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“O que este blog está fazendo na Veja?”

Desde que comecei o Sustentável é Pouco, este comentário foi feito dezenas de vezes aqui. Tenho por hábito sempre responder às coisas que me são perguntadas na área de comentários, mas essa eu nunca respondi. Achei que valia a pena usar a coluna de hoje para corrigir essa descortesia.

Acredito que tem uma mudança descomunal começando a acontecer no mundo. De tempos em tempos, mudanças assim acontecem, talvez você se lembre de algumas delas das aulas de história do primeiro grau – a queda de Roma, o iluminismo, a revolução industrial. Viver num tempo de mudança profunda é um privilégio. Significa que a nós, entre todas as dezenas de bilhões de humanos que já existiram no mundo, foi dada a honra de participar da construção de uma nova ordem mundial, um novo jeito de pensar.

Mas, além de privilégio, é uma desgraça. Dizem que os antigos chineses, quando queriam amaldiçoar alguém, diziam: “Que você viva tempos interessantes”. “Tempos interessantes” são meio que o oposto de “tempos tranquilos”. São períodos turbulentos, de incerteza e estresse, em que ninguém se entende.

Nós nascemos no meio de uma ordem mundial, que era baseada em um certo sistema de alianças. “Eu sou de esquerda” e “eu sou de direita” são, por exemplo, duas dessas identidades típicas da ordem antiga. Não quero dizer aqui que esquerda e direita não existam ou que não sejam importantes. Não quero tampouco negar o legado de tanta gente incrível do passado que dedicou a vida a essas alianças. O que eu quero dizer é que, quando o mundo inteiro muda, essas divisões deixam de fazer sentido. Aí, é muito mais importante que a gente consiga – todos nós – sentar e conversar e mudar o jeito de fazer as coisas.

Pegue o caso do Código Florestal, por exemplo. O Brasil foi incapaz de melhorá-lo – e esta coluna assume sua cota de responsabilidade por essa incapacidade. O resultado disso é que fizemos uma lei esdrúxula e estúpida, que certamente vai causar mortes e destruição, e que não interessa a ninguém. Certamente não interessa aos produtores rurais, que não ganham nada com assoreamento dos rios e deslizamentos. Mas estamos tão presos na lógica antiga (ambientalistas são inimigos de ruralistas) que não conseguimos conversar a tempo de evitar a desgraça.

Precisamos aprender a conversar, e esta coluna, ao longo dos últimos dois anos e meio, foi basicamente isso: um espaço para conversa. Um espaço onde pessoas que pensam imensamente diferente umas das outras se dispõem a prestar atenção por um momento no que o outro está dizendo. E, se é verdade que mais de uma horda de trolls já passou por aqui, queimando casas e berrando de fúria, é verdade também que houve alguns momentos memoráveis de gente chegando a um acordo. Houve uma quantidade razoável de comentarista mudando de opinião ao longo da discussão, não porque foi convencido, mas porque aprendeu a levar em conta a opinião do outro em sua visão de mundo.

Foi uma honra coordenar este espaço aqui.

Estou me despedindo desta coluna. A Veja está reformulando o site e mudando a lógica de seu conteúdo editorial. E, se está mudando, torço a favor: é de mudanças que este mundo precisa. Agradeço à Veja, por ter me dado plena liberdade enquanto estive aqui.

Para mim, pessoalmente, o fim da coluna vem em boa hora. Estou obcecado pelo tema da minha pesquisa: maconha e o futuro da política de drogas. Agora preciso de 100% de foco, para escrever um livro, que lanço ainda antes do final do ano. Estava mesmo difícil dar atenção a outra coisa.

Valeu por tudo, desculpa qualquer coisa.

Até a próxima.

Denis

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Caros leitores,

Peço desculpas, mas estou atrasado para o post desta semana. Estou em outro fuso-horário, com a agenda cheia, e já vi que só vou conseguir sentar e escrever na madrugada. Amanhã, quando vocês acordarem, vai ter um post quentinho esperando por vocês. E prometo que não vou jogar gás lacrimogênio em ninguém.

A ideia é boa, há que se admitir. Invente um prêmio por voto popular e peça aos finalistas para eles mesmos pedirem votos. Assim o prêmio fica conhecido e todo mundo fala sobre ele. Eu, por exemplo, caí como um patinho.

Cheguei à final do tal prêmio. Votem em mim!

Internet é mesmo uma coisa muito louca.

Em junho coloquei aqui no blog uma ferramenta que identifica o país de onde vem cada visitante e vai montando um mapa mundi com as bandeirinhas. Esta semana, cinco meses depois, uma pessoa no Camboja entrou no blog. Com isso, completam-se 100 países no meu mapa. Dá para sacar que a enorme maioria dos visitantes são brasileiros espalhados pelo mundo – as estatísticas atestam que os países com mais visitantes são aqueles com mais brasileiros (Brasil 89,9%, EUA 3,2%, Portugal 1,2%, Alemanha 0,7%, Reino Unido 0,6%, Japão 0,5%). Mas acho chocante constatar que estas palavrinhas despretensiosas têm sido eventualmente lidas na Bósnia, no Gabão, no Kuwait, na Líbia, em Cuba e no Vaticano.

Aproveito então este marco para mandar um abraço ao mundo.

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