Desceram o cacete

E a polícia desceu o cacete nos manifestantes pacíficos que pediam o fim da proibição da maconha, em São Paulo.

Teoricamente, vivemos numa democracia, na qual o direito de se manifestar é garantido logo nas primeiras linhas da Constituição. Não é a melhor das democracias do mundo, é verdade. Mas, no geral, respeita-se o direito de defender ideias e de manifestar-se em público. Por que é que, quando o assunto é drogas, abre-se uma exceção? Por que é que não se pode falar abertamente disso?

Em parte, a razão é moral. Existe mundo afora uma crença de que há algo profundamente mal nas drogas. É como se elas fossem demônios que infestam nossa juventude, transformando gente boa em gente má. E a verdade é que essa visão, profundamente inspirada pela religião, simplesmente não bate com a verdade.

Um dos bons livros sobre o futuro da política de drogas é um documento chamado “After the War on Drugs: Blueprint for Regulation” (“Depois da Guerra às Drogas: um projeto de regulação”), publicado por um grupo chamado Transform Drug Policy. Acho que eles mataram a charada.

“A política global de drogas está enraizada numa necessidade louvável de combater os danos reais que drogas psicoativas podem criar. Essas preocupações resultaram numa agenda proibicionista, que acaba dando autoridade moral a quem a apoia. Isso acaba fazendo com que a posição mais radical seja vista como a mais moral, e dificulta a análise racional dos impactos da proibição.”

Ou seja, acabamos confundindo moral com política pública. Em vez de tomarmos decisões racionais, partimos do princípio de que quanto mais cruel e furiosa é a proibição, mais “moralmente correta” ela é. E concluímos que qualquer pessoa que pergunte “será que não estamos indo longe demais?” é um inimigo que deve ser tratado a cacetadas. Nesse tema, portanto, não há democracia: há o certo e o errado, o moral e o imoral. Não cabe discussão.

O desembargador Teodomiro Mendes (que, pelo que leio por aí, entende bastante de cacetadas) resolveu proibir a Marcha porque ela favorece a “a fomentação do tráfico ilícito de drogas (crime equiparado aos hediondos)”. A lógica é tortuosa – sabemos que a legalização seria o pior pesadelo dos traficantes criminosos, porque esvaziaria suas carteiras. Mas fica fácil entender o que passa pela cabeça do excelentíssimo quando levamos em conta que ele acredita nessa lógica moralista segundo a qual qualquer pequena dissensão na guerra contra o demônio das drogas vai abrir os portões para todo tipo de desgraça. Deixamos um adolescente falar a palavra “maconha” em público e logo logo todas as nossas crianças vão ficar viciadas em crack. Não podemos deixar isso acontecer, cacete neles.

E a verdade é que esse medo é absolutamente infundado. Todos os países que ousaram enfrentar essa discussão e procuraram adicionar alguma racionalidade a suas políticas estão satisfeitíssimos. Portugal, Espanha, Austrália, Canadá, Suíça, Holanda, vários estados americanos: todo mundo que tentou fazer alguma coisa para realmente atacar os males causados pelas drogas reduziu custos, violência e mortes. Em nenhum lugar o caos se instaurou. Nossas políticas de drogas são tão imensamente burras que quase qualquer coisa que se faça resulta em melhora.

É bom lembrar que esse pavor irracional das drogas, no Brasil, não é exclusividade da direita ou da esquerda. Também o governo federal, de esquerda, mandou embora sumariamente seu secretário nacional anti-drogas, Pedro Abramovay, simplesmente por discutir publicamente um tema importante. Abramovay disse que era favorável a dar penas menores a pequenos traficantes, que estão superlotando nossas prisões enquanto os grandes raramente são presos, já que a polícia está ocupada demais com os pequenos. Pequenos traficantes no geral são usuários de droga que começam a vender para pagar seu vício (dois terços dos traficantes presos no Rio são réus primários pegos com pequenas quantidades). Não são muito perigosos para a sociedade. Aí, quando são presos, vão para o presídio e saem de lá membros de grandes organizações criminosas. Ou seja, nosso atual sistema é uma espécie de curso de formação de bandidos. Abramovay disse o óbvio: que isso não faz sentido e deveríamos pensar em mudar. Poderíamos concordar com Abramovay, ou discordar dele. O governo preferiu mandá-lo embora. Demônios devem ser imediatamente exorcisados. Não dá para conversar com eles.

Essa tendência de fugir do debate como do diabo, paradoxalmente, está nos levando ao inferno. A falta de disposição de discutir resulta num clima de “quanto pior melhor”, um radicalismo sem fim. O número de prisões no Brasil está crescendo num ritmo assustador. Há cada vez mais mulheres na cadeia, geralmente namoradas ou esposas de traficantes, pegas enquanto transportavam droga. Resultado: milhares de famílias desestruturadas, crianças no orfanato no caminho para virarem bandidos também. A violência explode, áreas inteiras das cidades são tomadas pelo tráfico, a corrupção galopa. A repressão provoca um aumento no preço da droga, o que por sua vez resulta numa maior margem de lucro para os traficantes e atrai mais gente para o crime. Nosso modelo produz criminosos.

E tudo isso a troco de quê? De uma redução no consumo de drogas? Nananina. O consumo não para de crescer e, pior, cresce o pior tipo de consumo: descuidado, problemático, de droga impura, sem fiscalização, sem responsabilização, sem controle.

Bom governo é o contrário do que estamos fazendo: é levar todo mundo em conta nas discussões e buscar soluções consensuais, que agradem o maior número de pessoas. Não é o caminho da radicalização.

O desembargador que me perdoe, mas quem está claramente favorecendo “a fomentação do tráfico ilícito de drogas” é ele. Essa cultura do “quanto mais radical melhor” é diretamente responsável pela prosperidade dos traficantes, pela morte de milhões de pessoas todos os anos e pela destruição das vidas de uma multidão. Que um servidor público, teoricamente comprometido com a Justiça, comporte-se dessa maneira é uma irresponsabilidade.

65 comentários
  1. Ju disse:

    “no geral, respeita-se o direito de defender ideias e de manifestar-se em público”. Jura?
    E a manifestação/greve dos professores?
    E a manifestação contra o aumento da tarifa de ônibus e metrô?
    E a peladada (ou WNBR) de 2009?

    Me parece que não se pode falar abertamente de nada nesse país que questione minimamente a nossa “democracia”.

  2. Bruno disse:

    Caramba, estava esperando ansioso pelo seu comentário do evento😀

  3. reynaldo disse:

    Denis, vou te dizer porque a Dilma demitiu o Abramovay e a grande imprensa já divulgou que, nos bastidores, ela diz que não quer nem ouvir falar nessa discussão sobre a legalização das drogas. Certamente não é por uma questão ideológica porque político profissional não tem idéias, tem apenas interesses que podem mudar como o vento. E o que acontece é que Dilma está traumatizada. Sim, traumatizada. Se lembra daquela opinião que ela emitiu a favor da legalização do aborto e que quase fez com que ela perdesse as eleições no ano passado? Pois bem, aquilo a marcou profundamente, pode ter certeza. Ela agora não quer nem ouvir falar em temas polêmicos, sua imagem deve ser pura, isenta, diante desses pontos espinhosos e isso implica em não colocar o assunto em debate, não se trata nem de ser contra ou a favor, se trata de não levantar a bola, caso contrário ela se obrigaria a tomar uma posição que levaria a perder eleitores de um lado ou de outro. É um nível ainda mais baixo da discussão, a sua impossibilidade, o erguimento de um muro de silêncio em torno da questão, perceberam? A nossa tática, assim, é a de aumentar a gritaria até batermos à porta da dama de ferro para forçá-la a se posicionar. É o primeiro passo. Definido o adversário, começa a batalha. E então não vale a pena enfrentar o governo estadual da TFP e os robocops da PM pois é dar murro em ponta de faca. É preciso usar a diplomacia e diplomacia consiste no seguinte: falamos suave na cara do adversário, sem jamais perder a compostura, e enquanto isso o dedinho vai por trás, também, suave, para ele nem perceber, até, quem sabe, gostar.

  4. breno disse:

    pai, continue a refinar a pesquisa. os argumentos estão emergindo. gradidão pelo esforço. avante!

  5. Marcelo disse:

    O cara já disse em seu blog: “gás lacrimogêneo é o perfume do regime democrático”.
    E, veja que ironia, ontem criticou a “absurda” lei anti tabaco de Nova York dizendo que “Trata-se de um excesso de intromissão na vida dos indivíduos.”
    O pior é que esta gente que não permite a divergência. É a versão deles e pronto. Que se cale quem discorda na base do cassetete e ainda chama isso de democracia.
    Eu postei uma respostas lá mesmo mas foram deletadas. Vou postar aqui mesmo:
    “Seu comentário está aguardando moderação” (haha aqui não tem moderação “cala boca”, Tio Rei!)
    “O mesmo não vale para a maconha? Não! E já expliquei umas 500 vez por quê. Recorram aos arquivos os curiosos.”
    É, você já explicou porque. É porque as drogas que você usa ou já usou (álcool e cigarro) devem ser aceitas e toleradas para respeitar a sua liberdade individual enquanto as drogas que você nunca usou (?) e pouco sabe a respeito (maconha) não devem ser usadas nem toleradas por ninguém porque a sua atitude e compreensão em relação a quais drogas devem ser aceitas ou não deve, obrigatoriamente, valer para todas as pessoas. Simples assim
    Você é assim… Este “norte moral” em relação a drogas segundo o qual todas as pessoas devem se guiar.
    Se o Tio Rei aprova o álcool e o cigarro todos devem ter o direito de se embriagar a vontade e encher o pulmão de fumaça (não qualquer fumaça, é claro. Só da autorizada pelo Tio Rei). Se o Tio Rei acha que a maconha deve ser proibida e os maconheiros devem ser tratados a cassetete e gás lacrimogêneo, nada mais democrático do que acatar a autoridade deste “expert” em classificação das drogas e em democracia e respeito às liberdades individuais, ora.

    (me desculpa Denis, sei que não devia estar usando o seu espaço para isso mas não podemos deixar esta gente nos calar)

  6. denis rb disse:

    Marcelo (e outros),
    Peço que evitem esse tipo de comentário. Vamos nos ater aqui a falar das ideias, dos debates, em vez de fazer críticas pessoais a quem quer que seja. Não é para isso que essa coluna serve.

  7. Tulio Malaspina disse:

    Também fiz uma reflexão sobre o evento no Atitude Eco (www.atitudeco.com.br) e abordo a questão da organização do evento. Toda violência deve ser condenada e nós precisamos aprender a protestar e conscientizar.
    A questão do Abramovay foi um soco no estômago da razão. Quando alguém busca uma solução mais racional, prática, a reação é essa: repressão.
    Parabéns Denis!

  8. Fábio disse:

    Americanos, os autores da mentira, que convençam a sociedade sobre a necessidade de legalização da maconha. Eu fumo, pago minhas contas e não prejudico ninguém e não vou trabalhar p tio sam desfazer a cagada que fez. Não debato com sociedade. É direito individual, é direito natural. O dinheiro vai para bandido comprar arma graças à proibição. Além do que, 99% dos senhores ‘certinhos’ têm dvd pirata. Então se for assim, todos ‘financiam’ o crime.

  9. Diego Veloso Guerra disse:

    A polícia tem o dever de fazer cumprir as ordens judiciais. Se o desembargador proibiu, que os organizadores do evento recorressem, ao invés de desrespeitar a decisão.

  10. Marcelo disse:

    Diego Veloso, este desembargador foi maliciosamente tirano, proibiu a Marcha no dia anterior, ou seja, sem condições de os organizadores recorrerem em tempo hábil ou avisar todo mundo da proibição. Além disso o que os organizadores fizeram foi mudar o foco da manifestação para protestar pelo direito à liberdade de expressão e manifestação. Querer proibir uma passeata pacífica só porque havia alguns cartazes e faixas que pediam a legalização da maconha foi de uma truculência e ignorância extremas. Bastava pedir aos organizadores que pusessem tarjas pretas de “censurado” nos cartazes e faixas (como eles já estavam fazendo) e descaracterizaria a Marcha da Maconha.
    Em vez disso a polícia reprimiu com violência excessiva, ilegal e despropositada (por isso os manifestantes responderam com aqueles gritos de ordem provocativos). Basta ver alguns vídeos por aí, teve até profissionais da imprensa que não faziam parte da Marcha apanhando daqueles covardes.

  11. denis rb disse:

    Diego,
    1. O desembargador não tinha o direito de proibir a Marcha. Indivíduo nenhum tem o poder de desrespeitar os direitos fundamentais afirmados na Constituição. Lembrando que, como sempre acontece, a decisão da proibição saiu aos 44 minutos do segundo tempo, justamente para evitar que se recorresse.
    2. Não houve um mero desrespeito da decisão. Houve negociação com o comando da polícia, que aceitou os termos negociados.
    3. Desobediência civil em nome do respeito à Constituição e aos direitos fundamentais é uma arma absolutamente legítima. Ou você também é contra Mandela, Gandhi, Martin Luther King, as revoluções no mundo árabe, o movimento Diretas Já, os blogs de oposição em Cuba etc etc etc etc? Sem desobediência civil, os autoritários reinarão no mundo e ninguém nunca vai incomodá-los.

  12. André Luis disse:

    Denis, parabéns pela sensatez, que tem faltado a colegas (sic) de classe e de redação. Abs.

  13. Fabio Ms disse:

    Então se os pedófilos realizarem uma manifestação para a liberdade de preferência sexual, deve ser permitida, de preferência na Av. Paulista? O pessoa da marcha da maconha deveria marchar na Cracolândia durante 24 horas.

  14. Marcelo disse:

    É cada uma…
    Fábio, pedofilia é crime e deve continuar sendo porque é uma violência contra terceiros, neste caso (para agravar) contra menores. Não dá para defender isso. Nunca haverá uma Marcha de pedófilos.
    Fumar maconha, no máximo (e muito improvável) pode prejudicar a pessoa que fuma. Se não existe o crime de auto-lesão por que alguém deveria ser punido só por usar uma droga? Pior, por que um viciado, seja lá no que for, deve ser jogado na prisão, onde não falta droga de nenhuma espécie?

  15. c. disse:

    Muitos jovens estão convocando:

  16. Homo Anômallus disse:

    Farisaicos Paradise e a democracia intragável dos Homo Intelecttus.
    Os incultos do avanço vivem na paz de 50 mil homicídios por ano, os radicais do pouco não conseguem propor outro caminho que não o da força bruta, induzindo a violência.
    Os proprietários da metafísica absoluta possuem a República dos Bruzundangas como brinde, por isso não querem nem debater.
    Na terra dos concretos do absurdo inversos absolutos, é o caseiro que teve sua conta estuprada quem tem que prestar contas, mas quem multiplica seu patrimônio por vinte vezes não deve dar satisfação para seu ninguém.
    Pagar imposto ou subir o morro?
    Que diferença faz?

  17. Marcelo Fellows disse:

    Entendo que, em geral, as pessoas esclarecidas após um bom entendimento da questão de legalização, acabam tendendo para a aceitação.
    Minha preocupação é com a grande massa, facilmente a manobrável pelos grandes formadores de opinião.

    Abs.,
    Marcelo

  18. Diego Veloso Guerra disse:

    Marcelo e Denis, é sempre bom conversar com pessoas que expõem argumentos!

    Denis, achei a comparação com Gandhi, blogs de Cuba, Diretas já etc um pouco forçada… São movimentos contra ocupação/ditaduras, o que, convenhamos, é bastante diferente da situação brasileira.

    Não sou a favor da liberação das drogas, mas creio que a saída mais sensata para aqueles que o são seria procurar apoio político (quem sabe até mesmo se organizar para eleger o próprio representante no Congresso).

    Marcelo, assim como o cigarro e o álcool, ao prejudicar o indivíduo que a utiliza, a maconha pode trazer maiores custos ao sistema de saúde falido do nosso país.

    Suponhamos que o Governo libere o uso estabeleça um imposto de 40% sobre o valor da maconha. Será mesmo que os traficantes desapareceriam? Ou será que eles continuariam atuando vendendo cannabis bem abaixo do custo das lojas legalizadas?

    um debate mais sério seria saudável qualquer que seja a decisão final sobre a liberação.

    abraços!

  19. denis rb disse:

    Diego,
    Sem dúvida o Brasil deixou de ser uma ditadura. Mas ser uma democracia é um trabalho permanente de defender direitos. Uma democracia que nega os direitos fundamentais da constituição (como os direitos de expressão e manifestação) está dando um passo na direção de um regime autoritário.
    E olha: não estou aqui dizendo que o fim da Proibição é uma solução mágica que resolve todos os problemas. A Proibição é que foi concebida como uma solução mágica – e que não resolveu nada. Os traficantes não vão todos desaparecer de uma hora para outra – aqui nos EUA, por exemplo, vejo que ainda há tráfico ilegal apesar de qualquer morador do estado poder comprar legalmente, bastando para isso se inscrever como paciente. Mas o fato é que o fim da probição descapitalizaria o tráfico e diminuiria sua capacidade financeira – e consequentemente seu poder de comprar armas e corromper as autoridades. Gente criminosa sempre existirá. Mas não precisamos dar tanto poder para eles, entregando de bandeja um setor inteiro da economia para eles explorarem livremente.

  20. Monica disse:

    Denis, que bom contar com você num grande “meio” pra alavancar o debate. Sempre de forma lúcida, racional…mas desta vez consegui ouvir daqui a pulsação nas suas veias. E adorei!

    A falta de sentido da política proibicionista é tão pungente que somente o moralismo, travestido de pudor religioso, consegue ainda justificá-la. Já disse isso aqui…e também sobre o equívoco de focarmos esta discussão em torno da “droga”, por si inerte e inoperante.

    Li todos os comentários do último post e me impressiona o quanto as pessoas se sentem autorizadas e a vontade para discutir o que de fato não faz parte de sua vida e do seu cotidiano. “Estrangeiros” quanto a realidade que devasta a vida das comunidades, verdadeiros palcos onde se desenrola todo o drama e o despudor genocida do proibicionismo e onde o verdadeiro “preço” por ele é cobrado. Preço ALTÍSSIMO, diga-se de passagem, por nossa recusa em pautar, com honestidade , esta discussão.

    Um dos comentários chegou a mencionar que a bandeira da legalização é levantada por usuários interessados em consumir livremente, sem interferência policial. Dei cambalhotas aqui de rir. Basta entrar em qualquer grande favela no RJ para ver meninos fumando livremente, a qualquer hora do dia, em qualquer lugar, ou seja, sequer discutimos a sério o que de fato acontece: vivemos em cidades muradas, cercadas, com leis e medidas diferenciadas para pessoas “diferenciadas” (os moradores destas localidades “sequer” “merecem” esta inscrição moral / uns se preocupam com bacolejo, outros, em não serem alvejados pelas costas).

    Não são apenas a corrupção e o tráfico que encobrimos qdo recusamos esta discussão, mas encobrimos tbm – como disse acima – a criminalização e o genocídio de pobres e negros, no geral moradores das periferias, já combalidos pela omissão criminosa do poder público. Encobrimos RACISMO. Abrimos mão de discutir a institucionalização da pena de morte, naturalizada diante de nossos olhos toda vez que um traficante (negros pé-rapados) é fuzilado, assassinado sumariamente, à nossas vistas e cada vez mais ao vivo. Naturalizamos a chacina. Ultrapassamos, a muito, o limite do tolerável!

  21. angelo disse:

    “Anslinger disse ao Congresso que os comunistas venderiam marijuana aos rapazes americanos para minar a sua vontade de lutar — tornando-nos uma nação de zumbis pacifistas.(…)
    Passaram-se três décadas até a Lei da Liberdade de Informação ter obrigado a CIA a admitir as suas mentiras, as quais foram expostas pelo programa televisi­vo da CBS 60 Minutes, e outros.
    http://hempadao.blogspot.com/2011/04/ed112-onjack-oleo-de-haxixe-soro-da.html

  22. Faiani disse:

    Denis…
    supondo que legalizando o uso e diminuindo, assim, o tráfico, o que seria dos traficantes depois que perdessem seu, digamos, “emprego”? não que eu seja contra, concordo com o fim do tráfico, a legalização e todo mais, mas como os traficantes vão se comportar depois que for legalizado??será que os meios de buscar os ávidos lucros com a atividade não vão se converter em roubos ou outros tipos de atividades ilegais? Penso que com certeza eles não vão querer arrumar um emprego e pegar no batente pra querer um salário de forma honesta.É essa minha dúvida. No mais, acho sua pesquisa muito interessante e acompanho sempre seu blog. Parabens pelo trabalho

  23. denis rb disse:

    Faiani,
    Crime sempre vai existir. Mas não precisamos dar o monopólio de uma indústria altamente lucrativa aos criminosos. Não precisamos enriquecer os criminosos, de maneira com que eles podem comprar armamento pesado, policiais, juízes e políticos. Não precisamos tornar o trabalho deles tão imensamente lucrativo.
    Talvez alguns traficantes tentem continuar vivendo de crime. Outros provavelmente, querendo ou não, vão ter que mudar de ramo. Como toda indústria, quando falta dinheiro, demite-se.

  24. wagner disse:

    As leis existem para defender ou demonstrar o pensamento(cultura e moral)de um grupo em certo momento da história.Porém tanto a cultura e a moral são mutáveis, elas refletem a percepçao de mundo desse grupo. E hj essa percepçao esta mudando (evoluçao natural), e as leis, juntamente devem mudar, pois essas são o reflexo da cultura atual. O Brasil ainda nao é uma democracia, é uma aristocracia disfarçada, para o mundo,de democracia. è só ir em qualquer pais democratico,de verdade, e irá se perceber a grande diferença. Num país que nao se pode nem discutir certos assuntos, não pode se chamar de democracia. O Brasil ainda é o Brasil de Casa Grande e Senzala do Freyre, onde a aristocracia é intocada, veja exemplo recente da blindagem feita pelo governo ao Palloci.É uma lona caminhada, mas ela tem que começar de algum lugar. E a premissa de uma democracia é o respeito e a defesa dos direitos individuais.

  25. daniel cavalcanti xavier disse:

    estamos fazemdo propaganda do pó:patrocínio:comando vermelho.

  26. hugo veloso disse:

    Sou favorável à regulamentação de drogas (por exemplo, a liberação para o comércio de certas drogas em certos locais e quantidades), mas a proposta de passar a mão na cabeça de pequenos traficantes é uma loucura.
    Pequenos traficantes compram de grandes traficantes, assim como o varejista compra do atacadista. Não havendo pena para o pequeno, o grande pode distribuir livremente a droga. E favorecer a ditadura que acontece nos morros e regiões pobres. Se há mais franqueados, a franquia cresce. É coisa simples, pura lógica, não moral.

  27. denis rb disse:

    hugo,
    Não falo em passar a mão na cabeça. Mas… Enquadrar como crime hediondo? Pena mínima altíssima? E colocar nas mesmas penitenciárias onde está o crime organizado?
    Por que não separá-los dos grandes, até para evitar que eles sejam inscritos num curso de treinamento de traficante inteiramente pago pelo nosso suado imposto?
    As estatísticas são assustadoras, a população encarcerada no país está dobrando em uma década, e quase todo o crescimento se deve ao exagero de rigor na punição de pequenos traficantes.

  28. Edmilson disse:

    Pelo que fiquei sabendo a polícia atacou os manifestantes porque eles estavam tentando fechar a Av. paulista e estavam cantando o bordão: “Polícia sem-vergonha/ seu filho também fuma maconha”.

    Uns dos direitos constitucionais é o de ir e vir. E se alguém fecha uma rua está infringindo este direito. Então a ação da polícia não estava errada. Eles poderiam fazer a manifestação caso não violassem esse direito e não agredissem verbalmente a polícia com esse bordão malcriado.

    A polícia de São Paulo sem dúvida é a melhor do Brasil e se houve algum exagero deve ser apurado e punido, porém contra uma turba que vê a polícia como inimigo o discurso não funciona por isso a polícia deve usar o uso da força para manter o direito dos outros cidadãos (esquecidos por aqui)de ir e vir.

    Nenhuma polícia é perfeita. Sempre tem um candango que não vale nada. Mas não acho que nós devemos ver os maconheiros como o lado do bem nessa história, aliás não há lado do bem.

    Lendo muita coisa por aqui tenho simpatizado mais com a regulamentação para uso medicinal, industrial, científico,etc porém ainda sou muito contra a legalização do uso recreativo e da criação de um órgão público que venda e distribua drogas para uso recreativo. O Estado não deve incentivar o uso maléfico dessas substâncias. Regular o setor e criar condições para atendimentos a viciados, principalmente nas áreas que necessitam dessa assistência (como Manguinhos aqui no RJ, as Cracoândias espalhadas pelos estados e até aqui na rua da minha escola onde volta e meia encontro alguém usando crack), é urgente. O ruim é da onde tirar esse dinheiro se o nosso governo é tão perdulário e ineficiente. Isso é uma política pública fica difícil para nós agirmos.

    O que nos resta é fazer trabalho de formiguinha nas áreas que nos são próximas.

  29. Gerson B disse:

    Bem, esse assunto de drogas mobiliza emoções de forma totalmente irracional. Eu lia diariamente o Reinaldo Azevedo, até ele proibir qualquer argumentação a favor da liberação da maconha. Até então apesar de divergir dele (sempre educadamente) nunca havia sido barrado. Tive dois comentários censurados, porque questionei essa decisão. Se ele não permite que eu fale, (é direito dele no seu blog), não tenho interesse no que ele tem a dizer (é direito meu). Nunca mais voltei lá. Uma pena, achava que ele era um exemplo de que alguem podia ser de direita e razoavel.

    E por que o desembargador foi condenado por espancamento e não por tortura? A notícia no link que você colocou diz que ele espancou um preso numa cela para forçar uma confissão. Se isso não é tortura o que seria então?

  30. denis rb disse:

    Boa pergunta, Gerson B.
    Note que, apesar da condenação, ele não foi punido, pq o crime prescreveu.

  31. hugo veloso disse:

    Denis, a lei já determina que réus de maior periculosidade sejam separados dos de menor periculosidade. Não precisa ter lei pra isso, não. No máximo, para punir governantes que não cumprem a lei.
    O juiz, ao avaliar a gravidade do caso deve dar pena menor ou maior ao acusado. É o chamado princípio da proporcionalidade.
    Então, não vejo sentido de não punir os pequenos traficantes. Eles são peça-chave para a opressão dos bairros mais pobres e serão mais ainda caso sejam colocados em nível similar aos usuários.
    O país precisa regulamentar o uso de drogas. A política atual é um desastre. Concordo com você que simplesmente proibir o uso não resolve o problema dos viciados, cria um mercado com monópolio de gângsters, pune quem faz o uso recreativo da coisa e custa muito caro aos cofres públicos. Só acho que não dá pra pular etapas. A discussão precisa ser popularizada. Eu não uso drogas, não sou simpático a elas, mas acredito piamente na necessidade de regulamentação. E o assunto precisa ser discutido de verdade. Precisamos de um Estado que não criminalize tudo mas que também não feche os olhos para o crime.

  32. Brizola disse:

    Pular etapas…?
    Francamente…
    Que tal pular… cadáveres?
    Que tal 5 MILHÕES de… cadáveres?
    Lamentavelmente, os proibicionistas são uma geração perdidamente irrecuperável…
    A mudança legislativa certamente salvará as gerações vindouras.
    É praticamente impossível reeducar um adulto analfabeto funcional.
    Burro velho não aprende mesmo.
    Não vêem que a mudança legislativa é para salvar gerações futuras, nem tampouco enxergam os mais de 5 MILHÕES de mortes que o ‘proibicionismo’ brasileiro produziu em quase 100 anos…
    É preciso investir maciçamente na educação das novas gerações.
    Estas estão (estamos) todas perdidas.

  33. angelo disse:

    Sábado, 28 de maio, saída do MASP cantando o Hino Nacional. Levem flores e calma nessa hora.

  34. Edmilson disse:

    Brizola, da onde vcs tiram esses números?

  35. denis rb disse:

    hugo,
    Seria ótimo se fosse assim, mas a verdade é que não é. Para os políticos é muito fácil endurecer as penas, independente do nível de periculosidade dos indivíduos, porque ser “duro contra as drogas” dá votos. O resultado é que hoje qualquer menino de 19 anos pobre e arrimo de família, é enquadrado como criminoso “hediondo” se vender um baseado, e está sujeito a uma pena mínima altíssima.
    O sistema é burro. E é burro porque nenhuma pessoa inteligente tem coragem de dizer qualquer coisa sobre ele. Fica com medo de ficar parecendo “conivente com o crime”, quando na verdade é a política proibicionista que é conivente com o crime, porque dá a ele uma fonte fácil e segura de financiamento.
    Não estou aqui defendendo a “descriminalização do pequeno traficante” (e nem o Abramovay defendeu isso). O que ele falou foi em dar penas menores para criminosos de baixa criminalidade para permitir que a polícia tenha recursos para investigar os perigosos, para reduzir a superlotação das cadeias e para acabar com as “universidades do crime”. Ele falou em “penas alternativas”, não em despenalização. De qualquer maneira, um jeito perfeito de evitar um debate é demitir uma pessoa por propor que se debata.

  36. Briza disse:

    Os neonaziproibiciopatas são tão burros, mas tão burros que nem contas sabem fazer…

  37. Briza disse:

    São correntes políticas batavas que, democraticamente, alternam-se no poder do Reino dos Países Baixos, Holanda. A coalizão política que atualmente está no poder é a mais conservadora. Entretanto, a mudança prevista atualmente volta-se para o que era a situação inicial dos cafés de Amsterdam inicialmente, há 40 anos atrás, ou seja, venda legal de maconha apenas para os cidadãos documentados e residentes na Holanda. Todavia, o prefeito e a população de Amsterdam são contrários a esta modificação, pois, certamente, fomentará o tráfico, multiplicando o problema ao invés de resolvê-lo, ou ao menos minimizá-lo.
    Muito desta política é devida à imensa massa de turistas BÊBADOS que vão visitar a Holanda, e não conhecem os seus costumes, nem respeitam as suas leis. Bebem e depois vão comprar maconha nos cafés pra fumar pelas ruas, fazendo algazarras e caindo de bêbados.
    Esta é que é a grande realidade, e apenas quem viveu mais de 10 anos na Holanda e aculturou-se integralmente com os saudáveis costumes da maravilhosa população holandesa pode confirmar sem reservas.
    Que paulada, hein? Agora, os bons bêbados e os bons maconheiros estrangeiros é que pagarão o pato, não podendo mais comprar maconha legal, que ainda é e sempre será garantida pelo Governo do Reino dos Países Baixos, mesmo pelos políticos mais conservadores.
    Logo, o consumo de maconha absolutamente não é e jamais será perseguido pela polícia na Holanda, quer seja contra turistas estrangeiros, quer seja contra cidadãos residentes, questão absolutamente fora do interesse até dos mais conservadores políticos holandeses.
    O que se proibiu foi a venda de maconha nos cafés de Amsterdam aos turistas estrangeiros.
    Ponto. Parágrafo.
    O resto, pra variar, é delirante mentira genocida holocausta neonaziproibiciopata tupiniquim.

  38. Edmilson disse:

    Na verdade eu queria saber a fonte dos números…
    Dizer que não sei fazer conta é fácil. Mostrar fontes confiáveis é bem mais difícil. Acusar o outro de burro é uma forma muito inteligente de debate.

    Porém continuar caindo no seu jogo pouco vai adicionar a discussão.

    O argumento que a política proibicionista é que causa as mortes é de um absurdo lógico para mim. Como a proibição facilita a vida do tráfico? O correto seria dizer a conivência das autoridades e a ineficiência da polícia que dá aos traficantes uma fonte segura e fácil de financiamento. Aqui na escola meus alunos do turno noturno sabem o quanto é pago a policiais para que o tráfico aja livremente.

    Quem tiver argumentos que me elucidam o porquê da proibição facilitar o tráfico sem mencionar a completa ineficiência da polícia e a conivência de autoridades que o faça. Agora não me venham com argumentos vazios, isso não ajuda em nada o debate, só prova que a maconha tá fazendo mal aos seus neurônios.

  39. l. disse:

    Pode crer, a maconha faz-me tanto mal que ainda dar-me-á um Prémio Nobel…
    Não costumo lecionar pra analfas funcionais, … mas abrirei uma exceção…
    Suponha uma lastimável Progressão Aritmética, em que cada termo da progressão represente a quantidade de mortes produzidas pela neonaziproibiciopatia brazuca em cada ano, ou seja, suponha, lamentavelmente, que os brazucas fascistas tenham assassinado, anualmente, 1.000 pessoas há 70 anos atrás, 2.000 pessoas há 69 anos atrás, 3.000 pessoas há 68 anos atrás, etc.,… até chegarmos aos dias atuais, em que registram-se, oficialmente, mais de 60 mil mortes anuais ligadas diretas ou indiretamente ao comércio ilegal e ao consumo de estupefacientes na brazucolândia… (imagine só o que não é divulgado… A grande verdade é que existe uma verdadeira MATANÇA em andamento no Brasil, particularmente contra cidadãos negros, pardos e pobres…).
    Agora, é só resolver esta deprimente equação linear…
    (1.000 + 2.000 + 3.000 + … + 60.000)(mortes anuais) x 80(anos) = ?
    Estão aí os teus milhões de mortos.
    Lastimavelmente, o número é ainda astronomicamente maior…
    Qualquer idiota, com Q.I. 50, deveria saber disso…

  40. denis rb disse:

    Edmilson,
    Você tem toda razão. Números não devem ser jogados aos ventos e citar fontes é um hábito saudável num debate civilizado. Eu não tenho o número de mortos que poderia ser diretamente atribuído à Proibição, mas estou tentando calculá-lo nessa minha pesquisa. Não tenho dúvidas de que ele é da ordem de milhões.
    Quanto à sua pergunta:
    Hoje há sim dados bem seguros para afirmar que a Proibição causa mortes – muito mais mortes do que as drogas em si. Isso pode ser observado, em especial, em localidades que mudaram sua abordagem, gerando estudos de caso que podem ser estudados e analisados. Por exemplo: quando os EUA proibiram o álcool, o número de homicídios cresceu 10 vezes. Quando a Proibição do álcool acabou, os índices de violência voltaram imediatamente aos níveis anteriores. O caso de países que adotaram políticas racionais para as drogas também é revelador. Hoje, em Portugal, o número de mortes por overdose é zero. Em países duramente proibicionistas, morre-se muito de overdose, porque as pessoas têm medo de levar alguém que esteja passando mal ao supermercado. No México e na Colômbia, o endurecimento da Proibição gerou uma guerra civil. Outro exemplo de morte causada pela Proibição são os assassinatos perpetrados pelo próprio estado em nome da Guerra às Drogas. Por exemplo, no mês passado, aqui nos Estados Unidos, a Swat invadiu a casa do veterano de guerra Jose Guerena, um marine que serviu os Estados Unidos duas vezes lutando no Iraque. A polícia nem sequer tinha um mandato contra Guerena – seu nome não aparecia no mandato do juiz autorizando a invasão da casa. Até onde se sabe, Guerena não tinha envolvimento nenhum com drogas. Mas as garantias constitucionais foram afrouxadas de tal forma por aqui que a invasão foi autorizada de qualquer forma. Guerena acordou assustado. Sua esposa, que tinha perdido os pais numa invasão violenta de sua casa, entrou em pânico. Guerena escondeu a esposa e a filhinha no armário, pegou um rifle e foi ver quem estava entrando em sua casa. Foi varado por 60 tiros. A polícia ainda não esclareceu se foi um engano. Esse tipo de coisa acontece todos os dias no Brasil, mas ninguém se importa.

  41. x. disse:

    Seja uma Sucessão Aritmética (a1, a2, a3, … , a80) de 80 termos, em que
    a1 = 1000 cadáveres, a2 = 2000 cadáveres, a3 = 3000 cadáveres, … , a80 = 60000 cadáveres.
    A soma algébrica dos termos desta progressão aritmética dar-nos-á a quantidade procurada de MILHÕES de mortos.
    Acrescente-se a isso uma quantidade x, que não é divulgada, e chegar-se-á aos genocidas valores do holocausto brasileiro…
    Pra quem ainda guarda em si algo de humano, isto é o fim do mundo, realmente, e o Brasil deveria ser investigado por genocídio, extermínio e holocausto contra milhões de, por exemplo, homossexuais, cidadãos negros, pobres, pardos, e usuários de drogas no Brasil…
    O resto é neonaziproibiciopatia fascistolocausta escancarada.

  42. aldo moro disse:
  43. denis rb disse:

    Não viaja, x.

  44. hugo veloso disse:

    Denis, a legislação penal brasileira é conhecida por ser excessivamente branda. Essa história de “pena alternativa” é simplesmente uma fantasia. Não impede ninguém de praticar crimes. A verdade objetiva é que a imensa maioria da população, se pudesse, aumentaria as penas de uma série de crimes e promoveria a redução de maioridade penal. Ocorre que os políticos tem mais medo é da imprensa que, de um modo geral, se comove mais com criminosos pobres do que com pobres que trabalham.
    Assim como a inimputabilidade penal dos menores os torna grandes parceiros/reféns do crime, a diminuição de penas de criminosos, aumenta a mão-de-obra do crime.
    Não precisa haver lei mais branda para que os presos sejam separados de acordo com seu grau de periculosidade. Deveria, sim, haver lei dura para governantes que não cumprem a lei, promovendo a devida separação entre presos. É lamentável que não haja grita na sociedade quanto a isso.
    A execução penal faz parte do devido processo legal. E o devido processo legal é dos princípios básicos da democracia. Quando o preso não é punido nas condições que a lei determina, o devido processo legal é aviltado, a democracia é solapada.
    Há muito a fazer nesse país.
    Abraços

  45. f. disse:

    Foco Real:
    1)http://4.bp.blogspot.com/_gL56YaJKbcw/TKisWh9xpjI/AAAAAAAABi0/X5P69Hgc1qY/s1600/cadeia4.jpg
    2)http://prisional.blogspot.com/2010/03/superlotacao-presos-sao-esquecidos-nos.html
    3)http://2.bp.blogspot.com/-G9cXnS1zSO0/TWArGeqjuxI/AAAAAAAABig/J5eM8iBOMoE/s1600/571217.jpg
    4)http://4.bp.blogspot.com/_pzYOJhobpOU/TGMocX7Nh8I/AAAAAAAAAqI/40E0cO2dCJs/s1600/19carandiru03.jpg
    5)http://www.jornalpequeno.com.br/blog/oliveiraramos/wp-content/uploads/prisao-lotada.jpg

  46. Mahatma Ghandi disse:

    Pesquisa Fantástico – Rede Globo = 60% = 60%…
    60% a favor da Regulamentação do Consumo e da Posse de Maconha no Brasil, e da descriminalização do uso e da posse de todas as drogas ilícitas no Brasil.

  47. Edmilson disse:

    O difícil é provar que todas essas mortes são causadas pela proibição visto que seria o mesmo que culpar a lei contra assassinato por todos os assassinatos até hoje cometidos. Então é uma batalha para achar uma causa lógica.

    Quando terminar seu estudo publique Denis. Venda e eu comprarei. Seu esforço deve ter uma recompensa. Conheço, acompanhando vc por alguns anos (desde a super), a sua capacidade e inteligência e por isso sei que será um trabalho de qualidade. De alguém que estuda, corre e vai atrás, que argumenta e não despreza, xinga ou inventa qualquer outro embuste para evitar o debate. Precisamos de mais gente como vc por aqui. Sigo teu exemplo e vou estudar também. Pelo bem dos meus alunos e das pessoas com quem convivo.

    Abraços e boa sorte!

  48. Bhuda disse:

    Caro Edmílson, saudações.
    Mas, quem deve provar que essa quantidade inominável de mortes e de cadáveres não é causada pela insanidade proibicionista são os próprios proibicionistas, posto que, durante 80 anos, no Brasil, já tiveram tempo mais do que suficiente para testar – com sangrentos resultados – sua lamentável legislação proibicionista. Agora, chegou o momento de mudar. E a única forma de os proibicionistas provarem que estão certos, logicamente, é apoiando a mudança legislativa, e aguardando os seus resultados, por, pelo menos, uma geração inteira, ou seja, por pelo menos 25 anos. Sim, pois os proibicionistas também são reinsistentes em disfarçar, nos seus equivocados discursos, que não percebem destinar-se a tardia mudança legislativa, ora requerida, para minimizar e/ou livrar, essencialmente, as gerações vindouras, do uso, do mau-uso, do abuso e da dependência do álcool, do tabaco e de todas as drogas, lícitas e ilícitas. As atuais gerações somos todos gerações perdidas e/ou comprometidas com a velha ‘formação’ proibicionista, somos gerações de fronteira, precisamente numa região entre a atual legislação proibicionista – de bárbaros resultados, registre-se – e a nova, que agora vislumbra-se. Apenas as gerações futuras estarão autorizadas a fazer juízo de valor e de teor sobre esta necessária mudança legislativa que, tardiamente, urge fazer-se agora, neste momento, e certamente apontarão, com pesar histórico, o elevado número de mortes produzido pela vergonhosa e deprimente legislação precentenária proibicionista brasileira.

  49. Marciano disse:

    ALFORRIA DOS ESCRAVOS NO BRASIL!
    1888 – Princesa Isabel

    ALFORRIA DOS MACONHEIROS NO BRASIL!
    2011 – Fernando Henrique Cardoso & Dilma Rousseff

  50. bêbado disse:

    “‘MATANÇA em andamento no Brasil, particularmente contra cidadãos negros, pardos e pobres” E a polícia insiste em precipitar julgamento que não lhe cabe sempre dizendo que quem foi por ela baleado ‘tinha ligação com o tráfico’. Moradores apedrejam polícia. E mídia divulga a fala tendenciosa, leviana, mentirosa em 90% dos casos.

  51. bêbado disse:

    Mas como as balas perdidas raramente atingem o asfalto da galera internauta, beligerantes insistem em clamar pela continuidade da guerra. Maconha é usada em tratamento para sarar vício em crack. Agora, tratar e depois jogar novamente uma criança debaixo da ponte sem pai nem mãe, sem amor, sem teto, sem conforto, sem porra nenhuma, já viu…

  52. denis rb disse:

    Edmilson,
    Não é a mesma coisa do que culpar a legislação contra homicídios pelos homicídios. Estou falando de efeitos reais, concretos, de políticas públicas na vida das pessoas. Veja o caso de Portugal, por exemplo. Dez anos atrás eles resolveram parar com a irresponsabilidade da Proibição e começaram a pensar racionalmente sobre como gastar melhor o dinheiro público. Em consequência direta disso, os gastos do estado diminuíram, as pessoas ficaram mais saudáveis, o número de mortes diminuiu, a violência diminuiu, o uso de drogas diminuiu, o uso de drogas pesadas diminuiu mais ainda, o uso de drogas por menores de idade despencou, a contaminação por aids diminuiu e milhares e milhares de indivíduos ficaram mais felizes. Hoje a sociedade inteira reconhece que uma coisa boa aconteceu. Lá em Portugal, gente inteligente e talentosa assumiu sua responsabilidade de zelar pelo bem público e começou a tomar conta da política de drogas. Aqui neste país continuamos covardemente recusando essa responsabilidade e deixando as drogas nas mãos de traficantes.

  53. aligheri disse:

    2 Novas Entrevistas: 2a.-feira: Reveladoras: Imperdíveis:
    Fernando Henrique Cardoso fala agora sobre Repressão às Drogas

  54. denis rb disse:

    hugo,
    Concordo inteiramente com você quando diz que a Justiça penal brasileira é leniente, e que vigora uma impunidade quase absoluta. Não precisa ir muito longe para encontrar exemplos disso: pegue o exemplo do desembargador Teodomiro Mendes, o sujeito que censurou a Marcha da Liberdade de Expressão. Segundo o que se publicou na imprensa, anos atrás ele suspeitou alguém tinha lhe roubado a máquina de lavar, sequestrou o sujeito, levou-o a uma delegacia de polícia, torturou-o, espancou-o. O crime aconteceu DENTRO de uma delegacia de polícia. Apesar disso, a justiça foi incapaz de julgá-lo a tempo de punir o criminoso: o crime prescreveu. E o criminoso hoje decide o que é justo e o que não é no país.
    No Brasil não se pune crimes assim: só o que se pune é o pequeno traficante. A polícia é incapaz de investigar. Se alguém entrar na sua casa e levar tudo o que você tem, é bem provável que o delegado vá apenas registrar o fato e guardar num armário. O índice de crimes desvendados no Brasil está bem perto do zero. E a justiça leva um século para julgar qualquer coisa.
    Essa impunidade quase absoluta do Brasil pode ser em grande medida atribuída à dureza relativa das leis anti-drogas, que ocupam praticamente todo o tempo dos nossos policiais e juízes. Leis anti-drogas são covardes, porque não enfrentam nenhum problema real, apenas problemas imaginários (a sensação de insegurança das pessoas). Quando a polícia prende um assassino ou um torturador, o mundo fica mais seguro. Quando prende um traficante de baixo escalão, abre uma vaga de trabalho e outro ocupa o seu lugar no mesmo dia, provavelmente um mais jovem. Nada muda. Ou melhor: muda sim, para pior. Boa parte dos pequenos traficantes são mulheres jovens tentando ajudar um filho ou um namorado e sendo apanhadas com droga. Elas tomam sentenças exemplares, tipo 10 anos. Imagine por exemplo que estejamos falando de uma mãe solteira, com três crianças pequenas. Quando ela é exemplarmente punida por tráfico, o que você acha que acontece com essas crianças? Qual a chance de o tráfico ter ganho três novos soldadinhos?

  55. hugo veloso disse:

    O melhor caminho mesmo é a regulamentação. Já há fartura de estudos sobre o potencial menos danoso da maconha em relação ao cigarro e ao álcool. É preciso dizer à sociedade que esse proibicionismo em relação a drogas é coisa do século XX. É algo estranho à história humana. Um invenção estapafúrdia.
    No que diz respeito ao tráfico, acho que ele vai ser praticamente dissolvido com isso: regulamentação das drogas, flexibilização de direitos autorais (a pirataria é grande aliada dos traficantes; acho que dá pra se fazer um sistema de pagamento de porcentagens de quem copia cd´s e dvd´s às indústrias fonográficas e de filmes); e, sobretudo, o Estado cumprir a lei. Já trabalhei no Judiciário um tempo… é um grande descumpridor da lei… eu sentia náusea com tudo aquilo. O Código de Processo Civil, no artigo 189, determina que o juiz deve despachar em 2 dias e dar decisões em 10 dias. Os prazos são totalmente descumpridos e não acontece absolutamente nada. Isso só fomenta a corrupção e outros crimes.
    Agora, acho que essa marcha fez um burburinho importante. FH entrar no debate vai ajudar, já que ele tem um trânsito maior entre os conservadores. Logo, a regulamentação da maconha será quase um consenso na sociedade. E creio que, partir da implementação disso, vai se verificar a possibilidade de fazer com outras drogas.
    Abraços

  56. Edmilson disse:

    Denis, tanto a regulamentação e o “proibicionismo” sem ação efetiva do Estado tendem a dar errado. Até mesmo a hipótese de legalização seria muito mais terrível se o Estado agir como age hoje.

    Portugal tem uma lei que é confundida por muito maconheiro como legalização, o que não é verdade. O exemplo de Portugal é bom para eles. Concordo com FHC quando ele diz que a política de drogas tem que ser feita para o país especificamente. Ao seguir o exemplo de Portugal e Holanda seria difícil conseguir os mesmos resultados no nosso país gigante e desorganizado institucionalmente.

    Pretendo pesquisar mais sobre esse assunto e ver a políticas do Japão, Coreia do Sul, Finlândia, Noruega,entre outros países desenvolvidos visto que lá a polícia funciona melhor do que aqui. Assim poderei ter uma visão melhor se realmente a proibição é causa de tantas mortes como a corrente liberal das drogas alardeia.

    Esse argumento pra mim não tem lógica. Eu simplesmente não consigo entender…

    O debate pra mim é importante. O que não pode ocorrer é criação de mentiras (legalização de drogas em Portugal), argumentos falaciosos (números de mortes) e infrações a Lei (marcha da maconha incitando o uso e agredindo o direito de ir e vir de outros cidadãos). Há como se fazer o debate civilizado. Só que boa parte ainda prefere a barbárie, depredação e os xingamentos…

  57. Reinóquio disse:

    Por quê não se calam, centenários proibicionistas?

  58. Reinoia disse:

    Boa tarde, Sr. Denis.
    Diante da matusquela arrogância dos proibicionista, que se lê na web, melhor sugerir-lhes que, na verdade, façam um ‘plebiscito’ com os delegados do Tribunal Penal Internacional de Haia – na Holanda – para Assassinatos Sumários e Genocídio Urbano, ou que vão ‘debater’ com os juízes daquele tribunal penal internacional, do qual ainda somos signatários, sobre os frutos colhidos em quase 100 anos de política proibicionista no Brasil – século indizível, esquecido e igualmente anulado pela injustificável ‘mania’ reinante nas rodas proibicionistas, assunto agora que desperta a defesa até do ex-presidente FHC, bom, segundo dizem, para salvar o Brasil com o Plano Real, mas ruim, segundo teimam, para salvar o Brasil do naufrágio das drogas proibidas.
    Que tal?
    Grato.

  59. angelo disse:

    Direito individual. A proibição não evitou internações. As clínicas ganham grana e não ‘recuperam’ ninguém. O efeito placebo causado pelas propagandas terroristas potencializam a droga. Se alguém desenvolver problemas com uso excessivo merece tratamento de qualidade e não tiro da polícia ou de valentões de plantão. Entretanto, não é porque uma minoria desenvolve síndrome amotivacional que torna justo proibir usuários não problemáticos de fumarem. Porta de entrada é papai que manda o filho fumar na rua.

  60. Reinu disse:

    Presidentes Fernando Henrique Cardoso & Dilma Rousseff:
    O Brasil inteiro está contra o bárbaro sadismo do Demoníaco Genocídio Holocausta Brasileiro, capitaneado pelo Satanás e pelos Anticristos muito mal travestidos!
    O ‘proibido’, durante 100 anos no Brasil, foi o maior negócio ilegal do mundo, em mãos que não eram do controle do governo. Matou milhões de brasileiros!
    O Presidente FHC estava certo com o Plano Real, e está certo novamente, agora, com o Plano Antiproibicionista de Drogas no Brasil!
    Quem está contra o Presidente Fernando Henrique Cardoso, e está contra a Presidente Dilma Rousseff, ESTÁ CONTRA O BRASIL, ESTÁ CONTRA A AMÉRICA LATINA, ESTÁ CONTRA A HUMANIDADE, E ESTÁ CONTRA O MUNDO, sendo dignos de dó, tratamento e caridade!
    Avante, Presidentes Dilma Rousseff & Fernando Henrique Cardoso!
    O Brasil já não aguenta mais nem uma semana!

  61. Reinóquio disse:

    TODOS A FAVOR DO Projeto de Lei da Câmara (PLC) 122/2006, que propõe a criminalização da homofobia.
    CADEIA PRA PSEUDOEVANGÉLICO ANTICRISTO!

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