arquivo

Energia

Energia nuclear dá medo, óbvio. É natural que as pessoas percam o sono diante da possibilidade de ter o núcleo das células despedaçado por um inimigo invisível, que causa câncer e, horror dos horrores, transmite sua desgraça para as futuras gerações. Claro que está todo mundo acompanhando com apreensão o desdobramento da crise no Japão, torcendo para que o flagelo nuclear não se some aos outros dois que se abateram sobre o país – um terremoto terrível e um tsunami gigantesco.

Marie Curie, a criadora da teoria da radioatividade, morreu em 1934 vítima da radiação. Começa aí a má fama nuclear

Mas é bom lembrar que, apesar da má fama, a energia atômica não é a única que tem “efeitos colaterais”. A maior parte da energia gerada no mundo vem da queima de petróleo, que libera fuligem e gases de efeito estufa no ar. Queimar petróleo é certamente um jeito mais danoso de produzir energia do que quebrar núcleos atômicos.  A energia atômica causou a morte de 56 pessoas em Chernobyl, em 1986, e, de lá para cá, não houve mais nenhum acidente nuclear digno de nota. Enquanto isso, a queima de petróleo mata gente todos os dias de doenças respiratórias e está por trás das mudanças climáticas globais, que já custaram a vida de milhares de pessoas no mundo. Energia atômica eventualmente mata alguns. Energia do petróleo mata sempre, e muitos.

Acidentes nucleares não matam apenas gente: matam pedaços de terra também. O vazamento de Chernobyl custou à Ucrânia a evacuação de uma cidade inteira e o de Fukushima provavelmente também vai inviabilizar o uso produtivo de parte da região. Isso é terrível. Mas vale lembrar que as usinas hidrelétricas, que compõem a maior parte da matriz energética do Brasil, também provoca a destruição de território e a remoção traumática de comunidades. A energia hidrelétrica também tem seus efeitos colaterais, e eles são terríveis para muita gente.

Nós humanos gostamos de dividir o mundo entre heróis e vilões e, nessa lógica, as usinas nucleares estão certamente na segunda categoria. Mas a realidade é que todas as formas mais populares de gerar energia têm vantagens e desvantagens. As desvantagens da energia nuclear provavelmente não superam muito as da energia hidrelétrica e são brincadeiras de criança se comparadas às da queima do petróleo.

Mais importante do que demonizar essa ou aquela fonte de energia é se conscientizar de que energia é um recurso precioso, que precisa ser poupado. No Brasil, desperdiçamos uma enormidade de energia nas linhas de transmissão e, em pleno século 21, continuamos tomando banho com ineficientes chuveiros elétricos. Fabricantes fazem aparelhos eletrônicos que, quando desligados, iluminam a casa inteira à noite, de tantas luzinhas inúteis. E ainda achamos bonitinha a decoração de Natal das cidades. Enquanto isso, abrimos mão alegremente de centenas de quilômetros quadrados de floresta valiosa, para aumentar a produção de energia.

Só faz sentido abandonar a energia nuclear se for para substituí-la por fontes realmente limpas e seguras, como as turbinas eólicas e as placas solares. Vão dizer que aí a energia ficará mais cara. Verdade. Mas queremos mesmo economizar uns trocados ao custo de terras alagadas, rios represados, clima modificado, ar poluído, radiação no ar?

Anúncios

Vivemos, você sabe, uma crise mundial de energia. Se o fim do petróleo parece ter sido adiado em alguns anos pelas novas descobertas, inclusive no pré-sal brasileiro, continua evidente que não vai dar mais para queimar tanto óleo. E a queima de óleo é o que move a maior parte dos sistemas elétricos e dos veículos motorizados do planeta. Com a constatação cada vez mais inegável de que as mudanças climáticas são assunto sério e muito provavelmente já estão interferindo violentamente nas nossas vidas, precisamos de outras soluções e, apesar dos avanços, nenhuma das alternativas – solar, eólica, atômica, hidrogênio – parece pronta para substituir o petróleo.

Quer dizer então que está faltando energia no mundo? Outro dia eu estava me perguntando isso enquanto via as pessoas passarem pela rua e notava o tamanho delas. Quanta gente imensa, meu deus… Há, efetivamente, uma epidemia mundial de obesidade. 1 bilhão de pessoas do planeta estão com sobrepeso, 300 milhões são obesas, números que vêm acompanhados do crescimento explosivo de doenças crônicas como câncer, doenças cardiovasculares, hipertensão, derrames e diabetes tipo 2. Obesidade suga de 2% a 7% dos gastos de saúde dos países desenvolvidos. Desde os anos 1980s, as taxas de obesidade mais do que triplicaram na América do Norte, Reino Unido, Europa Oriental, Oriente Médio, China, Austrália e ilhas do Pacífico.

Aí me ocorreu: a energia que está faltando para mover nossas máquinas e nossas economias parece estar se acumulando nas nossas cinturas.

Parece uma relação absurda, mas não é. A energia que move motores é da mesma natureza da que move nossos músculos e que, quando não utilizada (porque só andamos de carro), é armazenada na forma de gordura. Moléculas orgânicas (como as do petróleo ou as da comida) usam energia para manter seus átomos colados uns nos outros. Quando queimamos o petróleo ou quando as mitocôndrias das nossas células processam as gorduras e os carboidratos, essa energia é liberada para poder ser usada. Tanto é assim que o subproduto das células é o mesmo das chaminés e escapamentos: gás carbônico.

Outro dia topei na internet com esse divertido infográfico feito pela revista americana Good (clique nela para ampliar):

O info faz uma correlação entre a energia consumida por um humano médio e a consumida por um carro médio. As unidades são as americanas – 1 galão corresponde a 3,8 litros. Portanto, 1 litro de gasolina tem 8.200 calorias – o equivalente a 40 copões de Guinness, 25 filets, 20 big macs, 7 potes de sorvete ou quase 80 bananas.

Se levarmos em conta que, na média, um motorista consome algo como 5 litros de gasolina por dia, chegamos à conclusão de que um carro gasta mais de 40.000 calorias por dia. Um carro, na média, em São Paulo, carrega 1,5 pessoa. Ou seja: ao usarmos um carro, consumimos 27.000 calorias (40.000 dividido por 1,5) para transportar uma pessoa ao longo de um dia.

Ora, 27.000 calorias para mover um mísero ser humano me parece uma ineficiência capaz de fazer qualquer estatal parecer um case de sucesso de MBA. Afinal, se usarmos as pernas e os braços, o gasto energético médio de um humano é de 2.000 calorias por dia. Andar de carro torra energia – gastamos 13 vezes mais para transportar o mesmo corpo.

Ontem eu assisti a um desses comerciais absurdos de carro. Era a propaganda de um desses jipões gigantes (que, obviamente, se passava num campo aberto, e não no trânsito parado). Para mostrar que o carro tinha espaço de sobra, ele carregava um elefante na carroceria. O slogan era algo na linha “cabe tudo o que você quiser”. Bom, um jeito de entender esse comercial é o seguinte: você não precisa de um carro tão grande a não ser que tenha um circo ou um zoológico. Se o carro tem espaço para um elefante, logo ele provavelmente é grande demais para o seu carrinho de bebê. Em outras palavras: comprar um carro desses é desperdiçar energia. Mas é óbvio que não é assim que o comercial é visto por muita gente. O que ele diz é “nunca se sabe o que você vai precisar carregar. Melhor estar preparado para tudo, inclusive para um elefante.”

Realmente, num mundo tão orientado para o consumo quanto o nosso, não é impossível que as compras do shopping center de uma família tenham dimensões paquidérmicas. Mas, na média, no dia-a-dia, nossos carros gigantes carregam muito pouco. Gastamos tanta energia e ocupamos tanto espaço na rua apenas para dispormos de espaço de armazenamento para eventualidades. Quando o trânsito pára na hora do rush, o que se vê é uma longa fileira de caixas semi-vazias de metal, cada uma delas queimando mais energia que um lutador de sumô.

Fico pensando que a solução para o problema é termos veículos bem menores e mais leves, que não gastem muito mais energia do que uma pessoa e meia. E, quando precisássemos carregar um elefante, poderíamos alugar ou emprestar um compartimento maior. Esses compartimentos poderiam ser compartilhados – assim como as bicicletas em Paris (e no Rio de Janeiro).

Mas a fantasia que eu tive outro dia foi mais longe: instalar nas cidades usinas elétricas movidas a esteiras de caminhada. Seria um modo de resolver nossas duas crises energéticas ao mesmo tempo: transferindo diretamente a energia acumulada nas nossas panças para os nossos sistemas de eletricidade.

img_0624_peq

Imagine se o mercado de energia funcionasse assim:

Você vai às Casas Bahia e compra um kit de energia solar ou eólica. Instala o dito cujo no telhado, seguindo o manual de instruções, pluga na tomada e, com o celular ou o computador, controla a produção de energia em casa. Quando seu gasto de energia for maior do que a produção, você recebe uma conta em casa. Mas, quando a produção superar o consumo, algo incrível acontece: chega um cheque pelo correio.

Não seria sensacional?

Seria, claro. Mas o jeito como os Estados Unidos estão incorporando energias limpas ao seu sistema é bem diferente disso. Por lá, eles estão substituindo carvão queimado por energia eólica e solar, o que é bom, mas de uma maneira que não muda a relação entre os produtores e os consumidores de energia. Você conhece o modelo: usinas gigantescas produzindo energia, postes monumentais transportando essa energia por milhares e milhares de quilômetros. Quem quiser pode instalar seu painel solar no telhado, mas o sonho de mandar essa energia para a rede e faturar uns trocadinhos com isso continua bem longe da realidade.

Uma reportagem bem interessante que a revista Fast Company publicou na sua edição de julho/agosto tenta entender por que é tão difícil mudar o jeito de pensar. A resposta a essa pergunta pode ser resumida numa palavra só: grana. Há muitos interesses milionários para evitar que o poder de produzir energia seja descentralizado. As empresas de energia, obviamente, não estão interessadas em ver seu mercado evaporar. E estão lobiando desesperadamente para evitar a mudança.

A revista chama o novo sistema de “microgrid”, em oposição ao tradicional “macrogrid”. A diferença entre os dois parece com a diferença entre a televisão (uma enorme infraestrutura de mão única levando informação do centro para as bordas) e a internet (uma teia gigantesca que não tem centro – todo mundo produz e consome ao mesmo tempo).

Produção centralizada de energia: essa não é a solução

Produção centralizada de energia: essa não é a solução. Melhor seria um desses em cada telhado.

Assim como a internet deu origem a uma avalanche de empreendedorismo pelo mundo, a ponto de algumas das maiores empresas do planeta hoje terem nascido lá dentro, essa mudança poderia iniciar uma nova era de dinamismo no setor de energia. Qualquer um de nós poderia ajudar a resolver a crise de energia – e ganhar dinheiro com isso. Haveria um surto de inovação, com gente mundo afora tentando desenvolver cataventos e placas solares mais eficientes, novas fontes de energia e de transmissão. Hoje não há incentivo para inovações nesse sentido: numa indústria em que, quanto mais energia for desperdiçada, mais cara é sua conta, para que eles vão querer que você economize?

Mas, se há fortíssimos interesses contrários ao microgrid, começa a haver também interesses a favor. Duas empresas poderosas estão apostando na ideia: a GE e a IBM. A primeira quer fabricar kits de produção de energia, a segunda quer virar referência em sistemas digitais para gerenciar a compra e venda de energia. Isso é bom sinal. Nenhuma boa causa tem chance de virar realidade sem um aliado rico apostando nela.

Vira e mexe alguém passa aqui para comentar sobre o pré-sal e o futuro do Brasil como exportador de petróleo. Há um ano, escrevi esta matéria para a revista Superinteressante dizendo que petróleo quase sempre é má notícia para o país que o encontra, a não ser quando ele se prepara muito bem para explorá-lo. E não me parece que o Brasil esteja se preparando muito bem…

Por isso, achei que valia retomar o assunto:

A maldição do petróleo

Está todo mundo feliz com a descoberta de imensas reservas de petróleo no Brasil. Acontece que, quase sempre, achar petróleo no seu país é uma péssima notícia

Por Denis Russo Burgierman – Superinteressante – julho/2008

O presidente Lula comemorou a imensa descoberta de petróleo ano passado dizendo que “Deus é brasileiro”. Antes de celebrar, talvez ele devesse ouvir a opinião do venezuelano Juan Pablo Pérez Alfonso (1903-1979), fundador da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Para ele, petróleo não é indício da mão de Deus, mas sim do intestino do demo. Juan Pablo costumava dizer que petróleo é o “excremento do diabo”.

Ele sabia do que estava falando, já que viu sua Venezuela erodir suas instituições democráticas e se perder em corrupção. É assim na maioria dos grandes exportadores de petróleo. Quase todos são ditaduras intermináveis, como o Iraque de Saddam e a monarquia saudita. Eles crescem menos que seus vizinhos sem petróleo e seus problemas sociais levam mais tempo para ser resolvidos. Vários são países devastados por guerras civis. Mesmo as democracias do óleo tendem a ser pouco democráticas. Veja o México, onde um mesmo partido, o PRI, ficou no poder por mais de 70 anos. Dos 20 maiores exportadores de petróleo do mundo, 16 são ditaduras. E outros dois – México e Venezuela – são democracias com instituições fracas. A maioria está nos últimos lugares do mundo em desenvolvimento humano, e entre os primeiros em desigualdade e endividamento. É nesse clube que o Brasil está prestes a entrar. Será que devíamos mesmo estar comemorando? E será que tem algum jeito de escapar da “maldição do petróleo”?

Por que petróleo faz tão mal? Como é que uma das mercadorias mais valorizadas do mundo pode gerar pobreza, guerra e autoritarismo? Nos últimos anos, economistas e cientistas políticos encontraram uma série de explicações.

A primeira: petróleo enfraquece a economia. Ele custa tão caro que uma cachoeira de dólares entra no país. Com muitos dólares em caixa, a moeda nacional se valoriza. Resultado, fica barato importar produtos estrangeiros e caro produzir – aí a indústria nacional definha. Só que o preço do petróleo é uma montanha-russa. Em 1990, o barril custava mais de US$ 40. Meses depois, caiu para menos de US$ 20. Enquanto este texto era escrito, um barril custava US$ 135. Essas altas e baixas destroem qualquer um. O preço sobe, o país se alaga de dólares e as indústrias fecham. O preço cai, secam os dólares, o país se endivida e não tem indústria para ajudar.

A segunda: petróleo distancia os políticos do povo. A maioria dos grandes exportadores de petróleo nem cobra impostos da população. Não precisam. Têm dólar sobrando. Os governos não prestam contas a ninguém, roubam descaradamente, torram dinheiro público e a sociedade civil é fraca, desestruturada.

A terceira: petróleo torna a política mais burra. A maioria dos países exportadores não tem um projeto de desenvolvimento, apenas grupos rivais brigando pelo poder – e pelo acesso ao poço de dinheiro. Quando chegam lá, gastam que nem loucos, sem planejamento, para não deixar nada para os rivais.

Quer dizer então que nos ferramos? Não. Num certo sentido, o Brasil deu sorte de virar exportador justo agora, quando estudiosos estão desvendando os mecanismos da maldição e inventando antídotos. Outra sorte é que o nosso petróleo está enterrado bem fundo, e vai demorar para começar a jorrar. Ou seja, dá tempo de nos prepararmos. Só que devemos trabalhar já, antes de o petróleo começar a ser vendido. Veja o que precisamos fazer:

1. Ter um projeto de país. Está na hora de governo, oposição e sociedade civil discutirem que tipo de país nós queremos. Claro que não vamos concordar em tudo, mas dá para alcançar alguns consensos. Por exemplo: o de que precisamos de educação básica decente, de infra-estrutura, de um sistema de saúde, de pesquisa científica, de proteção ao ambiente. O papel da imprensa é discutir essas questões e informar a sociedade, para que todo mundo possa participar. Com todo mundo de acordo com esse projeto, podemos planejar a longo prazo o uso do dinheiro do óleo – e cada governo novo tem a obrigação de continuar o que o anterior começou.

2. Proteger a economia. Quando o dinheiro vier, nos encheremos de dólares. Precisamos evitar que essa dinheirama inunde a economia e supervalorize o real. O ideal é colocar tudo numa conta separada, que precisa ser vigiada de perto pela oposição e pela sociedade civil, para que ninguém tire dela mais do que o permitido. O governo só pode sacar até um certo limite, e deixar o resto guardadinho para os nossos netos. Se o preço do petróleo cair, pode sacar um pouquinho mais para evitar depressão na economia. Se subir, é hora de guardar para tempos bicudos. E tudo o que o governo sacar tem que ser usado para colocar em prática o projeto de país descrito no item 1. Nada de aumentar a gastança do governo.

3. Transparência. O único jeito de evitarmos que surrupiem a grana é abrirmos todas as janelas. Precisamos que cada funcionário do governo tenha obrigação de prestar contas do que faz. Precisamos de organizações independentes destinadas a investigar gastos públicos. Precisamos de uma imprensa menos gritona e mais vigilante e racional. Precisamos que cada órgão do governo tenha como uma de suas funções fiscalizar um outro órgão do governo. Precisamos que o orçamento seja claro, transparente e público. O saldo da conta do dinheiro do petróleo, por exemplo, tem que poder ser acessado online por qualquer brasileiro. Se fizermos tudo isso, o petróleo não só deixará de ser uma maldição como resolverá a maioria dos problemas do Brasil. Está aí a Noruega, 3a exportadora de petróleo e 2o maior índice de desenvolvimento humano do mundo, para provar que é possível. Mas, se não fizermos a lição de casa… Hmm, a coisa vai feder.

petroleo1

Você já deve ter ouvido a história: energia solar é abundante e inesgotável, suficiente para suprir com folga todas as necessidades do Planeta Terra. Mas é cara. E é difícil de armazenar ou transmitir a longas distâncias, o que a torna uma opção ruim para terras pouco ensolaradas. Um dia essas questões técnicas serão resolvidas e não precisaremos mais queimar carvão para prover aquilo que o Sol nos dá de graça.

Se é assim, é de se esperar que o mundo esteja investindo loucamente em pesquisa com energia solar, certo?

Errado.

Ó:

energy

Estes são os investimentos de todos os países membros da Agência Internacional de Energia em pesquisa. Investe-se uma merrequinha no mundo para se desenvolver tecnologia para geração, armazenamento e distribuição de energia solar. Sabe por quê? Porque a gente continua preso na crença de que energia solar é cara e pouco prática. E energia solar coninua cara e pouco prática porque não desenvolvemos novas tecnologias. Como sair dessa dízima periódica?

Pensando diferente.

(O gráfico encontrei no blog Dot Earth, do New York Times.)