Como nos livraremos da Proibição?

De uma coisa nenhum pesquisador sério de política pública tem dúvidas: a proibição das drogas deu errado. Três coisas estão absolutamente cristalinas:

  1. Proibir não funciona. Proibir não diminui o consumo. Países que proibiram as drogas viram os índices de consumo de droga evoluírem de forma muito parecida com países que escolheram o caminho da regulação.
  2. Proibir é fantasticamente caro. Colocar um sujeito na cadeia por usar drogas é muito mais caro do que tratá-lo, com a diferença de que colocá-lo na cadeia faz com que seu consumo de drogas aumente e tratamento realmente funciona em uma porcentagem alta dos casos.
  3. Proibir causa mais problemas que as próprias drogas. A proibição aumenta o preço das drogas e cria um mercado gigantesco e bilionário que financia o crime e corrompe o estado. Não é inteligente dar dinheiro para bandidos. Sempre haverá criminosos no mundo, mas eles não precisam ser milionários. Além disso, a proibição fez com que os usuários trocassem o ópio pela heroína, a folha de coca pelo crack, a maconha por drogas sintéticas. É fácil entender por quê: diante da necessidade de drogar-se escondido, os usuários tendem a escolher drogas mais potentes, mais concentradas, mais perigosas. E os traficantes, que não têm nenhum compromisso com o público, também, já que essas são as que dão mais lucro.

Enfim, para resumir: temos uma política cara que não resolve nenhum problema e que cria vários outros. É o pior dos mundos. Óbvio que o correto seria mudar. Por que não muda então?

O principal motivo é que os políticos adoram a Proibição. É como disse muito bem a juíza americana Nancy Gertner: “a guerra contra as drogas dá aos políticos uma bandeira que não ofende ninguém, não requer que eles façam nada difícil e permite que eles adiem, talvez indefinidamente, as questões mais urgentes sobre o estado das escolas, da moradia, do emprego para jovens negros.” “A guerra contra as drogas é a guerra perfeita para quem prefere não lutar. Os políticos podem posar destemidamente ao lado do bem, da verdade, do belo, sem precisar fazer nada.”

É um fato da vida que nosso sistema político está cheio de incentivos para perpetuar os políticos covardes: aqueles que não enfrentam os problemas, apenas fingem que são durões para aparecer bem na propaganda gratuita eleitoral. A Proibição não vai acabar enquanto esses políticos se safarem com essa picaretagem. Só uma mudança de atitude do eleitorado vai mudar essa situação. E os eleitores só vão mudar de atitude quando entenderem que defender a Proibição é igual a defender o tráfico. Políticos proibicionistas são aliados do tráfico ilegal.

Estou em Londres, e tenho conversado muito com especialistas em política pública. Semana passada almocei glamourosamente num jardim formal inglês em frente a um velho castelo de tijolos vermelhos em Oxford, na propriedade de Amanda Feilding, a Condessa de Wemyss, uma das principais estrategistas do movimento mundial pelo fim da Proibição.

Amanda acha que, além da picaretagem dos políticos, outro obstáculo gigantesco a transpor são as convenções da ONU, que foram feitas por políticos picaretas desde os anos 1960 e não deixam espaço algum para que cada país cuide dos seus problemas de um jeito racional, porque obriga o mundo inteiro a continuar cegamente combatendo o “diabo”.

Ela me contou que derrubar uma convenção da ONU é praticamente impossível, porque exige um consenso de todos os países signatários e as chances dos países comunistas e dos fundamentalistas islâmicos (que são os maiores fãs da Proibição) concordarem com mudanças bruscas são minúsculas. Mas resta uma opção: “podemos criar uma nova convenção, que permitiria que os países signatários regulassem o mercado de uma droga, desde que eles continuassem impedindo o tráfico internacional”. E essa primeira droga a ser regulada seria naturalmente a maconha, pelo risco relativamente baixo que ela oferece. “Se a proibição da maconha acabar, toda a Proibição entra em colapso, porque a grande maioria dos usuários de drogas do mundo usa apenas maconha.” Ela acha que, com o fim da proibição da maconha, os gastos estatais vão encolher drasticamente e vão sobrar recursos para cuidar dos usuários problemáticos de outras drogas como doentes, não como bandidos.

“São tempos empolgantes”, disse ela, animada com a adesão crescente de figurões da política internacional cansados de compactuar com a hipocrisia, como Fernando Henrique Cardoso. Aliás, não deixe de assistir ao bom documentário Quebrando o Tabu. Leve sua mãe e aquela sua tia que costuma votar em picaretas. Passou da hora da notícia se espalhar.

httpv://www.youtube.com/watch?v=Hz0EWwC-hug

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56 comentários
  1. Monica disse:

    Muito corjoso o seu post, Denis, parabéns! Não é preciso ir muito longe para observar a dificuldade em mudar a perspectiva acerca da atual política sobre drogas: não são apenas os países signatários da ONU, mas também as “famílias brasleiras”, e é pra elas que estes polítcos picaretas e “preguiçosos” fazem sua cena!…

  2. Claudio disse:

    Muito bom Denis! Mais texto extremamente esclarecedor.
    Já os conservadores se fazem de cegos perante os danos do tráfico e o fracasso da proibição, estão mais preocupados em impor seus suspeitos e ultrapassados valores morais mesmo que custe a vida de milhares de pessoas. Acreditam que assim estão fazendo um bem a sociedade, quando na verdade o que defendem nunca trouxe nenhum benefício a ninguém, nem mesmo à eles próprios, que convivem com o tráfico e o consumo completamente descontrolado.
    Já já vão aparecer aqui em defesa de um sistema que só trouxe prejuízos e tentar deturpar o sentido da legalização, dando a entender que legalizar é liberar traficantes e consumidores para atuarem à vontade sem restrições.

  3. denis rb disse:

    Mas muitas vezes é um moralismo bem intencionado, Claudio
    Tem muita gente que sinceramente acredita que a Proibição é o melhor jeito de diminuir o sofrimento causado pelas drogas, por ignorância de suas reais consequências. Não é pecado ser conservador. Não é pecado preocupar-se com os danos que as drogas causam. Mas certamente é pecado fazer jogo de cena e manipular o eleitorado, como é hábito de muitos políticos. E, claro, é pecado ignorar as evidências inegáveis do fracasso da Proibição em nome de uma certeza ideológica e propagar mentiras.

  4. Eros disse:

    “No Brasil, tudo se resolve através da criminalização e não com base na prevenção e na garantia dos direitos”.
    É o que afirmou Eduardo Tomasevicius Filho, professor do departamento de direito civil da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), ao comentar a ‘Lei da Palmada’.

  5. Claudio disse:

    Com certeza Denis. Acredito que muitos deles defendem a proibição por realmente estarem preocupados. Isso pq ainda não entenderam o real significado de uma legalização, aliás, essa palavra é constantemente evitada por alguns deles, preferem usar a palavra liberação, que passa uma idéia completamente diferente do que está sendo proposto.
    É preciso que entendam também que a proibição não impede o acesso fácil à maconha, principalmente entre os menores de idade, que são os mais afetados pelos malefícios que a maconha causa.
    Apoio todos aqueles que se colocam contra o consumo de drogas, mas dificilmente vou apoiar aqueles que impedem o controle delas.

  6. Eros disse:

    E disse ainda o professor:
    “Existe a ideia de que com uma canetada se resolve tudo, mas os hábitos são muito mais fortes que comandos legais.”
    “Muitas vezes, na tentativa de se atingir muito, não se atinge nada. Isso é apenas transferir o castigo de um para o outro.”
    Para completar a cena, comentando a mesma criminalização tipificada na nova ‘Lei da Palmada’, disse o psicólogo Cristiano da Silveira Longo:
    “Vivemos em uma sociedade autoritária e disciplinar, em que as práticas de bater ou humilhar fazem parte da cultura.”
    Logo, do que se leu, conclui-se que o ‘crime’ está na cabeça do brasileiro, e só poderá ser extraído das gerações vindouras através de insumidos recursos maciçamente investidos em educação.
    A lição que se extrai desta aula magna é a de que não poder-se-á recuperar jamais as perdidas e atuais gerações comprometidamente proibicionistas, pois foram todas gerações vitimadamente mal-educadas e irrecuperavelmente mal formadas. É tristíssimo, assim como é chocante, mas é a mais dura realidade. Palavras de Leonel Brizola.
    http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/se-aprovada-lei-da-palmada-pode-nao-ter-eficacia

  7. Lao Tsé disse:

    Ninguém pode dar o que não tem.
    Poderá um pai analfabeto funcional dar educação aos seus filhos? Jamais, pois ele mesmo não tem para dá-la. Ponto final e novo parágrafo. Poderá, e deverá, dar amor se assim o tiver. Logo, educação é para mestres, e não é para pais bem intencionados, e muito menos para charlatães. No entanto, hostes endinheiradas e proibicionistas, defendendo inclusivamente interesses industriais, levantam-se contra professores, contra autoridades internacionais e, barbaramente, contra 100 anos de fracassada, ou mal-intencionada, política proibicionista, falsamente alegando fundamentalismos perigosissimamente pseudorreligiosos e historicamente antirrepublicanos.

  8. Eduardo disse:

    Ótimo texto, Denis. Sintetizou bastante coisa importante aí.

  9. AlfaCentauro Brasil disse:

    A evolução de Fernando Henrique Cardoso.
    Completo e imperdível, para todos aqueles que, honestamente, desejam conhecer, em extensão e profundidade, o fenômeno da drogadição no Brasil, e no Mundo:

  10. Bruno disse:

    Mesmo sendo signatarios da ONU já não poderíamos ao menos descriminalizar e regulamentar o cultivo pra uso pessoal, evitando prisões injustas como a recente do José do DF, conhecido ativista que foi preso como traficante, artigo 33, sem nenhuma prova de comércio? (acompanhe o caso aqui: http://www.growroom.net/board/topic/41176-amigo-do-cerrado-preso/)

  11. J.Taylor disse:

    O subumano viés proibicionista é o motor móvel de toda espécie de controle social sobre diversos, senão todos, setores da convivência humana, nomeadamente os grupos formados por cidadãos negros, pardos, pobres, prostitutas, usuários de drogas ilícitas, e, essencialmente, pela imensa juventude brasileira, subempregada, subeducada, perseguida e subassistida. Certo? Quando é que os proibicionistas entenderão que, neste centenário confronto, eles próprios e seus familiares estão entre os milhões de vítimas inocentes deste bárbaro flagelo? Os brasileiros de boa-fé que inocentemente juntam-se às fileiras proibicionistas são vergonhosamente manipulados e cooptados, direcionados rumo a um incontornável abismo, que, por amor ao Brasil, deveria ser evitado.

  12. Claudio disse:

    “Os proibicionistas estão – entre as melhores intenções e os motivos mais elevados – desencadeando uma catástrofe”.
    .
    Johann Hari – British journalist and writer. He is a columnist for The Independent and the Huffington Post, and has won awards for his war reporting. His work has also appeared in the New York Times, the Los Angeles Times, The New Republic, The Nation, Le Monde, El Pais, the Sydney Morning Herald and Ha’aretz.

  13. Alberto Caeiro disse:

    Nobre Brasileiro Denis.
    Enquanto isso, em Brasília, Câmara aprova pena alternativa para parlamentares infratores.
    Por Larissa Guimarães, de Brasília.
    A Câmara aprovou nesta quinta-feira o projeto que altera o Código de Ética da Câmara. O novo texto prevê a possibilidade de aplicação de penas mais brandas para parlamentares que infringirem o código.

    A medida poderá beneficiar a deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF), alvo de processo por quebra de decoro parlamentar. Ela foi filmada por Durval Barbosa, delator do mensalão do DEM, recebendo dinheiro de suposta propina. O texto também pode favorecer o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), que responde a quatro processos após acusações de racismo e de falta de decoro.

    Pelo novo código, o Conselho de Ética da Câmara poderá suspender o mandato de um deputado por até seis meses em vez de cassá-lo, por exemplo. O conselho também terá a opção de aplicar a pena de “censura verbal ou escrita”.

    Antes, o código previa como penas possíveis apenas a cassação e a suspensão das prerrogativas parlamentares por um mês.

    Para o presidente do Conselho de Ética, deputado José Carlos Araújo (PDT-BA), o texto ficou “mais justo”.

    Ele defende que muitos parlamentares deixavam de ser punidos porque a cassação, em alguns casos, era uma pena muito severa em relação à irregularidade cometida pelo deputado…

    Então plantar maconha em casa e fumar maconha, assim como debater a mudança legislativa, é crime no Brasil? O Brasil precisa sim é de uma urgentíssima intervenção internacional. Os brasileiros estão diariamente morrendo de fome, de raiva, de sede e de injustiça.
    http://www1.folha.uol.com.br/poder/921323-camara-aprova-pena-alternativa-para-parlamentares.shtml

  14. Diógenes Laércio disse:

    Alô, Denis. Grande sacada a do João Ubaldo Ribeiro. Dá pra enxergar claramente nas entrelinhas qual o verdadeiro empenho daqueles que deveriam defender a Ordem e o Progresso no Brasil, de forma a garantir a distribuição de Justiça para todos os brasileiros. Mas não é bem isso o que acontece. Veja o que é Brasília, na crônica do Ubaldo:
    “Soberania é o direito de fazer qualquer coisa sem dar satisfação a ninguém. E quem é que aqui tem o direito de fazer o que quiser, sem dar satisfação a ninguém, é o povo? Claro que não. É, por exemplo, o deputado, que se cobre de todos os tipos de privilégios e mordomias, se trata melhor do que o coronel Lindauro tratava as mucamas e, quando alguém reclama, ele manda esse alguém se catar, isso quando dá ousadia de responder, porque geralmente não dá. Todos eles fazem o que querem e não têm que prestar contas, a não ser lá entre eles mesmos, para ver se algum não está levando mais do que outro, nisso eles são muito conscienciosos. Fiz que nem Marx, botei a história de cabeça para baixo. Não foi o rei Luís XIV que disse que o Estado era ele? Pois aqui não, aqui o Estado é o governo, é grana demais para um rei só, tem que dar para todos os governantes, cada um com seu quinhão. O Estado são eles e é deles, tem que meter isso na cabeça e parar de pensar besteira. Antes de qualquer postura abestalhada, vamos encarar a realidade objetivamente, não tem nada de povo, povo não é nada, tem mais é que botar o povo pra comprar bagulho sem entrada e sem juros e cuidar do que interessa ao País.

    – E o que é que interessa ao País?

    – Ô inteligência rara, o que interessa ao País é o que interessa a eles. Que todos eles continuem se locupletando numa boa, não tem nada que mexer em time que está ganhando.”
    Por isso, o caminho brasileiro é idêntico ao caminho argentino: o Supremo Tribunal Federal, por questão de Justiça. Infelizmente, não é o comprometidíssimo parlamento brasileiro, como se leu no texto do escritor Ubaldo Ribeiro.

  15. Edmilson disse:

    Na revista Veja desta semana há uma boa abordagem sobre o tema drogas.
    Foi lá que descobri que a política de drogas “proibicionsta” da Suécia “deu certo”. Que a política dos EUA estava “dando certo” até a regulamentação da maconha na Califórinia. Que a política de Portugal é a única no mundo que sobre qualquer ponto de vista “deu certo”, todavia é necessário lembrar que em Portugal há fatores geográficos (seu tamanho, quantidade de população e por fazer fronteira com um país desenvolvido onde a polícia funciona melhor do que aqui.) e sociais (nível de educação, sistema de saúde, etc) que permitiram “dar certo”.

    Concordo que o debate sobre drogas ganhe exposição e caia na boca do povo. Se possível que vá ao congresso e à câmara um ajuste na nossa lei. Porém detesto o pensamento mágico dos liberais. Um deles é de que o consumo não vai aumentar com a regulamentação e venda de droga pelo Estado. Outro é que o tráfico vai perder clientes, financiamento. Do jeito que nosso país é conivente com o crime é capaz de haver um fornecimento “oficial” ilegal de drogas, onde o pessoal que cuida da distribuição e venda legal vaze parte dos produtos para a bandidagem por um preço camarada. Culpar a lei de proibição pela inação dos políticos é meio difícil de engolir. A principal causa da ineficiência da política de proibição das drogas no Brasil é devido a inércia deles e de outras instituições como polícia militar, federal, rodoviária, governo do Estado, etc, além do conluio com bandidos.

    Denis, esta parte -“É fácil entender por quê: diante da necessidade de drogar-se escondido, os usuários tendem a escolher drogas mais potentes, mais concentradas, mais perigosas.” – não faz sentido para mim. Se a droga mais forte deixa mais “loco” e consequentemente mais sequelas, como assim o motivo de usá-la seria para manter o consumo escondido? Como esconder algo que muda seu comportamento, seu aspecto físico e seu poder de decisão? Não concordo que esse seja o motivo. Na verdade nem sei qual seria o motivo de usar drogas mais fortes, nunca usei, nem quero usar. Suponho (e isto pode ser ignorância minha) que essas pessoas usem drogas mais concentradas ou fortes porque querem ficar mais “doidões” (normalmente é isso que ecuto dos usuários confessos), não devido a uma vontade de manter em sigilo seu hábito.

    Eu acho que para o Brasil começar a pensar em legalização de drogas ou até mesmo a regulamentação de áreas para consumo deve primeiro melhorar e muito seu sistema de saúde e deve fazer campanhas em escola sobre o uso de drogas e suas consequências. Regulamentar para a pesquisa e o uso medicinal seria um bom passo se a fiscalização e a polícia realmente funcionasse.

    O debate é válido para que seja feita uma lei ou alteração da vigente que tenha o mundo real como base teórica, ou seja, que leve em conta o tamanho de nossas fronteiras, a irresponsabilidade e conivência de nossas instituições, o aparato médico para tratamento, nossas condições sócio-econômicas. Agora, que não venha a turma maconheira com seu discurso mágico. Defender a proibição de drogas não é defender o tráfico como você afirma. Nos países que regulamentaram há proibição do tráfico e em Portugal há punição para usuários. Apoiar o tráfico é finaciá-lo e tem muito maconheiro inteligente e descolado que faz isso sabendo.

  16. Ájax disse:

    Muito boa sua crônica, Denis. Permita-me acrescentar que são também impatriotas os insensíveis proibicionistas.

  17. Ájax disse:

    Se acaso ocorresse o aumento de consumo de maconha e uma anulação, redução ou minimização do consumo de cocaína, de álcool, de tabaco, de anfetaminas, de crack e de óxi, e, essencialmente, uma redução na matança que hoje ocorre, já não seria um resultado menos danoso ao país? É o que chamou-se de política de redução de danos. Afinal, francamente, o que é menos mal? Aids ou Gripe? Tem-se a impressão de que os proibicionistas parecem preferir a enfermidade e a doença mortal ao remédio amargo. A isso, os dicionários chamam de irresponsabilidade.

  18. Claudio disse:

    Pior do que o pensamento “mágico” dos liberais é o pensamento “mágico” dos proibicionistas que acreditaram que proibindo viveriam num mundo livre de drogas, e com isso só conseguiram causar tragédias e nunca se viram livres de qualquer droga, pelo contrário, além do consumo continuar, favoreceram o enriquecimento de facções criminosas responsaveis por milhões de mortes que nem todas as drogas ilícitas juntas conseguiriam. Descriminalizar, regulamentar, tolerar e todos esses artifícios podem até dar uma amenizada na situação, mas estão longe de acabar o tráfico até que se adote efetivamente a legalização.
    Não foi preciso melhorar educação, saúde nem segurança, nem ao menos adotar a proibição de comércio e consumo pra se obter resultados positivos em relação ao tabaco. Se dependesse só de educação, saúde e segurança, vários outros países que não tem tantos problemas nessas áreas já teriam partido pra legalização.
    .
    Se temos problemas com educação, vale lembrar que o tráfico atrapalha e muito o sistema educacional, milhares de alunos ficam sem aula, ou com medo de ir pra escola porque são alvos fáceis de traficantes. Outros ainda deixam de estudar ou trabalhar pq ganham dinheiro facilmente vendendo maconha, e muito mais do qualquer trabalhador honesto que rala 8h por dia. Problemas no sistema de saúde? Pois a proibição não está impedindo nem diminuindo o consumo de qualquer droga, e pior, drogas sem nenhum controle, fabricadas e comercializadas por marginais, se tornando ainda mais danosas.
    Segurança então nem se fala.. policiais de todos os níveis são facilmente corrompidos pelo tráfico. Fazem vista grossa e revendem drogas e armas para os próprios traficantes.
    O ocorrido no Morro do Alemão deixou isso bastante claro. Com a saída dos traficantes, policiais e até o exército se aproveitaram dos moradores e alguns dos pequenos traficantes que ficaram sem grana foram correndo pedir empregos e outros quiseram voltar pra escola. Só que a situação não se sustentou por muito tempo, um mês depois o tráfico já estava de volta.
    Por isso, pra melhorar educação, saúde e segurança, antes devemos adotar a legalização, controle e alertas.

  19. Claudio disse:

    Esse discurso de que maconheiro financia o tráfico é bem conveniente àqueles proibicionistas que sentem o peso da culpa e tentam cinicamente transferir a responsabilidade do desastre que causaram pra cima dos outros. Não foram os maconheiros que sonharam com um mundo livre de drogas, não foram os maconheiros que apoiaram proibições ineficazes, não foram os maconheiros que desviaram a demanda pela maconha para o mercado negro. Os maconheiros, pelo que se nota, pedem que a maconha seja controlada pelo governo, pedem que ela saia do tráfico, querem plantar pra não dar dinheiro aos marginais. Por outro lado, os “bondosos” e “preocupados” proibicionistas, pra fazer valer um pretenso padrão moral superior, insistem em apoiar uma medida claramente fracassada empurrando uma enorme demanda para o mercado negro e, diante do fracasso, jogam a culpa nos consumidores que foram empurrados para o tráfico.
    É um discurso muito simplista e moralista que põe a culpa no usuário e não reconhece que existe uma relação política, jurídica fundamental, que é essa da proibição como PRODUTORA do narcotráfico. Se o usuário financia o tráfico é graças ao proibicionismo, e não à vontade do usuário.

  20. denis rb disse:

    Edmilson,
    Há realmente algumas consequências contraintuitivas da Proibição, difíceis de acreditar teoricamente, mas firmemente testadas na prática.
    A questão de que a Proibição sempre estimula o uso de drogas mais potentes está muito bem estabelecida, e há indícios disso desde os anos 1920, quando a Proibição do álcool fez exatamente isso, ao provocar uma diminuição do consumo de cerveja e vinho e um aumento imenso do consumo de bebidas de altíssimo teor alcoólico e baixíssima qualidade – naquela época não era incomum que se morresse de overdose de álcool. A questão é que não é perigoso “ficar loco” – ninguém vai preso por estar com a pupila dilatada ou por trançar as pernas. Mas ficar meia hora na rua lentamente consumindo uma substância de cheiro forte (como a maconha) é perigosíssimo. O crack é consumido em uma fração de segundo, quase não deixa cheiro, quase não deixa traços. Além disso, é imensamente mais fácil para um traficante transportá-lo: cabem dezenas de doses num bolso. Maconha é dificílimo de transportar, dificílimo de disfarçar o cheiro. Mas não se trata apenas de uma decisão prática, no sentido de ser “discreto”: há aí também uma questão de atitude. A ilegalidade é de certa forma um estímulo para comportamentos mais radicais, mais agressivos, mais destrutivos. Quando você entra num ambiente com música suave, tranquilo e sofisticado, você não sente vontade de chutar o balde. A ilegalidade cria um incentivo contrário. Ela gera ambientes sujos, feios, que deixam as pessoas dispostas a se afundar. Vi isso claramente na Califórnia. Ao longo de décadas de ilegalidade, a concentração de THC na maconha aumentou sem parar. Pois, hoje em dia, com o uso médico legalizado, há na Califórnia uma disponibilidade cada vez maior de maconha com níveis menores de THC, e muitos usuários preferem essas variedades. A questão é que, com a ilegalidade, se instala uma mentalidade nos usuários de que “não vale a pena” correr riscos por pouca intoxicação. Se é para entrar na água, melhor ir lá no fundo logo de uma vez. Um ambiente mais tolerante gera o contrário: uma possibilidade maior de cada um cuidar de si. E, ao contrário do que os proibicionistas acham, as pessoas no geral sabem cuidar de si (e fazem isso melhor do que o estado).
    Ainda mais contraintuitiva é a constatação de que a Proibição efetivamente não exerce nenhuma influência significativa no número de usuários. As experiências portuguesa e holandesa, respectivamente de regulação e descriminilazição cuidadosas, mostram isso com clareza (em Portugal o consumo caiu, na Holanda subiu levemente, na mesma proporção que em países proibicionistas). Parece que tendências culturais – modas – e o cenário econômico afetam o consumo muito mais do que a lei. Os dados dos Estados Unidos também são reveladores: a escalada da Guerra contra as Drogas, com o gasto progressivo de bilhões de dólares, não levou a nenhuma redução do consumo. Agora, uma coisa certamente afeta o consumo: publicidade. Se a publicidade de drogas é liberada, aí sim claramente há um crescimento no consumo – e é por isso que todos os modelos de regulação que vejo aparecerem hoje incluem uma proibição da publicidade (nos EUA, no caso da cannabis medicinal, há uma grande desregulamentação em relação à publicidade, e imagino que isso certamente levará a um aumento do consumo). A comparação do que está acontecendo hoje com o tabaco (cuja publicidade é fortemente reduzida e o consumo está caindo radicalmente em todo o ocidente) e o álcool (cuja publicidade tende a ser liberada) é reveladora.
    Mas tem uma coisa importante sobre isso que é preciso dizer: aumentar ou diminuir o consumo não é muito importante. Muito mais importante é saber se as pessoas estão morrendo por causa do consumo. Muito mais importante é saber se esse consumo causa doenças, mortes, crime. França e Itália são dois dos países com maior consumo de álcool no mundo e são também dois dos que têm menos problemas com o consumo. Na verdade, nesse caso, pode-se dizer que o alto consumo é positivo. Nos dois países, todo mundo bebe: mãe, pai, avô. E isso gera uma cultura de moderação, de proteção aos indivíduos mais frágeis e ansiosos. Isso é algo que muitas vezes se verifica com a Proibição: ela faz com que os indivíduos tranquilos e bem estruturados parem de consumir, mas não exerce nenhum efeito sobre os ansiosos e auto-destrutivos, que passam a consumir a droga cercados de outros como ele. Dessa maneira, não há mais uma cultura que o proteja do consumo mais nocivo. Nesse cenário, o consumo diminui, mas os problemas aumentam.
    Você me perdoe, mas “mágico” é o pensamento proibicionista, que parte do princípio de que se pode regular o espírito humano com leis e polícia. Os proibicionistas sonharam com um mundo sem sofrimento, em que as drogas desapareceriam. 100 anos depois ficou claro: não dá para revogar o sofrimento, não dá para proibir o apetite. Os problemas não desapareceram – na verdade surgiram outros muito maiores. Chega de tentar governar a individualidade com mágica: melhor usar a razão.

  21. Gerson B disse:

    Denis, esse seu comentário da 5:01 é até melhor e mais esclarecedor que o post em si. Mereceria mais destaque.

  22. angelo disse:

    Legal, Denis. Investigando a fundo e nos trazendo preciosas informações. Outra abordagem importante e que pouco vejo falarem deve ser, a meu ver, sempre voltar ao começo da história e esclarecer o verdadeiro porquê da proibição. Há que se mudar a estratégia não somente porque não funcionou. Mas, sobretudo porque não deveria ter acontecido a proibição. Por dois motivos: 1- é direito individual, em nossos corpos mandamos nós e 2- a guerra começou, ‘só pra variar’, com mentiras e preconceitos pra atender interesses polícicos e econômicos. Quando a estória for desmascarada e a história pintar na tela em horário nobre, restarão somente os proibicionistas mal intencionados. Uma minoria fingirá que ainda não entendeu. A verdade libertará e fará a maior parte da sociedade entender o porquê da grita dos maconheiros e afins.

  23. angelo disse:

    O sistema deixa presos suspeitos de venda, pessoas que plantam e quando flagradas, deveriam responder em liberdade. Ao fim da investigação vão concluir que era pra consumo próprio e aí quem paga por isso? Pelo tempo que o cara passou preso? Ninguém. Todos são inocentes até que se prove o contrário.

  24. Sid Barret disse:

    É de clareza solar enxergar-se não existir qualquer argumento verdadeiramente racional capaz de demover as lunáticas hostes endinheiradamente proibicionistas. Do que resulta não ser absurdo lógico supor, como hipótese consequente, a possibilidade existencial de gigantescos interesses econômicos aliados à sua indizível má-confissão.
    Logo, a solução está no STF.

  25. Edmilson disse:

    Caudio,

    Você sugere que a legalização/liberação/regulamentação seja um fator que possa diminuir problemas na educação, sáude e segurança? Se sim como? eu gostaria de saber seu ponto de vista.

    Denis,

    Concordo quando você diz que o índivíduo sabe cuidar de si mesmo melhor do que a tutela do Estado. Acredito nessa ideia e detesto quando o governo tenta regular o jeito de criar seus filho (lei da palmada), que tipo de cultura consumir (caso Bethânia), o que comer (estão tentando proibir propaganda de biscoito, ao invés de regular as campanhas de álcool), onde viver,etc.

    O busílis é que droga não é um assunto que tenha a ver só com o indivíduo.
    É claro que o viciado perde seu poder de decisão e afeta outras pessoas (sempre a família, quando há uma, e os amigos primeiro)com sua violência física e piscológica. Então uma lei sobre drogas deve pensar nisso. A legalização que os maconheiro pedem, muitas vezes é estúpida. Escutem o que é gritado nas marchas da maconha.

    Não sou contra a discussão para criação de uma nova lei/emenda. Não sou contrário a regulamentação “cuidadosa”, vejo até com bons olhos.
    Mas, veja o comentário de nosso amigo Cláudio, sobre culpar o “sistema” ou a proibição pela origem do narcotráfico e tirar dos ombros dos drogados “em exercício” a culpa pelo financiamento do tráfico. É esse tipo de argumento que não concordo. Posso supor até que ele tenha essa ideia devido a sua formação, ao que leu, porém isso não tira a culpa do usuário no financiamento do crime. Tem gente que é alienado e nem sabe, mas tem outros que são universitários e não enxergam o óbvio. O dinheiro da droga é o dinheiro da arma, que é a ferramenta das tantas mortes violentas de nosso país. Não é esse discurso que está errado é a atitude de financiar bandido pra ficar doidão. Infelizmente, sendo da sua escolha ou não(caso já tenha perdido o poder de decisão), comprar droga é financiar DIRETAMENTE o tráfico.

    Denis,

    Sua explicação sobre o porquê de usar drogas mais pesadas realmente foi bastante esclarecedora. Aprendi algo, obrigado.

  26. denis rb disse:

    Edmilson,
    É um fato inegável que consumidores de maconha financiam diretamente o tráfico. Não discuto, você está certo quanto a isso.
    Mas é também um fato que, em qualquer país do mundo, há uma certa porcentagem da população que possui um “apetite” por maconha. Em qualquer país do mundo, há uma demanda poderosa por maconha. Se não houver um canal alternativo de suprimento regulado pelo estado, vai haver algum esperto fornecendo ilegalmente. E, se a repressão do estado for violenta, o fornecedor ilegal tende a enriquecer (porque a repressão diminui sua concorrência e aumenta o preço) e a ficar violento também (porque tem dinheiro para comprar armas e sabe que só poderá ficar no mercado se estiver disposto a matar e morrer).
    A permissão para plantar em pequena escala pode não matar o trafico (por causa da escala), mas pelo menos ofereceria uma alternativa aos usuários. Hoje eles não têm alternativa nenhuma: ou compram do traficante ou ficam sem. E, como ficou claro nos últimos 100 anos, é inevitável que haja gente que não vá querer ficar sem.

  27. denis rb disse:

    Quanto à sua pergunta ao Claudio:
    Acho que o modelo de Portugal demonstrou que, em vez de investir uma fortuna em repressão, gastos inteligentes em educação (sobre os riscos ligados às drogas), saúde (tratamento de dependentes) e segurança (repressão ao trafico ilegal) são muito mais eficazes para reduzir o uso de drogas e, principalmente, os problemas ligados à elas. Novamente: não se trata de uma solução magica. Não significa dizer que todo mundo fica feliz e o sofrimento acaba no mundo. Mas os ganhos são muito claros. Portugal registrou uma clara melhora em diversos indicadores: da contaminação por aids ao uso de drogas entre crianças e adolescentes. E o número de dependentes buscando tratamento cresceu a olhos vistos. Falarei mais sobre Portugal nas próximas semanas.

  28. angelo disse:

    Quando a maconha não era proibida o dinheiro da venda não era usado pra comprar armas. Quem proibiu tinha interesse em venda de armamentos. Hoje a indústria bélica é a maior do mundo. Se for pensar em ‘financiar crime’ comprando maconha, por analogia, temos que parar de pagar impostos. Os impostos pagos são roubados. Há quem com o imposto roubado compre armas e mate. Há quem desvia dinheiro da saúde e pessoas morrem em corredores de hospitais. Há até quem tenha a ‘coragem’ de adulterar medicamentos pra câncer, fazendo pacientes ingerirem comprimidos inócuos. Logo, quem paga imposto financia o crime.

  29. Willelmus van Nassau disse:

    O que financiou a matança, a corrupção e o crime organizado nas Américas foi o proibicionismo, e a história encarregar-se-á de demonstrar ao pormenor. Atualmente, são visíveis os inequívocos sinais das sociedades civilizadas interessadas, desesperadamente, na mudança de rumo, na redução de danos, e na busca da paz duradoura.

  30. Arthur disse:

    Alô, Denis. É impossível dialogar com anticristos que, de um lado, exigem ‘liberdade de expressão’ apenas para si, e, de outro lado, nos demoníacos covis onde repartem os dinheiros subtraídos aos mais fracos, queimam faixas com dizeres ‘marcha pela liberdade de expressão’.
    Querem transformar o Brasil numa pseudorrepubliqueta nazifascita. Um Irã ao Sul do Mundo. Que levantem-se os ajuizados republicanos.
    O caminho é o STF, não é o comprometido parlamento.
    http://hempadao.blogspot.com/2011/06/ed119-chapa2-nos-tacamos-fogo-eles.html

  31. Felipe Jose disse:

    Não precisam explicar, eu só queria entender: temos atualmente dois lobbys fortíssimos no mundo: um pela proibição do cigarro e outro pela liberação da maconha. Se a maconha for liberada e o cigarro proibido, onde os maconheiros vão poder fumar sem incomodar os não fumantes? Só em casa, que é praticamente o único lugar onde se pode fumar em paz atualmente. Como usuário, eu acho que o certo não é liberá-la geral – afinal tem muito moleque entra pro mundo das drogas pesadas começando pela maconha – mas tão somente liberar o plantio doméstico. Daí quem curte pode plantar o seu sem recorrer ao traficante. O usuário de maconha é um viciado diferenciado, tem que ter consciência de que, a erva que faz a sua diversão, é a mesma que destrói a vida de milhares de famílias. Devemos lutar pela possibilidade individual de fumar um beque, sem que isso signifique escancarar o mundo das drogas para os jovens brasileiros.

  32. Claudio disse:

    Edmilson o Denis respondeu melhor do que eu poderia. E eu também já havia comentado sobre educação, saúde e segurança (07/06/2011 às 1:21).
    .
    Quanto a questão do usuário financiar diretamente o tráfico, isso é óbvio.. não há como negar. Mas se pensarmos mais a fundo e nos questionarmos porque o usuário financia diretamente o tráfico, é fácil perceber que é pelo fato de não existir uma outra fonte, um outro meio de adquirir o que ele procura. O tráfico não tem concorrência, não existe mercado legalizado que arrecade impostos, que seja controlado por comerciantes, fiscalizado pelo governo. São marginais que controlam, e pra controlar esse mercado eles precisam de armas.
    .
    É o mesmo caso do álcool quando foi proibido. Saiu da legalidade e gerou um intenso mercado negro controlado por gangsters tão perigosos quanto os traficantes de hoje. Os americanos consumiram um pouco menos do que estavam acostumados, mas de forma muito mais prejudicial, pra eles e pro resto todo da sociedade.
    O que se tentou com a proibição foi forçar uma abstinência que obviamente não funcionou, gerou tráfico, violência, corrupção, drogas mais prejudiciais e impediu qualquer controle no consumo.
    .
    O usuário tem culpa diretamente pq é ele que vai lá entregar dinheiro nas mãos de marginais, e a proibição também tem culpa porque é ela que direciona o usuário pra esse mercado. Se o usuário vai de qualquer forma gastar dinheiro com drogas seria melhor que esse dinheiro fosse para o governo e não para os marginais.
    .
    Se o dono de um bar onde vende cachaça resolve comprar uma arma e sair matando todo mundo, seus clientes serão os culpados? Quem diz que usuário financia o tráfico e é responsável por sua existência, não está errado, mas esta sendo simplista demais e está esquecendo que por trás disso existe um sistema político que faz com que isso aconteça, logo a proibição e os defensores desse sistema tem uma boa parcela de culpa também. E é esse sistema que precisa ser mudado, longe do “liberar geral”.
    .
    Veja bem, o consumidor de maconha quer comprar maconha, então alguém vai se interessar em vender a maconha, isso vai configurar o tráfico.
    .
    O consumidor de álcool quer comprar álcool, portanto alguém vai querer vender álcool, e nem por isso existe tráfico de álcool.
    .
    Nos dois casos o interesse e a atitude do consumidor são as mesmas – ter interesse em uma mercadoria e procurar adquiri-la – logo, fica evidente que não é o consumidor que promove o tráfico.
    .
    Existe um consumidor que quer comprar e um fornecedor que quer vender. Portanto, também não é a existência de um fornecedor e nem tampouco de um consumidor que promovem os males do tráfico. O que sobra para explicar este fenômeno, então?
    Sobra somente a única diferença entre um mercado e outro: um deles o Estado legaliza, regulamenta e controla, enquanto o outro o Estado proíbe, não regulamenta e não controla. Logo, é a proibição que explica os males do tráfico. E esse mercado proibido requer o uso de armas pra se manter.
    .
    A proibição não produz a abstinência e coloca nas mãos do crime organizado um lucrativo comércio.

  33. Marcelo disse:

    “E, como ficou claro nos últimos 100 anos, é inevitável que haja gente que não vá querer ficar sem.”
    Eu, por exemplo.
    Nenhum moralista hipócrita vai mandar na minha consciência e na minha vida. Nunca mesmo. E não me importa quanta gente inocente a proibição ainda venha a matar. Esta estupidez não foi idéia minha, não tenho a menor responsabilidade pelo seus resultados nefastos. MACONHA é apenas uma PLANTA. Não existe padre, pastor, polícia ou governo que vá me convencer do contrário.

  34. Pátria Amada disse:

    Livrar-nos-emos da Proibição através de investimentos maciçamente insumidos e 100% destinados à Educação, durante, pelo menos, 3 gerações, ou seja, 75 anos. É Política de Estado, e não apenas de um governo. Salários máximos aos professores de carreira na mais ampla e verdadeira meritocracia. R$ 1.000,00 mensais (hahahahahahahahahaha) jamais atrairão as melhores mentes do país para o Magistério. Se um ‘juiz’ corrupto e traidor da humanidade ganha R$ 30.000,00 para estuprar o Brasil, mau como um ‘político’ ladrão e assassino que recebe uma verba de R$ 200.000,00 mensais para destruir o Mundo, um professor deveria receber, minimamente, R$ 50.000,00 mensais. Este digno salário atrairia, em até 3 gerações, as mais bem dispostas inteligências ao serviço do Brasil e dos brasileiros. Como prova cabal, veja-se que a Argentina, com 20%, ou 1/5 da população brasileira, detém 5 prêmios Nobel. O Brasil, pela lei das proporções, que aprende-se na 8a. série do ensino fundamental, deveria ter 5 x 5 prêmios Nobel, ou seja, deveríamos possuir 25 prêmios Nobel, apenas para empatarmos proporcionalmente com a nossa querida Argentina. Temos nenhum. O que demonstra a péssima formação dos nossos pseudomestres e pseudodoutores, com raríssimas e honorabilíssimas exceções, é claro! Lamentavelmente, no Brasil qualquer cavalo vestido com R$ 2.000,00 mensais já adquire um diploma ‘fast-food’ rapidinho, e já vira ‘doutor’. Veja os incontáveis erros médicos registrados no país. Há, possivelmente, mais de 1500 ‘faculdades de direito’ no Brasil. Os EUA, meca do consumismo mundial, país com 300 milhões de habitantes, e com quase 300 PRÊMIOS NOBEL no lombo, possuem apenas 180 FACULDADES DE DIREITO.
    Ora, não é à toa que um ‘país’ que assassina maconheiros nunca tenha ganhado um Prêmio Nobel. Triste Brasil… Até quando, ó Pátria Amada?

  35. x. disse:

    Está resolvida a dicotomia do enigma: basta legalizar 100% a planta natural e destinar o seu controle e supervisão legal também aos proibicionistas. Pronto. Assim, agrada-se a gregos e baianos.

  36. Órion disse:

    FHC e as drogas: atitude de estadista
    Por Gilberto Dimenstein.
    Dizem que um governante simples pensa na próxima eleição. Mas um estadista pensa na próxima geração. É por isso que a decisão de Fernando Henrique Cardoso de se expor em um polêmico documentário, que defende uma nova visão sobre as drogas, é uma atitude de estadista.

    Vi que o PSDB estava temeroso com os efeitos das posições de Fernando Henrique Cardoso em relação às drogas, enfatizada no documentário. Isso porque o partido, como se sabe, está ligado à próxima eleição, o que é compreensível.

    Existe uma aposta (correta, no meu modo de ver) de que no futuro vai vencer a visão de que drogas é um problema de saúde pública, e que a repressão tem sido, em muitos casos, mais um problema do que uma solução. É preciso ter coragem, sendo um político, para dizer isso agora.

    Qualquer nação precisa de políticos que não se guiem apenas pelas pesquisas de opinião. Mas digam o que não queremos ouvir. Alguns pagam um preço muito caro no presente, mas só são reconhecidos no futuro.

    http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/927264-fhc-participa-de-debate-sobre-o-filme-quebrando-o-tabu.shtml

    http://www1.folha.uol.com.br/colunas/gilbertodimenstein/926401-fhc-e-as-drogas-atitude-de-estadista.shtml

  37. jorji disse:

    Sistema de ensino público de péssima qualidade, área de saúde pública caótica, setor judiciário lento, inoperante, leis que só confundem e não punem , hoje em dia nem ladrão de galinha vai preso, cidades mal planejadas onde em grandes cidades e de porte médio existe um cinturão de miséria, onde milhões vivem sem respaldo do estado, etc, etc, uma coisa é o controle do estado de um país desenvolvido, com infraestrutura, em relação às drogas, a outra é num país que sequer consegue garantir um razoável sistema de saúde pública como o nosso país, é necessário um estudo mais aprofundado sobre o tema, é simples observar a diferença que existe atualmente onde as drogas são proibidas, nos países desenvolvidos com alto consumo se morre pouco, nos países subdesenvolvidos como o Brasil, a questão relativo às drogas fulmina vida de milhares de seres humanos, eu penso que não são as drogas que matam, mas a ignorância.

  38. angelo disse:

    Bebi aquele refrigerante preto. Lucro for USA. Para fabricação de armas. ‘Financiei’ a violência mundial. Não há mea culpa dos maconheiros. Maconheiro não tem opção. Mercado monopolizado. Mercado marginalizado por mentiras americanas. Meio utilizado: o de sempre, estatismo bélico, coerção. Falar primeiro em redução de danos e ‘fracasso da guerra'(como se toda e qualquer guerra não o fosse por si só) é começar a história pelo fim, pelas consequências…Às causas vamos? Falemos sobre?

  39. Acir disse:

    Denis, você está cada vez mais brilhante! Seguindo este seu iluminado pensamento, você não acha que o combate ao crime também fracassou? Além de ser caríssimo também? Tá aí! Vamos descriminalizar o crime! Assim teremos mais recursos para aplicar no que realmente interessa. Vamos abraçar essa idéia. No horizonte eu vislumbro um futuro promissor…

  40. Palas disse:

    Ha ha ha ha ha ha ha! Realmente, é sui generis a gritante irrecuperabilidade proibicionista tupiniquim. Geração tristissimamente desperdiçada, e incriminada-nantemente perdida.
    “Só quem é burro é que não muda de opinião diante de fatos novos.” (FHC, em diálogo no filme ‘Quebrando o Tabu’)

  41. Palas disse:

    Dá um compêndio inteiro a crassidão proibiciopata…

  42. Claudio disse:

    Acir vc também é brilhante, vamos seguir o seu iluminado pensamento e criminalizar TUDO que possa causar algum dano, a começar pelo álcool, tabaco, automóveis, açúcar, sal, gorduras, etc.. Sem esquecer do futebol, visto que sempre ocorrem brigas violentas nos estádios.. assim viveremos num mundo livre de malefícios, criminalizando tudo estaremos livres dos crimes.
    .
    Qual futuro promissor que a proibição da maconha nos deu?
    Existe demanda por assassinatos, estupros, sequestros, assaltos?
    “Ei moço, quanto custa um tiro na cabeça?” “Por favor..quanto custa um estupro completo seguido de morte? Me dá dois”
    .
    Aquele que enche a cara de cachaça está cometendo um crime contra quem? Consumir drogas, ou qualquer outra coisa, até onde eu sei é bem diferente de cometer crimes CONTRA alguém.
    .
    A posse de drogas para uso pessoal é uma conduta que não atinge concretamente nenhum direito de terceiros. É uma conduta privada que não pode sofrer qualquer intervenção do Estado. Em uma democracia, a liberdade do indivíduo só pode sofrer restrições quando sua conduta atinja direta e concretamente direitos de terceiros.
    .

  43. Felipe disse:

    Se aqui fosse um Facebook já tinha curtido o comentário do Claudio

  44. denis rb disse:

    Pô,
    Com comentários assim como o do Claudio, eu nem preciso trabalhar. Acho que vou fechar esse computador ir para uma koffeshop aqui do bairro.

  45. Claudio disse:

    rs valeu gente.. obrigado. Assim eu fico tímido 🙂 Também curto muito os comentários de vcs! Adoro os textos do Denis, aprendi muito com ele!

  46. Paulo Hora disse:

    Se não respeitasse muito as opiniões de FHC,eu diria que ele está sendo um oportunista, mas como ele sempre defendeu esse absurdo… ok deixa ele.

    Só quero contestar o início do post que diz que TODOS os países que usaram da proibição não tiveram êxito no combate às drogas.

    E a Colômbia das FARC? O Álvaro Uribe fez o que com esses bandidos?
    Se for mentira pode me desmentir, mas eu vi em algum lugar que o tráfico de drogas na Colômbia diminui muito com o enfraquecimento do grupo de guerrilha mais queridinho de Rafael Correa e Hugo Chávez.

    Aliás, como anda o consumo de drogas na Venezuela, no Equador, no Peru…

    Ah! Tem o México também; eles insistiram no combate ao tráfico e na proibição do uso e- se eu tiver errado pode me desmentir sem problema- vêm tendo êxito também.

    Claro que eu entendo que você vai puxar a sardinha sempre para a sua brasa; eu só espero que você não esteja bloqueando comentários que discordam do texto.

  47. Paulo Hora disse:

    agora que eu li os comentários, gostei de alguns argumentos do Edmilson; e eu não sabia desse caso da Suécia também. Mas que bom que aqui houve o debate em alguns blogs aí, se discordar é delete na hora.

  48. denis rb disse:

    Paulo Hora,
    É importante distinguir dois aspectos muito diferentes: a demanda e a oferta. Nenhum país do mundo conseguiu reduzir significativamente a demanda por maconha e outras drogas em seu território com repressão. O que a Colômbia fez sim foi inviabilizar a oferta de produtores internos para mercados externos. Com muito dinheiro da ajuda americana, as forças de segurança colombianas compraram helicópteros, metralhadoras, treinaram suas forças armadas e acirraram uma Guerra Civil, que terminou com os principais líderes do tráfico mortos ou presos.
    Até aquele momento, o lucrativo tráfico de cocaína da América do Sul para os Estados Unidos era dominado por grandes organizações extremamente poderosas: os carteis de Cali e Medellin. Com a repressão, o que aconteceu foi que dezenas de pequenos grupos, muito menos poderosos mas muito mais violentos começaram a lutar pelo controle dessa rota fantasticamente lucrativa. A violência ligada ao tráfico aumentou explosivamente enquanto essas dezenas de grupos guerreavam pelo controle, como consequência direta do Plano Colômbia. Os carteis mexicanos, que são dezenas, ganharam a guerra, principalmente o do Golfo e, depois, o de Sinaloa. Hoje o México está mergulhado numa guerra civil terrível, consumido pela corrupção e cada vez mais acostumado a cenas de filmes de terror, como cabeças rolando no meio da rua e corpos pendurados em pontes. Mas vários comandantes militares e da polícia estão felizes, porque podem comprar helicópteros iguais aos dos filmes e seus homens andam pelas ruas com coletes à prova de balas e metralhadoras em punho. É o dinheiro da ajuda americana, financiando a guerra. De forma alguma dá para dizer que o México teve sucesso – o país está mergulhado em caos, dois czares anti-drogas foram presos por terem sido comprados pelos traficantes, até o irmão do presidente da república trabalhou para o tráfico. Mas é o possível que o governo acabe ganhando a guerra.
    Como consequência, alguém vai assumir o tráfico. Os níveis de violência na Guatemala, Nicarágua, El Salvador e até a da antes pacífica Costa Rica já estão explodindo, enquanto pequenos grupos de traficantes cada vez mais jovens brigam pelo poder. Parece que é para lá que os carteis vão se mudar. Sempre haverá um lugar para eles operarem. Os lucros do tráfico são tão altos que não falta grana para mudar de país. O duro é que, no meio da crise mundial, ninguém mais acredita que os Estados Unidos terão disposição para bancar um “Plano Guatemala”. “a definição de loucura é tentar sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”, já disse Einstein.
    Dizer que a Colômbia teve sucesso é no mínimo questionável. Sim, o governo ganhou a Guerra Civil. Mas o nível de consumo de drogas dentro do país é maior do que nunca antes. Fácil entender por quê: pega-se um grande produtor, reprime-se a exportação, e o que acontece? O preço cai e a cocaína inunda o mercado interno.
    Hoje boa parte dos colombianos, inclusive gente do Partido Liberal de Uribe, é a favor do fim da Proibição. Cesar Gaviria, antecessor de Uribe e membro do mesmo partido, faz parte da mesma Comissão Global da qual FHC faz parte. Quem esteve lá, na presidência, sabe que o maior perdedor da Guerra contra as Drogas somos nós, latino-americanos, que pagamos o pato da paranoia puritana.

  49. Edmilson disse:

    Pessoal,

    Cada país tem suas especificidades. Existem casos em que a política proibicionista dá certo e outros em que a regulamentação dá certo. O que sempre dá errado é a liberação indiscriminada do produto (Suíça).
    Consumir drogas para maioria (existem algumas almas que conseguem consumir sem se destruir)é a porta de entrada para decadência. Pela minha experiência já vi muitos casos em que o drogado perde muita coisa como família, amigos, dignidade, poder de escolha, etc.

    O problema do Brasil é o seguinte: como regulamentar sem fortalecer os traficantes? Como criar um mercado de drogas sem que haja vazamento para o mercado negro que sempre vai ter preços mais baratos(pois não paga impostos)? Como diminuir a violência e o caos que imperam em muitos pontos do país?

    Quem garante que num país grande, diverso, conservador, com baixa escolaridade, com um sistema de saúde precário, com justiça morosa e seletiva, e corrupto como o Brasil uma política de legalização dará certo? Não há como saber se não tentarmos, mas antes de tentar que tal debater com seriedade e não incitando o crime como muitos da maconha fazem.

    Precisamos de uma base para por em prática uma regulamentação virtuosa. Campanhas educacionais contra o consumo das drogas, ajustes nos sistemas de saúde para tratamentos dos viciados, punição para criminosos graúdos e governantes irresponsáveis, fim dos privilégios para criminosos(chega de visita íntima. Quer transar viva sem cometer crimes bárbaros), fiscalização das fronteiras eficiente e muitas outros acertos para que se possa por em prática uma política de regulamentação.

    Deixo claro que a regulamentação que sou a favor é somente para uso medicinal e de pesquisa. Nunca para o uso recreativo. O consumo de droga gera tanta dor e sofrimento para quem convive com o drogado e depois de um tempo para o próprio drogado que eu não compactuo com essa prática. Enquanto a lei não permitir esse uso, continuarei defendendo esse ponto de vista. Caso ela mude terei que tolerar, mas nunca aprovar, pelo menos esse é um direito meu.

    O aumento do consumo gera o aumento das possibilidades de sofrimento, pois a vida no mundo das drogas nunca foi bonita, nem no cinema.

  50. Claudio disse:

    Também sou contra a liberação indiscriminada, por isso sou a favor da legalização. Quando se fala em fracasso é pq a proibição não atingiu os objetivos e piorou a situação. Quem quer consumir vai consumir de qualquer forma, seja legal ou ilegalmente. E sendo assim eu acho melhor que seja de forma controlada pelos governos e não pelo crime organizado. Podemos escolher se vamos ou não consumir, no entanto, no meio de uma guerra, não se pode escolher se vamos ou não ser vítimas.
    .
    A proibição não impede o consumo e não fecha a porta pra decadência, pelo contrário, abre outras portas ainda mais prejudiciais até mesmo para aqueles que nem consome drogas. Os casos de drogados em decadência, ou que matam roubam e etc, aparecem mais pq chama a atenção. Muito mais do que os casos de pessoas que usam drogas e se comportam normalmente, não fazem nada de extravagante, não viram notícia, não aparecem em estatísticas nem na TV.
    .
    O consumo nunca reduziu com a proibição, e não se pode afirmar que aumentaria com a legalização. A única medida já tentada foi a da proibição/repressão e que claramente não funciona. Acho que não custa experimentar, se der errado, nada impede que se retorne o sistema atual.
    Durante muitos anos a Holanda apresenta números mais baixos de consumidores de maconha (5%) do que os EUA por exemplo(9%), sem falar nos problemas carcerários e de tráfico.
    .
    O presidente Álvaro Colom, da Guatemala, que seu país pode ser considerado como narco-estado: – “Posso assegurar, sem temor e sem perpetrar equívoco, que os governos precedentes planificavam as receitas do país em face das relações com os narcotraficantes”.
    .
    Se não fizermos nada, nada mudará. A situação atual continuará a mesma e com fortes tentdências a piorar. Não adianta a gente ficar se lamentando que as drogas causam isso ou aquilo. Todos sabem dos malefícios do álcool ou tabaco e consomem assim mesmo.. o que se pode fazer é alertar e tentar controlar o consumo. Não podemos criminalizar na esperança de resolver ou amenizar problemas, se fosse assim criminalizaríamos o açúcar em prol dos diabéticos.

  51. SocialDemocrata disse:

    CARTA DA PRESIDENTE DILMA AO PROFESSOR FERNANDO HENRIQUE CARDOSO, FELICITANDO-NO PELA PASSAGEM DO SEU OCTAGÉSIMO ANIVERSÁRIO!

    “Em seus 80 anos há muitas características do senhor Fernando Henrique Cardoso a homenagear.

    O acadêmico inovador, o político habilidoso, o ministro-arquiteto de um plano duradouro de saída da hiperinflação e o presidente que contribuiu decisivamente para a consolidação da estabilidade econômica.

    Mas quero aqui destacar também o democrata. O espírito do jovem que lutou pelos seus ideais, que perduram até os dias de hoje.

    Esse espírito, no homem público, traduziu-se na crença do diálogo como força motriz da política e foi essencial para a consolidaçãoo da democracia brasileira em seus oito anos de mandato.

    Fernando Henrique foi o primeiro presidente eleito desde Juscelino Kubitschek a dar posse a um sucessor oposicionista igualmente eleito. Não escondo que nos últimos anos tivemos e mantemos opiniões diferentes, mas, justamente por isso, maior é minha admiração por sua abertura ao confronto franco e respeitoso de ideias.

    Querido presidente, meus parabéns e um afetuoso abraço!

    Dilma Rousseff”
    ………
    Lamentável o que fizeram os proibicionistas do PSDB… Acabaram com o partido. Restou pouco mais do que um punhado de acomodados, desfrutando das gordas aposentadorias, mordomias e salários, e, agora, ajuntaram-se com anticristos pseudoevangélicos, reacionários de toda a ordem, para manter sua criminosa, bárbara e sanguinária nazipolítica genocida e fascitoproibiciopata. Agora, os suicidas políticos do que restou do PSDB alegam que o ‘sistema de saúde’ não tem condições de receber e tratar os maconheiros – como se a regulamentação fosse entupir o SUS – … Foi o que disse o atual líder do PSDB, ex-aposentado, Álvaro Dias, no Roda Viva. Está gravado. E os calabouços e as masmorras, pelas quais o sr. nada fez durante sua lipídica e suavíssima vida ‘pralamentar’, sr. Álvaro, que forjam os campos de concentração e extermínio brasileiros que, por exemplo, o sr. chama de sistema prisional, tem condições de receber viciados corruptamente acusados de tráfico? Conclui-se que, como o atual líder Álvaro Dias, ex-aposentado (devolveu a aposentadoria), é contra a regulamentação da maconha no Brasil, então é contra o Pres. FHC, e é a favor do holocausto proibicionista contra maconheiros no Brasil, devendo, por isso mesmo, responder por violação dos direitos humanos, além de ser confessadamente favorável à manutenção de viciados – acusados ilegalmente de tráfico – nos ‘presídios’!
    FORA ÁLVARO DIAS!
    FORA ZUMBIS DO PSDB! VÃO PARA O … DEM.
    VIVA FHC!
    VIVA DILMA ROUSSEFF!

  52. Jorge Luiz Thompson disse:

    Senhores, faço uma pergunta porquê ainda usamos o sistema do voto obrigatório, a obrigação de irmos as urnas; se tivessemos uma democracia plena não teríamos tantos políticos safados e sem compromissoS com os eleitores.
    SDS/THOMPSON

  53. Thales Valeriani disse:

    Péssimo texto Denis!Poucas vezes li no site da Veja uma balela tão ruim e mal construída.Quase nunca visito o seu blog e não me arrependo!!!
    É incrível a sua insistência em tratar maconheiros como “legalistas do séc. XXI”, enquanto na verdade não passam de financiadores do tráfico.Financiadores sim.Não adianta negar- para os que discordam eu recomendo o filme Tropa de Elite 1 e o blog do Reinaldo Azevedo.
    O Brasil é a única nação do mundo que está querendo liberar a maconha e proibir o tabaco, gesto que é no mínimo ridículo.É verdade que em alguns países a liberação deu certo, mas também é fato que já passou da hora de nos livrarmos desta síndrome de vira-lata que é querer copiar tudo dos outros, ao invés de construir um projeto voltado para a realidade brasileira.Este argumento de que a liberação diminuiria o tráfico é estupendamente infantil, dese quando traficante vende só maconha?Para o tráfico acabar seria necessário a descriminalização ou liberação de TODAS as drogas!!!!
    Para encerrar eu quero desejar os meus pêsames para quem pensa que liberar “o bagulho” vai diminuir a cracolândia ou o número de jovens “vanguardistas” aliciados pela corrente esquerdopata, sedenta por destruir os pilares da sociedade democrática!
    OBS: Não me venham com a ladainha de que democracia é permitir que um número de energúmenos fumem o “beck”, democracia é um estado de direito onde os indivíduos tem que respeitar as leis,sendo que estas devem zelar pelo bem da maioria e não “liberar geral”!

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