me assustam também, André. Creio que se não fosse assim tão fácil para criminosos violentos enriquecerem com dinheiro de drogas veríamos bem menos armas e violência em nossas cidades. Enquanto eles tiverem este monopólio seremos reféns do medo.

  10. Gino Carvalho disse:

    Essa experiência, parece-me mais uma daquelas inventadas e enviadas naqueles powerpoints cheio de musiquinhas que circulam na internet…

  11. denis rb disse:

    Gino Carvalho,
    Não sei dizer, porque jamais abro esses powerpoints, tenho mais o que fazer. Mas o exeprimento que eu citei não tem nada de inventado. Seguem as referências bibliográficas para o caso de você querer se aprofundar mais:
    Seligman, M.E.P. (1975). Helplessness: On Depression, Development, and Death. San Francisco: W.H. Freeman. ISBN 0-7167-2328-X
    Seligman, M.E.P. and Maier, S.F. (1967). Failure to escape traumatic shock. Journal of Experimental Psychology, 74, 1–9

  12. jorji disse:

    Havia um tempo que a depressão era coisa de gente fraca, psicólogos diziam que a causa era como a pessoa havia sido criada pela mãe, hoje já se sabe que o problema é de natureza hormonal, havia um tempo que se dizia que um serial killer era um monstro, hoje já se sabe que é uma doença, causado também por questões hormonais, havia um tempo que se dizia que impotência sexual era problema psicológico, hoje se sabe que a maior parte da causa é biológico, assim por diante, a ciência tem evoluido a passos largos, mas o conceito das pessoas praticamente continua igual nestes últimos 10.000 anos de história do homem moderno, é impressionante, ainda tem pessoas que acreditam até em horóscopos, numerologia entre outras infinidades de besteiras que fazem parte do cotidiano das pessoas, o interesse pela ciência faz parte da vida de uma minoria, muitos vão à escola, estudam evolução mas preferem acreditar no criacionismo, querer que a grande maioria das pessoas acreditem que a proibição do comercio de drogas causa um mal maior na sociedade, é querer exigir demais de nossas inteligentíssimas autoridades, políticos, de nosso povo, por muito tempo ainda teremos que conviver com leis incriminando o uso e comercio das drogas, a curto e médio prazo não mudará essa política de combate às drogas, falta ciência e menos religião.

  13. Marcelo Fellows disse:

    Sabemos que muitos bem intencionados defendem a proibição da venda da cannabis, só para dar exemplo. Eles ingenuamente acreditam que deste jeito estão protegendo a sociedade de algo que invariavelmente vai atacar suas instituições destruindo a saúde, o caráter e a moral de seus cidadãos.

    Entendo que estes que defendem essa ilegalidade devem ser levados a conhecer realidade do número de pessoas, que também são do bem e que fazem uso recreativo destas substancias – ilegais hoje – sem abrir mão de suas responsabilidades, e não querem ver o seus valores escorrendo para o meio sujo da corrupção e ilegalidade. Certamente são dezenas de milhões de pessoas neste país e algumas centenas de milhões em todo mundo.

    É um numeroso absurdamente fora de controle, em que podemos nos basear, para afirmar que não serão somente os decretos de probição que vão inibir esta prática. Os valores astronômicos envolvidos nesta cadeia ecônomica inviabilizam qualquer iniciativa neste sentido.

    Sempre vai existir um grande traficante que assumirá os riscos, alimentando o discurso hipócrita da proibição, mas faturando muito alto com o comércio ilegal e fazendo apodrecer o dinheiro de milhões de usuários e que servirá para corromper setores de importantes instituições da sociedade para justamente viabilizar seu negócio.

    É preciso também apontar o dedo no mal gerado pela industria de bebidas que finalmente começa a assumir sua parcela de culpa na destruição de vidas e lares trazido pelo alcool. Algo parecido com que começa a ocorrer com a industria tabagista que começa a ter que ressarcir parte dos danos que seus produto causou. Seria interessante que a industria das drogas legais utilizadas para a diversão seja enquadrada da mesma forma neste debate, pois suas mercadorias também podem causar danos às pessoas em particular e a sociedade em geral.

    Entendo ainda que a principal essência da lei é garantir que todos são livres para fazer o que bem entender desde que isso não incomode o vizinho e que o imposto embutido na sua diversão cubra o dano proveniente de seu hábito e lazer.

    Então ouso sonhar que o dinheiro utilizado na comercialização das substâncias hoje entendidas como ilegais seja gasto e ganho com transparência e responsabilidade.

    As leis evoluem. O absurdo da escravidão era legalizado e isso não tem tanto tempo assim. Gosto de imaginar quando, daqui há alguns anos, olharemos para trás com orgulho da coragem com que enfrentamos e conduzimos a evolução deste assunto.

    Essas práticas, milenares, precisam ser discutidas para que a sociedade caminhe em direção a um futuro sem hipocrisias e setores da economia movidos por atividades marginais.

    Sem nenhum tipo de censura às idéias. Sem medo de ter medo!

  14. André disse:

    Acho comparável a discussão da legalização do aborto com a das drogas. O Dr. Druazio Varella foi claro qnto isso no Roda Viva “Se vc é contra o aborto não o faça, mas o Estado deve dar suporte para os que optam por tal façam de maneira segura”, feito! Ambos grupos tem amparo numa opinião meio que intermediária.
    Qnto as drogas… acho cabivel a comparação pq ambos grupos devem ser “amparados”, mas é muito mais complexo pq não vejo um ponto intermediário, uma das opiniões prevalece: legaliza ou não.
    Ah Denis, vai aí uma referência, ele tbm falou de drogas, ele falou na msm linha de pensamento que vc defendeu em um post (não lembro de qual)
    http://www.tvcultura.com.br/rodaviva/programa/1252

  15. reynaldo disse:

    Gente, vamos contextualizar! Muitas sociedades indígenas, todos sabem, usam drogas e às vezes drogas pesadíssimas. Já li centenas de livros de antropologia e nunca topei com nenhum relato relativo a viciados em droga entre índios. Em parte porque o uso é ritualístico, e o ritual é governado pelos mais velhos, guardiões da tradição, em parte porque o sujeito está, no dia a dia, mais interessado em caçar, nadar, cantar, dançar, conversar, conviver, contar e ouvir histórias, namorar e fazer amor, essas coisas simples que são a essência da vida humana. Nós e os indígenas pertencemos todos à mesma espécie humana, nenhuma dúvida, portanto, possuímos idêntica estrutura física e cerebral, correto? Porque nossa sociedade é tão penalizada, não pelo uso, mas pelo abuso de drogas, legais ou ilegais? E porque o problema se agrava a cada ano? (visito cidades do interior do país que há três ou quatro anos não conviviam com o crack mas já começam a ter problemas com essa droga devastadora). Comparemos com um fenômeno que parece estar ocorrendo em todo o mundo “desenvolvido”: existe cada vez mais gente, crianças inclusive, obesa e malnutrida. As crianças estão tendo pressão alta, diabetes, altas taxas de colesterol, etc., problemas de gente idosa. As pessoas estão comendo mais e pior. O mundo em que vivemos fomenta a ganância, a avidez, o desejo de consumo ilimitado e penso que é essa tendência de desarraigamento, de falta de limites, que está por trás tanto do abuso de drogas quanto do consumo inconsciente e exagerado de todo tipo de lixo produzido pela indústria: sanduiches, biscoitos, novelas, filmes, etc, etc. O uso de drogas nunca foi um problema grave, nunca desestruturou uma sociedade, como querem os moralistas. Mas o abuso é, sim, um problema. Pergunto: se a liberação é feita no contexto de uma sociedade que incita o abuso, vale a pena?

  16. Emmanuel disse:

    Não é proibido debater…Mas é evidente que se fosse legalizada uma droga como o crack seu consumo explodiria e a devastação na sociedade seria enorme.Além do mais vc diz que o estrago das drogas aumentou “por causa” da política de repressão, uma outra ótica seria que ele aumentou apesar dessa política.Se não fosse a repressão estaríamos muito pior.Além do mais, como assim a “proibição falhou” porque todos os países que tentaram nenhum conseguiu banir definitivamente?…Por esse raciocínio nenhum país conseguiu impedir o assassinato e o estupro e nem por isso vamos desistir da proibição.Não acho que seja ingenuidade tentar mudar o mundo, mas acho que é ingenuidade presumir que só porque as mudanças não estão ocorrendo na velocidade que gostaríamos a saída é tomarmos o rumo oposto.Por fim essa decisão não poderia ser tomada por qualquer país sozinho, se o Brasil hoje decidisse legalizar,mesmo apenas a maconha, traficantes e consumidores do mundo inteiro viriam para cá, e de certa forma estaríamos prejudicando nações amigas.Em um exemplo extremo, se a cocaína fosse legalizada poderíamos acabar financiando as FARC e portanto desestabilizando um país amigo, a Colômbia

  17. daniel cavalcantio xavier disse:

    não é verdade então que o talebã quase acabou com o tráfico de heroína…

  18. daniel cavalcantio xavier disse:

    quer dizer que métodos a la enver hoxha contra pobremas sociais como o tráfico não dariam certo denis russo ?

  19. Felipe disse:

    Pra mim devia legalizar a erva. Crack e ainda o oxi que tá chegando nas metrópoles vindo do norte do país – que por incrível que pareça falam que é pior que o crack – não deveriam…O tratamento desse dependentes devia começar justamente com a erva, pra sair do crack e do oxidante.

  20. Anonymous disse:

    O certo não seria “a dentadas” em vez de “às dentadas”? O único “a” que cabe aí é o de preposição, né não? Não tem como ter o artigo que justificaria o plural e a crase em “às”…

  21. denis rb disse:

    Pois é, Anonymous,
    Eu tinha errado por querer só para ver se vocês estavam atentos.
    Parabéns🙂

  22. denis rb disse:

    Emmanuel,
    Obrigado pelo tom respeitoso e equilibrado.
    Olha só: acho sim que há indícios bem fortes de que o aumento do estrago causado pelas drogas é uma consequência do aumento do radicalismo da proibição. Sua tese de que seja “apesar de” parece improvável diante do fato de que, ao redor do mundo inteiro, comunidades que reduziram a agressividade da proibição vivenciaram como consequência uma melhora de vários indicadores. O caso de Portugal, muito bem documentado, é exemplar. Por lá, a descriminalização do uso de todas as drogas resultou na diminuição do índice de uso de drogas perigosas, redução da contaminação de aids, redução da violência, aumento do número de pessoas que buscaram tratamento, redução do dano social, do consumo, da dependência. Estou neste exato momento num outro lugar exemplar: Oakland, na Califórnia, que saiu à frente na legitimização da indústria de cannabis medicinal. Por aqui, é evidente o quanto a coisa melhorou. Oakland era a cidade mais violenta dos Estados Unidos, recordista em homicídios, tomada pelo tráfico de drogas. Agora sedia uma indústria vibrante e milionária, atrai turistas que compram souvenirs de Oaksterdam e está muito mais segura e bem cuidada porque os dispensários de maconha, num esforço de relações públicas, está ajudando a melhorar o espaço público, iluminando e revitalizando o centro.
    Veja só: eu não defendo a “legalização”. Defendo a regulação. Hoje, do jeito que está, o estado está abrindo mão do seu papel. Manda a polícia lidar com as drogas e não se preocupa em cuidar das pessoas. Como resultado, entrega o monopólio das drogas a bandidos. Num ambiente de legitimização, o estado pode atuar de maneira muito mais positiva, revitalizando áreas da cidade e cultivando o empreendedorismo.

  23. Marcela Del vechio disse:

    Que surpresa boa os comentários daqui.
    Sou jornalista e leio milhares de comentários por semana, e este é, de longe -na grande mídia- um dos de mais alto padrão que já vi.
    Quase não vi preconceito, fiquei feliz.

    As drogas são o pior problema social moderno. Estão devastando sociedades, controlando comportamentos, escolhas. Não pense que nos altos escalões seja diferente. Desde pequena lembro dos amigos de uma conhecida que pegavam o trem com malas de cocaína, em direção à Brasília….
    POr isso é tão difícil uma discussão séria, com amparo do estado. A sociedade já está infectada com o comportamento de adictos -orgulhosos, egoístas, vingativos. A nossa sociedade narcotizada por bebidas, cigarro, comidas cancerígenas, também tem este comportamento viciado.

    Então, antes de discutir aborto, drogas, política, religião, devemos discutir comportamento e uam forma de mudar os paradigmas da sociedade.

    bjos a todos

  24. reynaldo disse:

    Concordo com Marcela que a discussão primordial é que passa pelos paradigmas sociais. Todos sabem que vivemos numa sociedade que incentiva o consumo desvairado, que produz stress, pressa, falta de concentração mais básica, concentração necessária para contemplação ou apreciação de coisas delicadas. Há alguns anos atrás era veiculada uma propaganda de um sujeito de terno dentro de uma sala e ele girava em círculos cada vez mais rapidamente, o que simbolizava o executivo que cheira pó para entrar na luta encarniçada para acumular capital, o qual serve para comprar pó para acumular capital e assim por diante. Conheço gente que precisa de fumar maconha para fazer tudo: escrever a tese de doutorado, ir ao cinema, comer melancia ou montanhas de sorvete, transar com a namorada. Uma sociedade que promovesse em larga escala o uso cotidiano de prazeres sutis daria muito mais importância a esses prazeres mesmos do que aos aditivos que supostamente serviriam para potencializá-los. Entre os sertanejos cansei de ver aqueles tipos calmos, lentos, que levam quinze minutos para preparar a palha com todo o esmero, picar o fumo de rolo, deschavá-lo na palma da mão com toda a tranquilidade do mundo, enrolar o pitoso, dar três tragadas prazerosas e colocar o toco na orelha para saborear um pouco mais, meia hora depois. Pergunta: alguém conhece um fumante de cigarro industrializado que não é viciado, que fuma dois ou três unidades ao dia, tragando a fumaça com o olhar ao longe, perdido em pensamentos? É todo um ciclo, um sistema que engendra o modo de produzir, o produto e o ato de consumir: o cigarro já pronto despensa o prazer de produzi-lo artesanalmente, é uma coisa a ser usada e descartada, às vezes pela metade, na rua, inconscientemente, para logo depois sacar da cartela outro e mais outro. Produção industrial, morador de metrópole estressante, fumante inveterado que consome muito cigarro incentivando a produção industrial que incentiva o consumo que gera o lucro para o capitalista na base do crescimento do consumo. Ciclo infernal.

  25. Joshua disse:

    Concordo com a Marcela, os comentários do Sustentável é Pouco é massa, do babado!

    Bj Denis

  26. Régio Menezes disse:

    Permitam-me minha opinião. A sociedade indígena primitiva usava suas drogas alucinógenas para alcançar a divindade ou para rituais de congregação e chefia. Que eu saiba, e por favor me corrijam, nenhum índio foi assassinado por um camarada de tribo porque este último precisava fumar o “cachimbo” da paz e estava sem dinheiro para pagar uma “parada”, nem que um cacique matou o índio(na imensa maioria quase curumins) porque não pagou o fumo que ele vendeu fiado. Crer que a liberação é a melhor maneira de resolver o problema seria o mesmo que acreditar que os traficantes,de uma hora para outra ficariam conformados e preocupados com a saúde dos seus clientes, colocando no mercado produtos menos nocivos,que viciassem menos, ou que fossem submetidos à fiscalização “rigorosa” de nossas agências. Na nossa sociedade as pessoas usam drogas ( e aí, temos de incluir o álcool, claro), por dois motivos: ou são viciadas e já não controlam a sua capacidade para se livrar da modificação química em seus corpos, ou o fazem por prazer, para ter um tipo de “barato”. Os primeiros precisam de tratamento urgente para não morrerem ou matarem inocentes, e isso pra quem não é rico, é bancado de forma ineficaz pelo governo ou sempre em dificuldades financeiras, quando se fala de entidades fialtrópicas.Se eles não são viciados e o fazem para atingir algum “orgasmo cerebral”, devem estar atentos às responsabilidades que isso implica, assim como quem bebe e dirige sabe que pode matar alguém, receber uma baita multa, etc. A política repressiva não deu certo,ok, mas quem garante que sem ela seria melhor? Na nossa pátria tupiniquim,atualmente, a informação é fluida, a sociedade é disforme, sem referenciais e educação de qualidade. Precisamos determinar quais os valores sociais que devem ser os nossos guias: liberdaed acima da responsabiliade? solidariedade acima do prazer? epor aí vai e daí diferenciar o certo do errado antes de vir com propostas heterodoxas de combate às drogas. Imaginemos, num país em que reina a corrupção, a falência das instituições, o consumismo extremado, uma desorganização geral na infra-estrutura, o eterno desdém dos governantes, se libere as drogas, por exemplo, começando com a maconha. Bem, vamos lá, a maconha não faz mal, e tal, não vicia, é só para dar prazer. Muito bem, quem irá regular a produção e os meios de preparo da cannabis? O “produtor” regulamentado pelo governo iria pagar um batalhão de impostos e o produto final sairia bem mais caro do que o consumidor iria pagar na boca de fumo “informal” que , claro continuaria a contrabandear tudo de nossos irmãos sul-americanos: esse contrabando seria combatido, ou abriríamos as porteiras do país? calroq ue não, amigos, contrabando é copntrabando e deve ser combatido, e aí, olhem o apradoxo, mesmo com a liberação, continuaria a repressão. E quem garante que não fariam uma forma de tornar a maconha que “não vicia” em uma erva que trouxesse a dependência? e o governo criando uma agência regulamentadora do setor de “fabricação de fumo”, que de vez em quando seria alvo na imprensa de falcatruas ou escândalos mil. E olhem, estou falando só da maconha, nem baixei o nível para o crack… Concluindo o “jornal” creio que, bem antes de discutirmos a “liberação geral”, precisamos transformar nosso país numa sociedade de verdade, com ideais coesos, onde se dê o mínimo de capacidade de discernimento à população para que possa escolher o seu destino sem criar mais um equívoco sem volta. Não podemos, no meu entender, cometer o equívoco de comparar uma sociedade européia antiga, desenvolvida, com bons níveis educacionais e boa estrutura de serviçoes públicos, com o nosso país que está anos-luz de ser uma civilização em termos de organização.

  27. denis rb disse:

    Pois é, Régio Menezes,
    É justamente isso que estou vendo acontecer aqui em Oakland, na Califórnia, uma cidade que já foi dominada pelo tráfico e que tinha o maior índice de crimes violentos dos EUA. Aqui, por via da lei da “maconha medicinal”, ocorreu uma legalização de fato. O que estou vendo com meus próprios olhos é que a indústria da cannabis está trazendo prosperidade e turistas para o centro da cidade. Preocupados com a legitimização, os comerciantes têm uma participação intensa nos assuntos da cidade e estão ajudando a melhorar a segurança, a iluminação e a restaurar o centro velho. Há uma nova universidade, especializada na indústria da cannabis, e os comerciantes se mobilizaram no ano passado para tentar aprovar a lei “regule e taxe”, pela qual eles pagariam mais impostos.
    Enfim, as coisas vão muito bem aqui e a cidade toda está feliz com a nova indústria, que melhorou a vida e trouxe empregos.

  28. Régio Menezes disse:

    Ilustre Denis, o cerne da questão é tentar adequar uma política que está dando certo nos Estados Unidos ao nosso país tão desorganizado e sem fiscalização adequada em tudo que se possa imaginar. A carga tributária que eles devem pagar na Terra do Tio Sam deve ser bem menor, e os comerciantes sabem que a aprovação do uso “recreativo” da erva traria dinheiro como água para a região. Pelo que vi o uso aprovado até agora é para fins medicinais. Acredito na seriedade de seu trabalho e espero que algumas das variáveis que foram discutidas sejam levadas em conta na conclusão, pois não há possibilidade, na minha modesta opinião, de criar um sistema único de combate às drogas porque cada país tem suas realidades, culturas, seus problemas viscerais e , mais que tudo, suas prerrogativas. A fórmula dos EUA, com certeza, não pode se aplicar tal e qual no Brasil, é o que penso Desejamos muito sucesso em sua pesquisa e esperamos vê-la em breve.

  29. C. Adriano Satler disse:

    Caros Dênis e Regio,
    De forma alguma a política anti-drogas da certo nos EUA. Maiores consumidores do mundo!, a legislação norte-americana de combate as drogas, que data do início do século 20 – que foi complementada tempos depois pela Lei do controle sobre as drogas narcóticas de 1956, e pela Emenda de controle sobre o abuso de drogas de 1965 e a mais recente, a Anti-drug Mesure de 1987, que fixou penas severíssimas mesmo para a maconha. PORÉM, em nada serviram a não ser para punir com prisão, com penas cada vez mais elevadas, os envolvidos no tráfico.

  30. Marcelo disse:

    Já eu acho que esta história de “o Brasil é uma país atrasado e não está preparado para legalizar a maconha” é balela. Nosso país é desenvolvido em diversos aspectos. Temos uma economia diversificada e industrializada faz tempo, universidades renomadas e centros de pesquisa em todos os estados, o analfabetismo já está sendo erradicado, temos uma vida cultural intensa e rica, apoiada inclusive em leis de incentivo, temos capacidade técnica para fazer campanhas educativas e de prevenção em nível nacional, os computadores pessoais e o acesso a internet estão popularizados e cada vez mais pessoas estão sendo incluídas nesta nova era da informação. Enfim, o Brasil não é “terceiro mundo”, não somos a Etópia, ou a Somália. Temos plenas condições de adaptar ao Brasil políticas públicas deram certo em países desenvolvidos.

  31. Marcelo disse:

    Outra, não há grande dificuldade em regular a indústria da cannabis. É uma substância que não tem muitas contra-indicações ou grandes riscos envolvidos no consumo. Na verdade os próprios usuários estão aptos a produzi-la. É apenas uma planta, e não é das venenosas, nunca matou ninguém. Nos Estados Unidoso discurso do uso medicinal serviu para facilitar a legalização. Era mais fácil convencer os proibicionistas mostrando os casos de pessoas que sofriam com doenças que podiam ser tratadas ou pelo menos ser amenizado o sofrimento com o uso da maconha. Na pratica qualquer um consegue comprar maconha por lá, basta procurar um médico e afirmar que sofre de insônia, ansiedade, etc. Assim, o uso recreativo, que de fato não apresenta grandes riscos ao usuário, tbm se beneficiou da legalização do uso medicinal.

  32. denis rb disse:

    Poxa, Régio,
    A tese então é que o Brasil é um país subdesenvolvido, e portanto não devemos nunca tentar mudar as coisas porque no final vai dar errado? Me pergunto se não é esse tipo de pensamento que faz de nós subdesenvolvidos.

  33. Felipe disse:

    concordo com o Marcelo, o BR tá de modernizando, apesar dos pesares, é só ver q legalizou o casamento de pessoas do mesmo sexo, algo inimaginável há uns anos atrás.

  34. Régio Menezes disse:

    Não falei que as coias não podem, mudar, prezado, só que, precisamos primeiramente deixarmos o país estruturado para esse tipo de mudança. O Brasil tem avançado, por certo, economicamente, e melhoramos em muitos aspectos. Em nenhum momento falei que devíamos desistir antes de fazer algo, e sim fazer na hora certa. Para alguns pode ser que a liberação das drogas seja prioridade, para outros não. Se,dentro do debate, a sociedade se acahar madura para isso, o que pessoalmente não concordo, então que se faça o que a maioria quer, não é isso que é democracia? O que deixo claro é que não devemos adotar medidas de outros países porque aqui é o Brasil, cada sociedade tem suas características, como foi noticiado até na revista em que o senhor escreve, por outos colunistas, temos índices de desenvolvimento humando ainda parcos, gente que precisa de comida, emprego, saneamento e educação e creio que isso vem bem antes da liberação das drogas. Não escrevi em nenhum momento que o Brasil é subdesenvolvido, mas há que se reconhecer que se paga muito imposto para pouco retorno e isso é um atraso para nossa nação, ou o senhor acha que devemos primeiro liberar as drogas e depois fazer uma ampla política de sanemaento, reconstrução de estradas, educação básica, moradia, etc? é questão de opinião, a minha é no sentido de que essas coias vêm primeiro. Não adianta um belíssimo projeto revolucionário de regulamentação das substâncias antes proibidas se o resto do país não têm estrutura para suportá-lo, tal qual se colocar um motor de ferrari numa carroça.

  35. jorji disse:

    A questão que Régio levanta muitas vezes eu comentei neste blog, de forma cirurgica mata a questão, no Brasil se criam leis que no papel é excelente, mas na prática nunca funcionam como deveriam, em tudo é assim, o Denis muitas vezes diz que devemos sempre tentar, mas não da maneira que tentamos, sem planejamento algum, apenas na boa vontade ou na esperança do tal do se Deus quiser.

  36. Felipe disse:

    Drogas sempre existiram e vão existir. E todo mundo usa um pouco de algum estimulante – café, por exemplo. O que não pode é exagerar e ultrapassar o caminho dos outros. Chega de recalque😉

  37. Marcelo disse:

    “ou o senhor acha que devemos primeiro liberar as drogas e depois fazer uma ampla política de sanemaento, reconstrução de estradas, educação básica, moradia, etc?”
    Não há motivos para pensar que deveríamos fazer uma coisa depois a outra, Régio. É perfeitamente possível fazer todas estas reformas ao mesmo tempo. Todas estas que vc citou são necessárias, justas e urgentes, e a legalização da maconha também.
    Se formos esperar o IDH do Brasil se igualar ao da Dinamarca para legalizar a maconha então isto nunca vai acontecer pois a própria proibição é um dos principais motivos pq temos um IDH tão baixo. Ela perpetua o maior dos males do nosso Brasil: a corrupção.

  38. Marcelo disse:

    “então que se faça o que a maioria quer, não é isso que é democracia?”
    Régio, vc está confundindo “democracia” com “governo da maioria”. São coisas completamente diferentes. Qual a diferença? Uma democracia verdadeira não pode usar a legitimidade adquirida em eleições para criminalizar e perseguir minorias que a compõem.
    O nazismo na Alemanha é um bom exemplo de governo da maioria. Hitler foi democraticamente eleito em eleições livres e reconhecidas internacionalmente. De posse desta legitimidade que a maioria lhe concedeu, seu governo passou a criminalizar e perseguir as minorias: judeus, negros, ciganos, homossexuais, deficientes físicos, etc… Apesar de eleito democraticamente não se pode afirmar que era uma democracia de fato, concorda?
    É exatamente o que acontece hoje no Brasil em relação a maconha. Uma maioria desinformada e preconceituosa apóia uma lei autoritária que criminaliza e persegue uma minoria que só quer viver em paz sem incomodar ninguém. Já está mais do que na hora dessa covardia acabar.

  39. Régio Menezes disse:

    Ilustre Marcelo, gostaria muito de saber uma fórmmula especial pra resolver todos os problemas de uma vez só e ainda assim discutir a liberação da maconha. Para mim isso, infelizmente, é utopia. Um projeto de educação forte a e abrangente duraria uma ou duas décadas para dar efeito à população, por exemplo. Quanto à democracia,e governo da maioria, seus argumentos corroboram com o que penso: a maioria ,se é “desinformada” e “preconceituosa”, deve receber as informações corretas para modificar os conceitos, porém, antes disso, eles têm de saber corretaemtne para onde se direcionar, precisam do básico. O Estado nazista, por certo, foi democrático pelo referendo popular, mas não um estado Democrático de Direito, e , mais uma vez, veja o que acontece com uma população fragilizada em seus valores e refém de situações onde suas necessidades básicas estão falhas. Veja o exemplo dos homossexuais: os caras querem ter os direitos civis respeitados, somente. Nosso Congresso nem se mexeu, aí teve o STF de se meter em assuntos que a princípio deveriam ser regulados por leis, para garantir o básico do básiso à classe, porque os senhors congressistas se revezam nas estratégias de se favorecerem , bem antes dos interesses do povo que os elege.A minha opinião é e sempre foi no sentido da razoabilidade, e em tudo na vida temos de ter nossas prioridades, porque não dá pra se fazer tudo ao mesmo tempo. Vamos educar o pessoal, amigos, um povo consciente é mais tolerante é apto ao diálogo.Tudo de bom.

  40. Sylvio Haas disse:

    O buraco é mais em cima. Enquanto membros dos altos escalões do poder se beneficiarem com os rendimentos provenientes das drogas, o tráfico e o consumo não vão parar.

  41. Salty Amy disse:

    Ola Denis,

    Parabens pelo projeto, confesso que fiquei muito surpresa de achar essa discussão aqui.
    Não fumo maconha porque não gosto e engorda, mas defendo a liberdade do individuo.

    DA MINHA PELE PRA DENTRO MANDO EU!

    Defendo também o estado-laico e sou contra leis abusivas vindas de uma falsa moral religiosa.

    Acima de tudo defendo a liberdade de expressão, uma sociedade que não debate suas ideias não evolui.

    Informação séria é essencial para o Livre-arbitrio.

    _ MArcelo li varios posts otimos seus eu ia escrever pra esclarecer um pouco a ideia de democracia, mas você já falou tudo.

    e pra fechar + um motivo questionável pra proibição:

    A implementação da proibição da maconha também teve um viés racista (nos EUA e aqui)

    heinonline.org/HOL/LandingPage?collection=journals&handle=hein.journals/collsp21&div=22&id=&page=

    papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=1366422

  42. Walter disse:

    Eu copiei o texto do Régio, porque ele compila muito bem, muito das minhas posições a respeito da matéria. Denis, se puder responder esses argumentos, como constumeiramente você faz, creio que seria muito útil para todos nós:

    […] A sociedade indígena primitiva usava suas drogas alucinógenas para alcançar a divindade ou para rituais de congregação e chefia. Que eu saiba, e por favor me corrijam, nenhum índio foi assassinado por um camarada de tribo porque este último precisava fumar o “cachimbo” da paz e estava sem dinheiro para pagar uma “parada”, nem que um cacique matou o índio(na imensa maioria quase curumins) porque não pagou o fumo que ele vendeu fiado. Crer que a liberação é a melhor maneira de resolver o problema seria o mesmo que acreditar que os traficantes,de uma hora para outra ficariam conformados e preocupados com a saúde dos seus clientes, colocando no mercado produtos menos nocivos,que viciassem menos, ou que fossem submetidos à fiscalização “rigorosa” de nossas agências. Na nossa sociedade as pessoas usam drogas ( e aí, temos de incluir o álcool, claro), por dois motivos: ou são viciadas e já não controlam a sua capacidade para se livrar da modificação química em seus corpos, ou o fazem por prazer, para ter um tipo de “barato”. Os primeiros precisam de tratamento urgente para não morrerem ou matarem inocentes, e isso pra quem não é rico, é bancado de forma ineficaz pelo governo ou sempre em dificuldades financeiras, quando se fala de entidades fialtrópicas.Se eles não são viciados e o fazem para atingir algum “orgasmo cerebral”, devem estar atentos às responsabilidades que isso implica, assim como quem bebe e dirige sabe que pode matar alguém, receber uma baita multa, etc. A política repressiva não deu certo,ok, mas quem garante que sem ela seria melhor? Na nossa pátria tupiniquim,atualmente, a informação é fluida, a sociedade é disforme, sem referenciais e educação de qualidade. Precisamos determinar quais os valores sociais que devem ser os nossos guias: liberdaed acima da responsabiliade? solidariedade acima do prazer? epor aí vai e daí diferenciar o certo do errado antes de vir com propostas heterodoxas de combate às drogas. Imaginemos, num país em que reina a corrupção, a falência das instituições, o consumismo extremado, uma desorganização geral na infra-estrutura, o eterno desdém dos governantes, se libere as drogas, por exemplo, começando com a maconha. Bem, vamos lá, a maconha não faz mal, e tal, não vicia, é só para dar prazer. Muito bem, quem irá regular a produção e os meios de preparo da cannabis? O “produtor” regulamentado pelo governo iria pagar um batalhão de impostos e o produto final sairia bem mais caro do que o consumidor iria pagar na boca de fumo “informal” que , claro continuaria a contrabandear tudo de nossos irmãos sul-americanos: esse contrabando seria combatido, ou abriríamos as porteiras do país? calroq ue não, amigos, contrabando é copntrabando e deve ser combatido, e aí, olhem o apradoxo, mesmo com a liberação, continuaria a repressão. E quem garante que não fariam uma forma de tornar a maconha que “não vicia” em uma erva que trouxesse a dependência? e o governo criando uma agência regulamentadora do setor de “fabricação de fumo”, que de vez em quando seria alvo na imprensa de falcatruas ou escândalos mil. E olhem, estou falando só da maconha, nem baixei o nível para o crack… Concluindo o “jornal” creio que, bem antes de discutirmos a “liberação geral”, precisamos transformar nosso país numa sociedade de verdade, com ideais coesos, onde se dê o mínimo de capacidade de discernimento à população para que possa escolher o seu destino sem criar mais um equívoco sem volta. Não podemos, no meu entender, cometer o equívoco de comparar uma sociedade européia antiga, desenvolvida, com bons níveis educacionais e boa estrutura de serviçoes públicos, com o nosso país que está anos-luz de ser uma civilização em termos de organização.

  43. denis rb disse:

    Caro Walter,
    Peço desculpas pela resposta breve, mas estou na estrada, fazendo pesquisa, e não consigo dedicar tempo demais aos comentários.
    Não acho que a questão chave aqui seja uma escolha entre liberdade e responsabilidade. Aliás, pelo contrário: hoje não temos nenhum nem outro. Acredita-se que a droga é má na essência e proíbe-se tudo, a um custo social imenso. Isso não é dar responsabilidade para as pessoas: ao contrário, é uma atitude paternalista, autoritária. Mais maduro seria responsabilizar seriamente cada indivíduo pelas consequências de seus atos, em vez de proibir tudo, por desconfiança de que o indivíduo não seja confiável.
    Veja só: todos os países do mundo que tentaram abordar o tema de um jeito racional, sem utilizar unicamente a repressão, tiveram bons resultados. Hoje, o que temos, é um ambiente de desregulamentação total. O traficante pode tudo – pode misturar cal na cocaína, pode matar seus concorrentes, pode empurrar crack para usuários de maconha, não paga imposto, não se responsabiliza pelas consequências de seus atos. O que eu defendo é um mercado regulamentado, em vez do vale-tudo de hoje.

  44. denis rb disse:

    Régio,
    Cada dia mais eu acredito que a proibição das drogas é o maior problema do mundo. Ela financia o crime organizado, estimula o crime desorganizado, corrompe a polícia, a justiça, a política, desmoraliza o estado, insulta as liberdades individuais. Quando você diz que primeiro precisamos estruturar o país antes de pensar numa política de drogas justa e racional, eu fico muito cético. Honestamente, acho que este não será um país “estruturado” enquanto tivermos esta política de drogas stalinista.
    Você diz que esse tema pode até ser importante, mas não é prioridade. Eu entendo. Você não usa drogas, não quer ter nada a ver com drogas, não se incomoda com a política atual. Mas o que você não está enxergando é que o Brasil inteiro está pagando um preço absurdamente caro, em grana e em vidas, para manter essa política que não dá resultado nenhum. Não são só os usuários e traficantes de drogas que estão pagando caro: é todo mundo, é o país inteiro, através de assassinatos, corrupção, impostos extorsivos e a falência do estado.

  45. Régio Menezes disse:

    Entendo sua preocupação,Denis e digo, já fui vítima da violência urbana, motivada pelas drogas.Impossível não ser atingido por elas . O que digo, é que não adianta um projeto muito bem estruturado e pertinente, se você não tem como implementar de forma correta, pelo menos com a infra-estrutura atual do país, e com o que nos governa. Não sou dono da verdade, mas eu não consigo imaginar um consumo “moderado” de crack, oxi, cocaína, heroína, etc. Pode ser que se todos os consumidores dessas drogas se conformassem com a maconha,que pelo que já li é bem mais fraca, mas não de todo inofensiva, a possibilidade das coisas serem diferentes seria bem maior e um projeto bem estruturado teria boas chances de sucesso. Não tenho a solução,para as drogas, sou só um cara chato,que defende as idéias que me acham pertinentes. Propostas são bem vindas, mas , para mim, se as pessoas fossem fortemente educadas no sentido de dizer um simples “não” às drogas, já seria um grande avanço. Tudo de bom.

  46. Marcelo disse:

    “se as pessoas fossem fortemente educadas no sentido de dizer um simples “não” às drogas, já seria um grande avanço.”
    Esta abordagem ingênua falhou, Régio.
    A Legalização não significa a anistia geral e incentivo ao uso de drogas.
    Significa que em vez de simplesmente proibir e deixar a regulação deste mercado por conta dos criminosos violentos que o dominam atualmente, o Estado passará a regulá-lo diretamente. Podendo criar um ambiente de uso seguro e controlado, economizando milhões em repressão e arrecadando outros milhões em impostos para compensar os eventuais danos sociais decorrentes do uso. Danos que, com ou sem proibição, não deixarão de existir num passe de mágica, como querem os proibicionistas.

  47. João Bahia disse:

    Para lidar com o problema das drogas, maconha inclusive, é preciso razão e honestidade. Algumas pessoas se arvoram no direito de determinar o que outras podem ou não fazer, no conhecido processo de impor um comportamento. O que faz uma pessoa pensar que tem o direito de julgar certo ou errado o fato de alguém fumar ou não maconha ou cheirar cocaína, aplicar LSD, tomar ecstasy, etc.? Cada um faz o que quiser da sua vida. Cabe a todos contribuir com o processo de educação que mostre os danos que determinados comportamentos podem acarretar, mas não impor uma regra. Que sejam punidos os excessos na forma da lei. A discussão em torno da liberação da maconha, então, revela um absurdo. Sem querer entrar em detalhes, já está mais do que provado que a maconha faz muito menos mal do que o cigarro e o álcool (em alguns países a maconha é usada de forma terapêutica, em tratamentos médicos…)… então porque as pessoas podem fumar cigarros e beber álcool, mas não podem fumar maconha? A razão responderia essas perguntas com muita facilidade. Mas o problema vai além: é preciso honestidade. Com ou sem proibição, as pessoas usam as drogas, e cria-se o tráfico, que é motivação importante para a indústria de segurança. Trilhões são gastos em nome dessa “segurança”. Pessoas tem que trabalhar milhões de horas para sustentar essa indústria, que até hoje não coibiu um milímetro sequer do uso das drogas… tivéssemos focado esse esforço na educação, teríamos resultados muitíssimos melhores… mas os desonestos não querem saber de educação, querem se locupletar através desse jogo pernicioso de proibir e criar estrutura para manter a proibição. Eles próprios criam o terrorismo e depois alertam o mundo sobre a necessidade de uma estrutura de defesa (oferecida por eles). A proibição das drogas não é razoável nem honesta. Ao longo dos últimos anos, a guerra às drogas teve como resultados concretos o enriquecimento de uma parcela da população, o fortalecimento do narcotráfico e a marginalização de pessoas. Em meio a tudo isso, muita gente, normalmente honesta, não consegue encarar de forma racional as variáveis envolvidas em questões como drogas, aborto, liberdade sexual, etc. Não pensam, apenas vociferam. Reagem com base na repressão que elas próprias sofreram. Falam em proteger os outros, como as crianças ou as famílias, mas na verdade vivem com medo ou inveja… e tentam perpetuar as relações que pautaram a própria vida… ou seja, estamos falando de preconceito puro… egoístas e mesquinhas, essas pessoas são a base das injustiças que encontramos por aí…

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