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Este blog foi indicado entre os 10 finalistas do prêmio Green Best, assim mesmo em inglês, para ficar mais chique. A finalíssima é por voto popular, então vote em mim! Ou não.

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Sou só eu que tenho essa sensação ou a vida anda mesmo muito difícil?

Ok, ela nunca foi fácil, mas não é estranho que tudo pareça tão complicado justo agora que a humanidade criou uma infinidade de ferramentas de altíssima tecnologia para facilitar a vida? Há microprocessadores até na sola do tênis, tudo está conectado, estamos mergulhados num oceano de informação com o mundo ao alcance dos dedos 24 horas por dia. A vida não deveria ter ficado mais fácil?

Na verdade não. O mundo ficou mesmo muito mais complexo. Antes vivíamos numa rede simplezinha, com só meia dúzia de conexões. Hoje a rede é infinitamente grande. A cada momento da vida, temos um quaquilhão de opções. Eu posso escrever este texto ou jogar videogame ou ir para a Finlândia ou aprender uma língua ou assistir aos 10 maiores filmes da história do cinema hoje, se eu quiser. E, diante de tantas possibilidades, ficamos imobilizados, ou escolhemos e depois nos remoemos tentando decidir se a escolha foi certa ou errada. Isso causa ansiedade, sofrimento e essa sensação constante de que a vida anda muito difícil.

Em novembro de 2010, me dei conta de que eu não tinha conseguido terminar nenhum livro ao longo do ano. Comecei dezenas, mas sempre troquei por outro que me tentou. O livro interminado ficava lá aumentando a pilha no criado-mudo. Todos os livros da pilha, em algum momento, me pareceram irresistivelmente fascinantes. Mas aí apareceu um outro impulso irresistível e o mais antigo de repente ficou parecendo uma ideia velha, chata. E logo chegaria outro impulso ainda, para tornar velha a ideia quase recém-nascida.

Aí fui viajar pela Amazônia, e fui decidido a mudar isso. Só andei de barco, geralmente viagens de mais do que 30 horas. Nos barcos na Amazônia se viaja na rede. Passei dezenas e dezenas de horas rangendo minha rede, para cá e para lá. Levei dois livros, comprei mais três em mercados de pulgas por lá. Li livros bem bons e outros bem ruins. Terminei todos. Isso me deu uma imensa paz de espírito.

Temos infinitas escolhas à nossa disposição hoje, e isso deveria ser uma coisa boa. Mas, por um mecanismo evolutivamente implantado em nosso cérebro, escolhas são sempre difíceis. Ter tantas não torna a vida mais fácil – torna-a mais difícil. Nossa tendência é escolher coisas demais (porque reduz a sensação de perda) e nos atormentarmos para acomodar tudo na nossa agenda cada dia mais lotada.

Em 2011 o que eu quero para a minha vida é mais foco. Continuarei curtindo meu iPhone e talvez compre um iPad. Não abandonarei a internet. Continuarei respondendo meus emails. Mas abrirei horas e horas e horas do meu dia para me concentrar em algo, a fundo. Passarei horas e horas e horas na rua coletando informações de primeira mão, não em frente a um computador, onde nada acontece. De celular desligado.

Erramos.

Eu disse outro dia que nenhuma cidade brasileira tem um sistema decente de aluguel de bicicletas.

Não conhecia a Mobilicidade, que opera o sistema Samba no Rio de Janeiro, Blumenau e João Pessoa. Passei o último feriado no Rio, usando o Samba. Tem estações de bicicleta em vários pontos da Zona Sul (infelizmente não tem no centro), o sistema é todo automático, operado por celular, as bicicletas são robustas, resistentes, e até que boas. Paguei só R$ 20 pela mensalidade e usar a bicicleta é grátis desde que você devolva em 1 hora (mas pode alugar quantas vezes quiser, sempre grátis por 1 hora). Muito legal.

Incrível como o simples fato de usar aquelas bicicletas gera interações sociais, aproxima pessoas, inicia conversas.

Agora alguém precisa arrumar um jeito de tirar todos aqueles carros da rua. Carro atrapalha muito o trânsito.