Tragédia

Acabo de receber a notícia de que Zé Claudio Ribeiro e sua esposa Maria do Espírito Santo foram assassinados perto de casa, em Nova Ipixuna, na região de Marabá, no Pará. Zé Claudio foi um dos palestrantes do TEDxAmazônia, conferência que ajudei a organizar, em Manaus, no final do ano passado. Lá, ele subiu ao palco para contar que sua vida estava sob ameaça. O motivo? Zé Claudio se negava a permitir a derrubada ilegal das imponentes castanheiras da terra onde vivia.

httpv://www.youtube.com/watch?v=78ViguhyTwQ&feature=player_embedded

A tragédia nos atinge logo depois do anúncio de um aumento colossal no desmatamento amazônico. Tudo indica que o progresso feito na titulação de terras na Amazônia e no cumprimento da lei durante a gestão de Marina Silva no Ministério do Meio Ambiente está mesmo escoando pelo ralo em meio à desregulamentação do novo código florestal e à incapacidade do estado de garantir o mínimo de respeito à lei.

Zé Claudio e Maria compraram essa briga porque achavam que as castanheiras são seres monumentais e que matá-los é tão cruel e sem sentido quando matar um ser humano. Eles viviam no Arco do Desmatamento, àrea amazônica assolada por devastação, crime e miséria, em meio a um boom de crescimento em Marabá que gera uma demanda infinita por madeira para construção. Castanheiras dão castanhas do Pará, um produto de grande valor econômico. Matá-las para fazer tábuas é um absurdo.

O mínimo que se espera agora é que as castanheiras pelas quais Zé Claudio e Maria morreram sejam protegidas e transformadas num museu vivo em homenagem ao casal. E que os autores dessa morte anunciada sejam exemplarmente punidos. Mas claro que o mais provável é que eles consigam suas tábuas.

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10 comentários
  1. Ricardo Galvao disse:

    Vergonha….
    vejamos o que Sarney falará…

  2. Verónica disse:

    NOOOOOOOOOOOOOOO………TRISTE, TRISTE, QUÉ INJUSTICIA!

  3. jorji disse:

    A grande, imponente, deslumbrante, a mais rica biodiversidade , a maior riqueza do nosso país, a floresta amazônica estão com os dias contados, um dia o rio Amazonas e seus afluentes não mais existirão, a evolução humana é o fator determinante para a extinção de milhões de formas de vida até agora no nosso planeta, até que um dia nós humanos também seremos extintos, a única certeza do futuro é que não temos futuro algum.

  4. Felipe disse:

    Para completar o post, reproduzo a síntese do pensamento predatório “Kátia Abreuziano”, em nome de um suposto desenvolvimento econômico: “Enquanto alguns ficam preocupados com árvores, que crescem em tudo o que é lugar, existem 30 milhões morrendo com malária, tifo, leishmaniose, lepra e dengue. Está morrendo gente e agora vai se preocupar que o cara corte uma arvorezinha?”.Essas palavras são do presidente da HRT, que estão no blog do Sakamoto. Como se fossem só árvores e não existisse todo um bioma em volta, animais e plantas de biodiversidade rica.

  5. jorji disse:

    Ainda bem que nem todos chegam aos 80 anos, no dia que isso vier a acontecer, coitado das árvores.

  6. João Carlos Figueiredo disse:

    É muito triste viver nos dias de hoje, quando as leis ambientais são discutidas por pessoas que, na melhor das hipóteses, conhecem os quintais de suas casas, ou o pasto de seu gado, ou ainda o imenso canavial de suas fazendas… infelizmente, ainda viveremos para constatar o fim de nossas florestas, as maiores do mundo em extensão, as mais belas do mundo em biodiversidade, as mais ricas do mundo em recursos hídricos… só podemos lamentar esse crime brutal que, certamente, não será mostrado na grande imprensa nacional, comandada pelos mesmos elementos que dominam o poder econômico deste país. Deveríamos nos vestir de preto para o resto de nossas vidas!

  7. Glauco disse:

    É realmente difícil de crer que essas coisas continuam acontecendo todos os dias. Mais estranho ainda ver que ele tinha consciência de todo o risco, mas continuou defendendo o que achava correto. Viva os homens de coragem!

  8. Maurício Bittencourt disse:

    Isso me faz lembrar conversas que tivemos a respeito da questão ambiental ser política, e não econômica ou tecnológica. Ficamos discutindo soluções mirabolantes, esquecendo que o Brasil é um dos países mais violentos em termos agrários, notícias que jamais saem na VEJA. Os EUA, usados como exemplo de desenvolvimento e democracia, habituaram-se a invadir outros países em busca de seus objetivos econômicos, com estratégias militares ou discursivas, para acumular riqueza. A demanda por árvores para decorar a casa dos bacanas existirá enquanto a preocupação com riqueza existir. Enquanto isso, caras como o Zé Cláudio morrerão aos montes. Isso sem falar nesse código florestal absurdo sendo aprovado debaixo de nossos narizes…

  9. Anouk disse:

    Oi Denis,
    História bonita de amor e respeito à natureza contada por Zé Claudio. Lamentável a ganância humana.

  10. Anselmo Arruda disse:

    O G8 está reunido e não vai nem tocar no assunto de problemas ambientais, e tem gente no Brasil achando que temos que salvar o mundo. Quanta ingenuidade!

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