Indústria de margarina

Sentei num café da cidade de Oakland com a minha entrevistada, a Dale Sky Jones. Dale é uma moça doce, de olhos azuis, com jeito de princesa de desenho da Disney. O tipo de nora que qualquer sogra do mundo adoraria ter. Ela trazia no colo um menino angelical, o Jackson, de quatro meses de idade, olhos azuis e uma penugenzinha loira na cabeça. Sob a luz dourada da primavera californiana, a mãe e o filhinho na janela do café pareciam uma propaganda de margarina.

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Mas não é na indústria de margarina que aquela moça bonita trabalha. É na indústria de maconha. O café onde conversamos, o Bulldog, vende café na frente, mas nos fundos abriga fumadores de maconha. Se Dale morasse no Brasil, o trabalho que ela faz seria chamado de “tráfico de drogas” e daria cadeia.

Dale é gerente executiva da Universidade Oaksterdam, um prédio grande no centro de Oakland que se propõe a ser a primeira escola de nível superior dos Estados Unidos dedicada exclusivamente à indústria da maconha medicinal, que está bombando na Califórnia enquanto o resto da economia afunda. Ela é também, cada dia mais, uma espécie de porta-voz da indústria, participando com destaque da campanha de legalização. Com seu rosto de anjo, ela é adorada inclusive pelos conservadores. A Fox News sempre a entrevista.

Dale veio de um passado corporativo, gerenciando a comunicação de uma grande empresa alimentícia. Era uma executiva linha-dura, exigente, respeitadora das regras e durona com os indisciplinados. Mas fez uma reviravolta na carreira quando foi cuidar da comunicação de um consultório médico que receitava maconha para pacientes. A mãe dela ficou preocupadíssima, o pai nem ficou sabendo. Mas Dale sentia que precisa dar esse salto.

Dale sofre de uma síndrome que causa vômitos. Não é uma doença mortal, seríssima, mas é chata. A medicina tradicional tem tratamento para ela: uma pílula cara que muitas vezes não funciona porque é expelida do corpo. Muitas vezes Dale tinha que se internar num hospital e ficar cheia de tubos pendurados, tomando soro. Dale preferia tratar os vômitos enrolando um baseadinho e fumando um pouquinho. Funcionava que era uma beleza. Ela achava mais prazeroso, menos agressivo, mais confortável, mais barato.

Dale me contou que a indústria da maconha medicinal aqui em Oakland está indo de vento em popa. A cidade está atraindo alguns dos melhores horticultores do mundo, cansados de viver na ilegalidade em seus países. Há uma infinidade de novas empresas surgindo: produtoras, distribuidoras, centros de tratamento médico, um laboratório de análise de segurança que detecta fungos e agrotóxicos. A indústria lembra um pouco a do vinho, pela alta rentabilidade e pelo forte incentivo para buscar qualidade.

Oakland, a única cidade na baía de San Francisco que tem população majoritariamente negra, costumava ser a cidade mais complicada e violenta da região. Foi por anos a recordista nacional de homicídios. Era território de traficantes e policiais.

Melhorou. Os dispensários de maconha, num esforço de relações públicas, deram dinheiro para a polícia e ajudaram a melhorar a iluminação pública. Tem mais gente na rua. Oakland, quem diria, está atraindo até turistas: fãs de Bob Marley em busca de souvenirs de Oaksterdam (mistura de Oakland com Amsterdam). A economia local vai bem, mesmo enquanto o país mergulha nas profundezas da crise. As salas de aula da universidade de Dale estão abarrotadas de gente, apesar de os cursos, com aulas semanais ao longo de um semestre, custarem 700 dólares. Entre os comerciantes da região, os mais felizes parecem ser os donos de restaurantes.

Alguns dos pacientes têm doenças sérias, letais. Outros têm ansiedade (quem é que não tem ansiedade nos dias de hoje?). Tirar a carteirinha é fácil, acessível a qualquer um, custa 70 dólares e fica pronta na hora. O que está acontecendo aqui é um experimento importante neste momento da história da humanidade: o momento em que a classe dirigente do mundo está finalmente se dando conta de que precisamos de um novo modelo para combater o mal que as drogas fazem. O modelo atual faz mais mal do que as drogas. Dale se emociona enquanto fala disso. Aí ela olha no olho azul de Jackson, e suspira, com o coração de executiva durona amolecido pelos hormônios da maternidade:

– É por ele que eu estou fazendo isso.

O nó na garganta me deixou sem conseguir fazer outra pergunta por alguns segundos.

123 comentários
  1. Claudio disse:

    Fantástico Denis, parabéns pela reportagem!

  2. Fernando disse:

    Fantástico. O único setor da economia que está bombando é o de drogas. Bela apologia. Aqui no RS o governador disse em discurso na universidade federal que a maconha deve ser muito boa. Quem deve não estar gostando muito disso tudo é o povo pigmeu que foi praticamente exterminado pelo uso da maconha – não para fins medicinais, é claro – mas, para se manter acordado e ativo para as caçadas. Há inúmeros estudos comparativos entre usuários de drogas e esquizofrênicos, desde a década de 80, que provam muita semelhança nas características do lóbulo frontal, ou seja, está deteriorada. Tomara não nos tornemos os novos pigmeus.

  3. luiz roberto disse:

    Será que isso funcionaria aqui?
    A pergunta é essa.

  4. Acir disse:

    Sensacional, tocante, visionário! Vamos ver quando começaremos a incentivar também o uso de cocaína. Afinal, ela pode ser um ótimo tratamento para o estresse, não é mesmo? E quem não anda estressado nestes dias? Ah, ah, ah……

  5. Marcelo disse:

    E porque não, Luiz Roberto? Temos empresários dispostos a investir e desenvolver esta indústria multi-bilionária, temos médicos e cientistas dispostos a pesquisar os usos medicinais e industriais da maconha e seus derivados, temos milhões de “usuários recreativos de maconha” (maconheiros mesmo, ora!) inofensivos que só querem poder fumar o seu cigarrinho em paz sem financiar o crime organizado e a violência. Afinal, o que é que falta ao Brasil?
    Cara, lendo estes comentários às vezes eu penso que os brasileiros nunca vão se sentir orgulhosos do seu país. Não importa o quanto avancemos, não importa o quanto nossa economia cresça e se diversifique, não importa quantas milhões de pessoas conseguirmos tirar da miséria e da pobreza, ou quanto o desemprego diminua e a classe média cresça e veja sua renda aumentar, ou quanto avance a educação, não importa quanto o analfabetismo recue e a escolaridade média aumente, não importa o quanto os computadores pessoais e à internet se popularizem democratizando o acesso a informação, também não importa o crescente reconhecimento internacional do nosso progresso (que nesta década já nos valeu uma Copa do Mundo e uma Olimpíada).
    É desolador. Parece que os brasileiros sempre vão acreditar que seu país é inferior. Para estas pessoas nem adianta tentar mudar. O Brasil é um lixo e pronto. Ontem li uma frase que, creio eu, resume o espírito conformado e derrotista de tantos brasileiros:
    “Muita gente rejeita a esperança. Querem estar preparados para a derrota”
    E assim seguimos derrotados.

  6. Marcelo disse:

    Não Acir. Diferente da maconha, a cocaína não possui propriedades medicinais comprovadas. Garanto que ninguém vai defender o seu uso em lugar algum.

  7. Marcelo disse:

    Pigmeus exterminados pelo uso de maconha? É piada?

    Cara, não viaja, a maconha nunca matou ninguém.

  8. Marcelo Fellows disse:

    Não dá mais para discordar.
    Devemos partir para a prática aqui no Brasil também. É muito dinheiro só reforçando a teia da ilegalidade.
    E muito usuário também a mercê de comerciantes e produtos ilegais. Mais uma oportunidade de transformar o limão em uma limonada.

    ET: Imagino que a Dale ainda seja respeitadora de regras e, igualmente linha dura.

  9. Bob da Corte disse:

    A forçação de barra sobre o tema continua. A maconha não enriquece o taficante mas é um charariz para a cocaína, o crack, o oxi. Somente por isso continuam a se arriscar para vender. É muitíssimo mais fácil de alguém experimentar a cocaína quando já é usuário de maconha, isso é fato, não é suposição. Interessa na maconha aos governos apenas a possibilidade de sobretaxá-la de impostos. De resto, em hipótese alguma se pode dizer que seja uma droga inofensiva. Ela causa dependência psicológica, psicoses, queda da capacidade de concentração e memorização, é uma droga dissociativa que mina o ímpeto pessoal e porta de entrada para outras drogas mais pesadas. Basta ler o que tanto já se estudou sobre ela.

  10. Gustavo disse:

    Tem gente que por ter opinião contrária argumenta coisas completamente sem noção. O cara me fala que os pigmeus fumavam maconha para permanecerem acordados e ativos. Fala sério! Não tem a mínima ideia do que tá falando. Imaginem os baixinhos chapados de maconha tentando caçar, morreriam era de fome, e muita fome.

  11. Israel Sidharta disse:

    Melhor legalizar logo.

  12. Marcelo disse:

    Bob da Corte, quanto preconceito… Fumo maconha há mais de dez anos e te digo, ela não leva ninguém a usar outras drogas e nunca me causou os efeitos que vc descreve, tá na hora de vcs olharem o mundo real com mais atenção e menos superstição.

  13. Germano Alves disse:

    Que matéria horrível!
    .
    Não há nada de ciência e pagar 70 USD e a carteirinha fica pronta na hora?
    .
    Pensando bem… como há doente nessa cidade! Há até doentes turistas!
    .
    Pergunta: Denis a maconha curou seu “nó na garganta” também? Dizem que é tiro e queda!
    .

  14. reynaldo disse:

    Quero chamar a atenção aqui para o fato de que o porte de drogas, e não só a maconha, já está liberado no Brasil. E não depende da quantidade, depende da circunstância. Você pode ter cinquenta gramas de maconha no bolso e não ser preso e ter dez gramas divididas em saquinhos, dando bobeira na frente de uma escola, e ser preso. Se você for pego por porte, a lei diz que deve ser levado a uma autoridade policial ou judicial e ser liberado imediatamente. Vai sofrer um processo legal mas não vai ser condenado, vai ter a pensa suspensa enquanto passa por uns meses na justiça para assinar um papel e, eventualmente, se cumprir a determinação de fazer trabalho comunitário, algo raro, pois a prática é pouco regulamentada. Claro, a polícia truculenta vai tentar te enquadrar como traficante, principalmente se for pobre e preto, mas é só manter a cabeça fria, não retrucar (lembre-se que a polícia tem uma arma e quem tem uma arma no Brasil está sempre com a razão) e pedir calmamente para ser levado à presença de um delegado ou de preferência um promotor que costuma ser mais civilizado. Vai tomar uma liçãozinha de moral e depois ser liberado. Se durante a condicional for pego de novo aí pode ser condenado. Se cumprir tudo direito, não é condenado, não tem o nome posto no rol dos culpados e o fato não pode ser considerado para efeito de reincidência, após o cumprimento das obrigações. É preciso fazer uma distinção entre o uso e o abuso de uma droga. Todo mundo sabe dos efeitos da bebida. Tem aqueles noventa por cento que bebem e ficam numa boa. Tem aqueles sete por cento que bebe e fica chato ou violento. E tem aqueles três por cento que bebe e fica viciado, uma questão não de polícia mas de tratamento médico e psicológico. Há pouco li um livro “Marihuana, miths and facts” que comprova que o uso de maconha causa muito menos acidentes de automóvel ou brigas do que o uso do álcool. Também causa bem menos lesões físicas ou cerebrais. Certo que algumas pessoas, principalmente aquelas que abusam, desenvolvem sintomas de paranóia, no Brasil bastante agravado pelo medo de topar com um daqueles brutamontes donos da verdade vestidos de farda. Há boas razões para se temer o que pode resultar do abuso de drogas. Acontece que aquele sujeito que tende a abusar de drogas consegue drogas independentemente ou não da legalização, ele corre atrás de seu desejo imperativo, nada mais óbvio. Acontece também que muita gente teme a liberação das drogas porque teme a mudança, teme tudo o que é diferente, teme a loucura no outro que sinaliza para sua própria loucura, teme ser contaminado pelo desejo do outro (se você, caretinha, vê o seu pai tomar uma geladinha depois do almoço do domingo e sente aquela vontade de tomar também para vocês compartilharem umas boas bobagens, umas boas risadas, não ficaria também tentado a fumar um baseadinho e depois se encantar com tinta e papel e partir para pintar uma aquarela que poderia abalar toda a sua sacrossanta seriedade?). Eu opinei antes que as pessoas devem aprender a curtir os pequenos prazeres da vida por eles mesmos, sem o uso de aditivos. Mantenho minha opinião. Mas também é possível curtir outros prazeres, frutos desses aditivos. Agora, se precisa do aditivo para levar até o cachorro para passear, melhor procurar um médico. Se o sujeito bebe muita cachaça e bate o carro ou dá uma surra no vizinho, aí sim é questão de polícia. Simples assim. Agora, se é para proibir, tem muita gente que é viciada em Jesus Cristo, se proibirem o sujeito de ir ao culto e venerar o Deus Todo Poderoso, ele pode ter crise de abstinência. Devemos proibir as igrejas messiânicas. Eu sou a favor. A droga é ruim, os traficantes são gente da pesada.

  15. Bob da Corte disse:

    Grande Marcelo, se você fuma isso problema seu. Problema meu é que o tema seja tratado com a responsabilidade. Quero porque gosto é coisa de criança mimada e não de um brasileiro que pensa de forma responsável, adulta e que respeita a sí mesmo, seus e os nossos filhos e netos. O que eu citei aqui foram efeitos descritos na vasta literatura disponível, feita por pessoas sérias que estudam essas drogas a muito tempo. Não me posicionei contra ou a favor mas se pelo que eu disse você entendeu de forma negativa em relação a liberação, apenas lamento. Tenha um bom dia.

  16. romulo.med@hotmail.com disse:

    querido Denis Russo, desconheço o mundo em que você vive, mas tenho certeza de que ele se localiza geograficamente em um lugar muito distante de onde a maconha causa seus estragos. não sei o interesse de quem você defende, mas estou certo de que não é o da mãe desesperada que sofre por ver seu filho entregre às drogas (sim! maconha é uma droga!).Aliás, quem diz que maconha não é droga provavelmente desconhece a leitura, visto que uma breve pesquisa em qualquer fonte confiável descreve a droga como “psicoativa”, “psicotrópica”.
    Me surpreendi com seu conhecimento sobre Oakland. Essa cidade está dominada pelas gangues, pelo tráfico de drogas e você a descreve quase como uma metrópole “transformada” pela maconha. É incrível sua cegueira! sua reportagem é totalmente tendenciosa, colocando a indústria da droga como benéfica, justa, propicia para o desenvolvimento.
    O que você quer para o meu país eu já sei. Que meu país seja castigado pela maconha como é pelo tabagismo, que aliás é a principal causa de morte evitável em países em desenvolvimento, eu sei disso porque sou estudante de medicina.
    O que a legalização da maconha vai trazer para o nosso país? uma massa de viciados, como ocorreu com o tabagismo. Antes o glamour era a motivação, agora o tráfico recebe o título de medicina. Que lindo! que sutileza, diria Erasmo de Roterdã. O mal das suas palavras mascarado de bem me comove.
    Só deixo uma pergunta para os meus colegas. A quem interessa a legalização da maconha? quem quer a legalização da maconha pensa na sua família? nos seus filhos? pensa em construir uma nação melhor?

    Desejo ao meu povo lucidez, por que do contrário cairemos na falácia desses e de outros falsos profetas.

    Que a censura não venha sobre mim para impedir que a verdade seja dita!

  17. Marcio disse:

    Você parece se perder nos olhos azuis da moça e esquecer a “big picture”…

    Maconha no Brasil vem sendo misturada com crack e oxi para aumentar o poder viciante da droga. Tenho um colega que se deu muito mal com isso. Além disso, continua-se a mandar particulas de fumaça para o pulmão, o que a longo prazo aumenta a probabilidade de câncer… É isso mesmo?

  18. RAFINHA disse:

    ADOREEEEEEEIII ! Tudo q esse pobre país precisa !!

  19. romulo.med@hotmail.com disse:

    isso mesmo Márcio, o senhorzinho aí que escreveu essa “reportagem” ignora todo um universo de informações sobre esse vício para mascarar a verdade das drogas. Não é pela negação dos malefícios que eles deixam de existir. A maconha pode ser até legalizada, mas ela continuará a ser maconha. Continuará causando destruição.

  20. AntiHolocausto disse:

    Os efeitos da maconha sobre o organismo humano são infinitamente menores do que os efeitos do proibicionismo, de contornos genocidas, sobre a sociedade brasileira.
    Esta é a verdadeira realidade:
    Por ação, omissão e/ou ignorância, todo proibicionista tem parte com o bárbaro e silencioso holoausto brasileiro, que vem sendo sanguinariamente executado a todo vapor em pleno século XXI, principalmente contra cidadãos negros e pardos e com poucos ou nenhuns recursos financeiros.
    É necessário confrontar os proibicionistas brasileiros com as chocantes imagens do holocausto produzido em Ruanda, e que deixou mais de 800 mil mortos.
    800 mil mortos é a quantidade de cadáveres que o proibicionismo brasileiro produz há cada 15 anos no território nacional, assassinando usuários, não usuários, policiais, cidadãos comuns etc.:
    No caso do genocídio brasileiro, barbaramente defendido por proibicionistas mal-intencionados e/ou semialfabetizados, em que pese muitos deles alcoólatras e tabagistas igualmente ou mais drogados do que maconheiros maltrapilhos, os proibicionistas brasileiros tentam ignorar, mentir, negar, dissimular e falsear, de todas as formas, uma montanha com MILHÕES DE CADÁVERES que é sistematicamente produzida como resultado direto do impiedoso holocausto executado contra maconheiros e outros usuários de drogas não regulamentadas no país, numa assombrosa quantidade de mortos (cadáveres) que, há cada 100 anos no Brasil, é ao menos 7 vezes maior do que o genocídio em Ruanda.
    No vídeo adiante, vê-se alguns dos artigos e incisos internacionais nos quais enquadram-se os proibicionistas brasileiros, pois a Constituição Federal de 88, no artigo 5º, VI, estipula ser inviolável a liberdade de consciência e de crença, assegurando o livre exercício dos cultos religiosos e garantindo, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e as suas liturgias a todos os maconheiros da religião rastafári.

    8 MILHÕES DE MORTOS NO BRASIL HÁ CADA 100 ANOS.
    Esta é a verdadeira face do bárbaro e sanguinário proibicionismo brasileiro.
    Finalizando:
    A única discussão atual que interessa ao Estado de direito e à população decente, que está no meio do fogo cruzado, é:
    O que está mais matando no Brasil?
    A maconha?
    O álcool?
    O tabaco?
    Ou a fracassada e genocida proibição contra a planta canábis e seus usuários, via de regra, maltrapilhos?

  21. Marcelo disse:

    Veja bem, Bob.
    Também exite uma outra vasta literatura, embasada em pesquisas científicas também feitas por pessoas sérias que estudam a maconha a muito tempo, que contradizem tudo o que afirmou sobre a maconha.
    Eu nunca disse “quero pq gosto”, o que eu disse foi que quem decide o que é melhor para mim sou eu, e eu me responsabilizo pelos meus atos. Não sou criança, sei muito bem diferenciar o certo do errado. Minha opinião acerca deste assunto não é “irresponsável” nem desrespeita ninguém.
    Perdoe-me se deduzi errado a sua opinião sobre a legalização, é que o seu post anterior (em que vc simplesmente acusa a maconha disso e daquilo apesar de já haver até uma industria legalizada e promissora de produtos medicinais derivados da maconha e de milhões e milhões de usuários, a grande maioria, fazerem uso da mesma sem apresentarem nenhum dos efeitos nocivos que vc citou) me pareceu que vc estava dizendo que a maconha não devia ser legalizada e nem mesmo estudada pq não teria utilidae alguma. O que, mostram os fatos, não é verdade.
    Tenha um bom dia.

  22. Rosana disse:

    Ok, não me sinto preparada para comentar a respeito da descriminação da maconha. Por um lado sei que seu uso é menos pior do que o uso do cigarro normal; mas pode ser uma porta de entrada para o uso de drogas mais pesadas, letais inclusive. Por outro lado, acho que a proibição gera problemas que nós, protegidos pela capa da intolerância e ignorância, ao menos ficamos sabendo da existência.
    De concreto só posso dizer que, meu irmão, morto em decorrência da AIDS há mais de 15 anos, só conseguia comer e manter o alimento no estômago, quando começou a usar uma pílula trazida por uma grande amiga, de Boston, que era nada mais, nada menos, do que maconha em pó!

  23. Marcelo disse:

    Márcio,
    A maconha legalizada jamais causará um décimo da destruição que a sua proibição provoca.

  24. Tato disse:

    Não sei se sou a favor e nem se sou contra o uso, a descriminalização ou a legalização da maconha mas tenho uma certeza: o Denis é uma das pessoas mais bem preparadas para falar deste assunto no Brasil. Há alguns anos ele escreveu um livro sobre a maconha que deveria ser lido por todos que o criticam. Neste livro ele conta a história da maconha no mundo e como ela foi banida da vida das pessoas. Agora ele está se informando novamente sobre todos os aspectos do uso para escrever com muito mais bagagem uma obra abrangendo todos os lados do problema.
    Sejam um pouco mais pacientes e não o julguem por um único artigo. è necessário ver a conclusão da obra para podermos julgar.

  25. Marcelo disse:

    “Maconha no Brasil vem sendo misturada com crack e oxi para aumentar o poder viciante da droga”
    Pois é Marcio, mais um motivo para legalizar a amconha e regulamentar este mercado em vez de deixar a tarefa para os criminosos violentos que o dominam atualmente.

  26. marcello fonttes disse:

    É, todo povo faz a própria história… leio aqui argumentos sem o menor compromisso com as características que elevam o ser humano à
    esperança de dias menos conflituosos e menos sofridos. A evolução
    emocional é peculiar as experiências do dia à dia, os valores que
    cada um de nós carregamos estão diretamente ligados as regras e afe
    tos que nas primeiras e mais marcantes experiências ocorrem no am
    biente doméstico. Na nossa casa as preocupações primeiras são com
    a segurança das crianças, segurança fisíca e emocional. Os mais ve
    lhos responsáveis pelas regras e cuidados, usando das experiências
    acumuladas na convivência social e no trânsito no mundo sabem que
    toda e qualquer situação onde ocorre a turvação da consciência, on
    de a lucidez fica comprometida o ser humano passa a exteriorizar os
    seus mêdos e inconsistências psicológicas. O mêdo trás a instabilidade, a perda, a paranóia e a violência. É uma grande bobagem, mostra de infantilidade defender o indefensável. Ninguém em uso adequado da razão e sentimentos poderá com o rigor da lucidez e veracidade ofertar aos seus dependentes em afeto e suporte familiar, substâncias que irão minar a vontade e expô-los a dias de depressão, mêdo, preguiça e fuga.
    Não é concebível nem veraz que os argumentos que sustentem uma discus
    são desse porte venha a sustentar-se em valores econômicos. Estes, só
    são relevantes quando essa equação se inverte, ou seja, o bem estar e
    o estado de equilíbrio devem ser os motores das iniciativas que centra
    das em estudos e trabalhos tragam o progresso e os benefícios destes
    decorrentes. Não há caminho fácil para o progresso e para a felicidade. Aliás, neste mundo só os iludidos e os manipuladores areditam que a felicidade possa conviver com o quadro dantesco de crimes que diariamente nos é apresentado através os meios de comunicação. O que distingue o ser humano dos outros animais é a consciência de que existe, de que exerce um poder de crítica e através desta diariamente faz escolhas que irão determinar em futuro se haverá prêmios ou castigos como consequência das escolhas feitas… Vejo aqui pessoas com bom poder argumentativo, pessoas que certamente tiveram acesso a escolas, tiveram ou têm família, possivelmente possuem amores e, grotescamnte defendem a alienação, a turvação da mente, numa possibilidade de amanhã um alucinado topar com um filho ou uma esposa e distanciado dos valores e atitudes que a consciência assenta, violente e sevicie… trazendo dores imorredouras. Também é bom que
    atentemos para as consequências para a saúde e os gastos que forçosamente implicarão. Os acidentes de trabalho, os acidentes no
    trânsito, os acidentes domésticos além das tentativas espetaculosas
    de fuga da vida como consequência das psicoses. Mesmo que uma só vi
    da estivesse sob risco com o convívio liberado das drogas, estas teriam
    que ser vetadas. Ninguém aqui, nenhum de nós, temos a noção ou o poder
    de repor uma vida caso nos enganemos em nossas decisões e lutas. É necessário que coloquemos o nosso EGO de lado, ou debaixo dos nossos
    pés… é imperioso que despersonalizemos o nosso EGO porque só assim
    teremos a humildade necessária para nos enxergarmos como realmente
    somos e assim, usando a CONSCIÊNCIA e a LUCIDEZ disseminarmos a espe
    rança de dias menos sombrios.

  27. DIRCEU DEL POSSO. disse:

    TAI,MUITO INTERESANTE,EU ACHO QUE A MACONHA DEVERIA SER LIBERADA ISSO PODE AJUDAR NA CURA DE DOENÇAS,DE MUITOS BRASILEIROS E BRASILEIRAS.

  28. Anouk disse:

    Oi Denis,
    Você deveria trabalhar numa firma de marketing. A foto está sensacional. Uma mamae aparentemente saudável com um lindo e sorridente bebê no colo. Assim, dá até vontade de arranjar uma doencinha; né? Aliás, você já sugeriu uma, ansiedade.

  29. an. disse:

    Comissão Latino Americana sobre Drogas e Democracia
    *****César Gaviria – ex-presidente da Colômbia, co-presidente.
    *****Ernesto Zedillo – ex-presidente do México, co-presidente.
    *****Fernando Henrique Cardoso – ex-presidente do Brasil, co-presidente.
    *****Alejandro Junco (México) – Jornalista. Diretor do diário La Reforma.
    *****Ana María Romero de Campero (Bolivia) – Jornalista. Foi designada pelo Congresso como a primeira Defensora do Povo da Bolívia (1998-2003). Desde 2004 dirige a Fundação UNIR Bolivia, trabalhando em iniciativas nos campos de “Diálogo e Negociação Pacífica de Conflitos”.
    *****Antanas Mockus Sivickas (Colômbia) – Ex prefeito de Bogotá. Eleito nos períodos 1995-1997/ 2001-2003.
    *****Diego García Sayán(Peru) – Juiz e Vice-presidente da Corte Interamericana de Direitos Humanos. Foi Ministro da Justiça e Ministro de Relações Exteriores do Peru.
    *****Enrique Krauze (México) – Escritor que tem uma ampla obra publicada, onde se destacam os livros “Caudillos culturales en la Revolución mexicana” (1976), “Biografía del Poder” (1987) y “La Construcción de la Democracia” (2000).
    *****Enrique Santos Calderón (Colômbia) – Jornalista. Diretor do diário El Tiempo.
    *****General Alberto Cardoso (Brasil) – Foi Ministro Chefe Institucional do Gabinete da Presidência da República.
    *****João Roberto Marinho (Brasil) – Jornalista. Vice-presidente das Organizações Globo.
    *****Mario Vargas Llosa (Peru) – Escritor. Recebeu inúmeros prêmios literários, como o “Prêmio Príncipe de Asturias” (1986), o “Prêmio Cervantes” (1994) e o “Prêmio Jerusalém” (1995).
    *****Moisés Naím (Venezuela) – Diretor da revista “Foreign Policy”, em Washington, que circula em 175 países e é publicada em 12 idiomas.
    *****Patricia Llerena (Argentina) – Juíza, membro da Comissão argentina de Análises de Políticas de drogas, que está revisando a legislação no país.
    *****Paulo Coelho (Brasil) – Escritor , recebeu inúmeros prêmios internacionais como o “Cristal Award por el World Economic Forum” e “Legión d´Honneur de Francia”.
    *****Sergio Ramírez (Nicarágua) – Ex-presidente do país. É colunista de diversos jornais.
    *****Sonia Picado Sotela (Costa Rica) – Embaixadora da Costa Rica nos Estados Unidos, de 1994 a 1998. Juíza da Corte Interamericana de Direitos Humanos entre 1988 y 1994.
    *****Tomás Eloy Martínez (Argentina) – Escritor. Entre suas obras se destacam “Lugar Común la Muerte” (1979), “La Novela de Perón” (1985), “Santa Evita” (1996) e “El Vuelo de la Reina” (2002), sendo este último o vencedor do “Prêmio Alfaguara de Literatura”.

  30. denis rb disse:

    Marcio,
    Semana passada visitei em Oakland um laboratório de teste de qualidade da cannabis. Eles detectam contaminação por fertilizantes ou fungo, analisam quimicamente a dose de cada principio ativo para que o produto chegue ao mercado com o máximo de segurança e um rotulo repleto de informação. Aqui esse problema que você descreve não ocorre.

  31. Joaquim disse:

    Caros,
    Esse debate é sempre recheado de preconceitos e julgamentos morais, que dificultam a real dimensão do problema e a busca de uma solução.
    Sugiro a leitura do resumo executivo do Relatório elaborado pela Comissão Brasileira Sobre Drogas e Democracia, cujos membros são nada menos que: Paulo Gadelha, Carlos Costa, Carlos Mário da Silva Velloso, Celina Carpi, Celso Fernandes, Daiane dos Santos, Dráuzio Varella, Ellen Gracie, Edmar Bacha, Joaquim Falcão, João Roberto Marinho, Jorge Hilário Gouvêa Vieira, Jorge Da Silva, José Murilo de Carvalho, Lília Cabral Bertolli, Luiz Alberto Gómez de Souza, Maria Clara Lucchetti Bingemer, Marcos Vinicios Rodrigues Vilaça, Paulo Teixeira, Pedro Moreira Sales, Acelino Popó Freitas, Regina Maria Filomena Lidonis De Luca Miki, Regina Novaes, Roberto Lent, Rosiska Darcy de Oliveira, Viviane Senna, Zuenir Ventura

    Para quem se interessar por esse trabalho de 18 meses, segue o link:
    http://cbdd.org.br/pt/files/2009/10/Hora_de_debater_e_inovar.pdf

  32. denis rb disse:

    romulo.med,
    Não acho que eu ignore esse mundo, mas estou começando minha pesquisa. Se você tem sugestões de lugares que eu possa visitar e de pessoas com quem eu deva conversar, elas são muito bem vindas. Amanhã viajo para a fronteira com o México para ver o impacto que oi trafico causa lá.
    Mas uma coisa está ficando bem claro para mim: a imensa maioria dos terríveis danos que as drogas causam à sociedade são criados ou exacerbados pela Proibição. A Proibição piora a vida de usuários, pacientes médicos, viciados e doa população em geral, que tem que arcar com os custos elevados da violência e da corrupção.
    Maconha faz mal sim. Maconha não é inofensiva não. Proibi-la sem pensar, como fazemos hoje no Brasil, faz ainda mais mal.

  33. denis rb disse:

    Obrigado, Anouk
    Não trabalho em firma de marketing não, mas fico feliz em saber que vc gostou da minha foto.

  34. denis rb disse:

    Acho muito interessante como as pessoas estão presas em suas preconcepções. Vários dos comentários me criticam por insinuar que a maconha seja inofensiva e insinuam que eu seja a favor da liberação total do uso. É engraçado, porque eu jamais disse nem uma coisa nem outra. As pessoas se irritam simplesmente por eu não estar repetindo os mitos de sempre, e automaticamente me atribuem idéias que eu nunca tive.

  35. ath disse:

    Alô, amigo Denis.
    Não te aflijas.
    O espetáculo hediondo da carnificina proibicionista causa horror principalmente à deusa Athena. Os gregos sempre preferiram a sábia e justa guerreira Palas Athena, filha da razão do soberano do Olimpo. Athena é também patrona da guerra, mas do combate feito com inteligência e astúcia, motivado por um ideal honroso, uma batalha encarada como a última e importante argumentação na defesa da justiça, quando todas as outras falharam.
    Resumindo, os que te criticam devem ser alguns donos mal intencionados de funerária.
    Lembremo-nos: ‘A sorte acompanha os justos.’

  36. neco tabosa disse:

    mais um texto com a delicadeza e clareza que o tema pede, dênis. vc tem um fã aqui desde que o livrinho “maconha” da série ‘para saber mais’ chegou às minha mãos…e o dvd de grass, óbvio… naquela pequena grande revolução que vcs começaram na Super. hoje vejo reflexo dessa mudança de mentalidade espalhada pelo movimento antiproibicionista em todas as marchas brasileiras. abração! ps e essa última frase passa o teu nó na garganta pra qqer um que a leia (e tenha um coração, óbvio :D)

  37. denis rb disse:

    Valeu, Neco
    Demos sorte naquela época de encontrar leitores bons.
    Abs

  38. jorji disse:

    Maconha faz mal, álcool faz mal, tabaco faz mal, cocaina faz mal, heroina faz mal, anfetamina faz mal, LSD faz mal, etc também faz mal, proibir todas essas drogas faz mal maior ainda, todas as drogas matam, ao milhares todo ano no mundo todo, o prejuízo financeiro ligado às drogas são de algumas centenas de bilhões de dólares, solução não existe, liberar e descriminizar o uso e o comercio das drogas também terá consequências negativas, mas menos trágico do que a proibição, temos que pensar no custo social e financeiro, muitos ainda morrerão como ainda se morre muito com ingestão da droga chamada álcool, e daí? que morra, qual é o problema? Temos que ser objetivos, racionais, deixemos os sentimentos de lado, não temos que nos importar tanto com as vítimas que na maioria são os consumidores dessas substâncias, que possuem em seus genes a tendência para o uso de drogas, temos que nos preocupar com a sociedade como um todo, com o prejuízo financeiro, que se dane os usuários, pago meu imposto para a polícia ficar correndo atrás de traficante, é o meu dinheiro jogado fora!

  39. denis rb disse:

    Dá-lhe, jorji,🙂

  40. jorji disse:

    Desperdício do dinheiro público com o gasto ao combate do tráfico de drogas, um desperdício bilionário, talvez trilionário, pra que? É que o dinheiro do tráfico alimenta um imensa rede de corrupção, não existe interesse em acabar com esse comércio, em países sejam ricos ou pobres, a legalização dessa atividade não interessa aos poderosos, é uma verdadeira mina de ouro.

  41. Edmilson disse:

    Fala Denis! Esse texto eu copiei do blog do Reinaldo Azevedo (fica pertinho do teu, aqui no site de Veja)e acho que contribui para melhorar o debate. Espero que vc continue seu bom trabalho sempre nos trazendo algo novo para pensar.

    “A descriminação da maconha — na verdade, das drogas em geral — é um daqueles quase-consensos desastrosos que se vão formando entre os bem-pensantes e que passam ao largo das necessidades e dos problemas reais da esmagadora maioria das pessoas. Infelizmente, os efeitos deletérios de certas escolhas não são, depois, percebidos pelos tais bem-pensantes. As maiorias que se lixem; os outros fizeram a sua parte: foram generosos…

    Querem um exemplo escandaloso? O chamado Movimento Antimanicomial, dado o horror dos hospitais e entidades destinadas a receber doentes mentais, conseguiu acabar com as instituições destinadas à internação de doentes irrecuperáveis ou que necessitam de atenção permanente.

    Com um pouquinho de Michel Foucault aqui — oh, a loucura é apenas uma das várias formas DE ser DO ser!!! — e muito de desídia do estado brasileiro, conseguiu-se satanizar a internação de doentes mentais. Em vez de se dispensar tratamento adequado aos portadores de patologias, decidiu-se que o melhor era entregá-los mesmo ao deus-dará. E ao deus-dará ficaram. Reiterados estudos demonstram, por exemplo, que a esmagadora maioria dos chamados “moradores de rua” — nome politicamente correto para a mendicância — são portadores de graves distúrbios. Deveriam estar tomando remédio. Em vez disso, o Movimento Antimanicomial os entregou ao consumo de crack e, agora, de oxi. Um plano para exterminá-los, segundo a mais eficiente estratégia da eugenia nazista, não teria sido mais eficiente. Enquanto não morrem à míngua — ou assassinados por seus próprios pares de vício —, vagam pelas cidades como zumbis, literalmente: são mortos-vivos.

    Quando os chamados manicômios foram extintos, os “foucaultianos” chegaram às suas casas e acenderam uma vela moral ao guru da sanidade alternativa, do “outro modo de ser”, da conformação psíquica que não estava rendida ao produtivismo reacionário do capital. Pegaram “O Nascimento da Clínica”, deleitaram-se de horror ainda uma vez com as páginas iniciais de “Vigiar e Punir” — com a narrativa da mais horripilante cena de tortura e execução que conheço —, tudo acompanhado de um bom papo, quem sabe de um bom vinho (os mais ousados queimaram um matinho…), e deram seu trabalho por concluído.

    Ocorre que a Dona Gislaynne e o Seu Uóxiton ficaram lá na periferia, sem ter o que fazer com o seu maluco. Como ela tem de sair de casa para trabalhar, vê-se, muitas vezes, na contingência de acorrentar o seu adolescente viciado em crack ou algum outro parente sem condições de viver em sociedade. O risco é algum vizinho denunciar, e ela acabar em cana. O Seu Uóxiton também tem uma vida dura e não pode cuidar dos seus doentes. Com má sorte, um repórter ainda enfia um microfone na sua cara e pergunta como ele tem coragem de ser tão cruel; não entende, afinal, que seu filho ou filha ou é um ser alternativo ou é apenas um doente das drogas, que merece um tratamento humano?

    Merece, sim! Mas onde?

    O fim dos manicômios é filho do mesmo aparelho mental que pede agora a descriminação das drogas. “Já que os hospitais psiquiátricos se mostram inúteis; já que eles são fontes de violência e agressão aos direitos humanos; já que os doentes são tratados como cães sarnentos; já que tudo isso ofende o nosso senso de dignidade de humanidade, então a única coisa decente a fazer é extingui-los.” E assim se fez! E os zumbis vagam por aí, nem mortos nem vivos, como lhes é próprio.

    Por que evoquei a questão de renda? Porque as pessoas com dinheiro têm o que fazer com seus loucos e com seus drogados. Clínicas que atuam do modo como deveriam atuar os tais manicômios, mas a um preço proibitivo para a esmagadora maioria das pessoas, oferecem aos ricos aquilo de que estão privados os pobres. É a forma que tomou o libertarismo dos bem-pensantes.

    O mesmo se daria — ou se dará, já que o movimento é crescente — em relação às drogas. Para as classes médias endinheiradas e para os ricos, com efeito, não haveria grandes mudanças. Já hoje a maconha e outras porcarias são vistas como parte de escolhas individuais. O futuro de boa parte dos consumidores está mais ou menos garantido; se necessário, sempre haverá uma clínica à disposição.

    Com os pobres, a coisa é bem outra. À medida que a maconha — e as outras drogas; por que só ela? — pudesse circular livremente nas escolas, por exemplo (ainda que não fosse consumida no local), é evidente que aumentaria brutalmente a base de potenciais consumidores, como, aliás, é estupidamente maior a base de pessoas que experimentam álcool. Trata-se de uma droga que altera o comportamento; que potencializa — e isto está cientificamente provado — o efeito de outras doenças psíquicas, como esquizofrenia; que induz o consumidor, sob seu efeito, a imaginar uma vida interior mais rica do que ela efetivamente é no mundo dos não-consumidores.

    Que assistência terão esses pobres? A mesma que já têm hoje para o álcool, o crack, o oxi e outras drogas: nenhuma! Ficarão, a exemplo dos loucos das “classes inferiores”, sem ter a quem apelar. O estado brasieiro estará lhes facultando uma chance a mais de se tornarem dependentes químicos sem uma resposta adequada como política pública. É A MESMA LIBERDADE QUE MATA DO MOVIMENTO ANTIMANICOMIAL.

    A descriminação das drogas será mais um presente que os bem-pensantes darão à humanidade ideal, ignorando os homens reais.”

    Por Reinaldo Azevedo

  42. ath disse:

    Longe de representar qualquer oposição à realidade dos fatos, os desesperados neonaziproibicionistas vociveram em favor de ‘internamentos em manicômios’, e ajuntam bestas-feras filhotes de genocidas ditaduras,lçkasdjfçdfçlkaw´p3´wpsdçkgjadfpwu[-

  43. Caio M Nogueira disse:

    Quanto mais eu leio, mais eu vejo a ignorância e falta de informação da nossa sociedade. Vejo equiparações entre maconha e crack, só pode ser piada neh!! Nunca houve um único relato se quer de morte por fumar maconha. Também não vemos doidões dirigindo alucinados de maconha e causando estrago. A maconha possui inúmeras aplicações medicinais. No ramo alimentício temos especialistas ousando a dizer que será a soja do futuro, visto o enorme valor nutricional da semente. É dela inclusive que se pode extrair óleo para produção de biocombustíveis. Para fabricação de celulose (leia-se papel) 4mil hectares de plantação de canhamo (maconha) correspondem a cerca de 16mil hectares de outras plantações para fabricação de celulose. Sem falar que, o seu cultivo não degrada o solo, como outras culturas. Enfim, os argumentos para explorarmos a planta são inúmeros, não é atoa que geralmente os proibicionistas fogem do debate, e sempre lhes faltam argumentos fazendo com que andem em círculos, repetindo sempre o mesmo discurso. Discurso vendido pelos americanos nas décadas de 30 e 40, para que pudessem impor a proibição em todo o mundo, visando apenas o lucro financeiro de alguns industriais que estavam no controle político da época. As indústrias por trás das falácias eram a farmacêutica, petrolífera, celulose e textil. Como podemos ver, é muito dinheiro em jogo. E nós até hoje vivemos na cegueira imposta por eles. PROIBICIONISTAS busquem informação e participem do debate, deixando o preconceito de lado. “eu prefiro ser/ essa metamorfose ambulante/ do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”. É hora evoluir Brasil!!!
    E por sinal, é bom ver que a revista Veja não está sendo tomada por colunistas com posturas ditatoriais como o sr. Reinaldo Azevedo, que foge da raia e censura comentários divergentes ao dele.

  44. Edmilson disse:

    A idea central do texto do Sr. Reinaldo de Azevedo é o impacto que a liberação teria nas camadas mais pobres da sociedade. Ele fez a comparação com a política antimanicomial para nos dizer que a ideia da proibição não funcionar é por causa da inépcia dos governos. E se (ô palavrinhas!) a polícia realmente prendesse os bandidos (pequenos e grandes) e cuidasse das fronteiras o esquema de proibição poderia funcionar.

    O problema, no meu ponto de vista, é a “maturidade” da nossa sociedade para lidar com a legalização, visto que uma das consequencias óbvias dessa medida seria o aumento exponecial do consumo. Esse aumento incorreria na alta dos gastos com a saúde, o que seria ruim para as pessoas (pois parte se tornaria dependente química, coisa que os defensores negam ou camuflam no discurso) e para economia do país, ou seja seria uma situação duplamente ruim para os pobres.

    A legalização não é algo essencialmente ruim, mas deve levar em consideração a realidade e a postura dos outros países. O Brasil pela quantidade de gente oportunista que tem pode até virar um fornecedor do tráfico ilegal internacional.

    PS: Não uso nenhum tipo de droga, mesmo as lícitas, mas vivo em um morrinho do RJ e a realidade das drogas (desses milhares de cracudinhos que vejo todos os dias) é bem pálpavel pra mim, por isso fico sempre com um pé atrás quando falam em liberar o consumo de algo que abre portas (quem pode negar que o faça com argumentos baseados em estatísticas confiáveis)para um mundo terrível que todos os dias tenho que encarar.

  45. HélioChicão disse:

    Ainda bem que todos podemos falar o que quisermos (né?). Mas, isso cria divergências tolas, onde cada um defende seu ponto de vista. Não estaria errado, se esses pontos de vista não fossem baseados apenas em achismos próprios. Então, não adianta falar o que você acha, cada um acha o que quiser e isso não se discute. Mas, ainda temos que tomar decisões, certo? Certíssimo, que as deixemos com o melhor método de decisão já iventado: a ciência. Há a uma certa hipótese, vamos testá-la com rigor científico para vermos se é provável que seja verdade ou não. Enquanto não tivermos evidências científicas suficientes, vamos parar de perder tempo e energia discutindo achismos e vamos filosofar (desenvolver o raciocínio lógico, que gera hipóteses) e incentivar as pesquisas necessárias. Cadê a ciência por detrás da maconha? Ainda não é conclusiva? Então, vamos pesquisar até que seja. Até muitos sofrerão? Com certeza, mas muitos já sofrem, e sair tentando achismos só irá aumentar o sofrimento a longo prazo. A política não sabe como resolver as coisas, a religião também não, muito menos o lucro. Só a ciência pode tentar resolver alguma coisa. Veja tudo que ela já fez, em pouquíssimo tempo. Ela tem as suas limitação, é imperfeita, não pode resolver tudo, mas é o melhor que nós temos, então, usar-a-emos.

  46. denis rb disse:

    Concordo, HélioChicão,
    O problema é que o radicalismo do modelo atual praticamente impede a pesquisa científica. A lei atual é tão inflexível e burra que é dificílimo para um pesquisador aprovar ou financiar pesquisa. Isso mudou muito na última década, no entanto. Esse crescimento da pesquisa deve muito ao ativismo anti-proibicionista aqui da Califórnia.

  47. denis rb disse:

    Repito, Edmilson:
    Sou absolutamente contra a liberação do uso de drogas.
    Acho, aliás, que o grande problema do esquema atual é que, por trás do radicalismo ingênuo da proibição, no fundo vale tudo e o sistema fica nas mãos dos traficantes. O estado está se omitindo de fazer o seu papel, que é regular o mercado e estabelecer regras claras. Do jeito que é hoje, vigora o “liberou geral”. Precisa ter regra.

  48. felipe420 disse:

    edimilson: ao falar que a maconha “abre portas” para outras drogas e que a legalização aumentaria o consumo vc está defecando pela boca…o que abre portas para outras drogas é a falta de informação e a disponibilidade de lixos como cocaina e crack ao lado de uma planta…legalizar não aumenta o consumo, só olhar para Portugal, que descriminalizou todas as drogas e não observou esse aumento…

  49. fernando disse:

    Parabéns a Denis pela coragem de publicar esse texto franco em um veículo reacionário, com leitores ignorantes acerca de como o abrandamento/descriminalização/legalização funciona nos países em que vem sendo testada.

  50. Jandira disse:

    Ótimo texto, debate o atual modelo falido de combates às drogas. Álcool é muito mais prejudicial que a maconha e no entanto não é visto com tanto preconceito. A proíbição das drogas causa mais danos à sociedade do que a droga em si, pois cria um mercado negro altamente violento e sem controle do estado.

  51. Jefferson disse:

    Excelente texto!

  52. jorji disse:

    A liberalização do uso e comercio de drogas em países estruturados, principalmente no setor judiciário , com certeza dará certo, em países como o Brasil, que nem sequer tem penitenciárias , uma justiça lenta e injusta, leis absurdas, corrupção generalizada, até o setor de saúde vemos várias noticias de falcatruas, o pior que as drogas é o nosso sistema, é preciso pensar muito mais a respeito deste assunto.

  53. Rafael disse:

    Otimo texto! E para os hipócritas, essa histótia de “abrir portas” para o consumo de outras drogas mais fortes é culpa de anos de lavagem cerebral feitos pela mídia na cabeça de pessoas VELHAS que acham que fumar cigarro e tomar cerveja é NORMAL. Quem fala isso, se quer foi pesquisar quanto aos benefioc e maleficios causados pela tal planta! Vão pesquisar antes de apenas falarem o que vcs decoraram da televisão! Existe um video na youtube, que mostra uma cidade do interior do RN ou RS (nao me lembro) onde os habitantes usavam a maconha como remedio e chá para diversas enfermidades e não sabia que eram maconha, chamavam ela de Niamba. Assistam o vídeo e vejam um exemplo. NINGUEM PODE PROIBIR UMA PLANTA DE CRESCER NO QUINTAL DOS OUTROS! Abram a cabeça! Esquecam um pouco a televisão e plantem mais arvores!

  54. Maria Joana disse:

    Boa reportagem, eu diria até mais, ÓTIMA reportagem! Agora caro colega, insentive seu colega reiNALDO, que de REI não tem nada, a ler essa matéria! Ainda bem que para cada reiNALDO, existem pessoas como você que pensa no futuro, e não fica com essas ideias hipócritas! Temos que discutir mais esse assunto, muitos ainda acham que não, mas a CANNABIS será a solução para tudo, quem sabe até para ajudar nosso planeta com aquecimento global! Sugiro como reportagem, uma discução sobre o cultivo caseiro de nossa erva sagrada! Fico muito feliz quando vejo materias positivas sobre MACONHA! Muito Obrigado! EU SOU MACONHEIRO COM MUITO ORGULHO COM MUITO AMOR

  55. Bruno j disse:

    PArabens pelo texto. Espero que possamos seguir o exemplo de Portugal, ond edescriminalizaram todas as drogas em 2001, e hoje o pais colhe os frutos !

    abs

  56. ESTEVAM SILVA disse:

    parabens pelo texto , bela reportagem , fico feliz em ver pessoas de influencia e de respeito tambem sendo verdadeiras e concientes ao escrever algo sobre a maconha !!😀

  57. Tarciso Silveira disse:

    Eu ri, pigmeus UEHUEHUEHUEHUEHUEHU
    porfavor, se poderem assistir corrida pela cura, porfavor!

  58. Felipe disse:

    Para de FALTA DE BOM SENSO!!! Chega de Al Capones faturando alto! LEGALIZEEE pelo bem da humanidade!!

  59. Felipe disse:

    Rafael, eu acho que era salvia e não cannabis.

  60. Edmilson disse:

    Felipe, falar que aumentaria o consumo não é bobagem e sim pura lógica. Aconteceu na Holanda.
    Em Portugal o consumo não é crime, mas é penalizado. Essa história de que há legalização é mentira, deve ser por isso que não houve aumento.Ainda há punição. Se quiser a íntegra da lei:
    http://www.infarmed.pt/portal/page/portal/INFARMED/LEGISLACAO/LEGISLACAO_FARMACEUTICA_COMPILADA/TITULO_III/TITULO_III_CAPITULO_III/lei_30-2000.pdf
    ou aqui
    http://www.dgpj.mj.pt/DGPJ/sections/leis-da-justica/livro-iv-leis-criminais/pdf6313/l-30-2000/downloadFile/file/L_30_2000.pdf?nocache=1181571548.07
    Já dizer que a maconha não abre portas para outras drogas pode até ser o que muitos estudos dizem, porém pela minha experiência de vida, posso dizer com toda certeza que ela abre sim esse caminho. Pode até ser um “achismo”, mas não devemos ignorar nunca nossas experiências e se deixados levar por qualquer estudo. Nesse argumento vc pode até vencer por enquanto. Vou fazer o que pede e dar uma estudada, todavia a ideia que levantei é que devemos ter um cuidado especial com a população pobre que sempre paga a conta quer queira ou não.
    e Denis,
    realmente o Estado não faz a parte dele e isso é uma das causas que faz a proibição não funcionar. Aqui no RJ, por exemplo, tem UPP, mas essa medida de segurança pública é mais um acordo tácito com os traficantes que continuam vendendo suas diversas drogas.

    Talvez a liberação dê certo, mas, como a maioria das políticas públicas, depende das condições educacionais da população.

    Até em países desenvolvidos algumas experiências deram errado, outras deram certo (vejam aqui: http://veja.abril.com.br/250701/p_075.html )

    Só depende de nossa população escolher o caminho que vai seguir.O meu voto é para continuação da proibição e isso não me torna hipócrita. Hipócrita é a pessoa que por um matinho queimado enche de dinheiro uma fábrica de desgraça e morte e depois fica falando de paz, amor e menos violência.

  61. NICK disse:

    leio as opiniões contrarias a legalização e fico imaginando que essas pessoas com curso superior (FORMADAS DE CONHECIMENTO)devem ter perdido muito tempo assistindo televisão em vez de irem atrás de conteúdos reais e concretos que existem mundo a fora, e estão muito fixadas no mundinho brasileiro dos CONSERVADORES RADICAIS QUE ADORAM IMPLANTAR MEDIDAS DA ÉPOCA DA DITADURA NOS ANOS DE HOJE!!! ESQUECERAM QUE SÃO LIVRES E VIVEMOS EM UM PAÍS DEMOCRÁTICO.
    Descobri que os brasileiros tem o mesmo medo dos Norte-Americanos (MEDO) ISSO É QUE MANDA LÁ PARA CIMA! O MEDO ESSE MUNDO É MUITO SUJO DE INJUSTIÇA QUE TODOS OS GOVERNOS CRIAM E ESCONDEM DISCARADAMENTE E NINGUÉM NOTA!!

  62. Bruno disse:

    Caramba! PARABÉNS pela reportagem. É muito dificil achar jornalistas que cobrem esse assunto sem preconceito e moral distorcida.

    Denis, já que o Blog é “Sustentável é pouco” Quando você ira comentar sobre os milagres industriais da variedade industrial da planta? Sobre o rendimento de 4x a 10x superior na produção de papel se comparado a madeira, no bio-combustível das sementes e biomassa, das fibras muito mais resistentes e sustentáveis que o algodão, nos plásticos, nos alimentos ricos em omega 3 e omega 6.

    O uso como remédio é só uma das facetas dessa planta, que é conhecida como a rainha das plantas em antigos livros de botânica.

    Na parte medicinal sempre imagino a seguinte cena: Senhor de idade com artrite, glaucoma, insônia vai buscar remédio na farmácia do SUS e sai com uma MUDA de cannabis especialmente desenvolvida por médicos e cientistas da Embrapa para os problemas dele. MUITO MAIS BARATO tanto pro governo quanto pro cidadão!

    Eu realmente não consigo entender a sustentabilidade do preconceito contra essa planta.

  63. Antonio Carlos disse:

    Penso que é muito mais saudável e racional o viciado (se é que isso vicia!)fumar o seu baseado com a erva que ele próprio plantou, do que se arriscar comprando qualquer porcaria em oferta nas esquinas na vida, batizada com outras porcarias mais viciantes e mais rentáveis para os traficantes. Será que não é este o canal ?

  64. O. Dilema disse:

    Boa noite, Denis.
    Certamente, a legislação em Portugal, na Holanda, na Suíça e noutros países do velho mundo é antiproibicionista, e não há outro interesse senão em reduzir o comércio de drogas, reconhecidamente classificadas como leves por aqueles países, aos chamados ‘turistas da droga’, ou seja, proibir o comércio, mas não o consumo, aos cidadãos que não sejam residentes naqueles países, muitos cidadãos, é verdade, alcoólatras e tabagistas mal-educados. É inverdade afirmar que a atual legislação, há 10 anos em Portugal e há 40 anos na Holanda, caminha para a proibicição total e simples do consumo atualmente controlado de quaisquer substâncias, tanto para os seus concidadãos maiores de idade quanto também para estrangeiros não-residentes, muito menos uma proibição persecucionista, a qualquer preço, que viesse a resultar em barbárie sangrenta, genocídio ignorado, que, no Brasil, implica a morte de 60 mil pessoas por ano, entre usuários, não-usuários, policiais, cidadãos comuns etc., todos no meio de um fogo cruzado equivocadamente defendido, há quase 100 anos, pelos proibicionistas brasileiros. Mesmo aqueles artigos veiculados no Brasil, e citados por alguns proibicionistas, não contêm sequer uma única linha que prove ou demonstre, real e cabalmente, ter havido ou existir atualmente qualquer proibição e/ou qualquer retrocesso naquelas políticas públicas de sucesso incontestável, países que, note-se, não permitiram a chegada de epidemias degeneradas em cracolândias e oxilândias. Basta ler na íntegra os documentos. Ao contrário, os países antiproibicionistas são países tolerantes, que, com a desincriminação total de usuários, contiveram o que era conhecido, há 50 anos atrás, como epidemia de heroína.
    O remédio e a cirurgia da proibição no Brasil foram um desastre absoluto, alêm de matarem o doente moribundo. O tecido social degenera-se numa incontrolável espiral de violência, e a atual política, incriminatoriamente proibicionista há 80 anos, fracassou. A única forma de os proibicionistas provarem que estão certos é legalizando a maconha no Brasil. Argúem hipóteses de frágeis premissas, senão falsas, e não demonstram verdadeiramente suas alegações. Por haver um caminho do meio, entre a legalização total e a incriminação total, trata-se, na verdade, o proibicionismo faz parte de um falso dilema, uma falácia de pensamento que não considera outras hipóteses, reais, devidamente demonstradas naqueles países 100% antiproibicionistas.

  65. Bruno disse:

    A genética dela é tão flexível, vide as milhares de variantes recreativas, que imagino a possibilidade de produzir sementes com saberes ou cores específicas para alimentação! Ou até mesmo “otimizar” a produção d eum óleo específico para plásticos ou outras aplicações que tornariam o processo industrial mais barato e eficiente em diversos setores. Sei de experimetos do óleo como substituto a querosene de aviação.

    Qual a vantagem, bom, quem conhece petróleo e seus derivados sabe que querosene não é bem preciso – tem-se hidrocarbonetos de muitos tamanhos diferentes – o quereosene ou a gasolina são uma “faixa” de hidro carbonetos. Na de aviação o propelentes de fogutes o problema é o alto custo para se reduzir essa faixa – um combustível mais estável e com maior rendimento.

    No caso da cannabis pode-se por seleção artifical ou transgenia fazer com que a planta produza óleos com hidrocarbonetos estáveis – de tamanho conhecido, controlado e dentro uma faixa justa. A flexibilidade genética dela abre tantos horizontes na indústria que só consigo comparar o horizonte de possibilidades com o horizonte espacial.

    Posso afirmar, como Engenheiro Aeroespacial, que a melhor coisa para se projeta um motor de alta eficiência é ter hidrocabonetos conhecidos no combustível.

    Fribras anti chama! Aposto que dá para brincar de otimizar a genética da planta para criar fibras especializadas – que sejam melhores que as sintéticas de hoje. Uma planta é uma máquina de criar nano estruturas, essa planta então…

    Serve de alimento, produz roupas, papel, casas, medicamentos, plásticos, combustível….. etc. sem fim.

    Se fosse colonizar outro planeta – as mudas estariam na estufa hidropôica da nave. Não existe planta mais versátil e mais ligada a história da tecnologia humana do que esta.

    A rainha das plantas.

  66. O. Dilema disse:

    Há cada 100 anos, o proibicionismo brasileiro produz 8 MILHÕES DE MORTOS, segundo estatísticas oficiais, mais os casos que não se comunicam.
    Para qualquer ser humano decente, e que tenha aprendido Aritmética até até a 4a. série primária, 8 milhões de mortos é uma quantidade monstruosamente inominável de cadáveres. É uma constatação barbaramente chocante que requer um dia inteiro de silêncio. Um abjeto mar de sangue que exige o fim do que se chamou, dirão os historiadores do futuro, de proibicionismo brasileiro, e que degenerou no mais mortífero genocídio contra toda uma população, durante a maior parte do século XX, e que ainda durante o século XXI.

  67. anon. disse:

    A bem da verdade, o primeiro comportamento, senão o único e o maior, que é criminalmente perseguido e inadmissivelmente proibido praticar na Holanda, em Portugal, na Suíça, na Argentina etc., é o extermínio, o genocídio e o holocausto de concidadãos, cuja medonha insânia de tresloucada violência, sentida na pele por pelo menos duas grandes guerras, é necessariamente lembrada pelos historiadores às gerações antiproibicionistas atuais e do futuro, para que jamais recometam sangrenta barbaridade contra seus concidadãos, principalmente contra negros, pardos, dependentes químicos e outros odiosamente alcunhados de ‘doentes mentais’. É bom lembrar que o holandês Van Gogh também foi alcunhado de ‘doente mental’, bem como Salvador Dali.
    A verdade é duríssima, mas é a verdade, mesmo ainda que, iludida, seja também provisória, como logicamente tão bem arguiu Platão.

  68. Nicholas disse:

    Eu sou do Canadá, onde as leis da maconha medicinal (por serem muito restritívas) foram declaradas em primeira instância anticonstitucional. Em 60 dias, se o governo novo não facilitar para mais tipos de pacientes, a maconha será legal em Ontario.

    Médicos aqui não estavam despostos a receitar maconha devido a uma questão de burocracia com seguros. Seguradoras não estavam despóstas arcar com despesas sem ter um controle de onde vinha a cannabis. Eles declararam que eles não queriam ser o São Pedro para os pacientes que queriam se tratar com um medicamento menos abrasivo especialmente para o figado.

  69. A. disse:

    Aqueles que realmente quiserem saber a verdadeira história sobre a Maconha, assistam ao documentário adiante, em 8 partes.
    Cannabis.com.pt – Grass – A historia da Marijuana
    1.

    2.

    3.

    4.

    5.

    6.

    7.

    8.

  70. Claudio disse:

    “Edmilson 11/05/2011 às 20:44
    e sobre a holanda”
    .
    Ora meu querido, quer falar sobre a Holanda apresentando como fonte um noticiciario de blog evangélico?! Faça-me o favor! E depois, liberação está na sua cabeça e na do sr Azevedo, os antiproibicionistas falam em legalização, consulte um dicionário e veja a diferença. Liberado já está. É vendida por traficantes marginais em qualquer esquina, pra gente de qualquer idade ou grupos de risco e sem o menor controle de qualidade. Impostos também são pagos pra sustentar essas guerras inúteis que matam mais do que o consumo das drogas e não impedem nem regulam seu uso. Pagamos impostos e vivemos em guerras.
    .
    Quanto a Holanda, todos (os que se informam) sabem que na Holanda a maconha não é legalizada de fato, muito menos é liberada, ela é tolerada e muito bem controlada. Os que ouviram o galo cantar e não sabem onde, gostam de dizer que a Holanda está “arrependida” de ter “liberado” a maconha e se agarram nessa falácia pra usar contra a legalização no Brasil. Se aproveitaram do caso dos turistas que estariam “invadindo” os coffeeshops e a mera INTENÇÃO do governo de barrar os turistas, que além de ser discriminação, fere os princípios e acordos de livre comércio da união européia.
    Palavras como “banir” adoradas pelos reacionários de plantão, estão agora sendo associadas às palavras coffeeshop e Holanda.
    A Holanda anda pra frente meu rapaz, não vai adotar políticas proibicionistas claramente fracassadas no mundo inteiro, e começar a ter mais problemas com tráfico como México e Brasil.
    Em relação aos turistas, foi somente uma proposta do governo de transformar os coffeeshops em “clubes privados” com frequentadores registrados, o que não adiantaria pois foi visto que iria surgir um comércio extenso com os passes dos “clubes”
    .
    A ENCOD (European Coalition for Just and Effective Drug Policies), em seu boletim de setembro, publicou um relato do processo de revisão que está ocorrendo na Holanda. Explica que em julho, um relatório, produzido pelo Conselho Científico de Política Governamental (IDPC – International Drug Policy Consortium), foi apresentado ao governo. O relatório envia muitos sinais positivos sobre o fenômeno da cannabis e dos coffeeshops. De acordo com o comitê, a tolerância em relação à cannabis NÃO tem fracassado e uma proibição total da cannabis é indesejável.
    Proibicionistas hipócritas e falaciosos existem no mundo inteiro, todos sabem.. o tráfico está aí pra comprovar.

  71. DOIDO disse:

    DEUS FEZ A MACONHA. O HOMEM, A CACHAÇA. EM DEUS EU CONFIO!

  72. Bruno disse:

    Se meus filhos, de nove anos, forem no bar tentar comprar cigarro ou bebida o dono do bar vai botar eles pra fora e depois me avisa – lógico que existem donos de bar sem escrupulos, mas é uma minoria e deveria se presa.

    Do jeito que está meus filhos tem acesso fácil a drogas ilegais. Um exemplo, a um ano atrás tinham CRIANÇAS vendendo maconha e crack na pracinha perto da minha casa – dava pra ver da janela. Tenho nojo disso, para não serem presos, os traficantes aliciam crianças para fazer o trabalho sujo.

    Sabe como resolveram o problema???? REFORMARAM a praça, deixaram as quadras utilizáveis, colocaram aparelhos de exercício físico, placas ensinando a fazer alongamento, organizaram a reserva das quadras – pronto. O ponto de drogas sumiu e foi substituído por pessoas fazendo bom uso do bem público. Hoje, quando olho pra fora não vejo mais crianças vendendo crack, vejo idosos e jovens se divertindo e fazendo exercícios.

    Proibir não resolve o problema do abuso de drogas, não resolveu com o alcool e não vai resolver com nenhuma droga. E ainda existem milhões de pessoas no Brasil que fazem uso responsável do alcool, uma minoria abusa – estes que abusam é melhor jogar uma lata de lixo chamada prisão ou trata-los?

    Se SEU filho se envolver com drogas você vai querer ele preso junto mais drogas e sendo torturado e sodomizado ou prefere que ele seja tratado por médicos?

    EU DEFENDO A REGULAMENTAÇÃO PELO BEM DOS MEUS FILHOS E FUTUROS NETOS.

    E também porque já usei a maconha, por mais de 10 anos, me formei, fiz mestrado, passei em primeiro em concurso publico e parei. Parei não porque me fazia mal, mas porque se eu plantasse seria preso como traficante e se comprasse estaria dando dinheiro para monstros que abusam de crianças. E no fim das contas – o uso responsável NÃO TRAZ TANTOS RISCOS a ponto de justificar a proibição. Eu, e mais milhares e talvez milhões de brasileiros que são responsáveis, somos a prova viva disso.

    E no caso da maconha, po, ela não é usada só como droga recreativa como o alcool ou cocaína – ela tem milhares de usos!!!

    O risco de abuso existe, mas é justificável que toda a sociedade, incluindo os que não usam, paguem o o alto custo da violência e corrupção associados a proibição?

    Não seria mais inteligente regulamentar, como fazem com alcool e cigarro, cobrar impostos para cobrir os custos da minoria que abusa, e parar de jogar dinheiro pelo ralo tentando forçar uma planta a ser extinta?

    E tem mais, nem me venham com essa de que “leva a outras drogas” que isso é balela – os efeitos da cocaína, crack, heroína são MUITO diferentes da maconha – quem gosta de maconha gosta de relaxar e não ficar LIGADÃO. Eu mesmo nunca usei nada além de maconha e alcool. E alcool eu só bebo no natal quando tomo um vinho com a minha familia.

    Por que eu, que nem gosto tanto de alcool, sou obrigado a aceitar que apenas essa droga seja legal? Se quero ter a experiência de alteração de consciência dada por uma planta, que nem tem risco de overdose, de forma responsável na minha casa – porque sou um criminoso?

  73. Marcelo disse:

    DEUS FEZ A MACONHA. O HOMEM, A CACHAÇA. EM DEUS EU CONFIO!(2)
    Perfeito! huahuahuhauuhauhauha!!!!

  74. Luiz disse:

    Parabens pela reportagem Denis, como sempre sua cabeca esta um passo a frente da nossa realidade.

  75. arminda disse:

    muito bom, denis !! já sonhando com meu “econegócio”. seria uma volta triunfal às origens, de onde nunca saí, pra ser sincera !!🙂

  76. Ítalo Barros disse:

    SENSACIONAL, na moral.

  77. denis rb disse:

    🙂
    Viva o sertão, arminda

  78. denis rb disse:

    Excelente, Bruno.

  79. Marcelo disse:

    A troll say’s to me:

    “Quer-se dizer: já que as pessoas usam, é melhor que o façam legalmente! Mas, quem, afinal, pode nos garantir que eventual dinheiro arrecadado com impostos não será desviado dos cofres públicos, como muitas vezes acontece?”

    Let me see…

    Então… deixar os bilhões que este mercado movimenta nas mãos de criminosos violentos que aliciam crianças nas periferias é melhor do que se fosse controlado e regulamentado pelo governo? Os traficantes sem dúvida fazem melhor uso deste dinheiro do que o governo poderia, né!?

  80. Frank disse:

    A maconha só é odiada por quem nunca experimentou.

  81. reynaldo disse:

    Se for para o caro fumar e assistir “Insensato Coração”, sou contra, pode fazer mal á cabeça do coitado. Proponho a venda de maconha em livrarias.

  82. Marcelo disse:

    rsrsrsrsrs
    concordo reynaldo, sou contra essas drogas pesadas que a TV despeja sobre as pessoas diariamente.

  83. Maurício Bittencourt disse:

    Prezado Denis, gostaria que vc comentasse sobre os moradores do bairro de Higienópolis, em São Paulo, que lutam CONTRA a instalação de uma estação de Metrô no local, o que melhoraria o trânsito e o nível de poluição no bairro. Achei o episódio bem ilustrativo sobre o porquê de as grandes cidades serem como são, principalmente a capital paulista. Foram séculos norteados pelo liberalismo de cidadãos influentes e elitistas como esses de Higienópolis, sem um estado que pensa no bem comum de milhões de pessoas. Um abraço s todos!

  84. jorji disse:

    Denis, voce é contra a liberação do consumo de drogas? Não entendi, francamente não entendi.

  85. denis rb disse:

    Sou contra a liberação, jorji
    Sou a favor do fim da Proibição burra. Sou a favor de regulamentar, de controlar, de criar regras, de regular.

    O que temos hoje é o “liberou geral”. O estado finge que é proibido e, como ninguém controla porque o estado se omite, vale tudo, inclusive matar. Sou a favor do contrário da “liberação”. Sou a favor de regras.

  86. denis rb disse:

    Maurício,
    Estou longe do Brasil, não sabia dessa notícia. Seria engraçado, se não fosse triste.

  87. maria ponikierski disse:

    É um caso complicado esse de usar droga como medicina, apesar de todo medicamento ser uma droga. Isso faz pensar que toda droga pode ser liberada para consumo, o que fazer para poder defender nossos filhos dessa perdição? Será que só uma boa conversa resolve? Vai ser bom a liberação para uso medicinal? Muitas perguntas para se fazer, e as respostas serão satisfatórias?

  88. Claudio disse:

    Oi Maria, tenho notado que há um certo engano a respeito da “liberação” no caso da maconha. Na verdade o que se cogita não é liberar a maconha, pelo contrário, é regular e controlar seu comércio afim de controlar seu consumo. Na forma de comércio atual (tráfico) não há controle algum e qualquer pessoa de qualquer idade, inclusive nossos filhos, tem acesso fácil, sem controle, sem alertas, sem qualquer informação.
    Justamente para proteger nossos filhos a maconha precisa ser controlada por orgãos competentes, que definitivamente não são as facções criminosas, que por sua vez ameaçam toda a sociedade, usuários ou não. Uma boa conversa é a melhor maneira de se evitar problemas futuros, uma conversa franca e amigável vale ouro.
    Quanto ao uso medicinal, sim, já foi mais do que comprovado seus benefícios na medicina, o que não significa que ela será liberada para consumo, mas sim liberada do sistema proibicionista, liberada do sistema criminal, para ser controlada pelo governo e receitada por médicos. Os médicos tem acesso a diversas substâncias perigosas, não é estranho que eles não possam lidar com uma planta que foi usada durante anos na medicina, e que atualmente é usada por milhões de pessoas de forma recreativa ou medicinal sem apresentar qualquer índice de mortalidade ou danos?

  89. Heitor disse:

    Ei,ei, ei! Que história é essa de “é uma moça doce, de olhos azuis, com jeito de princesa de desenho da Disney. O tipo de nora que qualquer sogra do mundo adoraria ter.”? Qual é o oposto disso que ninguém gostaria de ter? Isso cheira mais um trabalho para a brigada do politicamente correto. Isso cheira a racismo, ai ai ai!

  90. Heitor disse:

    Tenho uns vizinhos que perdem o controle quando estão drogado com sei lá o quê. Deve ser tudo junto, álcool com marihuana. Pessoas que durante a semana são civlizadas, mas quando toma a liberdade de usar essas porcarias que você defende viram uns bichos. Tenho vídeos para provar. Portanto, é isso aí.

  91. Bruno disse:

    Heitor –

    Eles podem estar abusando de qualquer coisa – independente do que seja, legal ou ilegal – se eles ferem as normas do condominio, ou causarem algum dano a terceiros ou propriedades – INDEPENDENTE SE A DROGA QUE ABUSAM É LEGAL OU ILEGAL – devem ser enquadrados na lei.

    Abuso não vai mudar, ninguém que defende a regulamentação diz ou pensa que o “problema das drogas” vai sumir. Mas os problemas relacionados a ilegalidade delas sim vai ser reduzido.

    E podia ser abuso de som alto, abuso de sal, abuso de gordura, abuso de aspirina, abuso de alcool, abuso de café. Nenhum desses problemas tem que ser tratado pela policia e sim pela família e médicos.

    Pode ser que se mandar prender esses seus vizinhos resolva o seu problema, mas a que custo? Conseguiria dormir sabendo que ao invés de ajudar alguém a sair do abuso jogou as pessoas em uma fossa fétida?

    Se você não fosse vizinho, mas sim o pai desses malucos – preferia um vizinho que lhe avisasse do abuso assim poderia conversar com seu filho, encaminhar para tratamento se for o caso ou que ele fosse jogado na prisão?

    Todos os dias vejos beados fazendo merda, ainda mais nos fins de semana de madrigada. É briga em bar, é idiota batendo carro. Proibir vai tirar o mercado da mão de pessoas honestas mas não vai reduzir os abusus – a minoria que gosta de abusar procura onde for necessário.

    Agora eu, que rarissimas vezes na minha vida abusei de alcool, porém de forma responsável e sem jamais dirigir. Que nunca causei problemas com vizinhos, trabalho, pago impostos, educo meus filhos – porque não poderia fumar meu baseado em paz para ler um livro ou jogar?

    Porque vocês podem tomar uma cervejinha, até mesmo do lado do seu filho, depois jogar uma bola com ele e eu não posso sai empinar pipas com meus filhos depois de ter fumado um cigarro que só me deixa relaxado e alegre, algo que eu plantei ou comprei de um vendedor legal?

    Porque a SUA droga pode, e a que eu gosto não? Quem lhe dá o direito de dizer o que eu devo ou não fazer da minha vida pessoal se eu jamais lhe afetar ou faltar com honestidade?

    Tratar todos os usuários como viciados e abusadores é ignorar a realidade por completo – existem abusos sim, mas como qualquer coisa é sempre uma minoria. Vocês que são contra gostam de botar tudo num saco só, generalizar.

    Então vou generalizar aqui: quem é contra a regulamentação da maconha é tudo um bando de alcoolatra fudido sem nada na vida e que o único dinheiro que ganha é da corrupção e envolvimento com traficantes.

    Pronto – generalizei como vocês fazem com os usuários de maconha: Feliz? Representa a sua realidade? Não né? LÓGICO que não! Assim como eu não sou um baderneiro, nem mesmo quando eu fumava, sempre fui careta em tudo.

    Quer um exemplo do que a repressão faz? Adivinha porque apareceu tanto Crack e Oxi no mercado????? REPRESSÃO:

    http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/controle+de+solventes+e+a+causa+do+oxi+diz+policia+federal/n1596948854383.html

    A PF diz que o surgimento do Crack e oxi são o resultado do “sucesso” na repressão dos produtos usados no refinamento da cocaína – e acham que isso é bom!!! Crack e Oxi nas ruas parece ser uma coisa realmente positiva para a atual politica de drogas. Tanto que na mesma reportagem, como solução eles estudam aumentar ainda mais a repressão e fazer acordos internacionais. Pra que? Pra aumentar ainda mais a produção de Oxi?

    Se não é capaz de enxergar os males que a repressão criminal causam ao invés da opção de regulamentar e tratar os abusos como problemas de saúde, então preste mais atenção no mundo a sua volta e assista menos TV. Quem sabe passa a reparar no que acontece no mundo real.

  92. denis rb disse:

    maria ponikierski,
    Só complementando a ótima resposta do Cláudio. Hoje, com a proibição, nos EUA, o número de adolescentes para os quais é oferecida droga estái em torno de 100%. No Brasil não há dados mas duvido que seja diferente. Ou seja: dá para dizer com quase absoluta certeza que, em algum momento, um traficante vai oferecer droga para seu filho, ou sua filha. Claro: ele(a) pode recusar. Mas a disponibilidade de drogas hoje, com a Proibição, é total. O sistema californiano pelo menos serve para colocar um médico no caminho – hoje absolutamente aberto – entre o adolescente e a droga.

  93. denis rb disse:

    Sim, Heitor, não é à toa que mencionei as características étnicas da Dale. Essa informação é relevante aqui neste contexto.
    A maconha foi proibida há 80 anos basicamente por um motivo: porque era a droga dos negros e dos latinos (enquanto o ópio era a dos chineses, e o álcool, majoritariamente, a dos brancos). Não é à toa que a indústria da maconha medicinal escolheu uma lourinha como sua porta-voz.

  94. Heitor disse:

    Se a maconha tem alguma propriedade medicinal, então que seja usada para este fim, não tenho preconceito nem ódio da maconha. Como isto será feito? Precisa ser estudado.

    Porém já fui conversar com uma pessoa que pensei ser civilizada, mas que sob o efeito de sei lá o quê, e junto de um traficante que vim a saber depois, simplesmente me agarrou pelo pescoço na frente de dois policiais. Por isto, nunca mais vou pessoalmente conversar com essa gente. Eu mando a polícia que tem o treinamento necessário para lidar com isto e tem o dever constitucional para este ato.

    Infelizmente, o mundo puro em que só se usa a maconha em medicina não existe. É tudo misturado.

    Existe lei contra embriaguez, espero que a polícia retome a repressão contra isto, pois vejo as pessoas mortas-vivas nos bares escravas da cerveja e do álcool.

    Não podemos viver sem a repressão policial contra as drogas, e estou falando de álcool também. Cai um jato de 253 passageiros a cada dois dias nas estradas brasileiras. Este é um dos legados das drogas.

    Maconha pode existir, desde que haja repressão e que seja muito severa.

    Os chineses vocês sabem, executam traficantes.
    Os latinos são executados pelos cartéis das drogas.

  95. denis rb disse:

    Te garanto, Heitor, que, das duas, uma:
    – ou o sujeito que o agarrou pelo pescoço não estava sob o efeito de maconha, que não provoca comportamento violento ou imprudente,
    – ou vc deve ter falado alguma bobagem muito grande para ele. Mas aí não é justo culpar a maconha, né?
    Falando sério:
    A guerra contra as drogas reconhecidamente resultou em: drogas mais consumidas, mais potentes, mais perigosas, mais disponíveis, mais associadas a violência e morte, alem da corrosão da democracia e dos direitos constitucionais. Não funcionou, e qualquer pessoa que não seja moralista, desinformada ou pessoalmente interessada na manutenção do status quo (traficantes, por exemplo) concorda com isso. A guerra contra as drogas, assim como o stalinismo, é uma utopia bem intencionada mas inerentemente equivocada, porque não leva em conta os apetites humanos. É um erro, e esse erro ficou óbvio.

  96. s. disse:

    Olá Denis.
    No caso concreto de Portugal, a política de drogas é a seguinte:
    1) Não são juízes nem policiais quem definem se o caso apanhado em flagrante trata de usuário ou traficante. Isso é definido por uma comissão composta de 3 pessoas, nomeadas por despacho do membro do Governo responsável pela coordenação da Política da Droga e da Toxicodependência, estando seus membros sujeitos ao dever de sigilo absoluto.
    Um dos membros da comissão será um jurista designado pelo Ministro da Justiça, cabendo ao Ministro da Saúde, e ao membro do Governo responsável pela coordenação da Política da Droga e da Toxicodependência, a designação dos restantes, os quais são escolhidos de entre Médicos, Psicólogos, Sociólogos, Técnicos de Serviço Social ou outros com currículo adequado na área da toxicodependência.
    Portanto, essa imensa diferença é apenas a primeira entre nossa atual legislação proibicionista, fracassada(50 mil mortes por ano), e a Política da Droga e da Toxicodependência em Portugal(0 mortes por ano).
    2) Quanto às sanções, ou são multas ou são admoestações, não se dando foco nem prioridade em inculpar, criminalizar, perseguir e prender usuários, com enquadramentos de apologia ao crime, ou associação ao tráfico, causando superlotação carcerária em penitenciárias cheias de usuários maltrapilhos. Verdadeiramente, não é esse, e nunca foi, o foco em Portugal.
    3) Como prova cabal, eis aí o vídeo da última marcha da maconha em Portugal, na qual vê-se os marchantes, inclusive FUMANDO sua erva, todos PROTEGIDOS pelo Estado Português, marcha escoltada exemplarmente pelos valorosos agentes da PSP – Polícia de Segurança Pública de Portugal, funcionários públicos incapazes de agredir seus concidadãos, sejam eles adictos ou não.

    4) Logo, o modelo português é MILHÕES de vezes superior e eficiente, se comparado ao nosso medieval sistema opressor e criminalizador da nossa juventude, principalmente dos mais carentes.
    5) O modelo holandês, então, fica para outra oportunidade, mas, não há dúvida, é um modelo que está para o champanhe na mesma razão em que o nosso modelo está para a urina.
    6) Para finalizar, é preciso, ainda, comparar o sistema prisional português e holandês com o sistema carcerário brasileiro. E ver-se-á, mais uma vez, que, realmente, não existe a menor comparação…

  97. denis rb disse:

    s.
    Genial sua descrição, obrigado. Estou indo para Portugal (e Holanda) em junho. Qualquer ideia, contato ou dica é bem vindo.
    Abraço
    Denis

  98. denis rb disse:

    Muito bom, Bruno. Recomendo a todos.

  99. Edmilson disse:

    Bem senhores, eu acho que a crítica contra os proibicionistas é um tanto quanto infundada aqui no Brasil, pois a atitude coercitiva simplesmente não é eficaz porque o Estado não faz valer a lei.

    Nossas fronteiras são abertas para entrada de drogas e armas, governos fazem pactos e alianças com traficantes e a polícia simplesmente não prende, muitas vezes faz o trabalho de traficante. Nosso sistema carcerário tem uma ideologia que prega que deve haver uma reeducação para o indivíduo que comete crimes ao invés de simplesmente puni-lo pelos seus erros. A única educação que há em presídios é a educação para o crime, visto que não há estrutura que possa abrigar nosso presos com dignidade. Sem privilégios e alguns direitos, mas com dignidade.

    Assim é muito fácil falar que proibição não dá certo. Se o Estado não agir conforme a lei nem a legalização terá êxito.

    A ideia da legalização para uso medicinal é ótima, porém ainda ACHO que o uso recreativo dessas substâncias continue proibido. Já bastam o cigarro, o álcool e os carros matando nossa gente, não precisamos de mais um problema. Já é difícil ensinar o pessoal a usar tudo isso e não se matar, imagina com mais drogas e o uso sendo incentivado pela mídia(muito maconheira no meu ponto de vista).

    Aqui no Rio o “funk proibido” com suas mensagens incentiva a todo tipo de crime, sexo inseguro (tem um que diz para vc beber menstruação) e drogas. Nossos jovens (sou professor de um colégio estadual que fica entre duas comunidades) não sabem o que é respeito nem a si e nem ao próximo e é extremamente difícil de fazê-los entender que isso é necessário para a vida deles. Fico imaginando o que essa legalização poderia fazer… espero que aquilo tudo de bom que vcs dizem aqui aconteça, caso contrário…

  100. Claudio disse:

    Exelente Bruno!
    Dr. João Menezes – Neurocientista com Ph.D. no Massachusetts General Hospital e na Harvard Medical School, nos Estados Unidos e professor da UFRJ.
    .
    Assim como ele, outros grandes cientistas e médicos respeitados no Brasil e EUA defendem a mesma opinião.

  101. denis rb disse:

    Edmilson
    Sua descrição bate exatamente com a que proibicionistas no mundo inteiro fazem. Aqui nos EUA, por exemplo, a policia também é acusada de tolerante com os traficantes e as fronteiras também são tidas como pouco vigiadas, apesar de ser o pais mais rico do mundo e que gasta mais em segurança do que o resto do mundo somado. Essa sempre será a nossa sensação enquanto tentarmos regular por decretob o desejo humano. Todos os países do mundo tentaram proibir a droga. Nenhum conseguiu. Todos se frustraram com os resultados pífios e com a corrupção da policia, da justiça e do estado. Os únicos países que estão satisfeitos com suas políticas de drogas são aqueles que resolveram legislar com a razão e resolveram que humanos são humanos. Portugal, por exemplo, está satisfeitíssimo com a decisão que tomou 10 anos atras.

  102. Bruno disse:

    Edmilson – Nem nos países de primeiro mundo, em prisões de segurança máxima conseguem controlar as drogas ilegais, imagine então em uma sociedade livre!

    O alcool e o tabaco estariam causando ainda mais danos se fossem proibidos, pois alem dos danos na saúde dos que abusam existira o dano colateral do mercado ilegal.

    Você que é educar deve perceber como as crianças tem acesso mais fácil a drogas ilegais do que as legais!

    A única forma de se aprender, na vida, sobre o uso de drogas é pela experiência de parentes, amigos e pessoais. Por isso mesmo nunca abusei do alcool – minha familia bebe com responsabilidade e herdei isso deles. Se a droga é proibida não existem referências para o uso responsável nem pesquisas, nem boa educação.

    Quando digo boa educação remeto ao erro de muitos educadores, que é não ser honesto sobre as drogas, dizendo apenas que fazem mal, mal e matam. Assim que a pessoa experimenta e não percebe os efeitos que o educador falou, ele perde o respeito.

    Foi assim comigo e com a maconha. Sempre fui muito careta, tanto alcool quanto cigarros só fui experimentar com 18 anos de idade. Nessa época também descobri que a maioria dos meus amigos fumavam e fiquei muito, muito preocupado. Pois ainda tinha aquela imagem de “droga do capeta” referente a maconha.

    Quando comecei a buscar informações sobre a droga e descobri que tudo que tinham me ensinado era mentira – experimentei e foi minha droga por opção por mais de 11 anos.

    Nunca experimentei mais nada, talvez tenha alguma predisposição genética – pois todos os meus primos, a maioria dos meus tios e pelo menos um dos meus avós também usaram por toda a vida.

    Algumas pessoas acham o sabor do brócolis bom, outras não. Algumas gostam de beber, eu não. Outras tem intolerância a lactose. Eu adoro a maconha e nunca me fez mal ou me levou a cometer nada criminoso, nem mesmo vontade de outras drogas, nada.

    A verdade é que muitas dessas discussões se focam na substância, quando a questão é o individuo! Sempre comparo armas e ferramentas – elas não matam ou constroem alguma coisa sozinhas, precisam do agente. A mesma coisa para as drogas – não é a maconha ou o alcool que faz alguém fazer merda – e sim a pessoa que usa como desculpa o efeito da substância para fazer merda.

    O cara perde emprego porque é um incopetente, culpa da maconha. O maluco é mandado embora porque vai bebado – a culpa é do alcool? Não, para chegar na situação de abuso e vicio o cara estava doente antes, provavelmnente com depressão e usa o alcool como “remédio”. O crack não força ninguém a fuma-lo – mas estar em um sinuca social e sem esperanças faz o individuo buscar o prazer instantaneo.

    Deve-se sim entender os efeitos de cada droga, ensinar isso e ter os dados disponíveis a todos, por mais dificil que seja – mas todo tratamento e solução para o problema das drogas deve ser voltato ao indivíduo e as politicas sociais para evitar que novas pessoas entrem na fossa e por isso, passem a abusar de drogas.

    Antes existia a cola… ninguém mas fala de cola né? Mudou a droga, os individuos e os problemas sociais são os mesmos. Botar a culpa na droga, novamente, é só mais uma desculpa do governo “A culpa não é nossa… é das drogas, dos traficantes e dos usuários”

    É muito fácil empurrar o problema pra de baixo do tapete do que encarar ele né!

  103. Claudio disse:

    Edmilson, vc está certo quando diz que o consumo de álacool e tabaco causam problemas, porém se eles fossem proibidos como a maconha continuariamos tendo os mesmos problemas com o consumo (ou até piores) somados aos problemas do mercado negro que surgiria. Visto que a maconha causa menos danos a quem consome do que o álcool ou tabaco, não precisamos dos problemas que o comércio dela vem causando.
    .
    O uso do tabaco não é incentivado pela mídia, por que razão a mídia incentivaria o uso da maconha? Nenhuma proposta de legalização da maconha prevê propagandas na mídia. O líder do PT Paulo Teixeira, que apioa a legalização, quer ir além e retirar da mídia as propagandas de álcool. A legislação sobre o tabaco seria a mais adequada pra regular a maconha.
    Pense na legalização como sinônimo de controle e não como sinônimo de liberação. É claro que com a legalização continuaremos a ter alguns problemas com consumo e até com contrabando, mas qualquer controle feito pelo governo, por pior que seja, será muito melhor e mais vantajoso do que o atualmente existente.
    .
    Temos que perceber finalmente que, depois de prender mais de 21 milhões de usuários de maconha desde 1960, a maioria deles jovens e 90% por mera posse, que “fazer a guerra” contra a cannabis não funciona mais agora do que para o álcool durante o dia da Lei Volstead.

  104. Heitor disse:

    Ah! Olha só. Gente fina é outra coisa. A figura está nos EUA onde a polícia funciona. Nos EUA os drogados ficam na cadeia, Denis Russo. aqui, no Brasil, para botá-los na jaula precisamos fazer muita força junto ao poder público.

    Os Chineses dão um tiro na nuca dos traficantes.
    Os Latinos levam tiro na nuca dos cartéis de drogas.

  105. Heitor disse:

    Esse mundo que você sonha, onde só usam maconha, não existe.
    A repressão não foi causa do desenvolvimento de outras drogas, porque o homem sempre busca drogas diferentes em busca do grande “barato”.
    Não caio na sua conversa fiada Denis. Só os dependentes químicos o abraçam.

  106. jorji disse:

    Eu não digo que será a solução final para a questão relativo às drogas, mas é na medicina, na biologia, enfim , é na pesquisa científica, nos laboratórios que virão as melhores alternativas, hoje já se sabe que consumo de drogas está fundamentalmente associado ao metabolismo químico dos indivíduos usuários, serão criados remédios ,da mesma forma que são tratadas as pessoas depressivas e outras patologias de natureza psicológica, em pouco tempo serão criados esses remédios. Nem a regularização, nem a opressão são soluções, isso porque não existe soluções, é na biologia é que estão todas as causas, inclusive indivíduos com natureza criminosa ou violentas, já se sabe que estão associados a questões de metabolismo químico do cérebro.

  107. Marcelo disse:

    Heitor, se “o homem sempre busca drogas diferentes em busca do grande ‘barato’”, como vc diz, por que é que vc aceita que o estado gaste o seu dinheiro pago em pesados impostos tentando proteger (de si mesmas) pessoas que não dão a mínima se um amigo ou familiar seu pode ser atingido por uma bala perdida comprada com dinheiro de drogas? Sem a proibição as drogas seriam problema apenas dos usuários, com a proibição o que era para ser problema de uma minoria se torna problema de todos.

  108. Marcelo disse:

    1)”nos EUA onde a polícia funciona.” Ah, funciona? Então pq os EUA são o maior mercado consumidor de drogas ilícitas do mundo? E tbm o país desenvolvido com o maior indice de homicidios? Se a repressão fucionava tão bem por que eles estão legalizando a maconha em diversos estados?
    2)”Nos EUA os drogados ficam na cadeia, Denis Russo. aqui, no Brasil, para botá-los na jaula precisamos fazer muita força junto ao poder público”. Cara, nem nos EUA nem em lugar algum é possível colocar todos os “drogados” na cadeia. Só no Brasil seriam necessárias mais umas dez mil prisões. Vc está disposto a pagar esta conta mesmo sabendo que nunca existiu uma prisão onde as drogas não tivessem entrada fácil?
    3)”Esse mundo que você sonha, onde só usam maconha, não existe”
    Existe sim, Heitor. É o meu caso, por exemplo, há mais de dez anos. E o de dezenas de pessoas que conheço.

  109. Edmilson disse:

    A mídia maconheira que me refiro são os jornais e seus portais na internet. Eu não assisto muita televisão…

    Jorgi, não concordo com seu ponto de vista determinista. A biologia tem até seu peso no problema, porém o ser humano ainda tem o poder de escolha que pode ou não ser influenciado pelas punições que a lei exige para crimes.

    Drogas para mim sempre será um problema social, sendo elas legalizadas,liberadas ou proibidas. Um indivíduo sobre efeito de alguma delas pode causar muitos danos aos outros. Exemplo carro+álcool.

    Bruno,
    Concordo com seus argumentos sobre a responsabilidade dos indivíduos. Também valorizo que as políticas públicas sejam feitas com base no princípio de deixar cada um levar a vida que quer, respeitando sempre a lei vigente feita pelos representantes da sociedade no congresso. Os indivíduos não podem ser tratados como crianças que não sabem escolher. O negócio é que o uso de drogas afeta essa capacidade de escolha (umas mais outras menos), daí o problema na liberação/legalização do uso recreativo.

    No mais é ótimo ter alguém com sua categoria aqui no fórum. É bom conversar e discutir argumentos, além de ser bom não xingado por expressar uma ideia contrária.

    Denis,
    Não sabia que nos EUA o argumento proibicionista era esse também. Entendi seu ponto de vista sobre a regulamentação dos desejos ser falível. Tô aprendendo algumas coisas aqui. Sempre disse para meus alunos que as drogas dão uma sensação boa, mas cobram caro no futuro “distante” e nas relações com outras pessoas, principalmente na família. Hoje já aprendi sobre pontos de vista diferentes que podem ser debatidos.

    Bom ter um espaço que mostra que a relação com as drogas tem várias tonalidades de cinza e que não existe o bom e o mau que pregam por aí.

    PS: A cola ainda é uma realidade aqui no RJ.

  110. Marcelo Fellows disse:

    E a pergunta não cala:

    Pq um pode beber cachaça e fumar seu mata-rato até cair, provavelmente perturbando o vizinho, enquanto o outro não pode fumar uma planta que cultivou?
    Pq a madame pode se entupir de antidepressivos e calmantes e enquanto o outro não pode fumar uma planta que cultivou?

    Que tal se o outro tb pagasse impostos pelo seu hobby dentro de uma cadeia produtiva legalizada, devidamente fiscalizada, gerando empregos e impondo responsabilidades civis aos seus usuários.

  111. Claudio disse:

    Heitor, e mundo livre de drogas que vc sonha, existe?
    Será mesmo que são só os “dependentes químicos” que apoiam a legalização? Seguindo a mesma ideologia simplista podemos dizer então que somente traficantes e corruptos apoiam a proibição, afinal, eles detestam regulamentações, fiscalizações e controles, por isso não vemos o álcool e os cigarros sendo vendidos junto com maconha e cocaína.
    Ser contra o consumo de drogas é algo plenamente louvável e coerente, milhares são contra o consumo de álcool e tabaco, agora ser contra regulamentações e controles é que pega meio mal.
    .
    “Há 40 anos os EUA declaravam guerra às drogas. O objetivo era um mundo livre de drogas. Mas algum dia o mundo já foi livre de drogas?
    Uma guerra perdida que só fortalece o crime organizado.
    Quem ganha com a proibição e com as inúteis guerras urbanas? Quem perde? O que aconteceu durante esses 40 anos de guerras? O consumo diminuiu ou foi controlado? A maconha sumiu do mercado? Os traficantes desapareceram?
    .
    Afinal, o que realmente defendem os proibicionistas? Uma guerra fracassada que impede o controle e só fortalece facções criminosas? Qual o medo que eles tem do governo tomar o controle das mãos do tráfico? O tráfico controla melhor esse comércio do que o governo controlaria?

  112. Heitor disse:

    Cláudio 16/05/2011 às 15:13. Nos EUA a polícia funciona. Aqui eu preciso ser muito mais insistente para me proteger dos vândalos e baderneiros, geralmente estão drogados ou se drogando.

    Eu sou diferente dos outros brasileiros. Eu exijo fiscalização. Desde buzina na minha orelha à tráfico de drogas, eu bato o pé até que me atendam. O Estado me atende, pois sabe que não desisto.

    Assim são os viciados, fazem passeatas, festas churrascos para terem suas necessidades atendidas.

    Não adianta ficar achando teorias conspiratórias sobre o porquê das drogas ainda estarem nas ruas nas ruas. Resolve que você precisa bater o pé, berrar e espernear, até que lhe ouçam.

    Os humanistas colocaram na Constituição Brasileira que bandido não pode ser submetido a tratamento degradante ou serviços forçados, porém, as crianças continuam quebrando brita para ganhar o pão.

    Cada um é responsável por si, se maior de idade. Só quero ser atendido prontamente caso algum drogado esteja cometendo delito. Se vão tratá-lo, prendê-lo, não é problema meu.

  113. jorji disse:

    Edmilson, lamento, mas eu estou certo, o que estou dizendo não é invenção da minha parte, é a ciência, até a escolha do indivíduo é uma questão de metabolismo do cérebro, até psicopata que antigamente se acreditava que o meio ambiente era decisivo na formação destes indivíduos, hoje já se sabe que o problema está ligado a uma glândula que fica no centro do cérebro, que produz hormônios que nos induz a sentir compaixão, pena, etc, e nos psicopatas essa glândula é dez vez menor, produzindo pouca quantidade de hormônio, nos indivíduos que tem tendência do uso de drogas, também a ciência já sabe que a questão é o cérebro, por isso que eu digo, a questão das drogas é mais uma questão de natureza médica, a proibição é que levou a essa baderna, a essa burrice, a essa idiotice.

  114. s. disse:

    Nosso Valoroso Irmão Estadunidense, como toda grande Nação, tem seus acertos e equívocos históricos.
    Entre grandes democratas, Jimmy Carter, Bill Clinton e Barak Obama sempre souberam disso.
    Dos equívocos, basta lembrar que, embora os USA possuam aproximadamente 5% da população mundial, são detentores de quase 25% dos presidiários do planeta, na sua imensa maioria uma população carcerária predominantemente de cidadãos negros, pardos e latinos.
    Barack Obama tentará a reeleição em 2012, e é favorável a acabar, terminantemente, com a fracassada ‘guerra às drogas’, que gastou uma fortuna incalculável, matou milhões de inocentes no meio do fogo cruzado, fomentou a corrupção e o enriquecimento ilícito do tráfico internacional, e encarcerou um segmento expressivo da população historicamente ligada ao cultivo e consumo de marijuana naquele país.
    É exatamente ESTE o discurso que será defendido por Fernando Henrique Cardoso, junto à comissão do Senado em Brasília, dentro em breve:
    Mundança URGENTE de 100 graus no curso da letal e fracassada política proibicionista, que, no caso brasileiro, degenerou em uma sangrenta hecatombe inominável, e com contornos concretos (milhões de mortos em 80 anos) de odiosos discursos pró-exterminação.

  115. Heitor disse:

    Querem soltar a droga, que soltem, mas ANTES eu quero polícia com a mão pesada da lei para controlar os descontrolados. Anote aí, Denis Russo. O povo quer polícia nas ruas e bandidos nas cadeias. Quanto mais drogas, haverá mais bandidos? Vamos ver.

  116. Bruno disse:

    Edimilson,
    “PS: A cola ainda é uma realidade aqui no RJ.”
    Porém, não é muito falada mais. É um produto legal, que tem uma minoria que faz o uso indevido por razões muito parecidas com a do crack ou casos de abuso de alcool – existe um padrão nos miseráveis que abusam de drogas destrutivas.

    Veja, o solvente da cola e a propia cola em sí são produtos legais, existe uma minoria que abusa – mas existe um mercado ilegal armado e perigoso por trás da cola? A única parte criminosa é o elo entre o vendedor legal e o que está comentendo abuso com a droga. Como o mercado não é proibido – pois usa-se como cola afinal – o bandido não precisa brigar por pontos de venda ou do assassinato como pagameto de dívida. Existe o problem social e de saúde, mas não o narcotráfico.

    Da para ficar doidão com gasolina, gás de isqueiro, desodorantes aerosol – mas são drogas destrutivas – as pessoas tem acesso fácil mas nem as vem como tal.

    A maconha nem chega aos pés de solventes em termos de risco, e passa longe do alcool nesse sentido. O alcool relmente afeta a capacidade de escolha, bebados se arriscam na beira de precipicios.

    Da minha experiênca digo que a maconha tem um efeito bem oposto nesse sentido, geralmente as pessoas ficam mais desastradas e ao mesmo tempo cautelosas, maconheiro passa mais longe do precipício porque se caga de medo. Em estudos nos efeitos ao volante, a consequência de um baseado foram motoristas andando a 40km/h e freiando para cones, ao invés dos cones atropelados pelo alcool.

    Mas ainda insisto no individuo – todos os que ficam idiotas quando bebem, já eram idiotas antes. Todos que conheço que se metem em brigas quando bebem, já eram paviu curto antes. O alcool não altera o caráter, mas alivia os efeitos de inibição social – seja de paquera ou de violência.

    Um cara chato vai ficar um mala se fumar maconha, um idiota vai ficar um idiota se chapado – um cara com boa indole vai só dar risada e falar bobagem.

    Não é a substância – é sempre o individuo – a responsabilidade no uso está no cara de pavio curto saber que sempre se mete em brigas se beber de mais e aprender a controlar sua dose. E isso só se aprende com convivio social e uso da droga dentro do contexto.

    Se a droga é retirada para o “submundo” a pessoa não sofre os efeitos das pressões sociais para se adaptar e conhecer seus limites pessoais. Assim como eu aprendi que festa com cerveja a vontade não foi uma boa idéia pra mim e o vexame de fazer papelão em publico inibiu muito bem qualquer vontade minha de ficar bebado – ou seja, abusar.

    A droga, para evitar abusos tem de estar sob os olhos da sociedade. O filho que abusa de alguma droga, seja ela qual for, muda muito sua relação com ela quando apronta uma e passa vergonha na frente dos pais.

    Alguns são incorrigiveis, abusam, causam danos, abusam de novo e acabam matando como o deputado do paraná que atropelou dois a 190km/h totalmente bebado uma suv blindada. Tenho certeza que o acidente fatal nao foi o primeiro dano que ele causou bebado – deve ter se metido em muitas confusões antes disso. Só que por sua posição a sociedade não o puniu antes e deixou chegar as mortes.

    Quem da o primeiro gole da noitada, cheira sua primeira carreira, fuma seu baseado: era uma pessoa sóbria quando tomou essa decisão.

    Se provoca danos só a si mesmo, problema dele, se provoca danos a outras pessoas, qualquer droga deve ser um agravante, e não um atenuante.

    O que eu quero é REGULAMENTAÇÃO. Assim posso mostrar pro mundo que posso ser produtivo, respeitável e bom pai, mesmo sendo “maconheiro”.

  117. Claudio disse:

    “Cada um é responsável por si, se maior de idade. Só quero ser atendido prontamente caso algum drogado esteja cometendo delito.”
    .
    Claro Heitor, vc, eu e qualquer um. Como vc mesmo disse, cada um é responsável por si e pelos seus atos após a maioridade. Drogado ou não todo aquele que cometer atitudes que afetem diretamente a terceiros deve ser punido. Acontece que não existe crime por autolesão. Se alguém tenta se matar não pode ser preso. Se alguém decide tomar água sanitária não pode ser punido, mas se forçar alguém a tomar aí então justifica uma punição.
    64% dos brasileiros consomem álcool, se algum deles cometer algum delito contra terceiros ele não será punido só porque o álcool é legalizado?
    Não se pode punir ninguém pelo simples ato de consumir alguma coisa. As punições que acontecem referentes ao uso de maconha não ocorrem pelo fato do cara ter consumido, mas sim pelo fato dele ter adquirido.
    Legalizar a maconha não significa liberar traficantes e usuários para fazerem o que quiserem. Se alguém cometer crimes será punido independente da situação jurídica daquilo que foi consumido antes.
    .
    Apesar do exelente funcionamento da polícia americana, eles nunca conseguiram e nem vão acabar com o tráfico e o consumo de drogas. Em NY 140 pessoas são presas por dia por posse de pequenas porções de maconha, desde 1960 mais de 21 milhões de usuários já foram presos.
    Sugiro que leia a matéria do Denis: “Baldes para segurar cachoeiras”

  118. Bruno disse:

    Um excelente exemplo de como seria se ninguém enchesse o bedelho com a maconha – sem violência, sem nada: Uso popular da maconha medicinal – Cruzeta, Rio Grande do Norte – http://youtu.be/bITTbe2dfwE

  119. Claudio disse:

    Índice de violência 0. Agora inocentes moradores que usavam suas plantas medicinais, sem NUNCA apresentarem problemas adversos, que sequer conheciam o remédio deles como maconha a “erva do demônio”, estão sujeitos a serem encarcerados e privados de usarem seus medicamentos. Em breve o tráfico e a violência vão aparecer na cidade graças a uma nova droga que eles conheceram agora: a proibição.

  120. Sábio disse:

    Tá vendo, uma mulher bonita com uma criancinha no colo, aí… Maconheiro, quando não quer ganhar no grito, cospe no cérebro dos outros.

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